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É errado comemorar uma morte assim como é errado explorá-la politicamente

É preciso que se tenha um grau mínimo de civilização.

Sim, são tempos difíceis. Sim, a guerra política está acirrada. E, também sim, vez por outra os lados cometem excessos. Tudo isso é verdade. Mas é preciso, antes e acima de tudo, sempre ter como base ao menos um grau mínimo de civilização e urbanidade.

Infelizmente, após informarem a morte cerebral de Marisa Letícia Lula da Silva, houve excessos de dois lados extremos. Foram minoritários, é fato, mas eles infelizmente ocorreram.

Houve quem comemorasse, tripudiando de uma tragédia dessa monta. E houve também quem aproveitasse o episódio para “acusar” a Lava Jato, culpar adversários e assim por diante. Os dois estão errados, cada qual por sua razão. Embora óbvias, essas razões precisam ser explicadas.

É errado comemorar uma morte porque a vida tem de ser o valor supremo de qualquer pessoa civilizada. Perdendo-se o respeito por ela, nada mais sobra. Independentemente de adversidades ou oposições político-ideológicas, todos somos pessoas, temos família, temos entes queridos entristecidos e assim por diante. É o mínimo, convenhamos.

De mais a mais, ao fazer troça de um episódio desse tipo, não resta também mais nada para apontar de errado num adversário; o autor dessa barbaridade já passou de todos os limites e perderá para sempre a razão em qualquer crítica. Eventual excesso seria compreensível na hipótese de tratar-se de um ditador genocida; tudo fora disso é inaceitável.

Por outro lado, é também erradíssimo explorar politicamente uma morte. Ao fazer isso, e muitos fizeram e estão fazendo, o oportunismo descarado faz com que se perceba a falta de caráter do autor da “teoria”. Na verdade, ele também pouco se importa com a vida da pessoa sobre quem teoriza; tudo que quer é faturar em cima da tragédia.

Todos estamos sujeitos a cometer excessos, de modo que num primeiro momento a esperança é que esses dois extremos caiam na real e parem com isso.

Porque, repita-se, é requisito mínimo para o convívio em civilização.

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