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Internação compulsória tem início em SP e “progressistas” protestam a favor do crack

manifestacao

confiram o naipe dos “especialistas”

O primeiro dia da parceria entre o Governo do Estado e a Justiça de SP para internar usuários de crack involuntariamente foi marcado por um protesto de setores progressistas contra a medida. A reportagem da BBC Brasil ouviu o padre Júlio Lancelotti (sim, aquele…) durante a manifestação:

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Um grupo de cerca de cem ativistas protestou com cartazes e tambores em frente ao Cratod contra as internações forçadas. Membros mais exaltados tentaram até dissuadir uma mulher que procurou ajuda para internar um parente.

Eles defendiam que, em vez de se focar em internações à força, o governo concentre seus recursos em ampliar a rede de atendimento regular e ambulatorial a dependentes químicos – especialmente com a melhora do atendimento noturno.

“É a mesma coisa que você ir para o hospital e dizerem: ‘o teu estado é grave, mas vamos esperar ficar desesperador, aí alguém te traz aqui e a gente te interna na UTI’. Aqui (o Cratod) é a UTI”, disse o padre Júlio Lancellotti, que defende moradores de rua e a população excluída de São Paulo.

Lancellotti afirmou também que ativistas de direitos humanos estão insatisfeitos com a falta de informações sobre como serão feitas na prática as internações à força.

“O pessoal (dependentes químicos que frequentam a Cracolândia) está com medo, estão assustados. Não adianta dizer que a polícia não vai, eles têm que ver e sentir isso”, afirmou.

O governo afirmou que as abordagens de usuários serão feita por assistentes sociais e agentes de saúde, por meio do convencimento e sem a presença da Polícia Militar.

Segundo o desembargador Antônio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça, se esses agentes verificarem que o viciado corre algum risco e não conseguirem convencê-lo a ir voluntariamente ao Cratod, poderão pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros.

Os bombeiros, que são subordinados à Polícia Militar, poderão, em tese, levar o usuário de drogas à força para tratamento. Ele deixou claro, porém, que esses serão casos de exceção.

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(grifos nossos)

A ação iniciada ontem na capital paulista não é novidade no Brasil: no Rio de Janeiro, desde março de 2011 são frequentes as “batidas” policiais, em conjunto com a Secretaria de Assistência Social, nas várias cracolândias da cidade. Mais de 4 mil usuários já foram recolhidos involuntariamente, mas voltam às ruas porque não há vagas suficientes nos centros de tratamento. Em São Paulo, os usuários são levados ao Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), onde há desde esta segunda (21) um plantão jurídico (que também conta com integrantes da Defensoria Pública), onde são avaliados e internados compulsoriamente, se necessário, sob indicação médica e com ordem judicial.

Diferentemente da internação involuntária (com autorização da família do usuário), a internação compulsória só ocorre nos casos em que a pessoa recusa o tratamento e não é possível encontrar nenhum familiar próximo para autorizar a internação. No primeiro dia de funcionamento do plantão jurídico no Cratod, não foi registrada nenhuma internação compulsória.

Os manifestantes declararam-se insatisfeitos com a “falta de informações” sobre a ação. Caso não tenham ligado a TV nem lido jornais nos últimos dias – a turma não costuma acompanhar o “PIG” -, há no portal do Governo uma série de perguntas e respostas que podem ajudá-los a dirimir qualquer dúvida.

Os progressistas do padre Júlio acreditam que a melhor forma de ajudar a “população excluída” da cracolândia é deixando-os livres para exercer a própria vontade. O problema é que a vontade do usuário de crack geralmente resume-se a… fumar crack, até que acabe morto. Interná-los involuntariamente é como impedir um cidadão que tenta saltar do alto de um prédio.

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