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28 de fevereiro de 2012

Dicionário Houaiss censurado: o PT tem preconceito lingüístico

white 15 Dicionário Houaiss censurado: o PT tem preconceito lingüísticoKindle

por Flavio Morgenstern

A esquerda, por cerca de duas ou três décadas, vem reafirmando ad nauseam a primazia da “língua viva” sobre os livros de gramática, retórica e (oh, horror) literatura, usados por professores como moldes que mantêm a multifacetada expressão verbal razoavelmente uniforme.

Ao se digitar a expressão preconceito lingüístico no Google, um termo desengastado de Pierre Bourdieu para explicar o preconceito que as “altas classes” têm pelas “baixas classes” através de seu linguajar, dá-se rapidamente de cara com um texto meu aqui no Implicante™ em que discuto tais idéias, famosas ao público laico das faculdades de Letras graças a um livro do MEC que afirmava, irresponsavelmente e sem atentar para todas as nuances do verbo “poder”, que se “pode falar nós pega os peixe“, colocando como único problema de tal ato a possibilidade de sofrer o tal “preconceito lingüístico” por isso. Ou seja, o problema estaria em quem ouve, não em quem profere. Seriam as outras pessoas que precisariam de aulas e estudo, não o aluno com aprendizado insuficiente.

É um conceito complicado, derivado do pensamento politicamente correto que faz com que o Estado seja aparelhado para funcionar como uma grande babá a evitar comportamentos que vão contra a cartilha do que o Partido permite. Na verdade, apenas um caminho para instaurar a desconfiança paranóica entre as pessoas – o exato caminho que faz com que tratemos um Estado policialesco (seja nas ruas, seja na fala) como a única solução para nos corrigir a pauladas de nossos defeitos como seres humanos.

houaiss Dicionário Houaiss censurado: o PT tem preconceito lingüístico

Entretanto, se tais teorias já são contraditórias por si (como exposto), o comportamento que o Partido exige rapidamente é multiplicado por -1, e muda da água para o vinho (ou para não-água) assim que os motivos para instaurar a paranóia se mostram insuficientes para instilar novas paranóias. Segue notícia do UOL:

MPF quer tirar de circulação o dicionário Houaiss

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação na Justiça Federal em Uberlândia (MG) para tirar de circulação o dicionário Houaiss, um dos mais conceituados do mercado. Segundo o MPF, a publicação contém expressões “pejorativas e preconceituosas”, pratica racismo aos ciganos e não atendeu recomendações de alterar o texto, como fizeram outras duas editoras com seus dicionários.

O caso teve início em 2009, quando a Procuradoria da República recebeu representação de uma pessoa de origem cigana afirmando que havia preconceito por parte dos dicionários brasileiros em relação à etnia. No Brasil, há aproximadamente 600 mil ciganos. Desde então, segundo o MPF, foram enviados “diversos ofícios e recomendações” às editoras para que mudassem o verbete. As editoras Globo e Melhoramentos, de acordo com o órgão, atenderam às recomendações.

Isto é uma contradição recentemente apontada pelo Gravataí Merengue sobre a politização da educação. Ora, a grita que mobiliza inocentes alunos primeiranistas de Letras para se transmutar, de futuros educadores, em verdadeiros esbirros policiando comportamentos sociais, é a idéia de que a língua e, sobretudo, a fala, é “livre” e, afinal de contas, compreensível, mesmo quando não segue pari passu as regras de sintaxe, morfologia, fonologia e mesmo semântica das gramaticas normativas. Num arroubo marxista, metaforizam a gramática normativa como um Estado fascista, e passam a confiar na língua “do povo” como uma atitude tão libertadora quanto as forças russas derrubando o nazismo em 1945 e fincando a bandeira da União Soviética em Berlim. Nunca perceberam que há diferenças de obediência à gramática entre membros da mesma classe.

As contradições que daí decorrem por acarretamento já foram explicadas. É difícil acreditar que um povo é mais “livre” simplesmente por poder tirar boas notas sem estudar o que o professor pede, sendo que justamente essa atitude os torna menos livres para entender um caderno de Economia do jornal, um livro de política, um detalhado artigo da Constituição.

Mas eis que, quando essa “língua do povo”, que supostamente sofre de “preconceito” (embora o próprio Marcos Bagno, maior defensor desse conceito no Brasil, lembre-se que na verdade é apenas preconceito social), mostre que também é capaz de provocar preconceito (afinal, o próprio povo é eivado de inúmeros preconceitos contra os quais, muitas vezes, a elite minimamente esclarecida é vacinada), aí abandona-se completamente a teoria e seus pressupostos e passa-se a pregar o contrário.

esfolear Dicionário Houaiss censurado: o PT tem preconceito lingüísticoOra, tratar a gramática como instrumento de dominação elitista e obrigar todos os que trabalham com a língua a apenas registrar placidamente os usos da maioria foi exatamente o que o dicionário Houaiss fez. Ou os sinônimos pejorativos para a palavra cigano não são exatamente, como aponta o dicionário, “aquele que trapaceia, velhaco” etc? Não seria “fascismo” usar de “correção gramatical elitista” para “oprimir” quem fale algo ofensivo a ouvidos hipersensíveis, no fim das contas? Os próximos livros financiados em milhares de reais pelo MEC avisarão: “Então eu posso chamar um trapaceiro de cigano? Claro que pode! O problema é que com isso você pode ser alvo de preconceito lingüístico“?

Pelos deuses da linguagem, se é para policiar a língua, há exemplos que furam a fila dos ciganos na preferência de correção histórica. Onde estão rolando as marchas pela retratação em praça pública da Humanidade em relação ao preconceito histórico com canhotos, e a exigência para retirem de qualquer dicionário a palavra como sinônimo de inabilidoso? “Destreza” ser sinônimo de habilidade é no mínimo, piada com a cara dos canhotos. E imagine a tristeza de ser italiano e ser pechado, como uma estrela de Davi marcada a ferro na cara, como sinistro?!

Falando em estrela de Davi, Graciliano Ramos exprobou sua facúndia com expressões como “juros de judeu” em seus livros. E eles caem no Vestibular! E quanto anti-semitismo conseguimos encontrar em Dostoiévski, Shakespeare, T. S. Eliot e tantos outros? E o anti-semitismo do Novo Acordo Ortográfico, que nos obriga a escrever “antiSSemita” com SS? Se os sentidos pejorativos de “cigano” não podem ser compilados, por que palavras como denegrir ou judiação continuam impunes? Vão trocar pretoriano por afrodescendenteano? Como ficarão as sábias palavras de Moisés, conforme relatadas por Hermanoteu? E por que coitado ainda não foi proibida pra menores de 18 anos?

Existe acaso algum sentido pejorativo que não mereça um olharzinho torto do Ministério Público? Imagine se um dicionário mostrar todos os sentidos pejorativos da palavra “baiano”? Isso porque não temos uma relação deslavada de racismo como o Brasil ou a Argentina, que usam “negro” como xingamento pra tudo (em inglês, curiosamente, o termo mais correto é black, e nigger é que é ofensivo). Aliás, já tentaram censurar edições de Hucleberry Finn, de Mark Twain, um dos maiores gênios da língua inglesa, por conterem a expressão nigger. Mas grupos ecológicos também já tentaram proibir Moby Dick pelo predatorismo contra uma baleia. Uma baleia de mentirinha.

Não basta o dicionário afirmar que o uso é pejorativo. Só faltou avisar aos leitores: “ATENÇÃO: CIGANOS SÃO BONZINHOS E NÃO DEVEM SER TRATADOS DESSA FORMA”. Que tal economizarmos árvores e, ao invés de pedir novas edições do Houaiss, apenas o verbete “cigano” conter as acepções normais, e depois: “3. pej. CENSURADO CENSURADO CENSURADO”? Talvez o verbete “dicionário” também deva mudar para “s. m. 1. livro que explica o significado das palavras como nós achamos que elas deveriam ser”.

Em 1997 a deputada petista D. Lúcia Carvalho, então na presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal, também exigiu que dicionários retirassem a explicação de que a expressão “mulher pública” é usada como sinônimo de prostituta, como engraçadíssimo artigo de Olavo de Carvalho denunciou à época (está em seu livro O Imbecil Coletivo II). A proibição da vox populi, vox Dei é substituída por uma lógica das mais chinfrins: se homem público é expressão dignificante, “mulher pública” deve significar algo ilustre como a própria Lúcia Carvalho. Assim, as próximas edições dos dicionários deveriam afirmar que Margareth Thatcher, Golda Meir e indira Gandhi foram “mulheres públicas”, como aliás sempre afirmaram seus detratores. Despiciendo lembrar as diferenças de significado entre homem dado e mulher dada. Entre vagabundo e vagabunda. Entre homem da vida e mulher da vida. Entre pistoleiro e pistoleira. Entre atirador e atiradora. Por sinal, entre puto e puta.

cigana ravnos 300x225 Dicionário Houaiss censurado: o PT tem preconceito lingüísticoAo invés de o dicionário demonstrar o que é falado pelo povo, em uma taxiografia que permite um código de sinais comumente entendido, o dicionário deve exigir um comportamento lingüístico específico. Assim, aquele óbvio lulante e ululante que foi preciso explicar em detalhes para a turma do “preconceito lingüístico” – a saber, que a norma gramatical, sendo posterior à própria língua, segue o uso, e não o contrário – se mostra aqui mais uma vez esquecido. É o único ponto no qual os dois atos confluem: na ignorância. Ambos ainda acreditam que a gramática normativa de uma língua foi criada por um bruxo malvado que inventou de estro próprio regras incompreensíveis para a patuléia ignara, podendo assim separar ricos de pobres – e agora, acreditando-se serem pobres que subiram ao poder derrubando tiranos, crêem que tomando o Ministério Público Federal e trocando uma acepção em um dicionário (todos os outros permanecem não muito diferentes), poderão evitar comportamentos preconceituosos – como se quem gosta de xingar judeus fossem todos correndo ao dicionário rever os significados de seus xingamentos a cada nova edição.

Ademais, é um tanto quanto estranho indiciar pessoas jurídicas por “racismo”, ainda mais quando afirmam que tomar um cigano por “velhaco” (e o preconceito contra velhos, também presente em Dostoiévski?!) é um uso pejorativo. É o mesmo que avisar sobre o uso da palavra “crioulo” ser ofensivo, e sofrer processo por… ter usado a palavra “crioulo” para conseguir afirmar isso. Confundir palavras pelos conceitos que elas representam é a maior das burrices da humanidade, que já custou muito mais do que parece. E quem não lembra de uma cena onde se proibir que se fale uma palavra transforma um apedrejamento em vários?

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=dpFcsbMS1pY[/youtube]

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Gostaria de explicar o verbete “corrupção” no dicionário como “dinheiro caindo do céu para a população” para ver se funcionaria alguma coisa. No Twitter, @flaviomorgen

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21 Comentários

  1. Conservatore7 de março de 2012 às 16:03

    A esquerda pensa que o marxismo se apropriou da verdade, ou seja, é o único método capaz de explicar tudo, inclusive a linguagem.O detalhe é que o marxismo é uma ideologia relativista, portanto não é “verdade”. O chato é aguentar a patrulha ideológica do politicamente correto, com ares de superioridade moral e intelectual.Para um marxista, tudo se explica a partir da luta de classes, qualquer outro método é auto-excludente. Mesmo que aparentemente utilizem outros teóricos, no fundo, é só para mostrarem a “superioridade” do marxismo.

  2. alexandre4 de março de 2012 às 00:30

    Flávio
    Vc é especialista em Letras e gostaria de fazer uma pergunta : o dicionário não deveria ser sobre a norma culta da nossa língua ? Tem que retratar as formas pejorativas das palavras ? Senão daqui a pouco vão aparecer no dicionário que gaúcho é gay, paulista é chato, carioca é malandro, mineiro é caipira e etc…
    Sei lá, é só uma dúvida. Não sou especialista no assunto.

    • flaviomorgen5 de março de 2012 às 17:05Autor

      alexandre, na verdade, sei tanto disso quanto você: se imaginasse o que estudamos em faculdade de Letras, você se enojaria com metade do curso. O que sei é por curiosidade: palavra “temporária” não entra em dicionário. Por exemplo, houve muita recusa do Aurélio a incorporar o verbete “malufismo”, que basicamente aparecia em época de eleições.

      Mas não vejo por que eximir o dicionário de conotações pejorativas, sendo que podem estar em obras de literatura com um sentido pejorativo e precisarmos de explicação. Aliás, como ficarão as gerações futuras? Em obras russas do séc. XIX é extremamente comum o uso da palavra jid (termo pejorativo pra judeu, presente em Dostoiévski, Turguêniev, Leskov e outros). Sem um dicionário para explicar, ficamos sem saber o que aconteceu ali.

      Nos exemplos que você citou, é preciso um contexto auto-explicativo para o uso dessas palavras em seu sentido pejorativo. Não está nelas próprias. Creio que a única preocupação dos dicionários é não cair no racismo deslavado, como o que aconteceria com palavras como “crioulo” (o equivalente mais próximo em português para nigger que consigo pensar).

  3. Otávio2 de março de 2012 às 18:15

    Sim, sim…

    De maneira nenhuma seria “conhecimento dispensável”, afinal, se trata de nada menos do que a análise da organização da idéia, do discurso no idioma.
    MAS… os alunos saem da escola usando adequadamente as conjunções, presumo (coisa que praticarão para o resto da vida, todo santo dia). Já as classificações ficam pelo caminho após os vestibular, junto com as fórmulas de Física. Menos para quem faz Letras e Física. E para Olavo de Carvalho, que estuda isso há 40 anos :)

    Não estou pregando o fim de nada. Só explicitando minha preguiça e minha memória birrenta.

  4. Marci Fileti Martins2 de março de 2012 às 01:18

    Retomo o comentario do Eduardo na referida materia: “Não estou colocando lenha na fogueira mas Houaiss era filho de libaneses e quem conhece a cultura e história do Líbano sabe bem o que é preconceito.” E é isso mesmo preconceito! mas é claro que teriamos que rever verbete por verbete…tenho certeza que encontrariamos muito mais!!! alem disso, nao sao os petistas (de onde o senhor tirou esse argumento) que estao atentos ao preconceito linguistico, mas os nao tao laicos estudantes e pesquisadores das areas de estudo da linguagem (verbal). Esse entendimento, sobre toda essa “tecnologia da linguagem” ser algo arbitrario e passivel de ser reformulado é algo que surge junto a comunidade cientifica (ciencias socias/comunicacao) O senhor fala sem conheciemnto de causa! Talvez algumas bibliografias basicas da area da linguistica, essa mesma que usamos nos cursos de letras pra os iniciantes, seria um bom comeco.

    • flaviomorgen2 de março de 2012 às 13:54Autor

      Marci, pois pode olhar o outro texto meu onde analiso as obras do sr. Marcos Bagno justamente para desmontar o castelo de cartas das aguerridas teorias lingüísticas, tão amotinadas umas contra as outras. Não há “comunidade científica”, há uns malucos que enfiam uma teoria na cabeça, ganham bolsa por isso com professores que também ignoram outros argumentos e depois se arrolam “doutores”. Só isso. A propósito, eu faço Letras, e na melhor Universidade do país. Posso citar muitos doutores em língua portuguesa que desprezam com louvor essa teoria do “preconceito lingüístico”. E dizer que não são petistas, e sim “pesquisadores “não tão laicos” que afirmam isso, quando na sétima linha de seus livrinhos encontramos o verbete enciclopédico “Luiz Inácio Lula da Silva” é quase como confessar o crime.

  5. Otávio1 de março de 2012 às 22:30

    Quanto ao aprendizado de línguas estrangeiras, como esse pessoal do coitadismo linguístico se posiciona?
    Podemos escrever e falar “the most interesting books IS (…)”, “We will catch 30 fish”, “Dirceu and Haddad was very good Minister”, “Assad is a cool dude for brazilian government of Brazil. We like him himself”, ou somos obrigados a nos dobrar ao fascismo linguístico e aprisionar nossas mentes nestas regras burguesas alienantes que nos fazem mudar AS palavrA conforme a pessoa e o número?

    Ao nobre órgão do Ministério Público Federal – que certamente está com muitas denúncias na mesa (estágiários movimentam o Brasil) contra políticos corruptos, crime organizado, tráfico, contrabando, estelionato e outras mazelas que só o Estado, por meio da instituição permanente ligada ao Executivo, pode nos salvar (de nós mesmos!?) – que atua perante a gloriosa Uberlândia:

    Se a língua é “viva”, omitir ou decretar o fim de significados em dicionários não vão fazê-los cair em desuso.
    Quantas pessoas você conhece que mantém um dicionário perto? (o corretor do Word não conta)
    Destas, quantas o consultam regularmente?
    Das que usam com frequência, quantas aprendem a xingar pelo dicionário?
    Quem não dizia proxeneta e sevandija por causa do Hermes e Renato sem ter idéia do que significava?

    ______

    Se por um lado “foda-se a gramática para não ser preconceituoso”, do outro “cuidado com a etimologia e as conotações para não ser preconceituoso”.

    Acabar com essas classificações de “orações subordinadas não-sei-o-que-lá” ninguém quer não?
    Aí está uma boa causa para o MPF.
    Se eu escrevi a p**** do período eu sei a relação entre as frases carai. Ou orações, sei lá.

    Abaixo o proxenetismo linguístico. Abaixo os sevandijas do Congresso.

    • flaviomorgen2 de março de 2012 às 13:46Autor

      Otávio, pois é bem isso: ora querem pregar a teoria do “preconceito lingüístico”, e depois precisam jogá-la no lixo e pregar uma ditadura gramatical-etimológica para que a língua não doa no ouvido alheio. Aí, os próprios burocratas é que se tornam “preconceituosos”.

      No outro artigo, comentei como a teoria do preconceito lingüístico precisa de uma metafísica absurda: supor que, dentro dos limites de uma linha imaginária, qualquer falar é “correto” (afinal, “nós pega o peixe” é, definitivamente, português e não sueco ou xhosa). Mas e como fica um estrangeiro? Se falar “nós pega o peixe” e não entender mais nenhuma sentença em português, consideraremos que está falando português? Tem de falar dentro do Brasil, e se for em Chipre será errado?

      Quanto a abolir as classificações, de frases, concordo que pode ser complicado para um estudante na sétima série, que nunca se preocupou em ler Kant ou Tobias Barreto, entender seu funcionamento e utilidade. Mas isso é questão de saber como se ensina. Não será uma canetada do MEC que irá modificar como a língua funciona (nem do MPF em um dicionário). Entretanto, assim que se estuda um idioma como o grego, que prescinde dessas subordinações, vamos querer nos internar num manicômio com camisa de força para não morrermos engasgados com as nossas próprias fezes ao perceber como a língua se torna um inferno sem subordinações dadas de graça pela gramática.

  6. Thiago1 de março de 2012 às 02:01

    A bem da verdade não se pode falar mais nada nesse país… qualquer “vírgula” mal colocada já gera uma crise no país!

    Se quiser, tenho vários preconceitos para colocar na lista… o que mais vejo por ai, e dos evangélicos, reis do preconceito que pagam de vítimas, é chamar religiosos da umbanda, candomblé e outras, de macumbeiros! Se for seguir essa lógica, que queimemos todos os dicionários, e coloquemos os preconceituosos linguísticos junto!

    E só aproveitando, existem várias histórias da 2ª GM que não são contadas, essa sobre a morte dos ciganos é uma delas, sempre esquecidos… Nunca vi um monumento ou homenagem ao povo cigano para relembrar que esta etnia também sofreu perseguição por parte dos nazistas… Será preconceito contra os ciganos?

  7. Saulo29 de fevereiro de 2012 às 20:30

    Aqui tem um bom texto acerca das acepções pejorativas. http://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas/Duvida-Linguistica.aspx?DID=4388 Surgiu como resposta a um galego q reclamou de definições pejorativas para “galego” no dicionário Priberam.

  8. Eduardo29 de fevereiro de 2012 às 14:46

    Oi Flávio,
    Eu concordo com você na questão da contradição petista em querer ser o novo provedor da “moral e dos bons costumes” da família brasileira.
    Mas acho que o dicionário errou feio. Fiz uma pesquisa e não encontrei nenhuma referência à palavra “cigano” com os termos utilizados.
    Também li no próprio dicionário e ele deixa aberto a interpretações, não explica o porque desses termos. (Muito estranho)
    Não estou colocando lenha na fogueira mas Houaiss era filho de libaneses e quem conhece a cultura e história do Líbano sabe bem o que é preconceito.

    • flaviomorgen29 de fevereiro de 2012 às 17:32Autor

      Eduardo, como disse uma amiga minha, Hitler matou 6 milhões de judeus e eles contam mais do que 19 milhões de russos por algum motivo. Hitler também matou 6 milhões de ciganos e ninguém lembra. Isso é porque a Europa inteira, esquerda e direita, progressista e linha-dura, tem preconceito com ciganos.

      No mais, eu mesmo deixei um link pra entrada “cigano” no Priberam que é quase idêntica. E o Antônio Houaiss apenas organizou o instituto que criou o dicionário, não o fez. Viu como o preconceito contra libaneses também já merecia uma boa censura e investigação do MPF aí? ;)

  9. Davi Miranda29 de fevereiro de 2012 às 11:59

    Sua resposta ao Alexandre não respondeu nada: por que você envolveu o PT nisso? A reclamação não veio do PT. Nada a ver! É possível acusar o PT de muitas coisas, mas isso aí é muita forçação de barra.

    Além disso, como se não bastasse, você ainda MISTUROU o conceito de “preconceito linguístico” com uma denúncia sobre uma suposta discriminação contra ciganos no dicionário (fato do qual também discordo). Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nada a ver, outra vez! Devia procurar se informar antes de redigir algo assim. Pelamordedeus!

    • flaviomorgen29 de fevereiro de 2012 às 14:16Autor

      Mais uma vez, usei até um exemplo de uma deputada do PT. Acreditar que o MP é algo 100% livre de aparelhamento e incapaz de aceitar denúncias por pura ideologia escorada no petismo também é ingenuidade extrema. Quanto à segunda parte, o artigo inteiro demonstra a contradição entre, num momento, defender a teoria do “preconceito lingüístico” e, depois, abandoná-la e pregar o contrário – o que faz com que os próprios ideólogos demonstrem, afinal, preconceito lingüístico. Mas isso já estava claro desde o título, não?

  10. Bernadete Lage Rocha29 de fevereiro de 2012 às 09:45

    A Toda Sociedade Brasileira.
    Abaixo, manifesto nacional por melhoria da condição de um povo com o estigma doloroso de vidas – 800000 pessoas, 90% analfabetos, segundo o IBGE – relegadas ao abandono e à execração pública diária. Resolvemos apelar para a compaixão e a responsabilidade civil de todos os segmentos da sociedade, por puro cansaço de anos de tentativa inglória de amenizar a dor do despertencimento.
    Estamos enviando-lhes este manifesto de pedido de socorro imediato ao Povo Cigano, para que todos se sensibilizem e interfiram junto aos órgãos competentes, para incluí-los nas políticas públicas de saúde, educação, erradicação da miséria e de comportamentos preconceituosos que causam tanto sofrimento a esses seres à margem da vida.
    Nós, voluntários do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, APAC, Casa de Passagem, e na cidade de Viçosa, Minas Gerais, além do Forum Mundial Social – Mineiro e diversas outras entidades requeremos as medidas emergenciais de inclusão destes brasileiros, que já nascem massacrados pelo fardo vitalício da dor do aviltamento e segregação atávica em nossa sociedade, desabrigados que são da prática do macroprincípio da dignidade da pessoa humana, telhado da Constituição.

    Cliquem no link abaixo, no artigo da SEPPIR, que confirma a situação deles.
    http://noticias.r7.com/brasil/noticias/falta-de-politicas-publicas-para-ciganos-e-desafio-para-o-governo-20110524.html
    Se nosso país tornou-se referência em crescimento econômico, certamente conseguirá sê-lo também em compaixão e acolhimento dessa causa universal.
    DE GENTE ESTRANHA, em caravana.
    Dolorosamente incômoda.
    Ciganos. Descobrimos, perplexos, que suas famílias são excluídas dos programas de bolsa-família, saúde, educação, profilaxia dentária, vacinas etc. Sua existência se torna mais dramática, pois não conseguem os benefícios do governo por não terem endereço fixo. Segundo o IBGE, são cerca de 800.000, 90% analfabetos.
    Há seis anos, resolvemos visitar um acampamento em Teixeiras, perto de Viçosa. E o que vimos foi estarrecedor: idosas, quase cegas, com catarata. Pais silenciosamente angustiados, esperando os filhos aprenderem a ler em curto espaço de tempo, até serem despejados da cidade. Levamos ao médico crianças que “tinham problema de cabeça”. E eram normais. Apenas sofriam um tipo diferente de bullyng, ignoradas, invisíveis que são. E descobrimos também que os homens, em sua maioria, jamais saem das barracas, onde ficam fazendo escambo, artesanato- e não entram em farmácias, supermercados, lojas, pois entendem que a sociedade incluída só não bate em mulheres e crianças. Vimos chefes de família com pressão altíssima e congelados pelo medo de deixarem os seus ao desamparo.
    Vida itinerante. Numa bolha, impermeável. Forasteiros no próprio país. Dor sem volta. Passamos a visitar todos que aqui vem. E a conviver com o drama de mulheres grávidas, anêmicas e sem enxoval. Crianças analfabetas aos dez, onze anos.
    Como pessoas reféns do analfabetismo, execradas publicamente todos os dias de suas vidas, amordaçadas pelo preconceito e com filhos para alimentar conseguirão lutar por algo? Vide a Pirâmide de Maslow. Quem tem que gritar somos nós. Para eles não sobra tempo de aprender o ofício da libertação, já que são compulsoriamente nômades – sempre partem porque os donos dos terrenos ou algum prefeito pressionado expede a ordem de saída.
    A gente descobre, atordoada, que desde a primeira diáspora, quando passaram a viver à deriva, sempre expulsos, eles vivem numa cápsula do tempo. Conservam os mesmos hábitos daquela época, ou seja, sociedade patriarcal, vestuário, casamento prematuro, a prática de escambo e a mesma língua dos antepassados. Tudo isto PORQUE NÃO PARTICIPAM DAS TRANSFORMAÇÕES DA CIVILIZAÇÃO. Jamais tem acesso às benesses das pesquisas tecnológicas e científicas, aos programas governamentais de erradicação da miséria, às celebrações civis agregadoras ou sequer a proposta de ao menos um olhar de compaixão.
    E, então, “civilizados” que somos, cristãos ou não, que gritamos por nossos direitos, que votamos a favor ou contra, que existimos, continuaremos a dormir em paz?
    Agradecemos a todos que se sensibilizarem com a causa.
    Respeitosamente,
    Profª.Bernadete Lage Rocha
    l.bernadete@yahoo.com.br
    031-88853369
    Voluntariado:
    APAC – Viçosa-MG
    Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
    Conselho de Segurança Alimentar
    MULHERES PELA PAZ
    PASTORAL NÔMADE

  11. Paula Rosiska29 de fevereiro de 2012 às 01:12

    Recentemente, tivemos o caso dos Pôneis Malditos. A propaganda foi tirada do ar por ser ofensiva, porque pôneis são dóceis e a palavra maldito é muito forte pras crianças que ficam acordadas até tarde vendo programas infantis como BBB e Supernatural. Vamos protegê-las! Minha irmã comentou hoje da mudança no comercial do Ovomaltine, em que garotos diziam não ser possível levar a bebida sem derramá-la e ouviam de uma menina “Agora dá, mané”. A fala mudou para “Agora dá, meninos”.
    Coerência realmente não é o forte desse pessoal. Se eu proíbo meus alunos de ouvirem Funk e Rap, por haver neles palavrões e apologia ao crime, estou agindo com autoritarismo, menosprezando a cultura da periferia, realçando os valores burgueses em detrimento do povo-sofrido-das-ruas.
    E assim rumamos e ruminamos ao poço sem fundo da burrice. Só não sei se é pra ter raiva ou medo.

    • flaviomorgen29 de fevereiro de 2012 às 02:45Autor

      Sabe como é esse povo que “ama” defender pobre: jura que defende a vida sofrida dos pobres, e defende tanto essa vida sofrida que, se pobre enriquece e passa a sofrer menos, passa a menosprezá-lo.

  12. Edmar29 de fevereiro de 2012 às 00:42

    off topic: a entrevista de bruno daniel no roda viva merece um tópico.

  13. Guerson28 de fevereiro de 2012 às 22:38

    Por mais que os cães ladrem enquanto a caravana passa, a audiência continua baixa, muito baixa.

  14. alexandre28 de fevereiro de 2012 às 20:51

    Não entendi porque vc colocou o PT nisso. O Ministério Público Federal é independente do executivo. Ela tem autonomia funcional e administrativa. Isso está no art 127 da CF.

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