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18 de dezembro de 2013

Petrobras perde 54% de seu caixa em um ano; Eletrobras, graças a Dilma, segue no sufoco

dilma anuncia na tv desoneracao de produtos da cesta basica345x230 1582aicitonp17l6gq8scv1d147hp7j1i9jp201 Petrobras perde 54% de seu caixa em um ano; Eletrobras, graças a Dilma, segue no sufoco

Em sua coluna para o Monitor Digital, Sergio Barreto Motta minimizou a previsão feita pela consultora americana Macroaxis, que dizia ter a Petrobras 32% de chances de ir à falência. Reduziu o número a uma expressão: “irrelevante”. Mas não disfarçou qualquer preocupação com os rumos da estatal, uma vez que estaria ela com o caixa abaixo da metade do que fechou o ano de 2012. A perda chega a 54%, ou 14 bilhões de dólares:

Mas, por mais contraditório que possa ser, as estatais estão sofrendo na era Dilma. Deixando-se de lado a irrelevante previsão da consultora americana Macroaxis, de que a Petrobras tem 32% de chances de ir à falência, os números da estatal número 1 do país são preocupantes. Informa-se que a Petrobras tem em caixa apenas US$ 12 bilhões, contra US$ 26 bilhões no fim de 2012. 

(grifos nossos)

E as expectativas para 2014 não são boas. A depender do humor do dólar, a Petrobras pode precisar de 40 bilhões de dólares para sair do sufoco:

Para 2014, prevê o Credit Suisse que a estatal terá de tomar US$ 25 bilhões no mercado – e, como os bancos sabem dessa carência, os juros sobem. Se o dólar subir a R$ 2,70, as necessidades chegarão a US$ 40 bilhões. A estatal está vendendo ativos no exterior e, no Brasil, negocia participação de investidores estrangeiros em refinarias – um dos interessados é a mexicana Pemex. O endividamento da Petrobras, em apenas um trimestre, subiu de R$ 196 bilhões para R$ 236 bilhões.

(grifos nossos)

A outra gigante energética também é fruto da preocupação do colunista. A dívida da Eletrobras é menor, mas já atinge os 60 bilhões de reais e se aproxima do bilhão só em 2013:

Também sofre a Eletrobras. Sabe-se que a dívida bruta da gigante da energia já chega a R$ 60 bilhões e, em apenas dez meses deste ano, o prejuízo é de R$ 800 milhões. Anuncia-se que a federalização da CEA, do Amapá, e da CERR, de Roraima, iriam adicionar R$ 2 bilhões à dívida da Eletrobras. Nos bastidores, não se cogita de solução definitiva para as agruras da estatal de energia, mas apenas um paliativo: crédito de R$ 2,6 bilhões da Caixa. Um remendo, sem resolver os problemas estruturais que trouxeram tantas agruras à holding de energia.

(grifos nossos)

A culpada – Sérgio Motta não se poda em afirmar – seria a abrupta reformulação do setor elétrico proporcionada por Dilma. Mas isso ela não deve levar ao ar em cadeia nacional de rádio e televisão como fez ano passado ao anunciar a redução nas tarifas.

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15 de dezembro de 2013

Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria quase 4 vezes maior que a oficial

size 590 ex presidente lula 448x338 Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria quase 4 vezes maior que a oficial

A maior promessa da campanha do primeiro mandato de Lula era a criação de 4 milhões de empregos, nada mais coerente com um partido que diz ser dos trabalhadores. O assunto parece tão consolidado que nunca mais entrou em pauta na grande mídia. O próprio ex-presidente, de tempos em tempos, usa o case para contar vantagem do trabalho feito por seu governo. Na abertura do quinto Congresso do PT na última quinta-feira, em Brasília, cantou para a claque:

“Qual o defeito da nossa economia? Qual o defeito de um governo que já gerou 4,2 milhões de empregos? Só nesse ano, que o PIB (Produto Interno Bruto) não está tão grande, já gerou mais de 1,4 milhões de empregos.”

É de fato de se espantar que o pior PIB do G-20, se europeu fosse, apresentaria a terceira melhor taxa de desemprego (5,5%), perdendo apenas para Suíça e Áustria. Teria mesmo o Brasil descoberto a solução mágica para o problema ou estaria o governo apenas e mais uma vez manipulando números para enganar seus eleitores?

A resposta pode estar no que o IBGE considerava População em Idade Ativa (PIA) até 2002, e o que passou a considerar desde então. Antigamente, qualquer brasileiro acima dos 15 anos que trabalhasse menos de 15 horas por semana era considerado desempregado. Mas a nova metodologia inclui apenas brasileiros acima de 18 anos. E basta trabalhar uma única hora por semana para não mais ser incluído na massa desempregada da nação.

No ano passado, o Instituto Ludwig von Mises Brasil revisou os dados do próprio IBGE e chegou a um número mais lógico: a taxa de desemprego no Brasil estaria em 20,8%, ou quase 4 vezes acima da vitória cantada pelo PT.

O trabalho de Leandro Roque para o instituto começa duvidando da diferença de quase 100% entre os números divulgados pelo IBGE e pelo DIEESE. E detalha toda a metodologia do primeiro, provando que favorece e muito o governo. Tudo porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é extremamente camarada ao evitar ao máximo dizer que alguém não tem emprego no país. Segundo suas planilhas, não são considerados desempregados no Brasil:

  • Trabalhadores não remunerados
    Qualquer malabarista de sinal ou vendedor de doces na rua pode se enquadrar neste grupo.
  • Desalentados
    Pessoas que num período de seis meses desistam de buscar emprego, seja qual for o motivo: está recebendo seguro desemprego, recebe bolsa-família, etc.
  • Biscateiros
    Pessoas que façam pequenos trabalhos esporádicos, mesmo que sua renda ao final do mês fique distante do salário-mínimo

Leandro Roque traz alguns exemplos para esclarecer o absurdo desta lógica:

“Em termos práticos, na atual metodologia, se um gerente de banco é demitido e passa a fazer malabarismo no semáforo, a taxa de desemprego não se altera.  Se um desempregado lava o carro do vizinho em troca de um favor, a taxa de desemprego cai.”

E aproveitou para explicar o trabalho de revisão que fez nos dados fornecidos pelo próprio IBGE:

“Coletei os seguintes dados:

  1. Pessoas desocupadas;
  2. Trabalhadores não remunerados;
  3. Pessoas com rendimento/hora menor que o salário mínimo/hora
    (aquele sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo);
  4. Pessoas marginalmente ligadas à PEA
    (pessoas que não estavam trabalhando na semana da pesquisa mas que trabalharam em algum momento dos 358 dias anteriores à pesquisa e que estavam dispostas a trabalhar); e
  5. Pessoas desalentadas.

De canja para o governo, deixei de fora as pessoas subocupadas, pois uma pessoa que trabalha regularmente um determinado número de horas por semana não está tecnicamente desempregada.

Somei estes cinco itens e dividi pela soma entre população economicamente ativa, pessoas marginalmente ligadas à PEA e pessoas desalentadas. (Estas duas últimas também entram no denominador porque não são consideradas economicamente ativas pelo IBGE, o que é um despropósito.)

O resultado gerou o gráfico abaixo:

taxa 600x300 Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria quase 4 vezes maior que a oficial

Pela revisão do Instituto Mises, o desemprego no Brasil se aproximou de 35% no verão de 2006, pouco antes de o brasileiro reeleger Lula, que já naquela época contava vitória de empregos gerados. Como é de se esperar, cai bastante à medida em que as festas de fim de ano se aproximam e encontrou seu menor valor no Natal de 2011. Mas mesmo os 20,8% daquele outubro de 2012 mostravam uma discrepância muito grande com o discurso oficial que fechou o ano celebrando o baixíssimo (e pouco crível) desemprego de 5,5%.

Verdade seja dita, a nova metodologia entrou em vigor ainda nos últimos meses do governo FHC (mais precisamente, em março de 2002). Contudo, já são 11 anos de PT no poder sem que o cálculo seja questionado por seu comando. Provavelmente porque se beneficia dele.

11 de dezembro de 2013

A decadência do etanol no Brasil

Graca Foster Dilma Rousseff 525x338 A decadência do etanol no Brasil

O ex-presidente Lula, utilizando seu forte poder de retórica e persuasão, sempre gostou de vender os planos de seu governo acompanhados das mais elogiosas hipérboles. Foi o que ocorreu quando lançou o projeto do etanol como fonte de energia renovável, que prometia ser a melhor alternativa para fugir das altas dos preços dos barris de petróleo ao longo de seu governo. Durante o lançamento de um carro, em 2007, afirmou até que “haverá um momento em que o mundo irá se curvar aos combustíveis renováveis e o Brasil vai poder vender mais”. A realidade, no entanto, como mostra o El País, é que o Brasil nunca conseguiu deslanchar sua produção de combustível à base de cana-de-açúcar.

Uma forte quebra da safra em 2011 levou os preços do álcool combustível às alturas e hoje nem mesmo o consumidor brasileiro, que foi incentivado nos últimos anos a abastecer com o produto em consequência da popularização dos veículos bicombustíveis, ou flex, quer saber do etanol.

(grifos nossos)

Paralelamente ao lançamento do álcool brasileiro, os Estados Unidos lançaram seu próprio biocombustível: um etanol extraído do milho. A meta de crescimento de sua produção foi estabelecida por lei em 2005; assim, embora a cana-de-açúcar tenha um rendimento muito maior, a produção americana no ano passado já era mais que o dobro da brasileira: 50 bilhões de litros contra 23,6 bilhões.

O que aconteceu foi a falta de visão estratégica do governo, que não percebeu que os Estados Unidos, quando adotam uma lei, cumprem. A nossa produção estagnou enquanto a deles disparou”, afirmou Daniele Siqueira, analista de mercado da Agência Rural.

(grifos nossos)

Na tentativa de alavancar o consumo de álcool, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), lançou a campanha “Etanol, o combustível completão”, mas a política da presidente Dilma não empolga os empresários do setor.

Para Gláucio de Oliveira, sócio-diretor da ADN Corretora, especializada em álcool, no entanto, a política do Governo para o setor é equivocada. “Quem é que vai querer investir com o teto de preços que o Governo impõe aos combustíveis? Do modo como é hoje, a remuneração ao setor é sufocada”, diz ele.

A crítica também é feita por Maurílio Biagi Filho, presidente do Grupo Maubisa, do ramo do agronegócio. “Esse último reajuste de gasolina que a Petrobras autorizou sepultou o setor sucroenergético, além de ter impactado muito negativamente nas ações da própria estatal”, afirmou ele, cujo pai, Maurílio Biagi, foi um dos empresários, junto com Orlando Ometto, da Cosan, entre outros, que convenceu o ex-presidente Ernesto Geisel, da junta militar, a adotar o Programa Nacional do Álcool (Pró-alcool) em 1975.

(grifos nossos)

A reportagem do El País afirma também que a descoberta do pré-sal é uma das razões para a decadência do etanol brasileiro, uma vez que o interesse dos investidores se voltou totalmente para as reservas de petróleo e levou o governo a virar as costas para a sua antiga menina dos olhos, provocando o congelamento da área sucroalcooleira.

Entre os anos de 2007 a 2010, 76 usinas de cana-de-açúcar foram construídas no Brasil. Mas, de 2011 a 2012, 27 unidades produtoras fecharam as portas ou entraram em recuperação judicial. E até o final do ano-safra 2013/14, terminologia adotada na agricultura que representa o ciclo dos cultivos, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa os usineiros, prevê que mais 12 usinas encerrem suas atividades ou peçam na Justiça alívio para quitar suas dívidas.

(grifos nossos)

Para completar, segundo a revista alemã Der Spiegel, o governo leiloou um “tesouro por uma pechincha” ao licitar o campo de Libra, do pré-sal. Enquanto isso, a Petrobrás se deteriora a olhos vistos, como afirma o edital do Estadão de 29 de novembro de 2013:

A margem operacional da empresa – resultante da comparação do resultado operacional (excluídos o resultado financeiro e o pagamento do Imposto de Renda) com a receita líquida -, que era de 29,6% no início de 2006, baixou para 10,63% no início deste ano, como mostram alguns estudos. O retorno sobre o capital investido – que indica a relação entre o resultado operacional e o valor do capital investido na empresa – caiu de 29,2% no início de 2006 para 4,8% no primeiro trimestre deste ano. Apesar da capitalização, a dívida líquida triplicou entre 2008 e 2012.

(grifos nossos)

A imprensa brasileira já há um tempo se preocupa com a gigante do petróleo que anda em apuros graças à contaminação política de sua administração. No entanto, foi preciso um jornal espanhol chamar a atenção para o fato de que a Petrobrás é apenas parte de um projeto energético que vem se deteriorando já há um tempo.

10 de dezembro de 2013

Surgem provas de que Tuma Jr. escoltou Lula quando da prisão do petista

Uma matéria bombástica foi publicada na versão impressa da Veja no último fim de semana. Centrada no lançamento futuro do livro Assassinato de Reputações do ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr, trazia a denúncia de que o PT vem se valendo da máquina pública para atacar adversários políticos. De quebra, traz uma importante fala de Gilberto Carvalho. Nela, segundo “Tuminha”, teria o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência lhe confessado que, juntamente com Celso Daniel, desviava recursos públicos e os entregava para José Dirceu abastecer o caixa do partido. O tal livro também provaria, ou tentará provar, que este mesmo Dirceu possuía uma conta nas Ilhas Cayman para lavar o dinheiro do Mensalão.

Talvez a denúncia menos relevante seja a de que Lula teria sido informante do Dops nos anos 70. Até porque foi apresentada de forma elogiosa ao ex-presidente, destacando que sua boa relação com os ditadores o permitiu militar de forma mais segura, evitando excessos e caminhando politicamente como de fato caminhou. Tuminha disse inclusive ter escoltado o petista quando de sua prisão em 1980. Mas a devoção ao ex-torneiro mecânico é tanta que parece ter sido esta a informação que mais incomodou os governistas, fazendo o Brasil 247, talvez o site mais pró-governo em atividade, denunciar que o filho de Romeu Tuma teria menos de 17 anos quando do encarceramento.

A denúncia governista não se sustentou 24 horas e, para tanto, foi preciso apenas uma apuração um pouco mais profunda que uma visita ao verbete da Wikipedia que confundia a data de nascimento de Tuma Jr. com a de seu pai, Romeu Tuma. Quem trouxe os dados corretos foi Reinaldo Azevedo:

  1. Tuma Junior não nasceu no dia 4 de outubro de 1963, como informa a Wikipedia, mas no dia 13 de agosto de 1960. Assim, em 1980, quando Lula foi preso, ele tinha 20 anos. Quem nasceu em 4 de outubro foi seu pai, Romeu Tuma;
  2. Assim, em 1980, quando Lula foi preso, Tuma Junior tinha 20 anos e estava na Polícia havia dois. Ele prestou o concurso para investigador IP1/78 (o “78” é o ano);
  3. Acalmem-se os mais ansiosos: quando o livro chegar às mãos dos leitores, há lá uma foto de Tuma Junior escoltando Lula no Dops.
  4. Tuma Junior se aposentou na Polícia neste ano, com 35 anos de serviço: 2013 – 35 = 1978.

Chega a ser irônico o fato de Tuma Jr assinar um livro acusando o governo de destruir reputações dos que ousam criticá-lo e a primeira iniciativa da mídia chapa-branca ser justamente a tentativa de desqualificar o autor do trabalho. Augusto Nunes se adiantou e publicou em sua coluna a foto que prova ser verdade a escolta:

lula tuma jr 510x338 Surgem provas de que Tuma Jr. escoltou Lula quando da prisão do petista

Tuma Júnior, no canto superior direito da foto, na porta do Dops, escoltando o casal Lula da Silva, a pedido de Romeu Tuma, em maio de 1980.

Que Tuma Jr seja uma figura polêmica, poucos discordam. Mas Reinaldo Azevedo fez questão de enumerar 5 fatos que vão de encontro à campanha de desqualificação do polemista e que vêm sendo ignorados pela imprensa:

FATO UM – A Comissão de Ética Pública da Presidência da República concluiu que nada havia contra ele;

FATO DOIS – A sindicância feita pelo Ministério da Justiça concluiu que nada havia contra ele;

FATO TRÊS – Inquéritos da PF — houve mais de um pelo mesmo fato — foram arquivados sem resultar em indiciamento. E olhem que ele já era um maldito;

FATO QUATRO – O Ministério Público nunca ofereceu denúncia sobre nada;

FATO CINCO – Uma acusação de improbidade administrativa por conta de uma apreensão de dólares no aeroporto de Cumbica foi arquivada pelo Ministério Público por falta de evidência de que se tivesse cometido algum crime.

As denúncias trazidas pelo ex-secretário nacional de Justiça são graves e qualquer pessoa de bom senso espera que sejam, no mínimo, investigadas. Tuma Jr. diz possui provas e as publicará em seu livro a ser lançado em breve. Tentar desqualificá-las antes mesmo de ter acesso a elas é no mínimo uma atitude questionável das publicações governistas.

10 de dezembro de 2013

Haddad, para quem esperava algo, um primeiro ano decepcionante

maluf haddad Haddad, para quem esperava algo, um primeiro ano decepcionante

Quando a popularidade de Fernando Haddad caiu para 18% de aprovação em pesquisa do Datafolha de 27 e 28 de junho, o próprio PT fazia pouco caso dos números dizendo serem eles parte de uma insatisfação geral do brasileiro para com o Brasil, ou simplesmente um reflexo natural dos protestos do inverno passado. O raciocínio de fato se aplicou a alguns de seus nomes, como o de Dilma Rousseff, que andou se recuperando nos meses seguintes. Cinco meses se passaram mas, no entanto, o prefeito de São Paulo permanece no mesmo patamar, com rejeição só comparável ao primeiro ano das recentes administrações Pitta e Kassab.

De fato, 2013 não foi um bom ano para o petista. Logo de cara, com pouco mais de três meses no cargo, enfrentou protestos de grupos organizados que pediam mais moradias populares. Haddad prometeu ajuda, mas não cumpriu: centros de atendimento a moradores de rua foram abandonados sob os cuidados do PT. E a situação dificilmente melhorará uma vez que o ex-ministro da educação reduziu em 15% a verba para áreas sociais mesmo com um recorde de aporte na casa dos 6 bilhões vindo do governo federal.

Mas essa esteve longe de ser a única promessa ignorada. Durante a campanha, o marketing do PT insistiu numa melhor distribuição dos investimentos na cidade. Entretanto, concentrou as principais atrações da Virada Paulista no centro da cidade, ignorando ajustes já feitos em gestões anteriores. O resultado: o evento teve arrastões, brigas, assaltos e até mortes. O repasse de verba às subprefeituras, que poderia também ser usado para essa prometida descentralização dos gastos públicos, teve um aumento de apenas 2,5%, bem abaixo da inflação do último ano.

Contudo, nenhuma quebra de acordo foi tão escandalosa quanto a do Arco do Futuro: principal promessa de campanha, mostrou-se perfeitamente viável na cabeça dos publicitários que a inseriram em suas inserções de TV e simplesmente inviável quando finalmente se fez um orçamento dela.

No entanto, o grande tropeço de Haddad se deu na condução do aumento das passagens de ônibus. Não dá para negar que protagonizou algum esforço para manter a correção abaixo da inflação. Mas, em vez de aproveitar as férias escolares para validar o reajuste evitando assim protestos do movimento estudantil, atendeu a pedido de Dilma Rousseff em mais um esforço de Guido Mantega para mascarar números inflacionários e jogou para maio a nova tarifa. O resultado foram os protestos de junho e o aumento recorde de IPTU para arcar com os tais 20 centavos. IPTU este que teve a aprovação marcada por manobras sujas da parte da base governista impedindo que o debate passasse por uma audiência pública.

Numa tentativa de recuperar a imagem abalada, o prefeito iniciou uma caça às bruxas inédita desde que o PT deixou de ser pedra e passou a ser vidraça: Haddad tentou de todas as formas possíveis vender a ideia de que seria a cabeça por trás da investigação que derrubaria uma quadrilha que desviava ISS da prefeitura. O tiro no pé, no entanto, foi tão certeiro que o principal punido até o momento foi o seu “homem forte”, o secretário de governo Antonio Donato.

Mesmo quando fez aquilo que parece ser mais necessário, Haddad mereceu críticas. É fato que suas intervenções no trânsito aumentaram em vários quilômetros os corredores de ônibus. Mas, se estas mudanças não foram bem aceitas pelos motoristas que aproveitaram as reduções de IPI do governo Lula e Dilma para adquirir os seus veículos, os pedestres reclamaram das mudanças de itinerário de várias linhas, principalmente na Zona Leste. É evidente que há um grave problema de diálogo da administração para com seu eleitorado. Todavia, é preciso antes corrigir os problemas internos de comunicação e assim evitar que novos abrigos sejam instalados em ruas que não estão servidas com transporte público.

9 de dezembro de 2013

DCEzão 2013 – A maior premiação da internet brasileira

 DCEzão 2013   A maior premiação da internet brasileira

O Implicante, em parceria com o portal Reaçonaria, orgulhosamente apresenta:

Uma pequena seleção individual de textos marcantes de 2011 evoluiu no ano seguinte para um prêmio, com uma seleção mais elaborada e ajuda de outros juízes, levando o nome do grande patrono dos textos ruins daquele ano: “Prêmio Sakamoto“.

Neste ano a coisa cresceu demais. Após pedirmos aos leitores da Reaçonaria indicações, vimos que não seria possível enclausurar tanta genialidade produzida em um só prêmio com poucos concorrentes. Foi necessário então criar várias categorias para que, sabendo ser impossível reconhecer a todos os merecedores, ao menos tentar lembrar o maior número deles e os mais representativos de todo esse grande Diretório Central dos Estudantes que são o Brasil e sua mentalidade política.

Para quem não está familiarizado, o que há abaixo é uma lista de “Melhores piores” tweets, posts ou artigos de gente famosa, esforçada ou desconhecida, sempre com aquele viés bem socialista bronzeado brasileiro. São 10 (sim, 10!) categorias para você fazer valer seu direito de opinar – que só existe porque gente que pensa como eles não consegue pôr em práticas aquilo que pensa e sonha.

Cada categoria é apresentada com links para os indicados, seguidos de “print screens” em alguns casos (para evitar a perda da informação com um delete acidental dos autores) e então a apresentação da enquete para votação. Divirtam-se, votem e aguardem a apresentação dos vencedores, que faremos em um Hangout festivo.

Votem com consciência.

7 de dezembro de 2013

O que sobrou do discurso de posse de Lula de 2003

Em primeiro de janeiro, o PT completará 11 anos na presidência da república. Período este que se iniciou com o discurso de posse de Lula em 2003. Esse pronunciamento presidencial costuma ter gorda importância por se tratar do primeiro momento que o político eleito pode,  já sem as limitações impostas por seus marketeiros de campanha, dizer o que de fato pretende fazer no cargo.

Na época, as palavras do ex-torneiro mecânimo não empolgaram muito. No geral, apesar de belas, eram vagas, um tanto confusas e quase nada objetivas. Lembravam mais um texto motivacional do que um plano de metas. E, mesmo do pouco que se conseguiu espremer daqueles 45 minutos de fala, há bastante coisa que, o tempo mostrou, findou esquecida pelo partido.

“Mudança”; esta é a palavra chave, esta foi a grande mensagem da sociedade brasileira nas eleições de outubro.

A primeira palavra já gera um engasgo. O PMDB segue sendo governo. Collor, Sarney, Renan Calheiros e Michel Temmer seguem aliados do governo. No início, é verdade, até tentou-se uma nova forma de se conseguir apoio político. Mas logo ela ganhou o nome de Mensalão e, oito anos depois, estão presos os mentores intelectuais e executores do plano. E assim o PT voltou a agir como mandava a cartilha por eles criticada, vindo recentemente, para citar apenas um exemplo, a negociar com Maluf tempo de TV para Haddad.

A esperança finalmente venceu o medo e a sociedade brasileira decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos.

Mas foi justamente explorando o medo irracional de privatizações da parte da população que o marketing do partido, em 2006, garantiu o segundo mandato de Lula. Assim como o medo do fim das políticas sociais do governo em 2010 garantiu a continuidade com Dilma Rousseff.

O apelo ao medo não passa de uma falácia. Mas não houve qualquer pudor em recorrer a ela quando soava conveniente.

Enquanto houver um irmão brasileiro ou uma irmã brasileira passando fome, teremos motivo de sobra para nos cobrirmos de vergonha. Por isso, defini entre as prioridade de meu Governo um programa de segurança alimentar que leva o nome de “Fome Zero”. Como disse em meu primeiro pronunciamento após a eleição, se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida.

O Fome Zero nunca vingou. Porque sempre se pensou no fim, mas quase nunca no meio. Era basicamente uma campanha de doações ao governo num país que já banca os cofres públicos com uma carga tributária que se aproxima dos 40%. A intenção encontrou algum alívio com o Bolsa Família, uma atualização de políticas sociais da gestão anterior. Mas a fome vem acabando mesmo é com a manipulação dos índices que a nomeiam.

Para isso, será também imprescindível fazer uma reforma agrária pacífica, organizada e planejada. Vamos garantir acesso à terra para quem quer trabalhar, não apenas por uma questão de justiça social, mas para que os campos do Brasil produzam mais e tragam mais alimentos para a mesa de todos nós, tragam trigo, tragam soja, tragam farinha, tragam frutos, tragam o nosso feijão com arroz. 

No entanto, um imagem fala mais que todo este parágrafo.

FHC Reforma Agraria O que sobrou do discurso de posse de Lula de 2003

Por tudo isso, acredito no pacto social. Com esse mesmo espírito constituí o meu Ministério com alguns dos melhores líderes de cada segmento econômico e social brasileiro. Trabalharemos em equipe, sem personalismo, pelo bem do Brasil e vamos adotar um novo estilo de Governo com absoluta transparência e permanente estímulo à participação popular.

Com o fracasso do modelo do Mensalão para se conseguir apoio, o PT entrou na era da criação de cargos para compra de aliados. Assim, o número de ministérios cresceu de 21 para 39. Apenas 9 deles não estão sob o comando de membros do PT ou de partidos da base governista. Alguns destes aliados, como é o caso de Garibaldi Alves Filho, assumiram o cargo reconhecendo não entender nada do assunto da pasta.

O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu Governo.

Na verdade, o objetivo central passou a ser o que eles chamam de “governabilidade”, ou basicamente o oposto do que foi proposto.

É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública.

Foi o único partido a ir às ruas gritar contra a prisão dos mensaleiros.

Não permitiremos que a corrupção, a sonegação e o desperdício continuem privando a população de recursos que são seus e que tanto poderiam ajudar na sua dura luta pela sobrevivência.

Além do PAC (que não anda), obras e mais obras superfaturadas para garantir a Copa do Mundo figuram como apenas um de muitos exemplos que desmentem Lula.

Ser honesto é mais do que apenas não roubar e não deixar roubar.

Foram quase 10 ministros derrubados no governo Dilma por conta de denúncias. Chegou-se a cair um ministro a cada 51 dias.

É também aplicar com eficiência e transparência, sem desperdícios, os recursos públicos focados em resultados sociais concretos. Estou convencido de que temos, dessa forma, uma chance única de superar os principais entraves ao desenvolvimento sustentado do País.

Transparência no governo é um item cada vez mais raro.

E acreditem, acreditem mesmo, não pretendo desperdiçar essa oportunidade conquistada com a luta de muitos milhões e milhões de brasileiros e brasileiras.

A história foi bem diferente.

Sob a minha liderança o Poder Executivo manterá uma relação construtiva e fraterna com os outros Poderes da República, respeitando exemplarmente a sua independência e o exercício de suas altas funções constitucionais.

Nos dois primeiros anos de mandato, Lula assinava uma média de 5,3 medidas provisórias por mês, atropelando, assim, o trabalho dos parlamentares. Dilma assinou um pouco menos, é verdade. Mas ainda acima do que foi feito por FHC.

A grande prioridade da política externa durante o meu Governo será a construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera e unida, com base em ideais democráticos e de justiça social. Para isso é essencial uma ação decidida de revitalização do MERCOSUL, enfraquecido pelas crises de cada um de seus membros e por visões muitas vezes estreitas e egoístas do significado da integração.

Hoje, o Mercosul está tomado por políticas bolivarianas cada vez menos democráticas.

Crimes hediondos, massacres e linchamentos crisparam o País e fizeram do cotidiano, sobretudo nas grandes cidades, uma experiência próxima da guerra de todos contra todos. Por isso, inicio este mandato com a firme decisão de colocar o Governo Federal em parceria com os Estados a serviço de uma política de segurança pública muito mais vigorosa e eficiente. Uma política que, combinada com ações de saúde, educação, entre outras, seja capaz de prevenir a violência, reprimir a criminalidade e restabelecer a segurança dos cidadãos e cidadãs.

Já ficou provado que essa política não surte resultados contra a violência. E o país segue batendo recordes de assassinatos.

E, para isso, basta acreditar em nós mesmos, em nossa força, em nossa capacidade de criar e em nossa disposição para fazer. Estamos começando hoje um novo capítulo na História do Brasil, não como nação submissa, abrindo mão de sua soberania, não como nação injusta, assistindo passivamente ao sofrimento dos mais pobres, mas como nação altiva, nobre, afirmando-se corajosamente no mundo como nação de todos, sem distinção de classe, etnia, sexo e crença.

A promessa era de não haver distinção, mas as políticas de defesa de minorias seguem se chocando com esses ideais.

Agradeço a Deus por chegar até aonde cheguei. Sou agora o servidor público número um do meu País. Peço a Deus sabedoria para governar, discernimento para julgar, serenidade para administrar, coragem para decidir e um coração do tamanho do Brasil para me sentir unido a cada cidadão e cidadã deste País no dia a dia dos próximos quatro anos.

Os principais críticos do PT dizem que aos poucos o partido mostra a sua verdadeira face, uma face mais autoritária, pouco republicana ou democrática. Concordando ou não com eles, é fato que o PT eleito em 2002 há tempos se desfigurou e não mais reflete os desejos de quem o colocou no poder. O desafio da oposição é justamente provar a este eleitor que ele foi enganado e que ajustes precisam ser feitos. O que não quer dizer que seja fácil: ninguém reconhece um equívoco desses com um sorriso no rosto.

3 de dezembro de 2013

Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

Dilma Bolada você já conhece. E já não é segredo para ninguém que a pessoa por trás de seus tweets é um garoto de 23 anos chamado Jeferson Monteiro. O que poucos sabem (ou se lembram) é que criador e criatura começaram a fazer barulho na internet com um perfil de humor voltado ao ativismo gay, o @vidadegayroto. O que seria o endereço deste antigo perfil, hoje encontra-se sem qualquer conteúdo e seguindo um único usuário, o pai do fake mais famoso do país:

vidadegayroto1 368x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

 

É um passado que Jefferson tenta esconder e por isso se torna difícil qualquer acesso a ele. Mas a internet ainda guarda alguns rastros. Como, por exemplo, esta citação do próprio autor da Dilma Bolada:

vidadegayroto2 522x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

 

Ao se clicar no tweet citado por ele, link este que cita seu usuário original, chega-se hoje à seguinte tela:

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Os frequentadores do Twitter estão acostumados a ver fenômenos do tipo. Nesta rede em particular, é possível alterar-se o próprio nome de usuário. Em dado momento, Jefferson Monteiro preferiu transformar seu perfil de paródia em seu perfil pessoal. Isso é possível comprovar por intermédio de algumas citações ainda existentes na web:

vidadegayroto4 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

Webjef, assim como JefMonteiro, foram apenas outros dois nomes utilizados pelo jovem Monteiro antes de se tornar o @jeferson que hoje defende:

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Não há nada de errado em ter um perfil de humor, ou um perfil que milite pela causa gay. Contudo, salta aos olhos como, naquele tempo, uma das pessoas que hoje mais defende a presidente do país parecia mais livre para criticá-la:

dilma3 452x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff dilma2 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff dilma1 523x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

 

vidadegayroto10 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

 

As ofensas não ficavam apenas no Twitter. O então anônimo @vidadegayroto chegou a trabalhar a imagem da então chefe da casa civil em outras redes também:

dilma4 387x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

Clique na imagem para ampliá-la

Na coluna à direita dessa imagem, alguns dizeres fortes sobre a sua musa:

“Postaremos aqui fotos da que ilustram a nova droga que surgiu no nosso país. Vou postar imagens preventivas e de campanha contra essa droga.

(grifos nossos)

O sucesso na época foi tanto que Jefferson, mesmo ainda na condição de anônimo, ganhou mídia espontânea e chegou a concorrer a prêmios por seu trabalho:

vidadegayroto9 526x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff vidadegayroto8 352x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff vidadegayroto7 385x338 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

 

Alguma coisa aconteceu que Jeferson hoje não mais critica a presidente da nação, preferindo guardar todas as suas farpas aos adversários dela.

dilma6 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff dilma5 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

Até encontro físico entre paródia e parodiada já rolou, algo que foi intensa e estranhamente festejado pela mídia nacional.

 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

 

Num passado não muito distante, Jeferson já disse trabalhar com completa independência do Planalto. Está cada dia mais difícil de acreditar.

 

2 de dezembro de 2013

Futuro chefe de Dirceu ganha benefícios da Anatel após oferecer emprego

paulo bernardo0 0 0 931 609 516x338 Futuro chefe de Dirceu ganha benefícios da Anatel após oferecer emprego

Quando do estouro do Watergate ainda nos anos 70, um bordão passou a fazer parte do meio político e do manual de qualquer investigação séria: “follow the money”. A dica era dada pelo principal informante, conhecido apenas pelo apelido Garganta Profunda, quando sugeria que a imprensa deveria buscar a origem do dinheiro caso quisesse desvendar o caso. De certa forma foi o que a chamada “imprensa golpista” seguiu ao tentar entender como um condenado pela justiça sem experiência no cargo recebera uma proposta de 20 mil reais de salário.

Só os mais ingênuos e os menos comprometidos com a razão aceitaram sem ressalvas a grana que o mensaleiro José Dirceu ganhará caso a justiça lhe permita trabalhar no hotel de um aliado do governo. Aos demais, a Folha de São Paulo trouxe uma luz. A Top TV, emissora de Paulo Abreu (o futuro chefe do petista e irmão do presidente do PTN, partido da base governista), poderá transferir antenas de Francisco Morato para a avenida Paulista ignorando parecer técnico que impedia a operação:

O futuro chefe do ex-ministro José Dirceu, o empresário Paulo de Abreu, foi beneficiado nesta semana com uma medida do governo aprovada mesmo contra relatórios elaborados por técnicos.

Abreu ganhou o direito de transferir antenas da Top TV – uma de suas emissoras – do município de Francisco Morato para a avenida Paulista, em São Paulo.

(grifos nossos)

Um jargão semelhante ao “follow the money” foi cunhado pelo cineasta e crítico político Diogo Mainardi. Em suas participações no Manhattan Connection, costumou-se a repetir sempre que alguma história mal contada surgia na política nacional: “procure o petista”. Neste caso, o petista estava no Planalto, mesmo. A ordem para ignorar o parecer técnico partiu do Ministério das Comunicações, sob os cuidados de Paulo Bernardo, ex-deputado federal ainda filiado ao PT:

Na segunda, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a pedido do Ministério das Comunicações, permitiu que algumas emissoras mudassem suas antenas para a capital, o que melhora a cobertura dessas TVs em São Paulo e aumenta o potencial de telespectadores.

(grifos nossos)

A mudança, além de ser uma manobra ilegal que ignora o procedimento padrão, deve prejudicar emissoras concorrentes:

Segundo análise dos técnicos da Anatel, a mudança da Top TV, canal 35, não poderia ocorrer, pois não seguiu trâmite adequado e porque pode ser inviável tecnicamente.

Diz o texto que a operação na Paulista pode criar interferência com outra emissora que ocupa o mesmo canal em Suzano. Ao mudar as antenas, a TV ainda deixa de operar em seu município de concessão.

(grifos nossos)

“Siga o dinheiro” e “encontre o petista”: duas frases de efeito que fazem muito mais sentido do que gostaríamos. E, curiosamente, findam trabalhando em uma parceria assustadoramente eficaz aqui no Brasil. Tantas e tantas vezes, basta seguir o dinheiro para encontrar o petista.

29 de novembro de 2013

A cocaína e o estupro de menores

gaievski dilma gleisi A cocaína e o estupro de menores

Dilma e Gleisi (ministra da Casa-Civil) abraçam o querido colega e subordinado (agora ex) Gaievski, preso sob a acusação de estuprar meninas menores de idade, entre elas algumas de 12 anos.

Há alguns dias, a Polícia Federal apreendeu quatrocentos e cinquenta quilos de cocaína num helicóptero do deputado Gustavo Perrella (SDD/MG). A mesma Polícia Federal que já AFASTOU qualquer envolvimento do deputado com o caso.

Mas não importa: instaurou-se na militância online, especialmente no glorioso DCE da Internet, a necessidade de vincular o deputado à oposição ao governo, como se o crime (que a própria PF confirma não ter envolvimento do parlamentar) fosse um delito DA OPOSIÇÃO INTEIRA, com direito a acusações diretas a nomes e líderes.

Jogo sujo, como sempre. Mas que traz uma lógica engraçada, que consiste basicamente num tiro de canhão no próprio pé da Dilma.

E vamos ao ponto central, mesmo diante da ampla e pra lá de variada “base governista”, que vai de Maluf a Sarney, passando por Igreja Universal e Jader Barbalho, com escalas em Kassab e Sérgio Cabral. Também não compensa continuar chutando gente já condenada (e nunca expulsa do partido), como Dirceu, Genoíno (que vai bem, obrigado) e que tais.

Vamos ao próprio governo. A quem está ou esteve lá dentro até dias atrás. Vamos a Eduardo Gaievski, até trasanteontem dono de um cargo de chefia na Casa Civil do Governo Dilma, parceiraço da ministra Gleisi Hoffmann, que pretende concorrer ao governo do Paraná.

Ele está preso por ESTUPRO DE MENORES, incluindo meninas de doze anos. Não são crimes que teriam sido cometidos por outrem em seu helicóptero ou carro, mas sim, segundo a acusação, pelo próprio ex-integrante do governo, quando era prefeito do interior do PR (sim, pelo PT, obviamente).

Para alegria das “feministas” do DCE internético (que nunca falaram nada disso, ao contrário dos chiliques de quando não gostam de piadas machistas), Gaievski se defendeu. A tese é um primor:

“(…) pretende argumentar, entre outros pontos, que as supostas vítimas, entre elas meninas de 12 anos, teriam maturidade precoce e estariam aptas a evitar qualquer constrangimento ilegal por parte do acusado, “inclusive porque lhe era perfeitamente possível resistir, sem mais, ao ato” (grifos nossos)

“Maturidade precoce”, é mole? Pois é. E, como se não bastasse tudo isso, filho e advogado do sujeito que estava até outro dia na sala ao lado de Dilma Rousseff também foram presos, acusados de coagir as testemunhas.

Ah, sim, claro: as feministas pró-governo nunca falaram nada. Para elas, é gravíssimo fazer piada sexista na TV, mas esse caso não merece qualquer menção, abaixo assinado, passeata ou que tais. Primeiro o partido, depois a causa.

E agora até mesmo essa turma usa a tática safada dos governistas, de tentar vincular o caso do helicóptero a adversários nacionais (mesmo com a inocência do parlamentar dono da aeronave).

A coisa chegou ao seguinte ponto:

entorpecentes2 A cocaína e o estupro de menores

O sujeito que atualiza o perfil bajulatório da presidente correu apagar, mas o tuíte ficou para a posteridade. Sim, é aquele mesmo que participou do lançamento oficial da conta de tuíter da Dilma, um perfil “satírico” (sátira a favor?) endossado pelo Palácio do Planalto.

É o velho e surrado jogo sujo dos governistas que malandramente acusam OS OUTROS de fazer isso. Não duvidem, jajá estarão dando ataques de pelanca, fazendo-se de vítimas. Mas não são, a começar pelos que já cumprem pena na Papuda.

Temos então o seguinte: para o DCE da Internet, é natural e correto acusar adversário se alguém que já o apoiou teve veículo apreendido com drogas (mesmo com o parlamentar inocentado). É o jogo safado e desonesto que fazem. Pois que tenham coerência e, além e assumir a base que inclui aquele pessoal boa-praça já mencionado, tratem de aceitar o glorioso Gaievski, que foi até dias atrás um alto quadro do governo federal, na Casa Civil, ali do ladinho da sala da Dilma.

E que está preso por estupro de menores JUSTAMENTE em função do cargo que ocupava, pois segundo a acusação isso ocorria por força da autoridade de quando era prefeito (sim, de novo: pelo PT).

Se você não gosta do governo, e tem que aguentar a chatice e falta de caráter dessa turminha quando eles falam do tal helicóptero, mande este texto que logo mudarão de assunto.

Não é mesmo, DCE? Eita. Cadê vocês? Voltem!

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