Blog

Agnelo, o Arruda do PT: Testemunha afirma que governador do DF era o chefe do esquema no Esporte

Reportagem publicada no último fim de semana pela revista Istoé traz o depoimento do auxiliar administrativo Michael Alexandre Vieira da Silva, testemunha-chave da Operação Shaolin da PF, ocorrida no ano passado. A operação investigou irregularidades no programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte e terminou com a prisão de cinco pessoas – entre eles, o policial João Dias Ferreira, que agora denuncia a participação de Orlando Silva no esquema. As declarações de Michael são contundentes: ele afirma que o chefe do esquema de corrupção montado no ministério do Esporte era o ex-ministro e ex-comunista baiano Agnelo Queiroz, hoje governador do DF e petista.

Até agora, Agnelo vinha tentando se distanciar do noticiário sobre o ministério que ele comandou do primeiro dia do governo Lula até março de 2006 e entregou a Orlando Silva, seu secretário-executivo na pasta. Como deixou o cargo há mais de 5 anos, Queiroz se defende dizendo que todas as contas de sua gestão foram aprovadas pelo TCU. Não é bem assim: com base em relatório do próprio Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal entrou com ação contra Agnelo e o Comitê Organizador dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro acusando o superfaturamento de obras do Pan-2007. Além disso, Agnelo também já consta como investigado em processo que corre no STJ sobre as irregularidades no Programa Segundo Tempo.

A origem do “esporteduto” do PC do B

A “vocação” do Partido Comunista do Brasil para gerir os esportes em administrações petistas foi descoberta em 2001, quando Marta Suplicy era prefeita de São Paulo e entregou a secretaria da área ao partido.

Quando Queiroz assumiu o ministério, o Esporte era considerada uma espécie de “prêmio de consolação” ao PC do B. Em 2003, a pasta tinha o menor orçamento do primeiro ministério do governo Lula. Com o comando dos esportes em nível federal, enquanto o ministério ainda era considerado praticamente insignificante, os comunistas passaram a centralizar suas indicações em governos e prefeituras Brasil afora na área – quase sempre fazendo parte de coligações onde o cabeça-de-chapa era do PT -, criando as condições para o “esporteduto” do PC do B.

O Esporte cresce e Agnelo aparece

Com os anúncios de que o Brasil seria sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, a Copa-2014 e a Olimpíada-2016, além do Pan-2007 – uma espécie de “treinamento” para os dois outros -, o ministério dos Esportes ganhou importância e verbas, e Queiroz começou a aparecer. Literalmente. Assim como Orlando Silva, Agnelo também teve lá suas “tapiocas” (escândalos de gravidade menor, mas que dão indícios do caráter do homem público) enquanto comandou o ministério. Dois episódios emblemáticos já entraram para o folclore político e esportivo nacional: a ocasião em que o ministro autografou, junto com ídolos do basquete, uma camisa que homenageava os bicampeões mundiais na modalidade e o episódio da Copa América de 2004, no Peru, quando Agnelo colocou no peito a medalha de ouro que seria entregue ao zagueiro Luisão, que saiu machucado durante a final e foi levado a um hospital antes da cerimônia de premiação. Menos engraçadas foram a festa de aniversário que usou a estrutura do ministério, a hospedagem do ministro em navio de luxo junto com Bill Gates na Olimpíada de Atenas-2004 e as diárias pagas pelo COB em sua viagem à Republica Dominicana (2003), que também havia sido financiada pelo governo brasileiro.

A eleição de 2010 e o futuro do governador

Agnelo saiu do ministério em 2006, para concorrer a uma vaga no Senado pelo DF. Perdeu para Joaquim Roriz. Em 2010, já no PT (ele se desfiliou do PC do B em 2008), conseguiu ser eleito governador depois do escândalo que derrubou seu antecessor José Roberto Arruda, candidato natural à reeleição antes de ser preso, e da cassação dos direitos políticos de Roriz, que foi impedido de concorrer por causa da lei da Ficha Limpa e acabou lançando sua esposa Weslian como candidata na última hora. Sem opções, o eleitor candango viu-se forçado a escolher entre Weslian Roriz e Agnelo Queiroz no segundo turno:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=pMPg9LexYow[/youtube]

Podia-se argumentar que Weslian era apenas uma Dilma com menos media training e um padrinho político um pouco menos popular, mas o eleitorado do DF, traumatizado com o descalabro da administração anterior, preferiu não arriscar e elegeu o ex-ministro de Lula. Durante a campanha, surgiram denúncias de aumento de patrimônio acima da renda e de invasão de terreno público contra Agnelo. Agora, com os indícios de que o “esporteduto” do PC do B começou com Queiroz, que teria continuado chefiando o esquema mesmo quando não era mais ministro, a comparação com Arruda é inevitável. Se Orlando Silva perder o cargo de ministro por ter herdado e dado continuidade ao “esporteduto” do PC do B, como ficará a situação de Agnelo, o mentor, à frente do governo do DF?

Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 50% OFF (com desconto máximo de R$ 20) em 3 corridas.

Notícias Recentes

To Top