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Análise: entenda por que os números do Datafolha não são nada bons para Lula

Alta rejeição e adversários com potencial de crescimento são seus obstáculos.

A narrativa “sem Lula, eleições não terão legitimidade” já está pronta faz tempo, como falamos aqui. Mas agora, com o Datafolha dando “liderança” a Lula, ela será repetida à exaustão. Foi o que restou a eles, enfim. Mas sigamos, agora analisando o mundo real.

Vejamos os fatores que tornam até ridícula a “comemoração antecipada”.

Base Tradicional

A faixa dos 30%, que Lula agora ocupa, é seu “piso histórico”. O petista tem isso consolidado desde sempre. A oscilação recente não é uma “ampliação de eleitorado”, mas mera manutenção da base mínima. Não há o que comemorar e todo analista político relativamente mais sério sabe bem disso.

“Liderança” x Rejeição

As aspas são pela pouca quantidade de voto. Chega a ser risível falar em “liderança” quando quem está na frente, além de não chegar a 35%, tem 45% de rejeição. O índice clássico de inviabilidade é de 40%. Segundo o Ipsos, que tecnicamente usa o termo “desaprovação”, Lula a teria ampliado em um mês, chegando a 64%.

Segundo Turno

De cara, Lula perde para Marina Silva (41 a 38). Isso já mostra o óbvio: o voto anti-Lula é mais forte. E a inclusão de Sergio Moro num dos cenários de segundo turno, algo estranho, no fim serve para confirmar a tese. O juiz da Lava Jato também ganha (42 a 40). Com um adversário forte, portanto, Lula perde.

Bolsonaro e Doria

Jair Bolsonaro e João Doria aparecem atrás de Lula nas simulações de segundo turno; respectivamente, 43 a 31 e 43 a 32. Mas isso pouco ou nada diz. Primeiro, pelas rejeições baixas, de 23% e 16%, também respectivamente. Além disso, pela capacidade de crescimento nacional, diante da grande parte da população que não os vê como candidatos de maneira oficial.

Por Fim

Os números ajudam a militância a colocar narrativas e, de fato, é fácil fazer isso quando é dito que houve “ampliação da vantagem”. Mas é preciso considerar todos os fatores. De mais a mais, agora a tese de que as eleições seriam “ilegítimas” sem Lula receberá força total entre seus partidários.

Fonte: Folha de SP

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