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Brazil Conference: o “elogio” de Olavo de Carvalho a Eduardo Suplicy

Claro que aproveitaram o episódio para atacar os dois lados.

Imagem: BBC

A Universidade de Harvard e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussetts), duas das mais prestigiosas instituições de ensino superior do mundo, organizam anualmente a Brazil Conference, que reúne acadêmicos, intelectuais, políticos, técnicos de governo e tantos outros.

Da edição de 2017, por exemplo, participaram Sergio Moro, Dilma Rousseff, Armínio Fraga, Jorge Paulo Lemann, Deltan Dellagnol, Gilmar Mendes, entre outros.

Um dos debates foi entre o filósofo Olavo de Carvalho e o vereador petista Eduardo Suplicy. As palavras daquele em relação a este último foram as seguintes:

“Suplicy é um sujeito muito simpático e a ideia dele não é ruim, que todo mundo tenha uma renda (…) Claro, todo mundo quando nasce tem que ter alguma coisa. Tem que ter, pelo menos, alguém para segurar você, para você não cair no balde. Se você não tiver nem isso, está ferrado (…) A renda básica moralmente está certa. Mas não adianta se não se especificar quem tem que dar esse dinheiro e de onde tem que sair. Se não é assim: você tem direito a esse dinheiro, mas ninguém tem a obrigação de te dar esse dinheiro (…) Se você tem o direito, mas não tem a garantia, na prática, você não tem direito nenhum” (grifamos)

Embora esteja muito claro, alguns aproveitaram o episódio para fazer troça, descambando a maluquices do tipo “Olavo virou petista” ou coisas assim. Bobagem. O tratamento educado e cordial, em primeiro lugar, não é um endosso de todas as ideias de uma pessoa ou mesmo de toda sua essência. E quem o não identifica dessa maneira, convenhamos, precisa rever a própria forma de lidar com os demais.

Para além disso, Olavo foi suficientemente claro ao explicar em que medida seria defensável a ideia de uma “renda básica”, tratando especificamente do problema referente à origem desse dinheiro. Mais ainda, perguntado sobre a importância de reunir pessoas de grupos distintos, afirmou:

“A ideia é muito boa. É necessário, urgente. É apenas uma vergonha para o Brasil que tenha sido o MIT que propôs isso e não uma universidade brasileira. Isso mesmo é um sintoma do estado de coisas”

Ou seja, parte da direita, na pressa de atacar eventuais adversários, cai num erro clássico da esquerda, especialmente a brasileira: renegar debates. Isso porque, se não reúne pessoas de opiniões distintas, não se trata de um debate, mas sim papo de comadres – o que atualmente ocorre em quase todas as universidades.

Olavo tem razão.

Quem quiser conferir na íntegra, aqui está.

Fonte: BBC

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