Blog

Caso Palocci: PT tenta encontrar culpados para a crise que o PT deflagrou

Mais uma vez o Brasil assiste de camarote a uma guerra interna entre facções petistas, que acaba virando crise de Estado simplesmente porque os companheiros comandam o Executivo Federal. Vimos o mesmo no caso do Mensalão: ministros, assessores, secretários e até o presidente se reuniam em dependências sustentadas com dinheiro do contribuinte em horário de serviço para traçar estratégia de defesa para petistas enrolados.

Dessa vez, como dissemos em outro post, houve uma pequena mudança de estilo: a presidente sabia do potencial problema em nomear ministro seu coordenador de campanha, que havia faturado R$ 10 milhões nos dois meses anteriores com atividades totalmente obscuras, e nomeou mesmo assim. Alguns meses depois, aparece a denúncia.

A primeira tentativa de defesa de Palocci foi um desastre: ele se comparou a ex-ministros da área econômica de governos anteriores, que já não tinham mais nenhuma relação com a vida política e partidária e cujas atividades são conhecidas – e, principalmente, reconhecidas – pelo mercado. Pegou mal.

Decidiu-se que o “gênio” que havia bolado tal estratégia (o assessor Thomas Traumann, segundo o blog Presidente 40, da Folha de S. Paulo) não mais se envolveria no assunto. Foi escalada então a empresa FSB Comunicações, da qual um sócio é justamente o ex-assessor de Palocci metido no escândalo do caseiro. Má idéia.

Depois, alegou-se que os contratos com os clientes da consultoria que virou imobiliária (mas continuou faturando como consultoria mesmo após a mudança de objeto) eram protegidos por cláusulas de confidencialidade que os impedem de revelar até nomes e valores cobrados de seus clientes. Esqueceu-se que contratos privados não se sobrepõem às leis do país. Palocci era deputado federal com acesso a dados sigilosos por conta de sua participação em comissões da Casa. As suspeitas de tráfico de influência são inevitáveis.

Grandes democratas reconhecidos pela probidade e intransigência a deslizes éticos de qualquer natureza também foram escalados para dar seus testemunhos favoráveis ao ministro: José Sarney e Romero Jucá já declararam apoio a Palocci. Curiosamente, o também consultor José Dirceu ainda não se pronunciou sobre o caso.

A essa altura, a  “base aliada” aproveita para negociar apoio ao ministro contra as tentativas da oposição de instaurar CPI sobre o caso. Cargos já foram oferecidos, segundo reportagem do Estadão:

 

Tentamos tirar um screenshot da notícia, mas só conseguimos título e subtítulo. Segue a transcrição:

Na tentativa de esvaziar a ameaça de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e barrar a convocação de Palocci no Congresso, o governo já acena com cargos para acalmar a base aliada. A previsão é a de que, a partir da próxima semana, o quebra-cabeça do segundo escalão comece a tomar forma final.

Por fim, chamou-se parte da cúpula da defesa do Mensalão, o ex-ministro Franklin Martins e Lula, o próprio. Saíram-se com um repeteco da estratégia de 2005: é tudo culpa da oposição! Em outra reportagem do Estadão, a jornalista Vera Rosa publicou alegremente a tese:

Apesar de comentários sobre o “fogo amigo” na seara do PT contra o ministro, tanto Lula como dirigentes do partido estão convencidos de que o tiroteio contra Palocci partiu do PSDB e, mais especificamente, de pessoas ligadas ao ex-governador José Serra na Prefeitura de São Paulo. Por essa avaliação, o objetivo de Serra seria derrubar Palocci, o mais importante ministro da equipe, para atingir Dilma, inviabilizar o governo logo em seu primeiro ano e torpedear o PT. O partido não tem dúvidas de que Serra é pré-candidato à sucessão municipal, em 2012.

Faz sentido. Serra quer ser candidato à prefeitura de São Paulo, então tenta derrubar Palocci do ministério da Casa Civil. A teoria é tão boa  que eu acho que vão ter que chamar o Marcio Thomaz Bastos.

Notícias Recentes

To Top