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Novos dados de SP: mortes nas marginais teriam quase dobrado após redução da velocidade

Os números são da própria Prefeitura de São Paulo.

Um dos principais argumentos acerca da redução da velocidade máxima permitida nas marginais é o de que isso teria reduzido o número de acidentes com morte. Convenhamos, um argumento talvez imbatível. Exceto pelo fato de que as coisas não foram bem assim.

Na verdade, foi o contrário. Pode não haver nexo causal direto, pode ser obra do acaso, aí cabe um estudo particularizado de cada acidente. Porém, nos números absolutos, houve AUMENTO nas mortes decorrentes de acidentes nas marginais.

Pelos números antigos, seriam 49 mortes (em 46 acidentes) em 2015 e 28 em 2016. Uma redução e tanto.

Mas a Prefeitura agora corrigiu os números. Na verdade, foram 15 mortes em 2015 e as mesmas 28 em 2016. Quase o dobro!

Usar o número de óbitos, de forma absoluta e sem contextualizá-los, já seria algo estatisticamente temerário. Agora, considerando que eles quase dobraram depois da redução, a coisa fica ainda mais complexa. Certamente não foi a redução que CAUSOU isso, mas o dado deixa claro que mexer nas velocidades, e apenas nelas, não é um fator de interferência tão fundamental quanto alardeado.

Os defensores de cada um dos lados têm sim bons argumentos e esse debate pode e deve continuar, pois no fim das contas todos queremos o bem comum (ou deveríamos querer). Mas é preciso pelo menos usar dados corretos.

No mais, caso reste comprovado o engano numérico, trata-se de um caso gravíssimo de distorção estatística.

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