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A lição dos desenhos animados aos que querem censurar as marchinhas de carnaval

Até eles parecem entender melhor de liberdade de expressão

A Era de Ouro da animação americana começou em 1928, quando os desenhos animados passaram a ter som, e durou até meados dos anos 1960, com a popularidade maior da TV. A Looney Tunes brilhou nesse longo intervalo como um série de curta-metragens distribuídos pela Warner Bros. O próprio nome da série (algo como “Músicas Loucas”) era uma provocação ao “Sinfonias Ingênuas”, produto concorrente da marca Disney, que sempre primou por valorizar o politicamente correto. Personagens como Pernalonga, Patolino e Frajola são talvez os nomes mais conhecidos desse trabalho.

A incorreção do roteiros seguia a lógica do período. E não é raro encontrar piadas que atinjam negros, povo indígenas, asiáticos e até europeus (como os alemães da época do nazismo).

Ligeirinho, que fazia graça com mexicanos, chegou a ser proibido no Cartoon Network em 1999, mas voltou após protestos dos próprios latinos, que viam na caricatura uma homenagem ao próprio passado.

Em 2005, uma coleção com o melhor dessa produção foi lançada. Os vídeos, contudo, traziam um texto introdutório que servem de lição a todo o discurso que tenta censurar marchinhas de carnaval no Brasil. Vale lembrar:

“As animações que você está prestes a ver são produções de uma outra época. Elas podem apresenta alguns dos preconceitos étnicos e raciais que eram comuns à sociedade americana. Essas representações estavam erradas e estão erradas hoje. Independente de isso não representar a visão da Warner Bros. da sociedade de hoje, estes desenhos estão sendo apresentados como eles foram originalmente criados, porque fazer o contrário seria o mesmo que alegar que esses preconceitos nunca existiram.”

Uma das funções mais nobres da arte é registrar à sua maneira períodos históricos. Sim, eles aconteceram. E não se pode simplesmente passar uma borracha nisso.

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