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10 de novembro de 2011

Na USP, mais flagrantes de semi-analfabetismo, tráfico e “tempos ÁUREOS de ditadura”

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por Flavio Morgenstern

“Os jovens são o futuro do país, a não ser que façamos alguma coisa.”
– Homer J. Simpson

Um vídeo rodou a internet nessa terça (8/11), filmado no começo da manhã, antes do sol nascer, por uma possível moradora do CRUSP (Conjunto Residencial da USP, onde ficam alunos sem condições de moradia em São Paulo), que acordou, pôs sua máscara, se fez de jornalista (é mesmo? cabe investigação) e foi arrumar encrenca com policiais durante a operação que retirou os invasores da reitoria da USP, que tomaram o prédio a paus e pedras na madrugada do dia 1.º de novembro. O vídeo (tem uma “introdução” mais comprida) já está famoso.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=urYLED8rubc[/youtube]

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=K38AnjKaxZI[/youtube]

Essa moça deveria ser imediatamente contratada para substituir Rafinha Bastos no CQC. Não pode haver algo mais cômico na internet do que berrar prum policial: “Eu sou jornalista!”, e ele replicar, quase num bocejo: “Tá, então tira a máscara”. “Ok”. Tente repetir isso em voz alta sem cair na gargalhada.

O segundo é melhor ainda. Já pelo exórdio: “CRUSP sitiado como nos nossos tempos ÁUREOS de ditadura”. A ditadura terminou há mais tempo do que ela durou. O pai dessa criança deveria estar entrando no pré-primário quando os anos de chumbo comiam soltos.

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Para quem não conhece as dependências filmadas, trata-se de um vão que vai do CRUSP até o prédio da reitoria, que estava sendo desinvadido naquele momento. A moça não estava tentando sair de casa: estava tentando entrar na reitoria (em cada vídeo, por um dos lados do prédio) em pleno momento da operação militar (vale um igNobel brasileiro). Diz ela que a PM só deixa “a Folha, a Record e a Globo” entrarem. Errado. Não deixou ninguém. Nem tinha pra quê. Não iria ser uma tontinha mascara se dizendo “da imprensa” sem sequer se identificar que iria poder fazer isso. A polícia precisa fazer a perícia antes da imprensa entrar, afinal.

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A onda Tuareg tropicalia é a última moda com o charme Ray Ban. (foto por Mari Carvalho)

Um grande momento da história da dialética vem quando ela quer “conversar pacificamente”, no seu “direito de livre manifestação de ir e vir” e se manifestar. com policiais no meio de uma operação. Coisa curiosa. Tentei “conversar pacificamente” com invasores de reitoria. Tentei entrar naquele prédio, que é MEU, e pago por ele. Fui recebido por uns barbudões mal encarados que fazem parte da Comissão de Segurança, responsável por caras feias e, quando necessário, descer o muque e usar paus e pedras para tal. Perguntem ao fotógrafo Cristiano Novais sobre as agressões e as tentativas de quebrar a sua câmera (tradução para marxista: meio de produção) que sofreu desses “estudantes pacíficos” quando tentou filmar a reitoria. Ao sair do prédio, pedia para um “estudante futuro do Brasil” para, caso fizesse algo errado, ser avisado antes de ser agredido. Resposta: “Você não está na sua casa”. E esse verme por acaso estava?! É isso que é direito à livre manifestação e de ir e vir para jornalista de que essa escuma fala.

Pois logo no vídeo um barbudo é impedido de entrar na reitoria. O que diabos alguém iria fazer na reitoria naquele momento? Defender com o peito de aço os coleguinhas? Ou talvez avisar a camorra pra acordar e jogar os coquetéis molotov pela janela enquanto fosse tempo? Mas nossa heroína mascarada, uma espécie de Mulher-Maravilha comunista sem colan, solta seu grito de guerra: “CÁRCERE PRIVADO! CÁRCERE PRIVADO!” – novamente, explicar que a maconha deve ser legalizada porque não faz mal pro cérebro depois de uma dessas vira um trabalho de Hércules. Será que a moça sabe a diferença entre impedir que alguém entre em um prédio público invadido durante uma operação policial (que também não estaria aberto às 5 e pouco da manhã se ninguém o tivesse destruído) de um seqüestro, como os que marcaram o começo do ano na USP, e sumiram misteriosamente com a PM por ali?

Enquanto isso, exige saber por que está sendo fichada. FASCISMÃO, hein galera? Tempos áureos da ditadura fungando no cangote. Depois de fichada, é retirada da falange de escudo humano para não haver novos feridos, junto com o barbudão que tentava entrar na reitoria aquela hora (então, eu tava passando por aqui e achei esse prédio mó legal e…). Berra de novo, em seu delirium psicótico: “Estou sendo agredida!”. Resposta: “Ainda não.” A platéia vai ao delírio. Prossegue: “Eu sou mulher e estou sendo violentada!”. Não sabe o que é cárcere privado e não sabe o que é violentar? Então, por que esse vocabulário jurídico tão aboletado em não-me-toques?

Se eu fosse os policiais, investigaria o vídeo e a processaria por calúnia, além de formação de quadrilha e anonimato. Não iria dar em nada dado o calor da situação, mas ensinaria uma “jornalista” a não sair proferindo necedades e publicando na internet sem sentar a bundinha na cadeira e estudar o que está falando, antes. Se jornalismo ainda fosse regulamentado, também caberia perguntar se a moça é mesmo jornalista – do contrário, poderia ser acusada de falsidade ideológica até estelionato. Hoje, pra sorte dela, assim que os PMs a deixam longe da entrada da reitoria (fascismíssimo!), ela pode subir até seu (seu?) apartamento e postar o vídeo na internet (divulgado justamente pela Record que ela critica). Tem também uma continuação, onde ela, de máscara, exige que policiais do choque (DO CHOQUE) “mostrem o rosto” (ou seja, tirem o capacete e ficarem desprotegidos dos coquetéis molotov que apreenderam na reitoria invadida). Sim: ela, com a máscara, pede isso.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=zP3iKI9uiWs&feature=youtu.be[/youtube]

Isso é o que você já sabe. Vamos à porradaria exclusiva by Implicante™.

Até pessoas favoráveis à PM no campus e refratárias à invasão da reitoria (não usem o termo errôneo “ocupação”, já expliquei essa e outras mentiras sobre a USP lá no Papo de Homem) acharam um absurdo o uso de tamanha força policial para a desinvação (sic) da reitoria. Foram 400 policiais, com cavalaria, Tropa de Choque e até um helicóptero. É policial demais pra prender “estudante” (risos), enquanto tem tanto traficante a ser preso por  aí, não? Seria uma questão pertinente, se essa galera que invadiu a reitoria estivesse preocupada com a segurança de favelado, e não em apenas lhes dar 0,4% do salário do papai em troca de alguns gramas de cânhamo.

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Um gestor de segurança ouvido pelo Implicante ainda foi além: nem mesmo se fosse essa a pauta deles a grita procederia. O princípio do Choque é: quanto maior a disparidade de força, menor a chance de conflito. O helicóptero, apesar de custar caro, monitora a dinãmica da ação e dissuade. Ou seja: dinheiro público gasto para não haver feridos entre a camorra que invadiu a reitoria. Sai caro, mas quantos alunos foram feridos pela “brutalidade” policial, mesmo? Numa operação planejada, o único “ferido” foi um aluno que resolveu entrar na reitoria no mesmo momento, e sofreu uma brutal “escudada”, ferindo seu supercílio. De novo, a “brutalidade” da polícia é pedir pra ninguém ficar por perto, enquanto eles retiram a vagabundagem sem ferir ninguém. É essa a “militarização do campus“, que tanto teme o prof. Luiz Renato Martins. É essa a “repressão”. Com a reitoria livre, quem estiver com problemas com bolsas da Fapesp (ou seja, quem trabalha produzindo algum conhecimento) poderá ir amanhã usar o prédio à vontade.

Claro que também afirmaram que houve abusos. Um melhor do que o outro. Uns disseram que os seis coquetéis molotov encontrados na reitoria foram “plantados” pelos policiais. Será que eles também “plantaram” esses pichações? Alguém tem vídeos mostrando os PMs levando seus filhos de 5 anos para, digamos, desenharem isso na parede?

 Na USP, mais flagrantes de semi analfabetismo, tráfico e tempos ÁUREOS de ditadura

Apesar de a invasão ter durado 12 dias, “refutaram” essas imagens (sic) dizendo que era impossível que os estudantes as tivessem feito, pois estavam dormindo quando a PM entrou. Sim, disseram isso.

Magno de Carvalho, um dos homens mais antigos dirigindo o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), que deve estar lá desde o Tratado de Tordesilhas, afirmou, defendendo que se fincasse o pé na reitoria: “Acho que estão apostando em um confronto sangrento”. Ou seja, a PM é que queria ver sangue. Essas imagens acima são apenas mostra de pacifismo a la Gandhi diante da ditadura privativista blá blá blá. Enquanto isso, vejamos o que diz o comandante-geral da PM, no Estadão:

“Vamos mobilizar as tropas, mas não significa que a polícia vá entrar assim que o prazo das 23h vencer”, afirmou, na tarde de ontem, o coronel Álvaro Batista Camilo, comandante-geral da PM. “Vamos estudar o melhor momento e ainda temos esperança de uma solução pacífica. Legalmente, a reintegração de posse pode ser feita em qualquer horário.”

invasao usp danone 550x340 Na USP, mais flagrantes de semi analfabetismo, tráfico e tempos ÁUREOS de ditaduraBrutalidade. Também chorumelou-se sobre “gritos numa sala escura” e “desparecimento de um diretor da UNE”. O pai da criança acionou a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, falando com Eduardo Suplicy (PT-SP, que conversou com a secretária de Justiça de São Paulo, Eloísa Arruda) antes de… ligar para a mamãe do estudante aplicadíssimo e descobrir que ele estava na barra da saia dela o tempo todo. É com essa familiaridade com a verdade que sobrevive o “Movimento Estudantil”.

Ah, também rolou tortura, claro. É a velha mania de querer ser mártir e ser perseguido político, quando todo policial que ganha um décimo do seu salário tá cagando e andando pra sua lutinha de classes vinda de cima. Pau-de-arara? Eletrochoque? Golfinhos de Miami? Alguma coisa que lembre um Gulag ou outra tortura soviética? Não. Ficar no ônibus, para a turminha que invade reitoria com óculos Ray-Ban e blusa GAP, foi chamado de tortura. É difícil aceitar tamanha cara de pau sem querer dar uma bifa na orelha. Só faltou os policiais obrigarem-nos a ler um livro cada um. Eu pego ônibus bem mais lotado do que essa galera todo dia, que, com seu pouco estudo e seus carrões, não parece sair muito do circuito Cidade Universitária – Vila Madalena. Aqui se vê mais um vagabundo saindo da reitoria para buscar algo no seu Hyundai (fotos por Mari Carvalho):

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Uma das pichações mais sensatas de toda a USP sem querer explica o caso sozinha, replicando outra pichação que reclama do preço do ônibus em São Paulo (R$3,00):

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Ou seja, pra galera que pega ônibus de graça com a polícia, vai sentada em bancos mais acolchoados que a viação Sambaíba e faz algazarra dentro de ônibus da PM, com jornalzinho do PCO, livro de Mao Tsé Tung (VEJAM) e tênis fedorento, fumando lá dentro e tudo, isso é “tortura”. Olha só a tortura em flagrante, quase dando pra ouvir o grito de dor dos “presos políticos” na foto:

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Despiciendo coroar o dito lembrando que a fiança foi paga. O valor era R$1.050 por cabeça, o que poderia ser recalculado segundo as condições econômicas da galera. Quem pagou foi a Conlutas (um “sindicato de estudantes” ou organização que faça as vezes de algo parecido com isso), numa “vaquinha de sindicatos”. Não entendeu? Foi você, seu trouxa. Você tem um Hyundai na garagem? Só lembrando que a quantidade em moeda de cerveja e drogas que adentrou a reitoria durante a invasão seria suficiente pra aumentar em uns 10 pontos o IDH de Ruanda.

Tempos ÁUREOS da ditadura: veja mais de perto

Em primeiro lugar, “medida autoritária” é bazófia porque é medida democrática – a maioria absoluta dos alunos quer a PM. Medida autoritária significa um grupelho que toma o poder e impõe sua vontade à força, goela abaixo. Isso foi exatamente o que fizeram os radicaizinhos juvenis fascistercos que invadiram a reitoria.

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Em segundo lugar, porque em nenhum outro lugar do país ajuntamentos dos mais extremistas têm tanta liberdade. Em toda a Cidade Universitária, lugar ermo, cheio de árvores e com prédios absurdamente distantes uns dos outros, é possível ver panfletos gritando “Fora Rodas!” [o reitor João Grandino Rodas] ou com alguma patacoada sobre Marx, Lênin e Trotsky, mormente na FFLCH (a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Pior: há propagandas e jornais de partidos políticos em cada muro. Usar um prédio público para fazer propaganda partidária é crime – e crime duplo, se ainda for fora da época de eleições. PCO, PSTU e PSOL ignoram o fato 366 dias por ano. Como são pequenos – aliás, eles não são pequenos, eles são ridículos – todo mundo ignora. Afinal, por que alguém daria IBOPE para o PCO (que nem tem bordão)?  “Hey, vocês estão não podem fazer propaganda aqui, é ilegal e imoral dar mais privilégios pra vocês do que pros outros partidos como… ahn… ehrr… bom, deixa essa bosta aí mesmo, vai.”

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Calçada destruída da reitoria, para uso das pedras como armas. Foto por Mari Carvalho.

Mas essas guildas não cansam sua facúndia vomitando que está havendo uma “perseguição política” na USP. Segundo eles, a quebradeira que ocorreu por causa de 3 alunos fumando bagulho na quinta-feira, dia 27/10, nada teve a ver com maconha. Teve a ver com a tal “perseguição”. Até agora não explicaram por que essa dita “perseguição política” apareceu justamente quando tentam levar para a delegacia para fichar 3 maconheiros, mas o discurso convence tanto que até parte da parcela USPiana que não curte um cigarrinho do diabo acaba caindo na esparrela. Há um medo reginaduartesco de que a “repressão” da PM acabe com o “pensamento livre”.

Balela. Qualquer partido gostaria de ser “perseguido político” com as benesses que a turma do PCO tem por lá. Já expliquei por aqui: se acham que a PM reprime o “pensamento livre”, experimentem dizer “Karl Marx já era, viva o capitalismo!” na FFLCH. Experimente dizer isso pro seu professor, ainda mais se ele for da linha Paulo Arantes. Creio que vocês descobrirão rapidinho quem é que oprime quem. Quem é que faz “perseguição política”.

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Banca de livros da USP revirada.

Também nunca vi um PM entrando numa aula em que se discute Gramsci, Benjamin ou Rousseau (por que cursos como Letras ou Geografia precisam tanto discutir essa merda?) pra dizer: “Hey, ninguem pode ler Foucault aqui!”. Conheço n policiais que já leram Foucault. A maioria, obviamente, dá um bocejo pra ele. Os alunos da FFLCH se acham o máximo por serem “estudantes universitários da USP”. A maior relação candidato por vaga da FFLCH é de 6,6. Para ser um PM, a relação é de 101 por vaga. Tente fazer esses “estudantes” que tentam agredir policiais com livros de Marx passarem numa prova do Barro Branco. Praticamente todo mundo reprova.

Aproveitei o embalo para verificar os livros preferidos nos perfis de Facebook da galera nos grupos da FFLCH. Quase todos têm O Manifesto Comunista. Nenhum tem O Capital. Fora aquela modalidade que capital que carregam no cartão de crédito.

Em compensação, não é nem preciso chegar a época de eleições (nem que sejam as dos Centros Acadêmicos) para todas as aulas serem interrompidas por gente que só vai pra faculdade pra tentar virar político. A cada 3 aulas, a chance é de que pelo menos 2 sejam interrompidas por alguém pra “passar um recado”: pedir votos pro partido. Mesmo num prédio público, mesmo fora do período de propaganda permitida. O Implicante™ nitidamente é contrário ao PT – mas nunca vi petista fazer isso. Essa galera extremista faz e desfaz. Manda e desmanda. Tem privilégios que nem as altas esferas do governo conseguem ter. Mas se acham “perseguidos políticos”.

A verdade é que não querem a PM por dois fatores. Um é pela visão bobalhesca, infantilóide e umbigocêntrica de fumar maconha escondidinho dos pais, na longinqua Cidade Universitária (afastada por muros, pontes e avenidas cheias de putas do resto de São Paulo). Em abril deste ano já havia afirmado aqui no Implicante que haveria “greve de estudantes“, com o perdão do oxímoro, por quais motivos e o que exigiriam. A USP tem tradição de fazer greve ano sim, ano não. Os motivos se pense depois. O que foi que deflagrou tudo, afinal? Três maconheiros puxando um fumo no estacionamento da FFLCH. “Por isso o movimento acabou se desenvolvendo espontaneamente e em uma época incomum para manifestações”. Ou seja, há uma “época comum”, na USP, para manifestações. Quem disse isso não foi um estudante direitista fura-greve. Foi o site do PCO, que organizou a invasão.

Parece exagero? Pois olhe bem para essa foto. É a parte interna da porta da segunda cabine do banheiro masculino do Térreo do prédio de Ciências Sociais (fotos por José Oswaldo Neto):

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Notou uma coisinha estranha ali, embaixo da letra R? Vamos dar um zoom pro pessoal de casa:

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Traduzindo para o leitor não acostumado com as gírias drogatícias paulistanas, algum intelectual USPiano está procurando um motoboy que faça “corre”, ou seja, dê uma corrida em busca de drogas na favela do São Remo, vizinha da USP, onde a última operação da polícia contra os riquíssimos traficantes capturou armamento pesado, do porte de submetralhadoras 9 mm e granadas. A playboyzada diz que a violência é culpa da desigualdade social, mas não quer subir a São Remo pra buscar sua droga. Nem quer se misturar com favelado pobre (ou é o catador de lixo que tem dinheiro pra comprar submetralhadoras?). Taí um caso claro de TERCEIRIZAÇÃO na USP. Cadê o Jorge Souto Maior pra reclamar disso?! Cadê o Tico Santa Cruz e aquele textículo falando que a questão da USP nada tem a ver com maconha pra analisar o que essa foto significa?

Mas vamos ignorar o anúncio de emprego para quem quer entrar no tráfico. Engulhamos (!) por um momento esse discurso de que o problema são as “liberdades individuais”. É sempre a logorréia empolada, cheia de generalidades para esconder o que interessa. Segundo essa “visão”, não são contra a PM não por causa de 3 maconheiros queimando sua brenfa no carrão do papai (e isso não é prova de que a PM não foi corrupta, e tratou por igual tanto o rico quanto o pobre quando ouviu denúncia?), mas sim pelo “livre pensamento”.

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Já ficou claro que nenhum PM nunca invadiu uma aula de Marxismo, Marxismo II, Cultura e Marxismo, Marxismo Crítico e Marxismo Revisionista na FFLCH. Já ficou claro que o PCO, o PSOL e o PSTU (sem falar em grupelhos mais nanicos ainda, como MNN – Movimento Negação da Negação, e LER-QI, Liga Estratégica Revolucionária Quarta Internacional) não param de interromper as aulas na USP, sobretudo na FFLCH. Não são favoráveis ao livre pensamento – basta tentar gritar na frente de um ajuntamento deles que você não concorda com Marx. Então, sejamos coerentes: ou teremos PM no campus, ou também expulsemos cada membro do PCO, PSTU, PSOL e derivados do campus. Cada membro desses partidos, ou do MNN e da LER-QI que for flagrado porta adentro do campus deve ser imediatamente presoTertium non datur.

Para eles, a PM faz parte de um projeto da ditadura militar que quer privatizar a Universidade. É bom que “estudantes” de cursos ligados à discussão política entendam que ditadura e privatização, na maior parte das vezes, são quase antônimos. Eles se colocam mais perto da ditadura. Porém, como também afirmei no Papo de Homem, tirar a polícia de lá significa exigir que cada unidade cuide da segurança (como, aliás, já acontece, visto que a PM não entra nos prédios). Como? Contratando empresas de segurança privada. Por que a gentalha reclamando de privatização iria gostar disso? É simples: a cada greve, montagem de piquete whiskambal, os alunos falam pros seguranças: “se encostar um dedo em mim, eu digo que foi agressão”. Os seguranças não podem fazer nada contra os alunos. E aí, dá pra fumar bagulho em paz. Se é pelo prazer umbigóide de financiar o tráfico sem o papai ficar sabendo, vale até privatizar.

invasao usp gap Na USP, mais flagrantes de semi analfabetismo, tráfico e tempos ÁUREOS de ditaduraA verdade é que a “reclamação” que os estudantes já tinham há tempos, e que “eclodiu” com os três estudantes indo para a delegacia para assinar termo circunstanciado (nem serem presos, como não se prende ninguém por porte de droga), é bem simples: eles odeiam o capitalismo. Alguns são da linha trotskysta e pregam a luta armada (já mostrei mais de uma vez aqui como falam abertamente em cortar a cabeça de “reacionários”), outros são gramscistas, e querem derrotar o Estado por dentro. Geralmente é a linha da turma do Direito. É essa galera que acha que qualquer coisa é motivo pra invadir a reitoria, se fingir de “reprimido” e de “lutador pelo livre pensamento”. Falaram de algumas coisas que precisam ser vistas, como o Ministério Público investigar o reitor por, entre outras coisas, um tapete de R$32 mil comprado pela reitoria e do Paço de Artes, espaço público, ter sido usado para um casamento privado. Nem 5% dos alunos anti-PM parecem sequer saber disso. Os invasores já estavam dentro da reitoria quando isso foi informado para a maioria.

E quanto a PM gastou em dinheiro público, como gasolina, só para fazer uma operação que garantisse que nenhum mauricinho invasor de reitoria sairia ferido? Algo como 10, 20, 50 vezes o preço do tapete? E quanto gastou com hora extra para trabaliadores (sic) limparem a reitoria? Eu limpo a reitoria SOZINHO em troca de expulsarem todos os vagabundos (que estudantes não são). Na greve do lixo, quantos “defensores dos trabalhadores” limparam o lixo que esparramaram pelos corredores? Por que não demonstrar o que sentem pelos funcionários da limpeza lá no fundo, e ao invés de espalhar papel higiênico usado, ir direto cagar nos corredores, se depois era pra deixar para eles limparem?

A quizumba toda ocorre porque essas pessoas são quase todas filiadas a entidades extremistas que querem acabar com a democracia e instaurar a ditadura do proletariado. Como não conseguem nem 1% de votos nas eleições, fazem essas badernas e dizem que a luta é “antiga”, e portanto nada tem a ver com maconha. É a lorota que esses textos circulando no Facebook estão passando. Falam até que uma das reivindicações antigas é por MAIS SEGURANÇA no campus. Maior mentira, impossível. Mostrei até com foto o que estavam “pedindo” exatamente um dia depois do assassinato de Felipe Ramos de Paiva na FFLCH, onde essa balbúrdia se deflagrou: segurança? PM? Não. Marcha da Maconha.

Mas poderíamos também argumentar que há um terceiro grupo, ainda anônimo e desconhecido. Talvez eles estejam no movimento pelo fim do preconceito lingüístico, dada a conjugação verbal para tentar expulsar os “gambés” (policiais) da USP, em pichação no prédio de História/Geografia (foto de José Oswaldo Neto):

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Pode ir? Então, seu desejo é uma ordem.

 

Leia também:

A “repressão” policial na USP: Um tratado sobre a violência – por Flavio Morgenstern

8 mentiras que você anda lendo sobre a PM na USP – por Flavio Morgenstern, no Papo de Homem

Balanço da invasão da USP pelo Prof. Mário Viaro

Os alunos desocupados da USP e seus defensores são velhos conhecidos – por Daniel Lopes, no Amálgama

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Toda vez que o vento fecha a porta do seu quarto, grita imediatmaente: “Cárcere privado! Cárcere privado!”. No Twitter, @flaviomorgen

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78 Comentários

  1. Leonardo5 de dezembro de 2011 às 10:51

    Flavio, parabéns pelo artigo. Ganhou um fanzasso! Quisera eu houvesse mais pessoas com seu pensamento crítico, viu? Partilho das mesmas idéias suas e farei minha parte: disseminarei seu site e envenenarei algumas pobres mentes (Deus, conheço tantas!) com algo mais interessante do que Malhação, novela das 8 e outros quitutes fúteis. Parabéns novamente!

  2. Alline28 de novembro de 2011 às 13:57

    Flávio,
    Nascemos eu e minha irmã no auge da ditadura. Ela, hoje, trabalha e faz pós-graduação da FFLCH e diz que o movimento é legítimo, porque a polícia é truculenta e isso é inadmissível dentro do ambiente acadêmico. Argumento: “Mas a polícia só reprime quem infringe a lei, não é?” Para mim, é como reclamar de cachorro que morde quando você invade o quintal do vizinho. Seria o caso de arrancar os dentes do cachorro ou de parar de invadir o quintal do vizinho? Daí a mocinha não conseguia argumentar, dizia que “a mídia só divulga a parte que lhe interessa” e que “na verdade o protesto é contra o sistema de eleição de reitores, que não é direto, fazendo com que o reitor não represente a vontade da comunidade universitária”. Ok, então se o objetivo é protestar contra o reitor, sua gestão ou a administração da universidade, por que não escrevem estas coisas nos cartazes que exibem? E por que raios permitem que estes maconheiros desfilem com baseados gigantes e cartazes com a “mensagem errada” no meio de um protesto tão sério?
    Tem outra, eu nunca vi o povo da Poli, por exemplo, ter tempo de sobra pra sair protestando na Paulista ou invadindo a reitoria. Eles dizem que não têm tempo pra essas coisas. “A gente sabe como o mercado está lá fora e ser o melhor dentro da universidade pode garantir o futuro. Não dá tempo pra ser o melhor da turma e ainda sair protestando”. Olha só, estes estudantes sabem que precisam começar a pensar na carreira ainda em gestação e não têm tempo de reclamar da polícia que não os ataca, porque estudar não infringe a lei. Fumar maconha, infringe. Invadir a reitoria, infringe.
    Consigo, no mínimo, concluir duas coisas:
    1- O povo da USP que está protestando não tem foco e pede A, querendo B (pode ser efeito da maconha);
    2- Eles têm tempo de sobra para infringir a lei e protestar contra algo que mal conseguem definir.
    E eu pago os impostos que patrocinam toda essa palhaçada: de polícia a curso frouxo e alunos ociosos. Quem faz papel de palhaço nesta história, sou eu!
    Minha irmã me diz que eu me vendi ao “sistema”. E ela não usa o sistema? Eu costumo dizer: “Vá limpar a bunda com folha de árvore e depois venha me falar de sistema!” A indústria que fabrica o papel higiênico que esse povo usa, é uma indústria do “sistema”, que lucra muitíssimo. As roupinhas de grife que esses uspianos usam vieram do sistema que criticam pra ficar bem na foto.
    Tive exatamente a mesma criação que minha irmã; não acho que a criação assim ou assado sirva de desculpa para este comportamento. Isso é falta de preocupação na vida: não conheço uma pessoa com família pra sustentar e que tenha tempo para gastar com um protesto contra algo que nem sabe definir. Ô, gentinha cara-de-pau e sem ocupação!

  3. Leonor23 de novembro de 2011 às 18:01

    matou a pau, colega! nessas horas quase dou graças aos céus de estar repatriada em Porto Alegre, com a tese pronta e a poucas semanas de me desvincular oficialmente da FFLCH. não tenho mais paciência pra esse conversê esquerdista, pros “recadistas” que insistem em interromper a aula a todo instante, etc etc. meu noivo ficou preso na FFLCH por conta de um desses piquetes grevistas, e a essas alturas, depois de tanta coisa que eu já vi acontecer por aí, acho que se eu estivesse no lugar dele teria partido pra ignorância. além de tudo, ficaram se borrando de medo de perder a eleição pra chapa de vocês e “adiaram” a eleição. sinceramente, só vendo pra acreditar!

    • flaviomorgen23 de novembro de 2011 às 22:50Autor

      Pois é, Leonor. E agora, cada vez que tentam argumentar comigo, assim que a situação aperta (o que não costuma demorar mais do que 2 frases), apelam pro: “Por que você não tenta dizer isso em uma assembléia?”, como se fosse o melhor lugar do mundo pra expor uma tese sobre algum assunto – e como se alguém ali estivesse a fim de mudar de idéia sobre qualquer tema que seja…

  4. Cora22 de novembro de 2011 às 01:22

    Flávio, uma pequena correção, que talvez já tenham feito: o policial não responde “ainda não”, quando a moça diz que está sendo agredida; ouça bem, o início fica difícil de entender, mas ele diz “agredida não”.

  5. José Francisco Gomes20 de novembro de 2011 às 21:52

    Flávio, há meses não lia O IMPLICANTE. Não sabia que estava tão interessante. Foi uma das melhores páginas que vi sobre essa invasão da USP pelos revolucionários de ray-ban. Parabéns.

  6. Paulo Yasumura17 de novembro de 2011 às 01:39

    Li o seu Blog depois de uma noite de assembléias e deliberações a respeito da greve dos estudantes. Faço filosofia na FFLCH e não participo ativamente do que vem acontecendo no campus nos últimos dias, afinal, eu trabalho e moro longe do campus, mas procuro acompanhar a situação na medida do possível.
    A princípio eu era a favor da presença da PM no campus e repudiei a ação dos estudantes com relação ao enfrentamento na ocasião dos estudantes pegos com maconha e na invasão da reitoria. Mas diante do que a mídia vem aventando e da própria postura dos que criticam os acontecimentos, me impressionou esta maneira cínica de deslegitimar os estudantes, taxando-os de playboys, filhos de papai que usam GAP, etc. que só querem fumar maconha sem a presença constrangedora da PM.
    Essa postura não favorece um debate aberto, o que, para mim, é a única coisa que salva desta situação toda. Deslegitimar ironicamente os manifestantes é para mim tão atravessado quanto invadir a reitoria, atitudes que não esclarecem em nada o que esta se passando na FFLCH e não inserem os interessados nos debates que estão acontecendo na universidade.
    Também acho incoerente defender que a faculdade com menor relação candidato/vaga possua muitos playboys em seus departamentos, antes, a realidade que percebo é bem avessa a essas caricaturas.
    Não concordo que protesto seja uma manifestação legítima apenas para quem não é abastado, como se o fato de se ter dinheiro e boa qualidade de vida me impedisse de agir criticamente. Alias, isso é um dos grandes problemas de nossa democracia, acreditar que o fato de termos bens nos exime de ter uma postura política.

    • flaviomorgen18 de novembro de 2011 às 15:04Autor

      Paulo, o problema é que sempre criticam essa suposta caricaturização dos invasores como mauricinhos que só querem fumar maconha. Mas o fato é que eles são, sim, pessoas que têm tudo de graça com o dinheiro de quem não tem (até o mendigo que gasta R$0,50 numa pinga paga imposto, e 83,07% do preço da cachaça é imposto). Havia pobres na invasão da reitoria? Havia. Uma minoria. Mas não POBRES, havia gente de origem humilde: negar que, apesar de feia e feita às gambiarras, a vida na Cidade Universitária é uma vida FÁCIL é gigantesca hipocrisia. Pode não ser luxuosa, mas é uma vida a passeio. E o luxo chega de fora, como se vê pelas fotos acima.

      Por sinal, também sou da FFLCH e não sei o que há a ser discutindo além da maconha, do “fora PM do mundo!!”, dos 10% do PIB, do fim do vestibular, das diretas pra reitor, do ranqueamento na Letras, do fim do capitalismo, da liberação da maconha e de outras propostas doidivanas sugeridas nas assembléias – ou, em tradução para leigos, votadas para se fazer greve por isso ou não, visto que não são temas definidos por assembleias (aliás, tem texto sobre essa farsa da “questão profunda que a mídia não mostra” saindo do forno).

      Eu, honestamente, não conheço esses debates na Universidade. Na verdade, só conheço uma farândola de alienados que não produzem uma linha que presta a ser acrescentada ao pensamento universal, que juram que pensam com a própria cabeça e que são contra o individualismo (ao mesmo tempo), que só agem em bando e impõem sua vontade à força nas assembleias. Até agora, as trocentas assembleias marcadas na mesma semana na Letras discutiram o teto de duração da assembléia (quase nunca respeitado) e votar por greve OU NÃO.

      Então, estou sempre ouvindo e lendo que a mídia está escondendo a verdadeira discussão na FFLCH através da estigmatização. Mas procuro e procuro e não encontro essa “verdadeira discussão” além da maconha e da policiofobia. Abraço.

  7. francisco ramos17 de novembro de 2011 às 00:43

    Li todas as postagens. Algumas muito interessantes, com ou sem comentário do moderador. Mas não conse
    gui entender bem. “Não caiu a ficha”. O que tem a ver um punhado de riquinhos arruaceiros, depredadores,
    não cumpridores de ordens judiciais, invasores da Reitoria de uma das mais importantes Universidades Brasi
    leira, o que tem a ver, repito, com “esquerdismo”, “progressismo”, etc, etc, etc. Neste blog, discutiu-se, alguns meses atrás o que é crime político ou crime comum. Aproveitem: os bagunceiros estão cometendo cri
    mes comuns. Ponto final !

  8. Viviane15 de novembro de 2011 às 16:24

    Excelente artigo. Diante desse quadro desastroso, o que mais me preocupa é que esse caso da USP reflete a situação de praticamente todas as universidades brasileiras. Estamos sitiados por idiotas com diploma (professores e alunos).

    Desta vez, ao menos, a cobertura que os telejornais deram so caso não foi nada favorável aos vândalos. Afinal, a burrice de esquerda quase sempre dá o tom na mídia brasileira.

  9. Jorginho13 de novembro de 2011 às 18:53

    Estava sem nada para fazer nesse domingao pré-feriado e resolvi ler o que a blogosfera progressista anda escrevendo sobre a invasao (ocupacao, na novilíngua).
    Achei que o ridículo tinha chegado ao seu máximo com a menina do vídeo gritando “cárcere privado”, “estou sendo violentada”, “mostra a cara”, etc. Como sempre, subestimei o pessoal do progressismo.

    Quer dizer entao que a PM entra na Reitoria, retira todas as pessoas (alguns estudantes, outros ex-estudantes e outros ainda que nenhuma relacao têm com a USP) e, antes de deixar a imprensa entrar, faz desenhos nas paredes, pichacoes e “planta” coquetéis molotov?

    Por deus, será que uma pessoa com mais de 13 anos de idade nao vê o ridículo de uma tal afirmacao?
    Será que eles nao percebem que dizer isso é como dizer que o cachorro comeu o tema de casa?
    E ainda girtam que “nao há provas” de que foram as invasores (para eles: ocupantes)?
    Juro que fico abismado como alguém pode se considerar um ser pensante e, mesmo assim, optar por difundir uma barbaridade desse tipo. Como disse, sempre subestimo… Ou, nesse caso, superestimo a capacidade de ver o ridículo dos progressistas, que ainda acreditam que Krushev foi injusto com Stálin…

    • flaviomorgen13 de novembro de 2011 às 19:07Autor

      Jorginho: mas temos de ser legalistas se for contra o reitor e pensar em todas as hipóteses. Por exemplo: uma delas é que o próprio Rodas tenha feito as pichações esperado a reitoria ser invadida, para então os PMs entrarem com sua brutalidade sanguinária repressora e então plantarem os coquetéis…

  10. Felipe13 de novembro de 2011 às 00:19

    Flávio
    Foi o que pensei, mas prefiro confirmar para não acabar falando bobagens.
    Quer dizer que você também estuda Letras na USP? (eu também estudo, só que na PUCPR).
    Há quem diga que a PM bagunçou a reitoria e plantou os molotov assim que entrou eu decidi pesquisar, e o Implicante é principal site que acesso para ter noticias acerca do que está acontecendo na USP.

    Quantos aos vídeos nesse artigo, a “jornalista” disse que ia se passar pela imprensa ou eu ouvi errado?
    O engraçado é ela acusando os PM de “vetar o direito da imprensa fazer cobertura”, começar a gritar cárcere privado e dizer que está sendo violentada pelo policial. Se eu fosse esse policial eu a processaria.

    • flaviomorgen13 de novembro de 2011 às 19:03Autor

      Felipe, o pior é que recebi “denúncias anônimas” que colocariam essa menina em maus lençóis… infelizmente nem posso postar nada aqui. Mas nada como os vídeos gravados pelos próprios anti-PM pra ver como todas as “causas” deles são baseadas em mentiras deslavadas.

  11. Fernando Carreiro12 de novembro de 2011 às 23:29

    O artigo do Daniel Lopes está naquela zona indefinida em que os petistas se posicionaram, criticando mais os tomadores de danoninho da USP por não aceitarem Kruchev e Gramsci, sendo que, assim sendo, estariam perdoados pela sua estupidez ideológica. O que aconteceu na USP é o ofruto geneticamente deteriorado de anos de assédio mental e condicionamento ideológico espúrio. São eclosões disfuncionais do ovo da serpente. Parabéns pelos elucidativos e definitivos textos sobre os eventos na USP.

  12. Felipe12 de novembro de 2011 às 21:39

    Então. Há provas que foram os alunos que fizeram aquelas pichações de homens com molotov virando a viatura e da frase: “Pode vim gambé, paga-pau”?

  13. Izabel12 de novembro de 2011 às 20:25

    A relação candidatos/vaga da FFLCH não é prova de que os alunos são incapazes de passar em outro vestibular. Essa ideia é ofensiva e mostra como a sociedade é indiferente à formação de pessoas que vão lidar com o ensino. Eu sou aluna do francês e faço o curso por OPÇÃO.

    • flaviomorgen12 de novembro de 2011 às 23:03Autor

      Izabel, eu mesmo faço o curso mais fácil de entrar da FFLCH (e, lógico, de toda a USP). Mas se quer entender por que há tantos imbecis na FFLCH, basta olhar pra essa estatística pra descobrir muita coisa importante. E são esses que falam que policiais deveriam prestar Fuvest pra entrar na USP…

  14. Idevam12 de novembro de 2011 às 17:31

    Quanto mas eu leio sobre esses bandos de meliantes mas tenho serteza de que a maconha faz mal muito mal sao doentes mentais

  15. Cil12 de novembro de 2011 às 16:36

    Perfeito o seu texto. Irretocável mesmo! O que mais acho interessante para estes maconheiros é que é justamente a democracia e o estado burguês que eles tanto combatem, que permite que eles se aboletem em órgãos públicos, destruam bem público, agridem verbalmente a polícia (isso não é crime??) e ainda tentem sair de vítima na historia. Se fosse em um estado socialista, como eles querem, eles teriam sido removidos na base da bala dos prédios e os que ficassem vivos seriam fuzilados em praça pública… ou ainda eles seriam atropelados por tanques de guerra não é mesmo? Aliás, eles nem teriam começado essa pataguada toda!

    Uma sociedade está muito doente quando se levanta para defender crimes e criminosos.

  16. Rodolfo12 de novembro de 2011 às 15:51

    Por trás dessas e outras invasões sempre esteve a obsessão aparelhista dos partidos da esquerda,agindo por meio de instutições satélites como DCE, ADUSP, SINTUSP e UNE, e defendendo sua bandeira ultrademagógica: a de diretas para reitor, que é basicamente a última etapa para a completa partidarização de toda a instituição universitária. Sabem quantas universidades de ponta do mundo fazem diretas para reitor? O ex-reitor Jacques Marcovitch citou num artigo um levantamento sobre a forma de escolha adotada em 27 grandes instituições do mundo. O resultado é que NENHUMA delas faz diretas para reitor. Eis a lista:
    University of Oxford e University College London (Inglaterra); Université de Lausanne (Suíça); Université Lyon 2 (França); Leiden University (Holanda); Universität München e Universität Berlin (Alemanha); Universidad de Salamanca (Espanha); Stockholm University (Suécia); University of Sydney (Austrália), McGill University (Canadá); Hebrew University (Israel); University of Tokyo (Japão); Universidade de Coimbra, Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Porto (Portugal); Universidad de Los Andes (Colômbia); University of Malaya (Malásia); Johns Hopkins University, Vanderbilt University, New York University, Emory University, Brandeis University, Association of American Universities, Duke University, University of Pittsburgh e Michigan State University (EUA)
    A essa lista eu acrescento Harvard, Yale e Chicago.
    Desafio aos demagógicos brancalêonicos da USP a apontar quais são as que FAZEM diretas para reitor e depois elencar quais entre essas tem um desempenho nos rankings superior ao das acima relacionadas.

    • flaviomorgen12 de novembro de 2011 às 16:26Autor

      Muito bom, Rodolfo! Saliento ainda que professores e funcionários muitas vezes passam décadas, até se aposentam dentro da Universidade. A maioria dos alunos da Universidade, por outro lado, está no primeiro ano e vários abandonam o curso, ainda mais em cursos com relação de candidatos por vaga de 3,8, como é Letras – Noturno (a menor de todas, justamente o curso que faço). Não há justificativa alguma para transformar alunos que valem votos em peso e têm uma relação semi-nula com a faculdade votarem, passando na frente de professores e funcionários.

  17. Felipe12 de novembro de 2011 às 13:07

    Eu sou totalmente a favor da PM, mas como não sou de São Paulo, muito menos da USP, não há como eu ter certeza se a “mídia corporativista burguesa” ou os revolucionários da USP. Não sei se há abusos da PM ou ela está com a razão

  18. Ben12 de novembro de 2011 às 08:35

    Saldo do quebra pau na reitoria da USP: Várias viaturas danificadas e um policial ferido. Os estudantes saíram ilesos. Mesmo assim os manifestantes insistem em posar de vítimas. O que não adianta muita coisa porque a opinião pública reprovou o ato de vandalismo dos desordeiros.

  19. alexandre12 de novembro de 2011 às 07:01

    Realmente não conheço a Cidade Universitária aí em São Paulo mas imagino como deve ser. Aqui no RJ, a UFRJ é enorme e também tem casos de violência lá dentro. Mas acredito que diferente da USP, não haveria problema se tivesse mais policiamento. O que o carioca mais quer ver é polícia na rua.

    • flaviomorgen12 de novembro de 2011 às 11:49Autor

      alexandre, vários amigos cariocas, um deles marxista radical, acha um absurdo o que esse povo na USP tá fazendo. E tem um agravante: quero ver que ser humano nega que a polícia de SP é infinitamente menos corrupta que a do Rio. Infelizmente, porque sendo o Rio grande e turístico, a corrupção policial no Rio mantém o Brasil inteiro meio refém.

  20. Sam Spade12 de novembro de 2011 às 06:20

    Se eu pego a “jornalista Bete Frígida”, faço dela mulher….

  21. Felipe12 de novembro de 2011 às 00:20

    Aquele desenho com os carinhas com coqueteis molotov virando a viatura, que mais parece pinturas rupestres ao meu ver, pór exemplo. Da mesma forma que dizem que os molotov foram plantados (não posso dizer se foram ou não), pode ser que tenha sido feita uma pintura bem mais ou menos na hora q a pm chegou. Essa é só uma suposição.

    • flaviomorgen12 de novembro de 2011 às 11:48Autor

      Tudo explicado. Bem mais fácil pensar nisso para acreditar no pacifismo de quem invade reitoria com paus e pedras e grita “Pode vim (sic) gambé paga pau” do que supor que, entre um milhão de pichações, a do molotov estaria incluída.

  22. Pablo Vilarnovo11 de novembro de 2011 às 20:06

    Alguém sabe como se faz para emboscar um prédio???? hahahaha rolei de rir.

    “Emboscaram a CRUSP!!!” hahahahah

  23. Priscila V.11 de novembro de 2011 às 17:45

    Já tinha visto o vídeo… a guria praticamente implorando pra sofrer alguma agressão verbal/física, só pra ter algum substrato sobre o qual legitimar a sua gritaria (foi Napoleão ou Goebbels quem afirmou que uma mentira dita cem vezes torna-se verdade? mas nem assim, hein?). Diante do fracasso, começou a se esgoelar dizendo que estava sendo ‘violentada’. Quanta cara-de-pau…

  24. Rodrigo Cavalcante11 de novembro de 2011 às 17:15

    Olha o nível das acusações: http://www.brasil247.com.br/pt/247/brasil/23766/Espet%C3%A1culo-na-USP.htm
    Dizendo que o Rodas é da Tradição, Família e Propriedade(TFP) e só foi nomeado pelo Alckimin(!?) pois ele é do ultra-direitista Opus Dei, já deixei meu comentário lá, mas vejam onde esses caras chegam. Cada vez mais fica claro o que eles querem, e boa coisa não é.

  25. Rodrigo Barradas11 de novembro de 2011 às 17:06

    Os Royalties do Petróleo e o caso da USP: Duas faces de uma mesma moeda: manipulação!

    Acordei e vi no Bom Dia Brasil: “Governador do Rio, Sergio Cabral lidera manifestação em favor dos Royalties do Petróleo para o Estado do Rio de Janeiro”. Parecia que eu havia me transportado no tempo para o fatídico dia do impeachment do ex-presidente, Fernando Collor. Como num passe de mágica do pozinho de plin-plin da Globo (é isso mesmo!) havia transformado aquelas milhares de pessoas nas ruas do Rio em nossos novos ‘Caras Pintadas’.

    Está na Constituição Federal de 1988, “Art.5°, Inciso IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;”. Esse é um ponto que está claro, ao menos oficialmente. O que nunca fica claro nesse país, é que esse peso é utilizado em medidas completamente desiguais (somos desiguais em tudo). O Governo, a Polícia e a Grande Mídia tratam de manifestações de forma bem diferente. O MST que o diga.

    Os estudantes da USP foram ridicularizados em sua causa, onde os ‘Órgãos Competentes’ e a Grande Mídia, pegaram como gancho a problemática da maconha a fim de trazer a opinião pública contra aqueles manifestantes. Serem os únicos autorizados a cobrir a invasão do prédio por policiais sem identificação, também deu um ar de quase ditadura ao ocorrido, elevando a Globo e a Editora Abril à Sucursal do ‘Grande Irmão’. Dizer que foram os estudantes que quebraram o prédio, sem provas, também fere outro ponto jurídico da Constituição. Art.5°, LVII – Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Traduzindo: Todos são inocentes até que se prove o contrário!

    Não cabe à mídia julgar e condenar. Seu papel, dentro de uma sociedade saudável é o de fornecer informações, dando direito de resposta aos dois lados, e sim, dar afirmativa sobre algum caso que envolva questões judiciais, depois do veredicto. Mas nossa Grande Mídia é inquisitória demais para cumprir a falácia que insistem em nos ensinar na Faculdade de Jornalismo: Imparcialidade. Mesmo depois de inúmeros erros, como no caso da ‘Escola de Base de Brasília’*¹. Quantas pessoas, famílias e reputações vocês vão destruir em nome dos seus interesses?

    Quando àqueles estudantes, foi dado o direito de resposta dentro da Grande Mídia? Mais uma vez, a Globo, a Veja, dentre outros, ferem a Constituição de 1988: Art 5°, Inciso V – ‘É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem’. Estudantes, essa é a hora de processar o Grande Irmão.

    Quando queremos respaldar nossas opiniões sem provas, e ao mesmo tempo trazer o apelo para nossa ‘causa’, criamos histórias bem hollywoodianas, com mocinhos e vilões. Steve Jobs foi mestre em fazê-lo dentro do mundo corporativo, onde a Apple era o mocinho e a IBM e posteriormente a Microsoft eram os vilões. As coisas não se diferem tanto no mundo político, social e midiático. No caso da USP, a Grande Mídia pintou a face de um monstro naqueles jovens, demonizando de forma irônica, como no caso da Veja quando tentaram desmerecer qualquer ato deles, ao chamá-los de ‘mimados’ e ‘playboys’, assim como no caso da Globo, que transferiu àqueles estudantes uma culpa quase hitlerista.

    Mas qual a ligação entre dois fatos tão distintos? Falo: Isso se dá quando a Globo começa já pintando uma face alegre a uma causa. Nesse caso, a briga pelos Royalties do petróleo ao Rio de Janeiro e Espírito Santo. Quem puder assistir às reportagens que tratam do caso da USP, e reportagens que tratam desse caso em específico, verão a diferença na abordagem. A Globo levou até atores de suas novelas para aquela causa. Claro, o telespectador se vê nas personagens interpretadas por eles. Que o diga o eterno Raí de Quatro por Quatro (Marcello Novaes) que disse: “Brigaremos pelo o que é nosso”.

    Para finalizar, nada como um trecho de uma música legal de uma banda capixaba, chamada Dead Fish: “Dia 4, quarta-feira, abril, mais uma campanha. Aprendi que pelos seus olhos devo odiar os guerrilheiros da Colômbia, os que morreram na Nicarágua, Honduras, Guatemala, pois eles, eles sim devem morrer. Devo me conformar! legítimo é você. Por mais 04 anos prometo, por mais 04 gerações, lhe obedecer, me resignar, sobreviver…”. Eis o nosso quarto poder.

  26. Rodrigo Barradas11 de novembro de 2011 às 16:50

    Brasil um país de tolos

    Não faz muito tempo que havia uma luta incessante por liberdade no Brasil. Onde aquele que desse ao menos um suspiro não autorizado era trancafiado em porões, torturado e assassinado, em nome da ordem e do progresso.

    Alguns céticos chamam aquele período de ‘ditabranda’, talvez por não terem vivenciado-o, ou terem sido covardes demais para fazer algo na época.

    Eu tive um avô preso e torturado por três meses no mais profundo ‘underground’ da militarização carioca e pude conversar muitas vezes com ele sobre isso, enquanto ainda era vivo.

    Aquelas histórias permearam a minha mente e me acompanham até hoje. Meu avô não era um comunista barbado, nem tinha pôsteres de Fidel ou de Che nas paredes de sua casa, muito menos era filiado a algum partido ou grupo da chamada esquerda. Sim, ele não era a representação simbólica de um clichê dicotômico que revistas e grandes conglomerados da mídia insistem em pintar. Meu avô era um militar! O Cabo Zwinglio Potts Valle.

    Naquele tempo, os ‘templários’ da ordem estavam acima de qualquer lei. Não usavam identificação, levavam os ‘detidos’ em carros também sem identificação. No auge da repressão o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) havia também virado a polícia da Ditadura. Espionavam, prendiam, torturavam e matavam. 21 anos de retrocesso político e social!

    Hoje e mesmo não tendo vivenciado o auge daqueles anos que deveriam ficar só na má memória de todos, acho que nunca me percebi em uma sociedade tão reacionária como agora. Nem quando criança ainda estudava matérias como ‘Moral e Cívica’ e era obrigado a rezar e cantar o Hino Nacional antes de ir para a sala de aula.

    Aristóteles sempre bateu no ponto de que o que mais diferencia o Ser Humano de outros seres é o fato de questionar. Pensar é questionar. Questionar principalmente a informação oficial. O homem que não questiona, está morto. Uma sociedade que não questiona, está morta!

    Hoje, me sinto vivendo em uma sociedade sem vida, sem brilho. Mesmo com todos andando na moda e podendo parcelar seus sonhos de consumo em 10 x sem juros. Uma sociedade que cospe o preconceito como nunca vi antes.

    Talvez um amigo esteja certo ao dizer que o que mudou é o fato de o ‘Homer Simpson’ ter se tornado também um formador de opinião. Opinião essa, sempre respaldada por um grande veículo de mídia e por ‘filósofos’ e ‘parlamentares’, em sua maioria ligados a alguma frente religiosa. Viva Bolsonaro.

    Me envergonha sim uma mídia que tem o poder de transformar estudantes em terroristas. Estudantes esses que quando fazem manifestações, se equilibram sobre uma linha extremamente tênue entre o heroísmo e a bandidagem. Os ‘Caras Pintadas’? Heróis! Os Estudantes da USP? Terroristas, marginais, bandidos, filhinhos de papai e mimados!

    É sempre essa mesma mídia que elegeu Collor e que depois o derrubou. O que foi aquilo? Interesse! Essa mesma mídia que protegeu a Ditadura e chamou os estudantes daquela época também de vagabundos. O foi aquilo? Interesse! Essa mesma mídia que transformou a grande passeata pelas Diretas Já de 1984, em comemoração ao aniversário de São Paulo. O que foi aquilo? Interesse! Essa é a mesma mídia que hoje faz homenagem ao Jornalista Tim Lopes, mas quando ele e sua parceira, a jornalista Cristina Guimarães recebiam ameaças de morte, os editores do Jornal diziam que eles estavam ouvindo vozes. O que foi aquilo? Interesse! É por essa mídia que você quer respaldar suas opiniões? É por essa lógica de verdade absoluta que você vai continuar louvando falácias?

    Existem outras versões para o ocorrido, mas ninguém ou quase ninguém dentro do conforto de seus lares, se dão o trabalho de procurá-las. Aliás, isso deveria fazer parte da máxima do Jornalismo: Imparcialidade e ouvir os dois lados. É uma das primeiras coisas que aprendemos na Faculdade de Jornalismo. Logo depois percebemos ser a primeira mentira que nos ensinam. A grande mídia só tem um lado: O que interessa ao patrão.

    E se eu disser que outras versões falam sobre agressão por policiais contra estudantes desarmados dentro da USP? Sobre homofobia? E sobre o fato dos policiais terem batido nos estudantes, os prendido e depois quebrado a USP para dizer que foram aqueles ‘baderneiros’? Que só permitiram a entrada inicial de jornalistas da Globo e da Editora Abril, como a Veja? Ah, esqueci, eu sou louco e apenas estou perdido num contrassenso conspiratório. E pensando assim não questionarei a Descoberta do Brasil, a Proclamação da República, a Lei Áurea… Tudo ocorreu como consta nos livros de história, minha gente.

    A reitoria da Universidade Federal de Rondônia está ocupada nesse momento. Dias atrás um professor foi preso sem flagrante, por policiais que estavam disfarçados e infiltrados dentro daquela manifestação que pede por melhores condições de trabalho e salários. Foi detido sem provas por militares sem identificação, colocado em um carro também sem identificação e esse doutor em história se encontra preso no momento. É muita coincidência com a época em que o DOPS agia? Essa é a face da militarização das Universidades: Coibir e castrar qualquer tipo de manifestação, mesmo essa sendo oficialmente garantida pela Constituição. No caso da USP: Maconha = bode expiatório.

    Mas hoje, vejo uma geração que tem acesso como nunca às informações, repetindo tal qual um robô, tudo o que a grande mídia diz ser uma verdade quase divina. Como ventríloquos repetindo preconceitos sem fundamentos racionais. Meu Deus, nós atingimos o ápice da inquisição midiática.

    Parabéns poder. Acho que nunca na história recente desse país tivemos uma sociedade tão ‘bunda mole’. Ditaduras, eis um porto seguro para vocês se instalarem. Aqui haverá apoio de grande parte da população. E vamos que vamos na onda, ‘rapeize’!

  27. Vinício11 de novembro de 2011 às 16:27

    Fiquei com dificuldade para entender a “greve de estudantes” da USP. Partindo do pressuposto que greve “pode referir-se à cessação coletiva e voluntária de quaisquer atividades, remuneradas ou não, para protestar contra algo”, qual seria propriamente a atividade que estes estudantes deixam de realizar em protesto? Como paralisar uma atividade que você já não faz? Eu, hein…

  28. Rafael11 de novembro de 2011 às 15:39

    Esses vídeos são coisa da mídiaburguesareacionária, obviamente. A verdade dos fatos é que os inocentes estudantes foram oprimidos e massacrados pela polícia fascista. É só pesquisar no Google…

  29. Carol11 de novembro de 2011 às 15:21

    E aí, galera, não vão aprovar meu comentário? :)

  30. Rodrigo Cavalcante11 de novembro de 2011 às 15:09

    É isso aí mesmo! O engraçado é acompanhar os “blogs progressistas” e como a pauta vai sendo mudada, a medida que eles vêm que não tão tendo apoio do público em geral, começou com a questão da maconha, depois passou para o #ForaPM alegando Autonomia Universitária e a Liberdade de Pensamento, também não colou. Após a desinvasão, ficaram indignados que a ação foi exemplar, eles queriam sangue, mas não teve, aí ficam de patetice, falando que absurdo, 400 policiais!, ignorando que a Tropa de Choque age justamente assim, para intimidar e evitar o confronto. Poxa, quanto foi gasto na operação? E os lugares que ficaram desprotegidos por esses 400 policiais estarem lá…tenham paciência! Tem um articulista da Época(membro do PIG) que colocou em suspeição a polícia, dando a entender que eles plantaram os coquetéis molotovs, e fizeram a bagunça no prédio, olha a frase do elemento:”Quem não conhece aquele amigo que acusa a polícia de ter colocado um baseado no porta malas do carro para depois pedir propina ou mesmo fazer um BO?”, que leviandade, seu nome é Paulo Moreira Leite. Agora resgataram, de forma oportunista, o fato de o Rodas ter sido nomeado pelo Governador(em 2009) dizendo que ele foi o segundo nas eleições, porém ignoram que isso sempre constou no Regimento da USP, foi tudo dentro da legalidade. Chamam os tucanos de autoritários, por cumprirem seu dever e respeitar uma ordem judicial, e ignoram que autoritarismo é o que vemos nesses movimentos estudantis, esses marxistas-leninistas não se cansam, querem vencer pelo cansaço. Agora é #ForaRodas, governo e reitor fascista, blá-blá-blá…, não têm coêrencia alguma. Você fala: E a pautas nacionais? Eles se calam, nenhum pio, aí você vê que é questão eleitoreira/partidária. Vi vários deles comemorando o fato do IDH cubano ser melhor que o brasileiro, são uma piada. Por isso eu sempre defendi que se desse voz a eles, eles mesmos se desmoralizam. Parece que ele querem na USP o mesmo lema da Universidade de Havanna: Viva a Liberdade do Pensamento Único!

  31. Felipe11 de novembro de 2011 às 13:39

    “Segundo eles, a quebradeira que ocorreu por causa de 3 alunos fumando bagulho na quinta-feira, dia 27/10, nada teve a ver com maconha. Teve a ver com a tal “perseguição”. Até agora não explicaram por que essa dita ‘perseguição política’ apareceu justamente quando tentam levar para a delegacia para fichar 3 maconheiros …”
    Falou justamente o que eu estava pensando dias atrás.

    Quanto ao que você posta aqui no Implicante.org, você tem provas concretas? As fotos são fidedignas? Há provas de que aquela imagem foi feita por um USPiano?

    Quanto ao preconceito linguístico, continuando concordando parcialmente com as ideias dos linguistas. Mas esses cartazes são um estupro a lingua portuguesa (erros de ortografia como “trabaliadores” e “braço armados” é “de arrancar pica-pau do toco”). Espero que els não sejam alunos de Letras.
    Mas o ensino de lingua deve ser sem preconceito e aceitar a forma que o aluno fala antes de entrar na escola , embora deva ser ensinado somente a norma padrão nas escolas.

    • flaviomorgen11 de novembro de 2011 às 23:27Autor

      Felipe, eu estava do lado quando tiraram algumas fotos, até. Só não foi com a minha câmera. Mas de que imagem está falando?

      Quanto ao preconceito lingüístico, isso pra mim é preconceito contra gramáticos: nunca conheci nenhum professor que não aceitasse a forma de falar do aluno antes da aula, por exemplo. Nunca mesmo. Mas há livros e livros contra este moinho de vento. Abraço

  32. alexandre11 de novembro de 2011 às 13:12

    Eu não estou acompanhando atentamente esse caso da USP , então desculpe minha ignorância. Sou contra a ocupação da reitoria pelos estudantes, e acho que existe radicalização do movimento estudantil nesse caso. Mas só queria tirar uma dúvida : a USP não tem segurança interna ? Por que essa coisa de PM permanecer 24 hs num lugar específico, aqui no RJ só conheço nas favelas pacificadas. Pelo que eu saiba, a PM fica na rua e só aparece nos lugares quando acontece alguma coisa. O que vejo em hospitais, universidades e outros lugares, são seguranças internos. Quando a segurança não dá conta, aí aparece a PM. O protesto é contra a ida da PM ao USP ou a permanência da PM na USP ? Se a USP precisa de PM 24 horas por dia, cria logo uma UPP lá.

    • flaviomorgen11 de novembro de 2011 às 23:26Autor

      alexandre, ela tem a Guarda Universitária, que é patrimonial (nem pode andar armada). Mas a PM não fica lá o tempo todo. Não sei se conhece a Cidade Universitária aqui, mas o nome é mais verdadeiro do que parece. Tem até linha de ônibus interno por lá. A PM só fica passeando, e atendendo chamados (são mais de 100 mil pessoas passando por lá por dia).

      O protesto é contra a PM existir, você sabe. E já cogitam criar uma unidade permanente lá, felizmente.

  33. Eduardo11 de novembro de 2011 às 02:59

    O AVG esta dando aviso de cavalo de troia no site, por favor verifiquem.

  34. Gustavo Bandeira11 de novembro de 2011 às 02:40

    Texto incrível, adorei o sarcasmo. Assim que eu apertar enviar e não puder digitar mais texto nesse comentário, gritarei: “Cárcere privado! Cárcere privado!”

  35. André Santiago11 de novembro de 2011 às 00:42

    Flávio, li o texto inteiro e gostaria de viver em um país (pra não dizer um mundo) em que a maioria das pessoas tivessem o mesmo grau de instrução e capacidade de comunicação e persuasão que você demonstrou. Acredito que quanto mais pontos de vista houverem em um debate, mais esse debate será enriquecido.

    Adianto que não sou filiado a nenhum partido político e não sou simpatizante de extremismos. Dito isso gostaria de perguntar: você acredita que o sistema capitalista no qual vivemos hoje seja benéfico pra maioria da humanidade? E acredita que o sistema “democrático” brasileiro represente a real vontade da maioria da população?

    Pergunto isso pois ao acabar de ler seu texto meu deu a impressão (veja bem, a impressão) de que você concorda com o que está posto aí. Não com quem protagoniza, isso fica claro no campo político, mas a minha pergunta é sobre o enredo da peça, e não sobre os atores.

    Não que eu tenha a resposta para essas perguntas, mas na minha modesta opinião o problema que enfrentamos é maior do que “troquem os atores e continuem encenando esta peça”

    Obrigado pela atenção.

    • flaviomorgen11 de novembro de 2011 às 23:24Autor

      André, obrigado pelas palavras. Mas isso é fácil de responder: mal vivemos num regime capitalista. Temos quase 40% de carga tributária. Um montante achapante de mais uns 40% são sonegados. Em Cuba, menos de 40% é dinheiro do governo, o resto é negociado na ilegalidade. Economicamente, portanto, já vivemos o socialismo: com a diferença de que aqui ainda é legal ter propriedade privada e empresas.

      Ou seja: sim, quando comparo os índices de IDH com os índices de liberdade econômica, onde tomamos um couro e vamos parar lá perto de teocracias e países que mal saíram da Cortina de Ferro, vejo que o capitalismo é que gera riqueza. Simplesmente TODO país com alto IDH tem alta liberdade econômica. É inescapável.

      Quanto ao modelo democrático, definitivamente não. Mas como suprir liberdades democráticas? Melhor lidar com elas. De toda forma, sigo um modelo mais restrito de representação – acho que uns caras que concordariam comigo seriam Benedetto Croce, H. L. Mencken, Santayana, Ortega y Gasset, Chesterton, Unamuno, Nicolás Gómez Dávila, Kierkegaard….

  36. Rodrigo Leme11 de novembro de 2011 às 00:32

    Juro que fiquei no aguardo dela dizer CORRE BINO, É UMA CILADA!!!

    Não é que essa galera não gosta de estudar, é que faltou orientador vocacional para direcionar para artes cênicas.

  37. Thiago - RJ11 de novembro de 2011 às 00:08

    Já que a insônia domina…

    Olha, Flávio, seus textos sobre a USP são muito bons, e tal, mas você simplesmente não viu algo muito, muito importante. Que, aliás, ninguém mais viu. É o ponto mais importante. Na USP, o que está fazendo falta é… Greenpeace. Hein?

    Sério. Eu imagino que esquerdista-maconheiro seja incompatível com esquerdista-verdopata. Ok, eu sei que eles estão unidos na não-leitura de “O Capital”, “Moral e Revolução” e todos os “Cadernos do Cárcere”, e que são os únicos seres virtuosos do espectro político-ideológico, se preocupam cozoprimido, coisa e tal… Mas quero crer que os militantes do cânhamo não são bem vistos pelos fiscais da emissão de carbono, que devem ficar irritados até com flatos bovinos. Então… aquele pessoal “revolucionário” da FFLCH queima mato à beça. Onde está a milícia da Marina Silva quando a gente precisa dela? Pra cima dos poluidores?

    Coloquem uma galerinha das ONGs ambientalistas ali para fazer um contraponto (agora é separado ou junto? Maldita reforma…) ao povo que, sabe como é, contribui direto para o desmatamento e para o aquecimento global. Aliás, os alunos de Geografia poderiam fazer um trabalho sobre alteração do micro-clima, criação de ilhas de calor etc etc nos arredores do prédio da fefeleche, correlacionando-os à queima da erva do capiroto. Que tal? Aí, podem até participar eles própios da “pesquisa de campo”, fazendo “experiências controladas em laboratório”… podem rolar uns narguilés… tudo pela ciência!

    Na boa, acho que pode dar certo. É inédito, eu sei: ninguém nunca pensou em combater esquerdopatia com esquerdopatia. Seria um encotro um tanto, digamos, endofágico. Mas argumentação racional funciona com um ou com outro? Deixa os grupos se encherem o saco reciprocamente. Capaz até de o projeto do Novo Código Florestal ganhar uns adeptos, tamanha é a ecochatice.

    O único problema seria os pápis conservadores e reacionários dos filhotes da vanguarda beckista resolverem o impasse comprando uns créditos de carbono para a descendência. Alguém logo puxaria um papo de “reflorestamento”; adivinha de que seriam as “mudinhas” que os caras iam querer plantar?

  38. Letícia Coelho11 de novembro de 2011 às 00:06

    Flávio,
    Só a histeria justifica os gritos da moça. Fico na dúvida se o ponto alto dos gritos foi o “mostra o rosto” de máscara, ou ” estou sendo violentada” com a câmera na mão, caminhando e os dois policiais sendo filmados CONDUZINDO outra pessoa.
    Tchê, como escrevi naquele texto do meu blog, o que as pessoas não entendem é que quando o choque chega não é para pegar tua mão e te conduzir até o assento mais fofo do local e sim para cumprir a lei. Se o pessoal continuar nessa vibe, logo, PM terá que prender ladrão da seguinte maneira: ” Por gentileza, senhor ladrão, eu gostaria de lhe prender, mas só se você concordar”, pq não é possível que essa gente marota e estudada não saiba que existe ainda legislação nesse País. Tem estudante que reclama que só estava jogando ovo no policial e tomou cacetada na cabeça… Daí eu te pergunto se um policial cercado de gente agressiva vai diferenciar um ovo de uma pedrada.
    Eu li um post muito bonitinho em um blog progressista que o título já era um indicativo da asneira, mais ou menos assim: ” Nós não queremos a PM fora da USP, queremos fora do mundo”. Daí fiquei com aquela sensação que uma parte da humanidade realmente está involuindo. Esses cérebros inflados devem imaginar que se acabar com a polícia a violência acabará… Daí seguindo essa linha de raciocínio (oi?) para acabar com a burrice teremos que acabar com as escolas.
    Lamentável mesmo, é estudante querendo PROPOR o tipo de política pública para a segurança que será utilizada em um local que circulam mais de 100 mil pessoas por dia. Comparo isso a um amontoado de confeiteiros ensinando bombeiros a apagar incêndio.
    Esse mundo tá ao contrário, tchê!
    Ótimo post!

  39. L.M.10 de novembro de 2011 às 23:59

    Apenas um adendo dos mais interessantes: a autora do vídeo mencionado no início do post não é coisíssima nenhuma moradora do CRUSP! Nem sequer estudante da USP ela é ou jamais foi. Eu a conheço, e até estimo, mas se fazer passar por moradora surpreendida na tranquilidade de seu lar por policiais malvados na calada da noite não dá. Se não afirma isso, permite que assim se pense, e de fato é como todos estão interpretando o vídeo.

  40. Otávio10 de novembro de 2011 às 23:31

    O termo idiota útil continua sendo a melhor descrição para esse tipo de lunático.
    A diferença na relação canditado/vaga da FFLCH com a do concurso dos “gambés” é brutal.
    Já li toda a saga (hahaha) dos seus textos sobre este episódio, acho que paro por aqui. Culpa da mediocridade dos personagens, o que você não pode alterar, a não ser que transforme numa ficção-marxista-científica. :)

  41. Ben10 de novembro de 2011 às 23:20

    Vítimas do que e de quem? Dispor de uma equipe de advogados e fartos recursos financeiros para o pagamento de fianças é coisa de quadrilha organizada. Não existem evidências que indiquem que os arruaceiros tenham sido presos por motivos políticos, crimes de opinião, cerceamento da liberdade de expressão, desrespeito aos direitos humanos e por falta de transparência das autoridades constituídas.

  42. danir10 de novembro de 2011 às 22:41

    A atuação da polícia foi impecável. Só está faltando uma autoridade assumir definitivamente que a ordem vai ser mantida e quem a desrespeitar vai ser atingido pelo braço da lei sem nenhum arrego. Esta turma é contraventora, venal, desonesta, ignorante, arruaceira e naõ tem apego por nenhum valor que seja digno de nota. Alem de serem preguiçosos e incompetentes. Eu não os contrataria nem como contínuos, que devem ser no mínimo confiáveis e prestativos.
    Uma lástima, que nos fazem balançar a fé na pessoa humana. Uns coitados.
    Tenho algumas teorias a respeito, que um dia vou colocar em um comentário, esperando que tenham paciência com minha ousadia, e me leiam. Afinal sou só um pai de família sem um diploma da USP, que precisa trabalhar para sustentá-la e nunca teve tempo para as frescuras destes desocupados, que vivem como cracas ou outros tipos de parasitas.

  43. Ben10 de novembro de 2011 às 21:34

    Os esquerdopatas devem ser sadomasoquistas. Eles querem porque querem apanhar da polícia. Jogaram pedras na polícia, fizeram a maior baixaria, e mesmo assim não levaram as cacetadas que mereciam. Além de não terem conseguido interpretar o papel de vítimas do autoritarismo, conseguiram a incrível façanha de colocar toda a opinião pública contra eles.

  44. Jorginho10 de novembro de 2011 às 21:12

    Flávio, baita texto! Muito bom mesmo!
    Já era seu leitor/admirador, mas depois dessa aqui:

    Toda vez que o vento fecha a porta do seu quarto, grita imediatmaente: “Cárcere privado! Cárcere privado!”.

    Agora você virou meu norte intelectual!!! Muito boa!!! Fazia meses que nao ria tanto…

    Abs

  45. Russo10 de novembro de 2011 às 21:02

    Incrível. Texto excelente =D

  46. Jaime10 de novembro de 2011 às 20:58

    Será que a moça dos “tempos áureos da ditadura” é a musa do lixo?

    • flaviomorgen11 de novembro de 2011 às 22:47Autor

      Eu vi a musa do lixo discursando no dia daquela foto, ainda com aquela roupa. Estava rouca, então não posso reconhecer a voz. Mas sabe que esse povo sempre parece idêntico, né?

  47. Thiago - RJ10 de novembro de 2011 às 20:31

    O primeiro foi Fatality. Mas este é Brutality!

    Só um toque, Flávio:

    Se alguém vier te dizer que os pobres não financiam a USP porque sequer pagariam Imposto de Renda, ou qualquer baboseira do tipo, lembre à cambada que a principal fonte de arrecadação de um Estado – e isso é especialmente verdadeiro no caso de São Paulo, cuja economia é gigantesca – é o ICMS, imposto de competência estadual e indireto. O “indireto” quer dizer que é um imposto sobre o consumo, cujo custo econômico é repassado para o último elemento da cadeia econômica: o consumidor final. É nozes.

    Isso quer dizer uma coisa só: todos os que comprarem a mercadoria “X” suportarão o mesmíssimo encargo financeiro do imposto, não importando se o sujeito mora no Itaim Bibi ou no Itaim Paulista (até eu sabia a diferença, Haddad!). Não importa se o cara ficou isento e teve devolução na Declaração de Ajuste Anual no IR. Não importa se o cara não é contribuinte de IPVA ou de IPTU porque não possui automóvel ou imóvel próprio.

    Então, quando o pobre consome algo, ele sofre a mesma “carga tributária” que o rico que consome esse mesmo “algo”. E há coisas que todos consumimos,independentemente de poder aquisitivo, não é mesmo? Alimentos, produtos de limpeza, serviços intermunicipais de transporte (na Grande SP, você troca de Município sem trocar de rua, tamanha é a conurbação). Imagine o quanto de ICMS não vai num moletom da GAP ou num par de óculos da Ray Ban… as originais, né? As da 25 de Março não valem (aqui no Rio, a gente diria “da Uru”, referência ao camelódromo da Rua Uruguaiana). Mas quem compra na C&A, na Marisa e na Leader Magazine, e não na Hollister, também acaba sendo contribuinte de fato do ICMS.

    De fato, as empregadas domésticas das residências dos “revolucionários” também pagarão a conta dos reparos aos danos materiais, como já pagam para que eles próprios estudem na USP. Muitas delas, por sinal, moram em áreas territorialmente dominadas pelos fornecedores da “mercadoria” que os três alunos pegos em flagrante estavam a consumir…

    • flaviomorgen11 de novembro de 2011 às 22:45Autor

      Poi zé, Thiago. Mas se você sequer explicar isso pra eles, vão te considerar burguês e filhinho de papai por… por… ahn, por saber de algo de Economia, quando todo mundo sabe que pobre está preocupado com poesia concretista.

  48. Dan10 de novembro de 2011 às 20:22

    E saiu hoje no Globo entrevista com os pais do estudante assassinado, obviamente enojados com essa palahaçada dos arruaceiros da USP – destaco só esse trecho do depoimento da mãe:

    “- Arrumaram quase R$40 mil para tirar da cadeia alunos que não queriam nem sair, enquanto faz SEIS MESES que meu filho morreu e NUNCA NINGUEM DE SINDICATO OU DA USP DEU SEQUER UM TELEFONEMA PARA NÓS. Recebemos só o telegrama de um professor do Felipe, em nome dele e de alunos da classe. Foi a ÚNICA MANIFESTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE.”

  49. Carol10 de novembro de 2011 às 19:17

    Se quer saber, é de uma felicidade sem tamanho ficar alheia de todas essas picuinhas disfarçadas em discursos de guerra e de paz dessa gente…

    Meu pai trabalhava no torno mecânico na época da ditadura. Nunca entrou em nenhuma greve. Nunca se filiou a nenhum partido. Para ele, a ditadura era boa. Eu sei que não era, mas na cabeça dele – de trabalhador, pai de família – era mais fácil, porque sempre tinha polícia na rua (sensação de segurança), porque comida e moradia eram acessíveis… Meu próprio pai é um paradoxo do que eu acredito – e estou bem longe de socialismo e blá blá blá…

    Eu acredito em liberdade – tanto que estou aqui, opinando, como o faço sobre tudo e em todos os lugares (a chata). Mas a minha liberdade termina onde começa a sua. Se eu te xingar (ou a qualquer um deles) eu perco a minha razão. E pronto.

    Se (e somente SE) os policiais tivessem agredido (principalmente a garota do vídeo), eles teriam perdido a razão. E aí, sim, poderia haver qualquer reclamação ou denuncia. Mas não. Nenhum desses estudantes – que discursam tanto sobre LIBERDADE – se preocupam com a liberdade além do próprio umbigo – com o próximo!

    Parece papo de gente que não corre atrás. Ter tudo na mão é fácil, sair de casa com 18 anos pra correr atrás de uma carreira de verdade, não deve ser… Ter papai e mamãe pra cuidar? Putz, quem me dera meu pai, hoje aposentado e idoso, pudesse me sustentar. Quem me dera, com 23 anos, me preocupar com Marx e Weber ao invés de me trabalhar 10hrs por dia pra pagar meu aluguel…

  50. observador10 de novembro de 2011 às 18:44

    Talvez vocês tenham sido hackeados, estou recebendo um mensagem de cavalo de tróia ao entrar no site de vocês.

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