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Lição do ataque da Amazon a Doria: jogar marcas em disputas políticas é péssimo negócio

Quase nunca dá certo.

Uma breve recapitulação para quem estiver perdido: a bilionária Amazon lançou um vídeo aderindo ao discurso esquerdista de ataque à gestão de João Doria, dizendo que a cidade estaria “cinza”, por conta das pichações apagadas. Na peça, eles projetam trechos de livros nais tais paredes (como alguém observou, algo apenas possível porque elas estavam limpas).

O Prefeito de São Paulo respondeu, sugerindo à empresa que doasse livros e computadores aos alunos da rede pública municipal. A partir daí, a internet reagiu em massa contra a empresa e em favor de Doria.

Diante do silêncio da Amazon, a concorrente “Kabum!” ofereceu equipamentos ao município. Em seguida, a Saraiva, outra gigante do setor, fez oferta similar. Enquanto isso, o vídeo da campanha recebia comentários críticos um tanto fortes e muitas avaliações negativas (no momento da elaboração deste post, são 998 favoráveis e 5764 contrárias), um verdadeiro desastre.

Por fim, no meio da noite de ontem, eles fizeram oferta de e-books gratuitos, permitindo que um livro – entre 30 pré-estabelecidos – seja baixado gratuitamente por cada pessoa. Mas já era tarde demais para qualquer coisa do tipo (exceto, claro, o anúncio de alguma parceria realmente pujante).

A Lição

Já é bem arriscado tomar posição cultural ou política no sentido genérico, mas mesmo assim muitas marcas o fazem e, cabe registrar, algumas de forma positiva. Ainda assim, entrar no campo da política partidária é algo 100% equivocado e SEMPRE dará algum tipo de problema.

Para piorar, a Amazon bateu de frente com um prefeito muito bem avaliado e justamente em seu programa de maior aprovação. Quase um suicídio.

Mas por que isso? Por causa do esquerdismo. A esta altura, pouco importa e seria até reprovável citar nomes, isso não faz mesmo diferença, mas é fundamental mencionar o aspecto cultural da coisa: ao colocar a própria preferência ideológica ou partidária numa ação publicitária, o dono da ideia está pouco se lixando com a marca ou a empresa.

Uma marca comercial pode ter seus clientes, até fãs, e mesmo alguns que detestem seus produtos, mas raramente há reações contrárias mais hostis. Quem não gosta, simplesmente não gosta, sem bater boca com posts e peças publicitárias.

Porém, ao entrar no campo da política, sobretudo a partidária, imediatamente a empresa se joga numa guerra e aí, por óbvio, ao menos um dos lados certamente a tratará como inimiga – sem a certeza de que o outro a tomará por aliada.

E, sim, ao menos por agora (claro que isso jajá passa), a Amazon é vista como uma “adversária” por vários internautas.

Péssima ideia. Mas fica a lição – isso até o próximo criador emplacar algo do tipo, de novo pouco se importando com a empresa e mais de olho no “lacre”.

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