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31 de julho de 2014

Em artigo assinado na Folha, Aécio mais uma vez esclarece o caso do aeroporto de Cláudio

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Recentemente, Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência, foi acusado de beneficiar familiares ao construir um aeroporto nas terras de um tio-avô na cidade de Cláudio, em Minas Gerais, quando ainda era governador do Estado. Embora o caso já tenha sido elucidado e não haja qualquer irregularidade na obra, o senador resolveu escrever um esclarecimento a fim de sanar os questionamentos éticos a respeito do ocorrido.

Aécio relembra que a desapropriação da terra ocorreu antes da licitação das obras, como ordena a lei, e que o dinheiro da indenização ainda está bloqueado porque o antigo proprietário exige receber mais do que o Estado ofereceu.

A área foi desapropriada antes da licitação das obras, como manda a lei. O governo federal reconheceu isso, ao transferir a jurisdição do aeroporto ao governo de Minas Gerais, o que só é possível quando a posse da terra é comprovada. Depois, levantaram-se dúvidas sobre o valor da indenização proposta pelo Estado. O governo ofereceu R$ 1 milhão. O antigo proprietário queria R$ 9 milhões e briga até hoje na Justiça contra o governo de Minas.

O senador diz ainda que, durante seu governo, deixou de asfaltar uma estrada no município de Montezuma porque seu pai possuía há décadas uma fazenda na região, o que poderia ser usado contra ele como está acontecendo com o aeroporto de Cláudio.

Avaliei que isso poderia ser explorado. Foi a decisão correta. De fato, na semana passada, fui acusado de construir um aeroporto em Montezuma. A pista, municipal, existe desde a década de 1980 e recebeu em nosso governo obras de melhoria de R$ 300 mil, inseridas em um contexto de ações para a região.

Em seguida, o candidato afirma que já usou a pista de Cláudio em diversas ocasiões, inclusive quando ela ainda era de terra, e diz que seu único erro foi não se informar sobre o processo de homologação, já que todos os outros aspectos da obra aconteceram rigorosamente dentro da lei.

Refletindo sobre acertos e erros, reconheço que não ter buscado a informação sobre o estágio do processo de homologação do aeródromo foi um equívoco. Mas reitero que a obra foi não apenas legal, mas transparente, ética e extremamente importante para o desenvolvimento do município e da região.

Enquanto isso, o discurso governista segue tentando tirar proveito do caso, usando para tanto toda sorte de colunistas pró governo em atividade. A intenção é, mesmo que na defesa de uma administração que muito pouco tem a oferecer eticamente aos seus eleitores, esticar ao máximo uma pauta que fora esclarecida desde as primeiras horas que ganhou a capa da Folha de São Paulo.

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30 de julho de 2014

É a economia, petistas!

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Nesse início de campanha, há um interesse governista em pautar as eleições para presidente focando a ética, ou a falta dela. Soa estranho a afirmação quando menos de um ano antes parte dos líderes do próprio partido no poder foi levada à cadeia por desvios de conduta. Mas as eleições de 2006 também ocorreram em clima semelhante, quando Lula partiu do estouro do Mensalão para a reeleição em menos de 10 meses.

Por receio do que poderia ocorrer, aquela foi a primeira e última vez que o PT não quis falar em honestidade numa campanha, mesmo que mudando o ponto de vista nas seguintes. Porque foi exatamente neste ponto que a oposição mais atacou e se deu mal. E confirmou juntamente com os petistas algo que vem sendo regra desde então: porque o brasileiro não confia na classe política independentemente do partido, norteia suas decisões não na conduta limpa, mas na competência de quem se propõe a representá-lo.

Desde então, o PT tenta se aproveitar dessa carta: a oposição não seria uma opção eticamente melhor, portanto, não valeria a pena tirar qualquer petista do poder. Mas a pauta dessa eleição não é a ética, nem a oposição parece disposta a apostar muito nela. É, na verdade, aquela que, queiram os candidatos ou não, pesa mais em qualquer pleito: a economia.

Na história recente do país, sempre que um governo apresentou um bom crescimento econômico, fez seu sucessor. Isso se deu quando Itamar entregou o comando a FHC, quando FHC e Lula conseguiram se reeleger, e quando Lula passou o bastão para Dilma. No entanto, quando o mesmo crescimento econômico deu mostras de cansaço, o então presidente teve que apertar a mão de um opositor. É o exemplo de Sarney passando a faixa para Collor, e de FHC entregando o mandato a Lula.

Dilma se aproxima do encerramento de seu quarto ano com o pior desempenho econômico de um presidente desde Collor, ou o segundo pior crescimento do PIB na história. Quando considera-se que a principal justificativa para a sua eleição era ser ela a pessoa mais preparada para manter o bom momento atingido no segundo mandato de Lula, seu trabalho soa ainda mais frustrante.

Contudo, o problema não se encontra nos mandos e desmandos da atual presidente, mas na lógica torta que herdou do anterior, seu fiador. Quando a crise de 2008 atingiu o mundo e Lula veio a público dizer que faria do “tsunami” uma “marolinha”, defendia ele o estímulo cada vez maior ao consumo como método para se evitar estragos. Seus principais críticos nem negavam que a curto prazo aquilo funcionaria, mas que já a médio causaria sim algum transtorno.

A regra mais básica de economia diz que, ao se elevar a demanda frente à oferta, os valores sobem. Basta ajustar os termos para entendemos que estimular o consumo frente à produção geraria inflação. Mais do que isso, pode-se entender que congelar preços para evitar inflação ocasionaria escassez de produtos e deterioração de serviços.

Nos últimos seis anos, o governo federal segue estimulando o consumo como única cura para todo o mal. Na medida mais famosa, segura até hoje o que o comércio chama de “redução do IPI”, um tributo que afeta principalmente os preços dos automóveis e eletrodomésticos da chamada “linha branca”: fogão, geladeira e máquina de lavar.

Geladeira é o eletrodoméstico que mais consome energia nas residências. Máquina de lavar, o que mais consome água. Carro, combustível. Coincidência ou não, ao final do seu quarto ano, Dilma entrega o país com escassez de água em algumas regiões, sistema energético sobrecarregado (acionando termelétricas para dar conta da demanda) e estatais (Petrobras e Eletrobras) cada vez mais deterioradas graças à política de congelamento de preços. Como se não bastasse, os principais centros batem a cada ano seus próprios recordes de congestionamento no trânsito, além de o comércio seguir em marcha lenta com a população até hoje buscando quitar dívidas adquiridas no período, o que enfraquece a indústria e gera o desemprego que o governo busca mascarar manipulando o método de pesquisa do IBGE.

É coincidência demais para não ter qualquer relação com a postura de quem anda conduzindo inconsequentemente a economia do país nos últimos anos.

Contudo, caso os governistas queiram desviar o assunto principal mais uma vez, talvez a oposição tenha ainda algumas outras pautas para discutir. A começar pela segurança e seus 50 mil assassinatos por ano. Ou os insignificantes avanços na saúde pública. Ou o recuo do país no ranking de IDH. Ou até mesmo a insistência na corrupção. Como diz o ditado, só é aconselhável atirar a primeira pedra quando não se tem teto de vidro.

30 de julho de 2014

O costume petista de perseguir e censurar os mensageiros das notícias ruins

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Há alguns dias, o banco Santander enviou a seus clientes de alta renda uma mensagem na qual sugeria que, caso Dilma Rousseff fosse reeleita, a economia brasileira pioraria, com alta de juros, câmbio desvalorizado e queda da bolsa.

“Difícil saber até quando vai durar esse cenário e qual será o desdobramento final de uma queda ainda maior de Dilma Rousseff nas pesquisas. Se a presidente se estabilizar ou voltar a a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir”, diz o texto sob o título “Você e seu dinheiro”. “O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes. Esse último cenário estaria mais de acordo com a deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos”, acrescenta a análise.

Após o ocorrido, a presidente classificou o episódio como inadmissível e lamentável, ignorando o fato de que a economia de fato melhora com a sua possível queda. No entanto, funcionários do banco acabaram demitidos por falar a verdade, o que apenas evidencia a tendência petista de culpar o mensageiro que traz as más notícias.

Mas este não foi o únco caso recente. A Empiricus Research, empresa de análise de ações. teve peças publicitárias retiradas do ar pelo Google por determinação judicial. Elas, segundo o PT, faziam “terrorismo econômico”. A empresa, no entanto, recusou-se a pedir desculpas.

A Empiricus diz que fez o mesmo que o Santander, que também foi acusado de fazer campanha a favor dos candidatos de oposição em relatório enviado aos clientes do varejo de alta renda, com renda acima de R$ 10 mil, ao afirmar que os mercados financeiros reagiriam mal á reeleição da presidente Dilma. “A diferença é de que nós não pediremos desculpas por falar a verdade e aconselhar, sem qualquer parcialidade, apoiados apenas em fatos, nossos clientes e leitores”, diz o relatório. Para a consultoria, a coligação tenta censurar a Empiricus.

No início do ano, a maneira petista de lidar com os problemas respingou até mesmo no FED, o banco central dos Estados Unidos. Mesmo com todas as evidências, a senadora Gleisi Hoffmann apresentou no Plenário do Senado voto de censura a uma avaliação do banco que classificou a economia brasileira como a segunda mais vulnerável entre os 15 países emergentes presentes em uma lista.

Gleisi Hoffmann acusou o FED de ter extrapolado “seu mandato”, argumentando que “o banco central de um país não pode fazer, oficialmente, avaliação da situação econômica de outro”. Segundo a parlamentar, foi uma ação tendente a interferir nos mercados, “uma vez que os investidores, com base nas conclusões do FED, poderão alterar suas decisões de futuros investimentos”.

A própria Gleisi também já foi a causadora de problemas no IBGE. Após o órgão alterar a forma de levantar a taxa de desemprego, com a divulgação da PNAD Contínua, que é mais ampla, os índices apresentaram alta, o que não deixou a então ministra satisfeita. Desta forma, Gleisi pressionou para que a divulgação da pesquisa fosse interrompida, fato que não foi bem recebido no Instituto.

Após a decisão do IBGE de interromper as divulgações trimestrais da Pnad Contínua, a diretora de Pesquisas do instituto, Marcia Quinstlr, pediu exoneração do cargo, o mais importante da diretoria do IBGE.

A coordenadora da Escola Nacional de Estatísticas e integrante do conselho diretor do IBGE, Denise Britz do Nascimento Silva, também discordou da decisão do colegiado e pediu exoneração.

Contudo, a prática petista de perseguir os profissionais que trazem ao mundo informações que desagradam o partido vem desde o mandato de Lula, quando ficou notório o caso de Larry Rohter, correspondente do New York Times que foi expulso do Brasil após afirmar que o então presidente teria problemas com álcool.

O perigo de tantas atitudes aparentemente inofensivas aos brasileiros mora no fato de o PT pretender num segundo mandato de Dilma finalmente desengavetar o que chama de “Controle Social da Mídia”.

Em recente reunião no Palácio da Alvorada, Dilma deixou claro a petistas não ter a intenção de regular conteúdo, mas sinalizou que topava tratar da parte econômica: “Não há quem me faça aceitar discutir controle de conteúdo. Já a regulação econômica não só é possível discutir como desejável”, disse.

Se por ingenuidade ou esperteza, só a presidente poderá esclarecer. Mas “regulação econômica” de veículos de mídia é, sim, mesmo que indiretamente, uma regulação de seu conteúdo. Basta que as manchetes soem desagradáveis a quem se encontra no poder e o governo poderá pressionar seus autores da mesma forma que agiu com o Santander. O melhor exemplo talvez se encontre nas atitudes do governo venezuelano, parceiro do brasileiro no Mercosul, que não se furtou de cortar o fornecimento de papel a publicações que criticavam a administração do país. Fato é que poucas coisas soam tão obscuras quanto um possível segundo mandato de Dilma. Ela já andou dizendo que que não repetirá os erros de seus primeiros anos na presidência. Falta ficar mais claro, no entanto, se o que ela considera “erro” está em sintonia com o que o eleitor também considera.

29 de julho de 2014

A verdade sobre a falta de chuvas e de água em SP

100 bilhões de litros

100 bilhões de litros

Deu no Jornal Nacional de hoje: está ERRADA a previsão de que o Sistema Cantareira poderia secar totalmente em 100 dias. Quem diz isso é o próprio autor do laudo, pois o estudo foi baseado numa primeira reserva, SEM CONSIDERAR OUTRA PARTE, DE CEM BILHÕES DE LITROS DE ÁGUA.

Foi o primeiro laudo, agora comprovada e assumidamente errado, que motivou a infinidade de reportagens ultra alarmistas e até mesmo a ação do MPF. E mais: o cientista acrescenta que fez a pesquisa de maneira INFORMAL e A PEDIDO DE JORNALISTAS – e nunca realizou estudo específico para o Ministério Público.

É EVIDENTE que uma grave seca assola o estado de São Paulo, nada menos que A MAIOR DOS ÚLTIMOS 84 ANOS. E também é um tanto evidente que a falta de chuva faz com que os reservatórios diminuam – por mais que aquela mesma turma de sempre tente dizer que se trata de problema “de gestão”. Não, não é.

Vale citar o exemplo de Guarulhos, município gerido pelo PT e que NÃO USA O SISTEMA DA SABESP, pois tem empresa própria (SAEE). Entrem no site e ouçam o comunicado. Pois é, não é de fato culpa deles, pois NÃO CHOVEU. E esses gênios petistas que alegam ser “problema de gestão” deveriam aplicar a sabedoria de FABRICAR ÁGUA A PARTIR DO NADA lá em Guarulhos.

Há uma ala que EXIGE racionamento, torcendo para colher dividendos eleitorais com isso (pois é…). A explicação para que isso não seja feito é objetiva e direta: cortando a água, mesmo provisoriamente, levaria tempo insuficiente para que fosse restabelecida a contento e, pior ainda, danificaria o sistema – o que se pode fazer, e se faz, é a diminuição da pressão em horários de menor uso (como a madrugada, em algumas regiões).

Por fim, há reservas suficientes para garantir o abastecimento de água na Grande São Paulo até o mês de MARÇO DE 2015. Em suma, as previsões cuidadosamente “terroristas” do pessoal de sempre, como se vê, são totalmente sem base. Mas, se querem continuar batendo o pé, a sugestão é visitar Guarulhos, pois tal previsão não abrange o município (gerido pelo PT e com empresa própria de água).

Mas enquanto a ala “cacique cobra coral” do DCE da Internet não chega até lá para produzir água, já que conhecem a fórmula para sua fabricação artificial, fiquem todos com a belíssima e esclarecedora reportagem do Jornal Nacional. Sério, vejam. São quatro minutos e vinte e um segundos de puro esclarecimento.

É totalmente compreensível que muitos tenham ficado assustados, pois era esse o teor de várias outras reportagens e, não por acaso, também das campanhas de viés alarmista-eleitoreiro. Agora, porém, temos enfim acesso à verdade e ninguém precisa ficar em pânico (o que, vale dizer, não implica de forma alguma e em tempo algum em DESPERDÍCIO, mas sim no uso sempre racional da água).

Cliquem aqui e saibam o que de fato acontece. Já o DCE pode clicar aqui.

29 de julho de 2014

Skaf toma “enquadrada” de Michel Temer

Do blog de Marcelo de Moraes:

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Paulo Skaf quer evitar a presença de Dilma Rousseff em sua campanha, por medo de que a alta taxa de rejeição à presidente em São Paulo não “pegue bem”. Segue o texto:

“A campanha publicitária divulgada ontem por Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo paulista, rechaçando a possibilidade de apoio à presidente Dilma Rousseff em São Paulo, provocou grande mal estar no Palácio do Planalto e aborreceu bastante o vice-presidente Michel Temer. Presidente nacional do PMDB e padrinho da candidatura de Skaf ao governo, Temer ligou para Skaf assim que soube da campanha e avsou ao aliado. “O PMDB paulista estará com Dilma e comigo na campanha nacional.”

A enquadrada de Temer em Skaf inclui uma reunião da Comissão Executiva Estadual do partido, convocada às pressas, que deverá divulgar uma nota oficial confirmando a disposição do PMDB de São Paulo de abrir seu palanque local para a campanha de Dilma.

Adversário direto do petista Alexandre Padilha na disputa pelo governo de São Paulo, Skaf tem rechaçado a possibilidade de abrir seu palanque para Dilma por conta do elevado índice de rejeição da presidente no Estado. Com esse gesto, espera angariar a simpatia dos eleitores e se aproximar do líder nas pesquisas em São Paulo, o governador tucano Geraldo Alckmin.

O problema é que a campanha publicitária usada ontem por Skaf foi considerada extremamente inconveniente no Planalto, com o risco de aumentar o desgaste da imagem da presidente entre os eleitores locais. Nas redes sociais, foi postado um vídeo onde Skaf aparece sentado num trem e é perguntado pelo celular sobre um possível apoio ao PT. A resposta foi extremamente provocativa. Usando o bordão do Cumpadre Washington, do conjunto É o Tchan, surge uma resposta na tela dizendo “sabe de nada, inocente”.

Para integrantes do PMDB paulista, Skaf acabou criando uma crise política na própria campanha, prejudicando seu próprio desempenho.”

Recentemente, Skaf fez piadinha usando o mote “sabe nada, inocente” diante de uma questão fictícia levantada em sua fanpage no Facebook, sobre se ele estaria ligado ao PT. Pelo visto, inocente não foi quem perguntou. E nem quem respondeu.

25 de julho de 2014

Dilma Bolada sumiu da web para negociar uma bolada com a campanha de Dilma

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No início da semana, Jeferson Monteiro, responsável pelo personagem virtual “Dilma Bolada”, retirou do ar todos os canais que mantinha ligados à aparente brincadeira com a presidente do país. Em rápidas palavras, disse que não atenderia à imprensa, mas se permitiu uma única entrevista ao site O Dia, onde comentou que as razões da saída repentina decorriam das responsabilidades que o momento eleitoral exigia:

Estamos entrando num período muito conturbado, que é o eleitoral. Então, por ora, vou deixar as páginas quietinhas e avaliar se vão continuar ou não. É uma exposição muito grande e por isso tem que ser pensado. Apesar de eu gostar da Dilma e ter votado nela, tem um apelo muito grande. São mais de 2 milhões de pessoas seguindo.
(grifos nossos)

Contudo, mais detalhes vieram à tona em apuração da Folha de São Paulo. Segundo o jornal, a campanha de Dilma Rousseff procurou o jovem publicitário para “resolver uma pendência financeira”:

Segundo a Folha apurou com integrantes do comitê presidencial, havia um projeto na pré-campanha de contratar Monteiro para as eleições, mas o acordo não foi fechado.

Nesta quinta, o autor do perfil recebeu uma ”sinalização” de auxiliares da presidente de que ele será procurado para resolver as questões financeiras.
(grifos nossos)

Mesmo com o acordo praticamente às claras, Jeferson Monteiro insiste que jamais recebeu dinheiro pela Dilma Bolada e mantinha o personagem na ativa apenas por afinidade com a presidente Dilma Rousseff. Verdade ou não, essa realidade deve mudar em breve. Contudo, já não dá mais para levar a sério o que diz o criador do personagem. Seu discurso é contraditório e chega a ofender a inteligência e/ou memória de quem acompanha a sua trajetória. Ainda em entrevista a O Dia, teria dito:

O que eu já fiz algumas vezes é alfinetar algumas coisas, mas nunca houve baixaria, nem mesmo com a oposição. Eu jamais inventaria calúnia.
(grifos nossos)

Para azar dele, há muito do seu trabalho documentado na web. No momento mais baixo, insinuou que um dos candidatos de oposição consumia drogas ilícitas e chegou a fazer ameaças públicas sobre informações privilegiadas que possuiria. Em outro momento, distorceu informações sobre opositores de Dilma e chegou a denunciar uma suposta tentativa de contratação de seus serviços por parte do PSDB, denúncia essa que só veio à tona depois de a imprensa descobrir o que ele estava tramando.

Após o conturbado ano de 2013, tudo que o brasileiro esperava para 2014 era uma campanha política séria, que permitisse debates construtivos para o futuro do país. No momento em que o comitê de campanha da presidente se dobra à chantagens de um humorista que se vale de calúnias e desinformação para desenvolver um trabalho para lá de questionável, percebe-se que ao menos um dos lados está bem desalinhado com as “vozes das ruas” que busca representar. Resta ao eleitor julgar se seria este um canal válido para dialogar com a presidência.

24 de julho de 2014

Será que estamos sendo justos com ele?

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Nos últimos dias, começaram a aparecer nas redes sociais pessoas incrédulas com a péssima avaliação dos paulistanos – 47% de “ruim” ou “péssimo” – sobre a gestão Haddad. No melhor estilo será que estamos sendo justos com ele?, a turma “100% neutra e isenta” desafia os amigos “coxinhas” a argumentar; alguns mais arrojados se referem a Haddad como #Prefeitão – sem ironia! – no Twitter; outros vão mais longe e já exigem que quem desaprova o alcaide desfaça a amizade virtual – correndo o risco de perder cerca de 85% dos amigos…

Coincidentemente (ou não), o PT anunciou na semana passada que lançaria uma ofensiva para tentar reabilitar o prefeito paulistano, com o objetivo último de ajudar a campanha do partido ao governo do estado. O ex-presidente Lula chegou a chamar de ingratos os paulistanos insatisfeitos com seu prefeito.

Em resposta a isso, nós preparamos um resumo da obra de Fernando Haddad em pouco mais de um ano e meio à frente da Prefeitura de São Paulo:

Campanha baseada em dois enormes estelionatos eleitorais

A campanha de Haddad apoiou-se fortemente em duas promessas: o “Arco do Futuro”, que vinha ilustrado por uma bela animação em 3D durante o horário eleitoral, e o fim da Taxa de Inspeção Veicular na cidade, anunciado enfaticamente pelo próprio candidato na TV: “Eu vou acabar com essa taxa!”.

Ainda nos primeiros meses de mandato, o prefeito admitiu que boa parte das obras previstas no tal Arco do Futuro ficariam no mundo da ficção pois eram muito caras, depois condicionou as que sobraram à aprovação de seu Plano Diretor pela Câmara dos Vereadores.

Já o fim da Taxa da Inspeção Veicular foi um aceno à classe média que possui carro: Haddad não só não acabou com a taxa (e nem vai acabar), como transformou a vida do motorista paulistano em um inferno com as faixas exclusivas de ônibus mal implementadas. Enquanto isso, o Governo Federal do partido do prefeito oferece todo tipo de incentivo à indústria automobilística e ao consumidor que pretende adquirir um veículo. Sendo São Paulo a maior cidade do país, não é necessário muita perspicácia para adivinhar onde vão parar a maioria desses automóveis.

Suspeitos, improbos e fichas-sujas no primeiro escalão

“Nossa, mas até parece que nos outros partidos só tem santo, não é?” Ok, mas também não precisa exagerar: Haddad foi à Justiça para poder nomear TRÊS vezes como secretário das Subprefeituras o vereador Ricardo Teixeira (PV), condenado por improbidade administrativa.

Em seu primeiro dia como prefeito, Haddad nomeou assessora da Secretaria de Governo (a “Casa Civil” da Prefeitura) a petista Maria Aparecida Perez, que estava com os bens bloqueados por conta de um processo por desvio de dinheiro público durante a gestão Marta Suplicy (2001-2004), quando foi secretária da Educação. Em maio deste ano, Maria Aparecida foi condenada a devolver R$ 7,8 milhões aos cofres públicos.

Haddad ainda teve de demitir o próprio titular da Secretaria de Governo, o vereador Antônio Donato (PT), após o nome dele ter sido citado nas investigações da chamada “máfia do ISS” por ter indicado o suposto líder do esquema para cargo na SPTrans – e recebido em troca uma polpuda doação para sua campanha eleitoral.

Para a Secretaria Municipal da Igualdade Racial (pois é…), foi nomeado o pagodeiro e comunista do Brasil Netinho de Paula, que dispensa apresentações, para chefiar uma equipe que também conta com a ex-ministra Matilde Ribeiro, demitida por ter feito compras num Free Shop com cartão corporativo.

Querem mais? Haddad também deu um cargo na Prefeitura para um certo Ricardo Schumann, ex-funcionário de alto escalão da Caixa Econômica Federal, também conhecido como o homem que quebrou o sigilo do caseiro Francenildo.

Um prefeito que não conhece a cidade

Pode parecer argumento de taxista (e é mesmo!), mas não deixa de ser verdade: apesar de ter nascido e crescido em São Paulo, Haddad viveu em Brasília desde o início do governo Lula, em 2003, e só voltou a morar na capital paulista quando se desligou do Ministério da Educação para concorrer à Prefeitura. Na campanha, dois episódios ficaram famosos: ele confundiu Itaim Paulista com Itaim Bibi durante um comício e demonstrou que não sabia nem o endereço da Prefeitura em uma sabatina.

Depois de eleito, apesar de ter anunciado que iria ao trabalho diariamente de ônibus, Haddad pouco é visto fora de seu gabinete, com exceção de eventuais photo-ops para o consumo de jornalistas e militantes. Também não ajudam a fama que ele tem de não trabalhar aos finais de semana, muito menos o fato de ter tirado férias duas vezes em um ano e meio.

É claro que ninguém é obrigado a conhecer cada canto de uma cidade com as dimensões da capital paulista, mas isso se torna um problema grave quando se é um prefeito dado a fazer “experimentações” sem o menor planejamento nem noção das consequências. Um exemplo: recentemente, a construção de um corredor de ônibus na avenida Eng. Luís Carlos Berrini foi paralisada por quase um mês, com as duas faixas centrais interditadas, para que a Prefeitura pudesse fazer um estudo do impacto da obra. Apesar da enorme população de ratos na cidade, o paulistano não gosta de ser feito de cobaia.

As faixas e corredores de ônibus

 O episódio descrito acima evidencia o modo como foram feitos o planejamento e a implementação das faixas de ônibus: de forma autoritária, atabalhoada e inconsequente. A falta de critério na escolha das vias ‘agraciadas’, a supressão de linhas de ônibus sem maiores explicações nem aviso prévio, a falta de investimento em renovação e aumento da frota são apenas alguns dos inúmeros erros de Haddad nessa área. Não é de surpreender que as primeiras pesquisas apontem pouca mudança em relação ao tempo médio que os usuários de transporte público gastavam em seus deslocamentos antes das faixas.

Já os corredores de ônibus são um capítulo à parte: no começo do ano, o Tribunal de Contas do Município determinou a suspensão da licitação, e no mês passado a Prefeitura teve de lançar novo edital para apenas um trecho. Ninguém sabe quando serão lançados editais para os trechos que ficaram faltando. Um show de competência.

IPTU

Para seu segundo ano de mandato, Haddad havia preparado uma surpresa para os cidadãos paulistanos: aumento de 20% para imóveis residenciais e 35% para os comerciais no IPTU. Mesmo após o Tribunal de Justiça de São Paulo vetar o reajuste em decisão liminar, Haddad chegou a sancionar o a lei que o aprovava. Finalmente, o Superior Tribunal de Justiça  viria a barrar o aumento considerado abusivo.

Cracolândia

A essa altura, todos já devem ter ouvido falar do Braços Abertos, o programa de combate ao crack da Prefeitura de São Paulo que não combate o crack… A experiência de oferecer moradia e salário aos usuários sem nenhuma contrapartida, em um ambiente onde na prática o tráfico é liberado – houve até um caso de traficante portando o crachá da Prefeitura – deu tão certo que o prefeito prometeu inaugurar outras ‘cracolândias’ nos moldes da original cidade afora.

MTST

Devido à aliança com o PP, especulava-se antes da eleição que Haddad entregaria a Secretaria de Habitação de “porteira fechada” à turma do partido comandado pelo ex-governador Paulo Maluf, mas foi pior ainda: quem manda hoje na área é o MTST, utilizado por Haddad como massa de manobra. O prefeito chegou a subir em um carro de som do movimento e incitar os manifestantes a ir protestar em frente à Câmara dos Vereadores para pressionar pela aprovação de seu Plano Diretor. Em troca, ele legalizaria terrenos invadidos por seus aliados – esta promessa cumprida integralmente: com a aprovação do Plano, quatro invasões foram legalizadas.

Recentemente, descobriu-se que a Secretaria mantém um cadastro secreto e prioriza membros do MTST na distribuição de casas, e por conta disso o Ministério Público recomendou ao Governo Federal o bloqueio do programa Minha Casa, Minha Vida para a cidade de São Paulo.

Lei Cidade Limpa

Principal marca da gestão de seu antecessor Gilberto Kassab (PSD) e amplamente aprovada pela população, a Lei Cidade Limpa virou letra morta na cidade: a administração Haddad por um lado afrouxou a fiscalização (queda de 90% nas autuações entre o final do mandato de Kassab e o início do de Haddad), e por outro flexibilizou a lei, liberando algumas formas de publicidade em veículos e no mobiliário urbano.

Virada Cultural

Em sua campanha, Haddad prometia uma “periferia vibrante, com cultura”, mas acabou concentrando todos os eventos da Virada Cultural de 2013 no Centro, e apesar de ter um orçamento 33% maior do que o ano anterior (só em divulgação foram gastos R$ 7,4 milhões), os eventos acabaram reduzidos em 16%. Questionado sobre a exclusão da periferia da Virada, o secretário de Cultura Juca Ferreira ainda apontou preconceito de quem criticava, afirmando que sua gestão não queria que “a periferia ficasse na periferia”. Resultado: dois mortos, atrações canceladas devido a falta de segurança e inúmeros casos de violência, confusões e arrastões.

Educação

Por fim a área que deveria ser a especialidade de Fernando Haddad (apesar de os números de sua passagem pelo Ministério não demonstrarem, Lula garante que ele foi o “melhor Ministro da Educação que este país já teve”).

Uma das principais promessas da campanha do PT era zerar o déficit de vagas em creches no município, mas em seu primeiro ano de gestão a fila aumentou. Após este vexame, a Secretaria de Educação resolveu o problema: parou de divulgar os números.

Sua equipe também achou por bem reduzir o kit entregue aos alunos da rede pública, cortando até canetas e cadernos, mas gastou R$ 6 milhões com tênis chineses de má qualidade e superfaturados.

Conclusão

Por tudo o que vai acima, os militantes do PT e o pessoal que “não é petista, mas…” terão uma missão árdua pela frente: ganhar a discussão com o amigo “coxinha” é relativamente fácil, difícil mesmo é convencer o povão que é diretamente afetado pelas ideias mirabolantes deste que caminha a passos largos para ser o pior prefeito que São Paulo já teve.

23 de julho de 2014

O descaso de Haddad com a própria imagem evidencia falta de diálogo com o paulistano

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Após identificar benefícios da prefeitura da capital paulista, comandada por Fernando Haddad (PT), ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) no financiamento de moradias populares, o Ministério Público do Estado de São Paulo elaborou um documento no qual recomenda que o governo federal não assine novos contratos do programa Minha Casa, Minha Vida com a administração.

A representação, assinada pelo promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, foi anexada a um inquérito que investiga o financiamento habitacional na capital paulista. No texto, o promotor afirma que falta transparência da prefeitura na divulgação do cadastro de inscritos nos programas habitacionais. Em síntese, o MP afirma que a prefeitura mantém o cadastro secreto para beneficiar movimentos que promovem invasões de imóveis públicos e privados – leia-se, o MTST.

No documento, o promotor afirma que o poder público não tem força para coibir a indústria de ocupações. Em função disso, e para evitar os frequentes bloqueios que travam a capital paulista, o prefeito já fez até mesmo promessas para regularizar áreas invadidas caso o Plano Diretor fosse aprovado – algo que de fato ocorreu.

Diante dessa falta de controle administrativo, a população tem reagido nas pesquisas sobre o governo. Na última divulgação do Instituto Datafolha, a gestão de Haddad bateu o próprio recorde de avaliação negativa, com 47% de rejeição entre as 1.047 pessoas entrevistadas, ante 36% do mês de junho.

Entre os muitos motivos que levaram à insatisfação do eleitorado, é possível citar várias medidas prejudiciais à população de baixa renda, como o corte de merenda e professores de clubes-escola, o aumento das filas por vagas em creches e a redução da quantidade de material escolar distribuído na rede municipal.

A insistência de Haddad em manter-se próximo a pessoas envolvidas em escândalos também não ajuda. Ele nomeou um vereador condenado por improbidade, uma ex-secretária processada também por improbidade e a ex-ministra que foi demitida após farra com cartão corporativo. Além disso, o prefeito deixou de cumprir várias promessas feitas durante a campanha; entre elas, o “Arco do Futuro”, que era um das principais.

No entanto, mesmo após o recorde negativo, Haddad resolveu pedir afastamento para tirar férias e descansar, algo que já fez há menos de um ano, com apenas dez meses de mandato, a fim de ir à Itália comemorar seus 25 anos de casamento. À época, justificou-se afirmando que a ideia era estar presente em janeiro, quando seria mais necessário em função do período de chuvas – que não ocorreu.

De fato, não havia como prever que o mês historicamente mais chuvoso na capital paulista enfrentaria uma seca ímpar. Mas o bom senso entenderia que uma nova folga do prefeito só faria sentido após ao menos a conclusão das eleições em curso. Nem os próprios aliados compreendem bem a tática adotada pelo prefeito quando pouco ou nada faz em defesa da própria imagem. Em recente entrevista, no entanto, reclamou de perseguição da mídia, colocando-se na posição de injustiçado. Ignora Haddad que o principal responsável pelo opinião que os eleitores têm dele é o seu próprio trabalho. Todavia, nada mais natural para um partido que sempre enxergou na imprensa uma inimiga a ser domada passar a ter problemas de comunicação com a população que usufrui de seus projetos. Uma postura mais aberta ao diálogo teria engajado o paulistano naquilo que a prefeitura ainda faz de bom. É o que os opositores do PT fazem com certa maestria há pelo menos duas décadas. É o que o partido não compreende ou até mesmo aceita. Mais admiração para com a liberdade de expressão só levaria benefícios ao que pretende colocar em prática a esquerda no Brasil. Mas talvez Caetano Veloso esteja certo quando diz que o esquerdista vê nela uma espécie de “capricho burguês” de menor importância. O que sobra dessa atitude é muita reclamação e prejuízo nas urnas. A reclamação já começou. Mas, no caso de Haddad, as urnas só responderão em 2016.

23 de julho de 2014

Apesar da “contabilidade criativa”, governo amarga números cada vez piores

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A expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2014 caiu pela oitava semana consecutiva, ficando abaixo de 1% pela primeira vez. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, o crescimento está estimado em apenas 0,97%.

A revisão para o PIB acompanha a redução nas projeções para a produção industrial. Agora, os analistas esperam contração de 1,15% nesse setor, ante queda de 0,90% na semana passada. Há um mês, o mercado via o PIB crescendo 1,16% e a produção industrial caindo 0,16%.

O mau desempenho econômico do Brasil tem custado caro a Dilma, tanto que, na expectativa de sua queda, as ações das estatais sempre se valorizam quando pesquisas de intenção de votos são divulgadas. Desde fevereiro, a presidente vem caindo gradativamente e, segundo o último levantamento da Datafolha, há empate técnico entre ela e Aécio Neves, candidato do PSDB, em um possível segundo turno – 44% contra 40%, respectivamente.

Alguns dados específicos ajudam a compreender as dificuldades da campanha petista – que, duas semanas após o início do período eleitoral, ainda não foi às ruas. O cenário é pior nas grandes cidades, que normalmente antecipam tendências gerais do eleitorado. Nos municípios com mais de 500.000 habitantes, a avaliação positiva do governo passou de 30% para 25% do eleitorado. Os que rejeitam a gestão de Dilma agora são 37%, ante 31% no último levantamento. Ela perderia as eleições nessas cidades, assim como nos municípios que têm entre 200.000 e 500.000 moradores.

Até mesmo no Nordeste, conhecido reduto petista, houve queda nas intenções de voto – de 55% para 49% –, e, considerando uma disputa com Aécio no segundo turno, Dilma perderia em três das quatro faixas de renda consideradas pelo Datafolha.

Ela venceria apenas entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, onde ela perdeu três pontos percentuais na última pesquisa. Dilma também é derrotada no segundo turno entre os eleitores escolaridade de nível médio ou superior. Venceria somente no grupo que estudou até o ensino fundamental.

Segundo analistas ouvidos pelo Globo, a Copa do Mundo maquiou a realidade durante a competição, dando uma sensação de melhora do governo, mas, agora que a população voltou a enfrentar os problemas do dia a dia, a insatisfação retornou.

— O que vemos é a classe média dos grandes centros urbanos voltando à realidade, enfrentando caos no trânsito, assalto na porta de casa e aumento nos preços nas prateleiras. Apesar de essa culpa não ser exclusiva do governo federal, o crescimento dessa insatisfação hoje nada mais é do que o preço das inúmeras promessas que foram feitas e, até agora, não foram cumpridas — afirma o analista político e professor do Insper-SP Carlos Melo.

Não deixa de ser irônico que justamente o governo que defendia o uso do que chamava de “contabilidade criativa” esteja sofrendo cada vez mais com números pouco louváveis. É de se perguntar como estaria a aprovação de Dilma e sua trupe caso não tivessem manipulado tantos índices de forma a esconder a realidade dos brasileiros. Contudo, com ou sem planilhas que os defendam, o bolso do brasileiro sabe onde aperta. Tanta insatisfação independe do que diz o ministro da economia e se reflete cada vez mais nas intenções de voto. Ao contrário do que prega o atual discurso da presidente, o problema do país talvez não esteja no grito dos pessimistas, mas no falso otimismo daqueles que tentam defender um governo sem rumo, atrasando cada vez mais as medidas necessárias para o Brasil voltar à linha.

21 de julho de 2014

Por medo de vaias, Dilma pretende evitar seus possíveis eleitores nas ruas

Após a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff e as seguidas vaias recebidas por ela em eventos públicos, o comitê da campanha de sua reeleição resolveu dar prioridade a eventos fechados, fazendo-a ironicamente se esconder justamente das camadas mais populares que ela diz representar.

Com a popularidade em baixa, Dilma participará mais de eventos fechados e de meia dúzia de comícios, mas seu primeiro compromisso de campanha será com sindicalistas, em São Paulo. Para “vender” a imagem da presidente que está “ao lado do povo”, Dilma vai vestir o figurino de candidata na plenária da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no próximo dia 31, organizada sob medida para enaltecer os feitos do governo.

As vaias sofridas por Dilma foram tantas que surgiu até mesmo um “mapa das vaias“, que, embora esteja um pouco desatualizado, registra várias notícias a respeito da recepção nada calorosa à presidente em diversas cidades de todas as regiões do país. Essa hostilidade começou após os protestos ocorridos em junho de 2013. Há até mesmo vídeos nos quais a população, de suas casas, vaia o pronunciamento a respeito das manifestações.

Mas o primeiro momento constrangedor se deu durante a abertura da Copa das Confederações, quando Dilma e Joseph Blatter foram alvo de protestos durante o discurso que precedeu a partida. O presidente da Fifa chegou a pedir respeito e fair-play ao público, mas, desde então, as vaias passaram a ser cada vez mais frequentes.

Na abertura da Copa do Mundo, a presidente nem mesmo discursou, mas foi novamente hostilizada pelos presentes em vários momentos do jogo entre Brasil e Croácia.

Xingamentos contra a presidente foram ouvidos em dois momentos antes da partida: após a chegada de Dilma ao estádio e após a execução do hino nacional, já a poucos minutos do início do jogo. No segundo tempo, Dilma foi xingada mais duas vezes.

Com a consolidação do torneio, no entanto, Dilma resolveu entregar a taça à seleção campeã após a partida final no Macaranã, mas nada impediu que ela, com o semblante visivelmente constrangido e tentando livrar-se do troféu o mais rapidamente possível, fosse vaiada mais uma vez.

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Mas o estrago para a campanha petista pode ser muito maior. Diferentemente dos 83% de aprovação do governo Lula, os 32% de aprovação de Dilma, somados aos 29% que hoje a reprovam, não estimulam os aliados políticos de sua enorme coligação a pedirem votos. O tempo de TV da atual presidente é enorme, mas a audiência do horário político não costuma ser relevante a partir da segunda semana de horário eleitoral, o que torna o fenômeno da transferência de voto um recurso válido até os dias de hoje. E a ausência de comícios de rua, assim como de quem a peça voto, atingirá em cheio a camada da população que mais lhe promete votos. Nunca antes na história do país o cenário esteve tão favorável para que o PT não conseguisse se reeleger.

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