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Festival de Berlim: cineastas brasileiros fazem apelo para continuar recebendo verba pública

Não, não é piada.

É aquilo de sempre: um abaixo-assinado repleto de exageros e distorções, a fim de comover pessoas que não tenham a menor noção das coisas de nosso país. Na verdade, é claro, tudo se resume a dinheiro público.

Falam em “mecanismos de fomento”, defendem a bizarra lei que OBRIGA emissoras de TV a cabo a ter determinados programas nacionais, falam em favor de um “fundo” para o Audiovisual e assim por diante.

Vamos lá: ninguém está nem jamais seria proibido de fazer filmes. Mas EXIGIR dinheiro público para isso, convenhamos, não é algo razoável. Ou alguém prefere que o dinheiro dos impostos, também ele recolhido em muito por pessoas pobres, vá para cineastas e produtores, não para a saúde e a educação? Pois é.

Eles, na carta, chamam o governo atual de “ilegítimo”, mas ao mesmo tempo querem que esse governo continue com as políticas de patrocínio e fomento. Também dizem que “saúde e educação” estão sob ameaça (é mole?), mas ainda assim não querem abrir mão dos mecanismos atuais que favorecem o setor cinematográfico.

No mais, e por óbvio, o sacrifício é sempre geral nos momentos de crise. Operários acabam sendo demitidos, profissionais liberais perdem clientes, comerciantes vendem menos e, claro, cineastas também tem suas verbas cortadas.

O apelo, cujo resultado prático já seria nulo, só expõe ainda mais certa arrogância de parte de nossa classe artística, nesse caso definitivamente formada por pessoas que não estão numa situação social ruim.

Fonte: Estadão

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