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17 de agosto de 2011

Trabalho escravo na Zara: Evo Morales explica

white 15 Trabalho escravo na Zara: Evo Morales explicaKindle

por Flavio Morgenstern*

Estou sendo instado a pronunciar-me a respeito do caso Zara, grife cuja fornecedora, uma empresa chamada AHA, mantinha 16 pessoas, sendo 15 bolivianos, em regime de semi-escravidão em um barracão na Zona Norte de São Paulo. Tudo se deriva de uma frase que escrevi há 2 dias, graças a um anuro que “defendeu” negros na Carta Maior com o argumento de que eles são ótimos pra nos entreter com futebol. Como ele quis fazer a manjada aproximação forçada entre nazismo e capitalismo, repliquei-lhe (já em negrito no original):

“O capitalismo foi o único sistema econômico da História a abolir o trabalho escravo. Nenhum outro o conseguiu. Muito menos vocês-sabem-qual.”

A frase, na verdade, é uma idéia passada pela Ayn Rand, em seu monumental A Revolta de Atlas (1100 páginas que vocês mudariam pra melhor o destino da humanidade).

evo morales1 Trabalho escravo na Zara: Evo Morales explica

Antes mesmo de a denúncia do Ministério Público sobre a Zara vir à tona, já tentaram me lembrar do colonialismo africano no séc. XIX para trás. Ora, a afirmação “A é o único que faz B” não significa “A só faz B”. É difícil perceber? Há algum erro lógico no afirmado? Para apontar um erro, bastaria mostrar um único sistema econômico não-capitalista que não dependa do trabalho escravo. Ou existe algum, ou o capitalismo foi mesmo o único sistema econômico na História a abolir o trabalho escravo. Como diziam os latinos, não há uma terceira opção – tertium non datur.

O que precisa ser explicado é apenas que, afinal, isso é uma manchete. Dizer “cubano vive vida miserável” ou “negros morrem mais do que brancos no Brasil” não é notícia (a mesma Carta Maior, sempre embaixo de um banner da Petrobras e em cima do seu dinheiro, já fez outras análises racistas querendo indicar “motivos raciais” nesse fato, como se tentar encontrar “motivos raciais” analisando quem mata mais, negros ou brancos, não fosse um argumento bastante hitlerista). Notícias são coisas que não acontecem com freqüência. A não ser que seu padrão de noticiário seja o Canal Rural.

Quer entender por que o capitalismo é o sistema que vive sem trabalho escravo? Porque quem tornou o caso famoso foi Rafinha Bastos – aquele mesmo “comediante” de quinta (que só merece esse título por exclusão das outras hipóteses), que era detonado por falar de mulheres feias estupradas e órfãos no Dia das Mães (impossível responder a tais acintes com mais civilização do que fazer referências à sua própria mãe). Já pensou tentar afirmar o mesmo em um regime não-capitalista? No capitalismo, é possível lucrar criticando o modelo trabalhista. Tente em qualquer outro sistema e deixe seu testamento contar o resto da história.

 

Socialismo é trabalho escravo com Verified Account. ✓

Ortega y Gasset, no monumental A Rebelião das Massas (o melhor livro de filosofia do séc. XX, claríssimo em suas idéias e cheio de piadinhas), lembra algo importante sobre a escravidão:

“Do mesmo modo, costumamos, sem mais reflexão, maldizer da escravidão, não advertindo o maravilhoso progresso que representou quando foi inventada. Porque antes o que se fazia era matar os vencidos. Foi um gênio benfeitor da humanidade o primeiro que ideou, em vez de matar os prisioneiros, conservar-lhes a vida e aproveitar seu labor.”

Ora, por increça que parível, não é um caso muito diferente dos bolivianos da Zona Norte. Ora, é uma questão de saber o que é melhor para a própria pele: viver na miséria total do país mais pobre da América Latina ou emigrar para viver uma vida subumana no Brasil? Quem conhece o país de Evo Morales e seu socialismo do séc. XXI sabe o que prefere para si próprio: a vida suburbana num país desconhecido, onde são tratados como lixo.

polishplumber Trabalho escravo na Zara: Evo Morales explicaQualquer brasileiro que preferiu a vida de suburbano no Primeiro Mundo sabe disso. É o efeito conhecido na Europa como “encanador polonês”: pessoas sem instrução, que ainda viviam em países miseráveis graças ao Estado inchado e tendências políticas esquerdistas no governo emigravam para a Europa Ocidental trabalhando por muito menos do que um europeu ocidental aceitaria pagar por aquilo. O “encanador polonês”, no fim, vivia num paraíso ganhando bem menos do que um francês, um inglês, um alemão ocidental. Não foi senão por isso que o chefe da Organização Polonesa de Turismo, Andrzej Kozlowski, notando que a Polônia, além de “encanadores”, exportava também muitos modelos, que esmirilhavam os europeus ocidentais em concursos, teve a idéia de usar o modelo Piotr Adamski para uma campanha como “encanador”, com a Torre Eiffel ao fundo, mostrando que os europeus não tinham muito o que temer dos “encanadores poloneses”. Vai uma garçonete polonesa aí?

O caso dos bolivianos é ainda pior. São a ralé num país que já é a ralé, e ainda não têm sua beleza reconhecida internacionalmente. Mas vieram para o Brasil sem terem sido forçados a tal. Ao menos, não como os escravos negros, escravizados em batalha com outros negros (vide Ortega acima) e depois vendidos aos portugueses, holandeses e ingleses que vieram praticar o tráfico negreiro por estas bandas (não é curioso que se diga “tráfico negreiro” justamente porque a prática era proibida na maioria dos países de onde saíam os traficantes?).

Mas há uma lei óbvia para eles: é melhor esse trabalho indigno e não aceitável por ninguém recebendo R$400,00 por mês do que o salário mínimo boliviano. Você prefere trabalhar só 6 horas por dia e ganhar no máximo R$150 por mês (algo próximo do salário mínimo boliviano) ou trabalhar 16 horas de segunda a sábado por R$400? Suas crianças chorando podem responder essa por você.

Trata-se do que os teóricos da Escola Austríaca chamaram de “praxeologia”, a melhor definição de preços que já vi (e que joga O Capital inteiro na lixeira). O preço de algo não é definido pelo quanto de matéria-prima e mão-de-obra foram gastos ali (como acredita Marx). Trata-se de uma questão de necessidade.

Se pensarmos em um sanduíche, pensamos de cara que ele não é um almoço, que é supérfluo, que engorda etc. São fatores que pensamos tão rapidamente que nem lembramos de cada um deles (e são todos levados em consideração) quando nos decidimos por comprar um ou não. Mas, se estivermos com fome e não formos jantar em casa, seu fator de necessidade irá aumentar bastante. Dependendo da fome, pagaríamos, se pudéssemos, R$10 por uma única mordida em um sanduíche de R$30. Já a segunda mordida sairia mais barata, pois, com um pouco de fome saciada, ela já não vale R$10 – mas pagaríamos talvez uns R$5 pela mordida. Assim, o preço vai diminuindo sucessivamente, até que, com a fome completamente saciada e estômago pesado com tanto picles, molho especial e gergelim, algumas mordidas a mais passariam a ter valor negativo.

Ou seja, o preço de algo não é visto como um preço nem por “custo + lucro” (mande minhas desculpas para seu professor de História por mim), e sim por parcelas de interesse, que podem até mesmo não fazer parte do produto como um todo (ou você nunca comprou alguma guloseima só porque tinha uma embalagem que dava pra guardar caneta depois?).

Isso, para deixar com a pulga entre as pernas e o rabo atrás da orelha a turma que adora reclamar do lucro, também pode acontecer negativamente – ou seja, o preço de um produto ser menor do que o custo de produção + matérias-primas. A teoria do trabalho de Marx está completamente errada, como se comprova em qualquer sebo.

Uma revista semanal de notícias custa em torno de R$10. O custo em folhas coloridas de suas páginas é altíssimo (tente imprimi-las em casa para sentir no seu bolso), e só é possível fazer tal mágica em larga escala (o fordismo também mostra que mais-valia é um mito de sociedades primitivas modernosas). Sendo semanal e de notícias, pode-se presumir que a revista vai perder muito de seu apelo já na semana seguinte (pergunte ao seu jornaleiro quantas edições são vendidas á partir de terça-feira, por exemplo). Tente vender uma dessas revistas para um sebo, praticamente pelo valor do seu peso em papel colorido. Se conseguir R$0,30 por ela, considere-se com sorte. Em compensação, revistas com o mesmo preço, com apelo não semanal, podem ser revendidas por, vá-la, R$1,00. Ao menos custam mais caro em um sebo – mesmo que seu valor de capa original fosse mais barato. Então, quantos % disso são a tal “mais-valia”, seu Marx?

escrava boliviana 300x199 Trabalho escravo na Zara: Evo Morales explicaAplique-se o mesmo princípio ao trabalho semi-escravo (não costuma funcionar com o trabalho escravo de fato por fatores óbvios). Trabalhar 8 horas pelo salário mínimo boliviano de menos de R$150? Não dá. Trabalhar 9 horas por R$200? Ainda é pouco. Que tal trabalhar 16 horas por dia por R$400, que é exatamente o caso dos cubanos em questão? É uma escolha difícil, tem de se esforçar. Mas ainda assim, quero saber quantos, em sua situação, prefeririam o regime socialista igualitário original. Ortega y Gasset was right.

Qualquer pessoa que já tenha tido de entregar um projeto urgente passou por um momento desses. É como trabalhar 12 horas por dia, 7 dias por semana durante um mês em troca de salário dobrado. É adorável. A maioria das pessoas aceitaria. O problema é: e se forem 2 meses? E se forem 4 meses seguidos? E se forem um ano? Aí, será que apenas dobrar o salário será um atrativo? Poderemos, então, querer não receber o salário de um dia, nem que seja com salário multiplicado por 30, para não trabalhar. É como “pagar” por esse dia, por sua necessidade ter atingido limites. Mas, em condições normais, quem pagaria seu salário inteiro para poder dormir um dia?

Por mais incompatível que seja com as teorias que aprendemos na escola e na faculdade, a pobreza não foi inventada há algumas décadas por ricos empresários que precisam de pobres para não poderem pagar por seus próprios produtos.

Foi o postulado de Milton Friedman, claramente demonstrado: o preço dos produtos está nas idéias, não nas coisas de que eles são feitos. Qualquer pintor sabe que o objeto final é muito mais valioso do que a soma de suas partes, queiram os defensores da “mais-valia” ou não. Também qualquer dona de casa sabe como o valor de um objeto decai um absurdo assim que ele sai da vitrine e você retira a embalagem. Não à toa que donas-de-casa, que têm mais o que fazer, dificilmente param a vida pra protestar por “distribuição de renda estatal” ou baboseira do gênero.

 Não verifiquei ainda se a imprensa oficial (o que inclui Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, Azenha…) e a blogosfera progressista já decretaram o fim do capitalismo essa semana graças a isso. Mas eles ainda não entendem que “Só A faz B” é diferente de “A só faz B”. E sempre podem se furtar a apresentar um contra-exemplo de “C também faz B”.

Ainda surpreendente que se cavuque algo consabido e torne público ao resto do país e, ainda assim, vire notícia por aqui. Então descobriram que há escravos bolivianos no Brasil. Daqui a pouco vão descobrir que estão usando droga na Crackolândia. Mas isso é sinal de que, mesmo sendo um eterno país do futuro e de capitalismo incipiente, que ainda nem aprendeu a engatinhar, ainda conseguimos ser melhores do que qualquer socialismo.

No mais, conforme publiquei no Twitter, trabalho escravo é ser obrigado a trabalhar e não receber por isso. Ou seja, só falta o governo nos tungar ais os outros 50% de carga tributária e chegamos lá.

 

* Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Escreve pro Implicante sem ganhar um tostão por isso. Tem que ver isso aí… No Twitter, @flaviomorgen

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70 Comentários

  1. francisco ramos19 de outubro de 2011 às 12:37

    Só complementando, Flávio, outro dia um Colega no hospital falou: “Chico você inventou o site” Implicante”.
    Então eu disse: Não cara, vai lá, a discussão é “quente”. Você concorda, discorda e , ao final, todos nós
    aprendemos. Mas isso é irrelevante.

  2. francisco ramos19 de outubro de 2011 às 06:32

    Flávio: a postura democrática do “IMPLICANTE” é naturalmente mais importante do que aquilo que os
    outros pensam. No mais, os velhos erros de digitação: Faltou uma interrogação (?) e , claro, a palavra
    e interlocutor e não intelocotor. Quando vamos desenvolver uma correção automática?

    De qualquer forma foi muito gentil você considerar minhas ponderações.

    Um abraço.

  3. francisco ramos18 de outubro de 2011 às 19:25

    Caro Flávio: espero contar com sua compreensão. Discordei de um jornalista , que escreveu um inominável
    artigo sôbre assunto já aqui discutido no “Implicante” e fui simplesmente chamado de “miliciano” e “cumpli-
    ce de assassino”. E mais, fiquei sem o direito ao contraditório, pois o referido caluniador censurou todas as
    postagens seguintes sôbre o assunto. Por que estou lhe contando isto. Simplesmente porquanto, em nenhum
    momento, o seu site cortou sequer uma vírgula dos comentários enviados, mesmo nos momentos mais duros
    da controvérsia. E isto aplica-se a qualquer interlocotor seu.
    Por conseguinte, prefiro escrever ao “Implicante”, mesmo sabendo que você “é um adversário formidável” ,
    conforme já afirmei, do que comentar assuntos em blogs ditos “progressistas”, generosos em panegíricos
    ao Govêrno, por vezes omitindo as necessárias criticas que o mesmo merece (vide a epidemia de corrup-
    ção que tomou conta dos Ministérios).
    Certa feita,lhe acusei de ser antidemocrático, afirmação imediatamente corrigida, pois nada seria mais falso.
    Você e seus compnheiros que colaboram no site “Implicante”, neste sentido, estão de parabéns !
    Embora haja discordância, NÃO HÁ CENSURA NO SITE “IMPLICANTE’ ! Continue assim
    Um grande abraço, extensivo a todos os seus Colegas.

    • flaviomorgen19 de outubro de 2011 às 01:30Autor

      Taí, Francisco. Muita, MUITA gente acha que nós “te inventamos”, pois não acreditam nas coisas que você posta. Agora se você não voltar aqui e xingar a gente BRAVO vão achar que “criamos” você só pra você dizer isso.

  4. francisco ramos11 de outubro de 2011 às 14:18

    Olá Flávio, amigão! Até irmãos discutem!
    Somente queria completar a modesta contribuição ao’IMPLICANTE”, acrescentando o seguinte( Estava de
    saída e o tempo era curto):
    O sistema da contenciosidade limitada introduzida no Brasil pela Lei n. 2.416. de 1911, o primeiro a estabe
    lecer um processo extradicional, foi regulamentado ao longo do tempo pelo Decreto-Lei 394 de 1938, o
    Decreto-Lei 941 de 1969 e pela Le 6.815 de 1980. Êste sistema vigente , denominado “sistema belga”, en
    xertado, portanto, no Ordenamento Jurídico, estabelece explícita adstringência em relação ao papel do egré
    gio Supremo Tribunal Federal no proceso extradicional. A saber: o STF pode, analisando a já decidida remes
    sa do súdito estrangeiro, impedir a entrega ao país requerente, se considerar que a mesma não está em consonância com o arcabouço jurídico do País. A Suprema corte, JAMAIS, pode ter o arbítrio de extraditar
    qualquer cidadão, ato este de competencia exclusiva do Presidente da República, responsável, como
    Chefe de Estado, não de Govêrno,por lidar com questões relacionadas a Nações alienigenas. Esta preocupa
    ção ocorre no sentido de que, a Côrte Maior deve sempre zelar pelos direitos fundamentais do ser humano
    desenhados em várias cartas , internas e internacionais.
    Indo “pela sombra”, com efeito, o cérebro funciona melhor
    Um grande abraço..

  5. francisco ramos10 de outubro de 2011 às 22:29

    Conclusão:ate os iluminados, prodigios que “mal completaram a oitava serie” dão fanequitos. Menino bochudo! Amadureça e volte, tia!
    Dois a zero para o Dr. Francisco aqui: (problemas com o acento agudo em meu computador)

    Caso Cesare Battisti: prova emprestada sem contraditorio, portanto ilicita, fraude processual, soberania nacio
    nal, independencia nacional, principio do non refoulement, artigo 33 da Convenção de Genebra para refugia
    dos, artigo 3.I,f do Tratado Bilateral, Contenciosidade limitada de 1911 “sistema belga”:UM A ZERO.

    Diagnostico da crise americana: ilusão neoliberal, simplificação causal de fenomenos complexos, ignorancia
    da interelação de interesses cartoriais poderosos com a implementação do poder institucional, destruição dos ideais iluministas que criaram a grande Nação, alienação do povo americano, etc, etc :DOIS A ZERO.
    Mas não se irrite. Ja aprendi alguma coisa com o Sr. Vai tomar um banho!

    dos ide

  6. francisco ramos10 de outubro de 2011 às 20:44

    Você tem sua própria maneira de admitir sua derrota. Aceito. E posso inferir, de todo êste constrangimento,
    que você realmente aprendeu um pouco comigo. Passei a interessar-me pelo grande filósofo José Ortega
    Y Gasset, ironicamente pela deferência que você tem por ele. Não sei como poderia ser antiGassetista.
    Minha discordância foi exaustivamente colocada para você e não há como fazer reparo nela.
    Acabaram de NACIONALIZAR um banco belga, para não afundar a Europa. Portanto, vá às escadarias de
    Wall Street. Os garotos lhe estão esperando. Então, complete a lição.

  7. francisco ramos10 de outubro de 2011 às 14:05

    Escuta aqui cara: um palerma como você quer ensinar-me “senso histórico”! Logo você que anda entrelaça
    do com esta múmia da XV dinastia, o liberalismo extremado (jurássico !!!), enquanto o mundo está desaban
    do à sua volta ? Não admito apologia à escravidão, a não ser partindo de você. Nunca , em toda a minha vi
    da vi qualquer historiador verbalizar a miséria moral que representa a escravidão da forma que você o defen
    de. Você parece um cão perseguindo seu próprio rabo (entrelaçado com a múmia, imagine que coreografia
    macabra !), vez que seu “diagnóstico” da crise americana é uma das coisas mais ridículas que li em matéria
    de economia, em todos os tempos. Os garotos deitados na calçada de Wall Street sabem mais de economia
    do que você. Sabe por quê? Porque são puros, não são FUNDAMENTALISTAS como você, que talvez esteja
    servindo a algum senhor. O meu senhor é a minha consciencia.
    E mais: a frase “eu mal terminei a oitava série” é asneira, postura de mau caráter , ou canalhice mesmo?

    • flaviomorgen10 de outubro de 2011 às 18:00Autor

      Então, caro anti-gassetista, já chegou à altaneira conclusão de que não vale a pena me ler, muito menos redigir panfletos contra minha pessoa que ninguém além de eu mesmo vou ler, e nem eu vou dar bola?

  8. francisco ramos10 de outubro de 2011 às 06:30

    erros de digitação à parte: “histórico”… Afinal, estou apressado, saindo para trabalhar.

  9. francisco ramos10 de outubro de 2011 às 06:26

    Flávio, no sentido pior da palavra, você não muda mesmo! Sòmente agora li sua resposta dizendo que eu fa
    lo asneira. Muita grosseria, para fugir do cerne da questão. E o que dizer da frase “mal tenho a oitava série”?
    Asneira, mentira ou rude ironia? Enfim, não se sabe exatamente, do ponto de vista histório, quando os ven
    cedores “passaram” a transformar em escravos os seus adversários cativos, em vez de matá-los. Existe, in
    clusive, grande possibilidade de os dois fenômenos terem ocorrido simultaneamente num período qualquer
    da história do homem.
    A minha crítica, e ela , sim, continua firme, está ligada à infeliz forma de verbalizar a escravidão, como sen
    do obra de um “genio”, e , por via de consequencia, uma das grandes conquistas da civilização.
    Ademais, você errou feio em utilizar a semiologia histórica para dar o diagnóstico da grave crise americana.
    Em postagem anterior, eu lhe ensinei que forças poderosas estão envolvidas na crise daquela grande nação,
    citando inclusive os elementos que o ex-presidente Theodore Roosevelt chamava de “malfeitores com gran
    de patrimônio”. Numa palavra a causa da crise é o NEOLIBERALISMO, extremado e blindado, por razões
    que mencionei antes, de qualquer intervenção keynesiana do estado. De qualquer forma o movimento OCU
    PEM WALL STREET fala tudo. Você aceita se quiser!
    Abs.

    • flaviomorgen10 de outubro de 2011 às 18:04Autor

      Francisco, você não é capaz de me ensinar nada em matéria de economia, ainda mais usando a infeliz expressão “neoliberalismo”, cujo sentido é sempre usado negativamente, mas sem conteúdo definido. E se acha que ensinou, não creia que ensinar que “há forças poderosas envolvidas na crise daquela grande nação” seja alguma prova da superioridade dos mamíferos, porque isso aprendi com o Dan Brown.

  10. francisco ramos9 de outubro de 2011 às 02:16

    Flávio, quando eu digo que o grande filósofo JOSÉ ORTEGA Y GASSET ficou “mudo” foi no sentido de pro
    nunciar-se sôbre a Guerra Civil Espanhola, conforme as fontes disponíveis. Nunca afirmei que o pensador
    parou de escrever, quando estava na Argentina em exílio voluntário. Portanto a acusação de “infantilidade”
    imputada à minha pessoa não cabe aqui, pois provavelmente houve um mal entendido.
    No que se refere ao fascismo e stalinismo, especificamente, concordo inteiramente com você.

  11. francisco ramos8 de outubro de 2011 às 12:51

    Flávio: li ontem, até a madrugada, parte considerável do livro, disponibilizado na internet, A REBELIÃO DAS
    MASSAS, dó filósofo José Ortega Y Gasset, vez que você o considera uma das grandes publicações do sé
    culo XX. É claro que, apesar de nossas diferenças e de algumas farpas que temos trocado, valorizo em mui
    to uma opinião sua, em virtude de suas inquestionáveis qualificações intelectuais. Até onde pude ler, consi
    derei o livro, de fato, muito interessane, sobretudo na parte em que ele questiona enfàticamente o determi
    nismo econômico marxista, para explicar todos os fenômenos sociais.
    Só tem um detalhe. O filósofo não foi “um fugitivo do fascismo”, renunciando por livre vontade à Cátedra de
    Metafísica da Universidade de Madrid, exilando-se voluntariamente na Argentina. Durante a Guerra Civil Es
    panhola ele permaneceu num inexplicável mutismo, provocando inclusive críticas severas de seus compa-
    triotas. Mas esta famosa sentença sua, quase niilista, diz tudo sôbre a sensibilidade humanitária do filóso
    fo”:DEBAIXO DE TODA A VIDA CONTEMPORÂNEA SE ENCONTRA LATENTE UMA INJUSTIÇA” Adorei!
    Terminando, enquanto existir o GOOGLE…!!!

    • flaviomorgen8 de outubro de 2011 às 21:23Autor

      Francisco, dizer que ele permaneceu “mudo” num regime que não permitia discordância é um tanto quanto infantil. Foi apenas se exilar que já voltou a escrever e explicar porque o liberalismo é o verdadeiro inimigo do fascismo – nunca o bolchevismo, seu irmão gêmeo.

  12. francisco ramos8 de outubro de 2011 às 00:55

    È redundância, mas desculpe os erros de digitação. Meu ídolo político, por exemplo, é ROOSEVELT.

  13. francisco ramos7 de outubro de 2011 às 21:06

    Flávio: inicialmente eu não tenho nada a ver com o fato de você ter visto seus candidatos a presidencia der
    rotados nas ultimas eleições (se você acredita na democracia, vamos remover esta cambada pelo voto).
    Em segundo lugar, eu não estou atacando ORTEGA Y GASSET, visto que não teria a mínima condição para
    tanto. O que eu afirmo, é que é moralmente insustentável esta idéia estapafúrdia, pragmática e cínica de con
    siderar “genio” o indivíduo que “inventou” a escravidão. E mais,que é igualmente imoral utilizar esta bobagem
    para turbinar suas confusas argumentações, no contexto do seu próprio artigo.
    Quanto ao Lula “estadunidense”, proposta sua, não minha, tenho a acrescentar, que nos jornais de hoje, o Presidente Obama afirma com todas as letras que os irresponsáveis que colocaram a Nação na crise, são
    os mesmos que obstruem as medidas que poderiam tirá-la desta mesma crise
    Mas você enrola,enrola e não responde à minha pergunta: qual a ou as causa desta crise profunda na América, visto que naquele País o Estado não interfere na economia. Abraços

    • flaviomorgen9 de outubro de 2011 às 13:26Autor

      Francisco, é de bom alvitre estudar Ortega y Gasset, sua filosofia, suas origens (Nietzsche é profunda inspiração, p. ex.) antes de criticar uma frase sua. Antes se matava os inimigos – depois, inventou-se de mantê-los vivos e capturá-los como escravos. Ter algum senso histórico nos salva de falar muitas asneiras. Quanto aos EUA, já disse: pegue todas as grandes empresas que quebraram e se tinham contratos com o governo ou não. Aí, depois disso, você pode afirmar se o Estado interfere na economia ou não.

  14. francisco ramos7 de outubro de 2011 às 09:30

    Inicialmente, gostaria de deixar bam claro que estou me lixando se você vai me xingar em seus comentários
    ou não. Tenho muito o que fazer ( e certamente entre os meus afazeres não se inclui a desconstrução dês
    te “pensamente” louco e absurdo , segundo o qual o indviduo que “inventou” a escravidão é ou foi “um gê
    nio”,porquanto poupou a vida dos seus adversários cativos após a derrota (Flávio Morgenstern-Ortega Y Gas
    set – quase rima).
    Mas estou em busca das origens da profundíssima crise econômica que se abateu sobre os EEUU, lançando
    para baixo da linha da pobreza milhões de seus compatriotas, sem emprego,(UMA FORMA DE ESCRAVIDÃO), e no desespêro. Os acampados em frente a Wall Street já são um bom comêço;
    Esta Grande Nação (MEU ÍDOLO POLÍTICO, COMO ESTADISTA É FRANKLIN DELANO ROOSEVET.NÃO
    O CRIMINOSO STALIN,COMO CERTAMENTE O SR. PENSA) , onde, desde O NEW DEAL. O ESTADO
    NÃO TEM TIDO A MINIMA INTERFERÊNCIA NA ECONOMIA, está numa encalacrada e não sabe como
    sair dela.porque, como bem disse uma jovem em frente do Memorial Lincon …”êles não deixam”.
    Que Nação é esta, e estamos pranteando neste momento a perda do gênio que criou Apple, que manda um
    homem à Lua e não consegue implementar um “NATIONAL HEALTH SERVICE”, inglês e replicado com su
    cesso no Canadá. O SUS, brasileiro, é uma concepção genial, e aqui falo como médico, não de clínica pri-
    vada onde também atuo, de serviço público há muitos anos, necessitando apenas combater as suas distor-
    ções, visto que ele é de abrangência pública e universal, inclusive para estrangeiros .
    Para terminar, gostaria de salientar que são idéias estapafúrdias como esta do “genio” que “inventou” a es
    cravidão, que fornecem substrato para estdos totalitários: vide o que a irmã do grande NIETZSCHE fez com
    suas ideias, entregando-as de bandeja ao Hitler, inclusive distorcendo o conceito do Übermench (‘álém do homem”), para que o cabo da Boêmia avançasse mais ainda nesta bobagem da superioridade ariana. O Fi
    lósofo , um dos mais profundos humanistas que a civilização ocidental produziu, nada poderia fazer, desde
    o seu colapso mental em Turim e , infelizmente por ter morrido no início do século.
    CUIDADO COM ESTA TOLICE DE QUE UM “GÊNIO” “INVENTOU” A ESCRAVIDÃO! Bem pensado, des
    de que Sr. não seja o escravo…!!!

  15. francisco ramos6 de outubro de 2011 às 08:13

    Seu grande problema é exatamente êste, Flávio: você lê, lê, lê e por vezes fica incapicitado de ter opiniões
    próprias, acolhendo certos absurdos, para demosntrar erudição.l A escravidão é apenas um deprimente
    fenômeno histórico. Alexandre II a aboliu na Rússia antes que a decisão “viesse de baixo para cima”. No que
    se refere à escravidão puramente extrativista da África, um dos maiores crimes que a raça humana perpe-
    trou contra os seus semelhantes, não havia prisioneiro de guerra algum. Simplesmente sequestro seguido
    de crime hediondo. Dentro deste espírito miserável e desgraçado é que a civilização Inca foi exterminada
    pelos espanhóis, visto que seria muito complicado escravizar um povo de cultura comprovadamente sofisti-
    cada.
    Por outro lado, durante a segunda guerra mundial, os prisioneiros eram usados para o extermínio, mas em
    grande escala para a escravidão, para manter a maquina de guerra alemã funcionando, ao passo em que
    os infelizes trabalhavam até a morte. Esta escravidão nazista foi inclusive alvo do libelo acusatório do grande
    Juiz da Suprema Corte Americana , Robert Jackson, no Julgamento de Nurenberg, que assim se expressou:
    …”acontecimentos que viverão para sempre como prova histórica da vergonha e da depravação do seculo
    XX”.
    Portanto, você deveria ter um mínimo de pudor ao citar esta afirmação pragamático-cinica e criminosa do
    seu querido Ortega y Gasset. Você é um dos homens mais cruéis com quem, infelizmente, tive o desprazer
    de ter contato. É isso aí

  16. francisco ramos5 de outubro de 2011 às 10:15

    Flávio, rodopiando dentro de sua blogosfera (existe um mundo tangível, sabia, onde pessoas são lança
    das ao desespêro da exclusão social, da degradação e do vácuo existencial?) FELIZMENTE VOCE ESTA
    ERRADO, não ocupa a presidência de país algum, senão já teriam chutado seu traseiro de lá, para evitar
    pestilencia pelo mundo inteiro. O que são os EEUU no momento? A grande Nação , fundada por Iluminis
    tas, onde O ESTADO NÃO APITA NADA. é refém do complexo industrial-militar (gente, precisamos fazer
    alguma guerra, pois a validade das armas está acabando!), das indústrias do vale do silício, das sacanagens de Wall Street, da ganância atávica dos banqueiros judeus (e comigo não cola esta de que sou anti semita) ;
    dos putrefatos e incestuosos lobbys entre políticos de quinta categoria e grandes corporações.

    Estive nos EEUU algumas vezes, uma nação que tem pràticamente 250 anos de democracia sem interru-
    pção e fiquei chocado com aqueles miseráveis perambulando pelas ruas. Na periferia de Detroit ou Chicago
    dá até medo passar. E QUAL A PARTICIPAÇÃO DO ESTADO NAQUELA GRANDE NAÇÃO EMPREENDE
    DORA? RESPOSTA: ZERO. E a que podemos creditar a gravíssima crise de 2007 que desgraçou com a re
    putação do sistema hipotecário americano, lançando seres humanos de suas casas para as ruas e, quando
    eram “sortudos” para algum trailer fedorento. Flávio, estamos falando da nação (será que a China já não a
    superou?) mais rica do mundo, onde a mais emblemática e extremada forma de liberalismo (seu regalo)
    sempre foi implementada. E mais: que dizer da crise atual? Foi causada por intervenção do Estado ameri
    cano na economia? O que farão os milhões de desempregados numa nação, onde a maioria dos habitan-
    tes não saabem localizar o Brasil no mapa, de monoteísmo consumista. E suas necessidades básicas?
    Quando estava em Harbin, Mandchúria, para onde fui com minha família para o 12. festival de gêlo e neve
    em janeiro passado, li num jornal inglês, disponível no hall do Holiday In, onde estava hospedado, que a Chi
    na estava comprando 200 jumbos, gerando milhares de empregos para os EEUU. Atualmente a mesma
    China está comprando minhares e milhares de títulos americanos, pois sabe muito bem que uma déblace
    total daquela economia pode gerar, não apenas o inferno econômico global, mas sério risco de uma guerra
    em escala mundial.
    Para com esta ideia engessada de afirmar que a intervenção do Estado na economia NECESSARIAMEN-
    TE GERA POBREZA. Há casos e casos. Ao final, o KRUGMAN esta certíssimo: A DIREITA SEMPRE FOR
    NECERÁ ESTATÍSTICAS ENGANOSA E AFIRMAÇÕES MORAIS DÚBIAS.
    Mais uma: não sabia que o Sr. é um Neo-Malthusiano. Daí para o Darwinismo Social, é um salto apenas.
    Mas fiquemos todos nós tranquilos: confinado ao ciber espaço, com coleira eletrônica no tornozelo, estare-
    mos todos protegidos: se sair, O ALARME DISPARA.

    MI

  17. João13 de setembro de 2011 às 23:48

    “governo liberais (sic) que seguiam a cartilha do FMI, como de Paz Estenssoro”

    Só depois de 3 semanas li isso, mas ¨#*%$$!!!! Em São Paulo, conversei com uma filha de bolivianos que vieram para o Brasil fugindo da reforma agrária ditatorial que esse ser impôs aos fazendeiros de seu país.

  18. Maria7 de setembro de 2011 às 12:24

    Cara , adorei a forma como voce colocou e desenvolveu este assunto, ha tempos eu sentia necessidade de ler um texto interessante e inteligente, PARABENS!!!
    Fiquei sua fa!
    Mas lamentavelmente moramos num pais riquissimo de belezas e recursos naturais que precisam muito de nos brasileiros, para cuidar, manter e conservar o que recebemos de graca, e vemos milhoes de brasileiros irem embora para outros paises,executando funcoes que jamais executariam aqui como : faxineiros, pintores, pedreiros etc…, profissoes estas que envergonhariam suas familias por serem consideradas menos nobres.
    So que la fora se submetem a tudo e aqui nao.
    Trabalhar horas alem do expediente cabe em qualquer pais que quer crescer.

    • flaviomorgen7 de setembro de 2011 às 12:36Autor

      Maria, poi zé, mas a lei da oferta e procura explica isso muito bem. O “encanador polonês” também pode ser brasileiro. E não são poucos que preferem ser faxineiros e viver com o nível de segurança pública européia a trabalharem com alguma profissão de nível superior no Brasil que vai conseguir pagar uns R$2 mil por mês, deixando o cara viver na periferia e tendo de agüentar um trânsito infernal e alto risco de assalto para voltar pra casa todo dia… Mas obrigado pela parte que me toca. :)

  19. Doutor Gori26 de agosto de 2011 às 11:51

    Flávio, meu caro

    Quem melhor exprimiu o conceito de praxeologia foi Shakespeare: “Um cavalo! Meu reino por um cavalo!” (Ricardo III, Ato V, Cena IV). De resto, fica a dúvida: 1) Cuba é um paraíso, por isso o governo de lá destruiu todas as embarcações para que ninguém possa fugir; 2) Os EUA são um lugar tão infernal que construíram um muro para não entrarem; 3) O ser humano é intrinsecamente masoquista ou o socialismo é uma merda?

    Abração do doutor. Vamos acabar com Spectreman!

  20. alexandre22 de agosto de 2011 às 20:38

    Sobre a Bolívia, a discordância é que eu disse que ela seguiu a cartilha do FMI antes do Morales subir ao poder, e vc contestou. Não entendi porque vc colocou o Krugman nessa estória. Ele não fala nada sobre a economia boliviana dos anos 80. O que eu disse é que a Bolívia já exportava mão-de-obra barata desde os anos 80, bem antes do Morales subir ao poder.
    Sobre a Escandinávia, pensei que vc tinha dito que lá não era um “estado de bem estar social”. Vc falou que essa característica escandinava não afeta a liberdade econômica. Agora entendi seu raciocínio e reconheço meu erro.
    Sobre o ranking de liberdade econômica, fiquei convencido que só isso não basta para desenvolver um país. Afinal , El Salvador está na frente da França e Itália. Não é difícil saber qual o melhor lugar para se viver.
    abraços

    • flaviomorgen23 de agosto de 2011 às 00:22Autor

      alexandre, primeiro você diz que, no meu artigo, a culpa “sobra” para o Morales, depois você desconversa, depois fala que a Bolívia foi um nicho de neoliberalismo selvagem na América Latina e fala de reformas do FMI (estou quase com a impressão de que foi um Menem 2 a ferrar com a outrora vistosa Bolívia), e não fala nada sobre tudo aquilo que reclamei. Aí comento que até um Krugman, com o qual você deve concordar muito mais do que eu, tá 100% do meu lado nessa, e você diz que eu que o coloquei na conversa do nada? Ora, zurück zu den Sachen selbst.
      O que te falei sobre liberdade econômica é exatamente isso: não dá pra ver sozinho. Explica porque dizer que a Escandinávia funciona porque tem Estado forte é burrice, mas deve-se cruzar seus números com o IDH, para ver que o liberalismo causa riqueza, e o Estado gera pobreza. No entanto, deve-se interpretar direito: Singapura tem IDH e liberdade econômica altos, e ainda é uma ditadura em que é proibido mascar chiclete na rua. Claro, caindo nas mãos de oportunistas, sempre dá pra falar que o liberalismo é ruim, porque paraísos fiscais não são como França e Itália – embora nenhum francês ou italiano milionário deva reclamar de passar a lua-de-mel por lá.

  21. alexandre20 de agosto de 2011 às 12:30

    Thiago
    me desculpe mas esse texto que exalta a escola austríaca tem algumas inverdades. Primeiro, quem previu a crise foi Nouriel Roubini. Ele é da escola austríaca ? Que eu saiba, não. Os pacotes de ajuda para bancos e empresas não são invenção de keynesianos e foram criticados por alguns economistas dessa corrente na época. Uma coisa é injeção de dinheiro estatal para ajudar bancos falidos e outra é injeção em investimentos públicos e medidas socias. O primeiro socializa as perdas e a segunda dinamiza a demanda. Foi feita grande parte da primeira e pouquíssima da segunda. Apesar que, foi a quebra do Lehman Brothers (o que é defendido pela escola austríaca) que levou a uma crise de confiança no mercado financeiro. Bem, volto a repetir : a escola austríaca é utópica.

  22. alexandre19 de agosto de 2011 às 19:53

    Em relação à Bolívia, foi implantado em 1985 um programa ortodoxo com auxílio do FMI chamado decreto 21060 (inclusive com orientação do economista ortodoxo Jeffrey Sachs). Foi um programa de liberalização econômica para combater a hiperinflação e abrir a economia. Em 1997, o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada adotou medidas liberais com apoio do FMI. O resultado, foi um aumento de mão-de-obra para a Zara e a posterior eleição do Morales.
    Sobre a Escandinávia, vc está me dizendo que não são considerados “Estados de Bem Estar Social” ? Olha, vc é a primeira pessoa a me dizer isso !
    Fui dar uma olhada no ranking de liberdade econômica e achei algumas coisas interessantes : a Bolívia(67°) está na frente da Colômbia (91°). Entre os 30 primeiros temos Armênia, Botswana, Barbados, Bahamas e Barein. El Salvador, infestada de gangues e grande fornecer do mão-de-obra ilegal para os EUA está em 38° e na frente da Itália, França e Coréia do Sul. Pelo seu ranking, deve ser melhor morar em Botswana ou El Salvador do que na França ou Itália.

    • flaviomorgen22 de agosto de 2011 às 01:49Autor

      alexandre, vamos dizer que eu tenho dois grandes adversários vivos em questões econômicas: você e o Paul Krugman, que é “Nobel de Economia” (eu sei que isso não existe de fato, mas vamos fingir momentaneamente – e vocês reclamam que alemão tem palavras compridas demais…). O problema é que o Krugman tá 100% do meu lado ao falar de um lugar como a Bolívia: http://www.slate.com/id/1918/

      E aí, jogo o Krugman no lixo e passo a ler só você?

      Quanto à Escandinávia, estou dizendo que o Estado de Bem-Estar Social não interfere na liberdade econômica. Se interferisse, seria o Brasil. Notou a diferença entre um e outro? Bom, são outras, mas essa é uma das mais fundamentais. A outra é que o Brasil tem carnaval, que é putaria com penas de pavão, e na Escandinávia tem aquela putaria oldschool, bárbara e sem frescura. Você sabe a quem culpar. Mais sobre isso (a economia, não a putaria) aqui: http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2006/08/o-mito-sueco.html

      Depois, nenhum ranking mundial significa algo sozinho. Singapura é uma ditadura em que você não pode mascar chiclete na rua (é sério!), e ainda tá em segundo lugar em liberdade econômica. Sabe o que esse segundo lugar fez? Deixou o IDH de uma ditadura no mesmo patamar da Suécia. Viu como se interpreta dados? Tente novamente agora com cada um desses (inclusive com os paraísos fiscais, que você agora cita “se esquecendo” de que têm menos liberdade econômica do que a Escandinávia, que todo esquerdista adora invocar como ultima ratio na argumentação.

      Cordiais amplexos.

  23. Russo19 de agosto de 2011 às 19:46

    “Mas gostaria de ressalvar que o regime feudal também era isento de escravidão. ” – Luiz Gustavo

    Sou obrigado a refutar essa afirmação lembrando que nos reinos/feudos do norte da Europa havia intenso tráfico de escravos brancos durante a Era Viking (793 – 1060).

  24. Thiago - RJ19 de agosto de 2011 às 17:16

    Olha como a Escola Austríaca é utópica e não acerta uma: (para ter uma visão ainda mais completa, recomendo ler todos os textos linkados)

    http://www.midiasemmascara.org/artigos/economia/12330-os-austriacos-e-claro-estavam-certos-mais-uma-vez.html

  25. Jerry19 de agosto de 2011 às 15:46

    O texto é muito com, como de costume. Só uma pergunta: qual é o problema do Rafinha Bastos falar de órfãos no Dia das Mães? Somente isso o qualifica como ruim?

  26. David da Costa e Silva19 de agosto de 2011 às 10:44

    Cara, você esqueceu de citar o primor dos Gulags(Campo de trabalhos forçados, que se não me engano eram um tipo de escravidão não?) soviéticos

  27. alexandre19 de agosto de 2011 às 07:21

    Segundo estudo da Cepal, a pobreza e extrema pobreza caíram entre 2002 e 2008 na Bolívia (6,3% e 5,4% respectivamente). E em reportagem da BBC Brasil, a imigração boliviana para trabalho degradante em SP começou no anos 80. O Morales pegou uma “herança maldita” de governo liberais que seguiam a cartilha do FMI, como de Paz Estenssoro e Gonzalo Sánchez de Lozada.
    Sobre se há escravidão na Zara, conceitualmente não. Há graves violações de direitos trabalhistas mas não escravidão. Só se eles não recebem salários. Por isso, afirmo contesto tranquilamente a Ayn Rand que o capitalismo não é o único que aboliu a escravidão. No comunismo os trabalhadores eram assalariados. No comunismo, podiam haver vários defeitos mas a existência de escravidão não está entre elas.
    E sobre sua afirmação que crianças morriam antes da Revolução Industrial e por isso não existem fotos delas, é risível. Havia exploração de trabalho infantil no feudalismo tanto quanto nos primórdios do capitalismo. O crescimento de idéias socialistas e o trabalhismo provocaram o surgimento de direitos trabalhistas, o mesmo que faz com que o blogueiro não seja obrigado a trabalhar 12 hs seguidas e possa desfrutar tranquilamente de férias.
    Próxima

    • flaviomorgen19 de agosto de 2011 às 11:20Autor

      “A Bolívia seguia a cartilha do FMI”. Vou fingir que não li isso.
      Então tá, alexandre, no socialismo cubano, receber salário de US$15 dólares não é escravidão, então. E, claro, Ayn Rand, que você não leu e nem sabia que o livro onde ela diz isso é um romance sobre o comunismo de quem viveu lá, e não um manual do capitalismo (como O Capital), está errada. Mas a Zara merece críticas (que eu “não fiz”). E o socialismo não.
      E Mises também, que você não refutou, apenas fez uma afirmação genérica.
      A propósito, eu não tenho direito de férias há muitos anos.

  28. alexandre19 de agosto de 2011 às 07:03

    Os países escandinavos estão nas primeiras posições do IDH e são considerados “estados de bem estar social” e são muito criticados pelos liberais. Aliás boa parte da Europa, que agora é criticada pelo excesso de governo, tem seus países entre os primeiros do IDH.
    Próxima

    • flaviomorgen19 de agosto de 2011 às 11:13Autor

      5.º lugar em liberdade econômica: Islândia. 8.º lugar: Dinamarca (ambos na frente dos EUA). 12.º lugar: Finlândia (na frente de paraísos fiscais como Suíça e Chipre; ou seja, a Escandinávia é um paraíso fiscal). 19.º lugar: Suécia (a frente de outros paraíso fiscais como Malta, Bahrein, Barbados e Bermudas); 30.º lugar: Noruega (ainda a frente de El Savador).

      Isso num total de 157 países. Mais da Escandinávia tem economia mais livre que a maioria dos paraísos fiscais no Caribe, e alguns paraísos ainda ficam atrás dela inteira, como o mais famoso de todos, a Costa Rica (46.º) empatada com Cabo Verde e o Panamá (49.º). Algum se compara à Islândia em 5..º lugar (que não é um Welfare State), que era o país mais pobre da Europa há 50 anos, mas estava em primeiro lugar em IDH empatada com a Noruega em pleno 2008 (tendo sido o país mais atingido pela crise no mundo), e só caiu 20 posiçõezinhas porque mudaram os critérios em 2009?

      A propósito, mecas do Estado mínimo e liberalismo selvagem, como Coréia do Sul, ainda são menos livres de Estado do que a Escandinávia, como Japão (27.º) e a própria Coréia do Sul (45.º).

      Só há uma coisa em comum: se é o capitalismo que é ruim, o liberalismo que não funciona, por que nenhum país pobre tem alta liberdade econômica? Não deveríamos ver Zimbábue em primeiro lugar, porque a pobreza deriva do capitalismo e só o Estado forte consegue impedir a desigualdade? Não deveríamos ver os Estados interferindo na economia em primeiro lugar em riqueza, ao invés de vê-los todos, sem nenhuma exceção, causando a maior miséria que existe no globo?

      Qual sua explicação estatizante, alexandre?

  29. Luís Guilherme19 de agosto de 2011 às 00:34

    Flávio, muito bom o texto (e nem endosso tudo, torço o nariz pra Dona Rand).

    No mais, o socialismo é a escravidão auto-imposta. Quanto mais “socialista” um país, mais escravocrata ele é: menos do trabalho vai para o trabalhador e mais vai para o seu senhor, o Estado, que “toma conta” dele, pagando maus hospitais, más escolas, e deixando ele fazer a festa na senzala pra relaxar.

    Mas gostaria de ressalvar que o regime feudal também era isento de escravidão. A vassalagem feudal se distancia mais da escravidão que o “proletariado” capitalista. Um vassalo é concessionário de seu ganha pão (um prenúncio da PLR ;)), e pagava menos ao suserano do que um trabalhador típico paga de impostos, e trabalhando menos horas por dia.

    A escravidão moderna (tráfico negreiro et al.) não é retomada por causa do mercantilismo (pré-capitalista), mas por causa das ideias eugênicas que entraram em voga: “pretos são piores, podemos explorá-los”.

    • flaviomorgen19 de agosto de 2011 às 11:56Autor

      Luís, de fato, qualquer livro de História da Idade Média mostra que o sistema de vassalagem tem muitas vantagens até sobre a vida de muitos operários e camponeses do séc. XX. O que a Ayn Rand quer dizer é que o capitalismo,graças à invenção do dinheiro, foi o único sistema onde se ganha pelo esforço do seu trabalho e se pode trocar pelo esforço de outro trabalho, ao invés de receber em troca alguma coisa que não exige trabalho (como, por exemplo, o direito á sobrevivência acastelado nos muros de um feudo).

      Mas há muitas teorias sobre como se deu a escravidão. A eugenia, que em seu lado passivo de Galton não é uma idéia discordável, é bem mais recente do que a escravidão, e a eugenia não é necessariamente racista. Por outro lado, brancos também foram escravizados no período do colonialismo europeu.

  30. alexandre18 de agosto de 2011 às 23:17

    Só acho engraçado que não li uma única crítica à Zara. Sobrou para o Morales, Fidel, esquerda e outros “inimigos” do blogueiro mas com a Zara nada. Vai ver o “pobrismo ” extendido aos ricos praticado pelo autor. Nesse caso, a vítima da “sociedade cruel” não são os pobres mas os ricos incompreendidos.

    • flaviomorgen18 de agosto de 2011 às 23:58Autor

      E precisa criticar, alexandre? Você acha que alguém só vai achar que uma empresa criar condições de trabalho como essas é errado se eu disser? Se é assim vou me candidatar a ditador logo, logo. E como assim “sobra” para o Morales? Prova aí que ele faz melhor do que a Zara e tiro o dele da reta no ato.

  31. aliancaliberal18 de agosto de 2011 às 20:09

    Belo texto Flavio.

    Da uma olhada neste video sobre reservas fracionárias.

    http://www.youtube.com/watch?v=NoGZ3-CMzJg

  32. alexandre18 de agosto de 2011 às 19:53

    Primeira coisa : a teoria de preço que enfatiza na utilidade do produto (valor-utilidade) não foi inventado por Friedman e nem pela escola austríaca. Foi inventada por Jeremy Benthan e desenvolvidas pelos neoclássicos (muito antes de Mises e Hayek). Segundo, a Bolívia “exporta” trabalhadores bem antes do governo Morales. E países da América Central tem enormes comunidades de emigrantes nos EUA. Pelo que eu saiba, tirando Nicarágua, são todos países governados pela direita. Terceiro, o conceito de trabalho escravo é não receber salário. Portanto, isso não existe em países comunistas. Salário baixo é uma coisa, escravidão é outra. Me espanta uma intelectual como Ayn Rand não saber esta distinção. E se o caso Zara é chamado de escravidão pelo fato das pessoas trabalharem mais de 12 horas, trabalho infantil, salário baixo e outras explorações, estude um pouco a situação dos trabalhadores no início do capitalismo. Crianças com menos de 8 anos trabalhando mais de 14 horas. Ou é tudo invenção do “malvado” professor de história ?

    • flaviomorgen18 de agosto de 2011 às 23:53Autor

      1) Se formos ver os fundamentos teóricos disso, vamos remontar até a Escola de Salamanca, quando o Renascimento ainda engatinhava;
      2) Existem diversas “direitas”. Ou só existem 2 tipos de governo no mundo? Nenhum país da América Latina tem alta liberdade econômica, á exceção do Chile. Não á toa, o primeiro da AL em IDH. Se estou defendendo o liberalismo e criticando o alto estatismo, obrigado por mostrar que estou corretíssimo;
      3) Então, se escravidão é só não receber nada, não existe escravidão na Zara. De novo. Não sei por que você fugiu do ponto mais uma vez. A propósito, falar de escravidão mesmo no Brasil escravocrata soaria duvidoso;
      4) Sabe por que você vê muita foto de criança passando fome no começo da Revolução Industrial? Porque antes da Revolução Industrial elas morriam, ao invés de sobreviverem. Até as famílias passarem a ter menos filhos demorou bastante. É por isso que acho que Malthus ainda está correto e os liberais deveriam aprender com ele (só Keynes deu valor a ele no séc. XX). Você já leu As Seis Lições, de Mises? Poderia ler antes de criticá-lo.

      Próxima.

  33. Daniel18 de agosto de 2011 às 18:04

    Nunca ouvi tanta bobagem em toda minha vida..gostaria de saber onde a escola austriaca deu certo, pois ela não passa de uma utopia…o comunismo e o liberalismo tem 2 coisas em comum: são 2 sistemas radicais e utopicos…aplicados na vida real não servem pra nada, até pq nunca foram aplicados.

    Ps: pare de tentar filosofar ou falar de escolas econômicas e continue na tradução.

    • flaviomorgen18 de agosto de 2011 às 23:43Autor

      Onde a Escola Austríaca deu certo? Cruze os países com maiores IDH do mundo e os com maior liberdade econômica. Ou, se tiver com preguiça demais de duas googladas, verifique apenas que país com alto IDH tem baixa liberdade econômica. Qualquer um. Dou minha cara à tapa.

  34. Ismael Pescarini18 de agosto de 2011 às 17:16

    Recentemente fui a uma festa onde fui apresentado a uma amiga de minha esposa e a seu marido americano. Chegaram dos Estados Unidos a dois anos. O cara estava “quebrado lá” e vive agora bem aqui. Perguntei-lhe, em português, pois acho um acinte ficar treinando inglês com gringo aqui, o que ele mais estava gostando. Respondeu-me, para meu espanto, “dos empregados”. Ao que retruquei espirituosamente, – Isso explica porque o capitalismo está se dando bem na China. Fiz essa introdução porque se acreditasse que as pessoas não tem papel relevante nos destinos da humanidade, seria um materialista dialético. Mas o fato é que se Maomé não vai à montanha, isto é, se Poloneses não vâo à França, ou Bolivianos ao Brasil, ou Africanos do Norte à Itália e muito menos chineses, que não podem sair daquele enorme campo de concentração sem autorização da máfia, e invadem o mundo, então a montanha vai a Maomé, isrto é, o capitalismo está na China, moral da história, tudo hoje é feito lá por semi-escravos a preço de banana, sem culpa. O remédio pra isso ( a libertação do ser humano) não passa pelo fim do capitalismo, mas pela vitória da democracia. É falou em democracia a esquerda torçe o rabo.

  35. Dhiogo18 de agosto de 2011 às 16:03

    “Eu já estou aqui há seis anos e não tenho nada. E voltar para a Bolívia não é uma boa opção porque as coisas são ainda piores lá.”

    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,voltar-para-a-bolivia-nao-e-uma-opcao-diz-vitima-de-exploracao-em-sp,760497,0.htm?p=2

    Não sei o porquê, mas parece que essas coisas não aparecerão em certas revistas indignadas com a exploração “capitalista”.

  36. Felipe Flexa18 de agosto de 2011 às 13:44

    O capitalismo aboliu a escravidão – é fato. Quando chegarmos lá, não utilizaremos sequer este tipo de mão-de-obra barata oriunda de um país que está esfregando na cara dos neoliberais a glória do socialismo do século XXI. Mas repito: só quando chegarmos lá, ultrapassando a fase do mercantilismo, ou se preferirem, do capitalismo de compadres, do capitalismo de cartório, do capitalismo do carimbo, que é o estágio onde ainda nos encontramos.

    • flaviomorgen18 de agosto de 2011 às 13:54Autor

      Já reparou que nêgo adora reclamar de privatização, e os piores modelos de capitalismo que eles criticam é justamente o capitalismo de Estado, que de liberal não tem absolutamente nada?

  37. Setembrino18 de agosto de 2011 às 08:44

    Pura ingenuidade e dois erros. 1º capitalismo acabou com a escravidão. Que outra opção tem a grande massa que não tem recursos econômicos suficientes para ‘empreender’ ou cognitivos suficientes para progredir? Nenhum. Emprega-se naturalmente e é explorado ganhando menos do que a sua atividade vale, ou seja, um tipo sofisticado de escravidão. 2º socialismo não existiu. Se um dia existir virá para sobrepor o capitalismo. É sonho desse bando de sem noção como Evo Morales implantar um sistêma econômico diferente no contexto que vivemos atualmente. Toda tentativa não passa de si e é mais maléfica do que benéfica para o povo, como, no único ponto de lucidez do artigo você bem disse.

    • flaviomorgen18 de agosto de 2011 às 12:38Autor

      O clichê é conhecido, mas mudando a palavra, você recaiu num erro retumbante: o socialismo existiu e existe, o comunismo é que não existiu nem nunca existirá (thank God). Ou Cuba, Coréia do Norte, China (não economicamente) e mesmo países árabes como Afeganistão e Cazaquistão seguem qual modelo?

      No mais, o que você está dizendo sobre as pessoas não terem opção é exatamente o argumento do meu texto. E ainda com números que explicam.

  38. Thiago - RJ18 de agosto de 2011 às 03:21

    Flávio,

    no parágrafo “Aplique-se o mesmo princípio ao trabalho semi-escravo”, você menciona, lá pelo final, trabalhadores “cubanos”, mas são bolivianos. Dá para entender perfeitamente a mensagem, mas é bom consertar, sob pena de um “tá vendo? Nem consegue acertar a nacionalidade dos pobres coitados. Esses assassinos da direita só querem é que os pobres sofram muito e depois morram, enquanto eles ficam comendo lagosta, tomando uísque e rindo da desgraça dos outros”. Ou qualquer outra baboseira do tipo.

    Bem, deixe-me voltar ao Facebook, estou me divertindo horrores com a onda de suprema indignação. Já estão convocando um ato público de queima das roupas da Zara: cada um leva suas roupas da “marca marcada” e joga na pira da purificação ideológica. Um deles postou uma foto de várias roupas suas, com as etiquetas à mostra, com a legenda: “Porque todos nós somos, em parte, responsáveis… #vergonha”.

    Vergonha, do tipo alheia, tenho eu. A discussão gira em torno de como as pessoas estão chocadas (realmente, ninguém sabe de algo até que… bem… toma conhecimento dessa coisa e passa a saber), demonstrando seu “bom-mocismo” ao enumerar marcas e grifes que não usam. A Nike e a Marisa, a exemplo da Zara, “usam trabalho escravo”. Marcas que “maltratem animais” também estão fora (isso significa que o fulano é vegan, certo? Se não for, mega-hipocrisia DETECTED). O caso mais curioso é a Adidas: a marca patrocina (dá dinheiro) ao Kaká; Kaká foi membro (dava dinheiro) à Igreja evangélica neopentecostal “Renascer em Cristo”, cujos líderes são criminosos e exploradores de inocentes (além de se dizerem cristãos, e ser anticristão é “in” atualmente). Logo, Adidas é uma marca proscrita…

    O que mais me deixa puto é que esse é o tipo de acontecimento que faz a esquerda derramar uma lágrima muito pungente e significativa: de tristeza pelos explorados; de raiva pelo sistema que os explora; de auto-reafirmação pela certeza de que está na luta pela desconstrução de tal sistema e pela construção de “um outro mundo possível”; de conforto por saber que a virtude moral está com eles, e só com eles. Ok, meu filho: e da sua pilha de milhões de cadáveres, já esqueceu?

    Enfim… bem “reacionariamente”, só o que tenho a dizer é: há legislações trabalhista e criminal em vigor no país. Que sejam aplicadas com o máximo de rigor. A redução de trabalhador à condição análoga à de escravo é crime, e essa é a questão jurídica mais importante. Porém, não podemos esquecer que os bolivianos, ainda que vítimas nessa história, são imigrantes ilegais… e aí, o que a União vai fazer com eles? Regularizar suas situações, dar Bolsa-Família… ou mandar de volta ao Morales? Não é um Fidel, mas é “compañero”…

    • flaviomorgen18 de agosto de 2011 às 11:59Autor

      Thiago, obrigado pela correção. Pior que cometi isso duas vezes, é que numa delas deu tempo de corrigir antes de publicar. :)

      Mas você repara como ser de esquerda é uma auto-ajuda pra quem acha Quem Mexeu no Meu Queijo muito brega? É sempre a idéia de mostrar como se preocupa, não de fazer algo – afinal, o que mais defendem é uma utopia inalcançável, impraticável e, sobretudo, indesejável. Mas entre numa aula de Humanas e estará todo mundo… falando mal da sociedade. É uma espécie de psicanálise alheia, uma tertúlia rocambolesca onde se vai para se sentir bem por poder culpar o outro e estar entre os “conscientes” de plantão.

      E aí, o discurso fecha um ciclo perfeito: reclama-se da falta do governo dando assistência para os pobres, assim como reclama-se do governo não dar dinheiro para eles, que não fazem nada, mas querem ganhar por se preocuparem com os pobres. Não dá impressão de ser a coisa mais congruente e lógica do mundo?

      Enquanto isso, basta culpar quem compra coisas da Zara. E defender o socialismo, o trabalho escravo com verified account.

  39. Leo Martins17 de agosto de 2011 às 22:08

    Outro dia li uma reportagem na Piauí (http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-49/diario/em-busca-de-raizes-organicas) sobre o programa wwoof (fazendas orgânicas). Você entra no país com visto de turista, tem que mentir sobre sua visita; não há infraestrutura alguma e nunca se sabe como será o patrão ou outros empregados; Cagando no mato e comendo o que te oferecem. Sem plano de saúde, hospitais, ou qualquer garantia de que você aguenta o serviço pesado e insalubre. A jornalista ainda menciona bucolicamente os coliformes, que irrigam o cultivo. E o dinheiro? Na verdade é você quem deve pagar para trabalhar. Adiantado, creio eu, porque anti-capitalismo tem limite.

    Mas nesse caso é uma experiência única, é na zeuropa.

    • flaviomorgen18 de agosto de 2011 às 13:10Autor

      Pois é. os bolivianos aqui da Zona Norte (moro ao redor de vários desses casarões) trabalham horas e horas, não falam meia palavra em português (por fatores sociológicos, não entendem a língua, mesmo com o parentesco). Morrem de medo de brasileiros puxarem conversa (fogem, mesmo), porque dizem pra eles que são todos agentes do governo e que, se caírem em suas mãos, vão ser torturados em prisões.

      Ou seja, às vezes até por ignorância e por manipulação da realidade dos traficantes, ainda sentem que o melhor é serem semi-escravizados.

  40. Russo17 de agosto de 2011 às 22:05

    Pode não ser uma corporação de mídia mas ainda é importante espalhar as idéias austríacas por esse país comunista/socialista/social-democrata.

  41. Russo17 de agosto de 2011 às 21:46

    Ótimo artigo, Morgenstern.

    Me surpreende ver alguém citar a praxeologia misesiana e a Escola Austríaca na mídia.

    Thumbs up!

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