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Análise: inacreditavelmente, o boato pré-vazamento pode acabar beneficiando Michel Temer

É o que tudo indica.

Foto: Beto Barata / PR

Soa um tanto estapafúrdio falar em conspiração, haja vista a incapacidade desses caras de tirar uma simples xerox frente e verso (imagina se conseguiriam engendrar um xadrez tão complexo), mas é interessante como os fatos se sucederam de forma muito positiva para Michel Temer.

Pois é. Expliquemos.

Na manhã de ontem, uma bomba nuclear ecoava e se irradiava, tendo como ponto central a Presidência da República. Em resumo: Michel Temer teria endossado uma mesada para calar Eduardo Cunha. Algo grave, gravíssimo, chocante. Partidos começaram a anunciar debandada, ministros preparando cartas de demissão, e então o presidente anuncia um pronunciamento.

Renúncia! Era o que todos diziam. Mas, ao contrário do previsto, ele se manteve no cargo. Ninguém entendeu e, por óbvio, o gesto pareceu muito mais uma proteção pessoal do que interesse nacional. Isso, claro, até aparecer o tal áudio, e é justamente aí que está a chave de tudo.

Não há qualquer parte em que ele endossa a compra do silêncio de Cunha. A sensação GERAL – mesmo de adversários – foi de que houve muito barulho por nada. E tudo fica ainda mais bisonho quando esse sentimento acontece MESMO HAVENDO TRECHOS PRA LÁ DE TERRÍVEIS no áudio. Mas aquele, o foco central, o tiro na mosca, não havia.

A imprensa, corretamente, já começa a fazer “mea culpa” e é neste momento que ocorre a segunda grande virada: os demais vazamentos.

Sim, pois praticamente TODOS os petistas, de forma prévia e até automática, já endossaram como real a delação dos donos da JBS. Mas e se aparecer coisa bem pior contra o partido? Algumas já apareceram, como esta e esta. Ou seja, haverá agora um movimento dúplice: de um lado, a sensação geral de que a primeira acusação sobre Temer era fraca e também que justamente o lado adversário teria coisas bem piores.

O áudio de Temer vazaria de qualquer jeito. Vazou antes, e logo após um anúncio assustador, sendo agora tratado como um “ah, não era tão assim”. Ao mesmo tempo, outros detalhes surgem, sem aviso prévio, piorando ainda mais a situação do outro lado, e sem que possam desqualificar agora essa delação.

Desse modo, aquela primeira notícia, por incrível que pudesse parecer na hora, talvez no fim das contas possa acabar ajudando o presidente. Coisas da vida.

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