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Nelson Mandela, homem e mito. Mas ainda há outra coisa que precisa ser revista: o apartheid.

Muito se discutiu se Nelson Mandela é um herói ou vilão nos últimos dias. Mas é preciso saber interpretar além do senso comum o próprio regime do apartheid.

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Nelson Mandela partiu na penúltima sexta-feira. Todas as principais revistas do país correram contra o tempo para estamparem “Madiba” na capa, mesmo fechando na própria sexta-feira.

Quantas biografias você já leu sobre Nelson Mandela? Não é de se surpreender que as opiniões que pulularam na última semana sobre o líder negro da luta contra o apartheid tenham sido baseadas nas reportagens de ultíssima hora feitas por jornalistas que tampouco pesquisaram a vida de Nelson Mandela antes do dia 5 de dezembro.

Nelson Mandela é um dos ícones sagrados, mitológicos e intangíveis em sua posição acima do bem e do mal – perfeitos como idéias platônicas, a visão que se tem destes mitos é virginalmente distanciada de quem são essas mesmas pessoas na realidade suja e dura. Martin Luther King, Mahatma Gandhi, Ayrton Senna, John Lennon, Chico Buarque ou Paulo Evaristo Arns são dessas figuras tratadas como se fosse dever moral admiti-las como super-humanas e aceitar sua perfeição absoluta em sua inteireza, sem nunca criticá-las ou bocejar enquanto falam.

mandela.communistMas sua função maior mesmo é de ícone. Tal como pessoas usadas como símbolos por quem desconhece quem são de verdade (Guy Fawkes, Che Guevara, Malcolm X, Simón Bolívar etc), as figuras reais que inspiram a “luta pela paz, tolerância, justiça e igualdade” (dentre outros slogans cujo sentido nunca é definido claramente) foram campeãs nas injustiças e perseguições aos inimigos de seu projeto de poder total para controlar e “consertar” a sociedade.

Muito já foi dito sobre Nelson Mandela na última semana, como o apanhado de Rodrigo Constantino, Mandela: o outro lado. O líder da luta contra o apartheid foi preso por terrorismo. Mesmo dentro da cadeia, orquestrou uma operação com Oliver Tambo que explodiu um carro-bomba que deveria chegar a um prédio público. Parado no trânsito, o carro explodiu no famoso caso Church Street Bombing, matando 19 civis em uma área comercial.

A maior parte das vítimas dos atos do Umkhonto we Sizwe, o braço armado do partido de linha comunista de Nelson Mandela, foram civis. Mandela também teve uma proximidade ideológica com tiranos como Fidel Castro, além de receber até apoio financeiro de Muammar Kadafi, Yasser Arafat e o comunista do Zimbábue há 33 anos no poder, Robert Mugabe.

Mais do que tudo, saiu da prisão e subiu ao poder com apoio dos traficantes de diamantes de Botswana e Namíbia, primeira parada do tráfico que usa trabalho escravo em toda a África, do Congo a Serra Leoa. Quando Leonardo di Caprio fez o filme Diamantes de Sangue para denunciar a terrível condição dos serra-leoneses, Mandela foi o primeiro a criticá-lo e afirmar que nada do que aparecia no filme era verdade – para proteger seus antigos cupinchas.

Mandela começou a ser conhecido melhor na última semana.

Todavia, é preciso também conhecer melhor algo maior do que sua luta política, sua ideologia extremista burilada para transformá-lo em um símbolo de convivência e tolerância entre povos e o fato de ser um líder negro da África do Sul. É preciso que se entenda de verdade o que foi o apartheid.

apartheid visto de perto

O regime que perdurou de 1948 a 1984 é visto como um dos símbolos máximos da opressão do homem branco ocidental contra os pobres da África ainda em tempos recentes, como um obscurantismo que insistiu em sobreviver aos tempos progressistas do séc. XX. Como se apenas o racismo e preconceito dos brancos holandeses e ingleses tivessem “criado” um regime com o fito único de prejudicar, perseguir, ofender e minorizar a população negra do continente.

Conforme excelente artigo de Selwyn Duke na melhor revista do mundo para atualidades, a American Thinker, a realidade é bem distante dessa versão plana e simplória. Os primeiros brancos a chegarem à África do Sul e instalarem seus assentamentos por lá datam de 1652, enquanto a maior parte dos ancestrais das atuais populações negras que migraram tão para o sul do continente chegaram lá depois.

Afinal, como a vida na África do Sul “racista” era largamente preferível àquela nas nações ao redor, ela foi por muito tempo atrativa para negros migrantes. De fato, devido a este fator e às altas taxas de natalidade entre os negros, a demografia negra da África do Sul aumentou 920 por cento desde 1913. Esta é a principal razão pela qual a população do país aumentou de 6 milhões no começo do século passado para 52 milhões hoje, enquanto a demografia branca aumentou apenas 3,3 milhões durante este período. (grifos nossos)

Como escrevi no prefácio do livro A mentalidade anticapitalista, de Ludwig von Mises, lançado pela Vide Editorial, é preciso lembrar que o estado natural do homem é a pobreza absoluta, e não a riqueza. As populações da África sempre foram pobres, famélicas, como as populações de todo o globo antes dos primeiros assentamentos civilizacionais que começam a criar riqueza onde antes ela não existia. Riqueza, afinal, é criada, e não está “pronta” na natureza, sendo apenas tomada pelo mais forte do mais fraco (a dicotomia mentirosa entre “opressor” e “oprimido”, que permeia 11 em cada 10 formadores de opinião no Brasil).

Com os brancos criando riqueza, as populações que viviam sob regimes de negros em povoados ao redor começam a migrar em massa para a África do Sul para poder compartilhar um pouco dessa fartura. Os brancos tomaram distância de culturas tão distintas, mas pelo mesmo motivo “que as tribos Sioux e Cheyenne não conviviam na América do Norte, ou que os lombardos e alanos viviam separadamente na Europa bárbara”.

O natural e o que 100% da humanidade fez com pessoas desconhecidas, que comungam de outros valores, culturas e laços sangüíneos. Por natureza, eles vivem à parte.

Porém, justamente pela África do Sul ter sido colonizada por britânicos e afrikaners (holandeses), que mantinham uma mentalidade cristã e cultivavam a participação política (“democrática”, em sentido não-clássico), os negros que eram contratados pelos brancos e recebiam educação ocidental e falavam línguas européias passavam a também ter o sentimento de pertencimento a esse país que ia surgindo, a África do Sul – país, afinal, mais rico da África com seus governantes negros.

Isto criou uma situação interessante. Se os brancos tivessem mantido separação completa – se eles tivessem e pudessem evitar qualquer contato com as tribos africanas – não haveria Nelsons Mandelas (pela mesma razão pela qual nativos amazônicos que não conhecem nada além da cobertura de sua floresta não fazem pressão por direitos de voto). Se, como ocorreu com os japoneses e o povo indigente de suas ilhas, os Ainus, os brancos da África do Sul viessem a surpassar em número e em grande medida subjugar as tribos, não haveria ninguém de nota para fazer pressão por nada.

Mas, afinal, “a África do Sul não é uma ilha e migrantes africanos podem facilmente cruzar a fronteira em grande número”. Para aumentar o imbróglio, a população negra surpassava a branca na razão de 10 para 1.

Uma mesma população branca que trouxe conceitos de democracia para um continente em que eles nunca existiram fez o que mesmo tribos negras que não conjugam dos mesmos laços fariam: criaram um sistema em que a representação, economia e civilização dos brancos ficava à parte, separada dos negros (só a África do Sul tem 11 línguas oficiais, muitas de tribos que não aceitariam dividir a mesma mesa).

Obviamente, é claro que houve ações racistas e o apartheid, sistema de segregação, era imoral e insustentável – fora a facilitação a atos de violência e discriminação contra negros dadas por este sistema, que lembrava a categorização por sangue das antigas sociedades antes do capitalismo (este sistema em que erroneamente crêem que existem “classes sociais”).

Porém, estes atos discriminatórios existem em qualquer sociedade – e qualquer sociedade teria criado um sistema de não-participação e não-convivência quando, justamente, o sistema político era uma democracia e as decisões, baseadas no número, implicavam a destruição política e, muitas vezes, física justamente de quem implantou tal sistema de participação.

As instituições, valores e sistemas de avaliação que o próprio Ocidente implantou na África seriam inevitavelmente utilizadas para destruir quem as implantou – além de serem julgados por elas próprias.

Enquanto negros matam negros, o Ocidente acha tudo “normal”. Os brancos da África, mesmo quando enriquecem a população e lhes garantem o primeiro esgar de república, só são lembrados quando precisam ser culpados. A África do Sul, como bem define Selwyn Duke, é como George Zimmerman: o acidente de um branco contra um negro que chama a atenção de toda a mídia, enquanto a violência brutal em escala continental de negros contra negros é ignorada.

mandela_arafatSe fosse uma tribo negra que tivesse feito o mesmo para garantir sua segurança e integridade cultural, qual seria o problema? Não teríamos hoje multiculturalistas às mancheias defendendo seu direito sagrado à sua preservação no passado? Se vemos estes beleguins da pureza cultural defendendo tribos indígenas que enterram vivos bebês rejeitados ou mesmo a punição da mutilação genital muçulmana, esta religião de fanáticos, sob beneplácito explícito do movimento feminista, só podemos crer que tal cenário de defesa mundial do apartheid só não ocorreu pela quantidade de melanina na pele de quem havia criado tal sistema político.

Na verdade, não é preciso nem conjecturar pelo subjuntivo “se”. O continente africano inteiro está tomado por guerras tribais extremamente mais violentas do que o apartheid – com a diferença de que, na batalha entre tutsis e hutus em Ruanda, por exemplo, nenhum crítico ocidental vê como “política racial” quando um grupo negro toma o poder e pratica o genocídio sobre uma tribo rival. Tampouco percebe que governos autocráticos da África nunca precisaram fazer uma política à parte de outro grupo por não governarem democraticamente, e sim autocraticamente.

Thomas Sowell, o maior economista vivo do mundo (e tão negro quanto Nelson Mandela) lembra que é preciso saber diferenciar preconceitos, comuns a toda a humanidade por mera questão de gosto (até mesmo estético) de ações de discriminação. Porém, mais importante, também é preciso distinguir racismo de choques culturais, que a mentalidade das últimas três décadas (ao menos) inventa de tratar como uma única coisa o tempo todo.

Ora, até mesmo o crítico literário Terry Eagleton, marxista (autor de “Why Marx was right”), criticou essa visão rasteira da esquerda mundial. O multiculturalismo parte de uma premissa extremamente discutível, a de que é sempre vantajoso ter mais de uma escolha à mão para interpretar fenômenos sociais.

mandela kadafiTal superstição cai rapidamente por terra quando o multiculturalista é convidado a aplicar sua teoria para suavizar o pensamento de quem nega que o Holocausto de fato ocorreu, ou então os neofascistas, os Hell’s Angels ou, quem sabe, até mesmo o inocente Tea Party (inclusão nossa). O multiculturalismo cai muito bem para manter o estado presente intocado da Islândia, da comunidade marítima ou da ilha de Komodo. A realidade que, por sua complexidade, é capaz de gerar polêmica e conflito, é justamente o grosso para o qual o multiculturalismo vai do anódino ao pernicioso.

No fim, torna-se apenas uma teoria chique para ser arrotada com ares de empáfia e pretensa erudição nada crítica apenas para dizer que toda sociedade é boa e justificada, exceto a sociedade ocidental, aquela única que nasceu da auto-crítica, da ironia filosófica, da tolerância e agregação de outras sociedades e que permitiu que se florescesse… o multiculturalismo.

Ainda assim, a idéia de segregar algumas pessoas a uma segunda classe pode ter suas origens históricas, mas é incompatível ao fim e ao cabo com a própria universalidade da cultura ocidental – exceto para os multiculturalistas que nunca permitiriam isso para mulheres, gays ou negros, mas nunca vêem problema com a hierarquia da sociedade islâmica.

A África do Sul, o povoamento que deu origem ao país mais rico do continente africano, deveria ter tido um destino mais óbvio: a divisão do país – o tipo pacífico e sensato de “apartheid” que o Ocidente soube conduzir para a Iugoslávia após seu esfacelamento depois de anos de terror, crimes contra a humanidade e limpeza étnica do socialista Slobodan Milošević – métodos sempre utilizados pela esquerda no poder e que não deixaram de ser utilizados, afinal, por Nelson Mandela.

O líder negro visto de perto

Se você é um líder negro e se preocupa com a vida dos negros, a primeira coisa que deve se preocupar é em mantê-los vivos. A partir do período em que Mandela foi presidente, as taxas de homicídio dispararam insanamente, tornando o país um dos lugares mais perigosos do mundo.

A África do Sul tem 44 homicídios por dia. São mortos 20 brancos a cada 24 horas. Com uma densidade demográfica de 10 para 1, não é preciso perceber que tais crimes têm motivação racial. O famoso racismo de negros contra brancos que, graças à tirania do estúpido pensamento politicamente correto, é “ignorado” em nome da hipersensibilidade. Ao menos nisso Mandela foi inovador com seu discurso contra “os preconceituosos” e “intolerantes” (qual injustiça em escala massiva não foi praticada exatamente sob auspícios do mesmíssimo tipo de discurso? quantos terroristas e fomentadores de guerras já não ganharam o Nobel da Paz?). Os negros continuam morrendo, mas as mortes de brancos se tornam mera estatística.

Em julho de 2012, uma família branca foi morta de forma chocante até para padrões africanos. O pai foi atacado com um taco de golfe e uma faca, enquanto a mãe era estuprada. Ambos form mortos a tiros. Os três assassinos não gostaram de como “eram tratados” pela família branca.

O filho de 12 anos do casal, Amaro Viana, “para não reconhecê-los”, sofreu uma sevícia indescritível: aos soluços, foi amordaçado e afogado em uma banheira escaldante. Com nenhum avanço na qualidade de vida dos negros, um crescimento econômico irrisório e a boa e velha planificação e centralização socialista, a herança de Nelson Mandela como presidente pode ser resumida hoje, quase 30 anos depois, por esse tipo de crime se tornando comum.

amaro family south africa

Se quer saber qual tendência política se preocupou com tal violência, não precisa ter a menor dúvida: não foi a esquerda.

A violência da África do Sul transformou a ocupação de fazendeiro “branco” (Boer) na profissão mais perigosa do mundo. A taxa de homicídios é de 310 a cada 100.000 por ano (as taxas de homicídio na Londres dos “colonizadores” malvados, que aceita negros sem problema, é de 3 a cada 100 mil). É difícil pensar em violência minimamente comparável em todo o meio século de política do apartheid, de não-compartilhamento de instituições e crescimento econômico tratado à parte entre etnias.

Os Boer foram expulsos do vizinho Zimbábue pela reforma agrária do socialista Robert Mugabe, que estatizou as terras dos “brancos”. O resultado é apenas mais socialismo: fome, fome e fome. Mandela tentou o mesmo, apenas mais lentamente: criou cotas anti-brancos que apenas os jogaram na pobreza, além de expropriar os frutos de seu trabalho.

mandela mugabeHavia 128 mil fazendas comerciais em 1980. Hoje, são 40 mil. O partido de Nelson Mandela até hoje nega a perseguição racial. Com a retórica sakamotiana de sempre, o governo apenas diz que os brancos são vítimas por serem “ricos”. É certamente um fator, mas isso não explica crimes como uma vítima branca amarrada atrás de seu veículo e arrastada até seu rosto ser completamente esfacelado no asfalto (algo como usar a esparrela da “desigualdade social” para explicar o crime contra o menino João Hélio, quando até um de seus assassinos tinha carro em casa). Ou adolescentes espancados até a morte depois de seus pais serem mortos. Ou um bebê de dois anos jogado em óleo fervente.

Isto, é claro, apenas falando da violência privatizada, típica da esquerda pós-Cortina de Ferro no poder. A violência do próprio partido comunista de Nelson Mandela, que arrancava lábios e línguas de negros africanos que falassem mal do comunismo, nem entra na conta.

Genocide Watch classifica a África do Sul no sexto estágio do processo de genocídio. O sétimo é o último – e significa extermínio.

Isto não será lembrado pela polícia sul-africana, corrupta e ainda dominada pelo partido de Mandela – muito menos será lembrada nesses dias em que Mandela é incensado como herói e os brancos sul-africanos apenas são lembrados para serem culpados por tudo.

mandela fidelMandela não disse muito a respeito da violência contra os Boer. A violência contra os kulaks na Rússia stalinista começa criticando “os fazendeiros ricos, que escondem grãos do confisco” – e depois o epíteto passa a ser usado como um xingamento para qualquer um (como “coxinha” ou “reaça” hoje) – e termina matando de fome cerca de 7,5 milhões de ucranianos em dois anos de paz. O nacional-socialismo começa criticando judeus por serem ricos, e termina desviando a guerra para o “problema judeu” e enviando um terço dos judeus europeus para câmaras de gás Lá como cá, o partido de Mandela é famoso por cantar desabridamente a canção Kill The Boer, mesmo com pedidos nacionais e internacionais para não fazê-lo.

Sua letra diz “We are going to shoot them; they are going to run. Shoot the Boer; shoot them, they are going to run. Shoot the Boer. We are going to hit them; they are going to run; the Cabinet will shoot them with the machine-gun. The Cabinet will shoot them with the machine-gun….” – palavras extremamente semelhantes ao hino nazista, a Canção de Horst-Wessel, jurando vingança: Kam’raden, die Rotfront und Reaktion erschossen, Marschier’n im Geist in unser’n Reihen mit” (“Camaradas, baleados pela Frente Vermelha e pelos reacionários, Marchem em espírito em nossas fileiras”).

Não há muito espaço para interpretação aqui. Podemos ver aqui o atual presidente sul-africano, do partido de Mandela, animado cantando a canção jurando matar os brancos, fazendo o Exército dançar.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=6fzRSE_p1Ys[/youtube]

O antigo líder do partido, Julius Malema, também cantava tal música, mesmo com a proibição.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=OIsO78kkJP0[/youtube]

Aliás, Nelson Mandela passou décadas no cárcere cumprindo prisão perpétua, mas foi solto. Com a pressão internacional (da mesma cultura ocidental mais parecida com o apartheid do que com qualquer cultura africana), o presidente J. W. Botha ofereceu-lhe a soltura em 1985, desde que prometesse não mais se envolver no terrorismo e na luta armada contra os brancos. O Prêmio Nobel da Paz recusou. E mesmo depois de aprender a florear seu discurso e fazer como líderes populistas de esquerda (falar em “igualdade”, “solidariedade” e termos agradáveis em seu discurso, mas defender o terrorismo, a expropriação e a violência na prática), não deixou de ser flagrado algumas vezes também cantando músicas prometendo genocídio.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=NKiePbTcAfY[/youtube]

O nosso Mandela

O grande gigante da paz, homenageado em todas as revistas do Brasil como “o último herói” ou alguém que nos ensinou que vale a pena lutar por sonhos, era um terrorista. Teve, naturalmente, algumas qualidades que devem ser admiradas – são poucos os que passam 27 anos na cadeia e saem de lá com uma mensagem de conciliação e perdão. Todavia, é preciso saber deslindar o que dizia como político e o que fazia na realidade prática.

Nelson Mandela - necklacingMandela aplicava a típica torção da esquerda que jura que não é comunista (mas sempre é). Negava que fazia parte do Partido Comunista, mas além do seu apoio a Fidel Castro, era também apoiado pelo Partido Comunista sul-africano. O Umkhonto we Sizwe recebeu apoio financeiro de Muammar Kadafi (um Nelson Mandela da Líbia) e da União Soviética. Além de subir ao poder com ajuda dos traficantes de diamantes, também era defensor dos casamentos forjados, para facilitar a manipulação das rivalidades tribais.

A violência em nível comunista é familiar a Mandela. Mesmo “agentes do inimigo” (essa outra particularidade excêntrica de regimes comunistas e seu centralismo brutal) eram torturados, como o próprio Mandiba admitiu que era método de sua organização – contra, claro, companheiros negros. O famoso “microondas”, dos traficantes do Rio (prender alguém em pneus molhados com gasolina e depois atear fogo), chamado na África do Sul de necklacing, feito só no pescoço, era uma técnica apoiada pela mulher de Mandela nos tempos de militância, Winnie.

Tal grau de violência sempre é admitido por esquerdistas quando conversam entre si, esquecendo-se que algum “agente do inimigo” (alguém que não comunga da idéia de assassinar rivais para concentrar poder nas próprias mãos) podem acabar ouvindo.

cynara mandela mujica

lula_kadafiO jornalista da revista Istoé Leonardo Attuch disparou: “No Brasil, o único líder político que, guardadas as proporções, pode ser comparado a Nelson Mandela é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, que, segundo ele, combateu o “apartheid social”. Attuch está tentando elogiar Lula, mas a despeito de não podermos considerar um elogio, ele está certíssimo. Ninguém se parece mais com Mandela no Brasil do que Lula.

Inclusive na amizade com Fidel Castro. Inclusive na amizade com Muammar Kadafi, que Lula chamou de “meu amigo, meu irmão, meu líder”. Inclusive em defender uma conciliação para ganhar votos e admiradores que pouco os estudaram da boca para fora, e defender um sistema em que a violência oficial ou privada é patrocinada por eles próprios (no caso brasileiro, com as ligações do PT com as FARC, o PCC, o CV e o discurso coitadista com a bandidagem).

Attuch termina criticando Joaquim Barbosa, que teria tornado os petistas “presos políticos”, e diz que “aos que se sentem injustiçados por ele, resta o consolo de ‘Mandiba’: ‘Podem nos tirar tudo, menos nossa alma e nosso coração'”. Não se sabe na verdade se a violência brasileira e seu patamar de 50 mil homicídios por ano, com bandidos defendidos sobretudo pelo partido de Lula, chegará a arrancar corações algum dia. Mas, vendo desse lado, é verdade que, fora nossa alma, os cupinchas de nosso Mandela brasileiro parecem estar dispostos a tirar tudo de nós.

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