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7 de julho de 2011

Esquerdista diz: “A esquerda precisa de um novo discurso.” Sério mesmo?

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EXCLUSIVO: Capa da próxima revista Cult trará alguém de esquerda dizendo que a esquerda precisa de um novo discurso! Quer apostar quanto?

por Flavio Morgenstern*

 

Vladimir Safatle fez um “debate” sobre a violência na USP depois do assassinato de um estudante da FEA (Faculdade de Economia e Administração) em pleno campus. Um desses “debates” em que um grupo de Direito achado na rua “discute” com um grupo coitadista penal sobre a segurança não advir do policiamento, mas sim da liberação da cocaína públicagratuitaedequalidade e da distribuição de renda pelo Estado. Portanto, fiquem de olho em Vladimir Safatle.

vladimir safatle Esquerdista diz: A esquerda precisa de um novo discurso. Sério mesmo?A Carta Maior entrevistou Vladimir Safatle. Segundo ela, “o filósofo Vladimir Safatle”. Schopenhauer afirmou: “Congressos de filósofos são uma contradictio in adjecto, já que raramente se encontra no mundo dois filósofos ao mesmo tempo e quase nunca em grande número”. A maioria dos 3 filósofos contemporâneos a Schopenhauer se destacou por seus livros de literatura. Hoje, qualquer professor de Neomarxismo Revisado 2 Plus Reloaded já é chamado de “filósofo”. Pela Carta Maior. Não digam isso a um certo editor deste site, que já cometeu a mesmíssima cagada uma década atrás. Voltem a ficar de olho no filósofo Vladimir Safatle.

É de bom alvitre repetir: Vladimir Safatle. Vladimir Safatle. Vladimir Safatle. Esse cidadão é tão segundo escalão que eu sempre esqueço o nome dele quando mudo de parágrafo. Segundo a Carta Maior, Vladimir Safatle é “um dos mais instigantes analistas da cena política atual”. Vladimir Safatle deve ter menos leitores até do que eu.

Vladimir Safatle é “dotado de uma radicalidade não imobilista”. Gostaria de que a Carta Maior explicasse o que chongas seria um “radical imobilista”. Citasse um exemplo, sei lá. Talvez também fosse de bom tom explicar por que um radical de extrema-esquerda que só falta pedir para explodirem Mc Donald’s em uma entrevista merece tanto carinho, e centristas e direitistas, liberais ou conservadores, sempre são tratados como algo próximo a excrementos de mosca varejeira por essas publicações, sendo sempre tratados, com deliberado nojinho, como “radicais” mesmo quando não o são. Ao menos já sabemos tudo o que é preciso saber sobre Vladimir Safatle.

 Eu prefiro o Jô Soares

Carta Maior pergunta ao filósofo Vladimir Safatle sobre o descrédito das siglas partidárias, lembrando que “esse diagnóstico parece embutir um desejo conservador – que não é novo – de desqualificar a representação do conflito social”. Na resposta de Safatle:

“No Brasil, temos um embate em torno da dita nova classe média ao mesmo tempo que encontramos uma sub-representacão de conflitos próprias à ‘velha classe pobre’.”

Leiamos de novo:

“No Brasil, temos um embate em torno da dita nova classe média ao mesmo tempo que encontramos uma sub-representacão de conflitos próprias à ‘velha classe pobre’.”

Ainda não entendeu? É porque você não é filósofo. Um leitor de Carta Maior, Emir Sader e Ivan Valente teria entendido. Mesmo com a falta de uma vírgula.

Para Vladimir Safatle, filósofo, o descrédito com as siglas partidárias se dá porque a “velha classe pobre” está ganhando mais dinheiro, mas ainda tem uma “sub-representacão de conflitos próprias”. “Representacão (sic) de conflitos próprias”. REPRESENTACÃO DE CONFLITO PRÓPRIAS. A representação é que é “próprias” à classe pobre, ou os conflitos é que são “próprias” à classe pobre?

Traduzindo: Vladimir Safatle, filósofo, percebe que os pobres estão ganhando mais dinheiro, embora não perceba que isso se deve ao Plano Real, às privatizações, ao preço dos produtos – que só cai diminuindo impostos, que significam 52% do seu preço (diminuir o “lucro dos empresários”, exploradores, gananciosos e capitalistas, significa diminuir o preço do produto em 2,3%); com isso, os pobres se tornam classe média, e classe média tem de ser exterminada a bala, para os esquerdistas.

Com isso, o pobre vira traidor do movimento punk, e aqueles que merecem continuar vivos encaram uma “sub-representacão de conflitos próprias à ‘velha classe pobre’”. Isto é, o pobre tem telefone celular (por que será?), TV a cabo e carro popular, mas ainda ouve axé, rap e funk, e ainda usa aquelas calças ridículas e cheias do tipo “mamãe, caguei”, com o cavalo no joelho. Você tira o favelado da favela, mas não tira a favela do favelado.

Vladimir Safatle confirma:

“As revoltas dos trabalhadores em Jirau é um bom exemplo.”

E as concordâncias é um péssimo exemplo. Os pobre fala tudo errado. Não deixem seus filho ler issos!

 Tio, dá dá um trocado?

Carta Maior, preocupada, pergunta também: “Aqui parece haver um ludismo com sinal trocado na medida em que se dá à tecnologia tratos de um fetiche. Tudo se passa como se ‘a tecnologia partidos’ tivesse se esgotado.” – em outras palavras: ainda dá pra ganhar uns trocados se filiando ao PT?

Vladimir Safatle, filósofo, aconselha cautela:

“É mais fácil fazer militância hoje, já que você pode operar da sua casa através de redes de contra-informacão.”

Contra-informação. O Facebook agora é CONTRA-INFORMAÇÃO. O Twitter é o rei da contra-informação de 140 caracteres. A blogosfera progressista é contra-informação bancada com o dinheiro da Imprensa Oficial – o primeiro caso de contra-informação que é Ctrl + C / Ctrl + V da informação oficial, diga-se.

E buscar informação, agora, é “millitar”. Minha militância maior é na busca por códigos para passar de fase no Half-Life 2. Pura “contra-informação”.

“No entanto, insistiria que há uma tendência de mobilizacão social que tem pêgo os partidos a contra-pelo.”

Eu sei que é bonito flexionar particípios reduzidos, mas aí o particípio é por extenso mesmo: “pegado”, tio. Pegado. O revisor do Word não colocou uma cobrinha vermelha embaixo desse atentado violento ao pudor aí, não? Não tirou o chapéuzinho na marra?!

Seu prognóstico:

“Falta uma nova geracão de partidos capaz de dar forca institucional a tais mobilizacões. Este partidos talvez não funcionarão de maneira “tradicional”, mas como uma frente, uma federacão de pequenos grupos que se organizam para certas disputas eleitorais e depois se dissolvem.”

Ignore-se o oxímoro “federação de pequenos grupos”. Como assim, “falta”?! O que mais existe nesse país são alianças, “frentes” e pequenos grupos que se organizam para ganhar uma eleição e depois cada um vai prum canto. Ou alguém aí sabe qual é o objetivo nacional do PMDB? Alguém aí perdeu Collor, Sarney e Lula governando juntinhos? É essa a grande esperança de Vladimir Safatle?!

Vem uma confissão num ato falho:

“Não creio que podemos ‘mudar o mundo sem conquistar o poder’.”

O que se quer é poder. Vencer eleições nem que seja na “federação de pequenos grupos”. Todo o resto é acessório. Tudo isso para mudar o mundo. A gramática já andam conseguindo mudar.

Sobre a “captura da vida democrática pela supremacia das finanças” (what the fuck ever does it mean), Vladimir Safatle (ainda não decorei seu nome; e você?) é taxativo:

“Certamente. Este é um dos limites da democracia parlamentar. Não há como escaparmos disto no interior da democracia parlamentar. Só se contrapõe ao domínio do mundo financeiro através de um aprofundamento da democracia plebicitária, como a Islândia demonstrou ao colocar em plebiscito o auxílio estatal a um banco falido. Devemos simplesmente deslocar questões econômicas desta natureza para fora da democracia parlamentar. Um Estado não pode emprestar bilhões para massa financeira falida sem uma manifestação direta daqueles que pagarão a conta. O problema é que vivemos em uma fase do capitalismo de espoliação.”

Tudo o que “precisamos”, então, é tomar o poder, e depois um modelo de concentração de poder na base do plebiscito. A propósito, nenhuma palavra sobre diminuir o número de congressistas nessa toada.

Mas sabe que não é de todo uma má idéia? Que tal exigirmos plebiscito popular com voto facultativo toda vez que o BNDES, a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa e o CNPq liberarem seus fundos para as Marias Bethânias da terceira classe? Um plebiscito novo a cada novo projeto? Antes de ter pelo menos 51% de votos favoráveis de 51% da população que queira essa “democracia direta continental”, o Estado não dá um centavo pra ninguém. Chega do capitalismo de espoliação.

Aí vem a pergunta que toda imprensa governista não cansa de perguntar:

“A mídia é muitas vezes apontada como a caixa de ressonância dessa subordinação do conflito aos limites da finança. Nesse sentido a sua regulação não seria tão ou mais importante que o financiamento público de campanha?”

Ou seja: quais são os argumentos filosóficos para ganharmos dinheiro até de quem não nos lê? Vladimir Safatle, filósofo, filosofa:

“Seria importante que houvesse um sistema que facilitasse a entrada de novos atores no campo midiático. Não consigo admitir, por exemplo, que universidades públicas, sindicatos e associacões tenham tão pouca presença em rádios, televisões e jornais.”

Mas esse sistema de facilitação existe, oras! Basta que a Rádio USP pare de ser uma rádio insonsa e comece a tocar pagode e sertanejo universitário 24 horas por dia para sua audiência levantar vôo. Já as verbas para um canal de TV pra um sindicato e uma “associação” (o Implicante™ é uma “associação”? já podemos pedir verba pra montarmos nosso próprio Manhattan Connection?) existem às mancheias. É só ver quanto custa a TV do Franklin Martins. Se eles “têm tão pouca presença”, significa que têm tão pouca AUDIÊNCIA, não tão pouco dinheiro. Que tal passar reprises do Chaves na TV Lula no horário nobre? Eu aposto que funciona. (aliás, alguém sabe QUAL É O CANAL da TV do Franklin Martins?!)

Ademais, o papo não era “plebiscito” para liberar verba pública? Por que não perguntar então pra quem vai pagar, antes de arrancar seu suado dinheirinho? Ou só vale plebiscito quando é para concentrar poder, mas na hora de roubar a produção e a mais-valia do povão, aí que se dane o modelo plebiscitário?

Diógenes de Sínope, filósofo, quando perguntado por que as pessoas davam esmolas aos mendigos, mas não davam dinheiro aos filósofos, respondeu: “Porque as pessoas sabem que correm mais risco de se tornarem mendigas do que de se tornarem filósofas”. Vladimir Safatle, filósofo, também sabe.

 E quanto custa algo gratuito?

Carta Maior prossegue:

“O PT no Brasil condensa todos esses impasses ao personificar, na opinião de alguns, uma trágica verdade: o preço do poder é a necrose da identidade mudancista.”

WHAT THE BLOODY FUCK ARE YOU TALKING ABOUT?!

Mas a pergunta emblemática vem a seguir:

“O Governo Dilma será a culminância dessa acomodação histórica? Ou a crise mundial pode destravar o processo e inaugurar um novo ciclo, na medida em que impõe escolhas duras entre desenvolvimentismo versus financeirização?”

A cada novo monólogo, diálogo, entrevista ou pasquim comunista, inventa-se uma nova “polaridade”, às vezes com termos criados ad hoc para se dar uma idéia dialética sobre o sexo dos anjos. Com a palavra, Vladimir Safatle, filósofo:

“Creio que o governo Dilma será um governo que usará a margem de manobra fornecida pelo crescimento econômico em uma era onde as economias dos países europeus (assim como os EUA) continuarão em crise.”

O que todo marxista adora falar é das crises do capitalismo. A última crise (a segunda maior em UM SÉCULO) ferrou sobretudo com a Islândia, uma ilhotinha no Ártico com 317 mil habitantes (que aumentaram para 400 mil nos últimos 2 anos). Resultado: a Islândia fechou 2007 EM PRIMEIRO LUGAR no IDH mundial, empatada com a toda poderosa Noruega, mas caiu vertiginosamente 16 posições (empacando ao lado de economias falidas como Israel e Finlândia, a frente de Bélgica e Dinamarca) por mudanças no critério de verificação do IDH, contando com coisas que a Islândia nunca poderia ter (como centros universitários e tecnológicos).

Marx acreditava que o capitalismo ruiria sozinho, não iria “agüentar” com tantas crises. O socialismo viria naturalmente. O socialismo, na prática, veio sempre de cima pra baixo (com burgueses universitários, de Lênin a Pol-Pot) e ruiu… sozinho. Não agüentou tantas crises. O capitalismo falido continua alive and kicking, com pobres com cada vez mais bens de consumo e maior qualidade de vida (os dados estão aí).

O capitalismo em crise significa isso: Islândia com a melhor qualidade de vida do planeta. Lojas caríssimas ainda faturando altíssimo mês a mês em Reykjavík. O socialismo cubano a pleno vapor está aí, racionando papel higiênico. usando jornal do partido como substituto. É o destino final do “sistema que facilita a entrada de novos atores no campo midiático”.

Um país capitalista em crise significa que seus trabalhadores só devem estar ganhando 1.500 vezes o que um trabalhador socialista está ganhando no mesmo período trabalhado. Mas se um comunista não pode comprar iPod, ele conclui que ninguém deve poder.

Eis a bomba de efeito moral:

“Neste sentido, nossa única esperanca concreta de mudanca virá quando a dita nova classe média perceber que ele só continuará seu ciclo de ascensão se não precisar gastar fortunas com educacão e saúde privadas.”

Ora, o problema não é gastar fortunas com educação e saúde privadas: é gastar fortunsa com educação e saúde PÚBLICAS e elas serem um lixo. Mas Vladimir Safatle, filósofo (alguém aí já decorou o nome do filósofo?), não é tolinho o suficiente para acreditar que NINGUÉM paga pela saúde e educação públicas, já que elas “são de graça”:

“No entanto, a consolidação de um verdadeiro sistema público de educacão e saúde não será feito sem uma pesada taxação sobre a classe rica e um aumento considerável na tributacão da renda. Isto, em um país como o Brasil, tem o peso de uma revolucão armada. Vejam que engracado, vivemos em um país onde a implantação de um modelo tributário das sociais-democracias européias dos anos 50 equivaleria a uma ação política da mais profunda radicalidade.”

A tributação da renda no Brasil está na ordem de dar mais da metade do que se produz para o governo. Aumentar a tributação significaria o quê? Abolir a propriedade privada? É óbvio que isso tem o peso de uma revolução armada: se já precisamos pagar R$2 mil por um celular bom que custa R$500 fora daqui, por que alguém aceitaria pagar R$5 mil por ele, sem nem poder ganhar uma massagem tailandesa por isso?

Mas é surpreendente que, com os juros reais mais altos DO MUNDO e a carga tributária mais estapafúrdia do planeta, Vladimir Safatle, filósofo, acredite que a “implantação de um modelo tributário das sociais-democracias européias dos anos 50″ seja “uma ação política da mais profunda radicalidade”. Ora, O que tem de radical em não mover uma palha no statu quo? É isso que é ser “dotado de uma radicalidade não imobilista”?!

Já pagamos exatamente estes impostos. O que não temos é um modelo de planificação econômica do Leste Europeu a partir da década de 20: embora, com a diferença de uma montanha de 150 milhões de mortos daquele lado da Cortina de Ferro, o modelo europeu de tributação também causou crises estupendas nas economias européias – ou qual é a explicação de Vladimir Safatle, filósofo, para a Europa hoje precisar mendicar dinheiro para a Alemanha e patinar como economia bem atrás dos EUA?

Não se poderia tirar conclusão mais original:

“Precisamos de um discurso de esquerda alternativo que esteja em circulacão no momento em que as possibilidades de ascensão social baterem no teto.”

Ah, a esquerda precisa mudar o discurso! Poxa vida, entramos em um acordo. Que tal, pra começar, parar de achar que o Estado é padroeiro e deve ser dominado? Poderia ser um bom primeiro passo. Mas, aliás, onde foi que já ouvi isso mesmo? Foi em Hobsbawn? Em Slavoj Žižek? Em Agamben? Em Rancière? Qual capa da Cult NÃO foi sobre isso na última década? QUAL “filósofo de esquerda” desde o dia da queda do Muro de Berlim não papagueiou que a esquerda precisa virar o disco, e ESSE PRÓPRIO DISCURSO continua sendo a cantilena chata bagarai com 2 décadas de idade que todo coletivista tem orgulho em remacaquear como a redescoberta da América e da descarga?!

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Mas não deixa de rolar uma certa explicação como conclusão e chamado às armas:

“O melhor que seu Instituto [de Lula] poderia fazer é organizar uma espécie de Internacional lulista que ajude a esquerda a vencer em países da América Latina.”

 

Ah! Socialismo do século XXI! Agora entendi a originalidade do novíssimo discurso!

 

* Flavio Morgenstern é tradutor, redator e analista de mídia. Acha que a Carta Maior é bem mais engraçada do que o CQC. No Twitter, @flaviomorgen

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82 Comentários

  1. francisco ramos26 de outubro de 2011 às 19:25

    FLÁVIO, SEM ESTA PARANÓIA DE “ESQUERDA, DIREITA”, ETC, O QUE VOCÊ FARIA DA VIDA?

    SUGIRO QUE VÁ PARA O MAGISTÉRIO. VOCÊ É MUITO PRAPARADO, VERBALIZA COM TALENTO

    E ORIGINALIDADE, É FLUENTE EM VÁRIOS IDIOMAS , TEM SENSO CRÍTICO. ETC. VÁ LÁ. QUALQUER

    UNIVERSIDADE LHE ACEITARIA. MAS NÃO VÁ IMPLICAR COM OS ALUNOS !

    FALO SÉRIO.

  2. Mauro1 de agosto de 2011 às 19:15

    “Consegue citar um exemplo de país que realmente implantou o comunismo na sociedade?”

    Pelo visto, a União Soviética não é mais considerada exemplo de comunismo e farol para a humanidade nem entre militantes do PSTU, mas não custa lembrar que, até pouquíssimo tempo antes da queda do Muro de Berlim, dizer algo assim era tabu entre a maior parte da esquerda. Por exemplo, o nosso querido ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu uma tese sobre as maravilhas da economia soviética – em 1990 (!).

    Eu nunca vou entender como alguém consegue acreditar sinceramente que justo o Brasil, a terra de Macunaíma, vai obter sucesso onde tantos outros fracassaram. Não apenas nenhuma tentativa de economia planificada jamais funcionou (não, a China não vale; até o governo Lula chamou a China de economia de mercado), há argumentos teóricos bastante convincentes que sugerem que algo assim não pode funcionar nem ao mesmo em princípio. (Valeu pelas dicas de leitura, Morgenstern.)

    • flaviomorgen1 de agosto de 2011 às 22:51Autor

      Hah, hah… o Haddad escreveu isso?! E eu achando o máximo o cartapácio de Paul Kennedy, Ascensão e Queda das Grandes Potências, lançado cinco anos antes da Queda do Muro de Berlin, profetizando que os EUA iriam à bancarrota em pouco tempo devido ao orçamento militar ligado ao PNB, dando lugar à nova potência a definir os rumos da humanidade: a União Soviética. Imagine quantos professores da USP bradaram e berraram com esse livro na sala de aula…

  3. Thiago23 de julho de 2011 às 19:48

    “É aquilo que eu já comentei. O capitalismo é um sistema onde o objetivo da sociedade é mui vago, pois nele quem dita as regras são os empresários, sedentos pelo lucro. Para um grande empresário capitalista, não importa o meio, mas apenas o lucro que ele obterá, e é isto que me afasta do capitalismo. A sociedade se desenvolve, porém de uma maneira cega.”

    “… Naturalmente, em segundo lugar, divertir-nos, trabalhando menos (em serviços irritantes) e podendo gozar melhor da arte, dos esportes, das relações sociais e do curtir a vida em geral.”

    Maluco, quase tive um filho ao ler isso! Até parece que só os empresários, e ninguém mais, gostam de dinheiro!
    Vejo vários trabalhadores reclamando dos seus salários, alguns trocam de emprego para ganhar R$ 100 a mais e não se importam de serem “escravizados” para ganhar esses dinheirão a mais (devo avisar que esta frase contém ironia? Melhor né? Vai que não sabem o que é ironia e como identificá-la… )
    Qualquer pessoa quer dinheiro, e quanto menos trabalhar, melhor! Ai fazem greve, exigem aumento nos salário, diminuição de jornada e outras mil coisas, esquecendo que os ganhos deles serão repassados aos consumidores, pois o governo não quer diminuir os impostos, ou o jovem acha que o empresário vai querer perder o pequeno percentual de lucro que ele consegue obter?
    É sempre assim, ninguém quer gastar a vida trabalhando e querem o dinheiro de forma fácil… Agora, quero ver falar que são só os empresários malvadões que querem dinheiro a qualquer preço…

    P.S.: Só para lembrar, grande empresas não são a maioria do mercado! Elas possuem boa parte do mercado, mas não são elas que empregam milhões de funcionários! Milhões de pessoas estão empregadas em pequenas e microempresas, e até empresas de médio porte, sendo que estas últimas não possuem “incentivos” como as duas primeiras…
    E isso me lembrou um esquerdista, de outro debate, ao qual falou que a informalidade é um bem para o povo… é, depois ainda querem direitos na informalidade… é cada coisa que aparece nesses debates…

    “Sobre o capitalismo e imperialismo. Ora isso é bobeira. Vai dizer que a relação entre o comunismo russo e os países satélites também não era de imperialismo? Vai perguntar a algum ucraniano ou a algum lituano sobre o que eles acham do comunismo russo.”

    Isso me lembrou um documentário sobre a 2ªGM, onde mostrava o povo ucraniano comemorando a invasão nazista, sem resistência, naquele país…

    “Na “Igreja Adventista do Mercado Perfeito, Infalível e Divino ” do qual o blogueiro é um cego fiel, funcionários públicos como professores, policiais, médicos e bombeiros são vagabundos, produzem pouco e ganham bem. Como debater com alguém que pensa dessa maneira ? Depois dá xilique quando diz que o Brasil não leva a direita à sério ! Só falam bobagens”

    Conheço policiais, estes preferem fazer serviço interno a ter que ir para a rua, mas não largam os bicos como segurança particular. Conheço bombeiros, estes preferem fazer bicos em empresas privadas a trocar de emprego. Conheço médicos, estes preferem faltar a plantões para trabalhar em hospitais particulares ou no consultório próprio. Conheço professores, estes preferem fazer dupla/tripla jornada, em escola particular e pública a largar o cargo público e assumir logo o emprego em alguma escola particular. Tudo por que? Por causa da bendita estabilidade! Brasileiro adora está palavrinha! (Tenho para mim que esse é o mau do brasileiro, querem todos os direitos, mas não querem arcar com os deveres…)
    Agora me responde, se proibirem de fato, desses servidores públicos de fazerem isso (bicos e afins) e possibilitarem a seguinte escolha: Você fica no público, com estabilidade e realmente trabalha como deve, ou vai para o privado. Qual você acha que esse povo vai escolher? Se duvidar, vão preferir ficar desempregados vivendo na informalidade e/ou de bico, porque boa parte do povo brasileiro não quer mesmo trabalhar! Bando de preguiçosos! (Só para registar, preguiçosos é diferente de vagabundos tá =) )

  4. alexandre21 de julho de 2011 às 20:39

    A Ayn Rand não é superior a ninguém, nem a mim e nem a vc. Ela foi igual a qualquer pessoa. Coisa mais ridícula ficar endeusando pessoas. Bem que o Olavo de Carvalho diz que os admiradores da Ayn Rand parecem uma seita

    • flaviomorgen21 de julho de 2011 às 23:30Autor

      alexandre, continue achando que “idolatro” Ayn Rand, mas não é menos brega fazer isso longe de um comentário em que acabei de dizer que não a endeuso? E você quer parecer o lúcido não-fanático aqui?

  5. Tiago Cunha20 de julho de 2011 às 22:41

    O cara que comentou sobre o Soros logo abaixo, não conhece nem o Soros, nem os efeitos que os eventos protagonizados por ele em 92 causaram….

  6. alexandre20 de julho de 2011 às 22:36

    Um dado para subsidiar a discussão : da coluna de Martin Wolf, principal comentarista econômico do Fiancial Times : ” A visão dos falcões republicanos nos EUA e de falcões alemães ou holandeses na Europa, segundo a qual a crise tem raiz apenas na crise fiscal é errôneo. Crédito fácil acaba em crises fiscais. As evidências, nos EUA, são notáveis. Compare as previsões para os anos fiscais 2010, 2011 e 2012 nos orçamentos presidenciais de 2008 e 2012, o primeiro no governo Bush, pouco antes da crise, e o segundo no mandato de Obama bem depois dela. Em 2008, o déficit previsto para 2011 foi de meros US$ 54 bi(0,3% do PIB). Mas no orçamento de 2012, a previsão foi equivalente a US$ 1,645 tri (10,9% do PIB). 58% desse aumento deveu-se à receitas inesperadamente baixas e apenas 42% decorreram de um aumento nos gastos, sendo essas duas mudanças devidas principalmente à crise financeira , e não ao modesto pacote de estímulo (cerca de 6% do PIB). Temos que ver os fatos e não as ideologias baseadas num livro de 1.100 páginas. E uma reportagem interessante que saiu em maio mas só hoje eu li : a desigualdade no Brasil atingiu o menor patamar nos últimos 50 anos. A taxa de pobreza caiu 60% entre 2001 e 2010. E isso não foi estudo do IPEA, órgão do governo, mas da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), que é privada e segue a doutrina liberal. A principals causa dessa queda : os programas sociais do governo. Fatos, penso em cima de fatos e não em cima de livros de 1.100 páginas.

    • flaviomorgen21 de julho de 2011 às 10:36Autor

      alexandre, no dia em que você encontrar gente defendendo o governo Bush (em QUALQUER área), saia da discussão correndo. É caso perdido. E olha que sou crítico, no caso da crise, até do Greenspan (então conheça o que seus adversários pensam antes de lhes atribuir uma “crença cega no Deus mercado”). Não sou crente em Ayn Rand, tampouco – mas ela é inifitamente superior a um Krugman da vida. A FGV não é liberal nem aqui nem na China. Aliás, muito menos na China comunista do que aqui. E ninguém nunca contestou esses dados. De que adianta vomitar dados, quando discutimos interpretações – e, quando você é refutado… apresenta mais dados?

  7. Rodrigo G Leite20 de julho de 2011 às 21:32

    “Na “Igreja Adventista do Mercado Perfeito, Infalível e Divino ” do qual o blogueiro é um cego fiel, ” prova de que o companheiro é partidário da ditadura do bem que governa desapegadamente em favor do povo e não da classe governante. Chamar um de radical só por que discorda de você é o motivo por que não existe debate inteligente na internet.

  8. alexandre20 de julho de 2011 às 20:10

    Então vc quer minha opinião sobre a crise na Grécia e nos países europeus ? Acho que a solução não é pacote de austeridade fiscal. A economia já está em recessão e um ajuste fiscal só irá piorar a recessão e não vai diminuir a dívida em relação à dívida. Defendo sim maior incentivos fiscais para estimular a economia . O mercado sozinho não vai tirar a Europa da recessão. Ano passado foi aprovado um pacote de corte públicos e não adiantou nada. A dívida só irá diminuir com crescimento do PIB. E ajuste fiscal não aumenta o PIB, pelo contrário. Neste caso, corte nos gastos só serve para pagar os credores e não para tirar o país da recessão. Se vc entende isso como aumentar o tamanho do estado na economia, então minha opinião é a favor. É a minha opinão e também de outros economistas de renome, como por exemplo , Paul Krugman e Martin Woof. Não estou dizendo nenhuma barbaridade. Só estou discordando de vc. Afinal, ninguém é o dono da verdade. Nem Keynes nem a Ayn Rand. Tenho um pensamento mais próximo da esquerda (não radical) e não me acho nem superior nem inferior a outras pessoas por isso. Afinal tenho o livre-arbítrio

  9. A Carioca20 de julho de 2011 às 17:52

    Alexandre, concordo com você, finalmente. Pra que argumentar com o Flávio ou com qualquer outro integrante do blog? Você perde tempo ainda dá vexame. Vai lá pro blog do Nassif , que você será recebido de braços abertos.

  10. alexandre20 de julho de 2011 às 06:52

    Na “Igreja Adventista do Mercado Perfeito, Infalível e Divino ” do qual o blogueiro é um cego fiel, funcionários públicos como professores, policiais, médicos e bombeiros são vagabundos, produzem pouco e ganham bem. Como debater com alguém que pensa dessa maneira ? Depois dá xilique quando diz que o Brasil não leva a direita à sério ! Só falam bobagens

    • flaviomorgen20 de julho de 2011 às 12:04Autor

      Aí você encurrala o caboclo na parede mostrando que são os Estados inchados que causam crises e só pergunta: “Então é pra AUMENTAR ainda mais o tamanho do bichinho?” e ele valentemente pica a mula.

  11. Pablo Vilarnovo19 de julho de 2011 às 15:38

    Soros era democrata quando quase quebrou a Inglaterra?

  12. Ismael Pescarini19 de julho de 2011 às 13:56

    Originalmente o discurso mais racional da esquerda, o discurso marxista, previa acabar com a democracia para insituir primeiramente o socialismo e depois o comunismo. Hoje a esquerda só faz teorizar contra a democracia, a parte de acabar com o capitalismo transformou-se num discurso vazio. Mais uma geração de capitalismo na China e os liberais, em todo o mundo, estarão sendo presos e deportados para a Antártida. Defender a meritocracia e a democracia hoje transformou-se no discurso mais revolucionário que se pode fazer, de resto, ser esquerdista é sim defender privilégios.

    • flaviomorgen19 de julho de 2011 às 19:58Autor

      O método esquerdista, que se dizia infalível, previa que o capitalismo “não iria agüentar” e ruiria sozinho em questão de algumas décadas. O socialismo ruiu, levou 150 milhões de vidas com ele, o capitalismo está vivão mesmo após a segunda maior crise desde 29, e os pobres estão com um nível de vida cada vez melhor. Mas quem não quer um empreguinho público com produção zero?

  13. Gabriel Soares19 de julho de 2011 às 10:06

    Só pra constar, o Vladimir Safatle (escrevi sem precisar recorrer ao texto) é digno de piada mesmo, o texto me divertiu bastante. Mas os comentários do Alexandre e as réplicas que ele recebe conseguem me divertir ainda mais.

    E parabéns ao Pablo, pela bela explicação sobre o que levou à crise de 2008.

  14. alexandre19 de julho de 2011 às 07:47

    Só acadêmicos alucinados e os irresponsáveis do Tea Party defendem uma moratória nos EUA. Levará o mundo para uma crise muito maior do que de 2008. O pacote de ajuda para a GM e a Chrysler foram bem sucedidos. Preservaram muitos empregos. O governo injetou dinheiro, salvou a empresa da falência e depois entregou para o setor privado( e a operação gerou lucro ao estado). Os executivos das empresas foram demitidos e trabalhadores, que não tem nada a ver com as falcatruas, foram poupados. Sou a favor de salvar empresas e não os executivos dessas empresas. Sobre a tese do “deixar quebrar, que o mercado resolve” dos ultraliberais, foi exatamente isso que aconteceu com o Lehman Brothers. O governo deixou quebrar . O que aconteceu depois ? Crise de confiança no sistema financeiro. Tanto é que o governo republicano voltou atrás e resolveu salvar a AIG. Viu que na vida real, infelizmente as teorias da escola austríaca não podem aplicadas na prática. Aliás, essa é a maior similaridade entre o marxismo e a teoria austríaca. Vivem na utopia. E por fim, se Soros é democrata, o Murdoch é republicano de carteirinha. Uma baita diferença.

  15. alexandre19 de julho de 2011 às 00:14

    Me desculpe, sei que vc não irá publicar mas vc realmente não acompanhou os eventos da crise de 2008. Não acompanhou as enormes quedas nas bolsas quando haviam dúvidas se haveria ou não pacotes de ajuda. Agora sou eu que estou dando aula de graça. E para finalizar, hj saiu uma reportagem no jornal Valor Econômico, que fala exatamente a raiz da crise na Europa. As diferenças no nível da relação produtividade X salário em diversos países do euro. Pelo fato da Grécia estar atrelada ao euro e sua inflação ter sido maior do que a Alemanha, houve implicitamente uma perda na competitividade na Grécia, que resultou em um déficit externo de 9% do PIB. Não precisa publicar e nem responder. Só leia e veja que não existe a ditadura do pensamento único que vc quer impor, ao desqualificar quem “ouse” discordar de suas verdades obtidas em sua “bíblia” de 1.100 páginas. Não vou mentir : não gosto da arrogãncia da direita, que se acha superior intelectualmente a quem pensa diferente. Parece um fundamentalismo. Aliás, qual a diferença entre vc e um comunista ferrenho ? Nenhum ! Ambos estão presos a dogmas e a verdades universais. Meu caro, o mundo real não é assim ! abs

  16. Pablo Vilarnovo18 de julho de 2011 às 10:28

    Alexandre – “Dois dos países em crise (Irlanda e Espanha) eram exemplos de liberalização econômica ( vc ouviu falar em tigre celta ? ). ”

    Isso porque vc acredita que liberalização econômica resume-se a privatizar empresas. Conheço bem a Espanha (por motivos óbvios). O governo espanhol gastou muito dinheiro com projetos inúteis como usinas eólicas por exemplo.

    Até hoje não vi nenhum caso de um político acusando algum banco de lhe obrigar, com uma arma apontada para a cabeça, a pegar um empréstimo. Você já viu?

    Sobre o capitalismo e imperialismo. Ora isso é bobeira. Vai dizer que a relação entre o comunismo russo e os países satélites também não era de imperialismo? Vai perguntar a algum ucraniano ou a algum lituano sobre o que eles acham do comunismo russo.

    Os digníssimos comunistas e socialistas que batem nessa tecla NUNCA olharam para o próprio umbigo.

    ================================

    Alexandre, mercado é tão e somente um definidor de preço. Só isso. Não existe perfeição ou imperfeição no mercado. Existe interferência e não interferência no mercado.

    A crise no mercado imobiliário teve como causa maior a interferência dos governos nessa definição do preço. E como fizeram isso? De diversas maneiras:

    a) Nos EUA os juros das hipotecas podem ser descontados em 100% no Imposto de Renda.
    Ou seja. Se uma pessoa queria comprar um carro novo, ao invés de fazer um financiamento de automóvel, fazia uma outra hipoteca na qual poderia descontar 100% dos juros no IR.

    b) Diversas leis incentivando a compra da casa nova.
    Dezenas de leis com incentivos fiscais, econômicos para aquisição de imóveis, inflando artificialmente os preços.

    c) Leis obrigando instituições financeiras a aumentarem o número de empréstimos a pessoas de baixa renda (subprime).
    Algo que sumiu do notíciário logo após a crise foi que ela estorou no mercado subprime, ou seja, mercado de pessoas de baixa renda. Porque sumiu? Ora porque o governo americano passou leis ridículas como aquela que obrigava os bancos a aumentarem em x% seus empréstimos subprime caso quisessem abrir novas agências.
    Outra coisa, as duas seguradoras para-estatais Freddie Mac e Fannie Mae foram pegas em um escândalo contábil no final dos anos 90. Como “castigo” foram obrigadas a financiarem mais e mais empréstimos subprime.

    No final de contas existe uma enorme tentativa para esconder das pessoas a culpa dos políticos nessa crise. Culpar o “mercado” é sempre mais fácil, mas o mercado não faz leis, as segue. E a principal lei do mercado é a lei de Oferta e Procura. O mercado não baixa os juros artificialmente como o dito liberal Greenspaw fez para manter os preços subindo.

    Quando ele teve que aumentar os juros por conta da inflação, os empréstimos ficaram mais caros. Empréstimos mais caros significa que menos pessoas poderiam comprar casas, menos pessoas comprando casas significa que os preços não iriam continuar a aumentar. Os preços não aumentando as pessoas que fizeram três, quatro hipotecas não poderiam fazer a quinta para pagar suas dívidas. Não podendo pagar suas dívidas davam calotes. Com os calotes os produtos financeiros criados em torno dos preços sempre ascendentes dos imóveis perderam valor. Perdendo valor os ativos das instituições financeiras sumiram de um dia para outro.

    Grande parte da culpa disso tudo está nas instituições financeiras, nos seus sistemas de controles internos, nos seus acionistas que queriam o lucro fácil. Nenhum liberal discorda disso.

    Mas a maior parte da culpa está nos políticos que queriam fazer “o bem”, queriam aparecer como bem feitores, com aqueles que aparecem entregando chaves da casa nova para um pobre que nunca poderia ter condições de comprar uma. Quando fizeram isso alteraram o equilíbrio da Lei de Oferta e Procura. Lei essa que nem os comunistas conseguiram alterar.

    Só que quantas vezes você viu um político na televisão reconhecer sua culpa? Dizer que as leis que criaram para incentivar as pessoas a comprarem imóveis mexeu no mercado (lei de oferta e procura – definidor de preço)? Quantas vezes você viu isso?

    Agora, foram os liberais que desde o início se colocaram CONTRA o salvamento de bancos pelo governo. Foram os sociais-liberais e socialistas que queriam isso. Os primeiros para esconderem a cagada que haviam feito. Os segundos aproveitaram a chance gritavam a mesmíssima coisa que você berra. Apenas para ter MAIS governo na economia. Governo esse que foi o principal causador da crise primeiramente. Mas a verdade é que socorreram os bancos, tantos os sociais-democratas e os socialistas, porque AMBOS possuem o rabo preso com essas instituições. Muito dinheiro para campanhas políticas, muito dinheiro por baixo dos panos.

    Isso porque os banqueiros, como Soros, sabem que o liberalismo prega que cada um se responsabilize por suas decisões. Sabem que com os liberais iriam falir, iriam perder seus jatinhos, suas ações, suas mansões, seus iates, seus empregos.

    Com gente como Lula, Mercadante, Obama eles não perdem nada. O governo sempre está aí para resgata-los. Faz sentido não faz?

    Sabendo disso fica difícil não entender o porque de um ultra-mega-power-plus investidor como Soros ter apoiado Obama na eleição. Não é difícil entender porque ele quer mais a interferência do governo no mercado. Porque se ele fizer algo que lhe cause prejuízo, o governo estará lá para salva-lo.

    Recentemente um dos poucos liberais na política americana, o senador Ron Paul, o qual o Flávio já se referiu aqui, afirmou que para o caso grego o calote da dívida é a única solução. E perguntado se essa solução serve para os EUA ele falou com todas as letras: SIM.

    Eu também sou totalmente favorável ao calote. Só que não pelos mesmos motivos que provavelmente você. Sou favorável ao calote porque reconhece que isso faz parte do RISCO do negócio. Bancos que emprestaram dinheiro a Grécia, por exemplo, sabiam que esse país fraudava ridicularmente seus números contábeis (algo que o Brasil começou a fazer com governo Lula). Fraudou seus números para entrar na Comunidade Européia, e continuava a fraudar depois. Todos sabiam disso. Não sou favorável ao calote por considerar o banqueiros “bobos e maus”. Sou porque faz parte do risco do negócio.

    O que já foi gasto dos impostos para salvar bancos e instituições financeiras com a desculpa de salvar empregos, já é bem maior dos custos de deixar essas instituições falirem.

  17. Lucas17 de julho de 2011 às 21:23

    Demorei um pouco para responder porque tinha muito a comentar, e aqui está, conforme minhas expectativas.

    Impressão minha ou você está citando os capítulos d’O Mundo de Sofia?

    Esqueci de citar, mas foi o primeiro livro que li para compreender filosofia. Estou tentando uma abordagem linear dos autores, ver como a filosofia se desenvolveu. No caso do Kant, sempre acontece isso de ter que ficar dando rodinhas para entender cada página.

    O Manifesto Comunista é sim uma obra argumentativa.
    Quis dizer que era uma obra que não entra minuciosamente em cada argumento.

    Não tem mesmo nada de errado com a doutrina?!
    Poderia argumentar simplesmente que isso é apenas um dado prático, ou seja, algo que se verificado de caso pra caso poderia nos revelar que algum detalhe QUE NÃO TEM NADA A VER COM A TEORIA EM SI afetou a aplicação do comunismo. Mas devido ao meu mínimo conhecimento histórico a respeito destes casos me contentarei com essa evidência e aceitar que pelo número de reincidentes há algo errado com a doutrina.

    Agora Flávio, pode ter certeza que lerei uma boa parte destes livros que recomendou, junto com livros do “outro lado da força”. Mas ainda não pretendo largar o PSTU, porque comunista ou capitalista eu continuarei protestando contra um governo tão corrupto como o brasileiro.

    Aqui já é a respeito daquilo que o Pablo Vilarnovo comentou.

    Se nunca houve um país que tenha implantado realmente o comunismo, como você sabe que o comunismo verdadeiramente promove o desenvolvimento da sociedade?
    É aquilo que eu já comentei. O capitalismo é um sistema onde o objetivo da sociedade é mui vago, pois nele quem dita as regras são os empresários, sedentos pelo lucro. Para um grande empresário capitalista, não importa o meio, mas apenas o lucro que ele obterá, e é isto que me afasta do capitalismo. A sociedade se desenvolve, porém de uma maneira cega.

    Mas quem define o que seria “o bem para a sociedade”. Eu? Você? O Partido? A maioria?

    Meu caro, essa pergunta merece nota 10. Como diabos definir o que é o bem para a sociedade? O que nós, seres humanos, precisamos? Em primeiro lugar procurar formas de viver melhor, seja descobrir a cura de doenças, como ter uma saúde melhor, desvendar os segredos da natureza e do nosso próprio funcionamento a encontrar respostas sobre o que somos, de onde viemos, quando tudo começou ou se em algum momentos começou, etc… Naturalmente, em segundo lugar, divertir-nos, trabalhando menos (em serviços irritantes) e podendo gozar melhor da arte, dos esportes, das relações sociais e do curtir a vida em geral.

    Isso é utopia? Talvez.

    Você também pode me perguntar:

    Quem ditará tudo isso a sociedade?
    ou
    O que faz isso ser o bem-comum?
    E eu categoricamente responderia de imediato que não sei e não faço a mínima idéia.

    Agora quanto a:

    Isso estará certo apenas porque a maioria decidiu?
    Certo e errado não existem em si. Existe o seu certo, que pode não ser o meu certo, no caso não é, mas não significa que qualquer um de nós esteja errado, no máximo, você está errado para mim e eu estou errado para ti. Mas esta pergunta é algo que com certeza receberá destaque nas minhas reflexões, pois não acredito que será fácil encontrar uma resposta contundente para ela, mas ainda acredito que a inexistência do livre-arbítrio tem alguma ligação com o comunismo.

    Desculpe-me se fui muito confuso nos últimos parágrafos.

    Há uma corrente na sociologia, que considero bem interessante, que diz que nós “funcionamos” através de estímulos positivos e estímulos negativos.
    Mantenho-me cético quanto a qualquer tipo de psicologia. Isso daí parece com o que aqueles tratadores de cachorros explicam quando vão ao Faustão para ensinar o cãozinho “dar a pata”. Pura ideologia.

    Qual o incentivo do aluno que estudou para tirar 10 teria para novamente estudar e tirar outro 10 já que terá que dividir sua nota com alguém?
    Essa questão de até que ponto existe liberdade individual no comunismo e até onde vai essa igualdade me dá um nó total somente de pensar em refletir sobre. Mas esse é um argumento muito recorrente, mas acredito numa sociedade comunista o valor ou o incentivo a qual você se refere, seria o reconhecimento social que aquele que tirar a melhor nota receber. Logo, o trabalho intelectual, artístico, esportivo seria a forma de receber o tal incentivo. Mas daí para entrar em questões econômicas mais complexas eu prefiro me abster.

    Atualmente meu conceito base é o seguinte:

    Todos trabalham para se manter e alavancar o desenvolvimento intelectual da sociedade. É produzido aquilo que é necessário. E para obter matérias primas que vem do exterior realizaríamos trocas comerciais de produtos ou serviços.

    Mas essa visão ainda precisa ficar, digamos assim, um pouquinho mais complexa.

    Desculpem pelo longo post (2).

    • flaviomorgen19 de julho de 2011 às 00:36Autor

      Lucas, O Mundo de Sofia foi o primeiro livro tratando de filosofia que li, um ano depois de você. É interessante, mas não vá achar que alguém escreve um monumento como Crítica da Razão Pura e você o entende com um exemplo de uma idéia básica. Você vai terminar o livro sem saber diferenciar se “a mesa é azul” é um juízo sintético ou analítico, a priori ou a posteriori. Aliás, você notou no livro que Hume é um dos pais do liberalismo mais selvagem?

      Quanto aos erros da doutrina esquerdista, é exatamente como tentam argumentar todos os esquerdistas possíveis: ah, foi MERA COINCIDÊNCIA que, logo na doutrina “da racionalidade e do bem comum”, surgisse EM TODO LUGAR QUE ELA FOSSE APLICADA um tirano que vai contra justamente a teoria do bem da Humanidade… curiosamente, a doutrina marxista e a nazista têm muitos pontos em comum (você vê mais semelhanças entre Stalin e Hitler ou entre Hitler e Margareth Thatcher?).

      É um pouco longo, mas leia isso. É importante e você vai entender o PERIGO do que está defendendo: http://www.endireitar.org/site/artigos/socialismo-comunismo/456-memoria-nao-retem-atrocidades-do-comunismo

      E não leia “uma boa parte” do que te recomendei. Leia tudo. Leia mais do que tudo. Vá atrás de outros nomes. Saiba os argumentos até de quem argumenta mal. Ou você tem medinho de perceber que alguém está mais certo do que você, e acha que não o ler e continuar errado é o melhor caminho pro sucesso? Acha que não sou de esquerda porque tenho medinho de ler um esquerdista e me convencer? Eu li Foucault, Gramsci, Sartre, Žižek e derivados só pra descobrir que só falam merda (o último, literalfando famente: http://www.youtube.com/watch?v=FJ73hLQ64Ng). Não se preocupe: seus professores até a faculdade NUNCA leram um cara de direita. Mas vão fazer você ler um milhão de esquerdistas safados, todos dizendo a mesmíssima coisa (que a esquerda precisa de um novo discurso). E com ares de terem redescoberto a roda e reinventado a descarga. Ninguém nunca terá lido Voegelin, H. L. Mencken, G. K. Chesterton, ou Mortimer Adler.

      O simples fato de você ter fugido à toda a argumentação que coloquei diante de você já é prova de que você vai virar a casaca logo logo. Basta continuar querendo ler, querendo conhecer. Já militante de partido só quer subir ao poder. Ou alguém do PSTU já leu uma página de Hume ou Jankélevitch?

      Aliás, as dúvidas que você não sabe responder na sua discussão com o Pablo Vilarnovo estão, justamente, na obra desses caras. Por sinal, a maioria deles era marxista, e depois de conseguir responder as perguntas que você ainda não consegue, foram pra direita. Foi assim comigo, também. Agora pergunta prum amiguinho seu militante do PSTU se eles conhecem alguém de esquerda que, antes, era de direita. Ninguém envelhece e descobre a verdade na esquerda: só se não sai da aborrescência que continua lá.

      Também pergunte se eles conhecem Koestler, Jouvenel, Sowell, Ayn Rand, Mises, Hayek, Bastiat… se sabem quem são. Se já leram um livro. Mas não pergunte no MSN pro cara jogar no Google, saber que é alguém que não é rigorosamente marxista-leninista e dizer: “Ah, é um cara que tá errado”. Pergunte ao vivo. Na cara. O fato de que eles nunca ouviram sequer falar do nome dessa galera (e não ouviram, teste você mesmo) é prova de que, afinal, toda essa galera citada sabe algo de que os retardados do PSTU não sabe.

      Aliás, releia o próprio texto que estou comentando. Não vê como “o filósofo da USP” aí só fala besteira? Ou você acha que ele leu UM desses caras que citei?

      E você pode reclamar de corrupção sem ser chongo. Ou o que fazemos nesse site não é, justamente, reclamar de corrupção?

      Você diz que “quem dita as regras no capitalismo são os empresários sedentos pelo lucro”. Que horror, hein? E quem dita as regras no comunismo? Ops… então você troca um “serviço irritante” em que você “trabalha mais” pelo… Estado, em que você nem pode escolher se trabalha ou não, no que trabalha, quanto trabalha? Por que nenhum socialista resolve encarar esse óbvio ululante?! (nenhum Estado socialista garantiu menos tempo de trabalho e mais dinheiro para o trabalhador; por que será? o capitalismo só fez o contrário: cada vez mais dinheiro pros pobres, mais bens, e com menos trabalho)

      O que você falou sobre “o bem comum” é tão risível que você vai ficar feliz de eu ter te avisado disso ainda aos 17 anos (demorei alguns anos a mais pra perceber). Veja o Pondé e entenda que, se você pensa isso que disse pro Pablo Vilarnovo, você é um totalitário: http://sergyovitro.blogspot.com/2011/07/luiz-felipe-ponde-tentacao-totalitaria.html?m=1

      Você fala de “psicologia” como se fosse tudo uma ideologia só. Sabe a diferença entre psicanálise, behaviorismo, logoterapia, Daseinanalyse, psicologia cognitiva, terapia comportamental? Acha que são, sei lá, parecidas? O mundo é mais complicado que um joguinho entre mocinhos e bandidos.

      Quanto à última coisa que falou pro Pablo (que logo vem aqui te apresentar mais argumentos), reitero: leia o que será o comunismo. O Rodrigo Constantino deu um resumo aqui: http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2006/12/fbrica-da-inveja.html

      Mas não deixe de ler as 1100 páginas do livro A Revolta de Atlas, da Ayn Rand. Em poucas páginas do livro II, o mundo estaria salvo, e não nesse deus-nos-acuda, se as pessoas certas tivessem lido. Ou você acha que existe alguma forma de esse desespero descrito nesse link NÃO acontecer? Pois é exatamente a conseqüência mais inescapável do que você está pregando como a saída para a Humanidade.

      E se você sabe inglês, também leia essa coluna do Sowell (um baita negão, diga-se). Quero ver quem não vira “direitista” depois disso e de umas boas doses de Ortega y Gasset depois do Sucrilhos: http://www.nationalreview.com/articles/229862/real-public-service/thomas-sowell

  18. alexandre17 de julho de 2011 às 08:32

    Pelo visto vc não acompanhou os acontecimentos da crise de 2008. A crise imobiliária se abateu na Irlanda, a bolsa de valores caía. O “mercado” exigia uma solução para a crise e o governo vinha com injeção de dinheiro nos bancos. A bolsa de recuperava e o “mercado” respirava aliviado. Agora, o mesmo “mercado”, que se acalmava com pacote de ajuda, reclama da dívida pública. Bem , não sou eu que estou dizendo mas os fatos ! Pesquise na internet o comportamento das bolsas durante as discussões de pacotes de ajuda durante a crise. Sobre a Grécia, é de uma simplicidade enorme achar que a causa da crise é o número de funcionário públicos na economia. Se fosse assim, a Escandinávia já tinha quebrado umas três vezes. A Grécia sofre por ter um câmbio que não é condizente com sua economia. Tanto é verdade que a déficit na conta corrente é grande. E a economia não cresce. Quando vc não tem política cambial e nem monetária para estimular a economia, só sobra a política fiscal. A dívida pública grega é alta mas está no mesmo patamar do Japão e Bélgica. Vc ouve falar de risco de moratória nesses países ? E sobre a relação capitalismo e imperialismo, até agora vc se calou ! Me manda ler Mises e Rothbard, mas ele nunca falaram nada sobre o capitalismo e imperialismo. Mostre um trecho de algum autor da Escola Austríaca que fale de maneira explícita as vantagens que o capitalismo levou aos países africanos no século XIX. Mostre que o imperialismo foi útil e produtivo para os países africanos ! Mostre e não fuja do assunto. Sou pragmático e não dogmático como os integrantes da Escola Austríaca. Seguir de maneira cega determinados dogmas leva ao extremismo. E o século XX mostrou os malefícios do extremismo. A economia de mercado obteve melhores resultados do que o comunismo mas não está isenta de erros, como pregam a Escola Austríaca. Eles acreditam que a economia de mercado é uma criação divina mas é obra dos homens, e como seu criador, tem suas imperfeições. Continuo respondendo de maneira civilizada e sem te desqualificar. Quem parte para a desqualificação é porque está perdendo a razão.

    • flaviomorgen18 de julho de 2011 às 23:17Autor

      alexandre, não são respostas incíveis, e sim respostas condizentes ao nosso troll mais fiel, sem prejuízo de sua chatice volitivamente patrulheira.

      Você diz que “o mercado” pediu menos liberdade econômica (mais dinheiro público dirigindo seus rumos), provavelmente por gostar de ser controlado (é um masoquista). Depois diz que “o mercado” recebeu dinheiro, e depois que “o mercado” reclamou de receber dinheiro (você disse isso duas vezes. SÉRIO.), talvez o mesmo “mercado” cujo maior problema é a ganância e a busca por lucro (ou seja, o problema é quando eles deixam o consumidor decidir se vão dar o dinheiro pras empresas ou não, mas quando ele toma à força dinheiro imposto, aí é bonito).

      Foi o que perguntei: o que é “o mercado”? O mercado somos você e eu. O mercado é o seu Tonico da padaria. O mercado é o menino Lucas e seu professor de História. Se com 5 pessoas já é difícil chegar a uma conclusão sobre quais deverão ser os rumos do mercado, como você diz que “o mercado” quis isso, depois aquilo, depois exatamente o inverso? Como você não percebe o absurdo de ter de apelar para esses chavões, e para forçar a realidade a caber em sua visão de realidade, falar na maior cara lavada que… o mercado reclamou de enriquecer?!?! (note-se que “o governo”, que é uma entidade incrivelmente mais unificada, ainda assim não chegaria a uma conclusão sobre como gastar impostos numa reunião só com uns 5 caras do núcleo duro da situação)

      Se assim o fosse, dar aula de Economia seria fácil: encha o mercado de dinheiro do governo e voilà. Quem precisa entender o que é uma Bolsa de Valores? Até o professor de oitava série do Lucas saberia. O mercado é a Sadia e a Perdigão. O Corinthians e o Palmeiras. Como supor que “o mercado” quer uma coisa, sendo que é uma coisa heterogênea até a medula, instável, delicada e mais imprevisível que ciclo menstrual? Não existe “o mercado”, a não ser como média estatística da variação de preço de ações de empresas diversas (e concorrentes) ou em oposição a “o Estado”. E até os governantes são “o mercado”, desde que comprem uma bala.

      A Europa não é uma “coisa”, mas um equilíbio. Já no século XVIII o historiador Robertson qualificou o equilíbrio europeu de the great secret of modern politics. É o problema da zona do Euro. A discussão ali, muitas vezes, passa ao largo da disputa entre Estado mínimo x Estado de bem-estar social. Não há como toda uma moeda possuir rigidez tendo cada país adotado gastos fiscais diferentes. É simples e você mesmo percebe isso. Mas então, o que diferencia a Grécia da Alemanha, Bélgica e Japão que não quebram? Exatamente os gastos públicos, ora.

      O que, aliás, é uma crise? Eu entro em crise quando gasto mais do que tenho. É “o mercado” que gasta mais? Ou é o governo? Ou é o Estado inchado?

      Para vocês, esquerdistas, tudo é culpa de um tal “neoliberalismo” que desconhecem. A média de carga tributária na Europa vacila na casa dos 30%. É isso que chamam de “Estado mínimo”? De “neoliberalismo selvagem”? Como podem culpar o liberalismo, sendo que nenhum governo ocidental adota medidas liberais, hoje – mesmo os “de direita”, ou MUITO menos eles, como o comprovam a França de Sarkozy e a Itália de Berlusconni com o tamanho de seus Estados e tributos? O que está em falência é o “Estado mínimo” grego? O português? O italiano? O espanhol? Ou o euro e seu modelo social-democrata – que, com uma carga às vezes 20% maior, chegaria já nos “Estados socialistas escandinavos”?

      Os próprios EUA não diminuem impostos há quanto tempo? Estão com uma carga tributária de 10%, próxima dos 2/3% de Singapura e Hong Kong, ou já acima desse patamar? Não importa quantas mudanças de presidente aconteçam por lá, para a esquerda “os EUA são neoliberais”. Aí ficam os democratas tentando passar um novo pacote de medidas (é o governo é o seu “o mercado”, no singular, que querem isso?), os republicanos não deixando enquanto o governo não diminuir seus gastos públicos. Os democratas não querem perder a mamata. Mas são “neoliberais” e o Estado é mínimo, né?

      Para vocês, esquerdistas, com variados graus de radicalismo (do “socialismo” do menino Lucas até seu modelo moderado de “social-democracia”), o Estado é pensado como um meio seguro de ter pouco trabalho, zero de produtividade e enriquecimento fácil. Mas a crise é do “neoliberalismo português”! Ora, aumentar o Estado não foi exatamente o que levou esses países à bancarrota? Qual a sua alternativa, então? Aumentar mais o Estado? É por isso que “a Escola Austríaca faliu”?

      O negócio é culpar a direita. E fazer a mesma coisa: colocar PSDB/DEM, Santayana e Ortega y Gasset tudo no mesmo saco: preferencialmente um saco culpado de tudo aquilo que você diz que não prega. Aí, soca-se o espantalho achando que se atingiu o indivíduo.

      Parte da técnica é também confundir a teoria (o “Estado mínimo”) com a prática, derivada de circunstâncias históricas as mais variadas (o liberalismo defendido por esses autores existiu tanto quanto o comunismo marxista). Unindo as duas técnicas, você, que não leu a Escola Austríaca, supõe de estro próprio que suas idéias são apenas “o mercado é nosso único Deus”, e a dos Chicago Boys (que não sentariam do lado de um Rothbard sem rolar porrada) é “o mercado é nosso único Deus”. Na sua cabecinha, a única diferença são as cidades (e olha que a maioria da Escola Austríaca estava longe de ser austríaca). Você acha que vai convencer quem de que já leu, conhece o pensamento e sabe das fraquezas das idéias de Huerta de Soto, Nozick, Böhm-Bawerk, Sowell, Bastiat e derivados?

      O próprio livro que te sugeri (As Seis Lições, do Mises – cara, tem 100 páginas isso!), ao falar de imperialismo, Revolução Industrial e derivados, não é nada elogioso aos EUA. Não fala do mercado como a panacéia para onde todos podem correr para resolver qualquer problema, de acidentes de trânsito a unha encravada. Mas você, sem o ler, acredita que ele vai dizer: “Nada melhor do que poluir e invadir países, e ademais, o liberalismo mais radical não pode viver sem isso, pois ele é rigorosamente expansionista e está isento de erros!” – acha que fez cócegas em Mises com essa idéiazinha?

      Agora por favor chega de trollagem. Essa discussão está maior do que meu texto inicial e não sou tão bom sem platéia. Chega de aula de graça. Abs

  19. alexandre16 de julho de 2011 às 23:10

    Dois dos países em crise (Irlanda e Espanha) eram exemplos de liberalização econômica ( vc ouviu falar em tigre celta ? ). A dívida deles antes da crise soberana era abaixo dos 40% do pib. Aconteceu um estouro da bolha imobiliária. E o que aconteceu para “acalmar” o tão infalível mercado da escola austríaca ? Ajuda do governo aos bancos. Se não tivesse ajuda, dá-lhe queda nas bolsas. E vemos em dois anos, a dívida desses paíse dobrarem. E o mesmo mercado, que exigia ajuda do governo para trazer confiança, agora critica o valor da dívida ! Esse é o mercado infalível e perfeito da escola austríaca ! E vc sabe o que acontece numa zona monetária como a do euro. Países menos competitivos não podem utilizar política cambial e monetária. A Grécia tem o mesmo câmbio e juros da Alemanha. Só podia dar nisso! E sobre a relação capitalismo e imperalismo, vc não fala nada porque não sabe sair dessa. Afinal, vc defende que o capitalismo é perfeito, ou seja, uma obra divina ! Vc pode continuar me ofedendo mas irei responder com educação. Quem apela perde a razão. Abs

    • flaviomorgen16 de julho de 2011 às 23:35Autor

      alexandre, você é uma criança pra falar esse tipo de coisa. Primeiro fala que o governo ajuda os bancos, depois fala que o mercado antes exigia ajuda para trazer confiança, e que o mercado (o mesmo?!?!?!) está criticando a dívida… e está ajudando aos bancos, segundo o começo, tudo junto, misturado… então péra: ele queria ajuda antes, certo? E só não faliu por causa do governo, né? E agora tá reclamando do governo?!

      Bom, ou todo irlandês é louco (confio mais na hipótese de que seja bêbado), ou vou ter de descobrir como “o mercado” (e o que é o mercado, afinal, cacete?!) consegue estar em quinto lugar em índice de liberdade econômica se pra isso precisou do governo, como você diz.

      Enfim, vá ler um mínimo sobre Escola Austríaca antes de falar esse tipo de coisa. Afinal, são eles mesmos que têm teses e mais teses sobre crises financeiras e JUSTAMENTE o problema monetarista (você sabe o que é Lei de Rothbard? pois vai contra justamente o monetarismo do Friedman que você critica). A Grécia tem 25% de funcionários públicos. A Alemanha não. Qual das duas quebrou, se segundo você, ela tem o mesmo câmbio e juros da Alemanha? Se são “o mesmo”, não é isso que explica, né? Então, porque a Merkel tá chamando cérebro pra trabalhar na Alemanha, e a Grécia tá fodida de desemprego? Não percebe como você morde seu próprio rabo falando esse tipo de asneira? Sobre o imperialismo mesmo, vá ler As Seis Lições de Mises (porra, cara, o livro não tem muito mais de 100 páginas). Ficar com esse discurso de oitava série é cretinice, além de criancice. E eu não quero ser processado por bater em criança. Abs.

  20. alexandre16 de julho de 2011 às 12:10

    Bem que vc podia explicar ao jovem Lucas sobre as relações do capitalismo e colonialismo do século XIX e início do século XX. Estou curioso como vc irá sair desta !! Uma coisa tem que reconhecer na direita : vcs são bastante criativos em reescrever a História, vide a Grande Depressão de 1929.

    • flaviomorgen16 de julho de 2011 às 19:12Autor

      Criança, “reescrever a História” é não repapagaiar ipse dixit o que o professor de História da oitava série do Lucas (e o seu) dizem sobre mocinhos e bandidos? Hah, hah, hah…

      vá ler Rothbard e sua encrenca com Friedman e mesmo com Krugman e pare de demonstrar ignorância por aqui. Eu cobro caro pelas minhas aulas, e você já saiu com zero de todas. Ou você acha que vai fazer alguém aqui acreditar que você leu 5% dos caras que indiquei?

  21. alexandre15 de julho de 2011 às 20:06

    Vc mandar um garoto de 17 anos ler os livros da escola austríaca e de chicago é um crime !!!! Ainda mais depois da crise de 2008. A escola de Chicago é tão tosca que dava como exemplo de troca racional e maximizadora, as relações sexuais ( Richard McKenzie e Gordon Tullock). A visão utilitarista dos neoclássicos e das escolas citadas estão ultrapassada na teoria econômica. Pelo visto, vc não acompanha ciência econômica !

    • flaviomorgen16 de julho de 2011 às 19:09Autor

      Claro, quem está certo é o keynesianismo, que se provou certo com a crise de 2008.

      Por exemplo: quais são os países com maior número de funcionários públicos na Europa? E quais são os países que estão agora em crise na Europa?

      Huummm…. parece que ambos os números batem PERFEITAMENTE, hein? Mas, claro, quem saiu perdendo foi… a Escola Austríaca.

  22. Pablo Vilarnovo15 de julho de 2011 às 17:15

    Lucas – Há uma incongruência lógica em seu pensamento:

    “O comunismo avança o verdadeira desenvolvimento da sociedade, enquanto o capitalismo, esse só avança o desenvolvimento do bolso dos milionários.”

    #Pablo Vilarnovo
    Consegue citar um exemplo de país comunista que promoveu o desenvolvimento da sociedade?

    Consegue citar um exemplo de país que realmente implantou o comunismo na sociedade?

    =================================

    Agora eu te pergunto, apenas usando a lógica:

    Se nunca houve um país que tenha implantado realmente o comunismo, como você sabe que o comunismo verdadeiramente promove o desenvolvimento da sociedade?

    =================================

    Continuando suas afirmações:

    “1° Ao tentar implantá-lo a disputa de poder das lideranças e geralmente resulta em crises, como na antiga URSS, onde Stalin fez uma verdadeira chacina para manter o poder.”

    Sim Lucas, e isso não acontece apenas no comunismo. Aconteceu durante toda a história da humanidade seja qual for o sistema político. Isso por um pequeno detalhe: a luta pelo poder é intrínsico ao ser humano.

    “2° Até reformular o pensamento da sociedade por completo, pode haver crises econômicas e sociais por conta do pensamento advindo do capitalismo, e é aí que entra a ditadura de reformulação.

    As crises econômicas e sociais do comunismo não são oriundas do capitalismo. São oriundas do próprio sistema comunista.
    O que você parece não compreender é que mesmo existindo bilhões de pessoas no planeta, não há um ser humano igual a outro. E isso é muito mais poderoso que qualquer teoria coletivista que possa existir. Você afirma que o comunismo visa o bem da sociedade. Mas que sociedade é essa? Aliás, quem define o que seria “o bem para a socidade”. Eu? Você? O Partido? A maioria?

    E se a maioria decidir um dia que todos os canhotos devem morrer? E se a maioria decidir que todos os aidéticos devem morrer? E se a maioria decidir que todos os judeus devem ir para a câmara de gás? Isso estará certo apenas porque a maioria decidiu?

    “3° É um sistema que vai contra a tendência humana individualista, a qual deve muito seu caráter ao próprio capitalismo.”

    E é justamente por isso que o comunismo NUNCA irá funcionar. Para o comunismo funcionar, o ser humano deve se tornar uma máquina sem sentimentos, sem desejos próprios, sem anseios. Seremos um planeta de Borgs controlados por um cérebro central.

    O capitalismo é perfeito? Claro que não. Isso porque nós não somos perfeitos. Nunca seremos.

    “4° No mundo capitalista é muito difícil encontrar uma maneira equilibrada de sustentar uma sociedade comunista.”

    Luca, você é muito novo para entender isso. Não digo isso de forma pejorativa. Falta-lhe estudo de sociologia para entender um pouco o ser humano e como agimos.

    Há uma corrente na sociologia, que considero bem interessante, que diz que nós “funcionamos” através de estímulos positivos e estímulos negativos.
    Um estímulo positivo nos dá incentivo a fazer algo, o negativo o contrário.

    Vou tentar usar um exemplo perto de ti. Sua escola. Qual seria o seu estímulo positivo para estudar? Existem vários: tirar boas notas, passar de ano, aprender. Qual seriam os negativos? Ora, poderia estar jogando bola, namorando, jogando PS…

    Nós, seres humanos, tomamos milhares de decisões todos os dias avaliando os estímulos positivos e negativos.

    Por exemplo. Na sua sala de aula há de haver alunos bons, alunos não tão bons, aqueles que sempre tiram notas altas e os que sempre tiram notas baixas. Para os alunos de nota alta vamos considerar duas hipóteses: eles estudam muito ou são gênios de nascença. Como a genialidade é algo fora da curva, vamos considerar que os que tiram notas altas sejam os que mais estudam.

    Agora considere isso: e se seu professor um dia falasse que a nota da turma seria a média de todos os alunos?

    Aconteceria duas coisas: a nota dos alunos que estudam iria cair porque seria puxada para baixo pela nota dos alunos que não estudam.

    A nota dos alunos que não estudam seria puxada para cima pela nota dos alunos que estudam.

    Isso é o comunismo.

    Pelo bem comum da turma (sociedade) a nota de todos os alunos (produtividade dos trabalhadores) seria dividida igualmente.

    Na verdade o comunismo é pior do que isso. O princípio não é: “de cada um conforme a sua capacidade, a cada um conforme a sua necessidade”.

    O que aconteceria seria o seguinte. Um aluno tira 10 (capacidade), o outro tira 0. O aluno que tira 10 daria 5 pontos para o aluno que tirou 0 (necessidade) e ambos ficaram 5.

    Qual o incentivo incentivo do aluno que estudou para tirar 10 teria para novamente estudar e tirar outro 10 já que terá que dividir sua nota com alguém? Bom, você pode dizer altruismo, caridade, ajudar o próximo. E isso é verdade. Acontece. A maior nação capitalista do mundo é a que mais pratica a filantropia no mundo. Em 2009 os EUA “gastaram” 303 bilhões de dólares em filantropia. Isso equivale ao PIB da Áustria. Ou seja, em 2009, em plena crise financeira, os EUA doaram uma Áustria.

    Mas e o aluno que tirou 0? Qual seria o incentivo para ele estudar? Já que mesmo sem estudar, ele irá ficar com 5? Porque ele faria isso?

    Pense um pouco sobre isso.

    Desculpem pelo longo post.

    • flaviomorgen16 de julho de 2011 às 19:34Autor

      Além desse fator (exposto em tons tão grotescos que exageram no realismo no post do Rodrigo Constantino sobre a fábrica da inveja do livro A Revolta da Atlas, da Ayn Rand – http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2006/12/fbrica-da-inveja.html), há também o “pequeno” Problema do Cálculo Econômico (que nosso amigo alexandre aí nunca refutou, mas afirma que “a Escola Austríaca” está falida, sabe lá deus por que cargas d’água). Vejam aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_do_c%C3%A1lculo_econ%C3%B4mico

      Ou seja, em um sistema de notas planificadas, como saber quanto vale cada nota? Como saber se estamos mesmo passando 5 do aluno que tirou 10 para o aluno que tirou zero? Como saber se, na verdade, ele não teria tirado na verdade 6 na segunda prova, passamos apenas 1 e achamos que foram 5? E não contamos com a produção, mesmo de alimentos, como se ele tivesse sempre tirando 10? Depois que a fome só existe no comunismo (ou aquelas imagens de países famélicos que aparecem quando você busca por “capitalismo” no Google Images existem em algum país com alta liberdade econômica?), acham que foi um acaso do Destino. Sempre ele.

  23. Lucas15 de julho de 2011 às 01:25

    Esse foi o melhor comentário EVAR por aqui! Eu não mereço tanto.

    Lição n° 1: Num debate qualquer nunca dizer sua idade a alguém 10 anos mais velho com menos de 40 anos, pois isso justifica o argumento, “pff, mas você é jovem demais…”

    Preferia mil vezes ser refutado à isso. Pelo menos aprenderia algo.

    #Pablo Vilarnovo
    Consegue citar um exemplo de país comunista que promoveu o desenvolvimento da sociedade?

    Consegue citar um exemplo de país que realmente implantou o comunismo na sociedade?

    _________

    A questão é que o capitalismo é um sistema defeituoso, que funciona mal, mas funciona, por basear-se no egoísmo e na desigualdade.

    O comunismo é o sistema com os ideais perfeitos, o bem-comum é sua base, porém AINDA não foi implantado. E mesmo quando implantado terá sérias dificuldades.

    1° Ao tentar implantá-lo a disputa de poder das lideranças e geralmente resulta em crises, como na antiga URSS, onde Stalin fez uma verdadeira chacina para manter o poder.

    2° Até reformular o pensamento da sociedade por completo, pode haver crises econômicas e sociais por conta do pensamento advindo do capitalismo, e é aí que entra a ditadura de reformulação.

    3° É um sistema que vai contra a tendência humana individualista, a qual deve muito seu caráter ao próprio capitalismo.

    4° No mundo capitalista é muito difícil encontrar uma maneira equilibrada de sustentar uma sociedade comunista.

    • flaviomorgen15 de julho de 2011 às 12:13Autor

      Lucas, eu sabia que você voltaria, por isso nem me dei ao trabalho de te responder. Mas vamos lá. Você tem salvação. Foi com 17 anos que parei de acreditar nessas besteiras utópicas, e olha que foi antes de saber do número de mortes do outro lado da Cortina de Ferro.

      ” li apenas Descartes, Hume e agora estou por compreender a filosofia de Kant, também li o Manifesto Comunista, mas não o considero uma obra argumentativa.”

      Em primeiro lugar, você não está “por compreender a filosofia de Kant” (impressão minha ou você está citando os capítulos d’O Mundo de Sofia? olha, é um bom começo). Você vai estudar isso até os 70 anos e ainda vai descobrir muita coisa nova. Eu estudo com afinco Kierkegaard e Heidegger há quase 10 anos (tudo bem que ambos são mais complexos do que Kant, mas whatever) e ainda não consigo ficar de pé sem rodinhas em mais do que 3% dos escritos de cada um.

      O Manifesto Comunista é sim uma obra argumentativa. É que você não entende de Retórica, então, não reconhece os argumentos. Pegue o livro do Umberto Eco “Sobre a Literatura” que tem um ensaio bem interessante sobre os argumentos de Marx & Engels (Marx escreve tão mal em todos os seus livros e cartas que só posso acreditar que esse manifesto é muito mais obra estética de Engels do que de Marx, ao contrário do que se faz crer).

      Depois, esse clichê:

      “Consegue citar um exemplo de país que realmente implantou o comunismo na sociedade?”

      No dia em que discutir com um comunista que não usar essa baboseira vou dar um champagne de R$500 pra ele. Ora, se nenhum país conseguiu implantar o comunismo, foi justamente porque o ideal não presta. Como disse G. K. Chesterton (eu, que sou ateu, até quando ele fala de religião respeito, de tão genial que o cara é), não são os ideais amolescendo que tornam as pessoas mais reacionárias com o passar do tempo, e sim a realidade que endurece.

      Mas então você está misturando dois sentidos possíveis da palavra “comunista”. Um é “aquele que vive sob o comunismo” e outro é “aquele que defende o comunismo e luta pela sua implantação”. Comunismo exige um totalitarismo socialista antes dele – o comunismo via ação direta se chama “anarquia”. Isso é muito bem explicado na maior história dos ideais socialistas que existe, “Rumo à Estação Finlândia”, de Edmund Wilson (que era trotskysta quando escreveu o livro, mas virou conservador depois). É um livro de mais de 600 páginas – portanto, seu amiguinhos militantes do PSTU não o leram.

      Assim, nenhum país comunista (que defende o comunismo) implantou o comunismo. Mas são todos comunistas. Então, a pergunta do Pablo Vilarnovo permanece: algum país comunista promoveu o desenvolvimento da sociedade? Não saia pela tangente dessa vez: a lista de países com maior liberdade econômica bate muito bem com a lista dos países com melhor IDH do mundo. Pode jogar no Google. É tiro e queda. Nenhum país comuna está ali.

      Todo país desigual é melhor do que um país de igualdade forçada. É óbvio que vocês (ou seja, seus professores de oitava série, vocês só o repapagueiam) preferem falar tanto em “desigualdade”, substantivo abstrato derivado negativamente de “igualdade”, porque não gostam de falar em “liberdade”. Afinal, no seu mundo perfeito e de iguais, um tradutor de polonês ganha o mesmo que um tradutor de espanhol? Tome cuidado com a resposta, porque a Polônia tá cheia de comunistas e vai ser difícil conseguir livrinhos traduzidos de lá… (ah, falando em Polônia, também bote na sua listinha de leitura Leszek Kołakowski, do Main Currents of Marxism)

      Ou seja: se num mundo de iguais, todos ganham R$30 do Estado (depois de expropriar à força e escravizar/matar/deportar todos o que são contra), o que é mais ou menos o salário de Cuba (aproximadamente duas horas de trabalho na Califórnia), mas um gasta os R$30, talvez em cachaça, e outro economiza sempre R$4 por mês, em questão de uma década você já não terá um mundo completamente desigual de novo? Então, qual a sua solução pra igualdade? Roubar de quem economizou? Pois é exatamente isso que você quer fazer agora.

      Mas aí você fala que foi Stálin que fez uma chacina pra se manter no poder. Ou seja, o problema foi Stálin, não a ideologia, mantida virginalmente no mundo das idéias platônico! Que droga, hein? Mas e na China, em que Stálin não era o ditador? Ah, mas lá foi o Mao Zedong! Puta merda! Que coincidêndia sinistra! Em um século, dois dos maiores genocidas e psicopatas da História subiram ao poder logo nos países comunistas, que têm por ideal o bem comum, e fizeram a esbórnia! Mataram mais gente sozinhos do que todas as guerras (inclusive as religiosas!) da Humanidade antes deles juntas! Mas o problema foram eles, não a ideologia, né? Ah, mas e na Coréia? Foi o Kim Il-sung! OUTRA coincidência! E na Romênia? Putz, sabe o que é, lá por coincidência também teve o Ceauşescu que ferrou com os ideais do bem comum… Ah… e no Afeganistão? E na Líbia? E no Zimbábue? E no Congo? E na Hungria? E na Polônia? E na Alemanha Oriental? E em Cuba? E no Camboja? E na Etiópia? E na Bulgária? E em Angola? E no Vietnã? E na Iugoslávia? E na Mongólia? E em Moçambique?!

      Porra, foi tudo coincidência? Onde quer que você você aplique essa bosta, é tudo culpa do Stálin, que foi o único maior genocida da História?! Não tem mesmo nada de errado com a doutrina?!

      Vê como seus argumentos são o maior clichê do mundo? Vê como seu professorzinho comunista adora falar mal dos EUA por causa do Bush, mas ainda não encontrou o outro colhão dele para falar das mortes da Cortina de Ferro?!

      No mais, se você quer reclamar tanto de “egoísmo” e da “irracionalidade” capitalista (racionalidade é matar 150 milhões?), leia o que acontece quando você implanta teu amado comunismo: http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2006/12/fbrica-da-inveja.html

      Depois é só ler o livro da Ayn Rand. São mais 1100 páginas. Mas vai te tornar “desigual” aos retardados do PSTU. O que é uma bênção!

      Aí só vai faltar finalmente ter coragem de ler “a teoria comunista ou mesmo a capitalista”. Pegue os autores que seus professores não conhecem (pois, se conhecessem, não seriam tão burros, como os meus também eram). Hayek, Sowell, Ortega y Gasset (o maior crítico da falta de racionalidade do séc. XX), Mises, Bastiat, Rothbard, Santayana, Jouvenel, Benedetto Croce, H. L. Mencken, P. J. O’Rourke, G. K. Chesterton supra-citado, Friedman, Greenspan, Roberto Campos, Mário Ferreira dos Santos, Ron Paul, Besançon, toda a Escola Austríaca (criadores da praxeologia e do marginalismo – é isso que você chama de “irracional”?), a Escola de Chicago…

      Ou seja, meu jovem, você tem salvação. Só abandone logo esses fascistas do PSTU e finja pro seu professor da oitava série que ainda acredita piamente em comuno-fascismo – do contrário, você já sabe que vai repetir de ano, e vai botar a culpa em mim. :D

  24. Pablo Vilarnovo14 de julho de 2011 às 11:21

    Lucas – “O comunismo avança o verdadeira desenvolvimento da sociedade, enquanto o capitalismo, esse só avança o desenvolvimento do bolso dos milionários.”

    Você consegue citar um exemplo de país comunista que promoveu o desenvolvimento da sociedade?

  25. Ana13 de julho de 2011 às 19:54

    17 anos e militando no PSTU. Antes estivesse batendo punheta assistindo algum vídeo no RedTube.

  26. Lucas13 de julho de 2011 às 17:58

    Ok, sou aluno do 2°ano do EM de escola pública, veja só, um pouco mais do que oitava série, e, diga-se de passagem, milito no PSTU, por querer ganhar experiência e ter um papel ativo na luta por um país melhor.

    Realmente nunca li um livro sobre a teoria comunista ou mesmo a capitalista, me interessei por tudo isso há pouco tempo, do que há de útil li apenas Descartes, Hume e agora estou por compreender a filosofia de Kant, também li o Manifesto Comunista, mas não o considero uma obra argumentativa. Sou leigo em teoria política, todavia não hesito em ir contra o capitalismo por enxergar que esse mundo pode melhorar muito.

    Mas vamos aos argumentos:

    O capitalismo foi o único sistema econômico em toda a Humanidade a abolir o trabalho escravo

    Hahahaha faça-me rir sr. Morgen, primeiro, a ligação entre capitalismo e fim do trabalho escravo é a mesma entre feudalismo e parada gay. Era óbvio que com a evolução da humanidade a escravidão teria fim, pelo menos aquela mais explícita, porque hoje ainda há escravidão, e ela está no trabalho daqueles que o destino não abençoa.

    O capitalismo, por outro lado, não “funciona na premissa da livre igualdade de oportunidades”.

    Eu pensava que a teoria capitalista era a de que tanto o “negro pobre da favela” como o “loiro de olhos-azuis, burguês do centro” teriam a mesma chance de se tornar um Bill Gates, ou seja, vencer no reality “Der Kapitalismus” mas acredito que meu professor da oitava série explicou errado, que pena, então vivemos num sistema que é assumidamente desigual, e você sabe que a desigualdade gera probleminhas a sociedade né?

    Se para você “O livre-arbítrio não existe, poupe-me de explicações” (sic), deveria saber que eu sou um árduo CRÍTICO do conceito de livre arbítrio:

    Perdoe-me pela terrível ofensa, mas aqui o “você” era direcionado a qualquer um que visse meu comentário.

    “O capitalismo é um sistema político que depende da vontade”. Ora, você sabe o que significa arbítrio para supor tal dependência e misturar livre arbítrio como algo obrigatório a um sistema de economia livre?! Um dicionário pode te ajudar bastante.

    Com um dicionário em mãos traduzirei para você, ou melhor, com a Wikipédia na tela.

    Livre-arbítrio: Livre-arbítrio (ou livre-alvedrio) é a crença ou doutrina filosófica que defende que a pessoa tem o poder de escolher suas ações…

    Liberalismo: O liberalismo é um sistema político-econômico baseado na defesa da liberdade individual…

    Ausência de livre arbítrio = ausência de liberdade individual
    Isso significa que ninguém merece ter mais do que ninguém.

    O comunismo não é gerido pela razão.

    O capitalismo é um sistema que funciona sem nenhuma base, já que o objetivo da sociedade é ignorado, pois nele quem dita as regras é aquela minoria formada pelos grandes empresários, e eles querem apenas mais e mais dinheiro, sedentos pela sede de poder, e pelo que se vê na Amazônia não se importam se vão ferrar com o futuro da humanidade, não se importam se a merda nova dele vai realmente ajudar no desenvolvimento da sociedade ou apenas vai entreter a “massa”, contanto que aumente sua fortuna. Para um grande empresário capitalista, não importa o meio, mas apenas o lucro que ele obterá, e é nisto que se fundamenta a irracionalidade do capitalismo.

    Eu posso ter me equivocado ao dizer que o comunismo é um sistema racional de gerir a nação, porém é o sistema que segue o interesse comum da sociedade.

    O comunismo avança o verdadeira desenvolvimento da sociedade, enquanto o capitalismo, esse só avança o desenvolvimento do bolso dos milionários.

    • flaviomorgen13 de julho de 2011 às 19:39Autor

      “sou aluno do 2°ano do EM de escola pública, veja só, um pouco mais do que oitava série, e, diga-se de passagem, milito no PSTU, por querer ganhar experiência e ter um papel ativo na luta por um país melhor.”

      HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!!!!

      Depois dizem que nós só sacaneamos esquerdistas baseando-nos em clichês!!

      Esse foi o melhor comentário EVAR por aqui!

  27. alexandre12 de julho de 2011 às 18:53

    Sem querer provoquei uma briga dentro do pensamento direitista ! Comentários contra o Olavo de Carvalho ???? Quem diria !

    • flaviomorgen13 de julho de 2011 às 01:51Autor

      Oh, meu deus! Você fez alguém constatar que Olavo de Carvalho e Ayn Rand não são idênticos! Pior: fezz com que direitistas não dissessem AMÉM, MESTRES para os dois ao mesmo tempo!

      Só falta descobrir agora os arranca-rabos entre Rothbard e Friedman, Kirk e Hayek, Ingersoll e Chesterton, até entre jornalistas brasileiros como Mainardi e a Castanhêde…

  28. Pablo Vilarnovo12 de julho de 2011 às 16:17

    Alexandre – Quer melhorar a distribuição de renda? Corte os impostos. Se você tirar o maldoso lucro do empresario do preço de uma mercadoria em média esse preço cai uns 5%. Se tirar os impostos o preço cai miseravelmente uns 25% – 30%.

  29. Victor Grinbaum11 de julho de 2011 às 22:08

    Eu jamais confiaria num “filósofo” vesgo que é a cara dos “Mythbusters”! E é só!

  30. Ben11 de julho de 2011 às 07:44

    Não existe nada que cause mais injustiças do que a ineficiência econômica. Já está mais do que provado que o inchaço da máquina pública não funciona. Hoje mesmo eu li uma notícia sobre (mais) uma licitação fraudulenta na Petrobras, envolvendo um deputado da base aliada. Nada disso aconteceria se existisse alguém para defender os interesses da empresa e arcar com os prejuízos da mesma. Não me venham com essa conversa de governo do povo, que na prática só favorece e concentra o poder nas mãos de algumas autoridades. Governos autoritários que sufocam os indivíduos jamais distribuirão justiça social. A injustiça social não justifica a aplicação de soluções estúpidas. De fórmulas mágicas que prometem efeito imediato. Cansei de ouvir intelectuais de salão que usam jogos de palavras para justificar uma ideologia que foi enterrada no leste europeu. Quero eficiência e soluções viáveis comprovadas na prática.

    • flaviomorgen11 de julho de 2011 às 10:09Autor

      É assim: dizem que o socialismo ajudou a Bósnia e a Bolívia, que são os países mais pobres de seus respectivos continentes. Aí você pergunta quem mais foi favorecido com um Estado provedor: a resposta é nula. Ou seja: o socialismo torna qualquer país em algo um pouquinho melhor do que o pior país do continente. Embora o Zimbábue esteja aí pra provar que nem sempre se consegue ser “um pouquinho melhor”.

  31. Fernando11 de julho de 2011 às 07:12

    Ao comentar os erros de concordância do entrevistado, você demonstrou aquilo que aquela professora de português dilmo-lulês chamou de preconceito linguítico.

  32. Thiago11 de julho de 2011 às 01:15

    Vou iniciar uma campanha: “Censura ao alexandre “troll” já!”

    Não é possível que alguém (pseudo)intelectual seja tão ignorante ¬¬” Está sempre falando bobagens, não tem um post que não passe vergonha… tsc tsc tsc

  33. Tanarim11 de julho de 2011 às 00:49

    Estou começando o livro III de “A revolta de Atlas”, e posso dizer: “Sou vacinado contra o discurso esquerdóide de nosso camaradas.”. Agora, quando meus amigos -notoriamente do curso de história- da faculdade chegam com palavras como: “distribuição social”, “mercado opressor” e “escravos do lucro”, solto um sonoro e claro “VAI TRABALHAR”.

    ps: Continue escrevendo Flávio, afinal, existem pessoas que acompanham essa bagaça
    Parabéns pelo texto.

  34. alexandre10 de julho de 2011 às 22:47

    A crítica do Olavo contra ela não tem nada a ver com religião e sim com conceitos filosóficos. Está aí no youtube
    http://www.youtube.com/watch?v=OvtYPfB1avw

  35. alexandre10 de julho de 2011 às 11:00

    A Ayn Rand não é respeitada nem pelo Olavo de Carvalho, que a chamou de pseudo-filósofa. E até disse que ela criou uma seita e que só fanáticos a seguem. Será que o Olavo de Carvalho não sabe ler ? Se o reacionário do Olavo de Carvalho criticou ela, não será eu, um esquerdista “preguiçoso”, que irá defendê-la !

    • flaviomorgen10 de julho de 2011 às 20:32Autor

      Poxa. Então ela recebeu críticas do Olavo já que é contra a Igreja (que você supos que ela “deveria” atacar, quando já ataca)? Como posso continuar lendo essa mulher?! E o problema não é “defender”, é… ehrr… ler. A propósito, você também recebeu críticas minhas (não refutadas, óbvio). Como é que continuo te lendo?!

  36. alexandre9 de julho de 2011 às 13:01

    Não sei de onde vc tirou que esquerdistas vão ficar calados com os argumentos do d´Anconia. A esquerda defende a distribuição do dinheiro e não o seu fim, nem que seja a “origem de todos os males do mundo”. Aliás, quem combate o dinheiro é a religião católica. Seu pensador queridinho errou ! Tinha que colocar esses argumentos numa festa com padres ou bispos. E tem um trecho que é irônico : “Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente. Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau.” O Collor, Maluf, Palloci, Zé Dirceu, Sarney e outros políticos não falam que o dinheiro é mal. Pelo texto, o caráter deles é impecável. E só uma pequena observação : não acho que o dinheiro é o mal de todas as coisas e não vejo nada demais quando uma pessoa fica rica de maneira honesta. Não sou contra o dinheiro mas como ele é distribuído.

    • flaviomorgen9 de julho de 2011 às 15:38Autor

      O meu pensador queridinho? Ayn Rand é uma mulher! E anti-Igreja, diga-se.

      Você ataca o contrário de uma premissa (quem o respeita o ganha honestamente) ao dizer que quem não o ganha honestamente, então, necessariamente o respeita. Não há nada no texto que diga isso. Se o d’Anconia está falando de um princípio moral do dinheiro que é a sua troca por produção e pelo produto do trabalho, nitidamente Collor, Maluf, Palocci, Dirceu e Sarney não o respeitam.

      Bem se vê que você não leu o livro.

  37. Mauro9 de julho de 2011 às 11:37

    Mandou muito.

    Como não sou filósofo e não sei usar termos difíceis como “necrose do mudancismo”, vou usar um exemplo real para ver se entendi. Para fazer as coxinhas que vende para complementar o orçamento familiar, a dona Maria Aparecida paga R$ 3,10 em uma garrafa de óleo de 900 ml. Sem impostos, o óleo custaria, no máximo, uns R$ 2,00, e a Dona Maria poderia aumentar a sua margem de lucro ridícula. Mas, de acordo com o filósofo, a dona Maria não tem acesso a saúde e educação públicas-gratuitas-e-de-qualidade porque *FALTAM* impostos no Brasil; a garrafa de óleo deveria é custar R$ 6,00. Isso inviabilizaria o negócio da dona Maria mas, para começo de conversa, ela não deveria nem estar fazendo coxinhas; a sua caixa de isopor não está registrada na junta comercial e ela está sonegando uma caralhada de impostos. E outra: fazer coxinhas é praticar capitalismo de espoliação.

    Saquei.

    • flaviomorgen9 de julho de 2011 às 15:40Autor

      Mauro, exato: o brasileiro brocoxô trata o empreendedorismo e o lucro do empresário como um mal. a dona Maria Aparecida é uma malévola. Onde já se viu ser empreendedora e buscar o lucro, ao invés de viver de Bolsa Família?! Com um governo que faz tudo pelos pobres esses pobres querem ser classe média… ingratos do cacete!

  38. Tambosi8 de julho de 2011 às 20:19

    Boa, Flávio!

    Só mesmo a Folhona pra dar coluna semanal a este filhote da Marilena Chaui, a filósofa da corte.
    É no mínimo contraditório um homem de ideias atrasadas falar em mudanças. Só se for para pior…

    Abs.

    • flaviomorgen9 de julho de 2011 às 04:34Autor

      Pois é, meu caro… e você entra no site desses bobalhóides e o que eles não param de dizer? Que a Folha é golpista, de direita, reacionária, mentirosa, escreve palavrão, fala “ditabranda” e sabe lá a Chaui mais o quê…

  39. Vitor Bittarello8 de julho de 2011 às 11:05

    Esses caras da esquerda querem controlar tudo e a todos….. não respeitam as liberdades individuais e adoram premiar incompetencia…. eles defendem isso pelo simples fato de terem medo da competição… ficam com o papinho de “selva capitalista”….. bando de picaretas incompetentes é isso que eles são.

  40. LuizMS8 de julho de 2011 às 11:03

    Parabéns pelo artigo. É sério e divertido ao mesmo tempo. Demonstra como a argumentação do “filósofo” (e da esquerda) é falha e ridícula, com grande sendo de humor.

  41. Bruno Torrano8 de julho de 2011 às 09:02

    Desde a publicação de O Capital a esquerda precisa de um novo discurso.

    Mas você percebe que a necessidade supera todos os limites da urgência quando vê análises “filosóficas” de como as merdas das nações saem da privada e descem pelos canos. Grande Zizek.

  42. Isaac Vieira8 de julho de 2011 às 00:45

    Nossa, nunca li tanta merda na minha vida. Parabéns. O senhor Flávio já pode pleitear seu título de filósofo da Carta sei lá o que… E comemorar com uma champagne paraguaia ao lado do prefeito Kassab.

  43. Filósofa7 de julho de 2011 às 22:11

    O tradutor, redator e corretor de Língua Portuguesa nas horas vagas já deveria saber que não se usa mais trema…

  44. alexandre7 de julho de 2011 às 19:36

    Mudança de discurso não é só monopólio da esquerda. PSDB e DEM sempre aparecem depois das eleições, dizendo que vão mudar o discurso. O DEM quer até mudar o nome novamente. Eles querem um discurso mais social (isso na palavras deles !)

  45. Kristiano7 de julho de 2011 às 19:33

    Para a Carta Capital ser uma revista perfeita, falta apenas ser feita em folhas duplas e picotadas.

  46. Ale7 de julho de 2011 às 18:45

    O mais perigoso não é ele falar isso. O perigoso são as pessoas serem convencidas por esse discurso e apoiarem as pessoas que levam essas ideias a frente.

    Socialismo é uma ideia muito bom, até o dinheiro do outro acabar.

  47. João Costa7 de julho de 2011 às 14:21

    Tenho que confessar: decorar o nome, não decorei. Mas percebi qual é o problema: falar o Vla e o tle. É um quebra-queixo lascado…

    Quanto aos pensamentos enunciados, são tão incompreensíveis quanto as regras de concordância que ele usa pra se expressar.

    Mais um grande post do Implicante. Vocês estão de parabéns!

    abs

    • flaviomorgen8 de julho de 2011 às 01:17Autor

      Obrigado, João! Essas palavras valem cada minuto da minha vida que perdi lendo essa entrevista sentindo os minutos passarem na razão inversa de uma tela de Loading…

  48. Ismael Pescarini7 de julho de 2011 às 14:19

    Ótima diversão esse Vladmir. Deixa ver se entendi; “radical imobilista” seria alguém como Dorival Caymi, um bom baiano deitado na rede? E expropriação digital, seria algo como usar software pirata em site oficial do PT, ao mesmo tempo em que se defende plataformas livres?
    Na verdade ele se torna claro quando defende um Estado intervencionista, tributador dominado por uma classe de pseudo trabalhadores encastelados em privilégios, distribuindo a riquesa gerada pelos otários trabalhadores reais e pelos capitalistas reais. O moço ainda espera da sociedade que reconheça o “enorme” benefício de ter dirigentes tão sábios. Como diria um grande filósofo de boteco amigo meu: e na bunada, não vai dinha?

  49. Lucas7 de julho de 2011 às 13:57

    O capitalismo é um sistema político individualista, que funciona na premissa da livre igualdade de oportunidades. Todavia essa premissa acredita no livre-arbítrio e ignora os fatores sociais que tornam a competição totalmente desigual. O livre-arbítrio não existe, poupe-me de explicações, e é por isso que todos tem que receber tratamento igual, já que ninguém tem culpa do que é.

    O capitalismo é um sistema político que depende da vontade, logo, ele é um sistema econômico irracional de gerir o estado, já o comunismo é um sistema que independe da vontade individual, já que é gerido pela razão, pelo conjunto da população em busca do bem comum.

    A origem do comunismo está em que o capitalismo é o sistema da desigualdade, do individualismo, e o comunismo é o sistema do bem-comum da população. É óbvio que é mais fácil o capitalismo funcionar, já que é um sistema irracional, mas vale a pena se esforçar pelo comunismo, pois ele é o sistema político da igualdade, a verdadeira democracia.

    • flaviomorgen8 de julho de 2011 às 02:08Autor

      Individualista é oposição a coletivista. De fato, o capitalismo não nos trata como jegues – a bem da verdade, o capitalismo foi o único sistema econômico em toda a Humanidade a abolir o trabalho escravo nos poucos séculos em que durou. Nenhum outro sistema, muito menos os que tratam o coletivismo como uma ideologia a ser defendida, conseguiu tal façanha.

      O capitalismo, por outro lado, não “funciona na premissa da livre igualdade de oportunidades”. Mesmo porque este conceito é vago: Mark Zuckerberg teve qual “oportunidade” de criar o Facebook? Como auferir que “oportunidade” alguém terá de virar uma Lady Gaga, um Bill Gates, um Warren Buffett, um Ronaldinho Gaúcho? Nenhum teórico do capitalismo nunca disse tal asneira. Nem os seus críticos de nota, diga-se.

      Nem tampouco “essa premissa acredita no livre-arbítrio”. Se para você “O livre-arbítrio não existe, poupe-me de explicações” (sic), deveria saber que eu sou um árduo CRÍTICO do conceito de livre arbítrio: http://papodehomem.com.br/metralhando-mitos-e-cliches-2-livre-arbitrio/

      Mas aparentemente você não faz a mais remota idéia do que seja livre-arbítrio para afirmar essas coisas: inicia já o parágrafo seguinte estarrecido: “O capitalismo é um sistema político que depende da vontade”. Ora, você sabe o que significa arbítrio para supor tal dependência e misturar livre arbítrio como algo obrigatório a um sistema de economia livre?! Um dicionário pode te ajudar bastante.

      Ademais, não é pelo determinismo ou o que for que “todos tem que receber tratamento igual, já que ninguém tem culpa do que é”. Os argumentos estão no texto citado. Aliás, não são argumentos meus: são dos próprios combatentes do conceito de livre-arbítrio, muitos deles de esquerda.

      O comunismo não é gerido pela razão. Isso é um romantismo que até mesmo grandes marxistas, como Horkheimer, já notaram na época em que seu avô era virgem. O comunismo é idealista. Significa concentração de poder nas mãos de poucos, e o partido em primeiro lugar. Claro, você pode acreditar na versão do seu professor da oitava série, ou virar hominho e procurar descobrir o que pensam Sowell, Croce, P. J. O’Rourke, Kołakowski, Hayek, Ayn Rand, Nagel… aliás, pela sua visão um tanto quanto oitava série sobre o comunismo, parece que nem uma obra fundamental sobre a história do socialismo conhece, como Rumo à Estação Finlândia. Daí você pode passar para Arquipélago Gulag, Main Currents of Marxism, O Livro Negro do Comunismo

  50. Rafael7 de julho de 2011 às 13:55

    Cara, eu já li e reli essa porcaria de discurso esquerdista tantas vezes que já começo a sentir náuseas assim que bato os olhos nos primeiros parágrafos desses grandes pensadores. O discurso muda, as posições das vírgulas mudam, alguns até sabem escrever, vejam só, mas eles sempre concluem a mesma porcaria:
    “Temos de sobretaxar os ricos e obrigar a todos a se subordinarem ao Estado”.

    Comecei a ler “A Revolta de Atlas”, também publicado como “Quem é John Galt?”, que ganhei do Instituto Millenium e, devo confessar, o primeiro volume me pareceu insonso e até um pouco prepotente, mas ao começar a leitura do segundo volume percebi que a genial autora mostrara como esse discurso esquerdista-bocó tinha origem: sempre apelando para o lado bons das pessoas para praticar as maiores atrocidades.

    Ao ler o Volume I tive a nítida impressão que autora forçava um pouco contra os esquerdistas de sua história, mas ao ler o Volume II e III não pude deixar de ver as semelhanças diretas com o lulismo.

    O discurso dessa gente não muda nunca, só a forma de seduzir os incautos para sua armadilha ética. Após a leitura da trilogia acabo por me sentir enojado pelo discurso dessa gente, não há como não ficar irritado ao ver essas víboras repetindo um discurso tão antigo e malévolo como este, e o pior que alguns nem se dão conta disso.

    No fundo, nossos paladinos da ética e do humanismo são os maiores chupins: chupam o trabalho alheio para se perpetuarem em sua mediocridade sempre usando como desculpa o tal do povo que, na realidade, não está nem aí pra quem está no poder.

    É trágico acompanhar de forma tão passiva (mas o que poderia fazer além de votar?) o experimento de Ayn Rand se desenrolar em nosso país (no que parece ser apenas mais um loop).

    • flaviomorgen8 de julho de 2011 às 02:39Autor

      Pois é, eu ainda não terminei o livro III (call of duty, e infelizmente nem me refiro ao videogame), mas o livro II tem algumas poucas páginas que mudariam o mundo se fossem lidas. As quatro páginas do monólogo do d’Anconia falando sobre dinheiro e calando todos os “empresários sociais” na festa é linda não só pelo argumento – é chocante porque você sabe que, se usar aqueles argumentos numa festa lotada de esquerdista, o que vai acontecer será exatamente aquilo: todo mundo se calar e ficar com cara de otário.

      Mas, enfim, livro de 1100 páginas, quem disse que esquerdista vai ler? Estamos lidando com a raça mais perigosamente preguiçosa que já tentou salvar a humanidade.

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