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30 de junho de 2014

Copa do Mundo não aquece a economia conforme propagado pelo governo

dilmamantega Copa do Mundo não aquece a economia conforme propagado pelo governo

Com o início da Copa do Mundo, vieram também a empolgação da população brasileira e elogios ao evento. De fato, do ponto de vista esportivo, o Mundial é sim um sucesso. Para a economia, no entanto, não se pode dizer o mesmo. Embora o governo tenha afirmado que ela seria aquecida com o início da competição, o que se vê são notícias sobre a sua crescente queda.

A indústria de São Paulo, por exemplo, reagiu à crise com a demissão de 96 mil trabalhadores em um ano, e os que ficaram viram seu rendimento diminuir. Os ganhos médios recuaram 2,7% em maio em relação ao mesmo período de 2013. Segundo Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do mercado de trabalho no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação de Getúlio Vargas, a dispensa de trabalhadores só não aconteceu antes porque os empresários de mostravam resistentes a demissões.

“A indústria percebeu que não vale mais a pena ficar segurando trabalhador, porque não vai precisar desse empregado tão cedo. Os empresários estão ajustando a força de trabalho porque o mundo não vai melhorar num horizonte próximo”, explicou Barbosa Filho.

Apesar disso, o número de desempregados diminuiu, mas, segundo ele, não por um motivo bom.

A taxa de desocupação recua devido à migração de pessoas para a inatividade. “A taxa de desocupação está mais baixa por um motivo ruim, porque as pessoas estão saindo do mercado de trabalho, e não porque há geração de postos”, diz Barbosa Filho.

Nem mesmo as empresas de construção civil, sempre tão beneficiadas pelos superfaturamentos do PT, têm se mostrado dispostas a abraçar as oportunidades que surgem no governo. Segundo matéria do Valor Econômico, as grandes empreiteiras estão se afastando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que possui um orçamento de R$ 10 bilhões por ano para cuidar da malha rodoviária do país.

Uma combinação de fatores, que passa pelo uso intensivo do regime diferenciado de contratações públicas (RDC) e pela defasagem na tabela referencial de preços adotada pelo Dnit em suas licitações, ajuda a explicar o desinteresse das líderes no segmento. Elas também reforçam apostas em concessões na área de logística – rodovias e aeroportos – e em oportunidades no exterior, deixando a autarquia ainda mais de lado.

Isso, claro, afeta a arrecadação de impostos. O governo, inclusive, já diminuiu as suas expectativas para 2014. No início do ano, esperava-se um aumento de 3,5% nas receitas com impostos e outras contribuições. Hoje, esse número caiu para 2%.

O governo federal arrecadou R$ 87,89 bilhões em maio, 5,95% a menos que no mesmo mês do ano passado (já considerando a inflação no período). Foi o pior resultado para maio desde 2011, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pela Receita Federal.(…) O secretário-adjunto da Receita, Luiz Fernando Nunes, afirmou que os maus indicadores da economia – como queda na produção industrial e venda de bens e serviços – foi preponderante para o resultado.

Para esconder os problemas, o governo segue maquiando números e tirando proveito como pode. O trem-bala, cuja inauguração fora prometida para este ano, ainda nem foi licitado, mas, de acordo com o balanço do PAC 2, está “em dia”.

O Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Campinas a São Paulo e ao Rio de Janeiro – em um trajeto total de 511 km – está orçado em R$ 32 bilhões, mas seu leilão foi adiado pela terceira vez em agosto do ano passado e ainda não tem previsão para ser retomado. Mesmo assim, o Balanço do PAC 2 divulgado hoje considera que o empreendimento está “em dia”, com a continuidade da execução do projeto de engenharia.

Em notícias mais recentes, as cidades-sede que já concluíram a participação na Copa se despendem fazendo um balanço abaixo do esperado para o evento.

“Foi o pior mês em 15 anos. Duas semanas praticamente sem passeio. Porque o torcedor veio ver o jogo, sair para beber e fazer festa”, reclama Luciano Amaral, 48, o “Pepeu do Buggy”, conhecido como “bugueiro da Fifa” após apresentar, em vídeo da entidade, as atrações de Natal. O setor hoteleiro, força da economia local, também não fechou a conta, apesar do aporte de norte-americanos (22 mil), mexicanos (12 a 15 mil) e uruguaios (11 a 12 mil). “Queríamos 80% [de ocupação dos leitos] e chegamos a 70%”, disse Habib Chalita, da associação de hotéis.

Por mais que o governo prometesse o oposto, era de se esperar um esfriamento da economia num evento que gera tantos feriados e pontos facultativos. Mesmo os turistas parecem estar mais dispostos a economizar alguns trocados para os jogos do que conjugar o verbo “turistar”, jogando-se de cabeça em compras e pontos turísticos. Mantega, em pronunciamento recente, disse esperar que a Copa ajude o Brasil a elevar o PIB no segundo semestre. Esse número só deve ser conhecido em agosto, pleno início de campanha. Mas, a se continuar assim, o ministro da fazenda precisará de uma nova desculpa.

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29 de junho de 2014

Vai ou não vai? FIFA e Planalto anunciam que Dilma entregará taça ao campeão da Copa, mas presidente nega

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Na última sexta-feira (27), o secretário-geral da FIFA Jérôme Valcke e o ministro do Esporte Aldo Rebelo (PCdoB-SP) anunciaram que a presidente Dilma estará presente na final da Copa do Mundo e entregará a taça aos campeões. Até a semana passada, especulava-se que a modelo Gisele Bundchen faria a entrega do troféu no lugar da presidente, mas Valcke foi assertivo na entrevista coletiva após o fim da primeira fase do torneio:

- Quero corrigir uma informação de que Gisele Bundchen e Puyol darão o troféu. Não, eles trarão o troféu para o gramado. Mas a pessoa que dará o troféu será a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Um pouco mais tarde no mesmo dia, durante a convenção nacional do PCdoB, o ministro Aldo Rebelo também assegurou que a presidente cumpriria o protocolo da FIFA:

(…)

“O protocolo, a praxe, é que a autoridade do país presente faça a entrega das taças. Como ela [Dilma] estará no Maracanã, na final da Copa, ela fará a entrega da taça para o país vencedor”

Na Copa das Confederações, realizada em junho de 2013, Dilma foi vaiada na abertura do campeonato e acabou abrindo mão de entregar o prêmio à equipe vencedora. Aldo Rebelo representou a dirigente, na ocasião, e entregou a taça. Para o ministro do Esporte, o “clima” no Brasil atualmente é outro.

“Naquela Copa das Confederações havia um clima de manifestações. Agora é um momento de festa. Não creio que haverá qualquer tipo de manifestação”, afirmou. Indagado se o governo não temia novos xingamentos, como ocorreu na abertura da Copa, Aldo afirmou: “Creio que não haverá [xingamento]”.

(…)

Porém, parece que ambos esqueceram de combinar com a presidente. No dia seguinte, Dilma veio a público para desmentir a informação, segundo reportagem do Estado de S. Paulo:

(…)

“Eu nem sei disso. Nem disseram isso pra mim. Estão me perguntando uma coisa que nunca me falaram.” Diante da insistência, se ela, antes, não queria entregar a taça ao campeão porque temia novo constrangimento, a presidente reiterou: “Ninguém me falou nada”.

As declarações de Dilma foram dadas à saída da convenção do PC do B, na Câmara, que deu apoio à sua reeleição. Pouco antes, a presidente foi questionada sobre o placar do jogo de amanhã contra o Chile. “Presidente não arrisca placar. Bate na madeira (para dar sorte)”. E emendou: “Onde tem madeira para eu bater?”. Quando os repórteres reiteraram perguntando sobre entrega da taça, a presidente, meio sem entender o que se passava, respondeu: “O Brasil ganhando, eu faço qualquer negócio”.

Além de Valcke e de Rebelo, também o Blog do Planalto, que divulga notícias da Presidência da República, publicou texto em seu site anunciando que a presidente vai entregar a taça da Copa do Mundo de Futebol ao vencedor.

Auxiliares da presidente, diziam, no entanto, que os ânimos estavam melhores e que a tragédia anunciada não veio. Ao contrário, esta está sendo “a Copa das Copas” e que a mudança de humor poderia levar à decisão de a presidente participar da cerimônia final.

Mas, em hipótese alguma, a presidente Dilma discursará. Na abertura da Copa das Confederações, Dilma foi vaiada ao discursar. Na aberta da Copa do Mundo, no Itaquerão, foi xingada e vaiada quando sua imagem apareceu na tela. O combinado com a Fifa, de acordo com auxiliares do Planalto, é que a sua imagem não iria aparecer no telão, o que acabou levando ao constrangimento total pelos xingamentos.

(…)

(grifos nossos)

26 de junho de 2014

Enquanto a mídia se distrai com a Copa, o governo segue complicando o futuro da Petrobras

lula dilma petrobras Enquanto a mídia se distrai com a Copa, o governo segue complicando o futuro da Petrobras

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a contratação da Petrobras para explorar campos do pré-sal que já tinham sido cedidos à estatal em 2010 de forma onerosa. Com isso, a empresa terá que pagar R$ 2 bilhões de bônus em 2014 e mais R$ 13 bilhões entre 2015 e 2018, mesmo que a extração do petróleo só vá começar em 2021.

A Petrobras informou, ainda, que haverá a revisão prevista no contrato de cessão onerosa dos 5 bilhões de barris petróleo, que foi definida com base em um preço do petróleo muito abaixo das cotações atuais. Com essa revisão, o governo poderá obter entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões da estatal – recursos que devem ser usados para gerar superávit primário.

Como a estatal está afundada em dívidas, o mercado reagiu mal à medida, o que derrubou as ações da companhia já que isso compromete seu caixa e, consequentemente, a sua capacidade de pagar seus credores. Como se não bastasse, continuam surgindo denúncias sobre as negociações obscuras da empresa.

Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), a Petrobras trabalhou com um orçamento sigiloso de contratação de serviços de equipamentos para a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, ocultando as estimativas de custos sob a alegação de “sigilo” mesmo quando o TCU solicitava as documentações após localizar indícios de erros ou sobrepreços.

A empresa ocultou, também, os estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental do empreendimento, cujos gastos foram multiplicados por nove nos últimos onze anos: o orçamento inicial de US$ 2,3 bilhões passou a US$ 18,5 bilhões e poderá chegar a US$ 20,1 bilhões até a inauguração, marcada para novembro, conforme projeções da estatal.

Com isso, o preço de cada um dos 230 mil barris de óleo refinados que sairão de lá custará no mínimo US$ 87 mil, valor que representa mais que o dobro da média internacional.

As razões da escalada de custos (mais de 770%, em dólares) se misturam num enredo onde predominam suspeitas de má gerência, erros de projeto, contratos superfaturados, sobre os quais foram aplicados aumentos extraordinários, além de corrupção, com lavagem de dinheiro no Brasil e no exterior.

Não deixa de ser uma tática arriscada para o próprio PT. Denúncias de corrupção e de ingerência na Petrobras foram em março as principais causas da vertiginosa queda de popularidade de Dilma. Em duas semanas estará finalizada a Copa do Mundo de Futebol. Talvez os estrategistas do governo apostem que tais medidas serão esquecidas até lá. Mas, a depender do sucesso da seleção brasileira nos próximos jogos, o evento pode, na prática, se encerrar bem antes. É quando sobraria espaço para que as manchetes dos principais veículos questionem essa postura.

25 de junho de 2014

STF nega recurso de Genoino para cumprir prisão domiciliar

Genoino 509x338 STF nega recurso de Genoino para cumprir prisão domiciliar

Vocês certamente se lembram do lamentável episódio recente protagonizado pelo advogado de José Genoino no plenário do STF. “Visivelmente embriagado”, de acordo com o segurança que o retirou do recinto, entre xingamentos e ameaças ao presidente da corte, Luiz Fernando Pacheco exigia que o recurso de seu cliente fosse analisado naquela tarde. Hoje, finalmente, o tal recurso foi votado. Vejam só o resultado, na reportagem do portal G1:

Por maioria de votos (oito a dois), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta quarta-feira (25) conceder prisão domiciliar para o ex-presidente do PT e ex-deputado José Genoino (PT-SP). Condenado no julgamento do mensalão do PT a 4 anos e 8 meses por corrupção ativa, Genoino alegou problemas de saúde para tentar cumprir a pena em casa.

Os ministros analisaram nesta quarta recurso que foi apresentado pela defesa do ex-parlamentar depois que o presidente do Supremo e ex-relator do mensalão, Joaquim Barbosa, determinou que o petista voltasse a cumprir pena na cadeia após alguns meses em prisão domiciliar provisória. Segundo Barbosa, laudo médico da Universidade de Brasília (UnB) indicou que não havia gravidade no estado de saúde de Genoino.

A maioria do plenário concordou com a decisão de Joaquim Barbosa e declarou que conceder o benefício, neste momento, seria tratar Genoino de modo diferente de outros presos do sistema carcerário.

“Não posso deixar de reconhecer que [a concessão da prisão domiciliar] estaria produzindo uma exceção e que esse entendimento não teria como ser reproduzido para todas as pessoas seriamente doentes que se encontram no sistema carcerário. Se é excepcional e não universalizável, é porque não é humanitária nem republicana”, frisou o novo relator do processo, ministro Luís Roberto Barroso.

(…)

Ao votar sobre o tema, Barroso destacou que há outros presos em situação semelhante à de Genoino. Ele citou que, somente no Distrito Federal, há 16 cardiopatas, 10 com câncer, 56 com diabetes e 65 com HIV. Por isso, frisou o relator, seria desigual permitir prisão domiciliar ao petista.

Barroso lembrou ainda que Genoino tem direito a pedir progressão para o regime aberto a partir do dia 24 de agosto. Segundo Barroso, como não há estabelecimento específico no Distrito Federal para apenados do regime aberto, o ex-deputado pode vir a obter o benefício de cumprir a pena em casa.

Além de Barroso, votaram a favor da decisão de Joaquim Barbosa de ordenar o retorno de Genoino à prisão os ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

Ministro com mais tempo de atuação no Supremo, Celso de Mello defendeu no plenário a decisão de Barbosa. “Incensurável a decisão tomada pelo eminente presidente da Corte, em longa e fundamentada decisão que se caracteriza pelo caráter impessoal de sua fundamentação ancorada unicamente em registros médicos.”

Já os ministros Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski votaram a favor da concessão da prisão domiciliar. “O preso definhará na prisão sem a assistência médica estabelecida”, ressaltou Toffoli. Para ele, é questão “humanitária” conceder o benefício ao petista.

Toffoli e Lewandowski destacaram durante o julgamento que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apontou que havia “dúvidas” sobre se o sistema carcerário garantiria os cuidados necessários ao ex-presidente do PT.

(grifos nossos)

25 de junho de 2014

Enquanto a bola rola, o PT enfrenta dificuldades nos preparativos para as eleições

Após enfrentar alguns problemas para garantir apoio de sua base para as eleições de 2014 – que acabaram sendo aparentemente suplantados –, o PT vê seus aliados se distanciarem cada vez mais nas disputas estaduais, com muitos figurando nos palanques dos opositores do partido.

A Folha levantou as pré-candidaturas já anunciadas para governador, vice-governador e senador de PMDB, PSD, PP, PR, PDT e PTB, aliados do Palácio do Planalto com as maiores bancadas na Câmara dos Deputados.

Em todas essas legendas, a quantidade de candidatos que disputarão votos contra um petista supera a de nomes que deverão compor chapa com a sigla. O PMDB lidera em número de candidaturas contrárias ao PT. No cenário atual, em 16 Estados há um peemedebista em uma chapa majoritária oposta à chapa petista.

 Enquanto a bola rola, o PT enfrenta dificuldades nos preparativos para as eleições

A caminho de sua disputa pela reeleição, Dilma tem passado por problemas até mesmo dentro do próprio partido. Ela recentemente irritou-se com o ex-presidente Lula por ele ter discutido estratégias eleitorais sem a presença de seu principal representante, o ex-chefe de Gabinete do Planalto Giles Azevedo.

Azevedo é apontado na sigla como “os olhos e ouvidos” da presidente. Justamente por isso, sua exclusão do encontro irritou Dilma, que só foi informada da reunião depois que ela já havia acontecido. (…) O tema da reunião, da qual participaram trinta pessoas há cerca de dez dias, era a conjuntura econômica do país. Aproveitando-se da presença dos coordenadores de campanha, contudo, Lula decidiu estender a conversa para a eleição. Interlocutores petistas ouvidos pelo jornal acreditam que a ideia era discutir mais à vontade as mudanças que Lula julga necessárias na campanha.

As mudanças citadas se devem certamente à queda da popularidade de Dilma. Aécio Neves, candidato do PSDB, já ultrapassou a atual presidente nas pesquisas do Ibope com famílias de alta renda, que consultou aqueles com faixa salarial superior a 10 salários mínimos. Entre esses, o tucano apresentou 36% das intenções de voto, contra 24% de Dilma.

Ciente disso, ela turbinou os gastos com publicidade. Até maio de 2014, o montante desembolsado foi de 92,3 milhões de reais, o que representa um aumento de 61,84% em relação ao mesmo período de 2013 e de 132,51% quando comparado ao de 2011.

Apesar do longo tempo de TV, que deve ultrapassar os 10 minutos de exibição diária, o PT encontrará agora em 2014 uma realidade bem distinta da existente em 2010. Os 83% de aprovação de Lula fortaleciam as alianças e calava opositores, sempre temerosos de que críticas poderiam lhes custar votos. Os atuais 34% de aprovação de Dilma abrem brechas para a debandada que se nota. Mais do que isso, não estimula que até mesmo os aliados a elogiem em seus palanques: o efeito pode ser o contrário do esperado e, ao que tudo indica, poucos se arriscarão nesta carta. Em outras palavras, desenha-se um cenário ideal para um avanço da oposição. Espera-se que ela saiba aproveitar o bom momento.

23 de junho de 2014

Agora Dilma é reprovada em TODAS as áreas pesquisadas pelo CNI-Ibope

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Em setembro do ano passado, o CNI/Ibope divulgou uma pesquisa que revelava que o governo de Dilma Rousseff era reprovado em oito das nove áreas avaliadas. Apenas os programas sociais mantinham a aprovação popular, e mesmo assim já demonstrando uma tendência de queda com relação a pesquisas anteriores.

Agora, com a divulgação da atualização desses números, as notícias não são nada animadoras para a presidente. A sua aprovação caiu de 51% em março para 44% em junho, e a confiança nela foi de 48% para 41%. Os outros percentuais não apresentaram mudanças significativas, mas Dilma viu sua aprovação cair na única área em que ainda era bem avaliada, provando que nem mesmo o Bolsa Família e suas outras políticas populares estão surtindo efeito na opinião pública.

aprovacao Agora Dilma é reprovada em TODAS as áreas pesquisadas pelo CNI Ibope

Área mais bem avaliada, a política de combate à fome e à pobreza teve queda na aprovação de 48% para 41%. O percentual de reprovação subiu de 49% para 53%.

Isso quer dizer que agora a presidente é reprovada em todas as áreas avaliadas. De março a junho, o índice de aprovação também caiu em todos os quesitos – com exceção da taxa de juros, que se manteve em 21%. Na educação, a avaliação positiva passou de 32% para 30%, enquanto a desaprovação subiu de 65% para 67%. Com relação à saúde, a taxa de desaprovação manteve-se em 78%, mas a de aprovação oscilou de 21% para 19%.

Na segurança pública, a apreciação caiu de 22% para 21%, enquanto no combate ao desemprego passou de 40% para 37%. O meio ambiente também apresentou queda significativa, oscilando de 41% para 37%. No que diz respeito aos impostos, apenas 15% da população aprovam o governo, ante 18% em março, e o combate à inflação seguiu a tendência e passou de 24% para 21%.

  1. Saúde – 78% reprovam
    É a área em que a população mais desaprova o governo.
  2. Segurança pública – 75% reprovam
    Além disso, o percentual dos que aprovam caiu de 22% para 21%
  3. Impostos – 77% reprovam
    O percentual dos que aprovam caiu de 18% para 15% no período
  4. Taxa de Juros – 70% reprovam
    Foi a única área que demonstrou uma leve melhora para o governo. Antes, a reprovação chegava a 73%
  5. Combate à inflação – 71% reprovam
    Se o percentual de reprovação se manteve, caiu de 24% para 21% a fatia dos que aprovam o governo
  6. Educação – 67% reprovam
    Contra apenas 30% que aprovam. Essa distância de 37% é a maior enfrentada pelo governo Dilma.
  7. Combate ao desemprego – 57% reprovam
     E caiu de 40% para 37% a aprovação do governo
  8. Meio ambiente – 52% reprovam
    Por mais que tenha oscilado para baixo a reprovação, cresceu a distância para os que aprovam as políticas ambientais do governo, hoje aprovadas por apenas 37% da população
  9. Combate à fome e à pobreza – 53% reprovam
    Mas mais significativa é a queda de 48% para 41% no número de pessoas que olhavam positivamente para as políticas sociais de Dilma.

A inflação, tantas vezes minimizada pelo governo, pode estar por trás dessa mudança de sentimento do brasileiro. Lula já reconheceu que ela estaria “um pouquinho alta” e Mantega finalmente reconheceu sua importância quando a culpou pelo PIB quase inexpressivo do país no primeiro trimestre de 2014. Se antes o brasileiro podia comprar uma determinada quantia de produtos e serviços com um determinado valor, hoje, com estes valores corrigidos, o cidadão se sente com cada vez menos poder. E o governo faz vista grossa para o fenômeno quando, por exemplo, comemora um reajuste no Bolsa Família que mal passa da metade da inflação do período. É nitidamente uma situação que pede uma mudança de postura na política econômica. Mudança esta que Dilma já prometeu não fazer para o segundo mandato, o que desagradou empresários, o mercado como um todo e até o seu maior fiador.

18 de junho de 2014

Mesmo sem estar concorrendo, Lula se mete cada vez mais na campanha 2014

lula dilma Mesmo sem estar concorrendo, Lula se mete cada vez mais na campanha 2014

O ex-presidente Lula voltou a ser notícia poucos meses antes da eleição. Segundo ele, a oposição está pregando ódio contra o PT ao afirmar que um tsunami varrerá o partido do governo. A expressão foi usada por Aécio Neves, candidato do PSDB ao Planalto, durante a convenção nacional do partido.

O embate dos últimos dias mostrou que os dois partidos investirão na polarização, escanteando o nome da chamada terceira via ao Planalto, Eduardo Campos (PSB-PE). “Estamos fazendo uma campanha perigosa. Se em 2002 fizemos uma campanha da esperança contra o medo, agora é a da esperança contra o ódio”, afirmou [Lula].

Lula chegou até mesmo a comparar a situação atual com o que ocorreu a Getúlio Vargas em 1954.

“Estão querendo fazer conosco o que já fizeram com Getúlio [Vargas], até levá-lo à morte”, disse. “Querem fazer o que fizeram com Juscelino [Kubitschek], que agora é todo bonitão para eles. (…) Tentaram me tirar, em 2005. Mas eu disse: se quiserem me tirar, vão ter que debater na rua, para conhecerem o que é o povo brasileiro”.

Além de interferir na campanha, as últimas notícias dão conta de que Lula está cada vez mais interessado em ir além e exercer ainda mais sua influência sobre a gestão do país. De acordo com matéria da Folha, é o que ele e o PT pretendem fazer caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita.

Segundo a Folha apurou em conversas com uma dezena de interlocutores presidenciais nas últimas duas semanas, Lula adotará postura menos discreta e apitará na formação de um novo ministério se as urnas concederem vitória à sua sucessora. (…) Um amigo do ex-presidente assim resumiu a sua atuação: Lula pactuará tudo com Dilma, contudo poderá assumir embates públicos caso ela decida se distanciar de alguns temas.

No entanto, o discurso radical do ex-presidente tem preocupado o setor empresarial. Para tentar estancar a queda de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, ele adotou uma postura de “nós contra eles”, o que, segundo um interlocutor seu, deve-se ao fato de que empresários que receberam benefícios do governo passaram para o lado de Aécio Neves.

“Estamos recebendo relatos de que empresários que frequentam o Palácio do Planalto estão cumprimentando o Aécio como ‘meu presidente’”, critica um interlocutor de Lula, reservadamente.

Por tudo isso, ainda é cedo para se descartar uma possível candidatura do ex-presidente. Joyce Pascowitch já deu certeza em uma de suas coluna que ele disputaria a eleição. Ricardo Noblat também já noticiou que, em resposta ao questionamento de um petista amigo, Lula teria respondido que “ainda é cedo” para colocar seu time em campo. Quando deixará de “ser cedo”, só a consciência do ex-torneiro mecânico saberá responder. Mas o TSE definiu que qualquer data após 15 de setembro será tarde demais. No caso, as coligações só poderão substituir seus candidatos até este limite. O coro do “volta, Lula”, portanto, ainda terá quase três meses para se fazer ouvir, seja isso bom ou ruim o petismo.

18 de junho de 2014

Custos com a Copa sobem ainda mais e já atingem R$ 35 bilhões

dilma copa1 Custos com a Copa sobem ainda mais e já atingem R$ 35 bilhões

A Copa do Mundo, segundo cálculos divulgados pelo governo, custará R$ 25,8 bilhões. Mas, de acordo com levantamento feito pela Folha, esse valor deve chegar a R$ 35 bilhões. Os números diferem porque a quantia divulgada pelo Planalto está desatualizada desde setembro e não inclui despesas como os R$ 2 bilhões a mais em obras de transporte, estádios e aeroportos e R$ 1,5 bilhão em renúncia fiscal e juros subsidiados.

 Custos com a Copa sobem ainda mais e já atingem R$ 35 bilhões

O governo também não incluiu na conta os R$ 500 milhões que os Estados gastaram com despesas como as estruturas provisórias e outros R$ 6 bilhões que foram transferidas para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) porque as obras não ficariam prontas a tempo do torneio.

Vários hotéis que receberam financiamento do BNDES, por exemplo, não foram concluídos no prazo. No Rio, apenas três dos nove incluídos no programa ProCopa Turismo ficaram prontos.

Os outros seis hotéis, que ofereceriam 2.045 novos quartos, estão com as obras atrasadas ou paralisadas. Alguns deles podem ser entregues só em 2016, às vésperas dos Jogos Olímpicos. Os repasses destinados a projetos que não ficaram prontos a tempo representam 86% dos R$ 404,4 milhões que o banco público já liberou para ampliar o número de vagas na cidade.

Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff tenta tirar proveito do torneio para se promover e chamar de pessimistas aqueles que não acreditaram que o Mundial se realizaria, ignorando o fato de que apenas 45% das obras prometidas ficaram prontas a tempo. Futebolisticamente falando, a competição vem atingindo alguns feitos, com média de gols acima do esperado. Mas, como era de se paradoxalmente esperar, os imprevistos ocorreram, como falta de estrutura para aguentar a demanda de público no Itaquerão, uma pane técnica que impediu execução dos hinos no jogo da França contra Honduras, o estado insatisfatório dos gramados ou ainda a ocorrência de violentos protestos, quase sempre com detidos, parte deles adolescentes, entre outros.

16 de junho de 2014

Os números equivocados que Dilma convenientemente divulgou na TV

dilma lula folhapress2 Os números equivocados que Dilma convenientemente divulgou na TV

Durante seu pronunciamento sobre a Copa do Mundo no rádio e na TV, a presidente Dilma Rousseff afirmou que, em uma década, 36 milhões de brasileiros saíram da miséria. Esse índice, no entanto, foi contestado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cujo estudo aponta que, na verdade, o número de miseráveis passou de 14,9 milhões para 6,5 milhões.

Trata-se, portanto, de uma queda de 8,4 milhões no número de pessoas que vivem na miséria ao longo dos primeiros dez anos da administração petista, abaixo da cifra mencionada por Dilma.

Publicado em outubro, o documento informa que o cálculo seguiu o parâmetro adotado na maior parte das estatísticas oficiais: a linha de renda mensal até R$ 70, definida em 2011. Para os demais anos, o valor foi corrigido pela inflação.

Os 36 milhões de Dilma são, na verdade, o número de beneficiários do Bolsa Família em 2011, e não a diferença entre a quantidade de pessoas vivendo na miséria antes e depois do período citado por ela. Portanto, o resultado é equivocado, já que, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, 22 milhões de beneficiários ainda viviam em condições miseráveis naquele ano.

Mas não é a primeira vez que a presidente manipula números para tentar se promover. Segundo pronunciamento dela em janeiro de 2013, o Brasil vive uma situação de pleno emprego – equívoco também celebrado por Lula –, o que, segundo o próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), não é verdade.

A tese do (quase) pleno emprego se amparou nos resultados da pesquisa mais tradicional do IBGE, limitada a seis regiões metropolitanas, que mostra desemprego na casa dos 5%.

A pesquisa ampliada que começou a ser divulgada neste ano mostra taxa mais alta, de 7,1% na média de 2013, e, sobretudo, desigualdades regionais: no Nordeste, o desemprego médio do ano ficou em 9,5%.

O IBGE, a propósito, vem tentando recuperar sua credibilidade junto aos brasileiros. Após uma nova série de pesquisas com metodologias diferentes e maior abrangência -– a Pnad Contínua –, o Instituto divulgou que a taxa de desemprego no Brasil foi de 7,4% no segundo trimestre de 2013, e não os 5,9% apurados pelo método antigo.

Preocupado com a repercussão negativa desses dados, o governo pressionou pela suspensão da divulgação do novo estudo. Em função disso, a diretora de Pesquisa do órgão, Márcia Quinstlr, pediu exoneração do cargo e dezoito coordenadores e gerentes estratégicos ameaçaram deixar seus postos. Após os protestos, o Instituto recuou e decidiu manter a divulgação da Pnad.

13 de junho de 2014

No maior centro do país, a oposição já derrota Dilma nas pesquisas

oposicao No maior centro do país, a oposição já derrota Dilma nas pesquisas
São Paulo, a cidade mais populosa e um dos principais centros econômicos do Brasil, é o local onde a presidente Dilma Rousseff tem maior rejeição. Segundo pesquisa do Datafolha, esse número chega a 46%. Nada menos que 83% dos paulistas dizem querer mudança, enquanto apenas 23% aprovam a gestão atual.

Provavelmente por isso, tanto Aécio Neves (PSDB) quanto Eduardo Campos (PSB) venceriam Dilma num segundo turno, com folga, caso a eleição fosse realizada apenas entre os eleitores desse lugar – o tucano ganharia por 46% a 34%; o ex-governador de Pernambuco, por 43% a 34%.

Se fossem contabilizados somente os votos dos eleitores do Estado, o panorama seria muito diferente do que se vê no restante do país: Aécio e Dilma estariam tecnicamente empatados.

desigualdade No maior centro do país, a oposição já derrota Dilma nas pesquisas

Mas a queda da presidente nas pesquisas não se deu só em São Paulo. Mesmo que em proporções menores, ela vem perdendo eleitores em todo o país, e os petistas temem que isso interfira nas convenções partidárias para a indicação dos candidatos a presidente e vice, o que reanimou no partido o movimento “Lula 2014″.

Embora o PMDB tenha declarado apoio à presidente – apesar da ala dissidente –, ela já perdeu o suporte de pelo menos seis pequenos partidos (PRP, PHS, PTN, PTC, PMN e PSL), que estão negociando com seus adversários.

Por mais que o discurso político – por pura conveniência – venda a ideia de que estaria no “povo”, ou seja, nas camadas mais populares, as decisões mais sábias a serem tomadas nas urnas, é nos grandes centros onde a informação mais circula, dada a maior quantidade de veículos de mídia cobrindo os acontecimentos de interesse da sociedade. O mapa da apuração das últimas três eleições comprova que o Nordeste, o menor IDH do país, foi a última região a dar a maioria dos seus votos ao PT, ainda em 2002:

o avanco da oposicao No maior centro do país, a oposição já derrota Dilma nas pesquisas

Por lógica semelhante, vem sendo a última região a deixar de votar no partido da presidência. Se no maior centro econômico da nação o jogo já virou a favor da oposição, é uma questão de tempo até que essa “mancha azul” ocupe a maior parte do território nacional, assim como a “mancha vermelha” conseguiu no início do século. Resta saber se isso já ocorrerá em outubro próximo, ou se o brasileiro precisará esperar até 2018 para isso. Há um ano, este (2018) era o único cenário possível. Mas muita coisa rolou desde então e as pesquisas já dão com certa margem de segurança a certeza de ocorrência de ao menos um segundo turno para se chegar a uma definição.

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