Em comercias de campanha Haddad dizia que queria “uma periferia vibrante, com cultura…’ A teoria era bonita e lhe valeu a eleição. Porém, na prática, a realidade foi diferente. Haddad retirou da Virada Cultural mais de 200 eventos que aconteciam na periferia, e também cortou da festa todos os Centros Educacionais Unificados, os CEUs, que ficam na periferia e no ano passado reuniram 162 apresentações. A verdade é que com o PT, a festa mais popular de São Paulo abandonou a periferia e se concentrou na região central. A primeira Virada Cultural da gestão Haddad também foi menor do que a do ano passado, mesmo tendo o maior orçamento de toda a sua história, R$ 10 milhões. No total, 4 milhões de pessoas foram a 790 eventos no centro e 414 em áreas periféricas em 2012. Agora, foram 784 atrações centrais e 226 em pontos distantes. Com um orçamento 33% maior neste ano — foi de R$ 7,5 milhões para R$ 10 milhões —, a Virada diminuiu os eventos em cerca de 16%.
Para justificar a desidratação da festa, e a retirada dos eventos culturais da periferia, o Secretário de Cultura petista, o baiano Juca Ferreira, disse o seguinte: “O que nós não queremos é que a periferia tenha de ficar na periferia”. Ora, mas esse argumento não é justamente a antítese daquilo que Haddad repetiu como mantra durante toda a sua campanha, que com ele iria acabar este negócio das pessoas terem que ir à região central, para trabalhar e buscar opções de lazer e cultura?
Abaixo o vídeo com a promessa feita durante o programa eleitoral do petista.

Reportagem do Estadão:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu na noite desta segunda-feira que um presidente da República não pode levar a público tudo o que aconteceu durante sua gestão. “Nenhum presidente pode escrever um livro de verdade. Porque ele não pode contar tudo do que aconteceu no seu mandato presidencial. As conversas com outros chefes de estado, as reuniões ministeriais”, disse Lula, afirmando que, por isso, não escreveria uma “biografia meia boca”.
“Eu não posso escrever um livro e não contar tudo. Seria uma biografia daquelas eu me amo e só tenho virtudes. Então resolvi não fazer”, completou. Segundo ele, o que está organizando é um livro com uma entrevista pessoal do petista e também de membros da sociedade brasileira.
O ex-presidente fez o comentário durante lançamento do livro “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”, da Boitempo Editorial, organizado pelo cientista político Emir Sader e assumiu ainda não ter lido a obra, para a qual concedeu uma entrevista. Ele brincou, contudo, dizendo que tem “lido demais” depois que deixou a presidência e, principalmente, após o diagnóstico de um câncer, pois se preocupa em “chegar mais culto lá em cima”.
Lobista
Lula criticou o que chama de “tentativa de transformá-lo em lobista” por parte da imprensa. “Tem um jornal agora que está tentando me transformar num lobista. Eu não sou lobista, não sou conferencista e não sou consultor, a única coisa que eu sou é um divulgador das coisas que eu fiz nesse governo.”
“As pessoas talvez fiquem preocupadas porque eu cobro caro e não falo quanto cobro. Mas se as pessoas pagam para ouvir um governante fracassado, têm que pagar bem”, brincou, arrancando aplausos da plateia. “Se quiserem saber o quanto eu cobro me contratem.”
Durante sua crítica à imprensa, Lula destacou os feitos econômicos dos governos petistas, como a geração de 22 milhões de empregos, mantendo inflação sob controle e redução da dívida pública. De acordo com ele, algum estrangeiro que chega ao País e lê as notícias dos jornais nacionais pode achar que “o País acabou”. “Mas vamos supor que nós sejamos incompetentes (para conseguir os feitos conquistados) e ainda assim tenhamos sorte, pelo amor de deus, não vote em ninguém que não tenha sorte”, ironizou.
Em uma plateia majoritariamente formada por universitários e jovens, ele fez ainda um clamor para que a sociedade não desanime com a política. “Eu fico horrorizado quando eu leio noticias tentando desestimular a política. Nos momentos mais difíceis, ao invés de vocês desistirem, assumam a política para vocês e mudem o que vocês quiserem mudar nesse país”, concluiu.
Classe média
O evento contou com apresentações dos também colaboradores do livro Marilena Chauí e Marcio Pocchmann. A filósofa fez uma contundente crítica à classe média brasileira, destacando que prefere chamar os brasileiros que ascenderam socialmente nos últimos dez anos de “uma nova classe trabalhadora”. “Esses direitos dos trabalhadores foram conquistados com 20 anos de luta e dizer que essas lutas fizeram a gente voltar para a classe média: de jeito nenhum”, disse, afirmando ainda que a classe média é “arrogante, conservadora, um atraso de vida”. Lula, que falou após Marilena, brincou: “Depois de tantos anos de luta que eu cheguei a ser considerado classe média essa mulher avacalha a classe média”.
(grifos nossos)

E, mais uma vez, coube ao jornal “O Globo” dar voz aos dados do governo sem qualquer análise – e isso já tinha acontecido há dois dias, com a “comemoração” da taxa de êxito de apenas 12% no Bolsa Família. Agora, são os negros as vítimas da gambiarra estatística e eleitoral do governo.
O título é o seguinte: “125 anos de Abolição: Maioria dos negros já é de classe média”. Uma ótima notícia, não? Pois é: não. Isso porque fazer parte da “classe média”, hoje, não é vitória alguma. O governo BAIXOU o limite mínimo. Vejam aqui e aqui.
Quem ganha a partir de R$ 291 por mês, antes alguém considerado pobre, passa a ser “classe média” para o governo (e para alguns do jornal “O Globo”). A reportagem, aliás, insere um dado que na prática contraria o título, especialmente quando somado ao fato de pobres serem hoje considerados classe média. Vejam:
“Nos estratos que estão entre os 10% mais pobres dessa nova classe média, o percentual de pretos e pardos é de 62%. No outro extremo, dos 10% mais ricos, o percentual cai para 39%.” (grifos nossos)
Em suma: os 10% mais pobres da “nova classe média” são os DE FATO POBRES, com maioria negra (62%). No outro “extremo” (a classe média de fato), a presença cai para 39%. E a reportagem passou numa boa, no bom e velho “PiG” de que reclamam governistas que usam babador.
Essa tortura do governo quanto aos números e estatísticas, até que confessem algo positivo mesmo no mais negativo dos contextos, já enseja a criação de uma comissão da verdade.

Assim que percebi a turminha do DCE do Tuíter™ repassando uma notícia positiva sobre o Bolsa Família, fui aos números e vi o truque. Em vez de abordar percentual de êxito, a manchete alardeada trazia um número desvinculado do total de atendidos pelo programa.
A vitória aparece de maneira gritante: “mais de 1.6 milhão de casas abriram mão do benefício”. Muito? Um milhão e meio de famílias, sem dúvida, formam um número razoável se visto de maneira absoluta. Mas seria algo a ser comemorado diante do total de atendidos? Não, nunca.
Isso porque esse montante corresponde a cerca de 12% dos beneficiários do “Bolsa Família”, uma taxa de êxito pra lá de ridícula, exígua, praticamente uma prova cabal de que o programa não teve eficácia nesses dez anos.
Troquem “Bolsa Família” por qualquer outro exemplo da vida prática, sei lá, um remédio para tratar determinada doença. Se apenas 12% dos pacientes são curados, esse remédio não funciona, e os 88% de pacientes sem cura são prova cabal da ineficácia.
E falamos aqui de DEZ ANOS de “Bolsa Família”, não de alguns meses. Já teria dado tempo – como de fato deu, para alguns – de tirar mais famílias da faixa da miséria, CASO FOSSE MESMO um programa efetivo. Mas não é. A grande maioria permanece miserável (88%!)
Podemos dizer que foram dez anos desperdiçados num programa assistencialista que praticamente não resolveu nada. Os números dizem isso, gritam isso, apontam isso de forma inescapável – por mais que se tente pegar como “exemplo de sucesso” uma taxa de acerto péssima.
Vale lembrar que o “Bolsa Família” atende casos extremos: R$ 140 de renda MENSAL por pessoa. Temos, portanto, que 88% dos beneficiários continuam ganhando MENOS do que isso mesmo após os DEZ ANOS de implantação do programa. Não se trata de sair da faixa de pobreza, mas de um fiasco quanto a tirá-los da faixa da MISÉRIA.
Mas ainda acredito na ingenuidade de parte da turma do DCE das redes sociais, pois não é uma galera conhecida pelas habilidades em ciências exatas. De todo modo, os números são esses: de cada 100 famílias atendidas nos últimos dez anos, 88 continuam miseráveis. Aceitem: deu errado. Reconheçamos: é preciso repensar esse programa.
Falta fiscalizar contrapartidas? Faltam ações de fomento às economias locais? Cabe ao governo estudar e implantar as medidas necessárias, mas obviamente a forma atual do “Bolsa Família” é um fracasso, agora registrado em números pela própria administração federal.
Usar a exceção como se fosse regra pode funcionar como propaganda partidária, mas é contraproducente quanto à melhora da situação dos miseráveis – a menos, claro, que se queira manter o quadro atual. Parece que há quem queira.

Não se trata de um título sensacionalista, mas sim a pura e objetiva verdade: Dilma Rousseff nomeou ninguém menos que o VICE-GOVERNADOR de São Paulo, Guilherme Afif (PSD), para seu ministério. Não há demonstração maior do que essa quanto a aprovar e mesmo aplaudir uma gestão. O PT considera a administração de SP tão boa que quis o vice em seu primeiro escalão federal. Militância, durma com essa.
E Afif é ligado a Kassab, vai ao ministério por isso. Todo aquele pessoal “suprapartidário” que reclamava do ex-prefeito agora está com a viola enfiada no saco porque, bom, PORQUE ESSE PESSOAL FOI CONTRATADO pelo Haddad. É mole? E teve gente que acreditou nessa galerinha (que, convenhamos, já era manjada). Quem conhece alguma coisa de política não se assustou – mas não por isso devemos deixar de cobrar os que se faziam de ingênuos enquanto divulgavam a papagaiada.
Vamos ver o que vão falar no ano que vem, caso queiram mais uma vez, “espontaneamente e de forma suprapartidária”, fazer o mesmo tipo de protesto em nome do amor – valendo a ressalva de Nelson Rodrigues.

A blogueira progressista Maria Fro publicou um texto de Idelber Avelar em seu blog, esquecendo-se de creditar-lhe a fonte. Idelber Avelar é uma espécie de blogueiro progressista solo, um progressista que não faz parte da Grande Turminha do Dinheiro Público. Avelar não gostou, respondeu em público e a quizumba começou.
Nós adoramos ver dois progressistas, esse novo nome para a velha roupagem comunista, brigando por direito de propriedade. Melhor do que isso, só feminista defendendo Mano Brown e Netinho de Paula.
A discussão que se seguiu foi meio chata e sem emoções. Foi um pouco como a revanche de Chael Sonnen contra Anderson Silva: muita falação por fora, e bocejativa dentro do octógono.
Nós já zoamos os dois por aqui. Maria Fro é aquela blogueira que acha que não dar dinheiro público para ela defender o governo é “censura” por “asfixia financeira”.É da blogosfera flanelinha. Idelber Avelar já é o blogueiro que tem até umas críticas lá a Mahmoud Ahmadinejad, mas considera que quem não gosta dele é a “República Morumbi-Leblon com seus gritinhos histéricos”. Tutti buona gente.
Mas o que chamou a atenção foi que Maria Fro, no afã de explicar que não fez nada errado por motivos de: “Não sei o que ocorreu, mas no recorta e cola não foi a assinatura do Idelber e eu não percebi isso, mas…” (sic), e lembrando que “E ele sabe que não sou plagiadora, portanto, ele faz isso de má-fé”, resolveu falar “a linguagem que Idelber Avelar entende”, presenteando a humanidade com o seguinte parágrafo:

QUESTÃO DO ENEM: Coloque o texto acima nos conformes da gramática normativa nazi-fascista do PSDB.
Vamos abrir o Boteco da Gramática Normativa e analisar o que a professora auto-gabante de seu trabalho tem a dizer.
“Sou a única autora de livros didáticos que teve avaliação ÓTIMA (GUIA PNLD2008) em todos os critérios de avaliação do MEC desde quando o MEC avalia coleções didáticas.” (grifos do original) Fro, foram os livros ou foi você que o MEC avaliou? Os livros, né? Então, os livros não tiveram avaliação “ÓTIMA” (assim, em caixa alta e negrito), e sim “ótimo”, né? O avaliador não disse que o livro é “ÓTIMA”, e sim que é “ótimo”. Poderia dizer “ótima avaliação”, mas aí seria apenas um adjetivo, e não uma nota, colocada como substantivo. Ou quando a nota da prova é 2, a nota por extenso é “duas”?!
Mas peraí, você foi autora de livros, né? Isso aí se chama “plural”. Então, você é única autora de livros didáticos que tiveram avaliação ÓTIMO (ou BOM, REGULAR, MEIA BOCA, DÁ PRA USAR COMO SEDA, MUITO RUIM, PÉSSIMO) em todos os critérios.
Isso para não falar em figuras de estilo bem pouco recomendáveis, como “avaliação do MEC desde quando o MEC avalia“. Convenhamos, é quase tão feio quanto eu acordando.
O arrazoado prossegue com “Tenho dois prêmios jabuti e até 2008 (não cheguei nos anos seguintes era a única autora do seguimento a acumulá-los na área) Portanto”, o que nos permite afirmar: 1) que nome próprio tem inicial maiúscula, para não correr o risco de a moça ganhar um prêmio nobel alguma hora; 2) que não sabemos o que essa conjunção aditiva “e” está fazendo antes de 2008 (o que ela adicionou, se não teve novos “prêmios” depois?); 3) que esse parêntese inteiro não faz o menor sentido; 4) que a palavra “segmento” se escreve com g mudo (Fro, sério, presta atenção, sério, “seguimento” assim é uma parada do verbo “seguir”, não do verbo “segmentar”); 5) que se a referência é a um tempo anterior a 2008, seria muito mais sensato, abusando um pouco do eufemismo, usar o tempo passado composto, já que pretérito-mais-que-perfeito está fora de moda (“tê-los acumulado”); 6) que frases terminam com um ponto final, antes de esfregar na cara da sociedade uma inicial maiúscula na próxima frase antes de fechar a anterior; 7) que não deu pra entender nada e, last but not least, 8) que, Fro, sério, esse texto está tão ruim que se colocarem minha assinatura embaixo vão acreditar que é meu. Sério.
O massacre prossegue com “não preciso plagiar nada de ninguém, mas se não tivesse nada que abonasse meu trabalho fora da blogosfera, tenho duas décadas de internet”, fazendo de Maria Fro a única pessoa no Brasil a ter internet desde 1993, mostrando que a internet é uma longa vida fora da “blogosfera”. E nossa mãe mandando a gente desligar o computador e viver um pouco.
E, cara Fro, reparou como ficaria “melhor”, ou seja, mais entendível por uns mongos como eu, seguir aquelas regrinhas chatas, fascistas, elitistas, excludentes e neoliberais que nos mandam autoritariamente a separar com víruglas os apostos das orações? Olha só: “tenho colegas de escrita que acompanho e me acompanham há mais de 16 anos na rede VÍRGULA como Alexandre Inagaki ou Nálu Nogueira VÍRGULA com os quais até hoje temos trocas frequentes VÍRGULA, mas também recomendaríamos uma escolha menos poética de palavras para o que você acabou de falar que são testemunhas do tempo que ando pela rede produzindo conteúdo sem precisar plagiar ninguém.” Ficou da hora, fala a verdade.
Isso tudo em 01 parágrafo, minha gente. Um único parágrafo!
Poderíamos acreditar que é apenas algo feito nas coxas, o que qualquer um faz e publica cheio de erros na internet (ninguém está mais acostumado com isso do que nós, para usar um plural majestático bem disfarçador de responsabilidades). Mas, vamos ser honestos, este aí é o texto de uma autora de livros de “avaliação ÓTIMA” pelo MEC? Será que é tão difícil assim entender por que nossa Educação está no estado em que está? Será que não seria mais um motivo de vergonha do que de júbilo usar esses argumentos, ainda mais não para fazer a ensinança das crianças, ainda mais no seguimento (sic) da internet, onde tu te tornas eternamente responsável pelas porcarias que escreves?
Poderíamos até pagar o tributo de nossa malevolência e atribuir os pequenos erros de Maria Fro à pressa que sentimentos ao obtemperar alguém que nos acusa de algo que não cometemos, ou cometemos por engano, porque o Ctrl C + Ctrl V sumiu com a assinatura do autor do texto (quem nunca?). Mas será que é mesmo um caso isolado, e não um modus operandi que parece até ter alguma explicação para inventar essas teses insanas de “preconceito lingüístico” para justificar o quanto exige do leitor em entendimento do inentendível, dificultando sua compreensão ao exigir que ele compreenda tanto a mensagem quanto decifre na tentativa-e-erro um código específico a cada nova mensagem cifrada?
Fiquemos apenas com essas imagens à guisa de tentativa de esclarecimento.


Ah, falando em propriedade intelectual, esta divertidíssima compilação foi-nos gentilmente cedida pelo hilário Tumblr Gênios Petistas. Só falta alguém avisar os caras disso.
Ainda de olhos castanhos e pele natural.
Sempre falo sobre a militância de determinada causa que, antes de qualquer coisa, milita de verdade para o partido. Em síntese, fazem silêncio quando sua legenda de coração pisa na bola quanto à causa defendida – ao contrário dos gritos de condenação dirigidos aos outros. São militantes partidários, não de qualquer bandeira.
O introito meio redundante serve para este caso esdrúxulo e evidentemente deplorável: nas propagandas de televisão, Dilma aparece com a pele mais branquinha e OLHOS CLAROS. Sim, ela usa LENTE COLORIDA.
Segue trecho de reportagem publicada no jornal O Globo:
“Nos vídeos de 2011 e 2012, Dilma aparece com olhos castanhos originais. Mas, nos últimos três pronunciamentos gravados em janeiro, março e agora, em maio, a tonalidade da cor dos olhos da presidente está bem mais clara, ora amendoada puxando para o verde, ora para o azul. A diferença fica ainda mais nítida se a comparação for feita entre o pronunciamento do Dia do Trabalho de 2012 e o deste ano. Além da cor dos olhos, o marqueteiro João Santana buscou dar a Dilma um ar mais leve, com a pele do rosto muito branca e sem as marcas de expressão, e sobrancelhas mais afinadas e definidas. Procurada, a assessoria da presidente não se pronunciou.” (grifos nossos)
Boa parte do pessoal que luta em favor da igualdade racial não falou (nem falará) coisa alguma desse verdadeiro insulto praticado pela Presidente da República. Serve o exercício: imaginem algum opositor do governo federal aparecendo na TV com a pele “mais branca” e de LENTES DE CONTATO claras. Pois é.
Fernando Henrique, alegando ser mulato, disse ter “um pé na cozinha”, piada de mau gosto e com carga histórica horrível. Foi xingado, é claro. Dilma agora clareia a pele e até mesmo os olhos, mas nada será dito. Ela pode.
Fica a torcida para que os reais defensores da igualdade racial se pronunciem condenando essa teratologia.

O deputado federal Nazareno Fonteles (PT-PI), autor da PEC que submete decisões do STF ao Congresso, defende “cadeia” e impeachment aos ministros da Corte que em sua opinião “desrespeitam” o Legislativo. Confiram algumas declarações de Fonteles ao site Congresso em Foco:
“Lei dos royalties do petróleo… Carmén Lúcia e Fux. Fux interrompeu o regimento aqui. Se eu fosse presidente desta Casa ou do Congresso, eu aposto que se eles fizessem isso, mandava prendê-lo. E depois abria processo de impeachment, que é isso que está na Constituição, rapaz” (…)
Ao comentar a suspensão da votação do projeto que limita a criação de partidos, Nazareno disse que Gilmar Mendes também merecia ir para atrás das grades. “Um ato desse, por exemplo, que o Gilmar Mendes fez aqui, de entrar aqui com uma medida interrompendo uma lei [um projeto de lei], eu não pensava duas vezes”. O deputado confirmou quando foi questionado se se referia a “cadeia”. “Não é um atentado ao poder?”, respondeu Fonteles. “Claro que primeiro você teria que alertá-lo, mas, se ele reiterasse, é isso. E entrava com processo de impeachment no Senado contra ele.”
A íntegra da entrevista pode ser lida/ouvida aqui.

“É golpe!” – dizem os defensores do governo, com ou sem contrato com estatais (mas geralmente com), quando algum veículo de comunicação denuncia casos de corrupção. Para eles, seria “golpismo” fiscalizar o governo. Simples assim. Errado assim. Idiota assim.
Desta feita, é sempre complicado usar essa palavra, mas o que se pretende com a Proposta de Emenda Constitucional de número 33 não é nada além de um golpe. Não há outro nome e, nesse caso, emprega-se os verdadeiros valores semântico e jurídico do vocábulo.
Em síntese, essa PEC busca limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal, submetendo-o em alguns casos ao legislativo. Desse modo, algumas decisões do tribunal responsável por vigiar o cumprimento da Constituição Federal precisarão ser aprovadas pelos que deram causa à consulta à Corte.
Isso tem nome. É golpe.
O Estado Democrático de Direito é composto de poderes (funções) independentes – a base de qualquer democracia. O legislativo legisla, o judiciário julga e o governo administra. Há exceções (como MPs, decisões de caráter normativo e funções administrativas ou judiciárias ligadas ao legislativo – como tribunais de contas). Mas são, por óbvio, exceções.
Se o Congresso Federal aprova alguma lei que possa contrariar a Constituição Federal, cabe ao STF a decidir sobre isso. Atualmente, por maioria simples considerando o total da casa (6 de 11); com a PEC, passariam a 9. E essa é a parte “leve”.
No caso de o STF julgar uma lei inconstitucional – mesmo com nove ministros assim votando –, a DECISÃO do Supremo vai para a Câmara para que OS PARLAMENTARES A RATIFIQUEM – tendo poder de veto. Sim, o judiciário se tornaria subordinado ao legislativo em matéria de julgamento constitucional de leis.
Evidentemente, essa PEC, por si, é inconstitucional (a suposta mudança de artigos simples na verdade fere a cláusula pétrea de independência dos poderes/funções da República). Mas, caso seja aprovada, quem julgará sua constitucionalidade? Passa a viger imediatamente ou depende de ratificação pelo Supremo? Em caso de veto, vale o total atual ou aquele estabelecido pela PEC?
Esses problemas aparentemente insolúveis dizem respeito à própria Emenda, imaginem o que aconteceria caso entrasse de verdade em vigor – e digo “de verdade” pois apenas passou pela Comissão de Constituição e Justiça e, para ser aprovada, precisa de várias votações nas duas casas, com ampla maioria (3/5 dos votos em dois turnos).
Nosso Congresso muito provavelmente vetará, mas é surpreendente que tenha passado pela CCJ. Ou nem tanto, considerando que tal comissão conta com dois mensaleiros condenados pelo STF por corrupção: José Genoíno e João Paulo Cunha – e a PEC foi apresentada por um deputado do PT.
É verdade que cabe à Comissão de Constituição e Justiça avaliar requisitos formais de projetos de lei e PECs (número suficiente de assinaturas etc.). Mas OBVIAMENTE também é papel da Comissão analisar se os projetos estão de acordo com a Constituição Federal.
E esse não está. O truque consiste na mudança na redação de artigos aparentemente modificáveis, mas o efeito é uma implosão da cláusula pétrea determinada pelo Art. 2 da CF:
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Ao submeter ao congresso decisão soberana do Supremo Tribunal Federal acerca do que lhe cabe como atribuição precípua (julgamento de constitucionalidade), a PEC 33 anula a harmonia entre os poderes e, principalmente, desfigura a independência entre si.
Fora essa aberração institucional, tem-se o seguinte na prática: uma das “partes” do processo terá palavra final sobre a decisão do judiciário. Como cabe ao STF decidir sobre a atividade legislativa à luz da constitucionalidade, o legislador, MESMO TENDO SEU ATO CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL, terá o poder decisório final sobre a legalidade de seus próprios atos questionados.
Parece picuinha do partido cujos líderes foram condenados, mas é puro e simples golpismo tacanho. Cabe ao próprio Congresso frear essa maluquice autoritária o quanto antes, pois não há outro resultado, caso seja aprovada, além de uma crise institucional sem precedentes.
E está na hora do PT parar com isso. Deveriam parar de colocar a culpa dos casos de corrupção em quem os divulga e, agora, também em quem os condena. A culpa é de quem os pratica. Condenem seus mensaleiros, não nossas instituições.
Revista Veja / Reprodução
A edição deste fim de semana de Veja revela detalhes de uma sindicância feita por técnicos da Casa Civil da Presidência da República sobre as atividades de Rosemary Noronha no governo. A investigação resultou num relatório de 120 folhas. A pedido da ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann, a Controladoria-Geral da República abriu processo administrativo contra a ex-chefe da Presidência em SP.
Abaixo um trecho da reportagem:
Durante dois meses, uma comissão especial do governo colheu depoimentos de funcionários, vasculhou mensagens eletrônicas, registros de agenda e listas de visitantes para tentar reconstituir, ao menos em parte. a rotina no gabinete da Presidência da República em São Paulo entre 2009 e 2012. No ano passado, a Policia Federal descobriu que Rosemary Noronha usava a influência e a intimidade que desfrutava com o ex-presidente Lula para se locupletar do poder. Ela patrocinou lobbies, agendou encontros com autoridades e ajudou urna quadrilha que vendia pareceres a empresários. Em troca, recebia vantagens e remuneração em dólar, euro, real e até em won, a moeda coreana. Exonerada do cargo e indiciada por formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva, Rosemary foi alvo de urna sindicância conduzida por técnicos da Presidência. O relatório final da investigação, mantido em segredo por determinação expressa do próprio governo, é a síntese do que para alguns é a norma fria do serviço público em Brasília, uma grande loja de facilidades.
(…)
Um processo administrativo já foi aberto na Controladoria-Geral da União. Ex-bancária. Rose, como é chamada pelos mais íntimos, foi urna destacada militante do movimento sindical no início da década de 90. Era admirada na categoria pelos belos cabelos longos e por outras peculiaridades do seu biotipo. Seus talentos foram logo notados pelos figurões do PT. O então deputado José Dirceu, de quem se tornou multo amiga, contratou-a corno secretária de gabinete. Logo depois, promovida, Rose passou a organizar a agenda do candidato Lula, cuidar das suas contas, anotar seus recados, enfim, gerenciar o cotidiano do futuro presidente. E fazia isso com muita competência, segundo pessoas próximas. No governo petista, ela continuou cuidando do dia a dia do presidente, principalmente quando havia viagens internacionais. Por determinação do cerimonial do Palácio do Planalto, era autorizada a se engajar na comitiva sempre que Marisa, a esposa de Lula, não podia acompanhar o marido. Sem uma função definida, Rose ficava hospedada no mesmo hotel do presidente, de prontidão para ser acionada em caso de necessidade.
(…)
Mensagens inéditas reunidas no relatório da investigação mostram que a ex-secretária foi recebida com honras de chefe de estado na embaixada brasileira em Roma. Todas as facilidades possíveis Ihe foram disponibilizadas. Rose temia ter problemas corn a
irnigração no desembarque em Roma. O embaixador José Viegas enviou-lhe urna carta oficial que poderla ser apresentada em caso de algum imprevisto. Rose não conhecia a liália. O embaixador colocou o motorista oficial à sua disposição. Rose não tinha hotel. O
embaixador convidou-a a ficar hospedada no Palazzo Pamphili — e ela não ocuparia um quarto qualquer. Na mensagem, o embaixador brasileiro saudou a ida de Rose com um benvenutti!, em seguida desejou-lhe buon viaggio e avisou que ela ficaria hospedada com o marido no “quarto vermelho”. Quarto vermelho?!Como o Itamaraty desconhece esse tipo de denominação, acredita-se que “quarto vermelho” fosse um código para identificar os aposentos relacionados ao chefe — assim como normalmente se diz ‘telefone vermelho”, “botão vermelho”, “sala vermelha”… Independentemente disso, com a ajuda da Controladoria-Geral da União, a investigação da Casa Civil confirmou que a ex-chefe de gabinete não eslava a trabalho em Roma. Por isso, considerou que a estada nas dependências diplomáticas configurou mais um caso de apropriação particular do patrimônio público e recomendou que o Itamaraty apurasse o episódio. Indagado, o embaixador José Viegas, que deixou o posto em 2012, disse que não podia discriminar quem chega com dinheiro público ou privado” à embaixada. Em tese, portanto, qualquer mortal de passagem por Roma está autorizado a pernoitar uns dias na embaixada. Sobre o tal “quarto vermelho”, garantiu que se trata de um cômodo secundário.
A íntegra pode ser lida na edição impressa da revista.