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Na Câmara, Genoino chama repórter de ‘torturador moderno’

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Na véspera de sua posse como deputado federal, José Genoíno, réu condenado do mensalão, ex-deputado e ex-presidente do PT, esteve na Câmara, acompanhado da sua filha Mariana para entregar a documentação necessária para a posse na Secretaria da Mesa.

O deputado, cuja contribuição ao país pode ser resumida no longo aposto “réu condenado do mensalão, ex-deputado e ex-presidente do PT”, estava um pouco irritado.

Perguntado por repórteres sobre o impacto sobre sua imagem do julgamento do mensalão, no qual pegou seis anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto, o deputado vociferou, como informa o G1:

“Eu falo amanhã depois da posse. E você [repórter] está me provocando, seu torturador moderno […] Você não é repórter, você é um provocador.

José Genoíno é famoso por, segundo alguns, ter delatado todos os seus companheiros sem ter tomado um piparote da ditadura. Outros já acreditam que se manteve de boca fechada agüentando toda a tortura estoicamente, o que parece bem condizente com a forma como rotineiramente trata repórteres.

Todavia, a reação do deputado, perseguido pela ditadura, mostra que, afinal, parece que a Folha estava correta em chamar a ditadura brasileira de “ditabranda”. Se ser um “torturador” é perguntar a José Genoíno como está sua imagem (bem, nós já sabemos), não parece ter sido algo assim tão assustador quanto viver num Gulag, numa prisão para presos políticos cubanos ou sob as ditaduras socialistas de Nicolae Ceaușescu, EnverHoxha, Slobodan Milošević, Walter Ulbricht, Kim Il-sung, Pol-Pot, Josip Tito, Mao Tsé-tung, Wojciech Jaruzelski, Leonid Brezhnev e outros, que governaram países para onde a esquerda opositora da ditadura, que queria implantar o socialismo e radicalizar a fictíca “luta de classes” por aqui, nunca se exilou.

Lá, por relatos como Arquipélago Gulag, Histórias de Kolyma, Cisnes Selvagens, Gulag: Uma História e tantos outros, ser “torturador” envolvia um pouquinho a mais do que perguntar para o Genoíno como vai sua imagem.

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Para coroar cerejosamente as declarações campeãs das campeãs,seu advogado,  Luiz Fernando Pacheco, disse seu cliente vê como “dever” assumir a vaga de deputado:

“Ele assume amanhã (quinta) às 15h, em respeito aos eleitores. É um dever assumir, teve mais de 90 mil votos. Ele está tranquilo, é um deputado experiente desde 1982. Vai assumir a função e nós continuaremos brigando contra aquilo que a gente considera uma grande injustiça, que foi a condenação pelo STF. E, enquanto isso, ele vai atender a população que depositou nele sua confiança”, disse.

Lembrando: ninguém votou em Genoíno, e sim em Carlinhos Almeida (PT-SP), que renunciou por ter tomado posse como prefeito de São José dos Campos (SP). Como Siraque estava ocupando a suplência no lugar do deputado Aldo Rebelo, que é o atual ministro dos Esportes, Genoino, segundo suplente, ficará com a vaga. Ser o substituto de substituto não é exatamente uma prova da “demonstração de confiança depositada pela população”.

Pelo andar da carruagem, Genoíno ganhará por um mês sem precisar trabalhar, já que a Câmara está de recesso. Como já parece voto vencido que o STF irá votar pela nulidade do seu mandato, receberá por mês modestos R$ 136 mil enquanto não for preso (o que faz com que qualquer multa que tenha de pagar pelo mensalão vire uma esbofeteada na cara da sociedade brasileira, pagadora da mais alta carga tributária relativa do mundo). A conta foi feita por Gabriel Castro, da Veja, em Brasília:

Enquanto são julgados os recursos da ação, Genoino, vai poder apresentar projetos de lei, participar de comissões, votar em plenário e discursar na tribuna da Câmara. Terá, também, direito ao auxílio-moradia (3 000 reais), à verba indenizatória para gastos de rotina (27 769 reais) e à contratação de 25 assessores (até 78 000 reais). Receberá, ainda, um generoso salário de 26 723 reais – exatamente o que recebem os ministros do STF que o condenaram. O total do “custo-Genoino” pode chegar a 135 492 reais por mês.

Considerando que Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) também foram condenados pelo STF e estão cumprindo hora extra na Câmara, o total desperdiçado pode ultrapassar os 500 000 reais por mês.

Em janeiro, o Congresso não vai se reunir um dia sequer. Genoino, portanto, tomará posse para receber sem trabalhar. Como mostrou o julgamento do mensalão, o petista certamente contribui mais ao país quando está ocioso.

Como somos torturadores modernos, ficamos com uma vontadinha de perguntar pro Genoíno se sua imagem foi tão ferida assim que agora está parecendo dublê de Papai Noel ao chegar à Câmara.

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