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Anos antes da condenação de Lula, o PT prometia expulsar qualquer filiado “julgado culpado”

O programa foi ao ar em 5 de maio de 2015. Numa fala inicial, Lula comentou a agenda do partido. Aos 7 minutos, Rui Falcão, ainda na presidência da sigla, prometeu que “qualquer petista que cometer malfeitos e ilegalidades não continuará nos quadros do partidos“:

“O PT é uma instituição com milhões de filiados e simpatizantes em todo o Brasil. Gente como você, que sempre sonhou e lutou por um país mais justo e solidário. Gente que não convive nem é conivente com ilegalidades e quer, igual a você, o fim da impunidade. Por isso, qualquer petista que cometer malfeitos e ilegalidades não continuará nos quadros do partidos.”

Na sequência, o apresentador do programa partidário achou por bem enfatizar a ideia:

“Você ouviu. Qualquer petista que ao final do processo for julgado culpado será expulso!

Há, claro, um jogo de palavras perfeitamente calculado para evitar medidas drásticas. Afinal, o que seria “final do processo”? No 12 de julho de 2017, Sérgio Moro julgou Lula culpado na investigação que atingia o triplex do Guarujá. Na segunda instância, o veredicto deve ser conhecido em 2018. Se houver concordância com o já decidido em Curitiba, o ex-presidente será preso. Numa situação dessas, o PT expulsaria o principal líder? Ou o “final do processo” só será reconhecido quando o caso enfrentar recursos e mais recursos até se esgotar no STF, num prazo impossível de se antever?

De qualquer forma, resta a ironia: para cumprir o que prometeu, o PT pode se vir obrigado a se livrar do quadro que mais rendeu-lhe votos.

Fonte: G1

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