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25 de janeiro de 2015

Lula prega o fim das cotas para negros, mulheres e jovens. Mas só no PT.

lula barco

Essa é daquelas. O PT, agora, é contra as cotas para negros, mulheres e jovens. Mas apenas dentro do PT. Segue trecho de reportagem da Folha:

“O ex-presidente Lula disse a alguns dos principais nomes de seu partido que é preciso promover uma reforma estrutural nas direções estaduais e nacional do PT. Em sua avaliação, elas se tornaram instâncias burocráticas e incapazes de promover uma defesa eficaz da imagem da sigla, que hoje enfrenta sua pior crise política. Bandeira antiga do partido, as cotas entraram no rol de razões para esse desgaste, segundo alguns integrantes da cúpula petista. Em 2011, a legenda aprovou que 50% dos cargos de direção devem ser ocupados por mulheres, 20% por jovens (de até 30 anos) e 20% por negros. A medida foi celebrada à época, mas hoje é vista por alguns como uma exigência que engessa e burocratiza a estrutura. Nos bastidores, dirigentes petistas dizem que as cotas não são preenchidas “a contento”, deixando o partido em uma “situação difícil”.” (grifos nossos)

E agora? Ué, agora a militância trezeconfirma vai fazer o de sempre: ficar quieta. Se for para falar algo, será para concordar. Como SEMPRE dizemos e SEMPRE acontece de fato, primeiro vem o partido e somente bem depois vem a bandeira. Seja a dos negros, mulheres, jovens ou qualquer outra.

Em tempo: o próprio governo Dilma não adota cota alguma. Dos 39 ministros, são apenas seis mulheres e uma pessoa negra. Confira aqui.

24 de janeiro de 2015

Sobre os que defendem punição a piadas, mas acham normal folia carnavalesca enaltecendo regime genocida

bloco soviético

A cena é um clássico da internet (ocorre trinta vezes por ano): algum humorista faz piada considerada “misógina” ou “machista” ou até mesmo “gordofóbica”, e então surgem os textos defendendo punição, às vezes passeatas e assim por diante. Afinal, segundo essa turma, determinado tipo de humor não é admissível. Haveria – ou deveria haver – LIMITES.

Ok.

Daí, chega o carnaval e muitos desses passam a achar normalíssima a folia enaltecedora de um regime genocida (sim, há um bloco de carnaval que “brinca” elogiando o regime comunista da antiga URSS, responsável pela morte de 20 milhões de pessoas – e, óbvio, 99% são pessoas brancas de classe-média). Mais ainda: acham RUIM quando alguém reclama, dizem que é “recalque” e coisas do tipo.

Apenas IMAGINEM chamar de “recalque” todo textão contra o Gentili, ou discussão séria sobre o que se pode ou não dizer na TV a pretexto de “humor”. Nessa hora, claro, não existe o “ai, gente, mas é só piada!”. Tudo passa a ser importante, sério e grave. Mas, ora! Se há quem lute pelo fim de piadas “gordofóbicas”, é natural existir alguém ofendido com a “homenagem bem-humorada” ao regime que matou tantos milhões.

De minha parte, PODE TIRAR SARRO DE TUDO. Exatamente tudo. Qualquer coisa, sem limite, sem restrição, sem processo, sem passeata, sem abaixo-assinado, sem boicote. E é divertido ver alguns percebendo o RIDÍCULO de chilicar com o humor – ainda falta perceberem que também fazem isso, e o ano todo, mas já é um começo.

Desse modo, não vale defender a liberdade num caso e, nos outros, propor limites, punições, passeatas etc. E falamos de uma galera que faz até DOCUMENTÁRIO para discutir o que deveria ou não ser permitido nas piadas. Confiram aqui (sim, há participações interessantíssimas, digamos).

Então, é isso: tá liberado tirar sarro de tudo (convenhamos, sobram poucos temas-tabu quando o genocídio entra na lista do que pode). A galera agora só precisa aprender a controlar a raivinha nos demais casos. Creio que consigam. No fim, ganhamos todos.

23 de janeiro de 2015

Bomba da Época: cinco dias depois de ganhar favor do governo, empresário doa milhões para a campanha de Dilma

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Mais um furo da revista Época, belíssimo trabalho de Murilo Ramos. Confiram aqui, trecho a seguir:

Após ganhar favor milionário do governo, empresário doa R$ 17 milhões para campanha de Dilma – Walter Faria, dono da cervejaria Itaipava, conseguiu renegociar em 24 horas empréstimo camarada com o Banco do Nordeste. Cinco dias depois, depositou R$ 5 milhões na conta do comitê da petista – No começo de 2013, o empresário Walter Faria, dono da Cervejaria Itaipava, a segunda maior do país, queria expandir seus negócios ao Nordeste. A primeira parte do plano envolvia a construção de fábricas na região. Ele optou por erguer a primeira em Alagoinhas, na Bahia, em razão de generosos incentivos fiscais. Faltava o dinheiro para a obra, e conseguir crédito não seria uma missão fácil. Faria e seu Grupo Petrópolis, que controla a Itaipava, tinham nome sujo na praça – e uma extensa ficha policial. Deviam R$ 400 milhões à Receita, em impostos atrasados e multas por usar laranjas, além de notas fiscais. Em 2005, Faria fora preso pela Polícia Federal, acusado de sonegação fiscal. Ficou dez dias na carceragem da PF. Três anos depois, em outra operação da PF, Faria acabou denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção ativa, formação de quadrilha e por denúncias caluniosas. Segundo as investigações, Faria armara um esquema para retaliar os fiscais da Receita que haviam autuado sua cervejaria anos antes. Iria difamá-los. Contratara para o serviço ninguém menos que o operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza. A PF encontrou R$ 1 milhão na sede da Itaipava em São Paulo – dinheiro que, segundo a acusação, serviria para pagar chantagistas. Valério foi preso. Mas Faria perseverou. Diante dessa ficha, qual banco toparia emprestar dinheiro para Faria e suas empresas? O Banco do Nordeste, o BNB, criado no governo de Getúlio Vargas para ajudar no desenvolvimento econômico da região – mas que, desde então, é usado com alarmante frequência para ajudar no desenvolvimento econômico dos políticos que mandam nele.” (grifos nossos)

Mais uma bomba no colo de Dilma, mais um escândalo, mais uma história para lá de mal contada. Como provavelmente darão as mesmas desculpas de sempre, aguardemos o resultado das investigações realmente sérias.

21 de janeiro de 2015

Como o PT e seus aliados fazem do governo um verdadeiro cabide de empregos

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Nas eleições de 2014, um total de 26.172 candidatos disputaram 1.699 cargos políticos, entre vagas para a presidência, governos estaduais, senado, congresso e assembleias legislativas, além de alguns vices e suplentes. Parece algo difícil de se conquistar, mas a busca pelos bons salários e mordomias da gestão estatal enfrentou no ano passado uma concorrência de apenas 15,4 candidatos por vaga, algo muito abaixo das cifras que alguns concursos públicos apresentam. Em 2010, por exemplo, 756 mil inscritos disputaram apenas 594 oportunidades de emprego no Ministério Público da União numa batalha que chegou a assustadores 1.279,4 concurseiros por contracheque.

Como se não bastasse a baixa demanda, os nossos políticos ainda costumam se beneficiar dos laços partidários que a vida pública reserva. Garantem, assim, que não ficarão desempregados mesmo que a população lhes negue oportunidades nas urnas. O caso mais recente a chamar atenção é o do ex-senador Eduardo Suplicy. Após 24 anos em Brasília com o mesmo discurso em defesa do que chama de “renda mínima”, foi convidado por Fernando Haddad para ser o novo secretário de Direitos Humanos e, bem, suas ideias não parecem ter mudado muito.

A prefeitura de São Paulo, coitada, vem sendo cada vez mais usada para não deixar qualquer derrotado desempregado. Antes do ex-marido de Marta, já havia sido convidado pelo mesmo Haddad para tornar-se o novo secretário de Educação um dos adversários superados nas eleições de 2012, Gabriel Chalita. Já Padilha, derrotado na disputado pelo governo do estado agora em 2014, foi chamado para a secretaria de Relações Governamentais.

Mas há também os casos em que algum nome forte retira a candidatura em troca de cargos. Foi assim que Netinho de Paula ganhou do mesmo prefeito eleito a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial. No entanto, com o perdão do trocadilho, quem chegou na COHAB com a “sua galera” foi Paulo Maluf. Numa estratégia um pouco diferente, o apoio do PP ao candidato petista garantiu uma foto já histórica, alguns minutos a mais no programa eleitoral do PT e a nomeação de apadrinhados do “filhote da ditadura” para a Companhia Metropolitana de Habitação.

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Farra ministerial

Não são, entretanto, apenas os antigos desafetos que garantem suas fatias da verba pública pela mão aberta petista. Mesmo sem saber se ele é casado ou tem filhos, Dilma convidou Gilberto Kassab para ser o novo ministro das Cidades. Também de endereço novo em Brasília, superado pelo PT nas eleições para presidente em 2002, e talvez um dos maiores derrotados nas eleições de 2014 (quando não conseguiu nem ir a segundo turno), Anthony Garotinho foi convidado pelo Planalto para assumir a vice-presidência do Banco do Brasil. Mas nenhuma nomeação chamou mais atenção que a mais nova ministra da agricultura, a senadora Kátia Abreu. Rica em críticas a movimentos sociais de cunho governista, assumiu a pasta para abrir espaço ao seu primeiro suplente no senado, o petista Donizeti Nogueira.

Cid Gomes, o mais novo ministro da Educação, também poderia estar afastado da vida pública após defender que professor não deveria trabalhar por dinheiro e comandar por 8 anos o Ceará. Mas garantiu um cargo ao não apoiar a candidatura de Eduardo Campos à presidência do Brasil, migrando com o irmão Ciro e outros 300 aliados do PSB para o PROS, partido que fez parte da coligação petista.

A Bahia enfrentou um aumento de 195% no número de assassinatos segundo o mapa da violência de 2013, além de uma sangrenta greve da PM em 2012. Mas nada disso impediu Dilma de garantir a Jaques Wagner, que concluía o mandato como governador baiano, um emprego junto ao Ministério da Defesa, órgão responsável pelo estabelecimento de políticas de segurança no Brasil.

Festa em família

Todavia, tantas vezes nem se faz necessário um currículo político, bastando apenas algum grau de parentesco com figuras influentes, mesmo que a lei entenda isso como nepotismo (ou nepotismo cruzado). É o caso de Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador fluminense Sérgio Cabral. Do alto dos seus 23 anos de idade, o garoto jurou estar “preparado” ao assumir a secretaria de esportes do estado que em 2016 receberá os jogos olímpicos. Se preparado ou não, ao menos é mais velho que o filho de Haddad, com 22 anos. Não, Frederico não trabalhará com o pai. Diferentemente de três dos seus amigos de faculdade, os mais novos assessores técnicos comissionados da prefeitura de São Paulo: Alexandre Rebelo Ferreira, André Correia Tredezini e Laio Correia Morais.

Durante a campanha, Dilma foi desmascarada quando Aécio Neves a acusou de garantir ao irmão dela um emprego fantasma na gestão do petista Fernando Pimentel quando prefeito de Belo Horizonte. Mas o tucano nem precisava ter se dado a tanto trabalho investigativo. Bastava ter lido o currículo da presidente, uma vez que ela mesma deve ao menos 5 dos cargos que ocupou à influência de seu ex-marido, um ex-deputado pelo PDT gaúcho. Talvez por isso, Haddad e Sérgio Cabral não achem tão estranha a prática. No melhor (ou pior, vai saber) dos cenários, apenas seguem o exemplo que vem de cima.

Siga-me no Twitter: @apyus

20 de janeiro de 2015

Safatle e o ódio da esquerda a São Paulo

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Em artigo cometido na Folha de hoje, Vladimir Safatle dispara contra São Paulo. É uma atividade recorrente da esquerda, por não admitir que tal população insista em lhes aplicar pontapés na bunda. Um trauma compreensível, mas que suscita reflexão simples: não se consegue os votos de um povo por meio de agressões assim. Mas sigamos.

Os erros da coluna são grosseiros. Ele trata a Eletropaulo, por exemplo, como se fosse uma empresa subordinada ou atualmente ligada ao governo do estado. Não é. Trata-se de uma empresa privada sob concessão FEDERAL (vejam aqui). Boa parte da crítica, portanto, mira em A e acaba acertando B (adivinhem quem é o B…).

Ainda sobram ataques à polícia paulista, como se o estado não tivesse os melhores índices do país em segurança pública. EVIDENTEMENTE, há o que melhorar, sempre há, mas tomar o caso de maior sucesso como exemplo de “fracasso”, ignorando os que de fato fracassam absurdamente (como a Bahia, gerida pelo PT), não é algo muito honesto.

Fica a nítida impressão de que a coluna foi datilografada e enviada ANTES de que todos soubéssemos da amplitude do apagão: foram ONZE ESTADOS E O DISTRITO FEDERAL. Confiram aqui. Pois é… Alguns até tentaram atacar os “malditos tucanos” nas primeiras notícias, mas já tiraram o time de campo depois do oitavo ou nono estado informar falta de luz (quem já tinha enviado coluna xingando, é verdade, ficou pendurado na brocha).

Quanto ao mais, vale rever nosso vídeo de ontem, com a “Dilmãe” prometendo e não cumprindo (algo corriqueiro neste início de segundo mandato):

A Safatle, reitera-se dois conselhos: a) não ataque tanto aqueles a quem se pedirá votos; b) aguarde o desfecho dos fatos antes de produzir uma coluna chamada “ligando os pontos”.

20 de janeiro de 2015

Brasil, Argentina, Venezuela e Equador: o esquerdismo sul-americano em crise

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Na mais recente polêmica, numa cena que remetia a um suicídio, surgiu morto Alberto Nisman, um promotor federal que estava prestes a apresentar no Congresso denúncias acerca da cobertura da presidente Cristina Kirchner à ataques terroristas ocorridos em Buenos Aires. As primeiras falas oficiais já se apressam a confirmar a versão de que o próprio falecido, que dizia sofrer ameaças de morte, teria disparado a arma de calibre 22 contra a cabeça, mas mais de dois terços dos argentinos não acreditam nessa leitura dos acontecimentos.

Contudo, está longe de ser esta a única crise enfrentada pela presidente do país vizinho. Depois de tecnicamente dar mais um calote em seus credores, abusou do protecionismo e viu a Argentina incapaz de substituir as importações. O ano começou com os vice-campeões mundiais de futebol enfrentando uma crise de desabastecimento, com falta de autopeças, produtos químicos, livros, remédios e diversos insumos industriais no mercado. Uma realidade que ao menos um outro parceiro bolivariano conhece bem.

A crise venezuelana completa seu primeiro ano de vida com quase 40 mortes em seus protestos e cenas que espelham o fundo do poço econômico o qual o chavismo reservou ao país. Se em 2014 a violência parecia ser a gota d’água para a população, o desabastecimento tão recorrente no “socialismo do século XX” volta em 2015 para mostrar que não é fruto do embargo de nenhuma nação inimiga, mas de ideias que fazem vista grossa a conceitos básicos de economia. Nas imagens, venezuelanos fazem gigantescas filas nos mercados e exibem os braços numerados, sempre com o receio de expor o rosto.

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Com o preço do barril de petróleo em queda, a fonte que ainda dava algum sustento à gestão de Maduro começou a secar. A solução, a exemplo do que ocorria no século anterior, foi buscar empréstimos junto a gigantes vermelhos no outro lado do planeta. Como a União Soviética não mais existe, a bola da vez foi a toda poderosa China. E assim, acompanhada do também bolivariano Equador, a Venezuela voltou do oriente ao menos 27,5 bilhões de dólares mais endividada. Quem precisa de FMI quando se pode recorrer a uma ditadura comunista?

Reeleito ainda no primeiro turno no início de 2013, Rafael Correa viu em 2014 o crescimento PIB do Equador cair a zero após uma expectativa de 2,5%. Para este ano, as notícias seguem desanimadoras. O déficit em conta corrente deve subir de 1,5% para 8% do Produto Interno Bruto. Quanto ao déficit fiscal, deve ir de 5% para 10%. Com a economia amarrada ao dólar, a solução para ajustar as contas do país vem sendo o corte de gastos, mesmo que envolva prejuízos aos servidores públicos, que findaram perdendo um reajuste de 5% nos salários.

Porque o esquerdismo vem sendo contido por uma base aliada que pouca afeição ideológica mantém com o PT, o brasileiro só aos poucos passa a ter contato com os efeitos colaterais do “bonde do esquerdismo sem freios”. O desabastecimento não surge aos moldes do ocorrido no governo Sarney, mas fato é que o Brasil sofre com escassez de água e, por consequência, de energia. Se há um fator natural que impõe esta seca por cá, há também a imprudência de um governo que, diante de crises como a de 2008, quando o sensato seria sugerir cautela e contenção de gastos, estimulou ao máximo toda forma de consumo. No curto prazo, a medida garantiu um 2010 com crescimento a 7,5% (o maior desde, vejam só, o Plano Cruzado do hoje aliado Sarney) e a eleição de Dilma para dar continuidade ao trabalho de Lula. No médio, o caos. A população segue endividada, o país enfrenta ondas de protestos, a inflação estoura o teto da meta, a violência cresce, as contas não fecham e a corrupção explode. Até a falácia do desemprego baixo já vem fraquejando diante de algumas manchetes.

Houve um esforço para negar o óbvio após as últimas eleições, mas o fato é que o Brasil encontra-se dividido. Há uma metade que percebeu não só a repetição de erros passados, mas o padrão de equívocos cometidos ao sul da América e achou por bem dizer não à continuidade do governo petista. E há uma outra metade – com leve vantagem numérica – custando a aceitar a verdade que até o PT já vem reconhecendo internamente (e às vezes externamente): a de que o partido errou e precisa mudar. O problema é que o custo de tanto erro é caro, muito caro. E a conta será paga por ambas as metades, independente dos votos que depositaram nas urnas.

19 de janeiro de 2015

Justiça obriga governo Dilma a fiscalizar programas da Igreja Universal nas emissoras da Rede CNT

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A reportagem é da Folha, seguem trechos:

Por determinação da Justiça Federal, o Ministério das Comunicações instaurou quatro procedimentos administrativos para fiscalizar programas da Igreja Universal do Reino de Deus em emissoras de televisão da Rede CNT (…) Embora o governo fale na necessidade de regulação da mídia –causa defendida há anos pelo PT– a ordem de fiscalização partiu do juiz federal Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara de São Paulo. Em decisão liminar, ele concordou com o Ministério Público Federal, que, numa ação civil pública, acusou o governo de omissão em relação às normas já existentes.” (grifos nossos)

Quando falam em “controle da mídia”, considerando os fatos agora reconhecidos em juízo, tem-se a impressão de que o governo Dilma pretende controlar apenas os que a ele se opõem. Mesmo os defensores da laicidade e campeões do ateísmo da militância governista não dão muita bola quando se trata da “igreja aliada”. E, segundo decisão do judiciário, tampouco o governo o fazia.

Mas agora está obrigado a fazer o que não foi feito. A militância pode até continuar dando o miguezinho clássico, mas o governo não pode mais ser omisso.

14 de janeiro de 2015

Dilma gastou irresponsavelmente e agora faz o trabalhador pagar a conta

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Dilma iria a Davos para tentar “reconquistar a credibilidade” perdida no seu primeiro mandato. Não vai mais. Ela, que levou falta nas manifestações contra o terrorismo na França, achou por bem não repetir a desfeita na posse de Evo Morales, que iniciará o terceiro mandato consecutivo como presidente da Bolívia.

Diferentemente do ex-ministro da Fazenda, que não demostrou apreço a solenidades. Mantega saiu da equipe econômica tão humilhado que se negou a “passar a faixa” para seu sucessor, Joaquim Levy. Há quem compreenda o rancor. Mas porque o entende como um mero funcionário dedicado à lógica econômica da autoritária Dilma Vana Rousseff. Fato é que a “mãe do Programa de Aceleração do Crescimento” freou o avanço do PIB, mas manteve o pé no acelerador no tocante aos gastos públicos. Só de propaganda, por exemplo, foram mais de 5 bilhões de reais. Feito o estrago, a missão pedia ao menos duas grandes medidas: tornar legal a gastança cometida; e levantar a grana necessária para cobrir o rombo.

A primeira custou até barato ao governo, algo em torno de R$ 748 mil por parlamentar. Usando o Diário Oficial da União, Dilma comprou cada voto ao condicionar a liberação da verba à aprovação da PLN/36, projeto de lei que, na prática, inutilizou a Lei de Responsabilidade Fiscal, considerada por muitos economistas como a maior vitória da nossa jovem democracia. Mas a oposição vendeu caro, esticando a sessão por 18 horas de muito bate-boca.

18 bilhões de reais

Dezoito vem sendo um número recorrente para o PT. Ou melhor: 18 bilhões. Até o momento, por exemplo, é o rombo calculado nos cofres da Petrobras com o Petrolão. Coincidência ou não, foi a mesma quantia que o governo economizou ao reduzir os benefícios trabalhistas, principalmente no direito das viúvas sobre pensões vitalícias. Coincidência ou não, a mesma quantia que o governo doou à estatal para equilibrar a arrombada contabilidade da empresa.

Mas não é mera coincidência. A economia de qualquer nação possui uma dinâmica muito semelhante à de um ecossistema. Mesmo não tendo uma relação direta, todas as espécies dependem de um mesmo equilíbrio no meio ou de alguma forma serão prejudicadas. Ou seja: não é de todo leviano associar um rombo de 18 bilhões de reais cometido por corruptos a um corte de gastos de igual valor nos direitos dos trabalhadores.

Todavia, as viúvas do INSS não foram as únicas a entrar na vaquinha para bancar a gastança petista. Os mais jovens também foram atingidos. A intenção é que precisem trabalhar 3 vezes mais (aumentando de 6 para 18 – olha o número cabalístico novamente – meses de trabalho) para terem direito a seguro desemprego. Por que os mais jovens? Porque são eles os que possuem a carreira mais instável e mais se utilizam do benefício. Mas, na prática, atingirá nada menos que 60% dos trabalhadores brasileiros.

Joaquim Levy também quer chegar ao que popularmente ficou conhecido como “pejota”, o funcionário que possui um CNPJ e negocia direito a direito com seus contratantes. A medida, que vem sendo usada como alternativa à CLT para o mercado manter um alto nível de empregabilidade, soa atrativa por permitir salários maiores, já que o custo com impostos é baixo. Mas o governo pretende mudar as regras. Em alguns casos, o prejuízo com impostos pode subir de 4% para 27,5%.

Entretanto, o IR está longe de ser o único imposto na mira da nova equipe. E, como a economia atende a este “efeito borboleta”, ninguém deve sair ileso da lambança econômica de Dilma e companhia. A conta de energia, por exemplo, deve subir 40% ainda este ano para cobrir os gastos que o governo teve com o desconto anunciado em rede de rádio e TV anos atrás. A indústria também segue em queda e algumas fábricas já começam a demitir funcionários, o que dá início às primeira greves de um 2015 que já nasce complicado.

Em 2014, a presidente do Brasil participou pela primeira vez do Fórum Econômico Mundial e, segundo o Financial Times, o país saiu de lá como “o grande perdedor“. Derrota esta que findou ofuscada por tantas outras que se acumularam durante ano. A preferência pela Bolívia soa descaso da presidente para com a credibilidade que se busca resgatar, mas talvez seja melhor deixar que a nova equipe econômica represente a nação em Davos. Se não há como ajudar, que Dilma ao menos não atrapalhe.

13 de janeiro de 2015

Com o corte de Dilma, mais de 60% não teriam direito ao Seguro-Desemprego

ih, tossiu

ih, tossiu

Já falamos aqui da hipocrisia da campanha de baixíssimo nível feita pela candidata do governo, alegando que uma vitória da oposição representaria perdas para os trabalhadores. Foi ela quem cortou. Mas agora fizeram o cálculo: quando aplicarem a nova regra, 60% dos atuais beneficiários do Seguro-Desemprego passarão a NÃO ter mais direito. Segue trecho da reportagem da Veja:

Novas regras deixam mais de 60% dos trabalhadores demitidos sem seguro-desemprego – Aumento do prazo de carência afetará principalmente os trabalhadores mais jovens, que mudam de emprego com maior frequência – A nova regra do seguro-desemprego anunciada em 29 de dezembro de 2014, que altera o prazo de carência de seis para dezoito meses para os trabalhadores que requisitarem o benefício pela primeira vez, pode fazer com que mais da metade dos funcionários demitidos sem justa causa não receba o auxílio. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) analisados pelo professor da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos mostram que 63,4% dos 10,8 milhões de trabalhadores demitidos entre janeiro e novembro do ano passado tinham menos de um ano e meio de serviço.” (grifos nossos)

Dilma disse “nem que a vaca tussa!”, alegando que não mexeria nos direitos dos trabalhadores. O resultado está aí e justamente os mais jovens vão pagar o pato.

Pois é… Tossiu.

12 de janeiro de 2015

Afinal, o Brasil é ou não é Charlie?

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O ano ainda engatinha, mas o Brasil já registrou uma primeira notícia positiva à liberdade de expressão. Para surpresa de muitos, veio da caneta do ministro do STF que mais defendeu o PT durante o julgamento do Mensalão. Ricardo Noblat, eu seu blog, explicou em detalhes:

Lewandowski também suspendeu a decisão de um juiz de São José do Rio Preto (SP) que determinou a quebra de sigilo telefônico das linhas registradas em nome do jornalista Allan de Abreu Aio e do jornal “Diário da Região”. O objetivo da quebra de sigilo era descobrir a fonte que forneceu ao jornalista informações sobre investigação da Polícia Federal a respeito do esquema de corrupção envolvendo fiscais do trabalho na cidade em 2011.

Em outras palavras, foi preservado aos profissionais de imprensa o direito a manter em sigilo as suas fontes. Sem este direito, o trabalho de apuração levaria um duro golpe pois poucos confiariam suas informações aos jornalistas.

Contudo, tal decisão vai de encontro ao que costuma mirar o governo brasileiro. Sempre que a oportunidade se faz presente, seus principais nomes e aliados aproveitam a ocasião para vender o que chamam de “democratização da mídia”, um eufemismo para a censura estatal. Que o diga Tarso Genro, que aproveitou a tragédia francesa para angariar mais adeptos à medida.

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Até a morte

“Ser ou não ser Charlie” foi a maneira que o mundo encontrou para dizer se concorda ou não com que o pregava o também francês Voltaire, de ideais tão bem resumidos por Evelyn Beatrice Hall no lema: “Posso não concordar com uma única palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”. Mas o que era para ser uma hipérbole ganhou conotação literal na redação do Charlie Hebdo quando 12 pessoas perderam suas vidas nas mãos de dois terroristas.

Quando alguém diz “eu sou Charlie”, não necessariamente aplaude o humor escrachado e até desrespeitoso da publicação. Diz, na verdade, que pode até não concordar com uma única palavra do que os franceses diziam, mas agradece a defesa “até a morte” que fizeram do nosso direito de externar o que pensamos, mesmo que isso soe desrespeitoso para alguém, principalmente os mais poderosos.

Porque a definição da linha que separa o respeitoso do desrespeitoso é completamente subjetiva. O que soa falta de respeito a um indivíduo pode soar perfeitamente normal a outro. Basta lembrar que o simples ato de uma garota andar sem véu em ambientes públicos já soa ofensivo aos seguidores do islamismo, enquanto em outras nações é defendido o direito de mulheres andarem em público sem a parte superior de suas roupas. Como querer que haja uma verdade única delimitando o que pode ou não ser defendido? Ou que pode ou não ser dito? De acordo com a opinião de quem será delimitada a moral que permite o que se pode expressar?

Todavia, esse limite já existe na prática e vem sendo definido por quem se encontra no poder. Na impossibilidade de se implantar uma censura plena instantaneamente, dá-se pequeníssimos passos, sempre na direção de reduzir o que pode ou não ser expressado. No Mato Grosso, por exemplo, a assembleia legislativa acabou de aprovar um projeto que visa impedir que certos artistas assinem contratos com o governo caso suas letras ultrapassem alguns limites:

Artistas com músicas consideradas ofensivas às mulheres ou que incitem a violência e a homofobia não deverão mais ser contratados com recursos públicos estaduais.

O problema não é nem ser contra a ofensa a mulheres, a incitação à violência ou a homofobia, até porque poucos concordariam com esses temas sem receber suas devidas críticas. Mas simplesmente a impossibilidade de se definir o ponto em que algo passa a ser ofensivo. É fácil chamar de ofensa quando o Casseta & Planeta grita que “mulher é tudo vaca”. Mas, quando Zé Ramalho chama o brasileiro de “gado”, está ofendendo tanto quanto Diogo Mainardi ao chamar o nordestino de “bovino”? Um nordestino poderia chamar outro nordestino de bovino? E se a mulher quiser ser chamada de vaca, não pode cantar isso numa canção escrita por ela? E se tudo estiver inserido dentro uma enorme ironia? Quem vai estudar o caso e dizer se o artista pode ou não receber dinheiro público? Vão ressuscitar a profissão de censor? Como se chegar a uma definição senão pelo comando de quem se encontra de posse da caneta?

O Brasil é, mas quer deixar de ser

No momento em que a Constituição brasileira diz que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato“, o Brasil é Charlie. Quando a mesma constituição reforça que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença“, o Brasil é Charlie. Até mesmo quando alerta que “é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem“. Pois problemas relacionados à liberdade de expressão são resolvidos com mais liberdade de expressão ainda. Se alguém fala um absurdo, as pessoas conscientes se manifestam e desdizem o absurdo alguns tons acima. É assim que funciona o debate.

Dilma não foi à manifestação no último domingo em Paris, mas mandou um representante. Contudo, o posicionamento brasileiro sobre ser ou não ser Charlie surgiu de forma sutil, quase envergonhada, disfarçada de defesa da liberdade religiosa. Enquanto toda a web acompanhava a transmissão da marcha, o perfil oficial do governo brasileiro soltou um tweet para deixar claro que o jornal francês não teria tanta liberdade para publicar aqui as charges polêmicas que ganharam o mundo durante a semana:

portal-brasilO Brasil já experimentou deixar na mão do governo o poder de decidir o que pode ou não ser dito. Foram tempos obscuros que findaram em caos econômico, milhares de perseguidos, de torturados e algo próximo de 500 mortes. Uma geração inteira lutou para que a geração seguinte gozasse de plena liberdade de expressão. Relativizá-la é dar grotescos passos para trás. O preço de falar o que quiser é o de ouvir o que não quer. É assim que funciona. Je suis Charlie.

 

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