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2 de outubro de 2012

Mensalão: nada de Caixa 2, houve Compra de Votos. Fim.

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Os Ministros do STF, em sua maioria, decidem que não houve “caixa 2” de campanha eleitoral, mas sim COMPRA DE DEPUTADOS. Cai, assim, a última das desculpas esfarrapadas do PT. E agora?

Mensaleiros Mensalão: nada de Caixa 2, houve Compra de Votos. Fim.

Nessa época, todos bons companheiros.

Todos devem lembrar quando estourou o escândalo do Mensalão, as desculpas, negativas, enfim, o roteiro já manjado que obedeceu aos seguintes passos:

A – Vamos apurar
Logo após a entrevista de Roberto Jefferson, a galerinha não tinha muito para onde correr e, claro, não havia ainda um discurso bem alinhado. A saída foi pedir “apuração rigorosa” e “punição aos culpados”, a boa e velha tangente. Mas durou pouco…

B – Não foi isso, foi aquilo
Com instrução jurídica adequada (ou algo próximo disso), aquilo que todos desconheciam passou a ser um fato conhecidíssimo: CAIXA DOIS. Os mesmos que negaram ou tergiversaram num dia, alegando nem saber de nada, no outro já falavam que eram “recursos não-contabilizados”.

C – Desculpas públicas
Lula gravou um depoimento, na França, fingindo ser uma entrevista. Lamentou o ocorrido. E também falou em cadeia nacional, pedindo desculpa a todos os brasileiros, declarando-se traído – sem dizer quem foi o traidor ou qual exatamente a traição.

D – Todo mundo faz
Pouco tempo depois, além da tese de que seria “Caixa 2” (ou recurso não-contabilizado), surgiram os postulados clássicos de quando alguém dança bonito com a boca na botija: “ah, todo mundo faz!”.

E – Não foi bem assim
Não contentes, até porque nunca se contentam, petistas da cúpula transmitiram a ordem de que não era nada disso, antes muito pelo contrário. O malabarismo incluía desculpas como “não pode ser mensalão, pois não eram pagamentos mensais” (ensejando o neologismo ÀVISTÃO, ou algo do tipo).

F – Não houve nada, cêis tão lóqui
Enfim, já no final de seu mandato, naquela fase em que livrava a cara de Battisti e nomeava Toffolli sem essa nem aquela, Lula apenas disse que não houve nada. No máximo, e para confirmar sua tese de que era tudo lorota, alegou que leria os jornais para comprovar o alegado. Sim, o mesmo presidente que pediu desculpa e declarou-se traído – valendo salientar que tal “estudo” nunca apareceu.

E agora…
O STF, por votos da maioria, declara que NÃO HOUVE CAIXA DOIS. O ocorrido foi, sim, COMPRA DE VOTOS DA BASE ALIADA, usando DINHEIRO PÚBLICO, ensejando Peculado, Corrupção Passiva, Lavagem de Dinheiro e, por depreensão lógica, também Corrupção Ativa.

A tese estapafúrdia de “crime eleitoral” só foi lançada porque, se aceita, o delito teria prescrição declarada. Mas os ministros foram didáticos em explicar o óbvio, destacando-se algumas indagações que derrubam os argumentos da defesa:

- Se é gasto de campanha, por que não há despesas demonstradas ou valores fechados?

- Por que não há comprovantes de pagamento para justificar qualquer gasto da corrida eleitoral?

- Desde quando se faz Caixa 2 com verba pública?

- Como diabos o PP (sim, do Maluf), que NÃO FEZ PARTE DA COLIGAÇÃO que elegeu Lula à Presidência, também recebeu grana que seria para “cobrir despesas eleitorais”?

Isso tudo foi dito pelos Ministros do STF enquanto condenavam praticamente a rapaziada toda – incluindo já dez políticos da base do governo petista.

Táticas do Desespero
A turminha que defende o governo apenas por ideologia (embora tenha contratos – com ou sem licitação – com esse mesmo governo), tratou de atacar pesadamente Joaquim Barbosa (mesmo que seus votos sejam seguidos pela maioria dos Ministros).

Um furo na água, pois o relator do processo acabou se tornando uma espécie de herói (sim, é um exagero, mas o que esperar de um país em que, até ontem, heróis eram os que faziam mutreta?).

Outra mandrakaria, que brota até mesmo entre empregados do “pig” (mas que na verdade são de esquerda, viu?), é voltar ao “todo mundo faz”. Chegaram a dizer até que, com tamanha popularidade, Lula não precisaria comprar ninguém. Sério.

O colunista em questão deveria ao menos saber a diferença de “popularidade” e “maioria parlamentar”. Além disso, ter conhecimento dos fatos: o Mensalão ocorreu nos primeiros anos, quando NÃO HAVIA NADA PRÓXIMO DE UMA MAIORIA. Com a adesão do PMDB, não seria mais necessário tal procedimento, acabaram cortando aqui e ali, e os prejudicados deram com a língua nos dentes.

Mas nunca se sabe até que ponto tais colunistas falam essas coisas por burrice ou má-fé – ou ainda aquela raiva adolescente de ver antigos heróis revelando-se ladrões do bolso da viúva.

Pois é: não foi Caixa 2, mas sim compra da base aliada. Resta aos defensores dos ladrões de dinheiro público algumas opções: render-se aos fatos, chorar na cama (que é lugar quente) ou ao menos elaborar desculpas que não deponham tanto e tão vergonhosamente contra suas inteligências.

Boa sorte aí. E não se esqueçam de mostrar que são MESMO defensores da turminha, tratando de visitar a rapaziada na cadeia logo mais.

Levem cigarros.

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1 Comentário

  1. Flavico3 de outubro de 2012 às 17:27

    Não dá idéia, Flavião… A petezada enjaulada vai inaugurar o Mensalão do Tabáco no xilindró!.. Eles vão comprar uma “base aliada” na cadeia com pacotes de cigarros mensais..

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