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14 de outubro de 2012

Kit Anti-Homofobia: teoria e prática da militância petista

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haddadmissa Kit Anti Homofobia: teoria e prática da militância petista

A militância petista da internet é preponderantemente contra a interferência de igrejas em políticas públicas, defensora do estado laico e simpatizante de toda e qualquer causa (mesmo); incluída aí, é claro, a bandeira LGBTT.

Já o partido, especialmente quando em campanha, frequenta todo tipo de igreja, seita, culto, templo, com direito a candidato ortodoxo tomando comunhão católica. Podem dizer que é do jogo, ok. Mas sigamos.

No poder, o PT governa aliado à chamada bancada evangélica. Lembra tudo aquilo que falavam do Russomanno e da IURD? Pois bem: o PRB, partido ligado à Igreja Universal, é aliado de primeira hora do governo federal. Continua aliado. E continuará.

Chegamos, portanto, ao kit anti-homofobia (chamado pela imprensa e parlamentares aliados do governo federal de “kit gay”). José Serra foi perguntado sobre o kit, respondeu de forma a condená-lo. Imediatamente, a militância petista da web repudiou com veemência a resposta (aquela veemência típica deles, com indignação teatral, insultos de todo gênero e a tradicional falsa defesa de uma causa).

Estariam esses militantes preocupados com os direitos LGBTT? Não, não estariam. A regra, mais uma vez, se confirmou: entre uma causa e o partido, ficam com o partido – seja qual for a bandeira.

O tal kit SERIA lançado pelo MEC. Não foi. E não foi porque a presidente Dilma Rousseff o vetou. E esse veto resulta de pressão de bancadas conservadoras. A “pressão” funciona porque o governo precisa desses parlamentares em sua base. Puro e simples acordo de governo “progressista” e setores que os militantes do partido consideram um atraso para o país.

Mas não há indignação quanto a isso; rola aquela vista grossa de sempre e os direitos LGBTTs que se lasquem.

Subitamente, surgem petistas raivosos quando José Serra é perguntado sobre o kit que a própria Dilma vetou. Ele estaria erradíssimo pela opinião que tem; ela certíssima pelo veto ao kit por pressão das bancadas conservadoras (de quem o governo depende dos votos, a quem o governo dá ministérios etc.).

O kit foi divulgado no final de 2010 e já estava em elaboração havia mais de um ano. O veto ocorreu em maio de 2011 e, desde então, NÃO HOUVE PRODUÇÃO DE QUALQUER OUTRO MATERIAL. Enquanto militantes LGBTT (que colocam a causa acima de qualquer partido) brigam por algum tipo de política pública correlata, os petistas (especialmente da web) não cobram coisa alguma (já o TCU, cobra uma fortuna que teria sido gasta e, claro, não foi aplicada).

E a desonestidade se torna mais descarada quando tratam como “tema posto em campanha pelo candidato” o que é uma resposta a pergunta formulada em entrevista. Funciona assim: perguntam, perguntam, perguntam, perguntam, até que, claro, o candidato responde. Daí a culpa é dele (!) por “colocar o tema na pauta” (!?!).

Enquanto isso, a demanda da comunidade LGBTT continua ignorada pelo governo progressista que, vejam só!, é aliado de bancadas ultraconservadoras e ligadas a toda sorte de denominações religiosas. O militante petista aplaude o governo que VETOU o kit, mas xinga pesadamente quem emite uma opinião contrária ao mesmo material vetado pelo governo aplaudido.

Eles não perdem tempo com coisas como lógica, noção ou fatos. Primeiro o partido, depois esses detalhes. E depois, bem depois, as causas que alegam defender. E se tudo der errado, há sempre a saída clássica de dizer que o adversário diz “baixarias”. Patético.

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6 Comentários

  1. Silvia17 de outubro de 2012 às 00:38

    Todos os problemas sociais no Brasil são importantes, tanto quanto esse sobre homofobia.
    Religião, opção sexual, e tantos outros dilemas nada tem a ver com administrar bem um pais. Penso que o Brasil é como uma empresa nós somos os clientes, pagamos os nossos impostos e cumprimos os nossos deveres. Se cada pai e mãe fizesse como eu, os brasileiros seriam muito mais respeitados (sem falsa modéstia). Sempre expliquei para os meus filhos: cada um tem o direito de pensar e ser como é, você tem que respeitar o próximo, nada de discriminar esse ou aquele, por cor, aparencia, status social, ou modo de pensar. E digo mais cada um também tem direito de pensar oque quizer e ter a opinião que quizer, mas, tem que lembrar que nem tudo deve-se falar e que o ser humano para conviver conta pelo menos 100 mentiras por dia… Hipocrisia??? não: Educação.

  2. Oziel Jose15 de outubro de 2012 às 09:14

    Concordo com seus argumentos, mas discordo dos termos, estado laico não significa estado sem influência religiosa, laico significa sem religião oficial, ou seja, todos estão livres para cultuar quem quiser, mas negar a influência cristã no Brasil é na verdade negar nossa história e rejeitar o passado.

    • Alexandre15 de outubro de 2012 às 12:11

      Trocar um passado de decisões erradas por um futuro melhor é o que chamamos de evoluir. Só porquê no passado em um mundo sem respostas a igreja tinha lugar de destaque nas decisões, não quer dizer que ela deve ter algum destaque no mundo que vivemos agora.

  3. bedot14 de outubro de 2012 às 23:27

    Há um importante dado paralelo em toda essa questão: se o governo do PT estivesse realmente preocupado com os direitos dos gays, jamais poderia se tornar um aliado de primeira hora do regime de Ahmadinejad no Irã, conhecido pela implacável perseguição aos homossexuais. Como se vê, a relação do PT com qualquer grupo, minoritário ou não, é apenas instrumental. Há aqueles que se aliam ao partido – e serão defendidos; e há aqueles que não se aliam ao partido – e serão terrivelmente combatidos. O conteúdo da causa é o que menos importa.

  4. Marcelo Tskin14 de outubro de 2012 às 20:16

    Sem falar na declação da Dilma qdo vetou o kit: “não podemos fazer PROPAGANDA de OPÇÕES sexuais”. Seria legal se vcs postassem o vídeo do youtube com a entrevista.
    Qual a diferença disso para o que os conservadores falam? Dilma, além de vetar o kit, ainda faz uma declaração dessas, como se homossexualidade fosse uma questão de escolha do tipo: “ah, minha vida tá chata, todos me aceitam, vou virar gay pra ter mais emoção” hehehe

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