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Balanço da invasão da USP pelo Prof. Mário Viaro

Este texto foi enviado para um grupo de e-mails de docentes e acabou sendo divulgado por núcleos de resistência pró-PM na USP, vindos justamente da FFLCH. O professor Mário Eduardo Viaro dá aula de Letras (Morfologia) na faculdade, o que prova que sequer na FFLCH os baderneiros são uma maioria ou contam com apoio de professores. Na verdade, a única meia-dúzia de professores que protege seus apaniguados por lá, justamente por isso, acaba virando notícia – o que significa que os verdadeiros docentes da faculdade não protegem os criminosos. Os grifos são nossos. (Flavio Morgenstern@flaviomorgen)

Balanço da invasão da FFLCH

Estive há pouco na Administração da FFLCH e seria interessante se alguém da “falange” (como gostam de se denominar) respondessem às seguintes questões que não são só minhas:

* Há de fato ética num movimento que usa uma aluna-estagiária que conhece os meandros e o funcionamento, bem como dispõe da confiança dos colegas funcionários, para abrir portas de gabinetes?

 * Há de fato ética num movimento que deleta sindicâncias e processos administrativos nos computadores, deixando os funcionários responsáveis desesperados por que terão de responder por isso?

 * Há de fato ética num movimento que depreda uma copa, fazendo pipocas em cafeteiras, rouba xícaras e outros pertences, estraga troféus e deixam toda a confusão (que era monstruosa) para as faxineiras resolverem?

 * Há de fato ética num movimento que atrapalha o pagamento dos setores terceirizados, o mesmo que foi mobilizado tão recentemente, dando oportunidade para a fonte pagadora justificar o calote?

 * Há de fato ética num movimento que rouba celulares e tudo o mais que havia no armário de achados-e-perdidos “menos livros e cadernos” (comentário irônico de um dos funcionários, visivelmente desesperado)?

 * Há de fato ética num movimento que intimida funcionários, por pura paranoia de serem reconhecidos? Um deles comia uma maçã e foi violentamente abordado por um integrante que pensava que estava filmando. Outra, grávida e responsável por documentações confidenciais, foi intimidada na entrada, como tantas outras, pois exigiam identificação, embora eles mesmo não se identifiquem.

 * Há de fato ética num movimento que retira bancos de concreto para fazer barricadas e deixa-os para que os próprios funcionários os recoloquem?

 Passando em frente à reitoria, fechada como um Bunker, encontra-se o grupelho remanescente, abandonado por todos (não havia viva alma apoiando-os como das outras vezes), votos vencidos em assembleia, deprimentemente abandonados ao léu. Que não haja confronto violento é o meu voto, mas que respondam por tudo que fizeram é a minha vontade (e de toda a população que não financia uma universidade pública para ser depredada pelos seus próprios integrantes). Que as cabeças deles sejam as de verdadeiros indivíduos e não de massa de manobra de qualquer liderzinho, usando-os num exercício de doutrinação para lá de anacrônico.

 Parabéns, “revolucionários”, vocês conseguiram colocar aluno contra aluno, funcionário contra aluno, professor contra funcionário etc. E toda a sociedade contra nós. Nenhum tirano teria maior sucesso em dividir para governar. O problema é que vocês não governam. Ainda bem que existe democracia (ainda).

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