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Escândalo de desvios na prefeitura de São Paulo já atinge o PT

Investigado pela Controladoria-Geral do Município, Moacir Fernando Reis é sócio da mulher do secretário municipal dos Transportes da gestão Haddad

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O ditado popular aconselha aos que têm telhado de vidro evitar atirar a primeira pedra. A militância governista, possivelmente acreditando na resistência de sua cobertura, celebrou como vitória as denúncias que chegaram à imprensa em 30 de outubro nas quais quatro funcionários da gestão Kassab foram presos por fraude de R$ 500 milhões. O motivo da festa envolvia desde a traição do PSD um dia antes quando mudou de lado e se negou a aprovar o reajuste do IPTU desejado pelo PT, ao fato de que Fernando Haddad teria colaborado com a investigação do esquema. O próprio prefeito chegou a fazer festa na imprensa quando, em atitude que beirou o populismo barato, disse ter pago do próprio bolso o aluguel de uma sala estratégica para o trabalho dos promotores. “É outra coisa que pago com alegria”, disse em referência à sua criticada declaração acerca do pagamento de IPTU.

O teto de vidro começou a mostrar sua fragilidade quando três dias depois chegou à imprensa que o principal investigado, Ronilson Bezerra Rodrigues, subsecretário de Finanças da gestão Kassab, pediu socorro a Antonio Donato (secretário de Governo de Haddad)  e Paulo Fiorilo (vereador pelo PT) quando soube que estava sendo investigado pela CGM. Ambos confirmaram a conversa e negaram a ajuda. O atual prefeito chegou a vir a público pedir cautela com vazamentos de escutas e colocou a mão no fogo por seu subordinado. Na mesma manhã, o próprio secretário usou a resposta padrão – “não sabia” – quando a Veja lhe questionou o motivo de seu nome ser citado em algumas escutas como destinatário de ao menos 200 mil reais.

Nova relação

Para entender como atingiu o PT, é importante entender como o esquema se dava. Os quatro auditores presos cobravam das empresas envolvidas apenas 10% do valor que deveriam pagar de ISS. E quatro vezes esta quantia para arcar com custos de contabilidade e colocar no próprio bolso a maior parte. A expectativa dos promotores é que a soma dos desvios chegue a meio BILHÃO de reais.

Para receber a quantia desviada, os investigados se valiam de empresas em seus nomes, a maioria delas de fachada. Na noite desta terça-feira, matéria da Veja denunciou que o auditor fiscal Moacir Fernando Reis está entre os investigados. O problema para o PT é que se trata de um sócio da mulher de Jilmar Tatto, deputado federal pelo partido, atual secretário municipal de Transportes da gestão Haddad, em empresa sediada na residência do petista.

Ao lado de Adli Tatto, mulher do secretário, o auditor fiscal é um dos quatro proprietários do estacionamento Samepark, na Vila Mariana. Segundo a Junta Comercial de São Paulo, o Samepark é uma microempresa constituída em 2010, com capital social declarado de 20 000 reais. A sede fica no mesmo endereço da residência de Jilmar Tatto.

Reis também é namorado de uma das irmãs da mulher do secretário.

(grifos nossos)

Os demais sócios, segundo a matéria, também possuem ligação com o partido, mesmo que na condição de pequenos doadores de campanha:

Além de Adli Tatto e de Moacir Reis, também são sócios do estacionamento Jamile Osman e Salah Ali Osman. Ambos possuem uma clínica médica em Cidade Dutra, na Zona Sul, região de influência política dos Tatto. Salah é médico otorrinolaringologista. Já fez diversas menções ao PT nas redes sociais e aparece como doador de pequenas quantias — geralmente pagamento por convites para eventos de campanha —  ao próprio Jilmar Tatto (1 500 reais nas eleições de 2006) e ao irmão dele, o vereador Arselino Tatto (1 600 reais, em 2008), também do PT.  Dentista, Jamile aparece como doadora de 600 reais a Arselino em 2008.

(grifos nossos)

Haddad vem se mostrando bastante interessado na apuração do caso e punição dos culpados. “Chantageada ou não, a empresa que pagou propina terá que pagar o que deve à Prefeitura”, disse ao Estadão. Resta aguardar se o mesmo peso e a mesma medida será utilizado no momento em que a força da lei precisar agir sobre os atos de seus aliados políticos.

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