Blog

Será que estamos sendo justos com ele?

Mande este texto para aquele seu amigo que “não é petista, mas” está inconformado com a baixa popularidade do prefeito Haddad

ministro Fernando Haddad no Senado-size-620

Nos últimos dias, começaram a aparecer nas redes sociais pessoas incrédulas com a péssima avaliação dos paulistanos – 47% de “ruim” ou “péssimo” – sobre a gestão Haddad. No melhor estilo será que estamos sendo justos com ele?, a turma “100% neutra e isenta” desafia os amigos “coxinhas” a argumentar; alguns mais arrojados se referem a Haddad como #Prefeitão – sem ironia! – no Twitter; outros vão mais longe e já exigem que quem desaprova o alcaide desfaça a amizade virtual – correndo o risco de perder cerca de 85% dos amigos…

Coincidentemente (ou não), o PT anunciou na semana passada que lançaria uma ofensiva para tentar reabilitar o prefeito paulistano, com o objetivo último de ajudar a campanha do partido ao governo do estado. O ex-presidente Lula chegou a chamar de ingratos os paulistanos insatisfeitos com seu prefeito.

Em resposta a isso, nós preparamos um resumo da obra de Fernando Haddad em pouco mais de um ano e meio à frente da Prefeitura de São Paulo:

Campanha baseada em dois enormes estelionatos eleitorais

A campanha de Haddad apoiou-se fortemente em duas promessas: o “Arco do Futuro”, que vinha ilustrado por uma bela animação em 3D durante o horário eleitoral, e o fim da Taxa de Inspeção Veicular na cidade, anunciado enfaticamente pelo próprio candidato na TV: “Eu vou acabar com essa taxa!”.

Ainda nos primeiros meses de mandato, o prefeito admitiu que boa parte das obras previstas no tal Arco do Futuro ficariam no mundo da ficção pois eram muito caras, depois condicionou as que sobraram à aprovação de seu Plano Diretor pela Câmara dos Vereadores.

Já o fim da Taxa da Inspeção Veicular foi um aceno à classe média que possui carro: Haddad não só não acabou com a taxa (e nem vai acabar), como transformou a vida do motorista paulistano em um inferno com as faixas exclusivas de ônibus mal implementadas. Enquanto isso, o Governo Federal do partido do prefeito oferece todo tipo de incentivo à indústria automobilística e ao consumidor que pretende adquirir um veículo. Sendo São Paulo a maior cidade do país, não é necessário muita perspicácia para adivinhar onde vão parar a maioria desses automóveis.

Suspeitos, improbos e fichas-sujas no primeiro escalão

“Nossa, mas até parece que nos outros partidos só tem santo, não é?” Ok, mas também não precisa exagerar: Haddad foi à Justiça para poder nomear TRÊS vezes como secretário das Subprefeituras o vereador Ricardo Teixeira (PV), condenado por improbidade administrativa.

Em seu primeiro dia como prefeito, Haddad nomeou assessora da Secretaria de Governo (a “Casa Civil” da Prefeitura) a petista Maria Aparecida Perez, que estava com os bens bloqueados por conta de um processo por desvio de dinheiro público durante a gestão Marta Suplicy (2001-2004), quando foi secretária da Educação. Em maio deste ano, Maria Aparecida foi condenada a devolver R$ 7,8 milhões aos cofres públicos.

Haddad ainda teve de demitir o próprio titular da Secretaria de Governo, o vereador Antônio Donato (PT), após o nome dele ter sido citado nas investigações da chamada “máfia do ISS” por ter indicado o suposto líder do esquema para cargo na SPTrans – e recebido em troca uma polpuda doação para sua campanha eleitoral.

Para a Secretaria Municipal da Igualdade Racial (pois é…), foi nomeado o pagodeiro e comunista do Brasil Netinho de Paula, que dispensa apresentações, para chefiar uma equipe que também conta com a ex-ministra Matilde Ribeiro, demitida por ter feito compras num Free Shop com cartão corporativo.

Querem mais? Haddad também deu um cargo na Prefeitura para um certo Ricardo Schumann, ex-funcionário de alto escalão da Caixa Econômica Federal, também conhecido como o homem que quebrou o sigilo do caseiro Francenildo.

Um prefeito que não conhece a cidade

Pode parecer argumento de taxista (e é mesmo!), mas não deixa de ser verdade: apesar de ter nascido e crescido em São Paulo, Haddad viveu em Brasília desde o início do governo Lula, em 2003, e só voltou a morar na capital paulista quando se desligou do Ministério da Educação para concorrer à Prefeitura. Na campanha, dois episódios ficaram famosos: ele confundiu Itaim Paulista com Itaim Bibi durante um comício e demonstrou que não sabia nem o endereço da Prefeitura em uma sabatina.

Depois de eleito, apesar de ter anunciado que iria ao trabalho diariamente de ônibus, Haddad pouco é visto fora de seu gabinete, com exceção de eventuais photo-ops para o consumo de jornalistas e militantes. Também não ajudam a fama que ele tem de não trabalhar aos finais de semana, muito menos o fato de ter tirado férias duas vezes em um ano e meio.

É claro que ninguém é obrigado a conhecer cada canto de uma cidade com as dimensões da capital paulista, mas isso se torna um problema grave quando se é um prefeito dado a fazer “experimentações” sem o menor planejamento nem noção das consequências. Um exemplo: recentemente, a construção de um corredor de ônibus na avenida Eng. Luís Carlos Berrini foi paralisada por quase um mês, com as duas faixas centrais interditadas, para que a Prefeitura pudesse fazer um estudo do impacto da obra. Apesar da enorme população de ratos na cidade, o paulistano não gosta de ser feito de cobaia.

As faixas e corredores de ônibus

 O episódio descrito acima evidencia o modo como foram feitos o planejamento e a implementação das faixas de ônibus: de forma autoritária, atabalhoada e inconsequente. A falta de critério na escolha das vias ‘agraciadas’, a supressão de linhas de ônibus sem maiores explicações nem aviso prévio, a falta de investimento em renovação e aumento da frota são apenas alguns dos inúmeros erros de Haddad nessa área. Não é de surpreender que as primeiras pesquisas apontem pouca mudança em relação ao tempo médio que os usuários de transporte público gastavam em seus deslocamentos antes das faixas.

Já os corredores de ônibus são um capítulo à parte: no começo do ano, o Tribunal de Contas do Município determinou a suspensão da licitação, e no mês passado a Prefeitura teve de lançar novo edital para apenas um trecho. Ninguém sabe quando serão lançados editais para os trechos que ficaram faltando. Um show de competência.

IPTU

Para seu segundo ano de mandato, Haddad havia preparado uma surpresa para os cidadãos paulistanos: aumento de 20% para imóveis residenciais e 35% para os comerciais no IPTU. Mesmo após o Tribunal de Justiça de São Paulo vetar o reajuste em decisão liminar, Haddad chegou a sancionar o a lei que o aprovava. Finalmente, o Superior Tribunal de Justiça  viria a barrar o aumento considerado abusivo.

Cracolândia

A essa altura, todos já devem ter ouvido falar do Braços Abertos, o programa de combate ao crack da Prefeitura de São Paulo que não combate o crack… A experiência de oferecer moradia e salário aos usuários sem nenhuma contrapartida, em um ambiente onde na prática o tráfico é liberado – houve até um caso de traficante portando o crachá da Prefeitura – deu tão certo que o prefeito prometeu inaugurar outras ‘cracolândias’ nos moldes da original cidade afora.

MTST

Devido à aliança com o PP, especulava-se antes da eleição que Haddad entregaria a Secretaria de Habitação de “porteira fechada” à turma do partido comandado pelo ex-governador Paulo Maluf, mas foi pior ainda: quem manda hoje na área é o MTST, utilizado por Haddad como massa de manobra. O prefeito chegou a subir em um carro de som do movimento e incitar os manifestantes a ir protestar em frente à Câmara dos Vereadores para pressionar pela aprovação de seu Plano Diretor. Em troca, ele legalizaria terrenos invadidos por seus aliados – esta promessa cumprida integralmente: com a aprovação do Plano, quatro invasões foram legalizadas.

Recentemente, descobriu-se que a Secretaria mantém um cadastro secreto e prioriza membros do MTST na distribuição de casas, e por conta disso o Ministério Público recomendou ao Governo Federal o bloqueio do programa Minha Casa, Minha Vida para a cidade de São Paulo.

Lei Cidade Limpa

Principal marca da gestão de seu antecessor Gilberto Kassab (PSD) e amplamente aprovada pela população, a Lei Cidade Limpa virou letra morta na cidade: a administração Haddad por um lado afrouxou a fiscalização (queda de 90% nas autuações entre o final do mandato de Kassab e o início do de Haddad), e por outro flexibilizou a lei, liberando algumas formas de publicidade em veículos e no mobiliário urbano.

Virada Cultural

Em sua campanha, Haddad prometia uma “periferia vibrante, com cultura”, mas acabou concentrando todos os eventos da Virada Cultural de 2013 no Centro, e apesar de ter um orçamento 33% maior do que o ano anterior (só em divulgação foram gastos R$ 7,4 milhões), os eventos acabaram reduzidos em 16%. Questionado sobre a exclusão da periferia da Virada, o secretário de Cultura Juca Ferreira ainda apontou preconceito de quem criticava, afirmando que sua gestão não queria que “a periferia ficasse na periferia”. Resultado: dois mortos, atrações canceladas devido a falta de segurança e inúmeros casos de violência, confusões e arrastões.

Educação

Por fim a área que deveria ser a especialidade de Fernando Haddad (apesar de os números de sua passagem pelo Ministério não demonstrarem, Lula garante que ele foi o “melhor Ministro da Educação que este país já teve”).

Uma das principais promessas da campanha do PT era zerar o déficit de vagas em creches no município, mas em seu primeiro ano de gestão a fila aumentou. Após este vexame, a Secretaria de Educação resolveu o problema: parou de divulgar os números.

Sua equipe também achou por bem reduzir o kit entregue aos alunos da rede pública, cortando até canetas e cadernos, mas gastou R$ 6 milhões com tênis chineses de má qualidade e superfaturados.

Conclusão

Por tudo o que vai acima, os militantes do PT e o pessoal que “não é petista, mas…” terão uma missão árdua pela frente: ganhar a discussão com o amigo “coxinha” é relativamente fácil, difícil mesmo é convencer o povão que é diretamente afetado pelas ideias mirabolantes deste que caminha a passos largos para ser o pior prefeito que São Paulo já teve.

Mais Lidas

To Top