Blog

Associação dos Profissionais dos Correios denuncia aparelhamento petista em sua página oficial

Apadrinhados sem qualquer conhecimento técnico ocupam cargos de chefia em dois terços dos estados recebendo salários superiores a 20 mil reais, enquanto os carteiros recebem em média 1,5 mil.

dilma-tois

As notícias que agitaram os últimos dias do primeiro turno ainda repercutem. Nesta quarta-feita, a Associação dos Profissionais dos Correios, em sua página oficial, denunciou que, de fato, o PT vem aparelhando a Empresa de Correios e Telégrafos. Segundo a nota, dois terços dos estados brasileiros estão sob o comando de filiados do PT. Isso teria relação direta com mudanças introduzidas em 2011 no Manual de Pessoal, permitindo a entrada de apadrinhados sem qualquer conhecimento técnico para o cargo que chegam a receber salários superiores a 20 mil reais, enquanto os carteiros recebem apenas R$ 1,5 mil.

a) Nos últimos anos o aparelhamento político da ECT se acentuou com as mudanças introduzidas no Manual de Pessoal em 2011, que permitiram o acesso às funções técnicas e gerenciais por empregados e pessoas estranhas aos quadros de pessoal da Empresa sem a observância dos imperativos de competência técnica e capacidade gerencial;

b) Em decorrência dessas alterações, 18 (dezoito) dos 27 (vinte e sete) Diretores Regionais da ECT são filiados ao Partido dos Trabalhadores;

c) Além disso, muitas outras funções são ocupadas por critérios políticos nas Diretorias Regionais e na Administração Central da Empresa;

d) Como exemplos desse aparelhamento, registre-se que enquanto mais de 50.000 mil Carteiros labutam diariamente em condições muitas vezes desfavoráveis por uma remuneração mensal de cerca de R$ 1.500 (hum mil e quinhentos reais), outros Carteiros ligados à burocracia sindical e partidária ocupam elevadas funções em Brasília e nos diversos estados, alguns deles com remunerações superiores a R$ 20.000 (vinte mil reais);

e) O citado aparelhamento afeta também o Fundo de Pensão dos empregados dos Correios, o Postalis, frequentemente citado em notícias veiculadas pela imprensa contendo suspeitas de investimentos duvidosos e de operações fraudulentas;

f) O Postalis já acumula um déficit atuarial superior a R$ 2,2 bilhões em 2013/214, levando em breve a uma drástica redução dos salários e benefícios dos empregados e aposentados dos Correios e atingindo cerca de 500 mil pessoal, o que levou a ADCAP a solicitar à PREVIC, junto com outras entidades representativas de empregados, a intervenção no Postalis;

(grifos nossos)

Antes do primeiro turno das eleições, o deputado estadual Durval Ângelo, do PT mineiro, afirmou em reunião com Wagner Pinheiro, presidente dos Correios, que a presidente Dilma Rousseff só atingiu uma votação expressiva em Minas Gerais porque “tem dedo forte dos petistas dos Correios”.

O deputado atestou que Dilma chegou a ter menos de 30% das intenções de voto, e agradece que, com “a grande contribuição que os Correios estão fazendo”, esse número atingiu os 40%. Fernando Pimentel, candidato petista ao governo — eleito já no primeiro turno —, também foi beneficiado. Pela primeira vez, o PT conseguiu fazer frente ao PSDB no estado.

“…No dia da reunião que nós tivemos no hotel [da qual participou Pimentel], o Helvécio [Magalhães, coordenador da campanha do petista] falou: “Vou reunir com a equipe ainda esta semana e vamos liberar a infraestrutura. E, se hoje nós temos a capilaridade da campanha do Pimentel e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios.”

Ângelo revelou também que funcionários da empresa fizeram várias reuniões em todas as meso e macrorregiões do Estado para trabalhar nas campanhas, englobando dezenas de cidades. Em resposta, os Correios divulgaram nota afirmando que “a participação de pessoas ligadas aos Correios em atividades político-partidárias jamais podem ser entendidas como atuação da empresa”.

O fato, no entanto, vem somar-se à distribuição de panfletos de Dilma em São Paulo sem chancela ou comprovante de que houve postagem oficial, que demonstrariam o pagamento para envio da propaganda de forma regular.

Sem ela, é difícil atestar que a quantidade de material distribuído corresponde ao que foi contratado pelo partido. O número declarado de panfletos distribuídos sem chancela dos Correios foi de 4,8 milhões.

Outra irregularidade cometida pela campanha de Dilma, segundo o TSE, foi o pronunciamento do Dia do Trabalho. Após representação apresentada pelo PSDB, que alegava que a presidente aproveitou a oportunidade para fazer promoção pessoal com cunho eleitoral, a maioria dos ministros do Tribunal decidiu multá-la em R$ 25 mil. O valor, no entanto, parece um bom preço a se pagar pelos 12 minutos de exposição em horário nobre, visto que a veiculação de um comercial de 30 segundos somente na TV Globo chega a custar R$ 470 mil. Caso tivesse pago pela mídia, o PT precisaria desembolsar mais de 11 milhões de reais.

Mais Lidas

To Top