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Carlinhos Cachoeira controlou loteria oficial do RS durante a gestão de Olívio Dutra (PT)

Em fevereiro de 2004, José Vicente Brizola, então diretor-geral da Loteria do Estado do Rio Grande do Sul no governo Olívio Dutra, afirmou que fora pressionado a obter, de forma ilícita, recursos para o PT. De acordo com o ex-diretor, o dinheiro seria repassado por donos de bingo, entre os quais estaria o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Cachoeira chegou a controlar a Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs) durante a gestão do petista Olívio Dutra.

Resgatamos abaixo uma reportagem de Rubens Valente, publicada no dia 16 de fevereiro de 2004 pela Folha. Leiam um trecho:

O grupo do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, 40, o Carlinhos Cachoeira, venceu uma concorrência para serviços de loteria oficial durante a gestão de Olívio Dutra (PT) no governo do Rio Grande do Sul. Dutra foi investigado em 2001 por suposta conivência com o jogo do bicho.

Em vídeo, Ramos aparece negociando termos de um edital de licitação no Rio de Janeiro com Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro José Dirceu (Casa Civil).

A empresa ligada a Ramos, a única a apresentar proposta na licitação gaúcha, foi declarada vencedora em julho de 2001, mas, seis meses depois, o governo revogou a licitação. Com base na declaração oficial da vitória, a empresa entrou na Justiça, que concedeu liminar para obrigar o governo Dutra a assinar o contrato.

“Havia uma fumaça, uma suspeita de qualquer coisa, mas que nós não poderíamos identificar; então, recorremos ao interesse público para cancelar”, disse o subsecretário de Fazenda de Dutra e autor do ato de revogação, Odir Pinheiro Tonollier. A decisão do governo foi tomada um mês após o final da CPI do Bicho, criada pela Assembléia Legislativa gaúcha.

A estratégia de Ramos de usar uma empresa em nome do irmão para entrar no mercado gaúcho foi confirmada por um ex-sócio do goiano, Messias Antônio Ribeiro Neto, que foi dono extra-oficial da Gerplan, autorizada a operar jogos em Goiás. Em depoimento prestado cerca de dez dias atrás aos procuradores José Roberto Santoro, Marcelo Serra Azul e Mário Lúcio Avelar já no decorrer das investigações sobre o vídeo, Ribeiro Neto contou que “o contrato do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul teve a peculiaridade de serem firmados [sic] pela empresa de lixo de Anápolis, Capital Engenharia e Limpeza”.

(…)

O MJDH (Movimento de Justiça e Direitos Humanos) do Rio Grande do Sul localizou em seu acervo, com base numa lista de nomes e empresas enviada pela Folha, documentos que atestam que o bicheiro de Goiás entrou no mercado lotérico do Rio Grande do Sul usando uma empresa aberta em nome de seu irmão, Sebastião de Almeida Ramos Júnior, 37, a Capital Construtora e Limpeza Ltda., de Anápolis (GO).

“O Brasil está vendo agora o que já sabemos há tempos no Rio Grande do Sul, o envolvimento do PT com o bicho”, disse Jair Krischke, presidente do MJDH.

Íntegra aqui.

Em depoimento à CPI dos Bingos, comissão instaurada após o escândalo Waldomiro Diniz, José Vicente Brizola voltou a afirmar que fora pressionado por integrantes do PT gaúcho a angariar recursos junto a concessionários públicos de loterias.

Sobre as relações entre Cachoeira e o governo do Rio Grande do Sul, Brizola disse ter sido contrário ao edital de licitação vencido pela empresa do bicheiro, cujo valor era “muito aquém do esperado”. Ele disse ainda que levou o caso ao secretário de Fazenda, que o autorizou a revogar o edital. A revogação não foi mantida e, meses depois, Brizola acabou assinando o contrato que autorizou Cachoeira a comandar a Lotergs: “Acabei tendo de assiná-lo ao apagar das luzes do governo Olívio Dutra, uma vez que Cachoeira recorreu e venceu na Justiça, e o governo não quis recorrer”, relatou à comissão.

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