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18 de março de 2011

De 2006 até hoje, MinC já autorizou Bethania a captar R$ 10,5 milhões

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 De 2006 até hoje, MinC já autorizou Bethania a captar R$ 10,5 milhões

Tá na Folha, reportagem do caderno Ilustrada, por Bernardo Mello Franco. O trecho mais interessante vai a seguir:

“Incluindo o blog, o ministério já autorizou Bethânia a captar R$ 10,5 milhões para seis projetos culturais desde 2006. Por problemas no sistema de acompanhamento virtual da pasta, não era possível saber ontem a quantia que ela chegou a arrecadar.” (grifos nossos)

Comentário
São mais de DEZ MILHÕES que seriam recolhidos em forma de tributos, mas foram direto para projetos da cantora. Quais projetos? Uma TURNÊ, p.ex., recebeu autorização para captar R$ 1,5 milhão – uma comissão do MinC foi contra, mas o Ministro passou por cima da deliberação técnica.

Bethânia precisa disso? Não. Mas a a lei de incentivo – que é usada por MUITOS E MUITOS E MUITOS ARTISTAS CONSAGRADOS – tem um mecanismo estapafúrdio. Produções obviamente lucrativas, é claro, não precisam desse tipo de estímulo e, nesse sentido, não precisariam pedir. Mas pedem. Por quê? Simplesmente porque a grande empresa investe, FAZ PROPAGANDA, e abate TODA A GRANA dos impostos.

Somos nós pagando para o artista, e também para grandes empresas fazerem propaganda gratuita – e ainda por cima posar de beneméritas, ‘mecenas’ etc. Em vez de um grande banco ou uma multinacional recolher dinheiro que (em tese) iria para saúde ou afins, eles põem essa grana em produções privadas, QUE DÃO LUCRO, fazendo propaganda sem gastar um centavo.

E aí uma turnê arrecada milhões e milhões, mas o dinheiro arrecadado lá atrás volta? Não, não volta. É patrocínio público e lucro privado.

Pena que o ‘sistema’ do MinC ficou fora do ar bem no momento dessa consulta. Aliás, quem topa VASCULHAR todo tipo de projeto apresentado por artistas consagrados? Taí algo interessante para investigar…

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12 Comentários

  1. Vítor Bonini5 de abril de 2011 às 12:47

    E aí surge a pergunta : Algum dos leitores do blog já viu ou conheçe alguém que já tenha visto algum destes eventos de Bethania nos ultimos 5 anos e que nos custaram mais de R$ 10 milhões ?
    De minha parte não ví nada e nem conheço alguém que seja que os tenha visto .

  2. Daniel Barros3 de abril de 2011 às 13:24

    Escuta a música “ciranda do incentivo” de Karina Buhr… hahahahaha sintonia total com o texto.

    PS: Discordo de um monte de coisas que você escreve, mas, diferente dos “camaradas” que te esculhambam, acho tudo muito bom, muito crítico e muito decente. “Posso não compartilhar com nenhuma das suas ideias, mas irei morrer defendendo o seu direito de dizê-las”.
    :)

  3. Neto19 de março de 2011 às 11:34

    Nossos artistas andam se saindo uns bons políticos… E dá-lhe dinheiro público!

    Que nojo desse povinho.

  4. Gabriel18 de março de 2011 às 23:58

    Me saltou aos olhos aqui, no PDF linkado pelo Jot, na parte musical, um evento chamado BMW Jazz Festival, autorizado a captar mais de 2 milhões de dilmas. Por que raios um festival, que tem no nome um dos maiores fabricantes de automóveis do mundo, precisa desviar 2 milhões dos cofres públicos? É de cair o cu da bunda.

  5. Shlomo18 de março de 2011 às 18:38

    Obrigado ao Implicante.org por nos alertar sobre a indecência do MinC e dos artistas brasileiros, que acham que dinheiro público dá em árvores. É caso de cancelar essa lei Rouanet por puro mau uso.

  6. Virginia18 de março de 2011 às 17:20

    Música – 1011424 – Show da Paz – Aprovar – Acompanha parecer técnico para aprovação – R$ 9.805.050,00

    Evento religioso com 34 patrocinadores privados, mais apoiadores e promotores precisam de mais de 9,0 mi????

    E eu é que sou um herege por ser ateísta!!!

    Aff

  7. Eliane18 de março de 2011 às 16:47

    Já cheguei a ver os documentos ontem. Vai de shows de jazz e peças de teatro à blocos de carnaval diversos.

  8. Cáthia Zago18 de março de 2011 às 16:40

    Bom ,de uma coisa temos certeza, ela não gastou a grana em estesticista,
    cirurgião-plástico,nem cabeleireiro!!!!Dentista,então, passou longe.

  9. Jot18 de março de 2011 às 15:53

    Dá uma olhadinha só nos projetos da Maria Rita (que foi a que parei pra prestar atenção):

    http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/02/CNIC-184.pdf

    (Gravz: Excelente, Jot! Tô aqui passando um pente fino)

  10. Gabriel18 de março de 2011 às 15:52

    Essa história toda fica clara quando você tem um projeto aprovado nas leis de incentivo e é um ilustre desconhecido, aí vai atrás das empresas para captar os recursos. 100% das empresas analisam o seu projeto como se fossem patrociná-lo, e não apenas fazer um repasse de verbas públicas. Sempre tem o fator “o que eu ganho com isso?” nas análises de projetos dentro das grandes empresas. Já conversei com pessoas de marketing de empresas que apoiam projetos culturais, e a desculpa padrão é de que dá muito trabalho cumprir as exigências legais para abater o IR na declaração, então eles só pegam os projetos que podem “compensar” isso.

  11. Suissa18 de março de 2011 às 15:49

    Se formos atras veremos que todos os ministérios possuem essas táticas malandras! VERGONHA PÚBLICA!

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