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25 de setembro de 2014

Após conceder desconto, governo anuncia que vai repassar rombo do setor de energia ao consumidor

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O governo anunciou que pretende repassar o rombo do setor de energia diretamente para o consumidor. Após conceder diversos descontos às distribuidoras, que seriam cobertos pelo Tesouro Nacional, a presidente Dilma recuou e diminuiu essa ajuda em R$ 4 bilhões.

As contas federais estão no vermelho. E, para cobrir o rombo, o governo vai deixar de repassar dinheiro para um setor que ele vinha socorrendo: o de energia. São R$ 4 bilhões a menos do Tesouro Nacional  para as empresas distribuidoras por meio da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). De R$ 13 bilhões previstos para R$ 9 bilhões.

Com a redução desse aporte do governo e sem outras fontes de recurso, a tarifa de energia deve ficar mais cara.

Com a manobra, o governo pretendia conter o avanço da inflação, mas os esforços se mostraram inúteis, uma vez que o IPCA já ultrapassou o teto estabelecido.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, acelerou para 0,39% em setembro, em comparação com 0,14% em agosto. Com isso, no acumulado dos últimos 12 meses o índice atingiu 6,62% e ultrapassou o teto da meta do governo.

Com o descaso com o setor, a Eletrobras acabou sendo prejudicada, sofrendo uma desvalorização bilionária durante o governo Dilma.

Na Eletrobras, do setor de energia, a perda de valor foi de R$ 17,7 bilhões no mesmo período. A empresa valia R$ 26,2 bilhões há pouco mais de três anos e na semana passada suas ações negociadas no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo estavam valendo R$ 8,5 bilhões, um recuo de 67,5%.

O governo se colocou numa sinuca de bico. Após ir à TV oferecer descontos num raro momento de contas positivas, em vez de salvar as reservas para momentos de sufoco como o atual, tentou fazer marketing pessoal com o dinheiro público. Já na época se falava num custo de mais de 8 bilhões arcados com os impostos pagos pelo brasileiros. Agora, mesmo com a redução do subsídio, ainda serão usados 9 bilhões do dinheiro dos contribuintes. Para completar o a lambança, a Eletrobras perdeu dois terços do seu valor de mercado e o restante dos bilhões do subsídio será bancado pelos próprios consumidores após reajuste de tarifas. Poucas vezes o populismo barato saiu tão caro.

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25 de setembro de 2014

Para mascarar as contas públicas, governo saca alguns bilhões do fundo soberano

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Em função do baixo crescimento econômico, o governo tem enfrentado dificuldades para cumprir a meta fiscal de superávit primário. A fim de tentar resolver o problema, exigiu que as estatais repassassem R$ 1,5 bilhão a mais em dividendos e informou que pretende sacar R$ 3,5 bilhões do Fundo Soberano, um tipo de poupança que foi criada em 2008 com o excesso de superávit primário daquele ano.

De acordo com o ministério [do Planejamento], a decisão de usar o fundo soberano em 2014 tem por objetivo “mitigar os efeitos do atual quadro econômico, caracterizado por uma perspectiva de crescimento mais baixo nesse ano”. O relatório diz ainda que “essa medida de política econômica visa a atenuação dos efeitos conjunturais de redução da arrecadação federal”.

Ou seja, a gestão petista mais uma vez faz uso de recursos questionáveis para maquiar o lamentável estado da economia brasileira. Em 2013 e 2012, a presidente Dilma também fez uso manobras semelhantes para conseguir cumprir a meta.

Em 2013, por exemplo, o superávit foi alcançado graças à reabertura do Refis, programa de parcelamento de dívidas de empresas com o governo, e também entraram na conta do superávit os valores recebidos por concessões, principalmente do Campo de Libra.

Em 2012, o BNDES foi autorizado a comprar ações da Petrobras que faziam parte das aplicações do Fundo Soberano. Essas ações foram repassadas ao Tesouro Nacional, que se desfez deles por R$ 8,84 bilhões – dinheiro que engordou o superávit. Junto com outras operações parecidas, a manobra rendeu R$ 12,6 bilhões para ajudar a fechar as contas do governo naquele ano.

Na época, o ministro da Casa Civil, Guido Mantega, defendeu a manobra, afirmando que “é uma medida concedida a países que possuem responsabilidade fiscal”.

O ministro refere-se ao que economistas chamam de “contabilidade criativa”, que consiste em fazer manobras contábeis legais nas contas públicas, tais como descontar os gastos com o PAC do conjunto de despesas realizadas no ano – transformando-as em investimento.

O ex-presidente Lula também foi bem criativo em um encontro com o empresariado nacional e internacional, apresentando diversos números não condizentes com a realidade.

Indicadores como investimento externo direto, dívida bruta e corrente de comércio, citados por Lula como “êxitos dos últimos 12 anos”, na verdade pioraram durante o governo Dilma.

O ex-presidente se enganou ainda ao citar dados sobre reajuste salarial, informações sobre exportação de alimentos e também a posição do PIB do Brasil no mundo, em especial na comparação com outras nações emergentes.

A piada mais recorrente dessa campanha é a do desejo de viver no país da propaganda eleitoral do PT. Dentro do marketing do partido, todas essas manobras arredondam o discurso e fazem com que sua militância ainda defenda com tanta paixão tudo o que vem ocorrendo nos últimos anos. Mas a realidade é bem mais complicada, a inflação e o desemprego, a depender do foco, já ultrapassam os dois dígitos. Mesmo que João Santana consiga operar seu milagre e garantir o segundo mandato para Dilma, está cada vez mais certo que o PT deve sair perdendo nessa campanha, governando menos estados e tendo uma representatividade menor nas câmaras. A maquiagem até tenta, mas não consegue esconder tudo.

24 de setembro de 2014

PIB se aproxima do chão, inflação já passou do teto

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A cada nova projeção feita para o crescimento do PIB brasileiro em 2014, o número se aproxima um pouco mais do zero. Segundo o último boletim Focus divulgado pelo Banco Central, agora a expectativa é de que a economia do país cresça apenas 0,3%. A estimativa também caiu para 2015 – de 1,04% para 1,01%.

Foi a 17ª queda consecutiva da projeção para o crescimento do país. Entre os indicadores acompanhados pela pesquisa do BC, o destaque é a produção industrial, que deve encerrar o ano com perdas de 1,94%, número levemente melhor que os 1,98% apontados na semana anterior, mas ainda no terreno negativo.

Enquanto isso, apesar dos esforços do Banco Central de elevar a taxa básica de juros a fim de conter o avanço dos preços, a inflação segue ascendendo. De acordo com números divulgados pelo IBGE, com a alta de 0,39% em setembro, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses já ultrapassou o teto de 6,5% estabelecido pelo governo, atingindo os 6,62%. Contando somente os meses de 2014, ele já está em 4,72%.

Segundo o instituto, os preços dos alimentos voltaram a subir e foram para 0,28%, depois de recuarem 0,32% em agosto, puxados, principalmente, pelas carnes, que ficaram 2,30% mais caras de um mês para o outro, pela refeição fora de casa, que teve aumento de 0,90%, e pelo leite longa vida, com 1,47%.

No entanto, nada impediu a presidente de defender – com direito a olhares enviesados – sua política econômica em entrevista recente ao Bom Dia Brasil. Mais uma vez, culpou um contexto mundial de crise insistentemente negado pelos entrevistadores. No momento mais quente, chegou a bater boca com a jornalista Miriam Leitão sobre alguns dados apresentados. Ao final do segundo bloco, se fez necessário um adendo da parte dos apresentadores do programa esclarecendo os números jogados no confronto. Apesar de Miriam Leitão não estar errada sobre o PIB da Alemanha para 2014, a taxa passada por Dilma foi seu único acerto, já que se referia ao crescimento atual, e não o previsto para todo o ano. De resto, fez uso de dados imprecisos para validar seus argumentos. Para sorte do telespectador e azar da candidata, os profissionais à sua frente estavam bem preparados para o embate.

23 de setembro de 2014

Apenas 4 estados votarão em Dilma numa proporção abaixo do número de benefíciários do Bolsa Família

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Ao todo, o Bolsa Família já atende 13 milhões, 983 mil e 99 famílias no Brasil. Parece um número tímido diante dos mais de 200 milhões de brasileiros, contudo, representa 24% das famílias da nação. Em outras palavras, um em cada 4 habitantes do território nacional são atingidos pelo programa. Em números absolutos, já são mais de 50 milhões de cidadãos.

O que poucos conhecem – até porque a militância governista busca desmentir a todo tempo – é a relação que há entre o número de beneficiários do programa e o de votos garantidos ao PT nas últimas eleições. Cruzando dados das últimas pesquisas com números fornecidos pelo próprio Ministérios do Desenvolvimento Social, o blog do jornalista Fernando Rodrigues conseguiu desenhar melhor esta dependência.

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Apenas 4 unidades da federação fogem do que parece ser regra: a depender do percentual de família atendidas pelo Bolsa Família, a votação no PT será dali para cima. E mesmo as exceções podem ser compreendidas. Metade delas, por exemplo, dizem hoje respeito ao domicílio eleitoral dos principais adversários de Dilma na disputa. No caso, o Acre de Marina Silva e o Pernambuco do finado Eduardo Campos, ex-líder da chapa do mesmo PSB.

Todavia, para alento da oposição, essa relação vem perdendo força. Com o Bolsa Família sendo reajustado abaixo da inflação, o poder de compra de seus beneficiários caiu nos últimos anos e talvez more aí o fato de 2014 prometer uma entrega de votos menor em relação ao resultado das eleições de 2010.

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O jornalista Fernando Rodrigues explicou melhor o impacto que isso terá nas urnas e, claro, deve estar preocupando a campanha da candidata do governo:

Sete Estados onde o programa de transferência de renda tem grande impacto dão menos votos hoje para o PT do que na última eleição presidencial: Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Pará e Amazonas.

A petista só está hoje melhor do que em 2010 em 4 dos 12 Estados com mais de 40% das famílias no programa federal, segundo as últimas pesquisas disponíveis: Paraíba, Sergipe, Roraima e Acre.

A intenção de voto em Dilma é hoje menor do que sua votação em 2010 em 19 Estados. Em 8 deles, ela está 10 ou mais pontos abaixo do que estava em 2010.

Os candidatos de oposição estão fazendo o que podem para diminuir o uso eleitoreiro do programa da parte do governo. Em emocionante vídeo, Marina Silva deu garantias de que não acabaria com o programa. Como argumento, disse já ter passado fome e entender a importância de seu fim. Quanto a Aécio Neves, vem batalhando no senado para que o BF seja incorporado à LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social), o que faria do programa uma política de estado com continuidade garantida independente do vencedor de qualquer pleito. O PT, no entanto, se posicionou contra.

 

22 de setembro de 2014

Não só o desemprego aumentou, como cresceu o número de brasileiros que não querem trabalhar

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A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013 revelou que o desemprego subiu pela primeira vez desde 2009, passando de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. A região Sul foi a única onde esse crescimento não ocorreu; nas demais, o Norte apresentou a maior queda na ocupação.

Lá a taxa de desemprego aumentou um ponto percentual, para 7,3%. No país, a ocupação, que teve crescimento modesto de 0,6%, foi insuficiente para absorver a parcela da população que procurava emprego.

O setor industrial, que atravessa uma crise e, consequentemente, uma onda de demissões, fez um corte de 3,5% entre 2012 e 2013, o que representou uma redução na participação da população ocupada em 0,5%.

A taxa de desocupação seria ainda mais alta não fosse a saída de pessoas do mercado de trabalho. A população fora da força de trabalho aumentou 2,9% no ano passado, sobretudo, entre os jovens.

Embora seus números reais sejam maquiados pela metodologia utilizada pelo IBGE – houve confusão após a tentativa de modificá-la –, o descontrole do desemprego é tamanho que o governo já não consegue esconder. Em junho, a criação de vagas formais ficou 57% abaixo de 2013.

O mercado de trabalho brasileiro registrou em junho deste ano a criação de 25.363 postos de trabalho, queda de 56,9% ante o mesmo mês de 2013. É o pior resultado para meses de junho desde 1998, quando foram geradas 18.097 vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

No entanto, o dado mais preocupante diz respeito ao que o IBGE chama de “taxa de atividade”. Ela relaciona as pessoas que possuem interesse em algum serviço com a quantidade de cidadãos que estariam em idade para trabalhar. Em 2013, dos 156,6 milhões de brasileiros nesta condição, apenas 102,5 milhões (65,5%) trabalhavam ou buscavam algum emprego. O problema é que, em 2012, essa relação se fechou em 65,9%. Em 2008, ficou em 68,6%. Ou seja: há proporcionalmente cada vez menos brasileiros interessados em algum trabalho. O Brasil, com seus estimados 201,5 milhões de habitantes, vem sendo mantido com o suor de 95,9 milhões de brasileiros (ou apenas 47,5% da população). Há nada menos do que 54,1 milhões de brasileiros em idade ativa sem ocupação ou qualquer interesse em se ocupar. O que se torna ainda mais absurdo quando se constata que há doze anos o país está sob o comando de um partido que se diz “dos Trabalhadores”.

22 de setembro de 2014

Assessor de Marina propõe o aumento da meta da inflação como solução para a alta de preços

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O economista Alexandre Rands, da equipe que assessora Marina Silva, propôs que a candidata aumentasse a meta oficial da inflação para o próximo ano a fim de acomodar os reajustes de preços no início de um possível mandato seu como presidente.

A ideia foi lançada pelo economista Alexandre Rands e não faz parte da plataforma da candidata, mas deverá ser discutida internamente nos próximos dias. Ela foi apresentada em público pela primeira vez em evento organizado pelo Bank of America/Merrill Lynch na segunda-feira (8), em São Paulo, que reuniu 500 investidores e executivos do mercado financeiro.

Essa meta é uma estimativa feita pelo governo para que a população saiba o que esperar dos preços dos produtos. Atualmente, ela é de 4,5%, com margem de tolerância de 2% para cima ou para baixo, mas vem sendo mantida sempre próxima ao limite máximo.

A fim de impedir que ela não ultrapasse a tolerância, o governo vem manipulando preços de produtos-chave, como energia e gasolina. Técnicos já pensaram até mesmo em tirar alimentos como tomate e chuchu do cálculo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para que este não fosse impactado pelas altas desses produtos. Essa manipulação deverá provocar um aumento de preços de aproximadamente 8% em 2015.

— Energia e gasolina terão o maior peso no aumento dos preços administrados. O da gasolina está defasado, mas não acreditamos em reajuste este ano, por causa da impopularidade da medida. Mas em 2015, nossa previsão é de aumento de 10% nas bombas e 15% nas refinarias. Para a energia, de 17% — explica Adriana Molinari, analista de inflação da consultoria Tendências.

Por muito tempo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dono de um desempenho tão insatisfatório que sua demissão está entre as promessas de Dilma para um possível segundo mandato, negou que a inflação estivesse alta. Mas, com o baixo crescimento do PIB, acabou admitindo que ela provocou a queda no consumo das famílias.

“Tivemos um crescimento da massa salarial de 4% nos últimos doze meses, e isso nos dá um potencial de consumo que está sendo segurado pelos juros bancários caro e escasso”, disse.

Todavia, a se confirmar os números das pesquisas, Mantega tem tudo para deixar sua “contabilidade criativa” de legado para a equipe econômica de Marina. Diante da incapacidade de fazer com que o país funcionasse de forma a não temer qualquer índice, preferiu manipulá-los. A alteração da meta cogitada pela assessoria de Marina soa como uma versão 2.0 da malandragem. E a “nova política” proposta pela atual líder nas pesquisas caminha para se concretizar como uma nova dosagem de “mais do mesmo”.

21 de setembro de 2014

Do Minhocão às ciclofaixas, os arriscados experimentos que fazem na cidade de São Paulo

Pouca coisa além do medo de assalto aconteceu em meu coração ao passar pela primeira vez na São João com Ipiranga. Eu só fui entender o fascínio de Caetano para com o cruzamento quando amigos aqui nascidos me relataram que de fato, na época em que o baiano chegou por cá, tratava-se a primeira de uma avenida bastante charmosa, aos moldes do que hoje são a Paulista e a Oscar Freire. Tudo, no entanto, mudaria quando governos militares ergueriam sobre ela o elevado Costa e Silva, infernizando os vizinhos dos primeiros andares a centímetros de suas janelas, e servindo de convite a toda sorte de moradores de rua que encontravam no concreto do Minhocão proteção para sol e chuva.

Praça Marechal Deodoro antes do Minhocão

Praça Marechal Deodoro antes do Minhocão

Porque a burocracia atrasa bastante todo tipo de ajuste que se queira fazer em projetos lançados, políticas públicas precisam ser muito bem pesadas antes de se ter o martelo batido. Em tempos de ditadura, de fato era difícil manter qualquer diálogo mais saudável com as autoridades. Atualmente, no entanto, se não há debate, não há sentido no uso da expressão “democracia”. Hoje discute-se a demolição do mega viaduto, ou a transformação do mesmo em parque ecológico. Apesar de concordar que mais espaço verde numa selva de pedras soa bem-vindo, tendo a achar que a demolição seria ainda mais benéfica, pois resolveria o problema de cima (incômodo causado pelos carros) e parte do de baixo (evitando a concentração de sem-tetos, o que, se bem trabalhado com uma ação de incentivo à busca de vagas livres em alguns abrigos públicos, pode dar em resultados ainda melhores).

Proximidade do "Minhocão" com alguns apartamentos

Proximidade do “Minhocão” com alguns apartamentos

Só depois de recolher impostos na “locomotiva brasileira”, me flagrei pensando na validade de algumas leis tão celebradas por seus próprios habitantes. Uma das características que, por exemplo, mais interessava ao notívago aqui era a venda de seus predicados como uma cidade a não dormir. Contudo, recentemente li com bastante pesar que o último supermercado 24 horas do meu bairro (e toda a sua rede) não mais abriria nas madrugadas. Ao especular com amigos, todos concordaram que o Programa de Silêncio Urbano (PSIU) poderia ter influência direta na queda do número de clientes dos horário alternativos. Porque a imensa maioria dos mais badalados bares da região se viram obrigados a fechar as portas no máximo à 1h da manhã, o que faz com que encerrem a cozinha ainda mais cedo. Com isso, a quantidade de consumidores varando a madrugada e adiantando o mercado da semana antes de voltar para casa teria reduzido bastante.

Outra reclamação comum se dá a respeito de a cidade se tornar mais cara a cada ano. Na minha rua, por exemplo, a taxa de condomínio gira na casa dos mil reais. Meu kitnet, no entanto, mal passa das 300 doletas. Outro dia, conversando com o zelador, a explicação se fez clara: o terraço da cobertura segue alugado para uso de uma antena de operadora de celular, o que amortiza bastante os custos dos moradores. Todavia, não há janelas em toda a lateral direita da edificação configurando o que se chama na arquitetura de “medianeira”, um espaço que vinha sendo aproveitado para veiculação de gigantescas propagandas. Como a lei Cidade Limpa proibiu a exibição de publicidade do tipo em ambientes públicos, só restam hoje enormes muros de concreto em boa parte dos meus vizinhos de bairro. E não posso deixar de especular quanto eu pagaria de taxa condominial se essa mesma operadora exibisse também seu logo em minha parede.

Claro, uma cidade mais silenciosa e com menos poluição visual soa bem mais interessante. Resta a dúvida se à época foi colocado à mesa a possibilidade de ocorrência desses efeitos colaterais. E se foram sugeridas as escolhas: poluição visual ou um custo de vida um tanto mais elevado? Supermercado 24 horas ou silêncio? De minha parte, eu não teria vindo para cá buscando noites tranquilas de sono. Ou cenas de sangue num bar da avenida São João.

Por isso mantenho um pé atrás com a implantação das ciclofaixas na atual gestão. De janeiro para cá, de uma esquina a outra, sete comércios baixaram as portas em minha rua. Uma volta no quarteirão e esse número facilmente dobra. Fato é que a economia está em crise e medidas mais conservadoras deveriam vir antes de qualquer experimento mais arriscado.

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Eu adoro andar de bicicleta nos parques daqui, sinto que eventualmente as usarei num dia em que precise chegar com mais rapidez ao metrô mais próximo (a 20 minutos de caminhada), mas me preocupa que este benefício consuma 40 mil vagas de estacionamento gratuitas – para efeito de comparação, todo o Zona Azul soma 38 mil – numa cidade já tão cara. Toda a vida do meu bairro se deve ao comércio de rua que divide espaço com seus moradores. É o que me permite dizer a todos que meus pés são o principal meio de transporte que uso. Em no máximo 5 quadras, resolvo 90% dos meus problemas.

Mas uma das regras mais básicas do varejo diz que “no parking, no business”. Quando lembro do amigo que fechou sua próspera loja apenas 3 meses após a prefeitura proibir estacionamento na avenida em que se encontrava, temo que cada vez mais o paulistano prefira recorrer aos grandes shoppings em detrimento das pequenas empresas da vizinhança, gerando uma sequência ainda maior de baixar de portas. Ironicamente, é quando precisarei me locomover mais para resolver os mesmos imprevistos básicos que resolvo tão perto, complicando aquilo que projetos como o das ciclofaixas visam combater.

A população local adora o PSIU, assim como a Cidade Limpa e, segundo pesquisas, a reserva de espaço aos ciclistas (apenas 10 porcento de seus moradores estariam do meu lado). Mas será que essa mesma população consegue notar uma relação de causa e efeito entre as medidas públicas aqui enumeradas e estes infortúnios? Será que, em alguns anos, quando notarem o custo de vida ainda mais alto, irão lembrar que antigamente tinham ao menos acesso a 40 mil vagas de estacionamento gratuitas? Será que vão associar o fechar de portas de alguns comércios de rua à crescente dificuldade em se estacionar veículos em seus bairros? Será que vão perceber que o ciclista, em geral, tem menos poder aquisitivo que o chefe de família que precisa de um carro para se locomover? Será que vão associar o próximo recorde de engarrafamento ao estreitamento de algumas vias?

Eu acredito nos benefícios de ciclovias. Mas questiono o das ciclofaixas (uma ciclovia que funciona no meio da rua). E mais ainda o benefício destas alternativas numa cidade como São Paulo, com distâncias tão cruéis, clima imprevisível e poucos bairros planos. Se a implantação visasse transformar a bicicleta numa alternativa a mais, algo que auxiliaria moradores de alguns bairros no acesso a estações de metrô ou terminais de ônibus, estaria dentro daquilo que entendo como mais seguro. No entanto, a paixão ideológica de seus líderes os faz crer que o projeto irá vingar, custe o que custar, mesmo que até o momento menos de 1% da população gere demanda para os terços de asfalto a eles reservados.

Obviamente eu posso estar equivocado e nada disso se concretizar. E até torço por isso, por mais hipócrita que soe. Entretanto, diferentemente dos corredores de ônibus, que demonstravam alguns problemas naquilo que mais soavam exceções, as ciclofaixas me parecem ter dificuldades já nas próprias regras. Até mesmo pela falta de regras. É, no meu entendimento, a aposta mais arriscada já feita por uma gestão pública por essas bandas.

Riscos devem ser assumidos quando há margens para perdas. Com o país em recessão técnica, não parece ser o caso. Soará irônico, mas, como alguém que aprendeu a amar esta cidade, só me resta desejar: boa sorte!

19 de setembro de 2014

PT utiliza Correios para fazer campanha ilegal em favor de Dilma

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Matéria do Estadão:

Os Correios abriram uma exceção para o PT e distribuíram em São Paulo panfletos da presidente Dilma Rousseff sem chancela ou comprovante de que houve postagem oficial. A estampa, prevista em norma da própria estatal, serve para demonstrar que houve pagamento para o envio, de forma regular, da propaganda eleitoral. Sem ela, é difícil atestar que a quantidade de material distribuído corresponde ao que foi contratado pelo partido. O número declarado de panfletos distribuídos sem chancela dos Correios foi de 4,8 milhões.

A exceção para os petistas foi aberta a partir de um comunicado interno dos Correios em São Paulo, no qual a empresa autoriza, em caráter “excepcional”, a postagem dos folders na modalidade de mala postal domiciliária (MPD). A Diretoria Regional Metropolitana, responsável pelo aval, atribui a medida a um problema na impressão dos quase 5 milhões de peças. O órgão é chefiado por Wilson Abadio de Oliveira, afilhado político do vice-presidente da República, o peemedebista Michel Temer.

“Está autorizada, em caráter excepcional, na AGF (agência franqueada) Santa Cruz, a postagem de 4.812.787 folders da candidata às eleições 2014 Dilma Vana Rousseff”, diz o documento “Correios Informa” do dia 3 de setembro. “Devido a erro de produção gráfica, não foi confeccionada a respectiva chancela”, acrescenta o comunicado.

Documento dos próprios Correios determina, como “requisito mínimo”, que cada santinho enviado pela mala direta domiciliária deve ter a chancela, com a descrição do nome e do CNPJ do candidato. Também deve constar o ano das eleições e a origem da postagem, entre outras inscrições.

Os santinhos foram remetidos para a Grande São Paulo e cidades do interior até o dia 12 de setembro, com mensagens regionalizadas. “Ela já faz mais por Campinas”, dizem os folhetos distribuídos na cidade, apresentando uma sorridente Dilma, ao lado de Temer e Lula.

O impresso destaca realizações em programas federais como o Mais Médicos e o Brasil Sorridente. “Mais cuidados, mais investimentos, mais futuro. Campinas pode sempre contar comigo”, diz Dilma na propaganda.

A presidente aparece em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, o que levou o PT a determinar um reforço da campanha no Estado.

Justiça Eleitoral. A distribuição dos panfletos regionalizados sem estampa oficial fez parte dos carteiros se rebelar, ameaçando não entregá-los. Além disso, motivou denúncia das entidades que os representam à Justiça Eleitoral, que cobrou explicações à estatal.

Carteiros informaram que, ao questionarem seus chefes sobre os panfletos de Dilma, enviados em caixas aos setores dos Correios, foram orientados pelos gestores dos centros de distribuição a entregá-los como estavam.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos (Sintect-ACS) em Campinas enviou carta ao diretor regional dos Correios no interior paulista, Divinomar Oliveira da Silva, filiado ao PT, cobrando esclarecimentos e providências urgentes quanto à distribuição.

“Ao contrário do que acontece com outros candidatos nas campanhas eleitorais, esse material da candidata Dilma está sendo distribuído aos carteiros sem qualquer chancela ou anotação que demonstre o pagamento por sua postagem, levando-nos a crer numa irregularidade eleitoral”, reclamaram os carteiros por escrito, ameaçando enviar representação ao Tribunal Superior Eleitoral.

“No mínimo, é estranho o que ocorreu, por se tratar de uma candidata e do volume de material enviado. Os carteiros estão acostumados a fazer a entrega de material com chancela. Como você vai ter controle de que estão entregando 4 milhões ou dez milhões. É como entregar uma carta sem o selo”, disse o coordenador-geral da entidade, Luís Aparecido de Moraes.

A estatal disse que o pagamento foi à vista, com a emissão de recibos, e que a autorização “excepcional” está prevista em suas normas.

Controle. Os Correios são controlados pelo PT desde dezembro de 2010, com a nomeação por Dilma do sindicalista Wagner Pinheiro para a presidência da empresa. Ex-presidente da Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, Pinheiro é filiado ao PT do Rio De Janeiro. O partido assumiu o controle da empresa após a crise postal daquele ano, tirando a cadeira do PMDB. Com Pinheiro no comando, a empresa virou feudo do PT.

(grifos nossos)

19 de setembro de 2014

Fatos sobre a gestão Dilma: desigualdade e analfabetismo sobem, emprego e reforma agrária caem

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Embora o Partido dos Trabalhadores goste de alardear que suas gestões contribuíram para diminuir a desigualdade social, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada está prestes a divulgar um estudo inédito no qual revela que, entre 2006 e 2012, a concentração de renda aumentou no Brasil.

Dados do Imposto de Renda dos brasileiros coletados por pesquisadores do Instituto mostram que os 5% mais ricos do país detinham, em 2012, 44% da renda. Em 2006, esse porcentual era de 40%. Os brasileiros que fazem parte da seleta parcela do 1% mais rico também viram sua fatia aumentar: passou de 22,5% da renda em 2006 para 25% em 2012. O mesmo ocorreu para o porcentual de 0,1% da população mais rica, que se apropriava de 9% da renda total do país em 2006 e, em 2012, de 11%. Os dados referentes a 2012 correspondem aos mais recentes apurados pela Receita Federal.

Na medição da desigualdade social do IBGE, o Instituto utiliza dados fornecidos pela própria população. Esses dados não são tão precisos quanto as declarações de imposto de renda, que dão a certeza de que os mais ricos ficaram ainda mais endinheirados.

Entre 2006 e 2008, por exemplo, ano em que as políticas de transferência do governo eram alardeadas por Lula, houve o maior aumento de concentração de renda na fatia de 1% mais ricos. O mesmo salto ocorreu entre 2010 e 2011. O estudo mostra ainda que a desigualdade entre os mais ricos é maior nos dados tributários do que no levantamento domiciliar. Outra conclusão do estudo é que o estrato dos mais ricos é “blindado”, ou seja, a desigualdade entre eles e o restante da população não se estreita

O Nordeste foi a região onde a desigualdade mais aumentou de 2011 a 2012, embora a renda também tenha crescido mais do que em outras áreas do país.

Em 2012, a renda real do trabalho do 1% mais ricos no Nordeste foi 154 vezes superior à dos 10% mais pobres, um salto ante as 130 vezes de 2011. Maranhão e Piauí têm os piores Índices Gini do País, com 0,633 e 0,568, respectivamente.

É válido lembrar também que, de acordo com um estudo do IBGE divulgado em setembro de 2013, o analfabetismo, que deveria ser um dos pilares da luta contra a desigualdade social, registrou aumento pela primeira vez em 15 anos.

Foram identificadas 13,2 milhões de pessoas que não sabiam ler nem escrever, o equivalente a 8,7% da população total com 15 anos ou mais de idade. Em 2011, eram 12,9 milhões de analfabetos, o equivalente a 8,6% do total.

Outra bandeira petista que tem sido ignorada pelo governo Dilma é a do MST. Embora a presidente afirme que seu partido realizou a “maior reforma agrária” do país, ignora o fato de que em seu governo apenas 2,5 milhões de hectares foram entregues, enquanto nos três anteriores esse número chegou a 72 milhões.

Enquanto isso, a economia continua patinando. O desemprego na indústria registrou alta nos últimos meses em função da crise no setor. Em 2014, ele já acumula perda de 2,6%.

O IBGE informou ainda que, no índice acumulado no ano, o emprego industrial acumulou taxas negativas em treze dos quatorze locais e em quatorze dos dezoito setores investigados.

São Paulo (-3,7%) apontou o principal impacto negativo, vindo a seguir Rio Grande do Sul (-4,0%), Paraná (-3,9%), Minas Gerais (-1,8%), Região Nordeste (-1,3%) e Rio de Janeiro (-1,9%).

Vem se tornando uma anedota corriqueira a de que o brasileiro desejaria morar no Brasil da propaganda do PT. Calcado num pesado trabalho de marketing, os mais de 11 minutos reservados a Dilma no horário eleitoral entrou bem antes do esperado no clima de vale tudo. Além do conveniente esquecimento dos fatos acima, o discurso adotado se vale da exploração do pouco conhecimento da população em assuntos mais complexos para manipular a opinião em prol do governo. A justiça eleitoral é esforçada, mas ainda lenta e cheia de brechas. Chegou a sugerir a retirada de um dos ataques mais rasteiros da situação a Marina, mas somente após uma semana de veiculação. Se no comércio diz-se que a propaganda é a alma do negócio, na política vem denotando frequentemente falta de caráter. Não de qualquer pessoa, mas daqueles que pretendem comandar o país por mais quatro anos. Cabe ao eleitor abrir os olhos.

17 de setembro de 2014

Haddad atribui “Complexo de Vira-Latas” a quem reclama das ciclovias

haddad_maluf

Que Haddad é um péssimo prefeito não se trata mais de achismo ou opinião isolada. Antes dele, apenas Celso Pitta foi tão reprovado. Sua gestão é famosa por não fazer nada de muito relevante, a não ser pintar faixas de vermelho nas ruas da cidade, proibindo o tráfego de carros para que bicicletas as utilizem (e, como os paulistanos sabem, não há nem mesmo meia dúzia de pessoas usando essas faixas ao mesmo tempo).

E o dito-cujo, ainda por cima, resolve atacar os que OUSAM discordar de suas medidas disparatadas. Vejam que gracinha sua postagem:

haddad_viralata

Vale lembrar ao prefeito que, segundo levantamento de julho do Datafolha, o número de “vira latas” era de 47% – além de 37% que acham a gestão apenas meia-boca (regular). Os que aprovam, mesmo, são míseros 15%. E isso, claro, ANTES DAS CICLOFAIXAS.

Depois não vale chamar paulistano de “fascista” quando for penabundeado da prefeitura. O duro mesmo será o cidadão aguentar esses dois anos e alguns meses…

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