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Os “progressistas” e o Judiciário: Uma comédia em cinco atos

Though this be madness, there is method in it. [Apesar de ser loucura, revela método.]

Shakespeare – Hamlet – Ato II, Cena II

Na semana passada vimos mais um esquete do pastelão protagonizado pelos autodenominados “blogueiros progressistas”. O roteiro é conhecido. Trata-se de um filme que vem sendo reprisado ad nauseam desde o governo Lula:

1. Jornalista é demitido de algum grande grupo de comunicação tido como adversário do Governo Federal

Podem escolher o grupo: Abril, Folha, Globo, Estado. A blogosfera progressista conta com uma extensa fauna de representantes – “escribas” tornados aspones digitais oficiais, ex-repórteres “escrevinhadores” que “viram o mundo”, ex-apresentadores do “papo furado” ou ex-colunistas apreciadores de “dinheiro vivo” – provenientes de qualquer um deles. Os motivos das demissões não costumam ser os mais nobres: um deles foi mandado embora porque tentou achacar políticos e empresários em troca de elogios na coluna que mantinha em jornal, por exemplo. Alguns nem tinham relação com a área de política até o dia em que receberam o bilhete azul e…

2. Ele cria um blog com ataques pesados contra o ex-empregador, a “mídia” em geral, ministros do STF, a oposição e administrações estaduais e municipais não alinhadas com o petismo, ao mesmo tempo em que defende o Governo Federal e seus aliados políticos

Uns começam humildes, em endereço próprio. Outros aproveitam o espaço que já possuíam (às vezes até em portais também ligados a grandes grupos de comunicação) para isso. Quanto mais virulento, ou “polêmico” e “contestador”, mais rápido ele será notado pela turminha progressista. Uma carreira extensa no que eles chamam de “PIG” também conta pontos extras. Mas, claro, ele sempre se declarará independente, isento e imparcial. Parciais e militantes são os outros. Parte deles ainda se arrisca a palpitar sobre música, cinema, artes plásticas e triviais quetais para fazer uma espécie de contraponto ao conteúdo político. Aos poucos começa a aparecer um banner de estatal aqui, um evento patrocinado pelo governo ali, até que…

3. O jornalista é contratado por outro grupo de comunicação cujo dono, quando não o próprio, seja parceiro do Governo Federal

Já inserido na “blogosfera progressista”, o próximo passo é arrumar um emprego de verdade novamente. Os mais famosinhos (afinal, eram da Globo antes, né?) e articulados acabam retomando a carreira de repórter, âncora ou apresentador na TV do bispo. Dá uma boa grana e audiência razoável, mas de vez em quando há o risco de o material “jornalístico” ser utilizado no Fala Que Eu Te Escuto. Ossos do ofício. Já os menos carismáticos acabam descolando um programa em alguma TV estatal que ninguém assiste ou uma coluna na revista semanal de atualidades que dá desconto aos militantes do PT. Apesar de oficialmente serem funções separadas, e muitas vezes conflitantes, eles invariavelmente acabam mantendo e até expandindo o espaço “independente” na internet. Eis que então…

4. Nosso herói é processado por alguma barbaridade publicada no blog

Vale tudo: chamar o alvo de racista, fazer ofensas racistas (sim, foi o MESMO blogueiro que sofreu estes 2 processos), atacar a reputação de jornalistas desafetos – enquanto acusa outros de fazerem exatamente isso quando reagem -, insinuar que o ex-patrão atuou em filmes pornográficos. Enfim, a ordem por aquelas bandas parece ser “atirar primeiro, perguntar depois” – ou não perguntar nada mesmo. Um deles até mantém orgulhoso no blog uma listagem de todas as pessoas que já o processaram. Mas não deixa de espernear quando…

5. Condenado, ele se declara vítima de alguma grande conspiração, censura, cerceamento

Com diferentes graus de desfaçatez, todos vão pelo mesmo caminho: uns, mais humildes, culpam o juiz ou fórum onde foram condenados. Outros já descrêem da Justiça em todo um estado (afinal, se a empresa X é poderosa, o judiciário local só pode ser cooptado por ela). Mas os medalhões mesmo conseguem afirmar que “o Judiciário é uma grande ameaça à democracia”, referindo-se a processos sofridos por eles mesmos, sem gaguejar ruborizar.  Os mais convincentes no papel de Napoleão-de-hospício até dão de ombro para decisões judiciais – e ainda continuam recebendo dinheiro público através de gordos patrocínios.

***

Mas o Judiciário não é de todo ruim para a blogosfera progressista. Aquele blogueiro que desdenhou da Justiça descumprindo um acordo, por exemplo, anunciou que processaria dezenas de veículos e jornalistas por terem informado que o acordo tratava-se de uma condenação por ofensas racistas. Se não confiasse no Judiciário, não teria escolhido esse meio para tentar buscar punição a seus adversários, certo?

Eles também não se furtam de comemorar publicamente quando vencem alguma causa – há um caso notório de blogueiro progressista que tem o hábito de anunciar que “nunca foi derrotado” na Justiça, embora os fatos comprovem o contrário. Em certa ocasião, este mesmo blogueiro, aliás, inadimplente com o BNDES, viu sua dívida reduzida à metade em renegociação judicial. O blogueiro não honrou o compromisso, mas também não reclamou do Judiciário – aquela grande ameaça à democracia – naquela oportunidade.

Na Corte Suprema, assim como costumam difamar seus desafetos, eles também procuram adular seus preferidos. Recentemente, representados por aquele mesmo blogueiro das ofensas racistas, tentaram levar um deles a um de seus eventos. Sem sucesso, mas mesmo assim piratearam uma frase atribuída ao juiz e a exibiram em telão (foto acima).

O grande sonho dos que gritam por “liberdade de imprensa” quando processados por ofensas é ver aprovada no Brasil uma Ley de Medios aos moldes da argentina, que censure a imprensa livre e garanta aos “progressistas” a “liberdade” de seguir com suas campanhas de difamação. Para os blogueiros progressistas, juiz bom é aquele que os absolve e condena seus adversários. O problema é que o inverso costuma acontecer com frequência muito maior.

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