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16 de fevereiro de 2012

Na blogosfera de Luis Nassif, Cuba e Didi Mocó

white 15 Na blogosfera de Luis Nassif, Cuba e Didi MocóKindle

por Flavio Morgenstern

No portal blogosférico que Luis Nassif hospeda, o “Portal Luis Nassif – construindo conhecimento“, saiu um texto postado por “dalva de oliveira” intitulado Cuba, melhor país de América Latina para as crianças. O pastiche começa afirmando com uma fonte azul horrorosa:

O representante de UNICEF em Cuba, Juan José Ortiz, declarou que o país caribenho é o que apresenta a melhor qualidade de vida para as crianças de entre todos os Estados latino-americanos.

didi moco 300x240 Na blogosfera de Luis Nassif, Cuba e Didi MocóQuem afirmou que Cuba é o melhor país para as crianças? O representante de UNICEF em Cuba. Entenderam? Um dançarino cubano que, graças às suas aulas de salsa, virou embaixador da UNICEF. O embaixador da UNICEF no Brasil é Renato Aragão, o nosso famoso Didi Mocó, cujas opiniões sobre o futuro das criancinhas sensibilizam todo ano nossos corações na Rede Globo, pedindo dinheiro para o Criança Esperança (melhor não perguntar o que a família de Zacarias e Mussum o que acham da caridade toda do Renato Aragão, que se desvinculou dos “Trapalhões” para largar seus ex-companheiros na pindaíba). Didi Mocó também tem opiniões sobre outras coisas além de crianças: escreveu um livro elogiado pela Academia Brasileira de Letras que inclusive tem uma cena de sexo. É um pouco pior do que a cena de sexo de Team America.

O Didi Mocó deles prossegue explicando por que acha que Cuba, apesar de comunista, é o melhor regime para as criancinhas:

Estados [latino americanos] estes que apresentam, em diversos graus, problemas como a falta de escolarização, de assistência sanitária ou agressões como a exploração laboral e sexual (problemas que não só afetam a América Latina como às crianças de todo o mundo capitalista).

A Cuba revolucionária é um exemplo na aplicação prática da Convenção dos Direitos das Crianças da ONU, destacando a UNICEF que Cuba supera as suas dificuldades economicas e escassez de recursos pela vontade política do governo para o qual esta, entre outras questões, é uma prioridade à hora de desenhar as suas políticas globais.

Ora, Cuba melhorou a Educação e a Saúde, isto é um fato. Assim como acabou com a miséria extrema. Mas o que a esta galera que ainda sonha que o socialismo é algo parecido com as Aventuras de Toddynho ou a rave de Zion no Matrix 2 e que acha tudo em Cuba lindo (mais ou menos como europeu acha tudo na Tanzânia lindo) esquece de alguns pontos.

cuba saude Na blogosfera de Luis Nassif, Cuba e Didi Mocó

A educação de Cuba, tal como a da URSS, resume-se ao básico que permita uma doutrinação mais eficaz. É difícil dizer prum analfabeto bóia-fria que político é tudo lindo. Já prum alfabetizado que lê o Manifesto desde criancinha, é facílimo dizer que aquele barbudo que mandou prender o seu vizinho e matar seu cunhado é um deus, porque “te tirou da miséria”.

Cuba forma médicos (que cuidam muito do básico e pouco de uma robot assisted laparoscopic radical prostatectomy), a URSS formava engenheiros (que só se tornaram os melhores do mundo após aprenderem com alemães capturados na 2.ª Guerra). Quantas doenças Cuba conseguiu curar e quantas qualquer indústria farmacêutica extremamente corrupta (estão entre as mais corruptas do mundo) conseguiu? É fácil tirar algumas conclusões daí.

Mas se o assunto é Educação, quem já viu Cuba formar economistas? Qualquer um que estude Economia sabe que o regime cubano poderia garantir muito mais riqueza para cada um se fosse aberto à liberdade econômica. Já viu Cuba formar cientistas políticos? Juristas? Historiadores especializados em Revolução Americana? Filósofos com especialização em liberalismo? Não, porque um regime que vive do básico, um regime de subsistência, não agüentaria o peso da verdade.

Enquanto Cuba tem 2% de analfabetismo (os EUA têm 3%), países que aumentaram sua liberdade econômica e individual absurdamente têm índices de analfabetismo ainda menores do que Cuba. Inclusive, conseguiram isso muito mais rapidamente. Por que brasileiro não se encanta com a Coréia do Sul, que no começo dos anos 80 era um regime autoritário, conservador e corrupto, e hoje tem os melhores alunos DO MUNDO (melhores do que qualquer cubano)?

cuba fome1 300x213 Na blogosfera de Luis Nassif, Cuba e Didi MocóÉ dito que todo cubano tem um almoço nojento “dado pelo governo” (mentira: qualquer economista sabe que governo nenhum produz riqueza; ele toma da produção dos trabalhadores e finge que “dã” em troca). Enquanto isso, sul-coreano vai pro trabalho de Hyundai, empresa que hoje produz carros tão bons quanto uma Toyota da vida. Tudo quanto é produto coreano há poucos anos eram versões ruim dos asiáticos e americanos, e hoje já estão entre os melhores do mundo. Vamos comparar o nível de vida e riqueza média de um sul-coreano com um cubano? Ou isso é tabu?

No aeroporto José Marti, principal de Cuba, damos de cara com um out-door afirmando: “Hoje 200 milhoes de crianças irão dormir na rua – nenhuma delas é cubana.” Que tal analisar quantos sul-coreanos passam fome e vivem na miséria? Quantos suíços (outros campeões em educação)? Quantos islandeses? Quantos belgas? Quantos austríacos? Quantos noruegueses? Ou foi apenas Cuba e outros países totalitários socialistas que melhoraram a vida dos pobres?

Sempre que se cita um país da Escandinávia, aliás, lembram que lá há “Estado de Bem-Estar Social”, e é tudo mais estatal do que o modelo “neoliberal” e “privatizante” do FHC e companhia. Então, por que estão entre os primeiros em liberdade econômica no mundo, e nós quase entrando na metade do mundo com menor liberdade?

É claro que o totalitarismo traz vantagens. O mesmo ocorre hoje com as empresas chinesas: um investidor prefere investir em uma empresa estatal controlada pelo Partido, que tem o interesse óbvio em fazer a coisa funcionar, do que em lidar com burocracias e trâmites legais de democracias, liberais ou não. Mas e para a população no dia-a-dia: é uma vantagem?

boxeadores cubanos Na blogosfera de Luis Nassif, Cuba e Didi MocóQualquer totalitarismo melhora alguns padrões, pois do contrário não se sustentaria. Mas sempre são os básicos. Vide que todo país totalitarista tem os melhores esportistas do mundo (os EUA, pelo tamanho e investimento, são o único país do mundo campeão de Olimpíadas sem ser uma ditadura). Mas por que só se olha para a “Educação” e saúde cubana, que são apenas básicas (não têm nem um caderno de Economia que preste no jornal), e não olham para países com mais educação e que conseguem fazer isso sem precisar dar só o básico e sair prendendo e matando quem quer um sistema que permita muito mais? (e o nível de vida da população não se deve apenas à educação e saúde.) Entre uma ditadura sanguinária que dê o básico como Cuba e uma ditadura menos sanguinária que dê uma das maiores rendas per capita do mundo, educação ainda melhor do que a cubana, saúde, segurança e toda a possibilidade de riqueza que só o livre-mercado é capaz de fornecer como Singapura, por que iria preferir Cuba?!

O fato de nós, brasileiros, desconhecermos completamente essa realidade lá fora e só pensarmos em “Cuba e Revolução Russa” (dadas nossas aulas de História igualmente doutrinárias, que já estão no mesmo padrão de qualidade cubano), mostra que nossa Educação é deficiente até pra quem tem dinheiro e pôde se educar. Alguém acredita que em Cuba é diferente? É de se duvidar muito que uma aula de História em Cuba olhe proa algo além do próprio umbigo e se preocupe em mostrar, por exemplo, como o nível de vida mundial melhorou com o comércio (pegue-se um exemplo aleatório, como a renda per capita japonesa antes e depois da maior privatização do mundo). Já pensou se eles descobrem como é a vida na Coréia do Sul? Deve ser por isso que existe uma tal de censura em Cuba. É essa a “Educação gloriosa” cubana? Me ne frego.

Temos uma dica gloriosa para os cubanófilos que Luis Nassif abriga em seu blog: quer garantir um nível de vida cubano para as criancinhas? Pegue aquela turminha dos cursos de extrema-Humanas da USP que fumam maconha e invadem reitoria (nota de corte: 3,3), tire o Toddynho e, talvez, até piore um pouquinho a Educação. Aí é só pedir pra eles terem filhos sem ajuda de custo dos avós (chame isso de “embargo econômico). Ainda assim, eles provavelmente terão um consumo de calorias por cabeça maior do que a média cubana. Só precisa piorar.

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. É pobre, e ainda dá quase 40% do que ganha pro governo. Comparando com a economia informal de Cuba, a diferença entre sua vida e a vida de uma criança cubana é apenas ter empresas legalizadas por perto. No Twitter, @flaviomorgen

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48 Comentários

  1. francisco ramos1 de março de 2012 às 09:56

    Flávio, você não acredita mesmo que a palavra …;”embuídos”… existe mesmo, não é ? Ademais, faltou a
    palavra …”crise”… na minha resposta à minha nobre Colega (no trampo).

    Mais uma vez me penitencio pelos erros de digitação, ou outros, e envio um grande abraço.

  2. Thiago1 de março de 2012 às 00:16

    “… A crise é do capitalismo …”

    Cara, não sabia que o capitalismo apoiava Estados inchados e incompetentes, cheios de funcionários públicos com regalias… é, não devo saber nada de nada… =/

    Falando em funcionários públicos com regalias… alguém viu o novo sistema de aposentadoria dos servidores federais?

  3. francisco ramos29 de fevereiro de 2012 às 20:51

    Flávio, se você permite a opinião de um médico… hehe, fala para a Dra “A Carioca (no trampo) – deselegan-
    te, não ? Uma doutora ocultar-se em um “nome artístico” de mau gosto! – para ler o monumental “Teoria Ge-
    ral do emprego, do juro e da moeda”, de John Maynard Keynes. Ela vai entender, fácil, fácil po que é virtual
    mente impossível sair da gravíssima do capitalismo europeu pelos postulados da Escola Austriaca , pela qual
    , mesmo como diletante, ela parece ter uma simpatia. Ora, qualquer leitor mediano de jornal sabe que é o
    ESTADO, heresia para o Sr. Leandro, que atacou de forma super deslegante um Mestre da Escola Econômi
    ca de Londres e invadiu o meu e-mail, compartilhado com minha esposa, usando palavras de baixo meretri
    cio, pois bem é o Estado que está administrando a crise. Desafio a Colega (no trampo, ou não), a citar uma
    única Sociedade na face do planeta que se beneficiou das orientações desses experimentadores que encaram a economia como uma abstração acadêmica, a ponto de de proferir a tolice de que o capitalismo
    não gera a escravidão e vou mais além, a alienação. Vide o Brasil. Textos do Sr. Leandro, para mim e para
    os keynesianos em geral, não valem absolutamente nada. Se assim não fosse a Europa teria chamado os
    exóticos da Escola Austríaca para resolver a Crise. E a Europa não o fez. E não o fará.!
    Como ficamos agora, cara Colega “A Carioca (no trampo) ?
    Um fraternal abraço.

    • flaviomorgen2 de março de 2012 às 13:18Autor

      Francisco, pedindo licença à sua colega de profissão, já te obtempero que simplesmente afirmar que “não se sai da crise pela Escola Austríaca” e pechá-los de “exóticos” sem provar o ponto é o mesmo que dizer que Keynes tinha alergia a mostarda sem um exame adequado. No mais, se quer saber se o capitalismo gera ou não escravidão e alienação (?!), aceito eu mesmo o desafio e cito algumas sociedades que servem de exemplo: Hong Kong, Singapura, Canadá, Austrália, Coréia do Sul, Bélgica, Islândia, Suíça, Nova Zelândia, Chile, Irlanda, Dinamarca, Luxemburgo, EUA, Inglaterra, Holanda, Estônia, Finlândia… todas nas primeiras posições do mundo em liberdade econômica: http://www.heritage.org/index/ranking

      Aliás, um único exemplo de uma sociedade com alta liberdade econômica e casos de “escravidão” provaria que seu ponto, assim, até poderia ter alguma validade. É só olhar aí no ranking e apontar uma. Recomendo esta leitura, também: http://bit.ly/ytSN8z

  4. francisco ramos29 de fevereiro de 2012 às 11:47

    Leia-se ….”doutrinas”….”que VÃO”….

  5. A Carioca (no trampo)29 de fevereiro de 2012 às 11:47

    Flávio, se você permite a sugestão de uma médica hehe…fale pro amigo Francisco só ler “As seis lições” do Mises ( http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=16 ), que ele vai sacar facinho o que está acontecendo na Europa. Só esse livro basta! Foi uma das minhas leituras no Carnaval e foi uma verdadeira epifania. De qualquer forma ler os artigos do Instituto Mises e Ordem livre também ajudam muito!

  6. francisco ramos29 de fevereiro de 2012 às 11:44

    Flávio, por favor, tudo, menos encaminhar-me para o Instituto Ludwig von Mises (com todo o respeito pelo
    Professor Mises). Essa turma aqui do Brasil encontram-se embuídos de uma expedição missionária, de viés
    alienígena, para salvar a humanidade da catástrofe demoníaca do keynesianismo. Não dá para suportar! A
    crise é do capitalismo e não são dourtrinas do “laissez faire”, que nunca foram implementadas em qualquer
    modelo de sociedade humana que vai resolver a tal crise. EU GOSTARIA DE LER UMA ANÁLISE PARTIN
    DO AÍ DO IMPLICANTE. Honestamente, é mais confiável. De Fundamentalistas eu já estou de saco cheio.

    Um grande Abraço

  7. francisco ramos28 de fevereiro de 2012 às 21:29

    Flávio, eu não comparei nada. Gostaria apenas de ler da, parte do Implicante, análises contributivas para
    a compreensão da crise do Euro. Um desequilíbrio global na Europa é mais perigoso para o mundo do que
    a sempre deplorável violação dos direitos humanos em Cuba.
    De mais a mais, a FFLCH já não é capaz de realizar muitas coisas.

    Um grande abraço.

    • flaviomorgen28 de fevereiro de 2012 às 21:36Autor

      Francisco, poderia até escrever sobre isso por aqui, mas será chover um pouco no molhado perto do que o Instituto Mises Brasil e o Ordem Livre têm falado a respeito do tema, isso para ficar em apenas dois sites. Abraço

  8. francisco ramos27 de fevereiro de 2012 às 21:38

    A minha posição sôbre a prevalência dos direitos fundamentais em relação a Cuba já é conhecida. Mas é
    absolutamente incoerente meter o pau no totalitarismo cubano e nada falar da crise gravíssima que se aba-
    te sobre as economias capitalistas na Europa. Querem literalmente acabar com a Grécia, que já deveria
    ter dado o calote e partir do zero. E a crise é concentracionária, no sentido de tornar os ricos mais ricos.
    E agora, José?

    Um grande abraço, extensivo aos Srs. Gravataí e Exilado.

  9. saulo23 de fevereiro de 2012 às 17:02

    ‘Companheiro’ Aleixandre Nieves,

    de q serve saber ler e escrever se vc ñ pode ler e nem encontrar livros contra esse ‘sistema’ Cubano?!?
    Só se é permitido ler historinhas ‘pró-crastos’.

    Lá vc ñ tem liberdade sobre o q vai ler…..(no caso contra a ditadura de lá).

    Isso é uma das várias desonestidades q o povo de lá sofre.

  10. Nemerson23 de fevereiro de 2012 às 07:22

    Cuidado com esses dados sobre analfabetismo e saúde em Cuba! Quem fornece os dados para os órgãos internacionais de saúde e educação? O governo totalitário cubano, ora essa! Dá para confiar nessas informações ? Claro que não,

  11. Leo B.23 de fevereiro de 2012 às 06:11

    Detalhe que até agora não veio uma vivalma com peito pra tentar refutar essa belíssima overdose de informações. Me perdoem o chavão, mas contra fatos realmente não hlá argumentos.

  12. Cristiano Oliveira22 de fevereiro de 2012 às 23:18

    Como sempre muito bom o texto, Flávio. Esquerdinha que entrar aqui e ler seu texto e seguir na leitura do comentário do Felipe Flexa sai tonto de tanta informação e argumento. hehehe

  13. Aleixandre Nieves22 de fevereiro de 2012 às 22:47

    Saulo, não seja desonesto. Você sabe que o autor usou argumentos de autoridade, mas com premissas e pressupostos falsos.

    É isso que dá trolagem da velha mídia. Querem se impor com o grito. Quando não tiver nada para escrever não encha sachê

  14. Gustavo Amaral22 de fevereiro de 2012 às 13:54

    Pegando uma carona com a “Carioca – no trampo”, também gosto de me divertir lendo os comentários do blog do nassif… me mato de rir… Às vezes não me contento e dou uma trollada, só para instigar as deturpações ideológicas!!! É cômico demais!!!

  15. Idevam22 de fevereiro de 2012 às 13:16

    Aquela frase ao lado da foto do Che o porco fedorento e uma prova de grande ipocrisia

  16. João Araújo22 de fevereiro de 2012 às 00:40

    O livro do jornalista Samarone Lima sobre Cuba:

    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=7046751&sid=8784731701422223464891481

    Interessante é que o autor é um “bicho-grilo”, bem distante do protótipo normalmente associado a quem critica Cuba (mauricinho, de direita, capitalista nojento, opressor et caterva).

    O livro é um soco na cara de quem ainda imagina Cuba como um paraíso. Li a primeira edição, ainda pela Editora Casa das Musas, e realmente é de calar a boca de qualquer um.

    O livro mostra a realidade, o jeitinho, a obrigatória corrupção dos habitantes normais, única forma de viver sem passar fome, etc.

  17. Mariana18 de fevereiro de 2012 às 00:55

    Felipe Flexa, gostei do seu texto, mas Frei Beto NÃO É PADRE (nunca foi ordenado sacerdote).Tem uma ligação com a Ordem Dominicana, mas é LEIGO.
    Tenho a impressão que Frei Betto gosta de deixar essa dúvida no ar para confundir as pessoas, pois, em raras ocasiões esclarece que não é padre.Ele não sofreu sofreu restrições por parte da Igreja Católica – como ocorreu com Leonardo Boff -, exatamente porque não é padre.

  18. Thiago17 de fevereiro de 2012 às 21:30

    Tenho um professor na faculdade (privada) que é cubano, se formou engenheiro na URSS e veio fazer mestrado na UFRJ… um dia, por curiosidade, perguntei como é a vida dos habitantes por lá… e parecia um discurso pronto, todo decorado para o momento em que questionassem sobre o tema… ai eu nem quis argumentar, pois já sabia que as respostas não estaria dentro da realidade… mas o que acho mais legal, é que todo ano ele volta a Cuba nas férias, mas só nas férias!

  19. bruno17 de fevereiro de 2012 às 14:08

    Pensar que ainda existe esta infantilização sobre a esquerda é impressionante…..Este Nassif não tem senso de ridículo mesmo. Por que eles não se mudam para Cuba??///

  20. SILVIO17 de fevereiro de 2012 às 12:04

    SERA QUE O CHE DIZIA AQUELA FRASE QUANDO DAVA O TIRO NA CABECA DOS CUBANOS OU NO TIRO DE MISERICORDIA…(INTERROGACAO)..

  21. A Carioca (no trampo)17 de fevereiro de 2012 às 11:45

    Leio quase que diariamente o blog deste ex-jornalista. É um passatempo que não diria ser exatamente agradável, mas na medida para quem gosta de rir do vexame alheio, muitas vezes pulo os textos e vou direto para os divertidíssimos comentários: relativismo, duplipensamento, toda sorte de incoerências são encontradas com fartura.
    Quanto à Cuba, certa feita em um evento médico (minha profissão) sobre homeopatia, quando um dos colegas começou a elogiar o sistema de saúde da ilha e todos os outros começaram a babar embevecidos, saí imediatamente da sala, sei que seria besteira argumentar, médicos, que são de “direita” em seus consultório e de “esquerda” em hospitais adoram tecer loas aos sistema de saúde de Cuba, mas não os vejo nunca pleitearem uma vaga para trabalhar lá.

    • flaviomorgen17 de fevereiro de 2012 às 12:19Autor

      Elogiar o sistema de saúde cubano é mais ou menos como elogiar o nível filosófico de uma população se toda ela ler um livrinho de aforismos do Nietzsche e mais nenhum outro livro.

  22. Gustavo Amaral17 de fevereiro de 2012 às 09:13

    Adoro esse site.
    Os níveis dos textos e o discernimento da maioria dos comentários dos leitores ainda mantém viva minha esperança que nem tudo está perdido! Parabéns Flávio, parabéns amigos leitores! Abraços a todos!

  23. Walfredo Rodriguez Neto17 de fevereiro de 2012 às 07:27

    Esqueci de falar sobre a área dos países.
    Cuba é uma pequena ilha.
    EUA é imenso, assim como o Brasil.
    Portanto, nos aspectos população e tamanha, são incomparáveis.

  24. Walfredo Rodriguez Neto17 de fevereiro de 2012 às 07:26

    Maravilhoso o texto, o conteúdo, o esclarecimento. Parabéns!

    Apenas um toque a mais: acho engraçado essas comparações que os defensores do ditador fazem partindo de estatísticas entre Cuba, Brasil, Estados Unidos e outros.
    Quando falam por exemplo, que o analfabetismo em Cuba é 2% e nos EUA é 3%. Ora, não se pode comparar dados relativos à educação, saúde, etc. entre dois desiguais.
    Veja que a população de Cuba é em torno de 12 milhões de pessoas e os EUA já passou dos 300 milhões. Veja a questão da mortalidade infantil. São dados incomparáveis. É lógico que uma população reduzida é muito mais fácil de ser cuidada, notadamente após uma ditadura de meio século. Cuidar de uma população de quase 200 milhões como o Brasil é efetivamente muito mais complexo.

    Uma sugestão: os vermelhos que mandem os seus filhinhos para serem bem cuidados pelo regime que tanto amam. Simples assim.

    • flaviomorgen17 de fevereiro de 2012 às 12:16Autor

      Walfredo, pior é que analfabetismo é um índice bem capengante, na verdade. Tem a ver com Educação, é importante? É. Mas falam como se você precisasse de um pós-doc em Harvard pra conseguir isso. Pô, quando eu tinha uns 12 anos já deveria ser capaz de alfabetizar infantes às carradas. E o próprio índice não significa muita coisa: a Islândia tem 1%, mas porque parte de sua população vive afastada de cidades, e demora mais para começar os estudos. No entanto, quando começa, tem uma Educação que parte no meio qualquer democracia ou comunismo mundo afora…

  25. Rafael16 de fevereiro de 2012 às 23:40

    Isso partindo do pressuposto que não haja manipulação de dados em Cuba, sabe como é, quem vai discordar?

  26. Paula Rosiska16 de fevereiro de 2012 às 23:34

    A Educação Básica lá pode ser para todos, mas e quanto à Cultura? O que eles produzem além de propaganda do governo? Se bobear, até o Irã tem produção cultural mais difundida no Ocidente do que os cubanos. E o que eles exportam além do Buena Vista Social Club?
    Refleti bastante sobre o slogan do sistema, e resolvi criar alguns também para colar em livros de história, tais como: “Hoje milhões de crianças aniversariantes ganharão bolo e presentes, menos as cubanas”, “Hoje milhões de jovens irão ao show de uma banda de rock, menos os cubanos”, “Hoje milhões de famílias vão viajar para conhecer outros países, menos as cubanas”, “Hoje milhões de pessoas entrarão na internet para ler notícias, menos os cubanos”. A vida em Cuba poderia ser uma fonte inesgotável de bullying, caso fôssemos maus. Lembro daquela antiga propaganda de uma tesourinha infantil com orelhas do Mickey, em que uma menina irritante apenas repetia “eu tenho, você não te-em”. Isso se aplicaria a quase tudo! Nós temoooooos (comida, roupas, papel higiênico, sabonete, computadores, antenas, músicos, carros), usted no tie-nen!

  27. Otávio16 de fevereiro de 2012 às 23:13

    Didi, enquanto indivíduo-personagem-meio-de-produção-criativa, deve ser estatizado e nos fazer rir em troca de um salário mínimo, devidamente corroído pela carga tributária. Mas deve separar uns trocos para o sindicato, claro. E contribuir com o partido. E animar as festas do grande líder de graça.

    Já imaginou como fica a consciência de todos da rede de doutrinação (das universidades aos padres da teologia da libertação, do “PIG” ao bolivarianismo), ao se deparar com a realidade e ver que após 50 anos de esforços na pregação esquerdista-esotérica, tudo simplesmente não faz o mínimo sentido?
    Não apenas isso, mas atrasa a melhoria na vida de BILHÕES de pessoas.
    O sujeito não pode ser professor universitário e NÃO saber que Coréia do Sul é melhor (escolha-se qualquer sentido dessa palavra) que a Venezuela.

    Daí toda essa papagaiada com relação a Cuba. Tipo: “negada, nóis tamo errado, mas bóra defender Cuba, é o que nos resta.”
    “Pra que ter liberdade pra dizer o que pensa se o partido cuida de todos como um grande pai – coisa que o mercado nunca fará!”
    “Marx errou em 99%, mas nós defendemos o povo e eles são exploradores. Isso nos basta!”
    “Australianos têm uma vida melhor mas não têm consciência de classe!”
    “Não tem jeito, vamos privat… digo, conceder aeroportos já que a Copa tá aí. Abaixo a privatização!” (?)
    A mesma coisa com o religioso que sabe que serpentes falantes não são muito encontradas por aí, mas continua fazendo rituais sem sentido para conseguir agradar ao Todo Poderoso – que também anda meio sumido. Mais sumido que rico brasileiro que assume ser “de direita” ou socialista em Seul.

    Em Seul, Sidney, Hong Kong, Ottawa (acabei de descobrir que não é Toronto a capital huahauahu) o que importa são os resultados.
    Em Havana o que importa são as supostas boas intenções.

    *Não seria do caralho ter fotos gigantes de Mussum por aí, como se fosse a Coréia do Norte?

  28. Letícia Coelho16 de fevereiro de 2012 às 21:19

    Pois é na década de 60 na Coréia do Sul, de cada 3 pessoas duas eram consideradas analfabetas, mas o Governo investiu pesado em educação básica e fundamental e o resultado é essa lindeza que vemos hoje. Enfim…
    Sobre as crianças cubanas e qualidade de vida, teve aquele jornalista espanhol que foi preso por filmar prostituição infantil em Cuba com uma câmera escondida, tem um link de um dos vídeos aqui http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jjMeZrT3Mrg Não quero dizer com isso que prostituição infantil acontece só em Cuba, porém, quando vendem a ideia de “lugar melhor do mundo para crianças” deveriam lembrar desse detalhe que mostra a péssima qualidade de vida de diversas crianças e adolescentes cubanos que se prostituem para ter comida.
    No mais, o portal Nassif tá virando um “local” de equívocos, só leio para rir um pouco :)

    • flaviomorgen16 de fevereiro de 2012 às 22:00Autor

      Letícia, viu a longa reportagem “Cubano por 30 dias”, de um jornalista que foi passar 30 dias em Cuba com US$20 (o salário de um cubano)? É chocante. A fome no fim do dia era tanta (e ele, como bom americano, alto e gordo), que ele estava na dúvida sobre quanto tempo precisaria passar fome toda noite para ir para a ponte de turistas e falar como uma moça disse pra ele: “Deseas una chica sucky sucky?”

  29. Efraimmgon16 de fevereiro de 2012 às 20:49

    Vou acompanhar ansiosamente os comentários para saber quantas vezes os defensores de Nassif vão mudar o foco do assunto ao invés de contra-argumentar. Haha.

  30. @jesael16 de fevereiro de 2012 às 19:33

    Só gostaria de saber se lá existe uma agência de turismo infantil. Uma “Tia Consuelo”, “Tia Conchita” ou similar. E quantas crianças já foram para a Disney.

  31. Felipe Flexa16 de fevereiro de 2012 às 19:30

    1. O Atlas Econômico Mundial, em meados dos anos 50, informava que 85% da população cubana (a quarta mais rica das Américas na ocasião) era alfabetizada. Castro teve trabalho, mas não muito. Como a sua ideia era doutrinar, mas não passar conhecimento, foi até fácil.

    2. A Coreia do Sul era mais pobre que o Haiti nos anos 50, se é que é possível imaginar uma coisa dessas. Claro que os sul-coreanos tiveram que aguentar uns ditadores aqui e ali, mas isso acabou e eles estão aí, ricos, gastando 22% do PIB em educação. Educação mesmo.

    3. Não é raro numa conversa sobre Cuba, este amor que não acaba, nos “jogam nas fuças”: “Cuba era um puteiro dos Estados Unidos!” Sim, havia a presença da máfia por lá. Mas havia também em Porto Rico até chegar um governador com aquilo roxo e acabar com a farra. Porto Rico não precisou de uma revolução comunista. Não é difícil imaginar por que os portorriquenhos preferem continuar como um estado livre associado, inclusive com a mesma Constituição dos Estados Unidos. (Observação: em dois plebiscitos, a manutenção do status de Estado Livre venceu. As outras eram: virar o 51º estado americano ou a independência. O Partido Independentista é ligado a Chávez e toda a escumalha bolivariana.) “Então por que muitos portorriquenhos vão pros Estados Unidos?” Pra melhorar de vida, creio eu. Como os cubanos que fazem o mesmo. Só que o pessoal de Porto Rico pode ir quando quiser. E voltar, se assim lhe aprouver.

    4. “Hoje 200 milhões de crianças irão dormir na rua – nenhuma delas é cubana.” Nenhuma delas é costarriquenha também. Aliás, nenhuma delas é de Porto Rico. Pensemos o seguinte: “Hoje, milhões de crianças brincarão com seus pais. Menos as cubanas cujos pais pensam diferente de Fidel Castro.” De que adianta ter uma cama pra dormir se o regime a qualquer momento pode invadir sua casa e arrastar seus pais pro xilindró por delito de opinião? Que tipo de segurança é essa?

    5. A tão propalada saúde cubana é coisa pra combater vitiligo. Não cura, mas estanca, conforme meu padrasto pode conferir, embora não saiba dizer se o tratamento foi aprimorado no Brasil antes dele usar. Mantenho o benefício da dúvida. Não há nada avançado na medicina cubana, tanto é que na hora do perrengue eles chamam médicos da Espanha pra cuidar de Fidel. Se Chávez viesse tratar de seu câncer no Brasil talvez não ocorresse a metástase, conforme li hoje no blog de Merval Pereira.

    6. Num dos pontos acima, falei da máfia que infernizava Cuba (no filme “Cidade perdida”, de Andy García, ele mostrava como isso funcionava). Esperem para ver o que vai acontecer depois do desmantelamento do regime comunista (porque ele vai acabar, é lógico). Quem vai tomar conta das empresas que serão privatizadas (porque isso vai acontecer, é lógico)? Ora, os mafiosos… oriundos do Partido Comunista, claro! Como aconteceu na Rússia. Teremos bilionários cubanos – que talvez comprem clubes europeus ou, quando nada, argentinos e brasileiros. Isso é pule de dez. Comunista só quer comunismo para os outros. Se hoje a cúpula do partido já deita e rola, imagina quando eles não precisarem mais prestar conta pro Barbudo Homicida e seu irmão, o Anão Sanguinário?

    7. Mas por que o regime resiste? Porque tem o apoio de parte da população, bem entendido. Como o regime militar brazuca, que TINHA APOIO POPULAR, SIM, apesar de quererem apagar isso da História. Mas o regime comunista dos Castro também tem o apoio de gentinha como Frei Betto, sempre recebido de limusine em Havana, e que não conseguiu implantar a ditadura de Cuba no Brasil. Ele não se conforma até hoje e, por isso, tem altos orgasmos – ops! poluções noturnas, ele é padre… – ao espezinhar cubanos dissidentes. É o que posso depreender ao ler esta nota do site de Ancelmo Gois:

    Coube ao nosso Frei Betto encerrar os discursos com um mimo a Fidel:

    — Comandante, é com profunda tristeza que se constata seu excelente estado de saúde e brilhante lucidez… para quem é inimigo deste país. Para os amigos, uma grande alegria!

    É. Pode ser.

    8. Quanto à Nassif, fazer o quê? É um pobre coitado que vive babando ovo, um sujeito que vai ter uma velhice muito, muito triste, a não ser que consiga vender seus serviços sem ser cobrado pelo que deve a bancos públicos…

    É isso.

  32. Saulo16 de fevereiro de 2012 às 19:30

    De q serve ler e escrever se ñ tem pensamento critico na IlhaPrisão?!

  33. @carolzanette16 de fevereiro de 2012 às 18:49

    Sempre vou me lembrar da aula de sociologia econômica do mestrado, quando uma mocinha bonitinha de uns 20 e alguns anos, que parecia ter 16, mas já era casada começa a falar: “mas pensem em um país que conseguiu níveis sociais bons como Cuba e….”

    E a Carol não aguenta e fala: “filha, NORUEGA”.

    Sério, ninguém se manifestou até eu falar “NORUEGA”. E a professora (uma linda e inteligentíssima, especialista em Max Weber, com algum receio de se declarar publicamente social-democrata na sala de aula) fez um breve gesto de aprovação com a cabeça.

    Isso porque era na FGV, onde juro que nunca vi ninguém colocando foto do Mao no busão. Imagino como as coisas vão na USP.

    • flaviomorgen16 de fevereiro de 2012 às 19:08Autor

      Se você falar “NORUEGA” na USP, vão afirmar que é por causa do Welfare State. Aí vão todos sacar seus celulares Nokia (finlandesa) e Ericsson (sueca) pra marcar a próxima passeata criticando privatizações e o “neoliberalismo” brasileiro.

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