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25 de julho de 2011

Terrorismo na Noruega: caçando mocinhos e bandidos

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por Flavio Morgenstern*

 

Pergunte-se a um Homo brasilis médio por que o Brasil não vai pra frente e há uma alta chance de a resposta ser: Educação. É a nova panacéia para nossa miséria. A despeito da verdade óbvia da asserção, suas justificativas padrão são um pouco mais insólitas: com educação, o povo votaria direito. A atividade política democrática é entendida como a melhor escolha entre candidatos que ninguém escolheu, com o tempero de alguns piquetes e greves ocasionais.

A educação de Humanidades é voltada para a “conscientização” política. Diz-se trocar a informação pela formação. Além de se suprimir um “in” bastante inclusivo, a idéia é proibir o acesso do aluno a informações discordantes. Não se forma alguém sem informação. O trocadalho serve apenas para se diminuir a quantidade de informação dos discípulos e apelidar sua infantilização de boa ensinança.

A manobra deriva da aplicação da dialética marxista na pedagogia. Se a dialética aristotélica é a arte da boa discussão, identificação de argumentos e possível aquisição de conhecimento, o marxismo a transforma em um simples mecanismo de análise da História em que coloca a si próprio como o grande redentor: tese (feudalismo) precede antítese (capitalismo) que culmina em síntese (socialismo). Ainda que o socialismo nunca tenha vindo da falência do capitalismo (que continua alive and kicking mesmo depois da sua segunda maior crise, enquanto o socialismo sim ruiu sozinho), com seus defensores tendo sido os piores clarividentes do futuro no século passado, o método ainda é ensinado como a única verdade possível.

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Essa visão “dialética” é excelente para fomentar um preconceito bastante tolinho: a História se faz por uma briga entre mocinhos e bandidos (vocês conhecem o nome), e o que se deve atingir é um estado (ou Estado) em que todos passem a se amar como iguais – a História descobriu o que fazer contra os “bandidos” e os que traem tamanha caridade. Mesmo ao se analisar guerras e saldos de mortos, a “dialética histórica” está sempre torcendo para um dos lados. O lado dos mocinhos.

Adicione-se uma litania sobre ter um tal de “pensamento crítico”, que nunca ninguém descobriu quem estão criticando: não há uma dialética aristotélica entre dois argumentos, dois pontos de vista. Há apenas essa tal “crítica” que desconhece o que critica. O discurso “crítico” há muito, na verdade, é mero senso comum. Conhecer pensadores, acadêmicos ou não, que criticaram esses tais “críticos” é que é tarefa hercúlea.

É uma logorréia demasiado binárao para servir para Humanidades. Transforma alunos em um mero bit. É difícil concorrer em pensamento com computadores que possuem milhões deles. Não se cria idéias com um único bit. Apenas se diz “sim” ou “não”. As Humanidades brasileiras sofrem pela falta de criatividade política. A divisão política entre “direita” e “esquerda” parece supor que só existiram duas idéias políticas desde a Revolução Francesa até hoje.

Diga-se, aliás, que parte disso é verdade. Desde O Capital, pouco mudou na visão política, sobretudo na  – mas não se restringindo a – esquerda. A única idéia dos “críticos” de esquerda em um século em que dominaram as Universidades (o século mais populoso da humanidade) foi descobrir que a Guerra Fria acabou e eles perderam. Não que constatar um fato de proporções globais, consabido até por analfabetos, possa ser considerado “a segunda idéia da esquerda” em um século, mas é isso ou nada. É a esquerda do “precisamos de um novo discurso”. É a esquerda do “socialismo democrático”.

NÃO É COMIGO!

É com essa visão maniqueísta chumbreca que se quer analisar algo complexo como o recente atentato terrorista em Oslo, Noruega. Como disse o Magno Karl (@mkarl), de ambos os lados, o que se vê é a corrida bizarra para colocar todos os imbecis num grupo do qual você não faz parte.

Geralmente sabe-se tanto sobre a Noruega quanto se sabe sobre a Geórgia, com o diferencial de que a Noruega teve o black metal e o primeiro IDH do mundo para deixá-la mais famosinha. Foi um país que começou a se industrializar de verdade na segunda metade do séc. XX (razoavelmente ao mesmo tempo do Brasil). É a única democracia do mundo exportadora de petróleo (e talvez o único país do mundo que já era uma potência econômica e de qualidade de vida antes de descobrir o ouro negro). É uma social-democracia pesadíssima com índice de liberdade econômica encostado em paraísos fiscais como Bahamas, Malta, Barbados e Bahrein. Foi o país que Hitler proclamou como exportador da “raça pura”, mas que é um dos mais receptivos da Europa com imigrantes (que aparecem muito pouco por lá). Ao mesmo tempo em que faz parte da OTAN. Tudo junto e misturado, sem picles e embrulhado pra viagem.

hagar1 300x214 Terrorismo na Noruega: caçando mocinhos e bandidosÉ uma pretensão um pouco grotesca tentar compreender a Noruega e tirar daí lições de moral cívica através de nossas lentes “intelectuais” e “críticas” que só conhecem de orelha uns 3 intelectuais racionalistas da Revolução Francesa. Não se conhece nem escritores nobelizados como Bjørnstjerne Bjørnson (pesadamente criticado por Mencken), Knut Hamsun (do agonizante Fome, forte influência de Henry Miller) ou Sigrid Undset.

A discussão onde quer que se vá se resume a querer saber se o terrorista Anders Behring Breivik era: cristão ou ateu, pró ou contra Israel, de direita ou não. Como se agrupelhar à força o rapaz em alguma coletividade conhecida por nós, desconhecedores da História, ideologias dominantes e mesmo partidos políticos da Noruega, fosse servir para nossa identificação política. Como se o atentado fosse dizer algo a respeito de religião, de Israel ou da direita.

Anders Behring Breivik se define como um “Cavaleiro Justiceiro – Comandante dos Cavaleiros Templários Europeus”. Também fôra filiado ao Partido Progressista, que, apesar de reunir militantes de extrema-direita, não é um partido nacional-socialista: defende menos impostos e um desinchaço do Estado gigante norueguês (coisa bem aversa ao nacional-socialismo). Também é anti-imigração: não são defesas contraditórias na Noruega, por mais que nossa visão não-norueguesa acredite que uma coisa sempre precise estar vinculada à outra, por só conhecermos um pedaço ínfimo da História e acreditarmos que todo o resto pode ser explicado pelo que já sabemos. O que ainda não se conhece é sempre colocado como algo de somenos importância.

Outroladismo democrático

Pode-se perguntar agora se a defesa do “Estado mínimo” pelo partido é legítima ou não, visto que seus membros parecem fazê-lo mais por xenofobia, já que o Estado nórdico gasta bastante com auxílio social para imigrantes ilegais. Isso não tornaria o racismo menos errado, nem o Estado mínimo mais correto. Nem tornaria a imigração ilegal menos ilegal. O problema é que discutir os pressupostos do partido ou do que quer que seja nada tem a ver com a chacina. Se querem tanto ideologizar a matança, que ao menos ideologizem direito.

Com formação feita de desinformação, é sobejante difícil conhecer o outro lado das discussões. O princípio mais importante dos chamados “libertários” é bastante simples: não se deve agredir alguém violentamente. No entanto, a violência é justificada em retaliação ao primeiro agressor, ou em legítima defesa. Apesar de parecer universalmente aceita, não é uma teoria não aceita pela esquerda. Para o liberal/libertário, nenhuma conduta não agressiva pode ser punida com cadeia, portanto. Por isso que não aceitam impostos: é uma forma de forçar alguém a manter uma relação comercial (com o Estado), não podendo rejeitar o produto oferecido – e indo para a cadeia caso se tente rejeitar.

Parece em alguma coisa com o que prega e faz Anders Behring Breivik? Mas de que adianta, se basta dizer que é tudo “direita” e explicar o mal com um rótulo…

Note-se que mesmo um conservador favorável às idéias do liberalismo econômico (o que é bastante raro que se dê) deve agir assim. Se é contra a prostituição, as drogas, o homossexualismo ou outras condutas que lhe sejam reprováveis, nenhuma delas pode ser punível com cadeia. Toda a discussão deve ficar restrita ao âmbito das idéias, e não ao âmbito jurídico (coisa que os conservadores brasileiros nunca irão aprender, morrendo junto com outras idéias pré-colombianas). É o que defende um auto-intitulado “conservador cultural” como Walter Block, do imprescindível Defendendo o Indefensável (leitura obrigatória para quem quer ser um crítico de verdade, não um repapagaiador do professor). Parece em algo com o “conservadorismo cultural” de Anders Behring Breivik? Mas basta chamar de “extrema-direita” e todo o complexo problema está resolvido.

“Extrema-direita”, ademais, é um termo complicado. Se o capitalismo é “a direita” e seus freios são “a esquerda”, um libertário, que não passa de alguém que defende um ultraliberalismo econômico, não deveria ser a “extrema-direita”? Por que então uma visão nacionalista do socialismo ganha o título? A História não liga para ideologias ao criar taxonomias.

Breivik ainda afirma: “Precisamos influenciar outros conservadores culturais para que adotem nossa linha de raciocínio anti-racista, pró-homossexuais e pró-Israel”. Por que só a passagem “pró-Israel” parece arrebanhar todo um grupo odioso, mas no que tange a ser anti-racista e pró-homossexuais, todos sabem que a loucura está apenas em Breivik, e não em quem defenda isso?

“Nos indivíduos, a loucura é algo raro – mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra.” – Friedrich Nietzsche

O fato a ser constatado é simples: o guri é maluco. Aparentemente, enquanto não produzirem teses acadêmicas com este óbvio ululante, não se admitirá o fato.

Os psicopatas como ele seguem um padrão bem claro (poderiam trocar as insuportáveis aulas de marxismo por episódios de Criminal Minds). São bem articulados, isolados, não estabelecem laços profundos com outros humanos. Nunca precisaram de ideologia para matar. Quando matam por ideologias, em quase todos os casos já eram violentos antes, e é raro seguirem pari passu uma ideologia para sair por aí, bancando o Charles Manson. Ninguém vê uma ideologia nos assassinatos do Champinha – mas todos querem encontrar rapidamente uma ideologia que “justifique” Columbine, Realengo ou Breivik. Nenhuma ideologia defendida pelos 4 produziu assassinos em série, mas a sociopatia em 4 indivíduos produziu matanças. É tão difícil enxergar isso?

É óbvio que existem ideologias piores do que outras – do contrário, não as discutiríamos. Segundo outra sacada de Nietzsche, são idéias que se engalfinham – não indivíduos. A despeito dos que adoram rejeitar a ciência, ela, sem a totalidade unificadora da filosofia, causou inifnitamente menos mal à humanidade do que a filosofia e sua busca de uma verdade para a vida. A filosofia é a mãe de todos os totalitarismos – não a ciência. Mas mesmo algumas conclusões filosóficas demasiado desastrosas provocam genocídios – não indivíduos psicopatas. Uma ideologia se cura com argumentos. Já um louco não se cura com outra ideologia – e, sem nenhuma, continua sendo um louco.

norway islam terrorist 300x171 Terrorismo na Noruega: caçando mocinhos e bandidos

Terry Eagleton, em seu recém-lançado O debate sobre Deus – Razão, fé e Revolução, assinala: “Nada é mais antipolítico do que plantar bombas em locais públicos, mesmo em nome de uma causa política”. Uma pena não ter dado tempo do Breivik ler. O terrorismo é como a revolução marxista que ele tanto odeia: quer forçar mudanças na base da destruição, o que só faz com que as pessoas se unam contra a sua causa. Mesmo quando alguma coisa ou outra da sua causa seja lá defendível. O problema dos fundamentalistas não é defenderem uma ideologia radical, e sim que eles não têm… fundamento.

Se é para “culpar” uma ideologia, como interpretar o fato de que Breivik reclamou da moleza de seus colegas partidários no combate ao multiculturalismo? Diz o assassino: “A resistência genuína foi reduzida à mera divulgação de comunicados antes das eleições, para assegurar que as vozes do partido estão sendo ouvidas”. Se conhecesse o partido, poderia render uma salva de palmas por sua civilidade.

A culpa é deles

Porém, de nada adianta reclamar da binaridade do pensamento da Academia trocando-a por… nova binaridade. Foi como tentou se defender a direita conservadora brasileira, que tem como maior nome o filósofo Olavo de Carvalho, que rapidamente postou em seu Facebook:

“Os filhos da puta da mídia iluminada estão espalhando que o assassino norueguês é um sionista cristão, do tipo conservador americano, mas a imprensa da Noruega informa que, bem ao contrário, o sujeito é membro do Partido Nazista. Leiam no Laigles Forum, cujo editor, Don Hank, lê norueguês (além de não sei quantos outros idiomas).”

Aparentemente nenhum dos 404 circunstantes que curtiram a mensagem, nem os 242 que comentaram e os não sei mais quantos que a repapagaiaram (and counting) se preocupou em… bem, verificar a veracidade da informação. No tal site, não há um único post sobre a Noruega – de fato, há postagens em português de um débil mental mentiroso compulsivo como Júlio Severo, que não fez por menos e atirou às fauces do incréu leitor: “Terrorista se proclamava como darwinista, não cristão” – como se a palavra “darwinista” tivesse um significado próximo de “ele é pedófilo e seu pênis lança chamas”, ao mesmo tempo em que no texto cita trechos do próprio Breivik como “Fui de moderadamente agnóstico para moderadamente religioso” e também afirme: “Embora Breivik tenha dito que se considera ’100 por cento cristão’…” – são os acordes da harpa da loucura, no coro de quem foi expulso da realidade a cusparadas.

if (religion==”christian”)
{ attacker_type=”isolated lunatic”; }
else { attacker_type=”religious fanatic”; }

No mais, a idéia passada por Olavo, se não é já bastante imbecil, não deixa de ter o típico charme tontinho que leva platéias ensandecidas ao delirium tremens: a Noruega possuir um Partido Nazista. Heh, heh. Isso um dia depois de todos “os filhos da puta da mídia iluminada” já terem até dado links para as declarações de Breivik, além de declarações oficiais do Partido ao qual foi filiado. Existe alguma desculpa para a súbita deslocada da realidade, além de querer dividir a Humanidade entre judaico-cristãos bonzinhos e não-judaico-cristãos malévolos? (Com isso não quero, é claro, dizer que não se deve ler o Olavo, muito menos que se deve fugir espavorido a seus textos, costumeiramente brilhantes; apenas se deve dar um pito a cada vez que algo merece correção)

Posso saber por que o desespero em tentar pintar o atirador como ateu? Ou mesmo como nazista? Vai mudar alguma coisa? Vai transformar os ateus em atiradores terroristas? Vai aproximar ateus de nazistas? Como se pode tentar agrupelhar o rapaz em um grupo rival e tentar provar a superioridade moral não-terrorista do seu próprio grupo? Há alguma vantagem? Vão querer fingir que o terrorista defende o contrário do que defende à força, só para saírem de consciência limpa? E por que qualquer pessoa que defenda qualquer coisa deve se preocupar com o que um psicopata defende? Se o caboclo mata em meu nome, definitivamente o matará por ser lelé, não por causa do meu nome – que não enlouqueceu tantos outros, como sua ideologia também não enlouqueceu os outros que a pregam, por pior que ela seja.

O antigo partido de Breivik também tem idéias defensáveis e outras nem tanto. É assim no reino das pessoas, ao contrário do reino das idéias virginalmente mantidas no mundo platônico, em que uma é boa e outra é ruim. Eu também tenho muito de defensável e outro tanto bastante criticável. O fórum Document.no, onde Breivik postava suas mensagens, é mantido pelo famoso jornalista norueguês, Hans Rustad. Alinhado com as idéias de movimentos como o Stop Islamisation of Europe (“Evite a Islamização da Europa”), cujo slogan é “O racismo é a pior forma de estupidez. A islamofobia é o auge do senso comum”, apela para um choque politicamente incorreto para dizer uma grande verdade: ninguém quer a islamização da Europa.

Mas como esperar que alguém compreenda algo passível de análise como a discussão sobre o islã, o terrorismo e a necessidade de diminuição de impostos se os contra-argumentos são baseados em “mídia gayzista” e “terrorista darwinista”, ao invés de explicação do complexo funcionamento do livre-mercado?! Por que, afinal, não admitir que o ideário do antigo partido de Breivik não é o de um partido nazista (mesmo que reúna pessoas de extrema-direita), e está mais certo do que ele? Porque sem isso se perde um bode expiatório, e não se faz que “um grupo” fique menos certo do que “outro grupo” – que é como querem espremer a realidade, aproveitando-se de qualquer tragédia para vender sua ideologia.

Desencantamo-nos com fundamentalismos religiosos na adolescência – exatamente quando damos de cara com marxistas pela primeira vez. Resta se desencantar com a religião mais uma vez.

 

* Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Consegue reclamar de uma tragédia e ainda perder todos os amigos que tem por isso. No Twitter, @flaviomorgen

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79 Comentários

  1. Mauro10 de agosto de 2011 às 17:09

    Esse blog do Júlio Severo é de chorar.

    Na boa… eu posso achar que a correlação entre índice de desenvolvimento humano e liberdade econômica não é mera coincidência, que planejamento econômico centralizado não funciona, e que economia não é um jogo de soma zero; e, ao mesmo tempo, continuar acreditando que a ciência funciona, que religião (qualquer uma) é baboseira, e que eu não tenho nada a ver (e nem quero) com o que outra pessoa faz com o próprio fiofó? Ou, para ser direitista, eu preciso levar o pacote completo?

    Vai ver eu fui cooptado pela vasta conspiração internacional gayzista e não estava nem sabendo.

  2. Isaac Vieira9 de agosto de 2011 às 22:54

    Como ler um texto do Flávio:

    Pule a introdução, leia algumas linhas do “desenvolvimento” (se é que se pode chamar assim) e chegue à óbvia conclusão:

    “Tudo que há de errado no mundo tem alguma relação com o marxismo”.

    dãããã…

    Ainda existe vida inteligente na internet?

  3. Thiago - RJ9 de agosto de 2011 às 01:21

    Flávio,

    para encerrar sobre o Olavo: é um grande pensador (como pouquíssimos no Brasil), acerta muito, nos dá vários ensinamentos e indicações valiosas. Porém, é humano e falível, e tem idiossincrasias e defeitos. Consequentemente, erra. Nessa questão do ato terrorista na Noruega, ele mandou muito mal. Pelo menos, acerta mais do que erra. Mas esse fato não nos impede de apontar quando os erros acontecem (aliás, segundo ele próprio, temos que concordar com idéias e raciocínios, não com as pessoas que porventura os tenham emitido). Não entendo esse culto que se formou à sua pessoa quando um de seus ensinamentos mais acertados é justamente evitar a idolatria sem questionamentos de qualquer filósofo, por melhor que este seja.

    Sobre a dúvida do Alexandre acerca de “o que quer o mercado?”: acho que a causa da incompreensão do que “queria” o mercado está na própria dúvida. Não há “o” mercado, entendido como uma coletivização abstrata, um ente aparentemente coeso e uno e dotado de coerência interna, A “mão invisível” do Adam Smith é formado por um montão de mãos bem visíveis: a dos indivíduos anônimos. Que, mesmo somados, não chegam a ser um controlador onisciente e com vontade unívoca. Esta é uma construção mental, diga-se, bem típica de pensadores à esquerda, todos eles chegados em negar o protagonismo da consciência individual na construção dos destinos do mundo. Longe de ser entendido no assunto, acho que o mercado é justamente essa soma anárquica (ou, ao menos, bem chegada a uma anarquia) de interesses individuais, tão distintos em suas naturezas.
    Também não há uma puríssima e infalível racionalidade dos atores da economia, que muitas vezes tomam suas decisões afetados pelo clima emocional do momento. Além disso, cada um tem um conjunto de interesses, valores e (principalmente) perspectivas e informações; cada um tem uma “racionalidade” muito própria que, não raro, beira a simples doideira. Ex: tem quem compre carros chineses porque os consideram uma excelente oferta, apesar da pouca confiabilidade das marcas; há quem não os compre, apesar de precisar pagar muito mais por um carro de atributos similares e com garantia menor, justamente por não confiar nas marcas. Cada um olha para a ponderação de custo/benefício do outro e diz: “mas que bobagem! Você ainda vai se arrepender”.

    Quanto à oclocracia: quando se apreende completamente o conceito, percebe-se que é o que já vivemos. A discussão boa agora é se é possível reverter o quadro, ou se isso tudo vai continuar como está, se vai se aprofundar… Aliás, um estudo que ainda não li, talvez porque não tenha ainda sido escrito, é um correlacionando os escritos de Antonio Gramsci à noção de oclocracia. Afinal, numa situação de oclocracia, o detentor do poder – que Gramsci chama de “controle” – tudo pode, porque tem apoio, goza de uma certa “legitimidade absoluta” com base em sua popularidade. Como se chega a isso? Conquistando a “hegemonia”! Palavrinha que os iniciados petistas, por sinal, adoram usar.
    Oclocracia é uma forma de tirania baseado num suposto respaldo popular; em Gramsci, o respaldo popular vem de um domínio psicológico sobre as consciências da massa – a hegemonia – que antecede o controle – a tomada do poder pela revolução. Convenhamos: é bem possível que o comunismo possível do século XXI seja uma oclocracia de sabor esquerdista, alicerçada numa hegemonia à Gramsci. Oclocracia em que se impõem, por força dessa hegemonia, os valores “da revolução”. Como hoje ninguém fala (ou deveria falar) em luta de classes a sério, sobraram outras bandeiras: o politicamente correto, as “reparações históricas” às “minorias oprimidas”, o ambientalismo, o multiculturalismo, a busca da “justiça social”, a valorização dos chamados direitos coletivos sobre os direitos individuais… enfim, os diversos “progressismos”…

    … mas isso é papo para esvaziar muitas garrafas de destilados… rsrsrs

    Abraço!

  4. alexandre5 de agosto de 2011 às 20:36

    Gostaria que vc me explicasse o que deseja o “mercado” : temia a falta de um acordo entre republicanos e democratas, e pedia um ajuste fiscal na Grécia e outros países europeus. Foi feito um acordo nos EUA que aumentou o limite do endividamento mas em compensação teremos mais de US$ 1 tri de cortes públicos. Novos pacotes de austeridade fiscal foram aprovados na Europa. E agora as bolsas despencam mundo afora por medo de uma nova recessão provocada pelos mesmo ajustes pedidos pelo mercado. Cadê a racionalidade dos mercados ?

  5. Danir4 de agosto de 2011 às 16:24

    Não consegui ler todos os comentários e respostas, me bateu um certo cansaço e tive que parar. Pelo menos aprendi o que é oclocracia. E concordo que estamos vivendo esta situação no Brasil. Quanto ao terrorista, ele é ou louco como parece, ou um Doutor Silvana da açâo política predatória. É tudo a mesma merda. Quanto ao Olavo de Carvalho, tenho lido o que escreve, e o que ficou foi o fato que tem uma articulação intelectual e um vasto conhecimento, embora não o veja como uma unanimidade. É estimulante para que pessoas que não estão vivendo o mundo acadêmico exercitem sua capacidade de pensar de forma independente a partir das provocações intelectuais que sempre coloca, e que ademais estão em todos os blogs que valem a pena ser acessados. Pluralidade e independência de pensamento. Esta é uma bandeira que você desfraldou em seu texto e que merece ser seguida. O problema esbarra na prepotência que as pessoas com qualidades intelectuais tem, e na tendência a acreditar que somente suas idéias são as melhores ou as mais coerentes. Portanto em alguns momentos tive uma percepção de que a troca de informações neste espaço estava mais para um confronto do que uma troca de idéias que poderiam ser interessantes para ambos. Não poderia contestar suas leituras e opiniões simplesmente pois concordo com boa parte, mas creio que sua postura é tambem um pouco arrogante ao se pendurar ou melhor se apoiar em citações. E possível uma pessoa inteligente ter idéias clara e originais sem precisar buscar embasamento em obras dos outros. Quando muito, ao descobri-las perceber suas próprias inconsistências e convergências, para dai tirar novas premissas. Novas dúvidas, novas interpretações. Resumindo, aproveitei o espaço para escrever um pouco para pessoas que estão intelectualmente envolvidas com as tendencias de nossa sociedade global e com qual será o nosso destino, nesta geleia geral. Num outro momento, quando a oportunidade surgir, posso falar um pouco de minhas impressões sobre a China, onde já estive várias vezes, em vários e diferentes lugares. Concordo com sua apreciação quanto ao planejamento político no lugar do planejamento econômico, e me pareceu que os Chinese não sabem exatamente para onde vão. Como disse antes precisaria muito mais espaço para colocar tudo que vi e que deduzi. Mas de qualquer forma me diverti lendo e escrevendo. Afinal de contas no fundo o que queremos, alem é claro de mudar os destinos do mundo, é ter um pouco de diversão neste mundo tão tenebroso.

    • flaviomorgen4 de agosto de 2011 às 20:09Autor

      Excelentes palavras, Danir. Ficamos no aguardo de seus comentários de quem foi, viu e venceu. No mais, é justamente pela diversão que às vezes simplesmente caímos na galhofa pura e simples. Abraço

  6. nascimento4 de agosto de 2011 às 14:01

    O texto é bacana, mas gostaria de entender qual a pendenga com o Olavo

  7. rorschachbr4 de agosto de 2011 às 10:54

    Pelo visto és um implicante que não gosta de ser implicado certo?
    Tu és agente duplo, defensor do mal!!

  8. Luz no Fim4 de agosto de 2011 às 00:39

    Desce daí Morgen.
    Menos. Menos frases de efeito, menos opinião definitiva, menos vaidade. Não subestime tanto aquilo que você não conhece, sob o risco de algum dia ter vergonha do que escreveu.
    Paro por aqui.
    Um abraço e fica bem.

  9. Luz no Fim3 de agosto de 2011 às 17:45

    Muito bem, Morgen, agora fico à espera de um artigo sobre o FORO DE SÃO PAULO, que é de longe o evento mais importante da América Latina depois do fim das ditaduras militares. A sua ausência neste blog é muito gritante. Uma ausência que fala, para quem tem olho para ver, ouvido para escutar e cabeça para pensar.

    p.s.1 – Ah, e também falta o termo na Petralhopédia.

    até mais.

    • flaviomorgen3 de agosto de 2011 às 18:07Autor

      Luz no Fim, o Foro de SP nada mais é do que a festinha onde se reúnem todos os que já criticamos todo santo dia. Por que criticar a festa é tão assim super, e criticar cada fulano indigitando-os formalmente um por um é algo de somenos coragem? No mais, cuidarei para que o verbete seja providenciado a tempo, antes que o resto da Marcha pelo Olavo compareça em peso (esse povo medido em arrobas) aqui na caixa de comentários.

      Abraço cordial.

  10. rorschachbr3 de agosto de 2011 às 17:28

    Entendi, o Júlio Severo é um mentiroso e o PHAmorim interpreta a realidade de forma delirante. Normal são os escritores de novelas não é? Se o Júlio é tão insignificante por que você acompanha o blog dele? Tudo bem, use a mesma tática do seu mentor titio Rei, o “conservador feminista apologista do homossexualismo”, e não publique comentários que não são elogiosos.

  11. flaviomorgen3 de agosto de 2011 às 13:44Autor

    André, como disse, o modelo político chinês é comunista, o modelo econômico não é. Por isso é esse freak show. Agora, isso não torna as empresas estatais (o conceito é bem diferente), e nem afirmei que o regime, além de comunista, não é corrupto. A China vive numa terceira via bem mais parecida com o fascismo europeu do que qualquer espécie de socialismo, na teoria ou na prática. Enfim, não estou a fim de ganhar discussões, e sim de encarar fatos como fatos, não com uma ideologia anterior a eles. Abs

  12. Daniel Barros3 de agosto de 2011 às 11:03

    Obrigado pelo texto.

  13. Carlos3 de agosto de 2011 às 00:51

    Excelente texto!

    Caiu ainda melhor depois de ter lido o Carta Maior chamando o cara de ULTRA-CAPITALISTA
    http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5141&alterarHomeAtual=1

  14. Luz no Fim2 de agosto de 2011 às 19:41

    Olá Morgen, antes de mais nada, uma pergunta: eu entendi mal, ou a razão que você dá para pensar que o Brasil não vai a caminho de uma ditadura é o fato de desconhecer “exemplo histórico de uma ditadura que tenha surgido da forma como o PT está governando?” É isso?

    Não Morgen, eu não acho que você faz um favor ao PT, aos esquerdopatas petralhas, por discordar de mim, ou por não concordar com a minha estética, seja lá o que for que você queira dizer com isto. Você está fazendo um favor aos petralhas, você está servindo a causa petralha quando você fica inventando cloacracias sendo que os próprios petistas se declaram socialistas, tal e qual Marx definiu, e seguem a cartilha comunista à risca, ainda que te pareça uma coisa fora de moda, anacrônica. Outra coisa, a petesada não está nem aí para a própria popularidade. Ou melhor, só está pensando e levando em conta a sua popularidade na exata medida em que não podem ter força suficiente para mandar um pé na bunda da opinião pública e um pé na sua bunda também, caso você comece a incomodar muito. A petesada não quer competir com os liberais, a petesada não está interessada em acabar com o livre mercado, a petesada aprendeu que o melhor é deixar o país crescer e controlar tudo sem estatizar a economia. Estatizar para quê, Morgen? Quem precisa de estatizar a economia se tem poder quase absoluto e vai ganhando mais e mais e mais enquanto os morguenetes vão constatando uma coisinha aqui, outra coisinha ali, quando não dando uma ajudinha dando um pito no velho Olavete que é dos poucos que põe o dedo na ferida. Tudo isto sem arranhar um mínimo o poder já estruturado, organizado, mais velho que o seu tetravô.

    E por falar em socialismo, segundo o seu raciocínio Cuba já não é um país socialista, porque acaba de autorizar pequenas empresas etc e tal. Deve ser uma oclocracia, né?

    fica bem.

  15. alexandre2 de agosto de 2011 às 19:22

    Existem algumas pessoas que “queimam” o filme da esquerda e outros que “queimam” o filme da direita. O Julio Severo está no segundo caso. Vc ao ler o blog dele, pensa que existe uma conspiração gay para dominar o mundo ! Uma bobagem sem tamanho ! Chega a ser hilário.

  16. André Costa2 de agosto de 2011 às 18:28

    Quem disse que na China as empresas não são estatais? Todos os “empresários” chineses são filiados ao PC ! Aliás, isso não é nem a posteriori e sim a priori. Você bem sabe que o PC recruta seus quadros entre crianças de 10 anos e vai identificando suas habilidades até que os nomeie para os cargos mais adequados, inclusive como “empresários”. Se estas pessoas tentam seguir diretrizes próprias o PC dá um jeito de acusá-los de corrupção e simplesmente matá-los, sua família é proscrita e a empresa é “confiscada” pelo estado e “vendida a um novo empresário”. Simples assim. Sobre as empresas estrangeiras, o PC permite que operem (sob estrita supervisão) até que o mesmo organize uma empresa concorrente controlada pelo partido. É só o tempo de dominar a tecnologia – veja o recente exemplo das montadoras. Putz, Morgen, você sabe que é assim e faz de conta que não só pra ganhar discussão na internet…
    P.S.: desculpe tantas aspas, é que são muitos os eufemismos comunistas.

  17. Ismael Pescarini2 de agosto de 2011 às 18:05

    Mauro, obrigado pela elucidação do porque os Indianos sentem vergonha da palavra socialismo. O relevante na citação do exemplo indiano é que a intolerância lá está associada ao excesso de população mais que as diferenças religiosas. Parece que é muito mais suave no interior, ou pelo menos não ultrapassa o limite da violência. Algo que o velho Pavlov explicaria. O fato é que vivemos num mundo de SETE bilhões de pessoas em condições cada vez mais estressantes e a Noruega com sua baixíssima densidade e ameças de se tornar um apinhado de gente desempregada pode despertar surtos em quem já tem problemas de adaptação. Acho mesmo que a ideologia totalitária oferece apenas desculpas para o extravasamento de tensões sociais criadas num cenário de pouca identidade cultural crescente. Não se trata de fazer tratado pisico social, para o qual não sou capacitado, mas deixo aqui meu brado de um alguém nascido na década de 60: Quero meu mundinho de TRES bilhões de habitantes de volta.

  18. rorschachbr2 de agosto de 2011 às 17:57

    Então qual o problema com o Júlio? Eis o motivo de identificar-te como fã do Reinaldo, que para mim é um fraco. Acho que você parece gostar de um debate civilizado, então poderia explicar essa implicância?

  19. rorschachbr2 de agosto de 2011 às 16:59

    Esse papo de quem critica o homossexualismo é enrustido é coisa de… homossexual. Fala sério, você é inexpressivo na web e tem recalque do Júlio. E não sou menininho, sou chefe de família, e você??

  20. rorschachbr2 de agosto de 2011 às 12:51

    Confirmado. É da turma do Reinaldo Azevedo, o “conservador feminista apologista do homossexualismo”.

    • flaviomorgen2 de agosto de 2011 às 14:05Autor

      Não, menininho. Sou da turma do Walter Block, que escreve livros difíceis demais para os leitores de Julio Severo, invariavelmente homossexuais enrustidos e de inteligência apoucada, conseguirem compreender.

  21. Mauro1 de agosto de 2011 às 18:41

    Pois é, países “comunistas” como China e Vietnã são praticamente paraísos fiscais perto do Brasil. É muito mais fácil abrir uma empresa por lá. No Vietnã nã é nem mesmo necessário ter um sócio nativo.

    Se quiser conhecer uma verdadeira economia “planificada” (que, evidentemente, deu muito errado), procure por “License Raj” na Wikipedia gringa; é garantia de boas risadas (porque economia planificada no dos outros é refresco). Esse era o sistema que vigorava na Índia até a década de 1980. Implementar algo parecido no Brasil é provavelmente o sonho molhado de qualquer militante do PSTU.

  22. Luz no Fim1 de agosto de 2011 às 16:54

    Pôxa, Morgen, você ficou ofendido com a palavra “esquerdopata” usada numa frase irônica? Ficar ofendido com a palavra “esquerdopata” é coisa de, desculpe a ironia caricata, é coisa de “petralha” ou, pelo menos, coisa de “oposicinha”. Se você não gosta do PT, saiba que está se saindo como um excelente advogado do PT. É por estas e por outras que o PT está com o poder que está. A oposicinha, como o Implicante mesmo definiu caricatamente (eu gostei), é a primeira a defender e relativizar as canalhices dos canalhas.

    Saindo da periferia linguística-politicamente-correta-mimimi e voltando ao miolo da questão, eu não coloquei nenhuma dicotomia e não disse que é uma ditadura igual às citadas (a propósito, preferia que você exemplificasse com ditaduras vivas, não mortas.), mesmo porque nem elas foram/são iguais entre si. Mas existem algumas características comuns, uma delas é a centralização do poder, é o partido único, que controla todas as instâncias do país, inclusive o discurso, a palavra que sai da boca da verdadeira oposição, diretamente, sob forma de censura ou controle da informação e indiretamente, sob forma de censura indireta, incorporada, tipo a sua, em relação a uma piada com a palavra “esquerdopata”. Curiosamente, você não tem nenhum reparo em usar a caricata palavra “olavete”. Não estou dizendo que você é um censor de carteirinha, somente que está, sem saber, a serviço de uma causa. Causa: não insultar o que deve ser insultado. Voltando, no aspecto centralização do poder e do controle social, na minha opinião (minha), estamos muito perto, melhor, estamos no caminho, lentamente, mas no caminho, de uma ditadura. Atente, eu disse estamos muito perto e no caminho de uma ditadura, o que não é o mesmo que dizer “estamos EM uma ditadura”).
    E na China, a política planificada submete a economia. O banco central é dependente do partidão. Num país de mais de um bilhão de pessoas, é claro que vai haver mais empresas lá do que aqui. Eles são… esquerdopatas, mas não são idiotas.

    • flaviomorgen1 de agosto de 2011 às 22:43Autor

      Luz no Fim, não censurei o uso do termo: apenas disse que é um lugar-comum. Não conheço quem se esmere na leitura dos maiores nomes do liberalismo (ou mesmo conservadorismo) que tente resolver todos os problemas com o termo “esquerdopata” (a segunda pior criação do Tio Rei, depois de “Babalorixá”). Simplesmente estou pedindo uma crítica mais contundente. O outro lugar-comum de “quem não está comigo e não concorda nem com minha estética, está a serviço da causa do adversário” é outra coisa que mantém a esquerda no eterno poder. E não tenho mesmo pudores em reclamar de olavetes: Olavo de Carvalho é um grande pensador, mas infelizmente são poucos os seus alunos que são capazes de pensar, e não de repapagaiar até mesmo seus erros mais risíveis.

      Quanto às ditaduras, desconheço exemplo histórico de uma ditadura que tenha surgido da forma como o PT está governando. Por outro lado, oclocracias costumam ser ainda mais destruidoras: e não é que vamos chegar lá, mas vivemos em uma. Pode não ter causado danos severos, mas já vivemos em um regime em que popularidade significa carta branca para qualquer coisa. Veja que Chávez, sem precisar ser tão radical, sim, é um facínora ditador, e o PT não consegue (talvez por não o conseguir, mas whatever) chegar a seu modelo ditador.

      Quanto à China, o simples fato de haver uma empresa que não seja estatal já mostra que ela não é socialista (a não ser na organização do governo). Que dirá empresas gigantes, concorrendo entre si e, pior, trabalhando justamente com os bens de consumo mais caros ao socialismo, como petróleo. Quanto ao Banco Central, também inexiste no socialismo. E ser dependente do Partidão não a torna “esquerdopata”: o patriarca do intervencionismo, Keynes, era favorável a um Banco Central livre do Executivo, enquanto o ultraliberal Milton Friedman não o era. Ou seja, não são essas filigranas que tornam alguém “esquerdopata”, “idiota” ou “defensora da causa”.

      Abs

  23. rorschachbr1 de agosto de 2011 às 16:13

    Por que xingar o Júlio Severo? O Olavo não foi tratado desta maneira. Seria inveja do autor do texto, talvez por possuir um blog totalmente desconhecido? Discordar do Júlio é uma coisa mas ele é um dos homens mais corajosos surgidos no Brasil nos últimos tempos. Caminhamos para a ditadura do pensamento do partido único, com a mídia padrão comprada com as verbas governamentais, e o Júlio que denuncia há anos as ambições totalitárias dessa corja chamada ironicamente partido dos trabalhadores é que é o vilão?? Que o desconhecido autor vá ler o blog Reinaldo Azevedo, o “conservador feminista apologista do homssexualismo”. Existe coisa mais contraditória (e insana) do que isso?

  24. Luz no Fim31 de julho de 2011 às 14:16

    Morgen, eu não acho que estamos longe de uma ditadura, não, pelos argumentos apresentados abaixo.
    O Brasil é quase (na prática, que é o que interessa, né?) um país de partido único. Se você acha que um STF passando por cima da lei não caracteriza uma ditadura, então o que falta para te convencer? Se você acha que a impunidade absoluta não caracteriza uma ditadura, idem. (a propósito, cita um único exemplo de um país comunista não-corrupto. Não vale dizer que “pode ser”. O que interessa não é o que “pode ser”, ou “poderia”, mas o que É.). Sai do conceito puro e relaciona ele com a experiência, senão nunca vai entender realmente o que passa (aprendi com o Olavo). E quem disse que o socialismo quiz acabar com o capitalismo? Nunca nunca, o que sempre desejou foi ter o capitalimo trabalhando para “eles”, exatamente como está passando aqui neste exato momento. E também não é verdade que “qualquer tentativa de planificação econômica e gerência centralizada dá com os burros n’água.” A China tem uma economia centralizada e tirou os burros d^água. Ah!, e Cuba vive. Ah! (2), e porra, Morgen, pare com estas acloaquices, isto é coisa de esquerdopata.

    • flaviomorgen1 de agosto de 2011 às 12:22Autor

      Luz, “esquerdopata” já é uma palavra caricata por si. Não sei quem, além de seu próprio criador, é capaz de utilizá-la e pensar com a própria cabeça. Repare que tudo o que você está descrevendo cai bem na definição de oclocracia, mas não de ditadura – nosso país ainda divide os podres que ditam as leis. Óbvio que não gosto do PT, mas daí a comparar com regimes como os de Ceauşescu e Pol-Pot. That’s a long way road. Ou significa que o caboclo não conhece o PT, ou que não conhece o Pol-Pot. (a propósito, a economia chinesa não é planificada, muito pelo contrário: há mais empresas lá do que há aqui; o que existe lá é uma política planificada, bem diferente)

  25. janaina beatriz sousa ribeiro31 de julho de 2011 às 13:59

    as pessoas etsao morerndo por coisas bobas deviam acabar com essas guerras

  26. janaina beatriz sousa ribeiro31 de julho de 2011 às 13:58

    eu acho que os paises devriam fazer uma para acabar com essas guerras que esta martando muita gente eles tem que se unir e fazer algo pra defender pais noroega esta acabado aos poucos as pessoas estaoa passando fome morrendo e sofrendo de isnalafobia

  27. alexandre30 de julho de 2011 às 13:04

    Guilherme
    Isso é um traço que me incomoda um pouco na esquerda. Uma maioria(infelizmente) cultua alguns personagens controversos do passado. O Stálin e o Mao até que nem tanto mas o Che Guevara, o Fidel e agora o Chávez são cultuados. Não sei se é por causa do “antiamericanismo” babaca. A Revolução Cubana começou bem ao derrubar um ditador corrupto mas depois perdeu totalmente suas virtudes. E isso começou quando o Che liderou os fuzilamentos dos oficiais de Batista. O que começou como uma revolução para melhorar a situação do povo se tornou uma espécie de vingança. Acho que uma parcela da esquerda deveria rever esse culto.

  28. Thiago - RJ28 de julho de 2011 às 20:12

    Quanto à oclocracia e ao comentário do “Luz no Fim”, de fato é notória a articulação de grupos minoritários – porque com número reduzido de integrantes, em relação ao conjunto total da população (190 milhões) – para impor suas agendas. Mas acho que oclocracia pode, sim, ser aplicável, se levarmos em consideração a também presente (mas, talvez, menos notória) aliança estratégica entre todas essas minorias, que se reconhecem reciprocamente como “minorias”, com um significado peculiar. Não o de inferioridade numérica, “não o de 50% menos 1 do todo”, mas o de “grupo marginal”.

    Assim, cada uma dessas minorias tem sua respectiva identidade particular e, a depender da densidade e da natureza mesma de tal identidade, uma agenda política mais ou menos definida. Então, há os racialistas que são “contra o racismo e pelos negros”, os militantes homossexuais que são “contra a homofobia e e pelos homossexuais”, as feministas que são “contra o machismo e pelas mulheres”; os militantes pela descriminalização do porte de drogas que são “pela liberdade individual”… e há as identidades mais voláteis mas, ainda assim, invocáveis quando se pretende fazer algum proselitismo: “os nordestinos”; “os pobres”; “a massa de trabalhadores”… e, last but not least, as duas mais abstratos de todas: “sociedade civil” e “povo”.

    O traço em comum entre todas são, em primeiro lugar, essa percepção que têm de si mesmos como coletivização abstrata (não há uma mulher, um negro ou um gay, individualmente considerados, mas “as mulheres”, “os negros”, “os gays”; em segundo lugar, essa auto-idéia de marginalidade (e só se é marginal em relação a algo, nunca em termos absolutos). São, segundo sua auto-imagem, vistos como (mas assim não se consideram) párias pela sociedade “tradicionalista”, “conservadora”, “patriarcal”, etc etc etc. Se você sentiu um calafrio e entreviu os espectros de Marx e de Gramsci rondando esse parágrafo, só quer dizer que NÃO está vendo coisas.

    Então, as diferentes minorias se unem, estrategicamente, numa espécie de “confraria dos oprimidos”. Que, ainda assim, não tem maioria numérica, mas parece representar os consensos mínimos da sociedade, tão-somente porque: arrogam-se para si uma virtude moral incontestável, transformando sua ideologia num dado da natureza; ocupam e aparelham todos os espaços de discussão democrática. Em suma: são vítimas que, apesar disso, querem justiça (e não vingança), e fazem barulho. Daí surge uma “tirania da patuléia”.

    Viajei muito, Flávio? Ainda sou um Padawan nesses assuntos filosóficos… “much to learn, I still have”.

    PS: sobre a furada do Olavo. Já leu?
    http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/12278-quem-ai-le-noruegues.html

    • flaviomorgen30 de julho de 2011 às 12:28Autor

      Acertou no ponto, Thiago! A questão, muito bem explorada por Ortega y Gasset n’A Rebelião das Massas, é que quem se organiza mais sempre vira mais poderoso. É uma idéia bem nietzscheana: força não significa nada senão a organização da força. A oclocracia é o regime em que quem está no poder pode tudo – e não precisa ser um homem só. Basta apenas que tenha apoio. O melhor método para isso é dizer que se luta pelo próprio povo, e politizar cada pequena ação – desde o ex-Testemunha de Jeová processando a antiga religião por ter perdido todos os amigos quando a abandonou até uma politização desmerecida em causas como a agressão a minorias (ou nem tão minorias).

      Quanto ao Olavo, esse texto foi ridículo. Uma das piores coisas que ele já escreveu. Fingiu que moinhos de vento (existe outro tipo de moinho?) são gigantes e que ninguém sabia à qual partido o caboclo foi filiado. Ora, todo mundo sabia e até explicaram diretrizes do Partido, ano de fundação, histórico etc. Só Olavo de Carvalho não sabia. Mania de gostar de conspiradores extremistas, apesar de toda a sua vasta erudição e idéias de esmerado rigor. Disse que um site afirmou que ele era do Partido Nazista enquanto “todos os filhos da puta da mídia iluminada” afirmavam o contrário (na cabeça de quem?!), sendo que a Noruega não possui um partido nazista e ele mal sabe qual é a do partido do cara. Nesse ponto, “mídia manipulada” 10, Olavo 0.

  29. Luz no Fim28 de julho de 2011 às 06:51

    Tá, então dá uma ajudinha aí.
    Explica aí onde exatamente você vê isso aí no Brasil.
    Porque por enquanto o único que você fez foi dar a sua sentença definitiva sem explicar nada, assim é fácil.

    • flaviomorgen29 de julho de 2011 às 21:54Autor

      Luz, oclocracia, ao contrário do socialismo, não é uma ditadura. O Brasil não vive uma ditadura e está longe do risco (deixe as olavetes se fingirem de cultas entre elas). Aqui acontece o governo do “pode tudo, desde que se faça um plebiscito disfarçado antes e se mostre que tem aprovação popular”. O socialismo pode acabar matando o mundo sendo rigorosamente anti-populismo e não-corrupto (as mortes não traem seu ideal). Nosso modelo é o contrário. Basta pesquisar o termo direitinho, sem preguiça.

  30. Guilherme C.28 de julho de 2011 às 03:34

    Também acredito que os atos de um maluco (seja da esquerda ou da direita) não arranham a ideologia, afinal, um maluco independe de motivações políticas para fazer suas maluquices.
    Porém, a maneira como o grupo (direita ou esquerda) avalia as atitudes do maluco diz MUITO sobre a ideologia. Eu não vejo a mairoria dos direitistas (e conheço muitos direitistas) se mobilizando para justificar o que esse noruegues fez. Pelo contrário, a maioria condena os assassinatos e espera que o homicida apodreça na cadeia.
    Agora, a maioria dos esquerdistas apoiam e tentam justificar os assassinatos cometidos por Cesare Battisti, Che Guevera, Stalin, Mao, etc…
    Essa contraposição é notória e diz muito sobre as ideologias em questão e aqueles que as defendem.

  31. Mauro28 de julho de 2011 às 01:08

    Ismael Pescarini: há uma explicação histórica. A política econômica na Índia foi dominada por idéias de esquerda desde a independência do país, na década de 1950. A burocracia para o capital privado era extrema; a ênfase era na criação de empresas ineficientes controladas pelo estado. Bancos eram nacionalizados (e quebravam em pouco tempo); impostos chegavam a 80%; e havia leis que, por exemplo, efetivamente proibiam pessoas com bens superiores a X rúpias de investir no país. O cenário era tão hostil ao capitalismo que a IBM chegou a se retirar do país na década de 1970.

    Tudo mudou com as reformas liberalizantes no início da década de 1990. A Índia ainda enfrenta problemas que fazem os nossos parecerem piada (e ainda há muita “herança maldita” das décadas pré-liberalização, como burocracia), mas o quase consenso por lá é que a liberalização econômica foi a única idéia que deu certo. A tão demonizada globalização tirou centenas de milhões de indianos da pobreza e criou uma nova classe média. Isso explica por que a palavra “socialismo”, na Índia, virou palavrão.

  32. Luz no Fim27 de julho de 2011 às 23:18

    Oclocracia, Morgen? Oclocracia? Dei uma lidinha a mais e… que isso de tirania da patuléia? A tirania aqui não é da maioria, é das MINORIAS, minorias. Ainda tem dúvida? Você até está parecendo um petralha falando. Criando nomes novos para encobrir coisas velhas como o SOCIALISMO, ou COMUNISMO, dá no mesmo. A multidão da oclocracia não manda nada aqui. é apenas carne de canhão.
    Bem, se você queria dizer cloacracia, aí eu entendo.
    Outra coisa, Dicotomia?!?? Quem falou em dicotomia?? Eu não. Falei apenas que o socialismo está vivo, e mora aqui, ponto.

    • flaviomorgen27 de julho de 2011 às 23:48Autor

      Pô, fio. Seja bonzinho. Pesquise o termo com uma boa vontade maior, vai. Oclocracia foi o que levou o Império Romano à bancarrota. Costuma ser bem mais difícil de se livrar do que o socialismo – que é apenas o caminho mais longo do capitalismo de volta ao capitalismo.

  33. shâmtia ayômide27 de julho de 2011 às 18:29

    A semelhança do caso Realengo tentaram jogar a culpa nos video-games, só não na Globo, pq enfim, não tem Globo na Noruega.

    O sujeito é uma versão rica, nórdica, loira do tal Welligton. Não sei o quanto o Norueguês era visivelmente doido, mas o carinha do Realengo por sua vez tinha a fama. Conseguiu entrar na escola alegando ser ex-viciado e que por isto queria dar palestra as crianças(No Brasil ser homossexual, ex-viciado e afins é ser portador de uma espécie de passe-livre em todos os lugares).

    • flaviomorgen27 de julho de 2011 às 21:19Autor

      shâmtia, mas veja lá que já tem uma boa parcela da mídia tentando encontrar mais política no louco do que loucura no louco. Exatamente contra isso me indignei nesse texto. A diferença é que quando culpam videogame pela loucura alheia, todo mundo acha ridículo. Quando culpam a preferência política de um serial killer, ninguém se toca. Como se fosse importante saber em quem o Maníaco do Parque votou pra prefeito.

      Disse mesmo bem Nietzsche: a loucura é rara em indivíduos, mas é a regra em qualquer ideário de gente lúcida…

  34. alexandre27 de julho de 2011 às 18:01

    Eu entendo que essa discussão esquerda x direita mudou. O capitalismo saiu vitorioso após o Muro de Berlim e só não existe na Coréia do Norte (Cuba está fazendo pequenas reformas em direção ao capitalismo). Não conheço nenhum partido de esquerda relevante que tenha em seus estatutos a defesa pelo comunismo (PSOL e PSTU não valem). Hoje a discussão entre direita e esquerda se resumem, no meu humilde ponto de vista em : direitos individuais prevalecendo sobre os direitos coletivos e papel do estado na sociedade. A direita, teoricamente, defende com mais ênfase a liberdade individual e um menor papel do estado. Mas aí vem uma pergunta : um indívíduo que é contra uma opção sexual e contra uma determinada religião não estaria sendo contra os preceitos da direita ? Não estaria indo contra um escolha do indivíduo ? E aí mora um perigo para a direita democrática (sim, sou um esquerdista que não misturo Sarkozy e Merkel com Le Pen e outros radicais ). Por questão eleitoral, eles estão pegando as bandeiras desses xenófobos e racistas que são institulados extrema-direita (contra a imigração e a tal “islamização da Europa”). Acho que esses partidos carregam a pecha de extrema-direita por se autoproclamarem “anticomunistas”, o que é uma coisa meio pré-Muro de Berlim. Aliás, isso é uma coisa que não entendo : por que ser “anticomunista”, se comunismo não existe mais e não há a menor chance de voltar ? O Tea Party diz que o Obama é comunista ! Que bobagem ! E hoje acho mais correto vincular a esquerda com maior presença do estado mas não mais com o comunismo. Aliás, a coisa está tão louca que quem está fazendo o ajuste fiscal na Grécia é a esquerda !

    • flaviomorgen27 de julho de 2011 às 21:08Autor

      alexandre, esse foi seu comentário mais curioso aqui. Curioso porque coloquei uma introdução gigantesca de 7 parágrafos nesse texto aí em cima para falar exatamente o mesmo. Mas vem cá, você conhece algum desses autores que citei? Um pedido: leia o prefácio do livro do Walter Block que citei. Se não for exatamente no prefácio, é em alguma introdução, mas lembro de que está bem no comecinho do livro. Você vai entender que existem muitas direitas (como você mesmo bem nota, ao separar Merkel de Le Pen, assim como o Berlusconni, creio, ficaria num meio termo entre os dois), e mesmo so entre “os conservadores” (grupo do qual me excluo por livre e espontânea vontade), há quem pregue que o Estado deva perseguir homossexuais (mesmo que não declare isso) e há quem acredite que isso é, sim, ser contra os próprios pressupostos da direita.

      No mais, de que adianta o comunismo ter ido pro saco, sendo que ainda é o sonho de metade da esquerda brasileira, que significa algo em torno de 90% da população?

  35. Ismael Pescarini27 de julho de 2011 às 16:31

    Suketu Mehta, no livro de não ficção Bombaim, comenta que não há na Índia partido que se orgulhe de se dizer de esquerda. Todos são de centro-direita. Provavelmente para um Indiano que tem de um lado a China e teve durante 70 anos a ex URSS, e presenciou de perto a multidão de crimes cometidos em nome do social, ser de esquerda é algo considerado negativo. Porém, muçulmanos e hindus vivem se matando. A Índia tem um contexto onde a miséria abundante, a superpopulação, o engessamento do sistema de castas e a pouca educação, a maior parte do povo é pobre e continua analfabeta, torna fácil usar do pretexto religioso para cometer atrocidades em nome das diferenças

  36. Luz no Fim26 de julho de 2011 às 22:10

    “Mas só no reino das idéias, meu caro. Qualquer tentativa de planificação econômica e gerência centralizada dá com os burros n’água.”

    Como só no reino as ideias? Que absurdo. O socialismo daqui é real e está nos fatos de cada dia, só que com roupa nova, senão vejamos:
    Então o que é o BNDS dando dinheiro para os amigos, senão socialismo a la URSS?
    O que é um STF atropelando a constituição e fazendo sua propria lei?
    O que é um país onde praticamente só existe um partido aparelhando todas as esferas, política e social e cultural?
    O que é um país onde a impunidade é total, repito, total em relação a quem manda?
    Não faltam exemplos, muitos. Tudo isso no reino da realidade real.

    Isto só no Brasil, sem falar de outras paradas. O socialismo vive, e mora aqui no bairro.

    Ah, tudo isso aprendi com Olavo de Carvalho, sou um olavete quase incondicional, e nem vou falar do Foro de São Paulo, a prova mais do que cabal, evidente, documentada, viva, atual, do nosso comunismo século XXI.

    • flaviomorgen27 de julho de 2011 às 21:01Autor

      É uma dicotomia um tanto rasa e populista tentar encaixar qualquer coisa entre “socialismo” e “neoconservadorismo Tea Party Bolsonarista semi-fascista”. O termo correto do que ocorre na América Latina é oclocracia. Só exige algumas leiturinhas a mais pra conhecer.

  37. Paulo Santos26 de julho de 2011 às 18:32

    Eu to entendendo errado ou voce está considerando o nazismo como sendo de extrema direita???????

    • flaviomorgen26 de julho de 2011 às 18:41Autor

      Paulo, como eu disse, a nomenclatura é complicada. Afinal, “extremo” dá a entender que se use o Estado para atitudes extremas. E a direita liberal (afinal, existem várias direitas)é odiada justamente por… não usar o Estado a não ser para o mais básico (como o sistema jurídico). That’s a long way road

  38. Thiago - RJ26 de julho de 2011 às 15:45

    By the way: o “Urubusdman” morreu?

    • flaviomorgen26 de julho de 2011 às 16:00Autor

      Estava querendo revivê-lo há uns bons… meses. Se der tempo, hoje mesmo publico algo, aproveitando a discussão de teoria política que voltou à baila. :)

  39. Alexandre Gonçalves26 de julho de 2011 às 13:14

    Meu caro, prometi que não falaria mais do Galego do Realengo.
    Primeiro de tudo, não é preciso ter o conhecimento de um norueguês para debater sobre as intenções do ordinário, já que ele deixou tudo escrito.
    Segundo, o fato está sendo tão debatido porque é raro um “direitista” tomar tal atitude. É fácil ver fundamentalista islâmico explodindo por aí, foi fácil ver iMundos explodindo gente por aí, mas um “direitista” loiro de olhos azuis? Ora!, manchete pra vender como água.
    Terceiro, não sei no resto do mundo, mas no Brasil é importante, sim, debater sobre direita e esquerda. Estamos numa guerra ideológica há mais de 30 anos no país, e vc sabe disso. Lulla festejou dizendo que não se teria “trogloditas de direita” nas eleições. A cada dia que passa os partidos ficam com mais medo de assumir a direita. E o que temos? Partidos do lixo da social democracia até o PCO – Partido da Causa Operária.
    Com esse atentado, está fácil para os iMundos atacarem ainda mais a direita no país. Dirão eles: “- Tá vendo? É isso que a direita faz no mundo e quer fazer aqui também”. E não falo só nas eleições, falo de professores iMundos dentro de escolas e universidades. Há de se ficar claro o que o Galego do Realengo pensa e o que pensa a nossa direita, sim.
    Isso pelo bem da nossa DEMOCRACIA. Estou falando de Brasil… Portanto, é importante o debate.
    Para vc ver, estava eu vendo os comentários nos sites das emissoras. Eis que entro no site GloboNews e vejo que havia um comentário de um PROFESSOR da UFRJ. Cliquei para assistir. Olha, o calhorda do professor estava tão confortável em atacar a direita que, ao se referir ao assassino, tirou o “extrema” e apenas disse: “- é assim que a DIREITA vem se organizando no mundo”.
    Só para terminar, segundo ele, o Galego do Realengo fazia parte de grupo nazista assim como TEA PARTY faz nos EUA.
    Tá bom ou quer mais?
    Eis , aí, a importância do debate… no Brasil!

    • flaviomorgen26 de julho de 2011 às 15:02Autor

      Alexandre Gonçalves (pra diferenciar do meu troll mais fiel), eu entendo a importância de discutir direita e esquerda muito bem, o que, aliás, é um dos meus maiores defeitos como redator hoje – sempre lembrar por que afinal a esquerda é dominante nas Academias, e o que é a direita e ninguém sabe.

      Minha reclamação aí é que o atirador é, afinal, maluco. Mesmo que matasse em defesa do comunismo, a ideologia comunista não seria nem arranhada por sua neura. Não adianta buscar causa e conseqüência no caso de um sujeito completamente pinel (seja ele comunista, católico, sionista, ateu, social-democrata, darwinista ou trabalhista), se essa ideologia não tornou a todos que a seguem assim.

      Pior: sabemos das ideologias pela nossa visão de acadêmicos de Humanas cuja inspiração vem em 90% da Sorbonne, com sua própria visão de esquerda-direita. Na Noruega, a coisa é bem diferente. Causas defendidas pela extrema-direita lá são causas que um nazista não defenderia. Causas defendidas pela esquerda, idem (a “social-democracia” escandinava é abarrotada de empresas privadas, até na área de telefonia – explique isso prum brasileiro – e fortemente focada em Bolsa de Valores). Então, como querem tentar entender direita e esquerda por um caso absurdamente sui generis que foge a tudo o que sabemos sobre o assunto? Como se pudéssemos entender a realidade baseando-se em PT, PSDB e um assassino na Noruega. É burrice demais, é pretensão demais.

      Óbvio que esses comentaristas falando em “direita” o tempo todo para o assassino são umas antas. Mas de que adianta a direita seguir a cartilha de mocinhos x bandidos e só tentar inverter a proposição, agora dizendo que o rapaz não defende nada do que ela defende?

  40. Lucas26 de julho de 2011 às 12:42

    Rafael: és uma bêsta!!!!!

  41. Rafael26 de julho de 2011 às 11:22

    Só tenho uma consideração importante que preciso fazer ao seu artigo: Olavo de Carvalho não passa de um mau-caráter bem articulado.

  42. Luciano26 de julho de 2011 às 09:37

    Esse cara bebe? Fuma? Cheira?

  43. Theresa26 de julho de 2011 às 09:03

    .

    Um texto demasiado enrolado e vazio para ser aproveitado.

    O “terrrorista noruegues” nada mais é que um psicopata hedonista, é exibicionista, vaidoso e as suas idéias não tem base politica. Ontem o ministro russo da imigração disse: O multiculturalismo é um beco sem saída.O multiculturalismo em parte pode ser uma dadiva, mas deverá ser limitado e avaliado.
    A tragédia norueguesa causada por um só homem deixará cicatrizes em uma sociedade aberta e democrática, mas a democracia norueguessa não irá afundar – assim como não afundou a democracia sueca, depois do assassinato do Olof Plem em 85.
    O Breivik agiu sózinho, não há células terroristas cristãs na Europa, Breivik é um psicopata como tantos outros que existem por este mundo afora, é um serial killer com um perfil diferente, não se suicidou por vaidade, por hedonismo.
    Há milhões de europeus que acham que imigração islamica deve ser controlada e nem por isso saem assassinando jovens em acampamentos por pertencerem ao partido trabalhista ou seja: a esquerda.
    Há loucos em todos os lugares do mundo e infelizmente o Breivik veio a calhar a sociedade norueguesa. O Breivik vai despertar como já esta a despertar fascinio entre alguns jovens, é demasiado perigoso o marketing a volta desta figura,pois é um elemento perigoso e conforme a constituição norueguesa se o assassino for um preso exemplar o que êle virá a ser , pdoerá deixar a prisão depois de 14 anos de reclusão.
    Creio que chegou a hora da Europa olhar com mais carinho para esta questão da imigração islamica, afinal o velho continente tem que pensar nas futuras gerações e deixar de dar colinho a etnias que não querem uma integração, querem sim impor a sua cultura e vivem como se estivessem nos seus países, mas usufriem de todas as comodidades e regalias que a sociedade européia brinda aos seus cidadãos.
    Esta provado que a integração dos muçulmanos falhou, é uma falhanço, portanto há que repensar sobre o assunto, mas não é assassinando jovens do “Labor party” Europa afora que uma politica de imigração mais inteligente será alcançada

  44. Luz no Fim26 de julho de 2011 às 08:47

    Uma ressalva:

    “o socialismo sim ruiu sozinho, com seus defensores tendo sido os piores clarividentes do futuro no século passado”.

    O socialismo não ruiu sozinho, aliás, não ruiu. Esta mais vivo do que nunca e mora aqui, na América Latina, e cresce e neste momento, manda e desmanda.

  45. Mauro26 de julho de 2011 às 08:46

    Triste que você sentiu que era preciso abrir parênteses para se justificar depois do parágrafo sobre o Olavo de Carvalho, para não aparecer um Alexandre da vida berrando “tá vendo, até você criticou um direitista! A DIREITA ESTÁ ERRADA!”

  46. alexandre26 de julho de 2011 às 07:11

    Esse caso do terrorista norueguês revela a seguinte questão : a intolerância com o contraditório. Vc faz um artigo todo “bonzinho” , separando o maluco do pensamento direitista. Concordo. Ele é maluco e usa uma ideologia para matar. Só que vc também revela uma certa intolerância com quem pensa diferente de vc (não a ponto de pegar uma arma e sair matando por aí). Seus artigos contra a esquerda e seus comentários revelam esquerdistas como “preguiçosos intelectuais”, “doente mental”, funcionários públicos como “vagabundos”. Quer dizer, respeitar o cara porque pensa diferente de vc, nem pensar ! E depois fala de liberdade de expressão e de pensamento ! Isso tem nome : fundamentalismo. Será que vc não consegue defender sua idéia sem precisar apelar contra quem pensa diferente ? Tem que vir sempre com a ladainha que na “universidade só tem esquerdista”, que “ninguém pensa direito” ou outras bobagens , que demonstram despreparo num debate ? Será que vc não tem a capacidade de defender o liberalismo sem precisar “meter o pau” na esquerda ? Vou te falar a verdade : o que me faz comentar seus artigos é sua maneira arrogante de mostrar o que vc pensa. 10% valorizando suas idéias e 90% “metendo o pau” na esquerda e se achando superior. Ser fundamentalista não é só pegar em armas e matar . Há outras atitudes fundamentalistas !
    PS.: Também acho ridídulo a esquerda ficar tachando a direita como “egoísta”, “insensível”, “contra o pobre” e outras bobagens.

    • flaviomorgen26 de julho de 2011 às 11:21Autor

      alexandre, nunca chamei funcionário público de vagabundo. Só isso já prova que você tem algum delírio de interpretação. Se isso não é preguiça intelectual, deve ser doença mental. Tertium non datur. Leio diversos esquerdistas (mesmo porque sou obrigado, faço FFLCH) e respeito muitos deles (inclusive o próprio Eagleton, citado no texto, que me fez gastar 50 roussseffs em um livro de pouco mais de 100 páginas). Agora tentar negar que a esquerda acadêmica é preguiçosa, não sabe nem o nome de alguém que discorde de seus pressupostos (e os que discordam, invariavelmente, têm de argumentar contra toda a esquerda – apanágio deles) e se acha certa ao grau do fundamentalismo islâmico (quando não se alinha com ele)… onde se vai chegar com isso? E isso porque eu que sou fanático e só procuro bater nos outros…

  47. Thiago - RJ26 de julho de 2011 às 01:48

    Caro Flávio, só um questão me gerou dúvida: a tal página do Facebook a que você faz referência, ao citar o que lá teria postado Olavo de Carvalho. É o mesmo que administra esse perfil? Porque é uma furada MUITO crassa para um cara já escaldado como ele.

    Não me confunda com um “olavete”; Olavo é um grande filósofo e um bom analista político. Admiro, ainda, sua personalidade, mas com algumas reservas. Especialmente nessas questões relativas a religiões (e suas dimensões políticas, para além da seara estritamente espiritual) e teologia, nunca perco de vista que ele é um católico papista bem tradicionalista, e que por esse prisma ele analisa a obra dos filósofos católicos (além, é claro, de ser um apologista daquela religião específica, a qual não professo). Por sinal, não seria exagero dizer que é pela lente do cristianismo católico que lê todos os filósofos, e cria sua própria filosofia.

    Apesar dessa característica – poderímos dizer: dessa “parcialidade” – me parece que fazer referências a notícias inexistentes é um pouco demais. Digo, isso demonstra que ele deu um “chute” descaradíssimo, não pesquisou ou verificou nada, numa mancada de proporções fundamentais. Convenhamos, não é do feitio dele (e com isso, não estou fazendo qualquer defesa incondicional; repito: gosto, não idolatro). É por isso que suspeito que esse perfil do FB não tenha sido criado e não seja administrado pelo próprio Olavo. A própria declaração, em si, não parece fazer muito sentido.

    Enfim, segue link para o “manifesto” do maluco: http://www.wnd.com/files/2011/07/2083manifesto.pdf.

    De resto, concordo inteiramente com você: sempre que alguém faz uma m**** grande o suficiente para causar tamanho impacto, o que não faltam são tentativas de inclusão desse alguém nos rótulos “X”, “Y” ou “Z”, de forma a se afirmar, obliquamente, que todos os integrantes de “X”, “Y” ou “Z” carregam em si o potencial para fazer m***** similar. É muita vigarice intelectual, para enlaçar os incautos.

    Abraço!

    • flaviomorgen26 de julho de 2011 às 11:16Autor

      Thiago, concordo plenamente contigo. Isso não afeta minha admiração pelo Olavo, mesmo quando fala sobre alguns assuntos dos quais discordo – a bem da verdade, ainda prefiro o Olavo falando de religião, mesmo a surra violenta que deu no Constantino, do que suas teorias conspiratórias, como o morníssimo e sem graça debate com o Dughin. Mas esse perfil é mesmo dele, e achei simplesmente indesculpável que ele próprio entre nesse joguinho infantilóide de caçar mocinhos e bandidos numa tragédia como essa.

      Ora, se o cara defendesse o comunismo, a imagem do comunismo não estaria nem um pouco manchada por esse assassinato – o rapaz que é doido, precisa de alguma outra prova?! Por que então tentar agrpelhá-lo achando que isso vai explicar algo da realidade da qual gente como ele já foi expulsa a pontapés há décadas?

      Abraço!

  48. Nelson25 de julho de 2011 às 23:57

    Belo texto, Morgen. No Brasil, pelo menos para a mídia brasileira, designar o assassino como ‘extrema-direita’ serve unicamente para poder chamá-lo de terrorista; assassino de esquerda, para eles, é sinônimo de ‘ativista’, ou, quando o número de mortes excede os milhares, mentor.

    É fato: a dialética hegeliana (furtada por Marx para servir a intentos menos nobres) explica bem como plantinhas ‘vêm a ser’ elas mesmas. Mas me parece insuficiente para explicar processos históricos em toda sua completude, pois os momentos históricos nem sempre culminam em ‘contradições’ e são, com certeza, muito mais complexos para uma definição abrangente.

    Aí chegou o Velho Barbudo, inventou a imagem faminto X abastado, copiou um Saint-Simon aqui, colou um Proudhon ali, pediu pro Engels escrever uns pedaços e conquistou a galëre com ‘um novo mundo possível’ cheio de vícios lógicos.

  49. Carol25 de julho de 2011 às 22:17

    Dá orgulho dizer que você é meu amigo! Sério. Um dos seus melhores textos.

    Bj

  50. flaviomorgen3 de agosto de 2011 às 13:46Autor

    alexandre, incrivelmente, esse ainda é o menor dos problemas dele. Eu aposto 100 fichas contra 1 que, se clinicado corretamente, o cara será considerado mentiroso compulsivo – num grau patológico mesmo, ao contrário dos delírios de interpretação da realidade de um PHA, por exemplo. Você viu o dia em que ele “foge do país” e “sonha” com um movimento gayzista dominando o mundo, acorda e vê uma notícia sobre avanço gay no mundo? É de dar medo… dele!

  51. flaviomorgen3 de agosto de 2011 às 13:50Autor

    Tá bom, o PT é socialista, não quer estatizar, mas caminha para uma ditadura. Entendi tudo.

  52. flaviomorgen6 de agosto de 2011 às 20:54Autor

    alexandre, o que quer você? Você sabe? Ótimo. Então pergunte ao seu vizinho: o que ele quer? O que ele acha bom para a dívida americana? Ele não sabe? Então, vocês dois são mercado. Como você diz, “o mercado”, porque parece que existe um só no mundo inteiro. Então, do que posso constatar, te digo: a culpa da irracionalidade do mercado é do seu vizinho. Mate-o e voltaremos a ter racionalidade. Grande abraço.

  53. flaviomorgen10 de agosto de 2011 às 14:15Autor

    Putz, essa não tinha visto… merece uma boa análise.

  54. flaviomorgen10 de agosto de 2011 às 14:16Autor

    Essa é uma boa questão, meu caro. Como é trabalhosa, vou publicar num texto à parte. Mas no meu blog. Esse espaço do Implicante é higiênico demais para descermos a tais níveis avernais.

  55. flaviomorgen10 de agosto de 2011 às 14:21Autor

    Eu só não publico comentário que xingue a mãe ou Mencken. Não se ache tão importante. E quem disse que acompanho o blog dele? Apenas li 3 textos aleatórios, percebi que os 3 são demonstração de fracasso sináptico. Atribuirei a coincidência a quantas doses arcanas de azar?

  56. flaviomorgen10 de agosto de 2011 às 14:21Autor

    Quanta ciência, meu caro. Guarde um pouco para o seu discurso de recebimento do Nobel.

  57. flaviomorgen10 de agosto de 2011 às 14:27Autor

    Essa é mais simples de explicar, meu caro: desço o cacete no Olavo sempre que posso porque o cara é bom. Bem melhor do que todos os seus críticos – não conheço sequer um que o tenha lido, na verdade. Sendo um cara bom, acho mais importante corrigir seus erros ridículos (como este do “partido nazista” que só seu amigo que lê nynorsk conhece). Em compensação, cada erro de um Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Mino Carta ou Júlio Severo é apenas um detalhe em vidas que se resumem a uma enorme carrada de demências.

    Lembrando do milenar soco lango-lango que Nelson Piquet deu no retardatário Salazar, após uma batida provocada por uma fechada do último:

    Repórter: “Os pilotos fazem amizade?”
    Piquet: “Sim.”
    Repórter: “Então porque você socou o Salazar?”
    Piquet: “Pra ele aprender.”
    Repórter: “Porque não no Mansell?”
    Piquet: “Porque esse não iria aprender nunca.”

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