Implicante

Blog

30 de março de 2015

Financiamento público de campanhas, defendido pelo PT, só existe em um país, o Butão

butão

Virou moda: diante de algum protesto, seja pelo que for, alguns sugerem a REFORMA POLÍTICA. Que reforma? Não falam, apenas dizem REFORMA POLÍTICA, que soa bonito e parece algo eficaz. Não é por outro motivo que muita gente de boa-fé repita isso, pois de fato nosso mundo político precisa de reformas.

Mas é bom esclarecer o seguinte: a principal bandeira petista para “reformar” nossa política consiste no financiamento público de campanha. O que é isso? Acaba-se com doadores particulares, especialmente empresas, e a grana viria apenas dos impostos. Parece bonito, mas serve única e tão somente para manter a hegemonia dos partidos que já são fortes, e não é preciso desenhar qual deles seria o maior beneficiário da modalidade (fora que, bem sabemos, o fato de a lei não permitir outra origem financeira não iria exatamente impedir que algum partido usasse recursos assim, já que a lei proíbe uma porção de coisa que nem todos cumprem).

Em meio a tudo isso, a BBC publica reportagem interessantíssima sobre O ÚNICO PAÍS DO MUNDO em que se aplica financiamento público de campanha. Trechos a seguir:

“O sistema só existe em um lugar do mundo, o Butão, país que apenas em 2008 deixou de ser uma monarquia absolutista e realizou suas primeiras eleições. Conforme a BBC Brasil mostrou na semana passada, 39 países proíbem doações de empresas. No entanto, a proibição também de contribuição de pessoas físicas é uma exceção só presente no país asiático. O financiamento público de partidos e/ou candidatos, em pequena ou larga escala, é adotado em 118 países, de acordo com um monitoramento realizado pelo Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral (Idea, na sigla em inglês). Em alguns deles, como México, Colômbia, Itália e Espanha, chegam a representar mais de 80% dos gastos das campanhas.”

Desse modo, é preciso tomar cuidado ao pedir “reforma política”. Qual reforma? Voto Distrital? Ficha Limpa? Muito bom. Mas Financiamento Público de Campanha não é exatamente uma coisa boa, exceto para partido que já seja bem grande, especialmente se não estiver bem com a opinião pública e, assim, enfrentar dificuldade para pegar dinheiro com empresas. Conhece algum? Pois…

27 de março de 2015

Legista confirma: garoto não morreu por espancamento homofóbico na escola, mas sim de causas naturais

hospital em F. de Vasconcelos

hospital em F. de Vasconcelos

Há alguns dias, muitos espalharam nas redes sociais que um adolescente, filho de dois gays, havia morrido depois de um espancamento por motivos homofóbicos. O relato tinha detalhes: ele teria sido levado ao hospital, mas não resistiu.

Pois era mentira. A morte – de todo modo lamentável, por óbvio – decorreu de motivos naturais, segundo laudo do médico legista. Não houve a tal agressão física motivada por homofobia (nem espancamento). Diversos veículos passaram a versão falsa, com vários compartilhamentos. Pois reportagem da Isto É explica o que houve.

“Ah, mas então não acontece esse tipo de coisa? Então não tem homofobia?” – há quem use esse expediente para atenuar a gravíssima divulgação de crime falso, culpando dois menores. Pois bem, expliquemos.

A agressão a gays é uma triste e séria realidade e, como tal, merece todo repúdio, combate e punição severa. Da mesma forma que também merecem repúdio, combate e punição severa os inventores e divulgadores de calúnias e afins – além de tal prática, no fim, prejudicar a causa que supostamente tentavam evidenciar/defender.

E esse caso é ainda pior, pois as acusações mentirosas recaem sobre menores de idade. A falsa imputação de crime já é algo suficientemente errado, mas é ainda mais terrível quando ocorre contra crianças ou adolescentes.

Em que medida, na sanha de defender algo e sem qualquer checagem, é justo acusar crianças/adolescentes (que agora sabemos ser inocentes)? E se o pior acontecesse e alguém influenciado pelas mentiras os agredisse?

Há militantes que se comportam como criaturas imunes a qualquer erro (ou até crime) pelo fato de que estariam lutando pelas bandeiras “corretas”. Desse modo, passam por cima de leis e pessoas, como se a motivação heroica os livrasse de qualquer responsabilidade.

Não é bem assim.

O estrago desse tipo de acusação é imensurável e os que mentiram ou ajudaram a espalhar a mentira precisam agora divulgar a verdade. Mas, sabemos, haverá aqueles dizendo “ah, esse laudo aí… sei não…”. E o triste é que não são tão poucos a agir dessa forma.

26 de março de 2015

Como PT, PP, PR e PMDB tomaram parte da aposentadoria dos trabalhadores brasileiros

renan_lula

Imagine um trabalhador que, mês a mês, separa uma pequena fatia do seu pequeno salário para o dia em que se aposentar. Imagine que este trabalhador se une a outros milhares de trabalhadores e, juntos, guardam todas essas fatias numa mesma conta. Mais do que isso: aproveitam o volume de dinheiro economizado e o investe nas mais variadas aplicações buscando um rendimento melhor do que, por exemplo, uma mera poupança. De uma forma bem simples, é essa a definição de um “fundo de pensão”. Explicando assim, a dinâmica até soa amadora, mas o resultado final é de um poder econômico assustador.

Segundo a ABRAPP, apenas os 100 maiores fundos de pensão brasileiros em 2014 somaram a assustadora quantia de R$ 628 bilhões investidos. Pela cotação do dólar de 31 de dezembro, esse valor é maior do que, por exemplo, o PIB de Portugal, o que transformaria este grupo na 44ª economia do mundo. Entre participantes, dependentes e assistidos, essa grana toda está a serviço de mais de 5 milhões de brasileiros. Mas não é de hoje que políticos gatunos, em benefício próprio, se infiltram nas entidades que definem os rumos dos investimentos. E a operação Lava Jato vem servindo para finalmente desmascarar o que se passa nesses conselhos.

Fraudes grosseiras, prejuízos bilionários

Em 2014, quase 200 mil trabalhadores brasileiros investiram R$ 8 bilhões no Postalis. Nada disso impediu que contratos fossem fraudados com o uso de líquido corretor gerando um prejuízo de R$ 68 milhões. Ao todo, as perdas chegaram a nada menos que R$ 2 bilhões só nos últimos dois anos.

Mas o fundo de pensão dos funcionários dos Correios está longe de ser a única vítima desses corruptos. O Petros, dos funcionários da Petrobras, e o Funcef, dos funcionários da Caixa, por exemplo, entraram como parceiros da empreiteira OAS, uma das investigadas pela Lava Jato, na reforma do aeroporto de Guarulhos. Em setembro passado, ambos somavam um déficit de mais de R$ 10 bilhões.

Outro fundo sob suspeita é o FI-FGTS, que define o rumo do FGTS de uma parcela dos trabalhadores brasileiros. Ele possui R$ 11 bilhões, ou mais de um terço dos seus R$ 32 bilhões, investidos em empresas investigadas pelo Petrolão. A maior aplicação chega aos R$ 2,4 bilhões a favor da Sete Brasil, um braço da Petrobras a explorar o pré-sal. Nesta semana, a exploradora teve a nota rebaixada para “calote seletivo” pela Standard & Poor´s, uma agência de classificação de risco. Segundo investidores, a Sete já estaria mascarando uma concordata.

Uso político do poder de investimento

De acordo com denúncia da ASPAR e ANAPAR, há “uma possível articulação entre os fundos para a realização de aplicações nem sempre de acordo com o interesse dos participantes”. Em outras palavras, os bilhões destes trabalhadores estão sendo utilizados com finalidade políticas. De quais políticos? É o que a operação Lava Jato aos poucos desvenda.

Parte desta grana vem sendo aplicada em negócios na Argentina e Venezuela por mera afinidade ideológica com o governo brasileiro. As falidas empresas de Eike Batista, um dos queridos de Lula, assim como os falidos bancos Cruzeiro do Sul e BVA, também receberam imensas verbas. Segundo a Lava Jato, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, estaria atacando o Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, com pagamentos de propina aos dirigentes. Alberto Youssef, doleiro apadrinhado do PP, participou da ação e foi o responsável pela indicação da gestora de investimentos a ocasionar prejuízos no Postalis, dos funcionários dos Correios. O mesmo doleiro que, juntamente com Renan Calheiros, presidente do senado pelo PMDB, articulou um levantamento de fundos não só do Postalis, mas também da Funfec, ligado aos funcionários da Caixa Econômica.

Aristótelis Arueira, secretário de finanças do SINDEPPERJ, atribui aos partidos políticos que comandam as estatais a culpa por todo esse prejuízo. “O caso BVA mostra uma lista de fundos idêntica àquela que também foi investigada no escândalo do Mensalão. De lá para cá, nada mudou. O aparelhamento continua o mesmo: políticos indicam dirigentes e ficam de Brasília indicando em que operações os fundos devem entrar. E os gestores dizem ‘Amém’. Se o fundo perde, alguém ganha na outra ponta.” O gestores do REFER, fundo de pensão ligado aos ferroviários, respondem ao PT e PR. Só na falência do BVA, tais trabalhadores perderam R$ 40 milhões.

Partidos causam prejuízos, trabalhadores pagam a conta

Se há um prejuízo, há a necessidade de que alguém arque com as dívidas e o lado mais fraco é sempre a parte mais afetada. Neste caso, o lado mais fraco é composto de milhões de trabalhadores brasileiros. O débito de R$ 5,6 bilhões do Postalis, por exemplo, consumirá um quarto (25,98%) do salário dos funcionários dos Correios. Os mesmos funcionários que, durante as eleições passadas, foram ilegalmente obrigados a distribuírem peças de campanha de Dilma, candidata da coligação que unia PT, PMDB, PP e PR. Esses dois primeiros interferem diretamente não só no Postalis, mas também no Petros e Funfec, ambos igualmente acumulando prejuízos bilionários.

É preciso, no entanto, deixar claro que fundos de pensão são organizações privadas. Assim como não compartilhariam seus lucros com o restante da população, seria um erro compartilharem estes prejuízos, como acreditam alguns que defendem que o governo, ou seja, o povo brasileiro, reponha as perdas ocorridas. O que não implica que se deixe impune os membros dos partidos envolvidos no mau uso da verba. Juridicamente, será difícil arrancar algo destas siglas, pois o poder que possuíam em muito se assemelha ao da posse de um cheque em branco assinado pelos pensionistas. O que não impede que politicamente sejam punidos. Para este caso, o melhor tribunal se encontra nas urnas que democraticamente são disponibilizadas a cada dois anos. Ou até mesmo na cobrança para que a oposição investigue todos esses desmandos e os envolvidos sejam impedidos de seguirem em suas funções. Na manhã desta quinta, o senador Aloysio Nunes, do PSDB, anunciou em seu Facebook que já está bem próximo de colher as assinaturas necessárias para a abertura de uma CPI sobre este escândalo. O trabalho está apenas começando.

23 de março de 2015

Maioria dos brasileiros já é favorável ao impeachment de Dilma Rousseff

dilma

Pesquisa CNT/MDA divulgada na tarde de hoje traz um importante dado para a crise política vivida no Brasil: o número de brasileiros favoráveis ao impeachment de Dilma Roussef já é maioria. Realizada entre os dias 16 e 19 de março, portanto, após os protestos do dia 15, o levantamento aponta que 59,7% dos entrevistados concordam que o a chefe do executivo deveria ser legalmente impedida de seguir comandando o país. Mais ainda: que 77,7% não aprova seu desempenho.

Há mais alguns dados levantados resumindo bem a situação atual. Se o segundo turno fosse hoje, 55,7% dos entrevistados dizem que votariam no candidato da oposição, Aécio Neves, contra apenas 16,6% que repetiriam o voto depositado em favor de Dilma Roussef. Em votos válidos, isso representa uma surra de 77% a 23% para o candidato tucano. Para cada brasileiro que pensa que com Aécio “estaria pior” (17,4%), ao menos dois brasileiros acreditam que com ele estaria melhor (38%).

Preocupa, no entanto, a falta de fé do brasileiro na justiça. Para 65,7% das respostas, ninguém será punido ao final de todo esse processo de investigação na Petrobras. Talvez resida aí parte da explicação para o fato de 40,3% dos brasileiros ainda negarem apoio à abertura de um processo de impeachment aos moldes do que derrubou Collor em 1992.

Crise hídrica x Crise energética

Por mais que a mídia bata muito mais na primeira tecla, os brasileiros, de uma forma geral, se mostram mais preocupados com a segunda. Enquanto 53,7% assumem já ter tomado alguma atitude para economizar o consumo de água, nada menos que 59,7% dizem ter feito algo semelhante pela economia de energia. A diferença, no entanto, deve refletir a abrangência de cada drama. Enquanto a seca se concentrou no sudeste brasileiro, o rigoroso ajuste recente nas contas de energia abrangeu toda a nação.

É preciso saber separar o que é verdade do que é versão. Durante a campanha, o PT vendeu ao brasileiro uma enorme e vergonhosa mentira. Quando o ditado diz que esta tem perna curta, tenta explicar que versões que se distanciam dos fatos não se sustentam por muito tempo. No caso, o trabalho do marketing petista não chegou inteiro ao final do terceiro mês. E o brasileiro quer atitudes, mesmo que drásticas, como um complexo pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Cabe ao cidadão mais ativo, justamente o que se dispõe a participar de protestos em casa ou nas ruas, cobrar agora essas atitudes, seja dos demais poderes, seja da oposição. Apoio popular, os números apontam, já há. Uma parcela de especialistas já enxerga uma meia dúzia de caminhos jurídicos para que se chegue ao resultado desejado. Falta vontade, ou até mesmo coragem, política. Que ela venha.

22 de março de 2015

ALERTA: os petistas estão sumindo!

petista

Em 2012, segundo o Datafolha, praticamente um em cada três brasileiros (31%) não tinha problema em vir a público se dizer petista. Na mais recente pesquisa do instituto, no entanto, a contagem de admiradores do PT voltou à conhecida em 1989, quando pela primeira vez disputou a presidência da república: nada menos que 9%. Foram necessários apenas 3 anos – e uma enxurrada de notícias negativas – para destruir toda uma imagem construída nesse intervalo de duas décadas.

A queda vem sendo vertiginosa. Em dezembro, ainda empolgados com o resultado das eleições, um total de 22% dos brasileiros declaravam ao Datafolha uma predileção pelo PT. Em fevereiro, após o “pacote de maldades” de Dilma confirmar todo o estelionato eleitoral vendido na campanha, esse valor despencou para 12%. Agora em março, quando 5,7 milhões de eleitores, segundo o instituto, participaram de protestos contra o governo em todo o país, um quarto dos petistas debandou, fazendo com o que o partido empatasse com os 6% do PSDB – dentro da margem de erro de 2% da pesquisa.

Ao que tudo indica, essa última leva de desertores se distribuiu entre PSB, PV e PSOL, partidos que, pela primeira vez desde os fim das eleições, largam o zero e surgem com uma contagem de partidários no primeiro por cento. O PMDB, mesmo com um número bem maior de líderes investigados pelo Petrolão, segue inabalável com os mesmos 4% de admiradores que costumeiramente possui.

Os mais jovens agora se dizem tucanos

Em dezembro, para cada jovem entre 16 e 24 anos que se declarava tucano, praticamente o triplo se descrevia petista. Hoje o jogo virou, mesmo que dentro da margem de erro: enquanto 6% reconhecem o PSDB como partido do coração, apenas 5% sentem o mesmo pelo PT. A situação também se repete quando se olha apenas para o brasileiro com renda familiar acima de 5 salários mínimos.

No geral, o tucano é um trabalhador homem (6%), possui mais de 60 anos (8%), segundo grau (7%) e renda familiar entre 5 e 10 salários (10%), um perfil que só não é bem quisto pelo discurso populista do esquerdismo brasileiro em nítido declínio. Ainda disposto a defender o PT, sobra um partidário também homem e trabalhador (11%), mas entre 25 e 44 anos (11%), com ensino fundamental (12%) e renda de até 2 salários, ou o perfil que o mesmo discurso populista adora explorar para garantir mais e mais reeleições.

Proporcionalmente, PSOL é o partido mais dominado por ricos

Enquanto PT e PSDB possuem, de uma forma geral, militantes com renda familiar entre 5 e 10 salários, o PMDB concentra a força numa camada mais humilde, que recebe até 5 salários por mês. Chama a atenção, no entanto, o caso da linha auxiliar do petismo, o PSOL. Ao lado de PV e PTB, forma a trinca de siglas a ter a maioria dos adeptos na camada mais rica da população (com renda acima dos 10 salários mínimos). Contudo, o partido do oxímoro “socialismo e liberdade” possui sozinho a exata soma dos outros dois.

Fica a dúvida se todas essas mudanças já encontraram o limite, se há disposição para continuarem nos rumos aqui apontados, ou ainda se os índices possuem interesse em voltar a patamares anteriores. A resposta só será conhecida quando os próximos levantamentos do Datafolha surgirem. Fato é que o Brasil vem vivendo no campo político um grande momento de revisão de postura. A passividade com que já se olhou para os desmandos do PT aos poucos perde espaço para atitudes que arrastam às ruas multidões. Ironicamente, o mesmo PT que, mesmo na condição de governo, se vendeu na campanha como o melhor representante da “mudança” que interessava ao brasileiro. Azar dele – e sorte nossa – que a mudança em curso não é a mesma planejada pelo marketing do partido.

17 de março de 2015

Mais Médicos: Governo tentou mascarar acordo com Cuba

mais-medicos

Matéria do site da Band:

Gravações de uma reunião anterior ao lançamento do Mais Médicos revelam que assessores ministeriais tentaram mascarar um dos objetivos do programa: atender o governo cubano, reservando a maior parte do orçamento a profissionais vindo do país insular.

Após as manifestações de junho de 2013, o governo federal tratou de apressar algumas medidas populares. Uma delas foi contratar médicos para atuar em locais do país que não eram atrativas para doutores brasileiros com o projeto, que o planalto vinha estruturando secretamente havia seis meses.

A pressa foi grande que acabou dando causa a um evento raríssimo em Brasília, onde, em pleno sábado, aconteceu uma reunião da qual participaram ao menos seis assessores de ministérios. A reportagem da Band conseguiu identificar três assessores do Ministério da Saúde que participaram do encontro: Rafael Bonassa, assessor do gabinete do ministro, Alberto Kleiman, da área internacional e Jean Kenji Uema, chefe da assessoria jurídica.

Além deles, também esteve no encontro Maria Alice Barbosa Fortunato, que atualmente é coordenadora do Mais Médicos na Organização Panamericana de Saúde (Opas), a mais preocupada do grupo em ocultar a preferência do governo federal pelo médicos Cubanos.

“Eu acho que não pode ter o nome governo de Cuba porque senão vai mostrar que nós estamos driblando uma relação bilateral”, explicou Maria Alice em um trecho da gravação, ressaltando que, como o documento é público, um “drible” estaria sendo aplicado no texto.

Para mascarar o acordo com Cuba, a representante da Opas propõe que seja simulado uma abertura para médicos de outros países. A esses, no entanto, será destinado apenas 0,13% da verba alocada para o primeiro ano do Mais Médicos.

“Eu posso colocar atividades do Mercosul e da Unasul, que vai dar dois milhões. Dois milhões em relação a um bilhão e seiscentos milhões , será que na coisa da justiça tem problema?”, questionou.

Salário de cubanos foi estipulado por Marco Aurélio Garcia

A discussão dos assessores enfrenta outros temas complicados , como a vinda de “assessores” cubanos para acompanhar o programa, encarados pelos críticos do Mais Médicos como vigias ou feitores do governo cubano para evitar deserções.

“Eu vou colocar, tipo assim, se são nove mil médicos e 50 assessores, eu vou colocar 9.050 médicos bolsistas no meu T.A. (Termo de Ajuste), porque no programa não entra e é isso que eu quero defender”, explicou Maria Alice em outro trecho da gravação.

Outro problema posto na reunião foi qual seria o salário que Cuba iria pagar aos médicos./ Segundo o representante do Ministério da Saúde, Alberto Kleiman, quem definiu o valor foi um brasileiro, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

“Sessenta (por cento) para o governo e 40 (por cento) para o médico. O Marco Aurélio (Garcia) botou isso na reunião, só para socializar”, frisou o assessor na reunião.

A representante da Opas, no entanto, disse achar que o governo brasileiro, que contrata e paga a conta, não deveria se meter. “A relação é do governo deles, eles que decidem. Não é a gente que vai interferir nisso”, opinou.

Não é o que pensa o Tribunal de Contas da União, que após estudar os documentos que embasaram o acordo concluiu que o tratamento diferenciado entre os médicos brasileiros e os que virão por meio de intercâmbio afronta o artigo 5º da Constituição Federal, segundo o qual todos são iguais perante a lei.

O TCU aponta que o documento afronta também o código de recrutamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), que determina que o “pessoal de saúde imigrante deve ser contratado, promovido e remunerado com base em critérios objetivos, tais como níveis de qualificação, anos de experiência e grau de responsabilidade, tendo por base a igualdade de tratamento com o pessoal de saúde do país onde irão trabalhar”.

O TCU vê ainda falta de transparência na relação entre a Opas e o governo brasileiro no caso do Mais Médicos. e diz que “a Opas/OMS vem invocando imunidade de jurisdição para não atender às audiências públicas bem como para negar a apresentação de documentação referente ao convênio com Cuba”.

O atual secretario de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Heider Aurélio Pinto, diz que não houve intenção de mascarar o acordo com Cuba. “Não tem nenhuma tem tentativa de burlar”, garantiu, afirmando que os termos do acordo “são bem claros”.

(grifos nossos)

Confiram aqui tudo o que nós já publicamos sobre o programa Mais Médicos. Nossos amigos da Reaçonaria também vem alertando para a ilegalidade e imoralidade desta parceria desde que foi anunciada.

16 de março de 2015

Monitoramento nas redes sociais não deixa dúvidas: o que os usuários querem é impeachment

sbt

Segundo o Teleguiado, ao decidir por priorizar a cobertura dos protestos, o SBT de terceiro para primeiro ligar na audiência da tarde do último domingo, com direito a 3 pontos de vantagem sobre a Globo no seu pico. Esse protagonismo no interesse do espectador também se observou na internet. É o que informa a a análise de Gustavo Ramos, diretor de inteligência da Esentia, empresa especializada em monitoramento de marcas com 14 anos no mercado.

“Outro fato que chama atenção é que pela primeira vez, desde que medimos a expressão de massa na internet, o assunto ‘política’ superou em número os assuntos mais comuns na internet brasileira, como programas de televisão, celebridades, etc”
(Gustavo Ramos)

Foram monitoradas 823.614 citações de 8 palavras-chave ligadas ao evento em 7 redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, WordPress, Blogger e Tumblr. Segundo agência, ao se descartar as mensagens exclusivamente em texto, a amostra conteve 57% do conteúdo em vídeo, 28% em fotos, 12% em imagens editadas como memes e 3% em formato áudio. Essa cobertura findou atingindo 241 cidades de 24 estados brasileiros, além de outros 14 países.

Ao se categorizar os assuntos mais comentados, não resta qualquer dúvida sobre o tema central de todo o debate gerado. Assim como, a importância (ou desimportância) de pautas mais polêmicas, como uma “intervenção militar”.

Screen Shot 2015-03-16 at 4.22.49 PM

Para cada 61 menções ao impeachment de Dilma, apenas uma se dava ao trabalho de comentar o que parte da imprensa insistia em destacar em sua cobertura: o risco de uma intervenção militar. Cai por terra também o mito de que o impedimento da presidente seria um sub-tópico de uma pauta geral contra a corrupção: é justamente o contrário. Há se destacar também a preocupação com a qualidade dos serviços públicos e da economia como um todo, merecendo a atenção de uma em cada 10 citações cada. Mas Gustavo Ramos diagnostica: “Os números mostram que, antes de corrupção e serviços públicos de qualidade, a amostra parece querer, primeiro, trocar de presidente”.

Ivani Rossi, diretora da tendências da Esentia, acredita que todo este movimento cobra uma atualização da forma de se entender o brasileiro. “Não há como controlar o sentimento de injustiça que se manifesta em diferentes momentos. Não há como esconder assuntos antes ‘proibidos’ embaixo do tapete e o cidadão, mais bem informado, concordar com isso.” E aposta que os partidos que se negarem a este movimento perderão o bonde da história: “A internet pode, sim, ser a grande responsável pelas instantânea identificação popular que vai servidor, sem dúvidas, como principal forma de pressão das reformas mais urgentes. E, quem sabe, a partir dessas manifestações e desse caldeirão cultural e social cada vez mais politizado, a criação de partidos políticos efetivamente representativos.

Até 23 de março, a Esentia deve voltar a se manifestar trazendo um balanço do que ocorrer na semana seguinte à dessas manifestações. Para ler o relatório por completo sobre especificamente o “Dia 15″, basta clicar aqui.

16 de março de 2015

Dos “20 do MASP” ao “milhão da Paulista”, a saga de um Brasil que não se entregou

Dia15

Era também uma tarde de um domingo de verão. Por volta de 1.800 pessoas confirmaram presença no protesto via redes sociais. Mas apenas 20 apareceram no vão do MASP para exigir que o envolvimento do ex-presidente Lula junto ao Mensalão fosse apurado. A imprensa, já com o petismo escorrendo pelo poros, reportou cinicamente o que presenciou naquele 13 de janeiro de 2013. As duas dezenas de manifestantes viraram motivo de piada na internet. Mas aquilo que se pretendia aniquilá-los de vez apenas serviu para unir o grupo – que passou a atender pela alcunha de “Os 20 do MASP“.

IMG_6529Dois anos de uma agenda de protestos depois, a imprensa teve que se render. O G1 fechou as contas da PM em 2,3 milhões de pessoas nas ruas de ao menos 160 cidades de todos os estados do país exigindo o fim da corrupção e o impeachment de Dilma Rousseff. Na primeira tentativa de resposta do governo ao 15 de março de 2015, um novo panelaço se ouviu na noite das maiores cidades da nação. A cereja do bolo ocorreu já na manhã desta segunda. Renato Duque, o homem que contou com esforços pessoais de Lula para sair da cadeia, foi novamente preso, dessa vez na décima etapa da operação Lava Jato. Internamente, o PT teme que ele não tenha força para esconder o que sabe, como no passado tivera Delúbio Soares, entendido pelo partido como um herói por topar ir à prisão sem denunciar o ex-presidente.

O jogo virou

Fui destacado pelo Implicante para, em campo, registrar a história do dia de ontem sem intermediários. E ela começa, num tempo em que tanto se falou de seca, com chuva. Nada de outro mundo, mas o suficiente para já amarrar em casa alguns amigos que não estavam com a saúde em dia e temiam uma piora. Chegamos ao metrô num grupo bem menor que o acertado por Whatsapp. Mesmo assim, nos vimos obrigados a dispensar o primeiro trem rumo à Paulista pois já se encontrava lotado meia hora antes do combinado.

Harry Potter não é trouxa.

Harry Potter não é trouxa.

O grande temor era o fiasco, era a constatação de que os 100 mil previstos pelas redes sociais se dissolveriam na garoa fraca de um fim de semana abafado. Mas a descida na Consolação já dava o tom do que viria: gritos e “apitaços” animavam um mar de gente vestido em verde, amarelo, azul e branco. Era nítido, no entanto, que se tratava de um grupo desacostumado a eventos do tipo. Os gritos eram desencontrados, assim como a dinâmica. Enquanto uns iam, outros já voltavam. Contudo, o que poderia refletir desorganização entregava algo cada vez mais raro em manifestações do tipo (vide o que ocorrera dois dias antes): espontaneidade. Tanto que o primeiro canto a ser largamente entoado partiu de uma senhorinha ao nosso lado que lembrava a todos que estava lá a serviço de ninguém: “Eu vim de graça!”

Ao final do primeiro terço da Paulista, finalmente encontramos um caminhão com microfones e discursos. A estrutura era pequena, atingia apenas a fração de pessoas mais próximas ao veículo, de fato é impossível acreditar que alguém graúdo estaria por trás daquilo. Opta-se por cantar o hino da Independência em vez do hino Nacional. Um sindicalista tenta falar e logo é vaiado. Assim como alguém que tenta apresentar um discurso em tom religioso. Os aplausos pareciam estar guardados para “Ronaldo Fenômeno”, que recebe o microfone, pede mudanças, mostra a camisa em que assume ter votado em Aécio e sai de lá ovacionado.

Mais próximo ao MASP, uma cena curiosa funciona como retrato deste momento político: enquanto Lucas Salles, novo repórter do CQC, tenta fazer sua graça em uma reportagem e é constantemente vaiado por quem não esqueceu as pautas petistas que o programa levou ao ar durante a campanha; Léo Lins, repórter do The Noite, programa do ex-CQC Danilo Gentili, que jamais se furtou de qualquer crítica ao PT, é abraçado e dá autógrafos.

Enquanto repórter do CQC é hostilizado...

Enquanto repórter do CQC é hostilizado…

...repórter do The Noite dá autógrafos e faz selfies.

…repórter do The Noite dá autógrafos e faz selfies.

Humans of Protesto

Quem é John Galt?

Quem é John Galt?

Um homem vestido de espartano questionava a representatividade de Dilma. Um garoto fantasiado de Harry Potter dizia não ser “trouxa” (um trocadilho com a forma como os humanos são tratados perante os bruxos da série). Uma faixa dizia não aceitar mais socialismo. Outra lembra que Toffoli, ministro do STF, é suspeito (por ter trabalhado como advogado do PT em ao menos 3 campanhas). Uma placa estampa os dizeres “Je Suis Caminhoneiro”, em referência não só ao massacre do Charlie Hebdo, mas também à primeira grande greve do segundo mandato de Dilma. Eram cartazes bem humorados, mas que denotavam algum nível de consciência do noticiário. Eu mesmo precisei assumir minha ignorância e perguntar aos meus pares quem era o John Galt questionado por uma manifestante. E a resposta rendeu uma interessante busca no Google.

Num breve exercício sem qualquer valor científico, interpelei os primeiros dez cartazes que cruzaram meu caminho. A intenção era entender um pouco o perfil de quem estava ali exigindo pautas do governo.

  1. Wilson, 61 anos, um ferramenteiro,
    pedia impeachment não só de Lula, mas também de Haddad, assim como um enfraquecimento geral do PT.
  2. Bárbara, 11 anos, estudante,
    nos ombros de seu pai, lembrava que a corrupção prejudica a educação brasileira.
  3. Antonio, 20 anos, também estudante,
    lembra que Dilma não o representava.
  4. Carlos, 64 anos, autônomo,
    queria a volta da independência entre os 3 poderes.
  5. Leonardo, 19 anos, ajudante geral,
    se dizia contra ladrões e a favor do Brasil.
  6. André Luís, 30 anos, corretor de seguros,
    se dispunha a pagar a passagem de Dilma para a Indonésia.
  7. Fabio, 33 anos, professor de inglês,
    chamava Dilma de mentirosa.
  8. David, 24 anos, enfermeiro,
    lembrava que estava lá sem qualquer financiamento, pois a honestidade dele não tem preço.
  9. Joaquim, 62 anos, advogado,
    definia golpe como a sabotagem que o PT vem fazendo do nosso regime democrático.
  10. Rodrigo, 49 anos, produtor rural,
    reclamava da prioridade que o PT vem dando à manutenção do próprio poder.
Duas horas de caminhada depois, finalmente encontramos uma esvaziada referência a intervenção militar.

Duas horas de caminhada depois, finalmente encontramos uma esvaziada referência a intervenção militar.

Apenas após duas horas de caminhada, encontrei um primeiro cartaz – na verdade, um caminhão com uma faixa – defendendo intervenção militar. Estranhamente, num clarão em frente ao MASP, onde deveria ser o ponto de maior concentração. Era evidente o incômodo de quem passava à sua frente e logo buscava sair dali. Um grupo de mais ou menos 150 pessoas, alguns vestindo o “verde oliva”, defendiam que, por o sistema estar completamente contaminado de corrupção, só uma drástica quebra com ele colocará o Brasil no rumo. Usando uma interpretação própria da Constituição de 88, acreditam estar fazendo algo legal. De minha parte, acho natural que, em um grupo que chegue ao milhão de indivíduos, uma pequena parcela deles se entreguem a ideais mais radicais. Acho estranho, no entanto, que justo naquele ponto a imprensa se concentrasse. Em um segundo caminhão, do outro lado da rua, algumas dúzias de repórteres cinematográficos buscavam gerar ali um recorte do evento. Na ponta dele, o repórter do CQC xingado minutos antes gravava mais um depoimento para o programa que, acredito, irá ao ar mais tarde.

A batalha contra os “jornas”

Os protestos envolviam também o pode judiciário

Os protestos envolviam também o poder judiciário

Parece apenas um apelido carinhoso para com os jornalistas, mas é como parte da internet vem apelidando o profissional de comunicação que não faz seu trabalho de forma exemplar, se permitindo, mesmo que disfarçadamente, um viés governista. Na volta para casa, já com acesso completo a TV e internet, buscamos entender melhor o que testemunhamos lá do meio. Um estranho ruído de motor que ouvimos ao longe? Uma centena de motociclistas que cruzaram a Paulista se somando ao protesto. Um helicóptero que cortava o céu a todo instante? Era a polícia militar fotografando a manifestação para chegar ao número apresentado ao final. O engarramento na saída do “palco da festa”? A talvez mais simbólica cena de toda a tarde: caminhoneiros que partiram de Santos com suas famílias para se somarem à multidão.

No entanto, parte da imprensa parece não querer aprender a lição dada pelos “20 do MASP” e insistem em praticar a pauta proposta pelo PT. Na TV, uma repórter da Rede Record levanta bolas para Cardozo cortar, reclamando da desproporção do evento de São Paulo com as demais cidades do país (e ignorando que essa desproporção já começa pelo tamanho da população). Na internet, o Datafolha retira da gaveta o polêmico método utilizado para contar multidões em manifestações. Por que não o usaram para medir as manifestações de junho de 2013?, pergunto-me sem chegar a uma resposta. No site do PT, com o auxílio de alguns eufemismos, o partido da presidente da república acusa a rede Globo de tramar um golpe, mesmo a emissora evitando ao máximo pronunciar a palavra “impeachment” em sua cobertura.

Je Suis Caminhoneiros

Je Suis Caminhoneiros

Só às 21 horas temos contato com um trabalho jornalístico digno de aplausos. Por 27 minutos, o Fantástico viaja pelo país para mostrar que a manifestação atingiu todo o Brasil, mesmo que mais concentrada na região sudeste. Identifica os pontos negativos, mas reforça que foram ofuscados pelos positivos. Se há algo que se pode questionar é a postura crítica à ideia de impeachment, mas finalmente o canal se permitiu entrar no debate. Como ele está apenas começando, há tempo para essa postura ser revista.

Na semana passada, juntamente com a Reaçonaria, convidamos o Movimento Brasil Livre e a Turma do Chapéu a assinar um manifesto em defesa de uma cobertura limpa no Dia 15. Por mais ingênua que a iniciativa soasse, ela chegou a 13 mil curtidas apenas neste site. A ideia era alertar a imprensa da responsabilidade que tinha para com o dia de ontem. Mas, igualmente, denunciar à população da malícia de algumas reportagens, como a que inesperadamente deu vida aos 20 do MASP, também signatários do texto.

Não se esperava com isso revolucionar a imprensa brasileira em uma semana, mas fechar um pouco mais o cerco ao mau profissional de comunicação. Sempre que um grande acontecimento vem a público, há toda uma batalha de informação travada na mídia. A internet vem sendo o campo onde cidadãos livres conseguem fazer a fiscalização que parte do jornalismo se nega. Who watches the watchmen? Aqui na web essa missão vem cabendo aos usuários das redes sociais. Ela não vem sendo cumprida exclusivamente com acertos, mas é certo que a verdade possui bem mais sustenção que a mentira, o que nos faz crer que, ao final, o bem prevalecerá.

Quando virá este final? Antes para uns, depois para outros. Que este 15 de março represente o fim da primeira batalha de uma grande guerra que apenas se inicia. Um batalha que colocou um país em debate; uma guerra que pretende colocar o país no rumo. Ontem, um em cada 10 paulistanos tomou chuva e sol para passar a tarde em pé exigindo decência do governo. Ontem, um em cada 100 brasileiros foi às ruas pedir a queda de Dilma, de Lula e do PT. Mas jamais esqueceremos que isso começou com apenas 20 pessoas no vão do MASP. E que a imprensa nacional fez pouco caso do fato.

15 de março de 2015

Protestos contra Dilma e PT são sucesso retumbante! 25 estados, DF e exterior!

Avenida Paulista, dia 15/03, um milhão de pessoas

Avenida Paulista, dia 15/03, um milhão de pessoas

Houve quem não acreditasse e até desdenhasse. Num domingo? Ninguém vai! – era o que diziam, além da ilusão de que seria algo restrito à “elite”. Os fatos foram outros, como todos já sabemos. As pessoas protestaram em VINTE E CINCO ESTADOS, além do DF. Até no exterior. Confiram cobertura do portal G1. Um bom panorama aqui.

Em São Paulo, mais de um milhão de pessoas nas ruas (vejam aqui). O dia 15/03 passa inegavelmente a fazer parte do calendário da democracia brasileira. Um marco em nossa história.

Houve tentativa de infiltração na Avenida Paulista, mas a PM deteve os cerca de 20 integrantes dos “carecas do subúrbio” – com aplausos dos manifestantes. O metrô chegou a lotar a ponto de ser preciso restringir o acesso a algumas estações que não comportavam mais pessoas.

Um sucesso, portanto. E, não, não foi coisa da elite. Não há milhões de pessoas nessa suposta elite. São cidadãos que não aguentam mais, são pessoas cansadas do governo e exercendo o direito à livre manifestação, sem sindicatos ou partidos os manipulando.

Parabéns ao povo brasileiro. E que isso não pare!

12 de março de 2015

As maquiagens que Dilma fez no PIB para transformar uma mentira em “verdade”

dilmamantega

O Brasil não deve mais entrar em recessão. Ao menos, não agora. É o que dá para se concluir dos números que o IBGE apresentou nesta quarta-feira, 11 de março. Mas, para isso, não foi (ou será) preciso desatar os nós econômicos frutos da política desastrosa implantada por Lula, Dilma e Mantega nos últimos 8 anos. Mais uma vez o governo coloca em prática o que ficou conhecido como “contabilidade criativa” para artificialmente inflar o crescimento do PIB no Brasil.

A versão oficial é bela e em muito se parece com uma verdade, o que faz com que a imprensa a divulgue sem questionamentos. Primeiro se diz que o lançamento da nova metodologia estava programado desde 2012. Depois, que é comum o IBGE revisar a base do cálculo do produto interno bruto brasileiro periodicamente. Por fim, que busca-se com isso apenas adequar o Brasil a padrões estrangeiros.

Sim, é verdade, o Estadão, em um furo publicado em 18 de setembro de 2012, já falava que o IBGE alteraria o cálculo do índice para o final de 2014 ou início de 2015. Mas, se era algo tão benéfico ao país, por que o instituto se negava a tratar do assunto?

O IBGE foi procurado pela reportagem e informado em detalhes sobre o teor da matéria, mas se negou a fazer qualquer comentário.

Também é verdade que, neste novo cálculo, incorpora-se as novas recomendações da ONU. E que outras duas grandes alterações como essas ocorreram em 1997 e 2007. Mas por que decidir repensar a metodologia exatamente no segundo semestre de 2012 quando o trabalho em uso mal tinha completado 5 anos de vida? Uma possível resposta vem na mesma matéria do Estadão:

[As mudanças] ocorrem no momento em que o País enfrenta o fantasma da desindustrialização e o investimento não decola, apesar dos esforços da presidente Dilma Rousseff.

São tantas as notícias consumidas diariamente que não é de se estranhar o esquecimento de algumas delas. O ano de 2012 fecharia com Dilma pedindo um “pibão” para 2013. A presidente desejava isso porque, naquela temporada, a economia brasileira cresceu um magérrimo por cento. E a preocupação nascera no inverno anterior, quando Dilma tentava se safar com um “PIB não é tudo” apenas 2 meses antes de o IBGE decidir alterar o cálculo.

Diante das evidências de que o crescimento econômico brasileiro neste ano não deve ficar muito acima de 2%, a presidente Dilma Rousseff procurou ontem minimizar a importância do PIB (Produto Interno Bruto), ressaltando que ele não é o indicador mais adequado para comparações internacionais.

(grifos nossos)

Começava ali uma pressão do Planalto em cima do IBGE para que os números apresentados soassem belos aos ouvidos da presidência. Essa pressão explodiria quase 2 anos depois interrompendo pesquisas e findando numa greve que privaria os brasileiros de informações relevantes para os debates ocorridos nas eleições de 2014:

Em 10 de abril de 2014, a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, anunciou a suspensão das divulgações seguintes da Pnad Contínua com objetivo de fazer uma revisão na metodologia de coleta e cálculo da renda domiciliar per capita pela pesquisa. Motivada por questionamentos dos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Armando Monteiro (PTB-PE), a decisão levantou suspeitas de ingerência política no órgão, desencadeando uma reação imediata do corpo técnico do instituto. Duas diretoras pediram exoneração e coordenadores ameaçaram uma entrega coletiva de cargos caso as divulgações não fossem retomadas. Em 26 de maio do ano passado, servidores do IBGE entraram em greve, que se estendeu até 13 de agosto, prejudicando a divulgação de pesquisas como a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que publica mensalmente a taxa de desemprego para as seis maiores regiões metropolitanas do País, e da própria Pnad Contínua.

(grifos nossos)

Dentro da nova metodologia, os números surgem bem inflados. O cálculo já foi refeito para o período que vai do ano 2000 a 2011. Os valores correntes na nova série ficaram em média 2,1% acima dos valores da série antiga. Para 2011, por exemplo, a história foi basicamente reescrita e o Brasil não mais cresceu 2,7%, mas 3,9%. Os números mais recentes, que incluem o ano de 2014, só serão conhecidos em 27 de março. Isso representa um mês de atraso em relação a anos anteriores, quando o PIB era divulgado no final de fevereiro. Desta forma, o governo evita que se divulgue que o país vem tendo um crescimento negativo, ou basicamente uma recessão.

Quando se considera que o PIB Real nasce da subtração da inflação do crescimento econômico, pode se concluir que a maquiagem é muito maior do que se imagina. Afinal, o governo passou os últimos anos segurando o preço dos combustíveis e tarifas de transporte, com direito até a desconto nas tarifas energéticas. Chegou-se a cogitar a retirada do tomate dos produtos calculados apenas para reduzir o impacto do índice. Tudo com o objetivo de não estourar o teto da meta da inflação (que encontra-se estourado). Ou seja: se o governo maquia menos os resultados, nem mesmo essa remodelagem trazida pelo IBGE seria capaz de evitar a apresentação de um saldo negativo no final deste mês.

Foi com a constante pregação de números ligados ao produto interno bruto que Lula convenceu o brasileiro a eleger Dilma. Foi com a exposição dos também questionáveis números ligados ao desemprego que Dilma conseguiu se reeleger. Toda essa contabilidade criativa tem um único objetivo: propaganda política. É a mentira que, ao modo nazista, se repete até virar verdade. Em setembro de 2012, poucos acreditaram que o IBGE agia com independência ao decidir alterar metodologia em uso. Em março de 2015, após tanta repetição da mesma versão, poucos lembram de duvidar do que o instituto apresenta.

Página 11 de 87« Primeira...910111213...203040...Última »
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Enquete

Escolham os nomes dos dois mascotes olímpicos do Rio:

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Arquivos

Publicidade

Em Rede

Publicidade