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Aldo Rebelo: De “Suplicy comunista” a “ministro da Copa e Olimpíada”

Mantendo a já consagrada tradição de demitir o ministro enrolado, mas deixar a estrutura partidária que gerou o escândalo no comando do ministério, Dilma nomeou hoje o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para o lugar de Orlando Silva no Ministério dos Esportes.

O deputado do Saci e da mandioca

Até meados de 2005, Aldo era tido como uma espécie de “Suplicy” mais à esquerda: com um histórico de militância desde a juventude (Rebelo participou da resistência à ditadura e foi presidente da UNE no começo dos anos de 1980) e sucessivos mandatos como parlamentar, nunca teve seu nome associado a nenhum escândalo de corrupção, mas ganhou fama por alguns projetos, digamos, exóticos que apresentou: um deles propunha o fim dos estrangeirismos em nossa língua, outro instituía o Dia do Saci, e um terceiro ficou conhecido como “Pró-Mandioca”, porque estabelecia uma porcentagem mínima obrigatória de farinha de mandioca nos ingredientes do pão francês. Isso sem falar no exotismo maior de pertencer a um partido formado por dissidentes do Partido Comunista Brasileiro original que até hoje ainda não reconhecem a tirania de Stálin…

Palmeirense, Aldo jamais será perdoado pela torcida alviverde por ter influenciado o ídolo Ademir da Guia a entrar para a política (ok, nem toda a torcida: conheço alguns que votaram nele e não se arrependem de terem “dado uma força” ao velho camisa 10). Eleito vereador em São Paulo pelo PC do B, sem o menor preparo para o cargo, o “Divino” logo se envolveu em escândalos de nepotismo e desvio de verbas de seu gabinete. Algum tempo depois, Ademir afirmou que nunca foi comunista e migrou para o PL (atual PR), de Valdemar Costa Neto.

2005: Depois do Mensalão do Dirceu e do mensalinho do Severino, sobra para Aldo a presidência da Câmara

Após o escândalo do Mensalão, que colheu diversos deputados petistas e aliados, veio a crise do “mensalinho” de Severino Cavalcanti e a disputa interna na base aliada do governo Lula na Câmara para sucedê-lo na presidência da Casa. Aldo Rebelo era tido como um nome “neutro” e acabou eleito, tendo cumprido mandato de dois anos. Nesse período, deixando para trás a fama conquistada por conta dos projetos “exóticos”, Aldo consolida a imagem de político honesto e bem-intencionado. Ao longo dos dois mandatos de Lula, Rebelo foi ministro das Relações Institucionais e também exerceu os cargos de líder do PCdoB e líder do governo na Câmara.

2011: “Vermelho contra os verdes” vira Ministro do Esporte

Este ano, Aldo foi alvo dos partidários de Marina Silva e de ONGs internacionais por ter sido o relator do projeto de lei de reforma do Código Florestal. Sua resposta a uma campanha contra seu projeto, produzida pelo cineasta Fernando Meirelles com depoimentos de atores globais como Marcos Palmeira e Wagner Moura, é impagável:

Agora, com a nomeação para o Esporte, estratégico para a organização da Copa e da Olimpíada no Brasil, Aldo Rebelo terá que fazer uma escolha ao enfrentar o maior desafio de sua carreira política: ou se mantém fiel à ideologia comunista do PCdoB, e continua colocando os interesses do partido acima dos da sociedade, como fizeram Agnelo e Orlando antes dele, ou mantém a imagem austera que construiu ao longo de sua vida pública, e desmantela a estrutura corrupta montada por seu próprio partido no Ministério. Só depende de Aldo, já que para Dilma qualquer uma das opções parece válida, desde que parem de surgir notícias negativas sobre a pasta na imprensa.

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