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24 de fevereiro de 2014

O sucesso da PM/SP contra os black blocs

bomba blackbloc rio O sucesso da PM/SP contra os black blocs

Cinegrafista da BAND é atingido por bomba lançada por black blocs no Rio de Janeiro. A escalada de violência desses grupos exigiu mudança na atuação policial.

A entrada dos black blocs (cujo nome diz respeito à tática empregada, mas passou a servir como designação do grupo) nas manifestações não causou apenas seu esvaziamento e a fuga de quem protestava de maneira pacífica por mudanças no país; também inseriu ingredientes de extrema violência, culminando com a morte de um cinegrafista no Rio de Janeiro depois da explosão de uma bomba lançada por essa turma violenta.

Até esse dia, boa parte da imprensa aplaudia ou fazia silêncio cúmplice diante da maluquice em que já se transformara toda e qualquer manifestação. Mesmo quando puseram fogo no fusca de um trabalhador inocente, ainda houve quem relativizasse. Foi preciso haver a tragédia fatídica no Rio para que apenas uns poucos ainda insistam no endosso aos black blocs.

Diante desse quadro, que inclui violência generalizada, incêndios, quebradeira e até morte provocada por explosivo carregado por esse grupo violento, a PM de São Paulo tinha à sua frente um desafio complexo por conta de uma manifestação programada para o último sábado. Era, sem exagero, uma tragédia anunciada. E tragédia das grandes.

Porém, ao contrário dos prognósticos e também contrariando os que contavam com alguma catástrofe para uso eleitoral. Nem feridos graves. Nem uma ÚNICA bala de borracha foi disparada – tendo havido redução drástica até mesmo nas bombas de gás lacrimogêneo. Como dizem no Polícia 24h (recomendo a todos que vejam esse programa!), “lograram êxito”.

A PM deteve 230 “manifestantes” (o número seria atualizado para cerca de 280) e foram apreendidos até mesmo coquetéis molotov. Cabe o exercício: e se algum explode perto de um cinegrafista? Pois PRINCIPAMENTE ISSO também foi evitado.

Tudo graças à chamada “tropa ninja” (ou “tropa do braço”), que isolou os black blocs e, com ajuda de agentes à paisana que observavam os movimentos, eles foram levados à delegacia ANTES MESMO DE COMEÇAR O PIOR.

Ao pessoal que torcia pela hecatombe, restou bradar contra o “absurdo” das detenções e, por que não?, EXCESSO DE VIOLÊNCIA da PM (que, como se sabe, não houve). Alguns até tentaram evocar a ditadura (não a da Venezuela ou Cuba, claro), buscando associar as detenções durante o ato às prisões nos anos de chumbo (sério). É má-fé, claro.

No regime militar, pessoas eram presas em casa ou no trabalho, do nada, e assim levadas ao DOPS e afins para “averiguação”. Nada parecido com a detenção de um grupo DURANTE O ATO COLETIVO VIOLENTO para liberação de eventuais inocentes, depois da triagem.

Mas, sim, isso é ruim. Porém, é infelizmente a única forma de realizar uma operação policial quando se trata de MULTIDÃO quebrando tudo e querendo quebrar mais (com o risco de provocar acidentes graves ou mesmo morte em decorrência da explosão de artefatos).

Claro que há um cinismo deplorável aí. Alguns que até anteontem aplaudiam (e divulgavam) tumblr “de humor” acerca dos poucos mortos na Venezuela, agora fingem uma ira sem fim contra o absurdo de… bom, de não ter havido morte? De ter havido o expediente (óbvio!) de detenções DURANTE O ATO, impedindo que o pior acontecesse?

Aliás, como eles sugerem combater isso? E pergunto especialmente aos que não vêem problema nos “poucos” mortos diante da ação da guarda bolivariana. Se defendem aquilo, é natural que não concordem com a ação da PM/SP, que ANULOU os blackblocs sem qualquer ferimento grave ou mesmo um único disparo de bala de borracha.

Em alguns casos, e não raros, a polícia merece duras críticas, sim. Mas não faz o menor sentido deixar de reconhecer uma ação de sucesso quando ela ocorre. E foi isso que houve no último sábado em São Paulo. Além disso, já passou (muito) da hora de haver uma diferenciação expressa entre manifestantes que realizam protestos pacíficos e essa turma violenta.

O quebra-quebra promovido pelos black blocs e o clima de guerra instaurado por conta disso resultaram no afastamento das pessoas que pacificamente pediam por mudanças concretas em nosso país. Quem sabe somar dois e dois, já sabe quem ganha com isso.

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22 de fevereiro de 2014

Visando as eleições, governo pretende manter no exterior estudantes que deveriam voltar ao Brasil

mercadante paim agencia brasil Visando as eleições, governo pretende manter no exterior estudantes que deveriam voltar ao Brasil

O governo Dilma Rousseff, buscando cumprir uma meta arbitrária de 100 mil estudantes participando do Ciência sem Fronteiras, quer pagar para que os interessados no programa que não possuem fluência em inglês aprendam a língua. Por não dominarem o idioma, os alunos não recebem aceite das universidades. Dos 18 mil que vão para os Estados Unidos, 43% precisarão entrar para o “Inglês sem Fronteiras”. Matias Spektor, em sua coluna na Folha, foi quem chamou atenção para o objetivo torto:

Só que o governo se interessa menos pelos alunos do que pelo cumprimento da meta arbitrária dos 100 mil. Assim, decidiu despachar meninos para os países de destino a fim de estudar inglês, não ciência. Espera-se que eles adquiram fluência em língua estrangeira, em nível acadêmico, em poucos meses. Além de irrealista, a medida é um desperdício faraônico de dinheiro público.

(grifos nossos)

O problema maior estaria nos alunos que, mesmo após o curso intensivo de línguas, não consigam ser aceitos nas universidades por falta de fluência. O governo segue com medo do impacto negativo da volta dos estudantes.

A Capes sugeriu trazê-los de volta de imediato. No entanto, como revelou esta Folha no domingo passado, o governo rejeitou a proposta “devido ao potencial impacto político do seu retorno”. Os meninos continuam fora, estudando línguas por doze meses, a custo de ouro.

(grifos nossos)

Isso, claro, pede mais verba pública. E o Ciência sem Fronteira está solicitando um aporte orçamentário de R$ 863 milhões. O programa já iniciou seu último ano de atividade e ainda restam 40 mil alunos para atingir o objetivo inicial.

Parceria com a iniciativa privada não deslanchou

Mas as dificuldades para cumprir a meta não se restringem apenas ao idioma. Quando concebeu o programa, os cofres públicos dispunham de recursos para bancar 75 mil bolsas. As outras 26 mil seriam pagas pela iniciativa privada. As negociações não fluíram e, desse total, alegava-se que apenas 13% delas foram financiadas. Embora a Associação Brasileira de Indústria de Base afirme não ter conseguido reunir o montante necessário para cumprir o prometido, o problema não era dinheiro.

O que o setor privado discute é o perfil dos bolsistas do Ciência sem Fronteiras. Informalmente, o setor privado alegou que o governo os selecionou sem critérios precisos, distribuindo bolsas de forma indiscriminada. A iniciativa privada quer definir ela própria os critérios das bolsas que financiará. Entre outras reivindicações, ela deseja financiar pesquisadores que estejam vinculados não a uma universidade, como quer o governo, mas a cursos tecnológicos que atendam às necessidades do setor produtivo.

Essa falta de critério também era uma alegação das entidades científicas do país. Quando o governo cortou parte significativa do financiamento para o fomento da ciência e da tecnologia a fim de bancar o investimento no Ciência sem Fronteiras, elas acusaram o programa de ter sido concebido às pressas, sem planejamento nem rigor técnico. E afirmaram ainda que os cortes feitos no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) terão grande impacto nas pesquisas.

“Precisamos de recursos para pesquisas. De alguma forma o valor destinado ao Ciência sem Fronteiras terá de ser compensado. Caso contrário, o impacto na área científica vai ser grande”, afirmou, no mesmo evento, o matemático Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências.

Não que o ENEM seja um exemplo atual de sucesso, mas se trata de um projeto que começou em 1998 com metas bem realistas e caminhou sem muitos percalços até o PT começar a usá-lo com objetivos eleitorais. Desde então, o programa vem constantemente tentando dar passos maiores do que a sua estrutura permite, o que abre muito espaço para justas críticas e pouco para os ajustes necessários.

O Ciência sem Fronteiras já nasce refém deste uso e se vê na obrigação de fomentar a base que deveria receber pronta, buscando cumprir prazos que só se justificam pela possibilidade da reeleição em outubro. No meio acadêmico, há um sentimento de que o governo vem fazendo muito pela educação. No entanto, com metas cumpridas corretamente ou não, é o exato sentimento que o partido precisa para se manter no poder.

20 de fevereiro de 2014

Nada de caviar, vamos falar do Socialismo Classe-Média

socialista gap2 Nada de caviar, vamos falar do Socialismo Classe Média

A classe-média não é odiada por ninguém, a não ser por (parte de) si própria. E todos esses odiadores são socialistas – essa regra, como sói quando o levantamento é realizado pelo DataEu, jamais falha. Já falei sobre isso aqui e aqui. E também expliquei o porquê de o povo não ser de esquerda. Quem não leu, dê uma olhadinha.

Sigamos.

Discordo de Rodrigo Constantino, que recentemente lançou o livro “A Esquerda Caviar” (sucesso editorial, para desespero justamente dos esquerdistas). Não apostaria minhas fichas nessa coisa de ovas de esturjão – no máximo, naquela mistureba fake usando sagu salgado. Nossa esquerda é menos aquela iguaria e mais este acepipe-gambiarra.

E digo isso exclusivamente porque os socialistas, salvo exceções raríssimas, são pessoas de classe-média. Também em grande maioria, pessoas brancas e majoritariamente com sobrenomes europeus. É muito verdadeira aquela piada segundo a qual socialista se chama Sacchetto, Chevallier ou Blonovski, nunca Severino Cimento.

Os raros esquerdistas realmente ricos são, invariavelmente, figuras que muito mais se valem da ideologia para ganhar dinheiro que qualquer outra coisa (não que estejam errados, haja vista a quantidade de idiotas disponíveis nesse pormenor, a ponto de doarem milhões em vaquinhas pra criminosos condenados). Esses talvez até sejam “caviar”, mas são casos excepcionais. Falo aqui da turma majoritária: a esquerda “sagu salgado”.

São os que riem do pessoal que paga uma fortuna por um iPhone, mas tomam chope de dez reais ou drinques caríssimos feitos com refrigerante de segunda nos “botecos descolados”, nos quais, usando camisas “retrô” caríssimas de times obscuros, fazem piada dos que torram uma grana em algo só por ser “gourmet”. São aquilo que odeiam.

E quase todos cursaram alguma faculdade de humanas, nem sempre em universidades públicas, “militando” em geral nas redes sociais, centros acadêmicos e botecos da Bela Vista ou Vila Madalena (no Rio, posso chutar, ficariam na Lapa). Não são, de fato, pessoas ricas, mas definitivamente (de novo, salvo exceções bem raras) tiveram MUITAS oportunidades, muito mais que qualquer pobre.

Mas por que odeiam a classe média, já que ninguém consegue ter raiva dela? Os pobres querem chegar a esse patamar e os ricos, ora, por que diabos vão ter ódio? A própria classe média, vale lembrar, em sua maioria tem muito (e justo) orgulho de si própria, já que quase todos chegaram lá e ali se mantêm por conta de muito esforço e sacrifício.

Fica difícil explicar, especialmente porque nossos socialistas tem raiva da classe à qual pertencem. Seria algo como aquele comportamento adolescente, por meio do qual o jovenzinho de 16 anos tem raiva extrema justamente daquilo de que faz parte (a própria família)? Essa tese faz algum sentido, haja vista que o esquerdismo em quase todos os casos é curado ao longo do amadurecimento. Mas seria arriscar no campo da psicanálise, coisa que não conheço bem.

Fato é que nossa esquerda não é caviar. Está longe disso. E essa constatação não se faz no campo estético (até poderia ser), mas no social. Nossos socialistas levam aquelas vidinhas tacanhas e repletas de rotinas, exatamente o que dizem odiar nos que pertencem à classe média – e, de forma equivocada, pensam ser “o outro”, “o inimigo”.

Na verdade, são eles próprios. No fundo, odeiam a si próprios. Dessa forma, sugiro um pouco mais de leveza para encarar o mundo e boa dose de paz de espírito para seguir com a vida, porque o “ódio do espelho” é coisa séria e exige meditação; em determinados casos, tratamento mais profundo.

Um exercício: leiam, de forma impessoal, suas próprias timelines nas redes sociais e vejam se não são a cara daqueles comentaristas de portal (às vezes, com sinal trocado; noutras, nem isso). Pois é. Vocês são iguais e ocupam a mesma mesa no almoço de domingo – tanto que muitos reclamam de familiares que seriam como os odiados comentadores de notícias. Vale indagar: adivinha o que eles pensam de vocês?

Socchettos, Sinclaviers, Annesteins, Menigjians, vocês não são proletários (estes, aliás, discordam de vocês em quase tudo, estando muto mais próximos daqueles que vocês odeiam, seja a comentarista da TV ou os comentaristas de portal). Desta feita, deixem de birrinha supostamente ideológica e façam as pazes consigo, perdoem e aceitem seus pais. Cresçam um pouco.

Alguns aí já passaram da idade, né?

ps. Anos atrás, um grande pensador de classe média (hoje milionário) já falava algo parecido, então nada de brigar comigo.

20 de fevereiro de 2014

Projeção de analistas para o PIB de 2014 fica ainda menor

Durante o governo Dilma, o PIB brasileiro teve uma média de crescimento anual de 2%, número considerado muito baixo para os padrões internacionais. Para piorar a situação da presidente, de acordo com pesquisa Focus, do Banco Central, a previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 caiu de 1,90% para 1,79%. Na estimativa para 2015, a queda foi de 2,20% para 2,10%.

No final de 2013 o Brasil já demonstrava enorme fragilidade em sua economia. Segundo a Organização Internacional para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país apresentou o pior PIB do terceiro semestre entre os países do G-20, registrando queda de 0,5% em relação ao trimestre anterior.

grafico PIB 3 trismestre 2013 Projeção de analistas para o PIB de 2014 fica ainda menor

Vale ressaltar que dois países do BRIC, China e Índia, ocuparam as primeiras colocações na classificação, com avanços de 2,2% e 1,9% respectivamente. A Rússia ainda não havia divulgado seus dados à época do ranking acima, mas sua economia cresceu 1,2% no período.

Enquanto seus companheiros emergentes continuam em alta, o Brasil parece não ser capaz de se salvar dos problemas. Ainda de acordo com a pesquisa Focus, a projeção para o crescimento industrial apresentou queda, bem como os números projetados para a inflação de 2014 e 2015 pioraram.

Para a inflação, analistas esperam um  avanço de preços maior. A projeção de inflação medida pelo IPCA para 2014 subiu de 5,89% para 5,93%, para 2015 segue em 5,70% e para os próximos 12 meses subiu de 6% para 6,05%. Há quatro semanas, as estimativas estavam em 6,01%, 5,60% e 5,98%, respectivamente.

O governo se encontra numa sinuca de bico: se toma as medidas necessárias, corre risco de chegar na próxima campanha com a popularidade em baixa; se não toma, corre o risco de a própria economia levar ao chão a sua imagem. Por enquanto, a aposta vem sendo feita na maquiagem de números de forma a adiar cada vez mais a desordem econômica. Mas vem ficando cada vez mais difícil varrer os problemas para baixo do tapete.

19 de fevereiro de 2014

Em nota oficial sobre a Venezuela, PT apoia o regime chavista

dilma chavez Em nota oficial sobre a Venezuela, PT apoia o regime chavista

Não é mais postagem no “perfil do facebook” ou algo do tipo, mas sim NOTA OFICIAL, assinada pelo Presidente Nacional do partido. Vejam que graça:

Nota do PT acerca da Venezuela - O Partido dos Trabalhadores (PT), diante dos graves fatos que vêm ocorrendo na República Bolivariana da Venezuela, torna público o que segue: 1. Condenamos os fatos e ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática na Venezuela; rechaçamos ainda as ações criminosas de grupos violentos como instrumentos de luta política, bem como as ações midiáticas que ameaçam a democracia, suas instituições e a vontade popular expressa através do voto. Lembramos que esta não é a primeira vez que a oposição se manifesta desta forma, o que torna ainda mais graves esses fatos. 2. Nos somamos à rede de solidariedade mundial para informar e mobilizar os povos do mundo em defesa da institucionalidade democrática na Venezuela, fortalecer a unidade e a integração de nossos povos. 3. Nos solidarizamos aos familiares das vítimas fatais fruto dos graves distúrbios provocados, certos de que o Governo Venezuelano está empenhado na manutenção da paz e das plenas garantias a todos e todas cidadãos e cidadãs venezuelanas. São Paulo, 18 de fevereiro de 2014. Rui Falcão - Presidente Nacional do PT. Mônica Valente - Secretária de Relações Internacionais do PT” (grifos nossos)

Pois é. Segundo a nota oficial do PT, a “culpa” é dos manifestantes que combatem a ditadura, não dos militares que os matam. E não se pode dizer que o DCE da Internet fez silêncio desta vez, pois rapidamente criaram um tumblr para fazer piada com o pequeno número de mortos. Sério.

Com o perdão da máxima bem surrada: imagine na Copa…

19 de fevereiro de 2014

Ainda refém de interesses políticos do governo, Petrobras entrega obras incompletas

lula dilma petrobras Ainda refém de interesses políticos do governo, Petrobras entrega obras incompletas

A Petrobras tem sofrido muitas perdas durante os anos de governo Dilma, tanto de valor quanto de credibilidade. Há cerca de uma semana, a estatal foi envolvida na investigação de suborno da holandesa SBM Offshore NV, a maior fornecedora mundial de plataformas flutuantes para exploração de petróleo. Funcionários da Petrobras ficariam com cerca de 2% das “comissões” pagas pela fornecedora.

Entre 2005 e 2011, a SBM pagou US$ 250 milhões em subornos, dos quais mais da metade, precisamente US$ 139 milhões, teriam sido desembolsados por meio de “comissões” a intermediários e a funcionários da Petrobras para obter contratos com a estatal.

Agora é a vez de a estatal ser acusada de usar plataformas inacabadas para ajudar o governo. Segundo matéria do Estadão, a Petrobras andou entregando obras incompletas para acalmar os ânimos do mercado. Os acabamentos seriam feitos já com elas no mar, onde o processo é mais lento e caro e mais inseguro para os trabalhadores.

O diretor de segurança e saúde do Sindipetro-NF, Norton Almeida, credita o lançamento ao mar de plataformas ainda não operacionais a pressão política. No início do mês, ele embarcou na P-62 e conferiu pessoalmente os problemas. O sindicato diz que o sistema náutico saiu do estaleiro sem um cabo de ré, sem uma das amarras do sistema de ancoragem de bombordo (lado esquerdo) e sem o sistema elétrico pronto, entre outros itens.

Esse sistema elétrico incompleto obrigou a instalação de um gerador que em janeiro pegou fogo ao lado de um tanque de diesel, colocando muitos funcionários em risco durante o controle do incêndio, que demorou 40 minutos. Segundo o sindicato, bastavam mais alguns dias no estaleiro para que muitos desses problemas fossem evitados.

As pressões certamente vêm do péssimo momento econômico da empresa. Nas últimas semanas, a Petrobras escorregou feio nas bolsas. Das 11 maiores petrolíferas do mundo com capital aberto, é uma das três que sofreram as maiores perdas, com queda acima dos 10%.

E o cenário nebuloso deve ser mantido no horizonte. Em seu primeiro discurso como presidente do Fed, Janet Yellen informou sua intenção de seguir cortando estímulos à economia. Até agora, já caiu de US$ 85 bilhões para US$ 65 bilhões por mês a dose de injeção de capital da autoridade monetária dos Estados Unidos nos mercados. O Brasil é justamente uma das economias mais afetadas por esses movimentos.

A má vontade dos investidores com a Petrobras se dá em função do alto custo de exploração e dos baixos níveis de produção que ela apresenta, o que a deixa em uma posição delicada. Em 2013, a empresa perdeu 54% de seu caixa, caindo de US$ 26 bilhões para US$ 12 bilhões. Nos últimos cinco anos, esse número chegou a US$ 50 bilhões. Contudo, em vez de tentar resolver o problema, a postura do governo, sempre preocupado com a eleição seguinte, vem sendo a de mascarar o problema, seja usando “contabilidade criativa”, seja inaugurando projetos inacabados.

19 de fevereiro de 2014

Modelo baseado no consumo se esgota e Brasil é visto lá fora como um dos “cinco frágeis”

dilma com mantega Agência Brasil Modelo baseado no consumo se esgota e Brasil é visto lá fora como um dos cinco frágeis

Após apresentar desempenho insatisfatório no setor industrial, com números piores que os do governo Collor, a gestão de Dilma Roussef sofreu críticas do empresário Pedro Passos, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Ignorando o fato de que anualmente a indústria recua em média 0,3% desde 2011, Fernando Pimentel, Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, recusou-se a responder as críticas, limitando-se a acusar o empresário de ser militante da oposição.

A fim de amenizar os problemas, o governo utilizava a estratégia de estimular o consumo para ajudar a manter a estabilidade da economia. O modelo, no entanto, começa a dar sinais de esgotamento. Segundo dados do IBGE, o comércio brasileiro cresceu apenas 4,3% em 2013, apresentando o pior avanço desde 2003, quando houve queda de 3,7%.

venda n varejo Modelo baseado no consumo se esgota e Brasil é visto lá fora como um dos cinco frágeis

Especialistas afirmam que o governo precisa mudar de estratégia. Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, opinou sobre o assunto:

“Já é consenso entre os economistas que o modelo baseado no consumo está perdendo fôlego. Seria bom que fosse baseado no investimento. O que os economistas estão quebrando a cabeça agora é para compreender como transformar o modelo de consumo no de investimento, sem que um mate o outro, é óbvio.”

Até mesmo economistas da escola keynesiana, à qual Dilma é atrelada por defender a intervenção estatal na economia, andam criticando a política da presidente. José Luis da Costa Oreiro, presidente da Associação Keynesiana Brasileira, concordou que o governo precisa focar no investimento.

“Essa é a regra de ouro da política fiscal de Keynes, na qual o endividamento público só pode ocorrer para financiar investimento e não o consumo. É claro que é uma mudança que não pode ser feita do dia para a noite”, ressalta o professor da UnB.

Os problemas econômicos estendem suas teias por todas as partes. Desde o início do governo Dilma o PIB cresceu em média 2% ao ano, número considerado pífio se comparado aos padrões internacionais, e a inflação quase atingiu os 6% em 2013. Se os fracassos dos setores que estão sob sua responsabilidade passaram despercebidos pelo ministro Pimentel, não aconteceu o mesmo com o Federal Reserve americano. Segundo avaliação do grupo, o Brasil é a economia emergente mais vulnerável depois da Turquia.

No relatório semestral sobre política monetária enviado ontem ao Congresso, o Fed cita o Brasil 11 vezes e o coloca no grupo de países que mais sofreram com a recente fuga de capitais de ativos “arriscados”. O documento de 49 páginas traz um “índice de vulnerabilidade” de 15 países emergentes, na qual a Turquia aparece na pior posição, seguida do Brasil, Índia, Indonésia e África do Sul – o grupo batizado de “cinco frágeis”. No outro extremo estão Taiwan, Coreia do Sul, Malásia e China.

Segundo a Veja, até Lula já andou pedindo a cabeça de Mantega, o ministro da Fazenda do Governo Dilma, para dar alguma esperança aos investidores. Para a alegria da oposição, no entanto, ele segue firme e forte no cargo.
14 de fevereiro de 2014

Lei antiterror proposta pelo PT sugere penas mais duras que as da ditadura

jorge vianna 492x338 Lei antiterror proposta pelo PT sugere penas mais duras que as da ditadura

O golpe militar de 1964, que instaurou a ditadura durante 21 anos no Brasil, foi marcado por seguidos Atos Institucionais que suprimiram os direitos e garantias individuais dos cidadãos brasileiros. Vários destes cidadãos lutaram contra a ditadura e estão hoje no poder na base do governo criando/executando leis e supostamente trabalhando pela manutenção daqueles mesmos direitos e garantias individuais dos quais um dia foram privados.

Curiosamente, no entanto, é de um senador petista que parte um dos projetos de lei mais polêmicos dos últimos tempos. Paulo Paim, do PT gaúcho, quer classificar como terrorismo os atos de violência física praticados durante manifestações de rua. Paim foi prontamente apoiado por outro senador de seu partido, Jorge Viana. O acreano classificou o projeto como imprescindível.

“A lei hoje permite que o cidadão exploda primeiro, atinja a cabeça de alguém, solte um rojão e depois é que nós vamos ver o que fazer com ele. Não dá para ter uma ação preventiva de impedir que ele carregue aquele material que coloca em risco os manifestantes, a estrutura do Estado e a própria União?”

A tentativa de manter a paz não é o problema, mas toda essa histeria com relação à violência urbana, segundo artigo de Elio Gaspari, ironicamente resultou em um projeto com algumas penas mais rígidas que as da ditadura. No caso de “provocar terror ou pânico”, elas giram em torno de 15 a 30 anos; em caso de morte, sobe para 24 a 30 anos.

A pena mínima para um sabotador de quartel ou aeroporto (imputações específicas) era de 8 anos. Para assalto a banco ou sequestro de avião ela ia de 10 a 24 anos. Nos dois casos, as penas eram inferiores às que prevê o surto petista. Caso o delito resultasse em morte, a pena seria de fuzilamento. Apesar de ter havido uma condenação, ninguém foi executado dentro das normas legais.

Segundo Viana, as pessoas estão reagindo exageradamente, uma vez que “casos menos graves não poderão ser tipificados como terrorismo”, sem explicar como seria definido o limite entre o “menos” ou o “mais” grave. Mas, de subjetividade em subjetividade, o PT mais uma vez aproveita um momento de crise pelo qual passa seu governo para colocar em risco as liberdades individuais dos brasileiros.

11 de fevereiro de 2014

FLYPETISTA: A versão Partido dos Trabalhadores do jogo Flappy Bird

unnamed 337x338 FLYPETISTA: A versão Partido dos Trabalhadores do jogo Flappy Bird

Desde que o criador do jogo Flappy Bird retirou do ar sua criação, diversos fãs criaram versões alternativas e homenagens a este grande sucesso da internet.

Uma das mais divertidas sem dúvida é o FLYPETISTA, cujo objetivo é livrar o Pizzolato das garras da Lei.

Cliquem aqui e divirtam-se.

11 de fevereiro de 2014

Onda de violência no Brasil repercute internacionalmente

dilma apagao 600x338 Onda de violência no Brasil repercute internacionalmente

A guerra interna que vem assolando o Brasil e teve como estopim o caso do garoto amarrado ao poste de luz está repercutindo na mídia internacional. O britânico Guardian publicou um artigo de Nicole Froio no qual o assunto principal é como o governo brasileiro fez com que sua população se voltasse contra ela mesma.

Froio diz que, enquanto o Planalto se preocupa só com a Copa do Mundo a fim de agradar a comunidade internacional, negligenciando graves problemas internos, o povo resolveu fazer justiça com as próprias mãos. A violência crescente dos últimos anos é assustadora. Foram 33 mil pessoas assassinadas só no Rio de Janeiro entre 2007 e 2013 – 5.412 mortos em confronto com a polícia.

Para a jornalista, as atitudes do governo passam à população a mensagem de que, a despeito dos protestos, e embora apareça com mudanças a curto-prazo, no fim das contas ele vai tomar as atitudes que bem entender, causando assim uma onda de fúria e violência que tem como vítimas pessoas inocentes – caso do cinegrafista da Band, morto após ataque dos Black Blocs.

O artigo é só mais um sinal de que a imprensa internacional está despertando para a realidade brasileira. Economia, estrutura precária e alta carga tributária já foram alvo das publicações estrangeiras. Agora é a vez de a violência entrar em pauta. E, para Froio, o governo não vai conseguir controlar os ânimos com a simples decisão de não aumentar tarifas de ônibus enquanto ignora problemas seculares que são a verdadeira causa de toda a configuração da violência atual.

Bloomberg compara impopularidade de Dilma com a Copa do Mundo

O correspondente da Bloomberg para a América Latina, Raul Gallegos, estranhou o esforço que a presidência do Brasil vem desprendendo para vender futebol aos brasileiros.

“Você sabe que há um problema quando Dilma Rousseff, a presidente do Brasil –  talvez o País mais louco por futebol na Terra -, tem que recorrer a uma campanha de relações públicas para vender à população os benefícios de sediar a Copa do Mundo deste ano”.

Em seu artigo, é ressaltado que a preocupação de Dilma de fato se foca no que ocorrerá após a copa, no caso, as eleições. Contudo, com popularidade ainda em baixa (41%), mesmo com a competição ainda sendo bem vista por 63% dos brasileiros, a sua tese é de que, independente do que acontecer em junho, o brasileiro só vai quitar os acontecimentos atuais nas urnas. Que assim seja.

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