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A USP e o vandalismo: Sobre educação e papel higiênico

Por Flavio Morgenstern:

O jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria em seu site sobre a suspensão das aulas que ocorreu na tarde e noite dessa segunda-feira (11 de abril) nos prédios da FFLCH-USP, devido às precárias condições de higiene e limpeza apresentadas pelos edifícios. Segundo o jornal, “a falta de limpeza é conseqüência da paralisação dos funcionários terceirizados da universidade”, que não receberam o pagamento dos dois últimos meses.

Urge esclarecer alguns pontos: a paralisação dos funcionários se iniciou na sexta-feira (dia 8 de abril). Para se atingir o estado de emporcalhação que os prédios da USP apresentavam na segunda-feira (lixos virados sobre os bancos, panfletos de entidades socialistas cobrindo completamente o hall de entrada do prédio de Letras) é preciso um furacão, terremoto, tsunami ou Godzilla para irracionalmente causar tal estrago. Não houve na imprensa nenhuma ocorrência de algum dos quatro fenômenos.

Na comunidade da USP no Orkut, aventava-se a idéia de que os funcionários é que teriam emporcalhado deliberadamente os corredores a mando do Sintusp, o vândalo Sindicato dos Trabalhadores da USP, que estranhamente foi ouvido pela reportagem da Folha (nem sequer representa os trabalhadores paralisados, que são terceirizados).

Esta entidade criminosa faz lobbies poderosos: num primeiro momento, entope de estulticocos a cabeça dos trabalhadores pouco escolarizados que trabalham com a limpeza para usá-los como manobra, fazendo-os crer que a melhor tática para receberem é emporcalhar o prédio como maneira mais eficaz de receberem os 2 meses de salários atrasados devidos pela empresa falida.

Depois, as aulas acabam paralisadas pelo ato volitivo e criminoso orquestrado pelo Sintusp de depredação do patrimônio público, com a conivência de certos setores da diretoria da FFLCH, além de órgãos como o Centro Acadêmico de Letras.

Agora, Sintusp e demais órgãos ligados a partidecos de extrema-esquerda pregam que a reitoria (e, claro, o reitor da USP, João Grandino Rodas) é que são culpados, porque “terceirizam”, quando deveriam contratar todos os funcionários sem concurso público.

Aparentemente, essa explicação seria uma hipótese beirando a teoria da conspiração, advinda de setores conservadores da USP que maniquesticamente querem perseguir pobres trabalhadores coitados e os membros do movimento estudantil que lutam por seus direitos. Parecia meio óbvio que logo apareceriam pessoas doutas no assunto que esclareceriam o ocorrido. Ninguém apareceu para refutar essa idéia que soaria radical e fanática a quem desconhece a USP.

Na terça-feira os corredores foram limpos (não pelo movimento estudantil) e as aulas voltaram ao normal. Na quinta-feira, o que soava apenas a teoria conspiratória virou uma manifestação de atos desabridos: alunos (o termo “estudante” gera controvérsia semântica) tentavam impedir aulas novamente revirando lixo nos corredores à luz do dia e das câmeras de jornais. Estudantes que tentaram varrer e limpar os corredores foram chamados de “fascistas” e “escravagistas”.

Uma manifestante ficou já conhecida como “A Musa do Lixo”, por suas imagens espalhando e brincando com lixo pelos corredores da faculdade (há recomendação do editor deste site para não fazer o leitor imaginar como é a casa dela).

Segundo foi afirmado em assembléia do auto-intitulado “movimento estudantil” na noite dessa quinta-feira, a manifestação (o nome simbólico de revirar papel higiênico do banheiro pelos corredores) se deu porque são contra as terceirizações, que “privatizam” a Universidade, e é preciso “consciência social” estando do lado dos trabalhadores da limpeza, que viveriam na USP em regime semi-escravo. Tudo foi feito A FAVOR deles.

Esclareça-se que os funcionários da limpeza são terceirizados em todas as unidades. Também urge notar que as cantinas e Xerox da FFLCH foram os únicos lugares ainda transitáveis nessa segunda-feira – justamente onde mais há iniciativa privada, sem funcionalismo público. Será então culpa do “modelo implementado por Rodas”, como estranhamente querem fazer crer o Sintusp e os CA’s? Unidades como a Poli e a FEA (Faculdade de Economia e Administração) não sofrem com lixo nos corredores. E também são as unidades com maior número de verbas privadas.

Será que as unidades sindicalistas, que ainda querem fazer negociação num modelo que mescla o vandalismo marxista com a pré-história, têm muita dificuldade em unir premissa à conseqüência?

Vale também lembrar que a USP e a empresa falida já estavam em negociação. Sabe-se lá por que cargas d’água o Sintusp quis se meter a posteriori na discussão, e depois vangloriar-se de não ter sido ouvido.

A última parte do lobby do Sintusp ainda está por vir: usará o caos criminoso criado por ele próprio para criticar “políticas neoliberais” de “sucateamento” do ensino, ameaçando criar novas badernas a cada medida que a reitoria tome para que a USP prossiga com suas aulas.

Sua agenda prevê atacar a reitoria per fas et per nefas, exigindo, por exemplo, mais vagas na Universidade, ao mesmo tempo que critica os R$ 250 milhões gastos na compra de terrenos fora da USP. Também critica-se a disciplina de História Empresarial, o equivalente a curvar-se a Asmodeu para os comunistas da FFLCH: talvez fosse útil cursá-la antes de criticá-la, e descobrir que o Orçamento da reitoria não nasce numa árvore.

Enquanto isso, a Cidade Universitária sofre uma onda de seqüestros-relâmpagos, e “segurança” nunca aparece na pauta das “manifestações” dessas entidades. Afinal, segurança significaria policiar o campus com a PM (a Guarda Civil não tem poder de polícia, servindo apenas para proteger o patrimônio). Qualquer um pode adivinhar quem serão os primeiros a usarem seu lobby para se opor á PM no campus: e é preciso muita ingenuidade para imaginar porque pessoas que supostamente não cometem crime nenhum teriam tanto medo de polícia na Cidade Universitária.

Mas assim que a polícia entrar no campus, a pecha de “fascista” a Rodas, Alckmin e qualquer pessoa que não sejam os baderneiros de sempre estará estampada em cada panfleto do sindicato, e logo estarão tentando fechar a Paulista para marchar contra os “autoritários”.

Mas eu tenho uma solução para a USP. Se, afinal, impedir aulas enchendo a faculdade de lixo é “lutar” A FAVOR dos trabalhadores, por que não ter logo a coragem de CAGAR diretamente nos corredores, sem a intermediação do papel higiênico, para mostrar como defendem e amam os honestos e humildes trabalhadores da limpeza?

Com toda a certeza eles vão adorar essa demonstração de profundo amor vinda dos manifestantes e sentir na pele como eles os defendem.

* Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia.

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