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Marilena Chaui: “Maluf é um grande administrador”

Marilena Chaui participou de um seminário na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sobre “A ascensão conservadora em São Paulo”. Filósofa que é, não fez uma única menção a Russell Kirk, G. K. Chesterton, Muggeridge, Voegelin, Oakeshott, Roger Scruton, Peyrefitte, T. S. Eliot, Ortega ou qualquer outro bastião da filosofia conservadora para afirmar que a mentalidade paulistana se alinha a ela:

Não apenas não foi preciso comparar, como até atrapalharia. Chaui foi ovacionada pelos típicos alunos esquerdistas de tais cursos através de um chiste mocorongo: “São Paulo é protofascista”. Para os adolescentes pouco afeitos a leituras adensadas e complexas, um xingamento basta.

Faz sentido que primeiranistas e outros incipientes se espantem com a palavra “fascista”, menos de 5 anos depois de cruzarem com ela pela primeira vez. Dá um aspecto de proibição, de situação-limite (em linguagem existencialista), de um grande inimigo a ser enfrentado em uma vidinha mequetrefe e sem perspectivas.

Como também desconhecem de todo leituras às quais não sejam obrigados a enfrentar (e professores esquerdistas se aproveitam disso para mantê-los hagiograficamente virginais em conhecimentos “perigosos”), acham que um “fascista” é pior do que um “socialista”, sem saber que os totalitarismos brutais dos primeiros não conseguiram matar 10% da máquina estatal dos segundos. Qualquer coisa, agora, é “fascista”. A novilíngua (termo que também vem de um livro anti-totalitarismo… de esquerda) trocou o bom e velho “idiota” ou “desgraçado” por um politizado “fascista”.

Mas a frase de Chaui não conquistou apenas os impúberes. Ela foi citada até mesmo pelo perfil oficial da campanha de Fernando Haddad à prefeitura da cidade habitada por “protofascistas” no Twitter.

Marilena Chaui é petista, além de socialista. Se há alguém que o PT odeia, este alguém é Paulo Maluf. E se há um político em São Paulo que pode ser xingado, à guisa de provocação (ou nem tanto), de “protofascista”, esse alguém é Paulo Maluf. Ou, bem, era. Desde 2004, Marta Suplicy e Paulo Maluf já se aliaram contra o verdadeiro adversário: o tucanato paulista. O PT e Maluf encontram mais semelhanças mútuas entre si do que o PT e o PSDB. Cada um conhece a si próprio.

Marilena Chaui é fiel ao PT mais do que a qualquer coisa. Para elogiar Baruch de Spinoza, o melhor que pode encontrar no cânone ocidental para definir o brilhantismo do pensador foi atribuir-lhe um petismo avant-la-lettre. Foi a professora que ajudou a cunhar o termo “mídia golpista”, quando da eclosão do escândalo do mensalão – o maior caso de culpabilização do mensageiro desde a batalha de Maratona.

Mas o tal PT se aliou, novamente, justo ao tal Paulo Maluf. Aquele que foi padrinho político de Celso Russomanno (disputante das eleições que não sobreviveu à própria biografia para chegar ao segundo turno), e que cedeu a maquinaria e força de seu partido agora ao petista apagadíssimo Fernando Haddad. Ou seja, um político retrógrado e com excessivos laivos autoritários, mas que nem na época dos governadores biônicos da ditadura sonhou em quase ter a chance de colocar dois candidatos apoiados por ele no segundo turno da cidade mais importante do país.

Marilena Chaui não teve escrúpulo algum. Sabendo que quem a leva a sério, de antemão (e não através de argumentos e exposições detalhadas), acredita religiosamente que “esquerda” significa bondade, liberdade, igualdade, abundância e paraíso, enquanto “conservador” significa um atraso medieval, egoísta e malévolo, associou agora os dois adversários do petista Haddad à cidade de São Paulo ao tal (de novo) “conservadorismo”.

Breve aula de História

Chaui realizou um “debate” (como se chamam as trocas de elogios e papagaiações do que toda a platéia já acredita cegamente da esquerda) no comitê da candidata a vereadora (não eleita) Selma Rocha (óbvio, do PT), chamado “A Política Conservadora na Cidade de São Paulo” (de novo?).

A professora de filosofia teria definido o candidato do PRB como “herdeiro do populismo tradicional de São Paulo, na linhagem de Ademar de Barros e Jânio Quadros”.

A frase, sozinha, já é um insulto à História. Adhemar e Jânio eram inimigos ferozes (e ambos inimigos de outro político direitista de mesmo matiz no Rio: Carlos Lacerda). Adhemar, cujo séquito cunhou a expressão “rouba mas faz”, era um populista em termos que são caros também à esquerda. Distribuía cargos públicos a rodo, era eleito comprando votos dos indecisos e do “meião”, superfaturava tudo o que fazia (qualquer semelhança com alguma realidade presente é mera coincidência… ou não).

Jânio, fechado, de hábitos excêntricos e de um moralismo digno do Antigo Testamento, fazia auditorias surpresas em órgãos públicos, demitindo funcionários e acabando com cargos loteados. Era de um nacionalismo feroz (a ponto de, por provocação, coroar Che Guevara logo depois de trocar farpas com um embaixador americano) e tinha a típica visão desenvolvimentista de um país ainda encantado com a recente industrialização – política que ia de Prestes Maia a JK.

No livro Folha Explica: o Malufismo, Mauricio Puls mostra que essas duas visões antagônicas se prolongaram em uma dicotomia fundamental quando ambos saíram de cena, que se estendeu até as eleições presidenciais de 89, as primeiras não apenas livres de fato, mas marcadas pela queda do Muro de Berlim: enquanto os eleitores de Adhemar de Barros corriam para os braços de Paulo Maluf, a antiga geração de janistas via esperanças no “caçador de marajás” Fernando Collor.

Será que é bem uma filósofa tão dada à política que pode misturar alhos com bugalhos tão horrendamente assim? E isso ficando só em Russomanno (sobre Serra, Chaui afirma que ele encarnaria “um dos elementos de selvageria e barbárie do estado e da cidade de São Paulo”, provavelmente querendo dizer que ele é o último dos tupinambás canibais do estado, ou whatever it does mean).

Sobre o PSDB, Chaui afirma que PMDB e PSDB estão há 30 anos no poder em São Paulo. “Se isso é totalitarismo, totalitários são eles”. É preciso explicar para uma, vai lá, “filósofa política” a diferença entre cinco (na verdade, mais) pessoas de matizes tão distintas, ou mesmo adversas, como Alckmin e Fleury, ganharem eleições em 30 anos, para um sistema totalitário, em que tudo esteja não apenas dentro do Estado, como dentro também de um “partido” confundido com o próprio Estado, que é justamente o modelo político que Chaui defende (e seu candidato, Fernando Haddad, “explicava” em sua tese de mestrado)?

Segundo a Rede Brasil Atual (ligada à CUT), Marilena Chaui considera “uma tarefa libertária” (pena que a professora de filosofia política não saiba o que é ser um libertário…) “a superação do entrave à cidadania representado pelas duas forças políticas que dominam uma “cidade na qual a violência, seja real, seja imaginada, é a forma da relação social e das relações entre as pessoas – para que a cidade se reconheça numa possibilidade nova”. Da parte que dá pra entender, resta concordar com a professora ao menos em micro-escala. Por exemplo, na própria USP da Chaui: a violência lá, seja real, seja imaginada, é a forma de relação social e da relação entre as pessoas, sobretudo quando tem assembléia de DCE ou os partidos políticos da esquerda bolchevique mauricinha hegemônica estão disputando seu curral. Falta mesmo uma tarefa libertária para melhorar essa situação.

Haddad… e o Maluf?

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Mas o melhor vem a seguir. Segundo a Brasil Atual, para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do “grande administrador”, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969). “Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.”

Como bem disse o Reinaldo Azevedo, agora, Marilena Chaui apertaria comovida a sua mão e indagaria: “Como vai, engenheiro, da tradição dos grandes administradores?”

Repetindo aos estudantes futuros-filósofos da USP, ao comitê do PT, às fauces do incréu leitor: São Paulo é protofascista. Então, vote no candidato mancomunado com Paulo Maluf. O Coroneleaks até deu uma sugestão de banner:

Sobre o julgamento do mensalão, além da logorréia sobre ser “uma armação para coincidir com as eleições” (curiosamente, só coincidiu porque o revisor, Ricardo Lewandowski, demorou até os últimos dias para entregar sua parte, tentando cancelar o julgamento este ano com as postergações – e, claro, logo ele, o mais petista dos juízes), Chaui dispara que o julgamento “coloca em questão a República”. Afinal, se o núcleo de um partido está sendo julgado, definitivamente viramos uma… uma… bem, qual é mesmo o nome do regime em que político pode ser punido, mesmo?

Mas nem tudo o que Marilena diz é de uma estupidez tonitruante, of course. Ela também comenta: “Se a gente pega a mídia brasileira, em particular a mídia paulista, houve dois grandes crimes contra a humanidade: Auschwitz e o ‘mensalão’” (aspas do original).

Ora, isso é mesmo um pecado mortal! O que andam ensinando nesses cursos de jornalismo, ainda mais nesses em que os cupinchas da sra. Chaui dão aula? É preciso falar de outros crimes contra a humanidade que os universitários sequer conhecem: o Gulag soviético, a despropriação dos “kulaks” e o genocídio de milhões de fome em poucos anos arquitetado por Lênin (como é mesmo o negócio sobre São Paulo ser “conservadora”, e conservadorismo significar “exclusão”?), o mesmo Lênin que criou cotas de extermínio por cidade… ah, também é preciso falar sobre Kim Jong-Il, sobre Pol-Pot… E o Mao Tsé-Tung, que antes mesmo de subir ao poder, matava seu próprio exército na “Longa Marcha”, apenas para poder ganhar poder dentro do Partido Comunista contra Chang Kuo-t’ao – numa andança que fez mulheres darem a luz enquanto marchavam, deixando seus bebês com a cabeça pendurada por uma tarde toda? Até mesmo Gui-yuan, esposa do próprio Mao, sofreu tais agruras, enquanto o líder se pavoneava diante do sofrimento das “companheiras”: “Gui-yuan consegue parir como uma galinha bota ovos!”…

Por que, afinal, ainda associam tudo de ruim com Auschwitz, sem nunca lembrar que houve crimes bem piores contra a humanidade, e os únicos piores que o nazismo foram todos cometidos pelo regime que a esquerda acadêmica ainda insiste em implantar?

Em tempo: Chaui comentou sobre Haddad, aparentemente em terceiro lugar, ter conseguido ir ao segundo turno, mesmo com o mensalão mostrando a que o PT veio – e como veio. Filosofou: “o povo votou contra a opinião pública” (sic). Essas noções de “povo” e de “público” para comunistas são, assim, muito dialéticas para comuns mortais…

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