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27 de novembro de 2011

Marcos Valério e Delúbio Soares: a boa sorte dos indiciados no Mensalão

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valerio delubio  550x292 Marcos Valério e Delúbio Soares: a boa sorte dos indiciados no Mensalão

Na semana que passou, duas notícias evidenciaram a boa sorte que o processo do Mensalão trouxe para os seus réus. Em Minas, o “carequinha” Marcos Valério, publicitário convertido a “consultor” logo após o escândalo da compra de votos, experimenta sorte semelhante à obtida por outro “consultor de empresas privadas”, o “chefe de quadrilha” – de acordo com a Procuradoria Geral da República – ,  José Dirceu. O expediente utilizado por Valério é o mesmo do ex-ministro, e deputado cassado por corrupção: intermediar contratos entre empresas que desejam aproximação com o governo federal.

Leiam primeiro o que informa o repórter Thiago Herdy dos jornais Extra e O Globo. Logo abaixo, detalhamos a rotina de outro indiciado no processo do Mensalão, Delúbio Soares.

BELO HORIZONTE – O escândalo do mensalão e as dezenas de processos em que figura como réu na Justiça não foram suficientes para tirar de cena Marcos Valério Fernandes de Souza, o lobista acusado de operar o maior esquema de ocultação e desvio de recursos por políticos brasileiros. Às vésperas da definição da data do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Valério está mais atuante do que nunca e despacha em escritório localizado no sexto andar do número 925 da Rua Sergipe, em Belo Horizonte. É a sede da T&M Consultoria Ltda, antiga Tolentino & Melo Assessoria Empresarial, que teve oficialmente Valério como sócio até 2005, ano em que o escândalo da base petista veio à tona.
No papel, Valério deixou a sociedade com Rogério Tolentino e José Roberto de Melo, mas, na prática, ele continua atuante na empresa de consultoria e ainda a cita, em ações na Justiça, como seu endereço comercial. Contratar a empresa virou sinônimo de sucesso profissional em negócios com o poder público. Caso da então modesta ID2 Tecnologia e Consultoria, empresa de Brasília fundada em 2004, que desenvolve softwares e que pagou pouco mais de R$ 200 mil pelos serviços da T&M em 2007.
O contato com a consultoria ligada a Valério foi a senha para a empresa abocanhar serviços milionários do governo federal. Pouco mais de um ano depois, foi contratada pelo Ministério do Turismo por R$ 14,9 milhões para fornecer software de apoio à administração. Em 2010, novos contratos com os ministérios do Esporte, Minas e Energia, Saúde e Valec somaram R$ 37,1 milhões.

Serviços para construtora falida
O valor total dos cinco contratos ultrapassa R$ 52 milhões. Quatro deles têm objeto idêntico, com previsão de “aquisição de tecnologia com painéis e gerenciadores gráficos, softwares e serviços vinculados”. Antes disso, o único contrato com o poder público da ID2 Tecnologia era com o STF, de quem recebia R$ 19,8 mil mensais para dar suporte técnico ao software usado como ferramenta de gestão na área de serviços gerais do órgão.
A construtora baiana Concic também contratou os serviços da T&M em 2007. Apesar de falida desde o início dos anos 90, pagou R$ 850 mil à empresa ligada ao lobista, de acordo com informações contábeis da consultoria. A Concic deve R$ 495 milhões (R$ 5 bilhões, em valores atualizados) ao Banco Econômico, o que a torna maior devedora da instituição, sob intervenção do Banco Central desde 1995.

Íntegra aqui.

Outro que não pode se queixar da sorte é Delúbio Soares. Mesmo levando uma vida mais modesta que os “consultores de empresas privadas”, e morando de aluguel, o ex-tesoureiro do PT vem sendo festejado Brasil a fora. E não só por companheiros de partido e sindicalistas, não. Também por estudantes de direito!

GOIÂNIA – Na Faculdade Direito da PUC de Goiás, Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT e um dos 38 réus da ação do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), se transformou num “case”. Sua defesa apresentada ao STF foi tema de um debate na noite de quinta-feira, e a participação garantiu aos estudantes o equivalente a cinco horas extracurriculares. O próprio Delúbio, arredio como sempre diante da imprensa, sentou-se ao fundo de uma sala com cerca de 40 estudantes para ouvir discussões que lhe foram bastante favoráveis. Ao final, mais à vontade diante da plateia cordial, criticou a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Íntegra aqui
Enquanto não realiza o sonho da casa própria, Delúbio vai levando a vida como pode – viajando pelo Brasil e empreendendo novos negócios. Bom, antes empreender do que receber salário do Estado para não trabalhar, né?

Em turnê pelo país para apresentar sua defesa ao STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares disse ontem, a sindicalistas de Brasília, que o mensalão foi só um “boato”.

“Quando eu era menino, lá em Buriti Alegre, tinha o jornal de fatos e boatos. A denúncia, vou dizer para vocês, é um boato. Os fatos eu já expliquei na defesa prévia”, afirmou o petista.

Delúbio é apontado pelo Ministério Público como o operador do esquema, denunciado pela Folha em 2005. Se condenado, pode pegar até 111 anos de prisão pelos supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

(…)

Descontraído, Delúbio disse que montou uma “imobiliária online” em Goiânia e pretende expandir os negócios para São Paulo e Brasília. “É meu ganha pão hoje. É duro pagar aluguel todo mês, mas precisa batalhar”.

Há quase dois meses, o ex-tesoureiro viaja para apresentar sua defesa. Anteontem, em Goiânia, disse que o julgamento do mensalão no STF, previsto para 2012, será “o maior espetáculo midiático do Brasil”.

Íntegra aqui (para assinantes)

É, parece que esse negócio de ser indiciado traz boa sorte. Com a palavra, o Zé:

Mais gravações podem ser ouvidas aqui.

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