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Kennedy, o Robin do Franklin, diz o que o PT quer que você ouça

Alguém conseguiria imaginar um clássico entre Corinthians e Palmeiras, final de campeonato, tendo como árbitro um ex-jogador que já foi sócio e ídolo de um dos clubes – e ainda deve guardar com amor no fundo de alguma gaveta aquela foto da final de 85? Com o perdão da analogia futebolística à Lula, foi o que aconteceu em um dos debates presidenciais do 2° turno de 2010 – guardadas as devidas proporções -, sem maiores alardes ou protestos da oposição.

 

 

Uma das mentiras mais caras ao petismo é a fábula da “mídia conspiradora de direita”, cujos grandes expoentes seriam os grupos Globo, Abril, Folha e Estado de S. Paulo. O colunista da Folha (e mediador do debate da RedeTV em 2010) Kennedy Alencar é uma boa medida do tamanho da injustiça cometida.

Kennedy foi assessor de imprensa do PT entre 1994 e 1995. Deixou o partido para virar “servo da imprensa golpista” e mesmo assim não perdeu o prestígio com a companheirada, que sempre lhe sopra informações direto do “círculo íntimo” do poder: o apelido do título vem da ocasião em que ele teve acesso a uma sentença judicial envolvendo o então ministro Franklin Martins (sempre me vem à cabeça o filme Point Break – Caçadores de Emoção quando vejo esses nomes de presidentes americanos…) antes mesmo dela ser assinada.

Nixon, Carter, Reagan e Johnson. Franklin e Kennedy não compareceram a este evento

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Essa semana o PT deu início (de forma extra-oficial ou não-contabilizada, é claro) sua campanha com vistas às eleições municipais de 2012. Duas notas na coluna de Monica Bergamo na Folha de ontem (íntegra para assinantes) dão conta da estratégia do partido. Leiam com atenção:

DIVISÃO DE TAREFAS

O ex-presidente Lula gravou nesta semana participação nos comerciais do PT, que vão ao ar a partir do dia 30. Será a estrela das propagandas, junto com Dilma Rousseff. Os dois vão aparecer sozinhos, em peças diferentes. No roteiro, Lula falará mais para o “povão”. A presidente, para a classe média.

BOLEIA
Um estrategista do PT afirma que a tentativa de transformar Dilma em um “anti-Lula”, elogiando a presidente e contrapondo seu governo ao do antecessor, facilitará a vida do partido. “Em São Paulo, a gente coloca o Lula no caminhão na periferia. Vem de Guaianases, Itaquera, Jardim Ângela. Chegando perto do centro da cidade, ele desce do caminhão e a Dilma sobe para falar para a classe média do Tatuapé, dos Jardins, de Higienópolis.”

 

Coincidência

No mesmo dia 22/04 é publicada a coluna semanal de Kennedy no site do jornal. Título? A diferença entre Dilma e Lula

Alguns podem estranhar que um colunista “de carteirinha” como ele, que demonstra um grau de alfabetização bem superior ao de qualquer um dos que trilharam o caminho inverso – depois de demitidos da grande mídia má, descobriram a vocação “progressista” – e prosperaram, nunca tenha sido cotado para um ministério, secretaria, presidência de estatal ou contrato nababesco com emissora de TV pública. Muito pelo contrário, aliás: o Robin do Franklin tem expandido sua presença na RedeTV (onde apresenta um programa de entrevistas muito cordiais, quase sempre com políticos relacionados ao governo) e na rádio CBN, do famigerado grupo Globo de comunicação.

Trata-se, na verdade, de um bom negócio para quase todos os envolvidos: além dos óbvios em termos de carreira para o próprio jornalista e para o político que quer fazer passar seu “recado” ou “versão” sem precisar mostar a cara, os veículos lucram publicando as informações e entrevistas exclusivas, e acabam atraindo um público que normalmente os rejeita – afinal, eles fazem parte da grande conspiração da direita. Só quem perde é o leitor/espectador/ouvinte comum, que nem sempre percebe que está recebendo a “versão oficial” travestida de “apuração de bastidores”.

Em sua defesa, vale ressaltar que, ao contrário do “jornalismo de serviços”, este ao menos é financiado com dinheiro 100% privado…

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