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24 de outubro de 2011

Agnelo, o Arruda do PT: Testemunha afirma que governador do DF era o chefe do esquema no Esporte

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montagem agnelo arruda Agnelo, o Arruda do PT: Testemunha afirma que governador do DF era o chefe do esquema no Esporte

Reportagem publicada no último fim de semana pela revista Istoé traz o depoimento do auxiliar administrativo Michael Alexandre Vieira da Silva, testemunha-chave da Operação Shaolin da PF, ocorrida no ano passado. A operação investigou irregularidades no programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte e terminou com a prisão de cinco pessoas – entre eles, o policial João Dias Ferreira, que agora denuncia a participação de Orlando Silva no esquema. As declarações de Michael são contundentes: ele afirma que o chefe do esquema de corrupção montado no ministério do Esporte era o ex-ministro e ex-comunista baiano Agnelo Queiroz, hoje governador do DF e petista.

Até agora, Agnelo vinha tentando se distanciar do noticiário sobre o ministério que ele comandou do primeiro dia do governo Lula até março de 2006 e entregou a Orlando Silva, seu secretário-executivo na pasta. Como deixou o cargo há mais de 5 anos, Queiroz se defende dizendo que todas as contas de sua gestão foram aprovadas pelo TCU. Não é bem assim: com base em relatório do próprio Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal entrou com ação contra Agnelo e o Comitê Organizador dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro acusando o superfaturamento de obras do Pan-2007. Além disso, Agnelo também já consta como investigado em processo que corre no STJ sobre as irregularidades no Programa Segundo Tempo.

A origem do “esporteduto” do PC do B

A “vocação” do Partido Comunista do Brasil para gerir os esportes em administrações petistas foi descoberta em 2001, quando Marta Suplicy era prefeita de São Paulo e entregou a secretaria da área ao partido.

Quando Queiroz assumiu o ministério, o Esporte era considerada uma espécie de “prêmio de consolação” ao PC do B. Em 2003, a pasta tinha o menor orçamento do primeiro ministério do governo Lula. Com o comando dos esportes em nível federal, enquanto o ministério ainda era considerado praticamente insignificante, os comunistas passaram a centralizar suas indicações em governos e prefeituras Brasil afora na área – quase sempre fazendo parte de coligações onde o cabeça-de-chapa era do PT -, criando as condições para o “esporteduto” do PC do B.

O Esporte cresce e Agnelo aparece

Com os anúncios de que o Brasil seria sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, a Copa-2014 e a Olimpíada-2016, além do Pan-2007 – uma espécie de “treinamento” para os dois outros -, o ministério dos Esportes ganhou importância e verbas, e Queiroz começou a aparecer. Literalmente. Assim como Orlando Silva, Agnelo também teve lá suas “tapiocas” (escândalos de gravidade menor, mas que dão indícios do caráter do homem público) enquanto comandou o ministério. Dois episódios emblemáticos já entraram para o folclore político e esportivo nacional: a ocasião em que o ministro autografou, junto com ídolos do basquete, uma camisa que homenageava os bicampeões mundiais na modalidade e o episódio da Copa América de 2004, no Peru, quando Agnelo colocou no peito a medalha de ouro que seria entregue ao zagueiro Luisão, que saiu machucado durante a final e foi levado a um hospital antes da cerimônia de premiação. Menos engraçadas foram a festa de aniversário que usou a estrutura do ministério, a hospedagem do ministro em navio de luxo junto com Bill Gates na Olimpíada de Atenas-2004 e as diárias pagas pelo COB em sua viagem à Republica Dominicana (2003), que também havia sido financiada pelo governo brasileiro.

A eleição de 2010 e o futuro do governador

Agnelo saiu do ministério em 2006, para concorrer a uma vaga no Senado pelo DF. Perdeu para Joaquim Roriz. Em 2010, já no PT (ele se desfiliou do PC do B em 2008), conseguiu ser eleito governador depois do escândalo que derrubou seu antecessor José Roberto Arruda, candidato natural à reeleição antes de ser preso, e da cassação dos direitos políticos de Roriz, que foi impedido de concorrer por causa da lei da Ficha Limpa e acabou lançando sua esposa Weslian como candidata na última hora. Sem opções, o eleitor candango viu-se forçado a escolher entre Weslian Roriz e Agnelo Queiroz no segundo turno:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=pMPg9LexYow[/youtube]

Podia-se argumentar que Weslian era apenas uma Dilma com menos media training e um padrinho político um pouco menos popular, mas o eleitorado do DF, traumatizado com o descalabro da administração anterior, preferiu não arriscar e elegeu o ex-ministro de Lula. Durante a campanha, surgiram denúncias de aumento de patrimônio acima da renda e de invasão de terreno público contra Agnelo. Agora, com os indícios de que o “esporteduto” do PC do B começou com Queiroz, que teria continuado chefiando o esquema mesmo quando não era mais ministro, a comparação com Arruda é inevitável. Se Orlando Silva perder o cargo de ministro por ter herdado e dado continuidade ao “esporteduto” do PC do B, como ficará a situação de Agnelo, o mentor, à frente do governo do DF?

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10 Comentários

  1. Edmar25 de outubro de 2011 às 21:36

    “os partidos da oposição???, procuram se desfazer deste lixo, tão logo sua presença fique evidente.”
    Danir, neste ponto não concordo muito, pois tem-se casos de blindagem de pilantras nos partidos de oposição…aliás, se podemos chamar a oposição de oposição, rs
    Mas como vc disse, a ideologia da esquerda prega que a ética é praxis, ou seja, ética é uma questão prática, se os meios atendem os fins (desde uma ideia equivocada e fanática de que eles vão melhorar a humanidade até simplesmente encher os bolsos mesmo), então tá valendo.

    “O que caracteriza os casos de corrupção envolvendo grupos de esquerda, são as inúmeras ramificações que indicam a existência de um plano organizado de desvio de dinheiro público”
    Pois é, Ben, isso é muito significativo. Mas por que isso? terá a ver com o plano de ficar 20 anos no poder?
    Porque no Brasil essa coisa de ficar tanto tempo assim? Curioso que os milicos ficaram tbem 20 anos (mas em regimes comunistas ficaram bem mais, alguns estão até hoje). O PSDB em SP já está há 16 anos.

    Mas se há algum plano, a nível federal, montado de manutenção de poder pelo PT e aliados de ficar pelo menos uns 20 anos tem que ter um motivo isso. Alguns acham que é o tempo para arrumar a vida deles e de famiilares. Mas andei pensando outra coisa: 20 anos é o período de formação de um indivíduo. A pessoa que nasça durante esse período, submetido a escola com ensino enviesado, apoiado ainda mais por um partido no poder federal e com influencia da intelectualidade que comungue das mesmas idéias poderia ser a chave da mudança e ciração desse novo indíviduo? teria a ver com as teorias de Gramsci?

    Nao estou afirmando nada, só especulando. em tempo, eu leio e assito e analiso objetivamente várias fontes: Caros Amigos, Veja, canal Brasil, Tv cultura, tv´s do qe eles chama de pig. Blog´s tbem leio os mais diversos: este aqui, do Reinaldo , do Ze Dirceu, Maria Fro, Vi o mundo, Nassif, gravataí, etc . filtro tudo, pois há informações ou distorção/sonegação das mesmas em todos.

  2. Luís25 de outubro de 2011 às 21:21

    “Se o Arruda um dia resolver voltar à política, já sabemos de um partido que aceita gente como ele…”

    Por acaso seria aquele partido que teve 69 políticos cassados desde 2000 segundo o MCCE (Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral)?

    Respondam Mr. Impliqueiro, Gravataí Merdengue e demais impliqueiros.

    • Implicante26 de outubro de 2011 às 14:20

      Aí depende. Se ele quiser uma festança como o Delúbio ou influência política como o Dirça, é mais negócio tentar o PT.

  3. Ben25 de outubro de 2011 às 06:33

    A questão é: Trata-se de um caso isolado de corrupção, ou de uma quadrilha organizada? Quadrilhas não prosperam sem o aval dos líderes partidários. O que caracteriza os casos de corrupção envolvendo grupos de esquerda, são as inúmeras ramificações que indicam a existência de um plano organizado de desvio de dinheiro público.

  4. Ben24 de outubro de 2011 às 23:12

    Como não dá mais pra usar o argumento da falta de provas, a petralhada apela pro “sou, mas e quem não é?

  5. danir24 de outubro de 2011 às 18:23

    O Luis pelo visto não esconde uma veia petralha disfarçada sob fina???? ironia. Não precisa ser gênio da percepção, para notar que enquanto o pt e seus aliados protegem acobertam e enchem a bola de seus canalhas, os partidos da oposição???, procuram se desfazer deste lixo, tão logo sua presença fique evidente. Algo assim como “nossos criminosos são mais humanos e trabalham para o bem do proletariado e outras baboseiras quetais”, para justificar sua baixeza, enquanto a oposição maltrata seus próprios quadros. Para mim e para um grande contingente de brasileiros, criminoso é criminoso, facínora é facínora, crápula é crápula, ladrão é ladrão, e não importando de onde ele tenha sáido; sob o aspecto moral devem ser punidos, defenestrados da vida política e julgados e condenados às penas previstas na lei.
    Quem não segue esta norma, é macaco ideológico, que não tem personalidade ou respeito próprio, ou então pior ainda, é cumplice. Canalha não tem idade, partido, religião ou ideologia, viu gracinha? É só canalha.

  6. Shlomo24 de outubro de 2011 às 16:20

    Luís: Queiroz é do PT, assim como José Dirceu, Genoíno, Delúbio Soares, Antônio Palocci e demais mensaleiros, desviadores de dinheiro. Lembrou?

  7. Luís24 de outubro de 2011 às 15:02

    Arruda é de qual partido mesmo? Não me lembro agora.

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