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Contrariando versão petista, Lula diz a Sergio Moro que Petrobras “não é vítima” do Petrolão

Imagine a cara da militância.

Foto: Paulo Whitaker / Reuters

Sempre falamos aqui sobre as “narrativas” e o quanto a militância faz de tudo para que sejam preservadas – mesmo fatos são invariavelmente ignorados, caso comprometam suas versões. Pois eis que Lula, por meio de seus advogados numa das ações em que é réu na Lava Jato, resolveu atropelar a coisa toda.

Vamos por partes.

O discurso fundamental do petismo sempre foi o de que a Petrobras foi vítima de pessoas más, agentes desonestos etc. E não se trata de comentário de bastidor, mas sim do discurso de posse de Dilma Rousseff em 2015, quando já se levantavam suspeitas seriíssimas sobre a empresa – e a Lava Jato ganhava corpo, por assim dizer.

Pois bem. Lula agora diz outra coisa.

A empresa requereu habilitar-se como assistente de acusação num dos processos de que ele é réu, e então o petista não topou. Para fundamentar, digamos assim, sua recusa, a explicação foi a seguinte:

“…se ocorreram os desvios afirmados na denúncia, a Petrobras não pode ser considerada vítima, pois para ocorrência destes teriam concorrido diretores, gerentes e outros funcionários – isso sem falar que os próprios sistemas de controle de companhia não teriam funcionado na hipótese cogitada. Dessa forma, a empresa também possui responsabilidade no esquema criminoso” (grifamos)

Importante dizer que os grifos acima são nossos, mas a frase mais marcante foi também grifada na petição original, confiram a seguir:

O que dizer? Chega a ser engraçado fazer um comparativo das duas versões:

Quanto ao mais, então se uma empresa pública for dilapidada por diretores, quase todos eles indicados por políticos, ela não seria vítima? Mais ainda, também teria responsabilidade?

Difícil concordar com a tese. Ainda por cima, ela expõe uma grande aliada, e sobre isso falaremos daqui a pouco, em post próprio.

Em tempo: a conclusão não estar no futuro do pretérito, como referência a uma hipótese, mas sim de forma assertiva, pode ser um tremendo ato-falho, não? Em vez de “a empresa também possuiria”, concordando até mesmo com o “teriam”, foram direto ao “a empresa também possui” – não mais flexionando o verbo ao que seria hipotético/condicional. Mas isso é chatice nossa, enfim. Claro.

Em tempo2: imagine a cara da militância… Enfim, eles não tem problema com isso e certamente mudarão toda a narrativa. O líder deve ser não só obedecido, mas seguido.

Fonte: Veja

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