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23 de julho de 2014

O descaso de Haddad com a própria imagem evidencia falta de diálogo com o paulistano

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Após identificar benefícios da prefeitura da capital paulista, comandada por Fernando Haddad (PT), ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) no financiamento de moradias populares, o Ministério Público do Estado de São Paulo elaborou um documento no qual recomenda que o governo federal não assine novos contratos do programa Minha Casa, Minha Vida com a administração.

A representação, assinada pelo promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, foi anexada a um inquérito que investiga o financiamento habitacional na capital paulista. No texto, o promotor afirma que falta transparência da prefeitura na divulgação do cadastro de inscritos nos programas habitacionais. Em síntese, o MP afirma que a prefeitura mantém o cadastro secreto para beneficiar movimentos que promovem invasões de imóveis públicos e privados – leia-se, o MTST.

No documento, o promotor afirma que o poder público não tem força para coibir a indústria de ocupações. Em função disso, e para evitar os frequentes bloqueios que travam a capital paulista, o prefeito já fez até mesmo promessas para regularizar áreas invadidas caso o Plano Diretor fosse aprovado – algo que de fato ocorreu.

Diante dessa falta de controle administrativo, a população tem reagido nas pesquisas sobre o governo. Na última divulgação do Instituto Datafolha, a gestão de Haddad bateu o próprio recorde de avaliação negativa, com 47% de rejeição entre as 1.047 pessoas entrevistadas, ante 36% do mês de junho.

Entre os muitos motivos que levaram à insatisfação do eleitorado, é possível citar várias medidas prejudiciais à população de baixa renda, como o corte de merenda e professores de clubes-escola, o aumento das filas por vagas em creches e a redução da quantidade de material escolar distribuído na rede municipal.

A insistência de Haddad em manter-se próximo a pessoas envolvidas em escândalos também não ajuda. Ele nomeou um vereador condenado por improbidade, uma ex-secretária processada também por improbidade e a ex-ministra que foi demitida após farra com cartão corporativo. Além disso, o prefeito deixou de cumprir várias promessas feitas durante a campanha; entre elas, o “Arco do Futuro”, que era um das principais.

No entanto, mesmo após o recorde negativo, Haddad resolveu pedir afastamento para tirar férias e descansar, algo que já fez há menos de um ano, com apenas dez meses de mandato, a fim de ir à Itália comemorar seus 25 anos de casamento. À época, justificou-se afirmando que a ideia era estar presente em janeiro, quando seria mais necessário em função do período de chuvas – que não ocorreu.

De fato, não havia como prever que o mês historicamente mais chuvoso na capital paulista enfrentaria uma seca ímpar. Mas o bom senso entenderia que uma nova folga do prefeito só faria sentido após ao menos a conclusão das eleições em curso. Nem os próprios aliados compreendem bem a tática adotada pelo prefeito quando pouco ou nada faz em defesa da própria imagem. Em recente entrevista, no entanto, reclamou de perseguição da mídia, colocando-se na posição de injustiçado. Ignora Haddad que o principal responsável pelo opinião que os eleitores têm dele é o seu próprio trabalho. Todavia, nada mais natural para um partido que sempre enxergou na imprensa uma inimiga a ser domada passar a ter problemas de comunicação com a população que usufrui de seus projetos. Uma postura mais aberta ao diálogo teria engajado o paulistano naquilo que a prefeitura ainda faz de bom. É o que os opositores do PT fazem com certa maestria há pelo menos duas décadas. É o que o partido não compreende ou até mesmo aceita. Mais admiração para com a liberdade de expressão só levaria benefícios ao que pretende colocar em prática a esquerda no Brasil. Mas talvez Caetano Veloso esteja certo quando diz que o esquerdista vê nela uma espécie de “capricho burguês” de menor importância. O que sobra dessa atitude é muita reclamação e prejuízo nas urnas. A reclamação já começou. Mas, no caso de Haddad, as urnas só responderão em 2016.

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23 de julho de 2014

Apesar da “contabilidade criativa”, governo amarga números cada vez piores

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A expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2014 caiu pela oitava semana consecutiva, ficando abaixo de 1% pela primeira vez. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, o crescimento está estimado em apenas 0,97%.

A revisão para o PIB acompanha a redução nas projeções para a produção industrial. Agora, os analistas esperam contração de 1,15% nesse setor, ante queda de 0,90% na semana passada. Há um mês, o mercado via o PIB crescendo 1,16% e a produção industrial caindo 0,16%.

O mau desempenho econômico do Brasil tem custado caro a Dilma, tanto que, na expectativa de sua queda, as ações das estatais sempre se valorizam quando pesquisas de intenção de votos são divulgadas. Desde fevereiro, a presidente vem caindo gradativamente e, segundo o último levantamento da Datafolha, há empate técnico entre ela e Aécio Neves, candidato do PSDB, em um possível segundo turno – 44% contra 40%, respectivamente.

Alguns dados específicos ajudam a compreender as dificuldades da campanha petista – que, duas semanas após o início do período eleitoral, ainda não foi às ruas. O cenário é pior nas grandes cidades, que normalmente antecipam tendências gerais do eleitorado. Nos municípios com mais de 500.000 habitantes, a avaliação positiva do governo passou de 30% para 25% do eleitorado. Os que rejeitam a gestão de Dilma agora são 37%, ante 31% no último levantamento. Ela perderia as eleições nessas cidades, assim como nos municípios que têm entre 200.000 e 500.000 moradores.

Até mesmo no Nordeste, conhecido reduto petista, houve queda nas intenções de voto – de 55% para 49% –, e, considerando uma disputa com Aécio no segundo turno, Dilma perderia em três das quatro faixas de renda consideradas pelo Datafolha.

Ela venceria apenas entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, onde ela perdeu três pontos percentuais na última pesquisa. Dilma também é derrotada no segundo turno entre os eleitores escolaridade de nível médio ou superior. Venceria somente no grupo que estudou até o ensino fundamental.

Segundo analistas ouvidos pelo Globo, a Copa do Mundo maquiou a realidade durante a competição, dando uma sensação de melhora do governo, mas, agora que a população voltou a enfrentar os problemas do dia a dia, a insatisfação retornou.

— O que vemos é a classe média dos grandes centros urbanos voltando à realidade, enfrentando caos no trânsito, assalto na porta de casa e aumento nos preços nas prateleiras. Apesar de essa culpa não ser exclusiva do governo federal, o crescimento dessa insatisfação hoje nada mais é do que o preço das inúmeras promessas que foram feitas e, até agora, não foram cumpridas — afirma o analista político e professor do Insper-SP Carlos Melo.

Não deixa de ser irônico que justamente o governo que defendia o uso do que chamava de “contabilidade criativa” esteja sofrendo cada vez mais com números pouco louváveis. É de se perguntar como estaria a aprovação de Dilma e sua trupe caso não tivessem manipulado tantos índices de forma a esconder a realidade dos brasileiros. Contudo, com ou sem planilhas que os defendam, o bolso do brasileiro sabe onde aperta. Tanta insatisfação independe do que diz o ministro da economia e se reflete cada vez mais nas intenções de voto. Ao contrário do que prega o atual discurso da presidente, o problema do país talvez não esteja no grito dos pessimistas, mas no falso otimismo daqueles que tentam defender um governo sem rumo, atrasando cada vez mais as medidas necessárias para o Brasil voltar à linha.

21 de julho de 2014

Por medo de vaias, Dilma pretende evitar seus possíveis eleitores nas ruas

Após a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff e as seguidas vaias recebidas por ela em eventos públicos, o comitê da campanha de sua reeleição resolveu dar prioridade a eventos fechados, fazendo-a ironicamente se esconder justamente das camadas mais populares que ela diz representar.

Com a popularidade em baixa, Dilma participará mais de eventos fechados e de meia dúzia de comícios, mas seu primeiro compromisso de campanha será com sindicalistas, em São Paulo. Para “vender” a imagem da presidente que está “ao lado do povo”, Dilma vai vestir o figurino de candidata na plenária da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no próximo dia 31, organizada sob medida para enaltecer os feitos do governo.

As vaias sofridas por Dilma foram tantas que surgiu até mesmo um “mapa das vaias“, que, embora esteja um pouco desatualizado, registra várias notícias a respeito da recepção nada calorosa à presidente em diversas cidades de todas as regiões do país. Essa hostilidade começou após os protestos ocorridos em junho de 2013. Há até mesmo vídeos nos quais a população, de suas casas, vaia o pronunciamento a respeito das manifestações.

Mas o primeiro momento constrangedor se deu durante a abertura da Copa das Confederações, quando Dilma e Joseph Blatter foram alvo de protestos durante o discurso que precedeu a partida. O presidente da Fifa chegou a pedir respeito e fair-play ao público, mas, desde então, as vaias passaram a ser cada vez mais frequentes.

Na abertura da Copa do Mundo, a presidente nem mesmo discursou, mas foi novamente hostilizada pelos presentes em vários momentos do jogo entre Brasil e Croácia.

Xingamentos contra a presidente foram ouvidos em dois momentos antes da partida: após a chegada de Dilma ao estádio e após a execução do hino nacional, já a poucos minutos do início do jogo. No segundo tempo, Dilma foi xingada mais duas vezes.

Com a consolidação do torneio, no entanto, Dilma resolveu entregar a taça à seleção campeã após a partida final no Macaranã, mas nada impediu que ela, com o semblante visivelmente constrangido e tentando livrar-se do troféu o mais rapidamente possível, fosse vaiada mais uma vez.

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Mas o estrago para a campanha petista pode ser muito maior. Diferentemente dos 83% de aprovação do governo Lula, os 32% de aprovação de Dilma, somados aos 29% que hoje a reprovam, não estimulam os aliados políticos de sua enorme coligação a pedirem votos. O tempo de TV da atual presidente é enorme, mas a audiência do horário político não costuma ser relevante a partir da segunda semana de horário eleitoral, o que torna o fenômeno da transferência de voto um recurso válido até os dias de hoje. E a ausência de comícios de rua, assim como de quem a peça voto, atingirá em cheio a camada da população que mais lhe promete votos. Nunca antes na história do país o cenário esteve tão favorável para que o PT não conseguisse se reeleger.

21 de julho de 2014

Campanha de Aécio Neves apresenta documentos que provam a legalidade da pista de pouso em Cláudio/MG

A Folha de São Paulo publicou ontem (20) uma matéria na qual afirma que o governo de Minas Gerais, no fim do segundo mandato de Aécio Neves, gastou quase R$ 14 milhões para construir um aeroporto nas terras de um parente do senador. Ainda de acordo com a reportagem, as chaves do local ficam com a família de Múcio Guimarães Tolentino, tio-avó de Aécio, e o pouso lá só é permitido com autorização dos filhos dele.

A fim de desmentir os inúmeros equívocos da matéria, a assessoria do candidato tucano à presidência publicou vários esclarecimentos em sua fanpage no Facebook. Ao contrário do que se afirmou, a terra não é de propriedade do tio de Aécio, mas sim do Estado, e nem mesmo ocorreu a construção de um novo aeroporto. O local foi escolhido por já possuir uma pista de pouso, que foi aproveitada a fim de reduzir os gastos com a obra.

Não se trata também de construção de um novo aeroporto, mas de melhorias realizadas em pista de pouso que existia há mais de 20 anos no local, realizadas por meio do ProAero, programa criado no governo Aécio Neves e que garantiu investimentos em inúmeros aeroportos do Estado.

A própria matéria da Folha afirma que houve a desapropriação da área antes da licitação do aeroporto, cuja indenização ainda é discutida na justiça porque o antigo proprietário não concordou com o valor pago pelo terreno. No caso, desde 2008, o espaço no qual seria investido o dinheiro público já pertencia ao poder público, conforme documento trazido à tona pelo blog de Reinaldo Azevedo:

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Além disso, o local só não estaria funcionando ainda porque aguarda homologação da ANAC, que, como atesta o documento apresentado pela assessoria do candidato, foi solicitada no dia 22 de julho de 2011.

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Os esclarecimentos de Aécio também destacam que a reportagem ignorou o fato de que, no interior do país, é comum manter aeroportos locais (sem voos comerciais) e pistas de pouso fechados a fim de evitar invasões e danos que possam oferecer riscos.

Ao ignorar esse fato, a reportagem deu a entender que o acesso à pista feito de forma controlada no município de Cláudio constitui algum tipo de exceção.

Em época de campanha, infelizmente é comum vir à tona todo tipo de desinformação de forma a confundir o eleitorado. Mesmo em seus primeiros dias, quando, em tese, há bastante tempo para os candidatos trabalharem os votos que almejam. Com essa, é a segunda vez em menos de uma semana que a campanha de Aécio Neves precisa vir a público esclarecer informações equivocadas que soltam a respeito do candidato tucano. Na semana passada, o perfil oficial no facebook da presidente Dilma Rousseff tinha se valido de inverdades para atacar seu principal adversário em outubro. Contudo, por possui pernas curtas, a mentira não foi muito longe.

19 de julho de 2014

Em nítido desespero após pesquisa desfavorável, Dilma distorce palavras de Aécio Neves sobre Mais Médicos

tá feia a coisa

tá feia a coisa

Que em algum momento a campanha de Dilma sentiria o avanço da oposição e partiria para expedientes questionáveis, poucos tinham dúvidas. Espanta, no entanto, a rapidez com que essa estratégia foi posta em prática. Através da conta oficial da campanha no Facebook e após a divulgação de pesquisa Datafolha que mostra um empate técnico entre ambos no segundo turno, a candidata à reeleição mentiu sobre o posicionando de Aécio Neves, seu principal adversário, dizendo ser ele contra o programa Mais Médicos. Disse a atual presidente em conversa com eleitores:

Para nós, as críticas ao programa feitas pelo senador não significam uma sugestão para a melhoria do programa. Na verdade, essas críticas demonstram simplesmente que o senador é contra o Mais Médicos.

Mas as exatas palavras do candidato do PSDB, ditas em sabatina para a Folha de São Paulo, SBT, UOL e Jovem Pan, desmentem a presidente Dilma:

Nós vamos manter os Mais Médicos, vamos fazer com que eles se qualifiquem e estabelecer novas regras para os médicos. Não vamos aceitar as regras do governo cubano.

As ressalvas à atuação do governo cubano junto ao programa referem-se ao fato de que muitos especialistas considerarem as relações trabalhistas envolvidas com a ditadura dos irmãos Castro um situação análoga ao do trabalho escravo. Segundo o jurista Ives Gandra, os médicos cubanos vivem uma situação inaceitável em uma democracia como a brasileira:

Nós estamos evidentemente com um regime jurídico para todos os médicos estrangeiros e um regime de escravidão para os médicos cubanos.

Quatro em cada cinco médicos que participam do Mais Médicos vieram de Cuba. O próprio Ministério Público do Trabalho investigou irregularidades do programa concernentes à contratação e ao pagamento destes profissionais. O governo brasileiro paga R$ 10.400 aos médicos estrangeiros, mas os cubanos ficavam com apenas 25% desse valor – cerca de R$ 2.350. O total era repassado à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que envia, sem qualquer prestação de contas, o restante para Cuba e retém parte do montante destinado aos médicos, que no fim das contas recebiam apenas R$ 940. O governo chegou a anunciar um aumento do repasse aos cubanos de forma a chegar a 3 mil reais, ou apenas 30% do valor que os profissionais de outros países recebem pelo mesmo serviço.

Da maneira como foi formatado e com a pressa com a qual foi executado, o programa Mais Médicos buscava fortalecer o nome do então Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na corrida pelo governo de São Paulo. De alguma forma, no entanto, o efeito esperado não foi obtido. Na mais recente pesquisa Datafolha, o candidato petista amarga fracos 4% das intenções de voto, contra os 54% do atual governador, Geraldo Alckmin.

17 de julho de 2014

Ao contrário do informado à Justiça Eleitoral, Skaf não tem o ensino superior completo

Paulo Skaf e Dilma Rousseff - skaf e dilma

Deu na Folha de hoje, coluna Painel (segue trecho)

Sem diploma – A ficha de Paulo Skaf na Justiça Eleitoral afirma que ele tem ensino superior completo. O candidato do PMDB ao governo paulista nunca concluiu o curso de administração.

Ops! – A equipe jurídica do empresário reconhece que prestou informação errada sobre seu currículo. Prometeu corrigir os dados hoje. (grifos nossos)

Mais essa, Skaf? Além de ser candidato da Dilma e do Maluf (veja aqui), e de não conhecer nem minimamente o estado que alega querer governar (veja aqui), agora a info um tanto exagerada sobre formação escolar?

Ora, não há vergonha alguma em ter apenas o segundo grau (antigo “colegial”). O problema é quando se tenta passar uma imagem super ultra mega técnica e a realidade dos fatos não confirma o perfil do marketing.

Quanto ao mais, continua valendo a regra segundo a qual, curiosamente, quase ninguém erra “pra menos”. E é aquilo: não dá para fazer implante de tudo, formação acadêmica é coisa séria.

16 de julho de 2014

Suplente de Suplicy é “homem de confiança” de um dos presos do Mensalão

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Na cerimônia em que o PR confirmou apoio à candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, também foi anunciado que José Tadeu Candelária, presidente do PR-SP, será o suplente de Eduardo Suplicy, candidato do PT ao senado. Candelária é homem de confiança de Valdemar Costa Neto (PR), envolvido no escândalo do mensalão.

Em 2005, Costa Neto renunciou ao mandato de deputado federal para fugir do processo de cassação a fim de se reeleger posteriormente. Em 2012, foi julgado e condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Recebeu pena de 7 anos e 10 meses de detenção e multa de 1,6 milhão de reais. Atualmente, encontra-se preso na Penitenciária da Papuda.

Além da ligação com o ex-deputado, Candelária também já se envolveu diretamente em escândalos. Durante investigação em 2006, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, “cogitou pedir a prisão dos 40 acusados de envolvimento com o que chamou de ‘organização criminosa’ que tinha como objetivo ‘manter o PT’ no poder”. Candelária, então presidente do PL no Estado de São Paulo, era uma dessas pessoas.

[Lúcio Bolonha] Funaro contou que, ao longo de 2003, entregou valores em dinheiro ao “sr. José Tadeu Candelária no escritório do PL de Mogi das Cruzes (SP)” a pedido do presidente do partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP).

Existe até mesmo um recibo rubricado por Candelária no qual ele atesta ter recebido o valor de R$ 105.557 do doleiro Lúcio Bolonha. O montante seria uma das parcelas dos R$ 4 milhões pedidos por Valdemar Costa Neto para financiar a campanha de seus prefeitos.

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Mesmo preso, Valdemar Costa Neto continua interferindo nos rumos do país. No final de junho, de dentro do presídio da Papuda, fez pressão para que Dilma mudasse dois de seus ministros para só assim garantir mais tempo de TV na campanha eleitoral do PT.

Segundo a Folha apurou, ambas as decisões passaram por políticos que estão presos. No caso do PR, a ordem de demitir César Borges contou com aval de Valdemar Costa Neto, preso no Complexo Penitenciário da Papuda devido à condenação no processo do mensalão.

Não se sabe até que ponto pessoas envolvidas em escândalos ajudarão Suplicy a se reeleger, já que, após três mandatos como senador – 24 anos no total –, ele corre sérios riscos de perder a disputa pela única vaga disponível para José Serra, candidato tucano que, de acordo com pesquisa do Instituto Datafolha, lidera a disputa.

16 de julho de 2014

O desejo governista de descolar a Copa das eleições se tornou quase impossível

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Após passar anos tentando utilizar a Copa ao seu favor, a gestão petista, após a humilhante derrota da seleção brasileira para a Alemanha, tenta agora desvencilhar sua imagem do Mundial. Coincidência ou não, as mesmas vozes que pediam por “mais copa” nas redes sociais aos poucos passaram a condenar qualquer tentativa de relacionar o evento esportivo aos rumos políticos do país – o que, a essa altura do campeonato, já se tornou uma tarefa praticamente impossível.

Foi o próprio governo, na voz de Aldo Rebelo, quem no dia seguinte achou que a solução seria uma maior intervenção estatal nos rumos do futebol. Já Dilma sugeriu medidas para a renovação do futebol brasileiro, que deveria, segundo ela, parar de exportar talentos para times estrangeiros.

“Quando eu falei antes que o futebol brasileiro deve ser renovado, o que eu quis dizer é que o Brasil não pode mais ser apenas exportador de jogadores. Exportar jogadores significa que estamos abrindo mão de nossa principal atração, que pode ajudar a lotar os estádios”, disse.

“Até porque, qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar a torcida ver os craques. Há anos, muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora, então renovar o futebol no Brasil depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”, continuou.

Especialistas não acreditam que o fracasso da seleção brasileira afete o humor nacional de forma prolongada. O mesmo não se pode falar a curto prazo, já que as reações do mercado evidenciaram outra realidade. Alguns dias após a derrota, as ações da Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras apresentaram alta na Ibovespa, subindo mais de 2,5% após especulações a respeito da queda de Dilma nas intenções de voto.

Desde início das pesquisas eleitorais, em março, as estatais chegaram a valorizar 32% na bolsa brasileira, após Dilma recuar nas intenções de votos. A Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil foram dos 220 bilhões de reais para 291 bilhões em valor de mercado.

Na última quarta-feira, feriado no Brasil, os ADRs (American Depositary Recepts) da Petrobras, recibos de ações da estatal listados nos Estados Unidos, disparavam 5% na bolsa americana Nyse.

Nem mesmo as iniciativas “sociais” do governo lograram êxito no evento. As 48 mil entradas destinadas a escolas públicas e beneficiados por programas sociais acabaram servindo para abastecer o esquema milionário de venda ilegal de ingressos, desbaratado pela operação Jules Rimet.

Em uma das gravações interceptadas pela polícia, um cambista ainda não identificado diz a Sergio Antônio de Lima, integrante da quadrilha que está preso desde 1.º de julho: “As escolas aqui (em Fortaleza) ganharam 7.500 ingressos, que vieram para a ‘rua’. Mas vou fazer o maior esforço para vender no menor preço possível”, disse.

Até a campanha da presidente vem sendo afetada pelas discordâncias a respeito do tom adotado após a derrota. Declarações sobre a CBF já provocaram atritos dentro do comitê que cuida de sua reeleição. Franklin Martins, ex-ministro de Lula e um dos coordenadores desse comitê, ameaçou deixar o cargo após interlocutores do Planalto solicitarem a retirada de um texto do site da campanha – o “Muda Mais” – no qual a Confederação é criticada.

Irritado, ele chegou a ameaçar deixar a campanha depois que integrantes do comitê ligados a Dilma pediram que fosse retirado o texto que apontava a CBF como responsável pela desorganização do futebol. “Impera na CBF um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente. É preciso mudar”, diz o texto do site.

O pedido de retirada do post, no mesmo dia em que Dilma reclamou com o ministro Aldo Rebelo (Esporte) sobre suas declarações defendendo uma intervenção no futebol, não foi atendido por Franklin.

Curiosamente, nenhum desses contratempos partiu de iniciativas oposicionistas, mas de trapalhadas do próprio governo. Dilma tenta a todo custo transferir a culpa de qualquer possível falha a ações de terceiros que chama de “pessimistas”. Cabe à oposição esclarecer ao eleitorado que o pessimismo nunca foi a causa de um evento para lá de questionável, mas a consequência dele. Em outubro, a população dará o veredicto.

15 de julho de 2014

A Copa acabou e o que vem agora é um segundo semestre bastante complicado para o país

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Por mais que o governo tente amenizar maquiando como pode os problemas vividos pelo país, os próximos meses prometem ser complicados para o Brasil. A inflação, por exemplo, já acumulou alta de 6,52% nos últimos 12 meses, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 6,5%. No primeiro semestre de 2014, ela já fechou 0,6% mais alta do que no mesmo período do ano passado.

Mas esse índice estaria ainda pior se Mantega não se valesse do que ele mesmo chama de “contabilidade criativa”, uma tentativa disfarçada de manipular índices por meio de artifícios condenados pelo bom senso, como o congelamento de preços. Segundo estimativa de Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs Group Inc., eles já estariam subindo quase 8% sem esse controle, cujas consequências devem aparecer já em 2015.

O vencedor da eleição presidencial de outubro sofrerá as consequências das políticas que seguraram os preços da energia elétrica em 30 por cento, as tarifas dos ônibus urbanos em 20 por cento e os preços da gasolina em 15 por cento desde 2011, segundo dados da empresa Modal Asset Management, com sede no Rio de Janeiro.

Levantar os controles irá desencadear pressões que manterão a inflação acima do ponto médio da meta pelo sexto ano seguido.

A situação está tão complexa que os brasileiros já não mais conseguem economizar como antes. De acordo com dados do Banco Central, em função dos juros altos e da inflação, a captação líquida da caderneta de poupança caiu 66% nos primeiros seis meses do ano.

— A poupança é função da renda, e a renda não está crescendo. A queda da captação líquida da poupança é uma tendência, porque cada vez mais vai sobrar menos dinheiro para economizar — diz o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito.

Enquanto isso, a expectativa do crescimento do PIB cai semana após semana. Agora, os economistas de instituições financeiras apostam em uma expansão de apenas 1,07%, o que já ligou o alerta até de publicações internacionais. O britânico Financial Times afirmou que Dilma deve esquecer Neymar e pensar nas eleições e na economia, e revelou projeções ainda piores para o país.

E, conforme ressalta o blog, as previsões de alguns economistas são ainda mais sombrias, caso do BNP Paribas, que prevê um crescimento de apenas 1% neste ano e no próximo. A inflação também preocupa, aproximando-se do teto da meta (6,5% ao ano), enquanto os números da produção industrial são verdadeiramente desanimadores. Os dados da indústria mostraram uma queda de 3,2% no ano até maio, com a produção de bens de capital caindo 9,7%, bens intermediários registrando uma contração de 2,8% e bens de consumo, 2,2%.

Grandes eventos esportivos sempre estiveram na mira dos políticos mais questionáveis. Desde Mussollini e Hitler usando respectivamente a Copa de 34 e as Olimpíadas de 38 para propagar o fascismo e o nazismo, a Fidel Castro nos jogos pan-americanos de 91 e a China se vendendo ao mundo nos jogos de 2008. Em sua época mais complexa, Estados Unidos e União Soviética se boicotaram mutuamente quando sediaram a maior competição do planeta em 1980 e 1984. Quando o PT assinou o cheque em branco da realização de um Copa do Mundo no Brasil, mirava nos benefícios de um terceiro mandato em 2010, com forte possibilidade de quarto mandato nas eleições de 2014. O primeiro se confirmou. Quanto ao segundo, manteve a esperança acesa até a véspera das semifinais, quando Dilma chegou a se fotografar fazendo gestos em apoio aos jogadores. Após o trágico “7×1″ sofrido contra a Alemanha, o “#tamojunto” virou uma reunião de emergência para descobrir uma maneira de descolar a imagem do partido da competição. Nesse sentido, o Financial Times pode ficar tranquilo: esquecer Neymar e sua trupe é tudo o que Dilma mais quer neste exato momento.

14 de julho de 2014

Paulo Skaf apela no Twitter… mas atinge aliado de sua própria chapa!

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Esse é um daqueles casos em que a ignorância abraça a má-fé. Acompanhem. Paulo Skaf, candidato de Dilma (sim, dela! vejam aqui) ao governo de SP, resolve partir para o ataque sem noção e apela:

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Forte, né? O problema – para ele – é que Itu não é da alçada da Sabesp, vez que tem seu próprio sistema de abastecimento por meio da empresa Águas de Itu. Não pára por aí: o prefeito, ainda por cima, é ALIADO DE PAULO SKAF! É mole?

O camarada a quem ele acusa (sobrou para ele o tuíte, ora pois!) de “mau gestor” é o prefeito Sr. Antonio Luiz Carvalho Gomes, o Tuíze, do PSD. Ele sucedeu Herculano Passos Jr., também do PSD, que é candidato deputado federal na chapa de Skaf. Herculano, por sinal, é cunhado de Luiz Antônio Fleury Filho, coordenador da campanha de Skaf.

Que vacilo, Skaf! Foi com tudo pra cima do adversário e acabou acertando, ainda que indiretamente, o coordenador da SUA CAMPANHA!

Certamente a (brilhante) assessoria de Paulo Skaf deve ter achado razoável tratar como problema de “gestão” a pior seca dos últimos 84 anos. Convenhamos, ninguém estava esperando campanha de alto nível, tanto mais quando se tem apoio expresso da Dilma (sério, vejam aqui) e ainda por cima o Maluf (é mole?, tá aqui) na coligação.

Mas, ao menos, o candidato deveria conhecer um pouco mais do estado que alega querer governar. Preparo é algo fundamental, não adianta fingir – porque uma hora a verdade aparece e fica feio (e estão aí Dilma e Haddad que não nos deixam mentir).

No mais, vamos facilitar para o candidato: NÃO CAIA NA BESTEIRA de xingar Tambaú (vejam aqui) e Viradouro (confiram comigo aqui), outras duas cidades que enfrentam racionamento. Assim como Itu, também são geridas por aliados de Skaf, do PSD (Roni Astolfo e Maicon Lopes, respectivamente), e mantêm sistemas municipais de abastecimento.

Em tempo: pessoal do DCE também precisa ficar ligeiro na hora de dizer que a seca histórica é “problema de gestão” – e nem digo isso apenas pelo absurdo que o PT (não) fez na transposição do São Francisco, que custou bilhões e nunca ficou pronta. Falo aqui de Guarulhos, prefeitura do PT há anos, que também tem empresa própria de água (vejam aqui). E claro que a cidade está enfrentando problemas, já que ninguém sabe fazer a dança da chuva.

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