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Lula, um ex-presidente com assessoria de imprensa e fotógrafo oficial. Nunca antes na história deste país…

Conforme já prevíamos no dia do anúncio do tumor do ex-presidente, não tardou para que Lula começasse a fazer exploração política da doença. Logo no dia seguinte, sua assessoria divulgou que o papa Bento XVI havia “manifestado preocupação” e “incluído Lula em suas orações”, num esforço para tentar dar ares de “comoção internacional” à enfermidade do ex-presidente. A notícia acabou reproduzida em diversos jornais e portais. Na verdade, o papa não fez nenhum pronunciamento público nem divulgou nota oficial sobre o assunto, apenas expressou seus sentimentos em conversa informal durante a apresentação do novo embaixador brasileiro no Vaticano.

A primeira visita de Lula ao hospital Sírio Libanês, onde vai se tratar, foi acompanhada por seu fotógrafo oficial, Ricardo Stuckert*, e teve ampla divulgação de imagens à imprensa.

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A primeira visita de Dilma a Lula no hospital também foi acompanhada por Stuckert, que produziu esta foto cheia de simbolismo do encontro:

Fotografia também é arte. A imagem remete a famoso afresco de Michelangelo na Capela Sistina, embora a situação lembre mais "Saturno Devorando Seu Filho", de Goya

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Esse tipo de exploração de gosto duvidoso das enfermidades de seus políticos não é novidade ao petismo, como pudemos ver recentemente nos casos de Dilma (tratamos do assunto em nosso mais recente editorial) e José Alencar. Durante a campanha presidencial de 2010, o mesmo Stuckert já havia registrado imagem semelhante, com apelo mais dramático, de Dilma e Lula em torno do então vice-presidente na UTI do mesmo hospital Sírio Libanês:

Stuckert praticamente plagiou o trabalho do polêmico fotógrafo italiano Oliviero Toscani para a Benetton nos anos 90, substituindo o moribundo doente de AIDS e seus familiares por Alencar, Lula e Dilma

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Já no segundo dia de tratamento foi divulgado um vídeo do ex-presidente agradecendo a solidariedade que recebeu, traçando um paralelo entre as “batalhas” que já teria enfrentado e a luta contra a doença. Lula ainda aproveitou a filmagem para pedir apoio a Dilma e avisar que logo voltaria aos palanques. O vídeo tinha assinatura do tal “Instituto Lula”, onde uma equipe coordena a campanha permanente de comunicação lulista.

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O culto à personalidade de Lula, de forma profissional e organizada, mesmo após ele ter deixado a presidência e afirmado diversas vezes que se retiraria da vida pública (“Pretendo me dedicar à pesca e preparar um coelho assado na panela” – era mentira, claro) mostra que, ao menos em alguns aspectos, o petista cumpriu seu objetivo de ser um “ex-presidente como nenhum outro na história deste país”. Desde que deixou o poder, o contato mais próximo que FHC – que carrega a imagem de “vaidoso” – deve ter tido com um fotógrafo profissional provavelmente foi quando contratou um para a festinha de aniversário do neto. Itamar, o “excêntrico”, não abandonou a política, mas nem por isso somos brindados regularmente com fotos de seus encontros privados na imprensa. A família de Collor, o “megalômano”, é proprietária de veículos de comunicação, mas até onde sabemos nunca destacou um fotógrafo para cobrir as atividades do ex-presidente – ao menos não após o impeachment… Nem Sarney, o “oligarca” aliado ao petismo, anda por aí acompanhado de “profissionais de imagem”.

Toda campanha publicitária tem objetivos claros e definidos. O de Lula é manter-se na mídia até ter condições de voltar ao poder.

* Stuckert é o fotógrafo de Lula desde os tempos da presidência, e com o término do segundo mandato foi incorporado ao Instituto Lula. O profissional escolhido por Dilma para o lugar de Ricardo Stuckert é justamente seu irmão mais novo, Roberto Stuckert Filho. O pai deles já havia sido fotógrafo do presidente João Figueiredo (1979-85).

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