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Enquanto você lê isso, tem blogueiro correndo atrás de dinheiro público

 Enquanto você lê isso, tem blogueiro correndo atrás de dinheiro público   maria fro 01

Enquanto o julgamento do mensalão vai em ritmo de Rubinho Barrichello e os advogados de defesa dos mensaleiros tentam ganhar os juízes no cansaço (ou são os juízes que andam fazendo o papel de advogados de defesa, não entendemos bem), outras bizarrices petistas acabam ganhando espaço de nota de rodapé.

A última foi o novo vídeo stand-up da nossa querida blogosfera progressista. Protagonizado por Conceição Oliveira, a  Maria Frô (profissão: blogueira) e Altamiro Borges, o Miro, o vídeo pede milhões de reais em dinheiro público, na  cara dura e sem vaselina.

Segundo os dois intelectuais (Paulo Henrique Amorim disse que sua estirpe é uma mistura de Einstein com Machado de Assis), o governo do PSDB pratica censura ao pedir à Procuradoria Geral Eleitoral que investigasse o  repasse de verbas públicas (do meu, do seu, do nosso dinheiro) a blogs petistas – aqueles que, não satisfeitos  com o diário oficial, fazem propaganda pró-PT 370 dias por ano.

Para quem não se importa em dar uns trocados para as boas almas que pedem uma ajudinha, veja o vídeo.

A apresentação dos dois merece um Nobel da Físico-Literatura (prêmio Einstein + Machado):

“Eu vou conversar com um blogueiro, que é o Altamiro Borges, que tem o blog do Miro,  e com a Maria Fro, que é uma blogueira, que tem o blog da Maria Fro. Se liga aí,  a conversa tá profunda.” (grifos nossos)

Ah, esqueci de avisar: também rola uma subtração furtiva de duas casas decimais de QI logo nessa primeira  passagem do vídeo.

Miro começa falando que o PSDB tem “essa mania” de falar “LIBERDADE DE EXPRESSÃÃÃÃOOO” (é mais ou menos assim, difícil de imitar), enquanto Maria Fro destila: “Em que ano a gente tá? 1964?”. Quem vê esse vídeo acredita que vivemos à beira de um Estado policial com um censor na redação de cada jornal – afinal, censurar é impedir a publicação de algo a posteriori… Mas do que os gracinhas em questão estão a reclamar é que o governo  não paga para eles falarem mal… do governo.

 Enquanto você lê isso, tem blogueiro correndo atrás de dinheiro público   miro 011 531x390Ah, claro: não com o dinheiro dos governantes, que esse é de foro pessoal: essa galera aí quer o nosso dinheiro, quer os leiamos, quer não. É o mesmo que pedirmos o dinheiro da Maria Frô e do Miro, que definitivamente não nos lêem, e dizermos que, se eles não nos derem dinheiro para não nos lerem, o governo estará fazendo censura ’64. Imagine a Veja dizendo que sofre “censura” do PT porque o governo federal não gasta em “propaganda” com ela (diga-se que um Pró Mídia petista não saiu do papel, enquanto a chapa-vermelha Carta Capital faturou uma antecipação de “receitas de publicidade” da ordem de R$ 2,5 milhões em 2003, autorizada por Luiz Gushiken). Mesmo com o gatilho da metralhadora anti-PT puxado desde 2004 (quando do estouro do mensalão), a última coisa que foi vista nas matérias do semanário da Abril foi uma acusação de “censura” porque seu alvo não quis lhe dar dinheiro.

É uma espécie de “dinheiro para segurança”: igualzinho aquele que se dá aos trombadinhas para poder estacionar o carro na rua, para “proteção” contra ele próprio, que pode escangalhar a lataria se não lhe dermos o seu pedágio urbano. Com a diferença de que um trombadinha pede pouco e, geralmente, deixa o carro inteiro se lhe pagamos: um blogueiro progressista quer dinheiro para reclamar, e continuará reclamando mesmo que sustentemos os seus luxos.

Mas não são uns trocados, uns R$ 5 por dia para valer um cafézinho. Maria Fro tasca:

“Quantos leitores diários têm Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif? São milhões por mês. Será que a revista Veja vende tudo isso?”

Comparar números de acessos repetidos em sites com revistas impressas é bobagem. Até eu vejo o site dos dois, mas não pagaria nem a capa de uma revista onde qualquer um apareça (a não ser pela chicana e para esmirilhar mentiras, mas aí não conta). Alguém quer comparar o site da Veja com o site dos dois? Quer comparar a tiragem da Veja com a tiragem dos pasquins que ainda levem esses dois pedintes de dinheiro alheio a sério? Talvez chegue-se á conclusão de que ambos juntos não devam ser 1% do que seus concorrentes são – mas essa aritmética básica não é apresentada em vídeo: só uma pergunta retórica sugerindo uma resposta oposta.

Todavia, outra aritmética é explícita sem medo algum do ridículo. Miro faz a conta:

“O governo federal ano passado bancou – governo federal! – R$ 1 bilhão e 400 milhões  em anúncio. Quanto foi pro Nassif? Quanto foi pro Paulo Henrique? Não foi… 0,1%.”  (grifos na fala do original)

Ora, vejamos. 0,1% de R$ 1,4 bilhão na minha conta dá R$ 1,4 milhão. Divididos em 12 meses, é um salariozinho furreca de R$ 116,666,67, tungados do bolso do contribuinte (não só eu, da dona Josicreide da faxina também) para financiar um blogueiro que deve um valor n vezes maior do que isso ao próprio governo. Quer dizer que nossos dependentes estão se dizendo “vítimas de censura” porque não conseguem que seus ídolos ganhem, líquidos e certos, um salário 3,6 vezes maior do que o teto dos servidores públicos (ministros do STF), e isso para fazer propaganda partidária full-time e falar mal dos partidos de que não gostam? Quantos Bolsas-Famílias vale um Nassif? Um Paulo Henrique Amorim? Acabar com a mamata só destes dois não salvaria uma cidade de porte médio no Maranhão?

Relembrando: não ganhamos 1 centavo de governo nenhum. E com pouco mais de um ano de idade e 4 caboclos na equipe, sim, temos uma audiência comparável à de uma Carta Capital. Aquela lá, dos R$ 2,5 milhões adiantados em 2003.

Miro ensaia uma… “justificativa”. É que o governo não pode ter “critério mercadológico” para fazer “anúncio”. Ora, já é estranho o governo precisar fazer anúncio: vamos dizer, você está a fim de conseguir um pouquinho de petróleo aí. O que pode fazer, senão ser obrigado a se submeter às regras da empresa que monopoliza o setor no Brasil e nos obriga a ter a gasolina mais cara do continente, mesmo com a maior produção? Se ela monopoliza, não faz muito sentido precisar fazer propaganda, ainda mais de um setor que praticamente todo mundo usa – de quem usa transporte coletivo até quem já encostou em algo feito de plástico na vida. Então, pra que gastar um bilhão em propaganda de empresas estatais, que muitas vezes têm o monopólio de sua área? Por acaso a USP precisa fazer “propaganda” frente às “concorrentes”?

 Enquanto você lê isso, tem blogueiro correndo atrás de dinheiro público   maria fro 0331 544x390Mas se é pra fazer propaganda (sei lá, de uma campanha de vacinação do Ministério da Saúde, por exemplo), que história é essa de escapar do “critério mercadológico”? Propaganda é feita para uma marca ser conhecida. Busquemos o público onde o público está. Se é para dar dinheiro para “o mais fraco”, como diz Miro, pra que a contrapartida de “fazer propaganda”, sendo que o “blog do Miro” ou o “blog da Maria Fro” são bem menos conhecidos do que uma revista Veja, um Estadão, uma Folha, um Globo, um Meia Hora, uma Gazeta da Zona Norte, um Jornal da Colônia Japonesa? Admita-se logo que se quer a grana não para trabalhar para o governo sem licitação: e sim para fazer propaganda para um partido que domine o governo (alguém já notou onde fica o “anúncio” de serviço público no blog da Maria Fro ou do Miro? não encontrei). Supor uma tal “ditadura midiática” se outro partido investiga essa máfia é gozar da cara de quem foi vítima de uma ditadura. Não sou obrigado a pagar por um serviço que eu não utilize – mas além de estar pagando por um desserviço que eu pagaria para não existir, ainda vejo dois arrancadores do suor do meu trabalho supondo ares censores em quem procura verificar o que está acontecendo com o meu bolso.

Aliás, foi disfarçando “serviços de publicidade” de uma tal DNA e de uma SMP&B que disfarçaram repasses de dinheiro público para parlamentares da base aliada naquilo que ficou conhecido por “mensalão”. Parece que a mesada era de R$ 30 mil por mês. Menos de um quinto de 0,1% de R$ 1,4 bilhão… Por que não deram um blog pro Valdemar Costa Neto?

Maria Fro afirma que vive num país em que “não consegue se expressar” (estranho: ouvi sua voz em alto e bom som; seu partido, aliás, domina o país há uma década – alguém avise isso pra ela, coitada). Já Miro diz que investigar os gastos de R$ 1,4 bilhão é “uma forma de censura, pela asfixia financeira”.

Asfixia financeira. ASFIXIA FINANCEIRA.

Deixa eu avisar a dona Josicreide que ela vive numa ditadura milico-midiática modelo 68 porque parte do suado dinheirinho que ela recebe com o seu trabalho só está bancando 0,1% de R$ 1,4 bilhão para o Nassif e para o Paulo Henrique Amorim. Ambos estão “asfixiados financeiramente”.

Vamos fazer uma vaquinha para ajudar no aluguel do apê em Higienópolis do Nassif?

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