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Lula ganha fácil? Não é bem assim: forças anti-petistas têm mais votos nos maiores estados

Basta consultar as pesquisas.

Para uma parcela da direita, Lula é uma espécie de bicho-papão narrativo e então tudo deve ser perdoado/abonado porque, em caso contrário, ele vai voltar. Pior que isso: qualquer ataque a cagadas de Michel Temer, mesmo aquelas indefensáveis, serviriam para eleger Lula.

Bobagem, claro.

A taxa de rejeição do petista é altíssima e Michel Temer não é uma força dicotômica; ao contrário, durante anos e anos foi um grande aliado. Mas, para além disso, é preciso observar o comportamento do eleitorado nas pesquisas mais recentes.

Na de levantamentos nacionais recentes e amplos, a opção é colher dados de pesquisas locais. Isso porque boa parte delas, como se sabe, indagam acerca da campanha presidencial. E assim é possível montar alguns quadros, ainda que sem valor científico objetivo.

Tomemos de exemplo os seis maiores colégios eleitorais. Em números aproximados, segue tabela dos estados e respectivos eleitores (dados do TSE):

SP – 32 milhões
MG – 15 milhões
RJ – 12 milhões
BA – 10 milhões
RS – 8 milhões
PR – 7 milhões

Desses todos, apenas o RJ não tem pesquisa recente sobre a eleição presidencial de 2018. De todo modo, vejamos os outros, conforme levantamentos do instituto Paraná Pesquisas.

Em SP, os dados seriam os seguintes: Dória, 26,3%; Lula, 12,2%; Bolsonaro, 12,2%; Marina, 11,6%; Joaquim Barbosa, 7,1%; e Michel Temer, 4,1%. Em MG, segundo maior colégio, os números são: Lula, 23,2%; Aécio, 18,4%; Bolsonaro, 16%; e Marina, 11%; Joaquim Barbosa, 8,1%; Ciro Gomes, 2,9%; e Michel Temer, 2,3%. Na Bahia: Lula, 42,7%; Bolsonaro, 12,8%; Ciro Gomes, 8,4%; Marina Silva, 7,9%; Joaquim Barbosa, 6,4%; e João Doria 5,1%. No RS: Lula, 19,8%; Bolsonaro, 17,5%; João Doria, 14,1%; Marina Silva, 10,9%; Joaquim Barbosa, 5,9%; e Ciro Gomes, 5,6%. E no Paraná: Álvaro Dias, 31,7%; Lula, 16,2%; Bolsonaro, 13,1%; João Doria, 9,4%; Marina Silva, 9,4%; Ciro Gomes, 4,0%; e Michel Temer, 3,5%.

Reiterando que não é um cálculo científico, dá para ter alguma segurança em afirmar que votos em Bolsonaro, no PSDB e em Michel Temer são anti-Lula e anti-PT. É uma faixa de eleitorado que muito dificilmente mudaria para escolher o petista. Mesmo Marina Silva e Joaquim Barbosa representam parte dos eleitores que se desiludiram com o PT, mas na conta conservadora a seguir preferimos não incluí-los.

Desse modo, APENAS com as intenções de voto em Bolsonaro, PSDB e Michel Temer, diante dos optariam por Lula, temos os seguintes gráficos:

SP

MG

BA

RS

PR

(nota: no caso do PR, para manter a natureza conservadora da estimativa chutada, não incluímos o eleitorado de Álvaro Dias, embora seja francamente anti-PT)

E esse comparativo é importante porque a eleição NÃO SERÁ RESOLVIDA NO PRIMEIRO TURNO. É um fato, até uma obviedade. Desse modo, e por óbvio, o segundo turno muito provavelmente será na base do PT e do anti-PT, mesmo.

Portanto

Não existe esse negócio de que a eleição “está ganha”. Trata-se de um oba-oba da militância, obviamente para animar o moral da tropa, e também uma narrativa de parte da direita para botar medo em quem seja contra o PT. E, para não parecer uma pajelança numérica, vale citar a pesquisa do DataPoder360, do portal Poder360, feita com 2.058 brasileiros de 217 municípios, com margem de erro de 3 pontos para mais ou para menos.

Eis os dados:

Lula: 25%
Bolsonaro: 14%
João Doria: 13%
Marina Silva: 9%
Ciro Gomes: 5%
Branco/Nulo: 26%

Mais do que a superioridade dos votos anti-petistas sobre aqueles em Lula, é importante observar a quantidade alta de brancos/nulos, considerando sobretudo o fato de que justamente Lula seja um nome conhecidíssimo, para o qual esses votos já teriam ido, se fosse o caso. Para tanto, vejamos também as rejeições:

Pois é. Lula beira os 60%.

Em suma, esse “medinho” da candidatura petista à Presidência chega a ser até patético. Não caiamos nas narrativas – seja a da militância de esquerda, seja a do “bicho papão” que seria beneficiado por qualquer crítica ao governo.

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