Blog

A desastrada iniciativa do prefeito Haddad no combate ao crack

Segundo a Veja São Paulo, apenas 15% dos beneficiários do Braços Abertos cumprem com a jornada diária de trabalho, mesmo que para quitar dívidas com traficante. Funcionários da prefeitura estariam cobrando propina para pagar o benefício aos faltosos.

haddad_pt

A Veja São Paulo resolveu passar um mês acompanhando o andamento do programa Braços Abertos, uma polêmica alternativa no combate ao consumo de drogas, em especial o crack, nas ruas do centro da cidade. E o que a publicação testemunhou – ou colheu de depoimentos – confirma os piores temores dos críticos da iniciativa do prefeito Haddad.

A reportagem abre com um caso positivo, o de Francisco Jorge de Oliveira, que em 8 meses dentro do programa conseguiu se livrar das drogas e assinar um contrato de trabalho numa empresa privada. Mas o próprio entrevistado reforça que o caso dele se aproxima mais de uma exceção, já que seus antigos amigos seguem frequentando a Cracolândia.

Flávia Brito, de 39 anos, uma ex-cabeleira que recebe os R$ 115,00 semanais por trabalhos como os de varrição de rua confessa que a rotina é bem desleixada, com poucas horas de serviço e muito descanso. “A maioria dorme porque virou a noite, né?”, diz a beneficiária do Braços Abertos antes de confessar não sentir mais qualquer entusiasmo para efetuar o serviço e continuar no programa apenas para receber a grana para drogas.

Outros dois beneficiários não identificados testemunham que há todo um grupo de usuários que participam do programa apenas para “bater o cartão”, não cumprindo com a contrapartida do trabalho. Isso só seria possível graças ao uso de atestados médicos falsos. Um terceiro beneficiário denuncia que há até funcionários da prefeitura envolvidos nas fraudes: “Tem muito orientador aí que fala para o cara: ‘Você nem precisa ir trabalhar não, eu vou lá e marco seu ponto de manhã, marco seu ponto à tarde, a semana inteira. Sexta-feira é R$ 115,00 que você recebe, você me dá uns R$ 40,00…’.”

Parte da grana recebida pelos usuários vem sendo usada para quitar dívidas que acumulam com os traficantes durante a semana. Alguns chegam a repassar diretamente o pagamento recebido para o tráfico. “Os cara são fissurado, não aguenta chegar sexta-feira, faz dívida”, diz um dos beneficiários captados por uma câmera escondida. “Tem pessoas que trabalha a semana inteira. Vai receber R$ 115,00, está devendo R$ 200,00.”

A reportagem da Veja contabilizou apenas 15% dos 321 inscritos no programa como varredores cumprindo com a jornada diária de trabalho nas vias públicas. Diferentemente do que ocorre em dia de pagamento, quando o comparecimento é maior. Do lado da prefeitura, há apenas a promessa de que investigarão as denúncias.

Se a ideia era fazer um experimento, que haja honestidade no balanço e reconheça-se as grotescas falhas antes que seja dado a ele qualquer tipo de continuidade. Por tudo relatado até aqui, a iniciativa de irrigar financeiramente um meio tão necessitado de verba para alimentar vícios mais se assemelha à gasolina que jogada numa fogueira em chamas. À imprensa, cabe interpretar os releases governistas que teimam transformar exceções em regra como eles são: propaganda partidária. São Paulo não se tornou a potência econômica que é com elogios aos seus gestores. Muito pelo contrário.

To Top