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5 de junho de 2013

Dia das Prostitutas: Ministro Padilha pede desculpa a Marco Feliciano

A manchete parece louca ou até sacana, mas é vergonhosamente verdadeira: o Ministério da Saúde, do qual Padilha é titular, publicou propagandas por conta do Dia da Prostituta, sendo que uma delas dizia “sou feliz sendo prostituta”. Claro que gerou polêmica, como vocês podem ver aqui.

E o que faz o Ministro? O que qualquer um (de rabo preso com a bancada evangélica radical) faria: pediu DESCULPAS a Marco Feliciano. Sim, isso mesmo, AQUELE Marco Feliciano, que os petistas fingem não gostar nas redes sociais, mas do qual dependem para suas alianças eleitorais. Confiram aqui e na imagem abaixo:

feliciano padilha  Dia das Prostitutas: Ministro Padilha pede desculpa a Marco Feliciano

O pastor e aliado agradece pelo carinho do ministro petista.

Guarde com carinho esse post, porque no ano que vem os petistas farão campanha dizendo que o adversário (seja quem for) apela para radicalismo religioso. É a mesma mentira de sempre, agora com uma rara (parecia impossível!) prova MATERIAL de quem leva a campanha para esse lado e, mais ainda, enfurna em cargos públicos os evangélicos mais radicais (valendo lembrar que Crivella, nada menos que sobrinho de Edir Macedo, é Ministro da Pesca – acreditem, é verdade).

Essa coisa de fazer propaganda ou cartilha é um truque velho: escalões inferiores preparam material “polêmico”, de modo a agradar a militância e/ou municiar os setoriais do partido da área respectiva, para que alardeiem as iniciativas em prol da causa por parte do governo. Daí acontece o óbvio e previsível bafafá e alguém lá de cima atropela tudo, selando as pazes com setores conservadores – cabendo à militância setorizada dizer que os avanços vêm com o tempo tal e coisa.

De todo modo, guardem isso. Será útil em 2014 quando o amiguinho petista vier encher o saco falando em Estado Laico ou dizendo que os outros apelam para isso e aquilo. Quem apela são eles, que ainda por cima ligam para pedir desculpas a Marco Feliciano – que, afinal de contas, é um aliado.

ps – acha que é PÔKA ZUÊRA? Pois já estavam comprometidos – veja aqui.

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4 de junho de 2013

Com Haddad, professores ficam sem salário e vagas em creches são fechadas

Haddad começou a sua gestão com um déficit de  94 mil crianças a espera de vagas em creches. Passados cinco meses, o déficit aumentou para 111 mil crianças esperando vagas (maio de 2013). Em campanha, Haddad prometeu abrir 150 mil vagas, ele repetia constantemente que “o dinheiro já está disponível”. Para cumprir a promessa, Haddad precisa abrir uma média superior a 100 novas vagas por dia.  Já se passaram mais de 150 dias de governo e até agora não se tem notícia de uma única nova vaga aberta na cidade. Pelo contrário, matérias veiculadas sobre este assunto informam que a gestão do petista já fechou 1.000 vagas que estavam em pleno funcionamento. A consequência disto é que só nos quatro primeiros meses do ano, a Prefeitura de São Paulo recebeu 7.408 decisões judiciais obrigando o Município a matricular crianças em creches, uma média de 62 decisões por dia. O montante é quase o mesmo do registrado ao longo de todo o ano de 2012. A explosão de decisões é reflexo da fila que só cresce e da morosidade do governo Haddad  na criação de vagas. A Defensoria pública alega que meta de Haddad “não vai sair do papel, pois há problemas de planejamento”. E que o Secretário Municipal de Educação “diz que tem 98 imóveis para desapropriar, mas só duas pessoas para fazer o processo. É impossível fazer no prazo”. Já o Secretário Municipal da Educação petista, Cesar Callegari, repetindo Kassab, agora aliado de Haddad,  afirmou sem cerimônia que “o compromisso é eliminar o déficit de creche  durante os quatro anos do governo”.

Mentira repetida

Não é primeira vez que o  infla números que sabe que não vai conseguir cumprir e,  depois  faz propaganda enganosa sobre o assunto,  ludibriando a população mais simples que não tem como aferir os números que ele despeja em peças de marketing sem o menor compromisso com a verdade. Como Ministro da Educação  Haddad inventou o  Pró-infância,  programa de construção de creches  do Governo Federal em parceria com os municípios. O programa foi criado em 2007, até o ano passado tinham sido erguidas 292 unidades, uma média de 48 creches por ano. Haddad propagandeava que tinha criado 6 mil novas creches em suas peças publicitárias, mas na verdade não tinha entregue nem 300 unidades. Destas nenhuma foi erguida na cidade de São Paulo.

No topo deste post reunimos algumas das promessas feitas por Haddad durante o período eleitoral, além das mentiras sobre a criação de creches durante sua gestão no Ministério da Educação.

2 de junho de 2013

Governo impõe sigilo sobre gastos de Dilma no exterior

dilma avião 640x300 600x281 Governo impõe sigilo sobre gastos de Dilma no exterior

Informação do portal iG:

O governo colocou sob sigilo todas as informações relativas às viagens que a presidente Dilma Rousseff ou seu vice, Michel Temer, já fizeram ou vierem a fazer ao exterior. Os dados só poderão ser divulgados depois que ela deixar o Palácio do Planalto, em 31 de dezembro de 2014. Ou, se reeleita, de 2018.

A decisão ocorre num momento em que o governo está sendo questionado sobre o tamanho das comitivas presidenciais – e dos gastos – no exterior. Além disso, ela impedirá que esses dados venham à luz durante a campanha eleitoral de 2014.

Extratos de uma comunicação classificada do Itamaraty, a que o iG teve acesso, determina a reclassificação de todos os expedientes e documentos relacionados às visitas ao exterior de Dilma ou do vice, feitas desde que ela tomou posse, em 1º de janeiro de 2011. A regra se aplica também às viagens que forem feitas “futuramente”.

No mínimo, esses materiais deverão receber o carimbo de “reservados”, categoria que prevê sigilo de cinco anos desde a sua produção. Mas podem ser reclassificados como secretos, o que os deixará 15 anos na sombra, ou como ultrassecretos – 25 anos.

Quando Dilma deixar o poder, o sigilo poderá será levantado, segundo o documento. A justificativa legal para classificar os documentos será a da segurança. A Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), a LAI, permite colocar sob sigilo, até que o presidente da República e o vice deixem os cargos, dados que possam pô-los em risco. A proteção se aplica aos cônjuges e filhos de ambos.

‘Estrito cumprimento da lei’

O Itamaraty não confirmou o exato teor do documento. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, “as medidas de reclassificação são feitas em estrito cumprimento à Lei de Acesso à Informação”.

Procurada na tarde desta quinta-feira (30), a chancelaria não disponibilizou um porta-voz para explicar de onde partiu a ordem e por que ela foi emitida no atual momento.

Dilma foi a presidente que sancionou LAI em 2011. Em 3 de julho de 2012, ressaltou que o texto determina “que o acesso agora é a regra e o sigilo passou a ser a exceção.”

Na prática, entretanto, a comunicação tornou regra que qualquer informação sobre viagens da presidente ao exterior ficará de fora do alcance da LAI até o fim da era Dilma.

‘Totalmente desarrazoado’

A ordem de reclassificar os documentos foi distribuída a funcionários do Itamaraty no Brasil e a toda a rede consular do País no exterior nos últimos dias, segundo duas fontes da pasta ouvidas pela reportagem. Outras duas fontes, da mesma pasta, confirmaram a existência do documento e o seu teor, mas não o texto exato. Todas pediram anonimato.

Uma das fontes afirma que definir de forma indiscriminada o sigilo de informações sobre viagens presidenciais para frente e desde o início do mandato é algo inédito nos anais do governo brasileiro. Reconhecendo que, normalmente, algumas informações das viagens presidenciais já são tratadas de forma confidencial, esta fonte ressalta que dados corriqueiros não precisam ser tratados de forma secreta.

Segundo outra fonte, a comunicação deixa bem claro que, embora o sigilo tenha sido determinado para qualquer informação, há preocupação singular com os gastos. O texto fala em “faturas” e “boletos”.

De acordo com essa fonte, em teste a determinação de sigilo se aplica a qualquer informação relativa à viagem. Mas quando se fala em faturas, está claro que há uma referência específica às despesas, avalia ela. Impor o sigilo a dados de viagens passadas por motivo de segurança seria totalmente desarrazoado, pois a divulgação ocorreria quando a pessoa já voltou para o Brasil e está sã e salva.

Para essa fonte, o sigilo se aplicará também aos gastos de todos os membros das comitivas, e não só da presidente. Em março, a BBC revelou que Dilma gastou R$ 11,6 milhões em 35 viagens feitas entre 2011 e 2012. Desses, R$ 433 mil foram dispendidos em escalas feitas em países nos quais a presidente não tinha nenhum compromisso oficial. Os dados foram obtidos por meio da LAI.

No mesmo mês, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), fez um requerimento via mesa do Senado para que o governo detalhasse os gastos realizados durante a viagem de Dilma a Roma para a missa inaugural do Papa Francisco. A visita custou ao menos R$ 324 mil. À reportagem, o parlamantar disse ainda não ter recebido resposta.

O iG solicitou no dia 28 de maio informações sobre os gastos da presidente à Etiópia. A LAI prevê que a informação seja divulgada imediatamente, se estiver disponível, ou num prazo máximo de 30 dias. Os dados não foram repassados até a conclusão desta reportagem.

(grifos nossos)

29 de maio de 2013

Nova Enquete no Ar: Quem é o “filhinho de papai” mais engajado?

1 a 1 usp direita vs esquerda filhinho de papai 600x320 Nova Enquete no Ar: Quem é o filhinho de papai mais engajado?

Inspirados pelo espírito crítico e inquisidor de nossa musa Cynara Menezes, que divulgou em seu perfil no Twitter enquete relacionando “filhinhos de papai” a reacionarismo, resolvemos também criar uma para homenagear rapazes igualmente bem nascidos, mas em berço “progressista”.

Para ajudar a definir seu voto, segue breve currículo das realizações de cada um dos candidatos:

  • Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha: Filho mais velho do ex-presidente Lula, nunca se importou com bens materiais ou realizações pequeno-burguesas até o pai assumir a Presidência. É verdade que depois disso ele decepcionou um pouco, tendo montado empresa pequena que seria vendida por milhões a concessionária de serviço público, mas de qualquer forma seu esforço anterior merece menção honrosa.
  • Luís Cláudio Lula da Silva, o “Lulinha Football” (ex-Lulinha Futebol): Outro filho do ex-presidente, curiosamente com o mesmo apelido, mas este com currículo diverso. Aos 15, já levava representantes do proletariado seus amigos para viajar de avião da FAB e tomar banho de piscina em palácio presidencial. Já adulto, interessou-se pelo esporte das massas, e teve breve carreira como auxiliar-técnico dos QUATRO grandes clubes de SP, contratado sempre devido aos próprios méritos, claro. Depois enjoou do futebol, deu a conta @LulinhaFutebol no Twitter para o atacante Lulinha (ex-Corinthians, hoje no Ceará), criou outra @LulinhaFootball e resolveu virar manager de Football, aquele da bola oval…
  • Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, o Supla: Apesar de ter pai e mãe na política, nunca teve atuação na área. Realizações? Talvez ele já tenha pedido para o pai parar de cantar em alguma reunião de família?
  • José Carlos Becker de Oliveira e Silva, o Zeca Dirceu: Único desta lista que resolveu enveredar pelo mundo da política, o filho do ex-ministro-chefe da Casa Civil e futuro presidiário condenado por corrupção ativa José Dirceu foi prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR) e hoje é deputado federal pelo PT.
  • Kim Jong-Un: Por fim, um candidato internacional, para provar que no mundo inteiro existem “filhinhos de papai” ultramimados que mesmo assim não perdem a consciência social.

Quem é o “filhinho de papai progressista” mais engajado com as causas sociais?

  • Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha (37%, 1.083 Votes)
  • Kim Jong-Un (26%, 753 Votes)
  • Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, o Supla (17%, 510 Votes)
  • Luís Cláudio Lula da Silva, o “Lulinha Football” (ex-Lulinha Futebol) (12%, 352 Votes)
  • José Carlos Becker de Oliveira e Silva, o Zeca Dirceu (8%, 251 Votes)

Total Voters: 2.949

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29 de maio de 2013

Depois de explorar incêndio em favela, Haddad corta auxílio aluguel de moradores

Durante o período eleitoral, Haddad deu entrevistas indignado com os incêndios ocorridos nas favelas da capital e,  como não podia deixar de ser, explorou o assunto eleitoreiramente. Dizia que iria reativar um plano,  que nunca ninguém viu,  de prevenção supostamente  implantado por Marta Suplicy. Em um triste episódio, ele chegou a gravar programa eleitoral explorando o sofrimento alheio sem pudor em benefício próprio,  depois que aconteceu um incêndio na favela do Moinho.

Passado quase seis meses depois da posse, o plano de prevenção de incêndios de Haddad continua do mesmo jeito que era no tempo de Marta Suplicy: ninguém sabe ninguém viu. Já o pagamento de auxílio aluguel sumiu. Algumas famílias que tiveram suas casas destruídas pelo incêndio ocorrido em setembro do ano passado na favela do Piolho, na zona sul da capital, voltaram a construir barracos  no local. Resultado: a prefeitura ao invés de fiscalizar as famílias irregulares cortou o benefício em dinheiro  de todos os desabrigados.

Já na favela do Moinho a situação de risco continua a mesma, parte dos 300 desabrigados recebem  auxílio-aluguel, mas outra parte não conseguiu o benefício e montou barracos ao lado da área incendiada em setembro do ano passado. Além dos novos barracos, feitos de madeira e outros materiais inflamáveis, como plástico, a reportagem da Folha encontrou possíveis causadores de incêndios. Fogareiros e ligações elétricas irregulares são comuns nos barracos. Depois de leito Haddad nunca mais pôs o pé no local.

Abaixo resgatamos trechos do programa eleitoral de Haddad.

22 de maio de 2013

Sakamoto: ensaio sobre a violência invertida

 Sakamoto: ensaio sobre a violência invertida

As diversas correntes que se agremiam sob a tônica da esquerda, compartilhando certos valores, objetivos, vocabulário, postura e método, costumam bradar claramente quais são suas diferenças (de Pol-Pot a Marina Silva, de alguém que acha que jazz é decadência musical como Adorno a, bem… Lula).

Raramente, todavia, percebem algumas semelhanças em seu próprio pensamento com as coisas que mais desprezam – o que um vocabulário erudito, mascarador de conseqüências concretas, trata de esconder.

É fácil, por exemplo, afirmar que a violência é culpa da “desigualdade social” (o que nem sabem direito o que é), sem perceber que, quando a violência aumenta, também aumenta o número de estupros pela óbvia sensação de insegurança gerada – um crime que não possui “transferência de renda” nenhuma. Tampouco se costuma lembrar que provavelmente 9 em cada 10 vítimas da violência são pobres – moradores, afinal, de bairros violentos, que bem por isso estão muito mais preocupados com segurança do que a alta elite moradora dos Jardins ou Leblon.

Fácil é dizer que a violência é efeito da desigualdade social. Difícil é vir aqui na periferia e afirmar uma estultice dessas.

Porém, mantidas radicalmente puras no reino das idéias platônicas, expressões com alto apelo sentimental travestido de racionalidade como “desigualdade social” são repetidas ad nauseam nos tratados de sociologia de botequim que povoam a academia, a imprensa e o imaginário coletivo do país. Repetidos tais termos apenas sentimentalmente, parecem uma conclusão quase científica – um fato da realidade, que apenas um louco seria capaz de não enxergar.

Já no duro contato com a vida vivida, mesmo o mais empedernido ideólogo da esquerda age contrariamente a tal logorréia. Assim que pára o carro num semáforo em lugar ermo, trata de fechar o vidro mesmo que tenha um trocado no bolso – simplesmente porque seus instintos sabem muito bem a verdade óbvia: fazer a “transferência de renda” num assalto não vai melhorar em nada a vida dos pobres trabalhadores (e provavelmente sequer a daquele assaltante), além de recompensar muito mais o comportamento de um assaltante com um carro do que de um trabalhador que passa a vida sem conseguir comprar um (o que Robert Nozick já demonstrou com maestria cabal).

Poucos defensores dos “pobres” dão com a língua nos dentes para demonstrar quão grande é, de fato, o vazio entre as boas intenções dos atos e os atos em si – e, ainda mais, a imagem desses atos. Como dizem os britânicos, show in true colours.

O blogueiro do UOL e doutor em ciência política Leonardo Sakamoto é uma dessas figuras que resolve dizer o que muitos pensam, mas ninguém se mete a exteriorizar ou perceber entre o discurso e o ato. Ninguém consola um amigo assaltado violentamente dizendo que é culpa da desigualdade social. Mas Sakamoto está lá, escrevendo textos após assaltos, dizendo exatamente isso.

Sakamoto, então, funciona como um paradigma. Alguém que só é lido por ser a opinião extremada, que serve a dois fins: fazer com que pessoas de esquerda se sintam tanto representadas, sem precisar se darem ao vexame de terem de exteriorizar elas próprias algumas idéias francamente ridículas (terceirizando, assim, a função de saco de pancada) e, “dialeticamente”, às vezes se sentirem mais lúcidas e menos radicais, ao verem alguém muito mais aferrado a noções pouco inteligentes da realidade.

Serve também a um terceiro objetivo, ao ganhar muita audiência simplesmente proferindo caquinhas – mas se tornando conhecido mesmo assim, e rendendo um bom lucro a quem o contrata (esse paradoxo econômico-moral tampouco é percebido por seus leitores).

Sakamoto na teoria

A Virada Cultural em São Paulo é um evento em que a cidade é tomada por diversos palcos com atrações noite adentro. Mesmo andar nas espremidas ruas do Centro durante a alta noite costumava ser algo tranqüilo para os paulistanos, com tanta gente passando e um policiamento ostensivo na área. A Virada Cultural deste último fim de semana, entretanto, foi marcada por arrastões, 2 latrocínios, várias pessoas baleadas e muitos roubos (que chegaram a vitimar Eduardo Suplicy e Gilberto Dilmenstein, sem falar até em músicos que não tiveram seu caríssimo equipamento de trabalho roubado por pouco) e um grau de violência que apenas consubstanciou o estado de guerra civil em que vivemos: a violência brasileira, com seus 50 mil assassinatos por ano, mata mais do que qualquer guerra no mundo – para se ter idéia, dados da esquerda dão conta de 174 mil mortes em uma década na guerra do Iraque – montante de mortes violentas que atingimos em menos de 4 anos.

viradacultural violência 300x171 Sakamoto: ensaio sobre a violência invertida Sakamoto, aproveitando-se do discurso de ódio contra a abstrata “classe média”, atendendo ao dog whistle que Marilena Chaui apitou ao declarar seu ódio vulcânico a pessoas que cometeram o crime de trabalhar de janeiro a 5 maio apenas para financiar o Estado que ela tanto adora, resolveu fazer uma “análise” sobre o caso. Obviamente, não em termos concretos (o que seria algo como “está difícil escrever culpar os preconceitos da classe média aqui da Virada, pois corro o risco de ter meu iPhone furtado a qualquer momento”), e sim pelas abstrações e palavras de ordem completamente vazias de sentido. O  que podemos chamar de discurso oficial da rebeldia a favor.

Escrevendo em tom de “ficção” uma espécie de “sátira” sobre os reclames que, supostamente, seriam “da classe média” contra a violência na Virada Cultural (como se os pobres tivessem adorado passar por arrastões), Sakamoto diz que “os nobres” do “reino” (de São Paulo) acharam que o número de saques tinha ido além da conta:

Os nobres resmungavam que isso era a gota d’ água, que tinha ficado insustentável abrir os portões da cidade para a plebe rude e pediram para as fogueiras serem movidas para outros locais.

Estranho, visto que essa foi a Virada Cultural com menos atrações na periferia, apesar do maior orçamento. E que o prefeito do tal “reino” seja o mais esquerdista e progressista dos 3 candidatos que arriscavam disputar o segundo turno, o petista Fernando Haddad.

Sakamoto chama a cidade de “burgo”, comparando-a com um reino antigo em que “os moradores da área protegida pelas muralhas viviam em relativo conforto e segurança”. Será realmente um grande alívio para a História o dia em que o discurso oficial da rebeldia a favor da esquerda finalmente descobrir que um burgo é uma feira comercial, e como tal, é o inimigo número 1 dos antigos reinos murados, que protegiam as cidades antigas e medievais dos saqueadores, antes da ascensão do Estado moderno.

manobrown viradacultural 300x187 Sakamoto: ensaio sobre a violência invertida Um burgo é o oposto do feudo. O feudalismo é a economia de servidão, em que se trabalha para o nobre justamente em troca da proteção dos muros (as terras férteis existiam fora dos muros, pois ninguém gastou tanto murando um país inteiro – o difícil era ter seu trabalho roubado à noite, como se fez na Virada Cultural). A burguesia é o livre comércio, a descoberta de rotas comerciais, as grandes navegações, o Renascimento, a troca livre sem precisar nem do nobre, nem do Estado (ou do clero). O burgo foi o que fez com que as cidades deixassem de ser muradas, sem falar nas caravanas comerciais itinerantes (origem do circo e dos bancos, que protegiam as riquezas durante as viagens). Quem precisaria assaltar vilarejos camponeses e viajantes que viviam de subsistência, se a troca livre das feiras enriquecia tanto quem vendia quanto quem comprava? Foi o comércio do burgo que derrubou os muros, de Carlos Magno ao Muro de Berlim. Mas seria extrema crueldade exigir conhecimentos históricos de alguém como Sakamoto.

Nosso japonês preferido, cuja perícia em fazer ensinança histórica aos seus cupinchas permite que o reconheçamos como o Simplicissimus, prossegue na sua tentativa de “sátira”, garatujando que alguns ladrões pegos durante os saques no “reino” foram dar seu testemunho perante a nobreza. Com o perdão do texto abestalhadamente ridículo, Sakamoto tenta humanizar o roubo, quando conversam com um mensageiro “do burgo”:

Os jovens eram aprendizes de ofício em uma casa de ferreiro. Perguntou, intrigado, sob juras de anonimato, a razão de terem feito aquilo com a cidade deles, pois – apesar de não terem posses – não precisavam da tunga para sobreviver. Como resposta, ouviu apenas “a cidade é de vocês, não nossa”.

Percebeu que, para aqueles meninos, aquilo não foi apenas um assalto, mas uma tomada simbólica de um território que, nem de perto, eles conseguiam ver como seu – porque, de fato, não era. Usavam dos instrumentos covardes do roubo e da intimidação sem pudor porque não se viam como cidadãos. Eram invasores estrangeiros e, mais do que pilhar, queriam mostrar que eram capazes de pilhar diante do olhar impotente dos demais.

Não seria preciso falar em “tomada simbólica de um território”, e sim de “tomada de um território”, já que não há nada “simbólico” em se adentrar no território do bolso alheio – como, ademais, não há nada de simbólico, psicológico ou sociológico em um estupro que o justifique.

Mas Sakamoto, que inverte carrasco e vítima, inverte burgo e feudo, não deixa de se estabanar completamente ao falar em dominação territorial.

Murray Rothbard, no imprescindível Anatomia do Estado, livrinho de umas 50 páginas (ou uma hora de áudio) que salvaria mentes para sempre antes de se prenderem na gaiolinha de conceitos da qual nem um professor como Sakamoto consegue escapar, como o próprio nome sugere, é cirúrgico em determinar o que, afinal, o Estado é:

Devemos, portanto, enfatizar a ideia de que “nós” não somos o estado; o governo não somos “nós”. O estado não “representa” de nenhuma forma concreta a maioria das pessoas. Mas, mesmo que o fizesse, mesmo que 70 porcento das pessoas decidissem assassinar os 30 porcento restantes, isso seria ainda assim um assassinato e não o suicídio voluntário por parte da minoria chacinada.

Não deve ser permitido que nenhuma metáfora organicista, nenhuma banalidade irrelevante, obscureça este fato essencial. Se, então, o estado não somos “nós”, se não é um encontro da “família humana” para decidir sobre os problemas mútuos, se não é uma reunião fraterna ou clube social, o que é afinal? Em poucas palavras, o estado é a organização na sociedade que visa manter o monopólio do uso da força e da violência numa determinada área territorial; em específico, é a única organização na sociedade que obtém a sua receita não pela contribuição voluntária ou pelo pagamento de serviços fornecidos mas através da coerção.

Enquanto os outros indivíduos ou instituições obtêm o seu rendimento através da produção de bens e serviços e da venda voluntária e pacífica desses bens e serviços ao próximo, o estado obtém o seu rendimento através do uso da compulsão; isto é, pelo uso e a ameaça de prisão e uso das armas. Depois de usar a força e a violência para obter a sua receita, o estado passa geralmente a regular e a ditar as outras ações dos seus súditos.

Será que isso é suficiente para deixar claro que é o Estado tão amado pelas esquerdas que age dessa forma que Sakamoto atribui a quem vive fora do Estado, sem coação, sem monopólio de violência (na verdade, até sem violência)? Rothbard não tinha certeza, e por isso escreveu tal livro há meio século (como se vê, ele estava certo).

looters 300x206 Sakamoto: ensaio sobre a violência invertida O erro de Sakamoto é o erro paradigmático de toda a esquerda: inverter o conceito de exploração (e, por conseguinte, de violência), modinha tão “científica” desde sua sistematização por Karl Marx. A riqueza do mundo (a comida, as roupas, as casas, o iPhone e o livro da Marilena Chaui) não está “pronta”, e muito menos em número fixo no mundo. Ela precisa ser criada. Quem olha para um matagal e planta soja ali cria uma riqueza que antes não existia. Sabendo-se que a mais importante lição de economia é que o estado natural do homem é a pobreza, não a riqueza, se alguém não teve esse primeiro ato criativo e quer soja, nada mais justo que trabalhe para quem criou essa riqueza e pode dispor dela por ser fruto de seu próprio trabalho – ou seja, não há “exploração” nenhuma em trabalhar para um produtor, pois do contrário viveria-se na miséria, sem soja.

Por outro lado, o Estado tomar sob impostos a produção alheia é um ato de violência e exploração: alguém trabalha sem ficar com os frutos do seu trabalho. O que a esquerda faz é, justamente, defender tal exploração (de forma semelhante ao que o fascismo fez) e violência, e afirmar que quem produz sem ferir ninguém está praticando uma “violência simbólica”, pois quem está de fora dessa produção “não pertence” à comunidade produtora. Prefere-se institucionalizar o monopólio da violência estatal para atingir seus fins (de Max Weber a Mao Zedong, de Jouvenel a Hannah Arendt, todos sabem que só o Estado pode ser violento e criar um “pertencimento” dividido entre nós e eles como Sakamoto quer fazer crer que a “classe média” o faz).

Ou seja, para essa mentalidade, se alguém produz algo, ele imediatamente deve essa produção a todos aqueles que não produziram, simplesmente para evitar a inveja alheia.

http://www.dailymotion.com/video/x8m5d0

Mas há uma lição ainda mais sutil. Sakamoto crê ser “violência simbólica” ou uma tentativa de se ver como “cidadão” o roubo, a tomada violenta do fruto do trabalho de alguém que produziu aquilo. Ensina Rothbard:

O grande sociólogo alemão Franz Oppenheimer apontou para o fato de que existem duas formas mutuamente excludentes de adquirir riqueza; a uma, a forma referida acima, de produção e troca, ele chamou de “meio econômico”. A outra forma é mais simples na medida em que não requer produtividade; é a forma em que se confisca os bens e serviços do outro através do uso da força e da violência. É o método do confisco unilateral, do roubo da propriedade dos outros. A este método Oppenheimer designou “o meio político” de aquisição de riqueza. Deve ficar claro que o uso pacífico da razão e da energia na produção é o caminho “natural” para o homem: são os meios próprios ao ser humano para a sua sobrevivência e prosperidade nesta terra. Deve ficar igualmente claro que o meio coercivo, explorador, é contrário à lei natural; é parasítico, pois em vez de adicionar à produção, apenas subtrai. (grifos nossos)

Fazer as contas convence? Talvez ainda se queira crer que produzir riqueza não é suficiente, pois criar riqueza e trocar com a riqueza do outro, tornando ambos mais ricos, ainda não torne os pobres muito mais ricos, exigindo uma subtração de riqueza pelo Estado para dar aos pobres – é a superstição da esquerda. Quem mostra o embuste agora é o maior economista da atualidade, Thomas Sowell:

Você gostaria de ver mais coisas tornam-se mais acessíveis a mais pessoas? Então descubra formas mais eficientes de produzir coisas ou formas mais eficientes de distribuir as coisas dos produtores para os consumidores a um custo menor. (…)

No início do século 20, apenas 15% das famílias americanas tinha uma descarga em casa. Nem bem um quarto tinha água corrente. Apenas 3% tinha eletricidade, e 1% tinha aquecimento central. Apenas uma família americana em uma centena tinha a propriedade de um automóvel.

Em 1970, a grande maioria das famílias americanas que vivia em situação de pobreza tinha banheiros com descarga, água encanada e eletricidade. Até ao final do século XX, mais americanos estavam ligados à Internet do que estiveram ligados à água encanada ou a uma linha de esgoto no início do século.

Mais famílias têm ar condicionado hoje do que tinham eletricidade antes. Hoje, mais da metade de todas as famílias com renda abaixo da linha de pobreza oficial possuem um carro ou caminhão e têm um forno de microondas.

Isso não aconteceu por causa dos políticos, burocratas, ativistas ou outros defensores do “serviço público” que supostamente deve-se admirar. Nenhuma nação jamais palmilhou o seu caminho da pobreza à prosperidade ou chegou lá através de retórica ou burocratas. (…)

Aqueles que mais têm ajudado os pobres não foram aqueles que saem por aí berrando por “compaixão” aos pobres, mas aqueles que encontraram maneiras de tornar a indústria mais produtiva e de distribuição mais eficiente, para que os pobres de hoje possam pagar as coisas que os ricos de ontem só podiam sonhar.

Sakamoto na prática

Contas feitas, é óbvio que o “burgo”, sendo comércio, está preocupado em conseguir vender coisas aos pobres (capitalismo é o comércio para as massas), e portanto lhes dar algo que antes não possuíam e lhes seja vantajoso. É a própria definição de lucro, em oposição a espoliação  Mas, para os defensores do meio político de se adquirir bens, resta a retórica de “pertencimento” de Sakamoto, Marilena Chaui e outras pessoas que dividem as pessoas por “classes”.

Trata-se de trabalhar com sentimentos e ânimos (é disso que se trata a esquerda desde o marxismo). As pessoas querem coisas e querem se esforçar o mínimo possível pela máxima aquisição. Podem, então, entrar para a política ou a tomada de trabalho alheio pelo crime (na prática econômica, uma divisão entre setor público e privado).

reardensteel producers Sakamoto: ensaio sobre a violência invertida Um criminoso famélico, que roube pão por fome, tem compaixão da sua vítima (e, se pudesse, não roubaria). Não precisa de uma teoria “classista” de justificativa. As galimatias teóricas que dividem as pessoas por “classes” distintas numa justa “luta” servem não ao criminoso famélico, mas para justificar os atos de vandalismo de saqueadores que não são famélicos e poderiam também produzir riqueza, mas precisam se “identificar” com os criminosos famélicos numa mesma classe em luta contra outra. Dividindo as pessoas por classes some-se a compaixão por seres humanos, ou alguém tem compaixão por “um membro da classe média”?

Quem pratica roubo é porque curte dinheiro e bens materiais. Não curtisse, não roubaria. Apenas através do discurso oficlal da rebeldia a favor alguém aceita a teoria de que roubam apenas para agredir a burguesia.

Não à toa que Sakamoto, atendendo ao apito que determina que a esquerda toda deva repetir “classe média” como “ridícula” e um antro de estupidez (sem nem saber determinar bem o que é classe média) como discurso oficial da rebeldia a favor, e sendo ele próprio de classe média, trate de usar uma retórica que, sob uma roupagem de ciência social, apenas cheire, como um cachorro, os órgãos genitais alheios para tentar reconhecer se ele “pertence” ao “nosso” grupo ou não. Não pertencendo, perde-se qualquer sentido de humanidade pelos “outros”: seu texto trata com desdém que alguém perca uma aliança de casamento num assalto (investimento de uma vida, já que a tal classe média não pode negociar em ouro toda vez que sai de casa), como se esse meio de destruir meses (ou anos) de trabalho de um inocente fosse ajudar o saqueador em muita coisa. Seu texto é uma legitimação do ódio gratuito.

tweet pdralex Sakamoto: ensaio sobre a violência invertida

É por isso que a esquerda não precisa mais de revolução: sabendo amestrar os ânimos de pessoas economicamente de todos os matizes, juntas contra uma “classe média” (que, contraditoriamente, é a própria reunião de todas elas) com aparência de ser a origem de todos os seus males, ela sempre ganhará o poder eleitoral com ares de democrática. No que o monopólio da violência estatal não for eficiente para a tão sonhada “distribuição de renda” forçada, sobra o discurso oficial da rebeldia a favor como o de Sakamoto para legitimar a violência privada.

Sakamoto é um paradigma da teoria e prática da esquerda, que nem sempre os próprios esquerdistas conseguem enxergar.

20 de maio de 2013

Com orçamento maior, Haddad diminuiu Virada Cultural e cortou eventos na periferia

Em comercias de campanha Haddad dizia que queria “uma periferia vibrante, com cultura…’ A teoria era bonita e lhe valeu a eleição. Porém, na prática, a realidade foi diferente. Haddad retirou da Virada Cultural  mais de 200 eventos que aconteciam na periferia, e  também cortou  da festa todos os Centros Educacionais Unificados, os CEUs, que ficam na periferia e  no ano passado reuniram 162 apresentações. A verdade é que com o PT, a festa mais popular de São Paulo abandonou a periferia e se concentrou na região central. A primeira Virada Cultural da gestão Haddad também foi menor do que a do ano passado, mesmo tendo o maior orçamento de toda a sua história, R$ 10 milhões. No total, 4 milhões de pessoas foram a 790 eventos no centro e 414 em áreas periféricas em 2012. Agora, foram 784 atrações centrais e 226 em pontos distantes. Com um orçamento 33% maior neste ano — foi de R$ 7,5 milhões para R$ 10 milhões —, a Virada diminuiu os eventos em cerca de 16%.

Para justificar a desidratação da festa, e a retirada dos eventos culturais da periferia, o Secretário de Cultura petista, o baiano Juca Ferreira, disse o seguinte: “O que nós não queremos é que a periferia tenha de ficar na periferia”. Ora, mas esse argumento não é justamente a antítese daquilo que Haddad repetiu como mantra durante toda a sua campanha, que com ele iria acabar este negócio das pessoas terem que ir à região central,  para trabalhar e buscar opções de lazer e cultura?

Abaixo o vídeo com a promessa feita durante o programa eleitoral do petista.

 

14 de maio de 2013

Lula: presidente não pode contar tudo o que aconteceu

45afd208f39ea557de3dac3fc3ecef72 Lula: presidente não pode contar tudo o que aconteceu

Reportagem do Estadão:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu na noite desta segunda-feira que um presidente da República não pode levar a público tudo o que aconteceu durante sua gestão. “Nenhum presidente pode escrever um livro de verdade. Porque ele não pode contar tudo do que aconteceu no seu mandato presidencial. As conversas com outros chefes de estado, as reuniões ministeriais”, disse Lula, afirmando que, por isso, não escreveria uma “biografia meia boca”.

“Eu não posso escrever um livro e não contar tudo. Seria uma biografia daquelas eu me amo e só tenho virtudes. Então resolvi não fazer”, completou. Segundo ele, o que está organizando é um livro com uma entrevista pessoal do petista e também de membros da sociedade brasileira.

O ex-presidente fez o comentário durante lançamento do livro “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”, da Boitempo Editorial, organizado pelo cientista político Emir Sader e assumiu ainda não ter lido a obra, para a qual concedeu uma entrevista. Ele brincou, contudo, dizendo que tem “lido demais” depois que deixou a presidência e, principalmente, após o diagnóstico de um câncer, pois se preocupa em “chegar mais culto lá em cima”.

Lobista

Lula criticou o que chama de “tentativa de transformá-lo em lobista” por parte da imprensa. “Tem um jornal agora que está tentando me transformar num lobista. Eu não sou lobista, não sou conferencista e não sou consultor, a única coisa que eu sou é um divulgador das coisas que eu fiz nesse governo.”

“As pessoas talvez fiquem preocupadas porque eu cobro caro e não falo quanto cobro. Mas se as pessoas pagam para ouvir um governante fracassado, têm que pagar bem”, brincou, arrancando aplausos da plateia. “Se quiserem saber o quanto eu cobro me contratem.”

Durante sua crítica à imprensa, Lula destacou os feitos econômicos dos governos petistas, como a geração de 22 milhões de empregos, mantendo inflação sob controle e redução da dívida pública. De acordo com ele, algum estrangeiro que chega ao País e lê as notícias dos jornais nacionais pode achar que “o País acabou”. “Mas vamos supor que nós sejamos incompetentes (para conseguir os feitos conquistados) e ainda assim tenhamos sorte, pelo amor de deus, não vote em ninguém que não tenha sorte”, ironizou.

Em uma plateia majoritariamente formada por universitários e jovens, ele fez ainda um clamor para que a sociedade não desanime com a política. “Eu fico horrorizado quando eu leio noticias tentando desestimular a política. Nos momentos mais difíceis, ao invés de vocês desistirem, assumam a política para vocês e mudem o que vocês quiserem mudar nesse país”, concluiu.

Classe média

O evento contou com apresentações dos também colaboradores do livro Marilena Chauí e Marcio Pocchmann. A filósofa fez uma contundente crítica à classe média brasileira, destacando que prefere chamar os brasileiros que ascenderam socialmente nos últimos dez anos de “uma nova classe trabalhadora”. “Esses direitos dos trabalhadores foram conquistados com 20 anos de luta e dizer que essas lutas fizeram a gente voltar para a classe média: de jeito nenhum”, disse, afirmando ainda que a classe média é “arrogante, conservadora, um atraso de vida”. Lula, que falou após Marilena, brincou: “Depois de tantos anos de luta que eu cheguei a ser considerado classe média essa mulher avacalha a classe média”.

(grifos nossos)

11 de maio de 2013

Novo truque estatístico do governo: maioria dos negros na classe média

dilma cara Novo truque estatístico do governo: maioria dos negros na classe média

E, mais uma vez, coube ao jornal “O Globo” dar voz aos dados do governo sem qualquer análise – e isso já tinha acontecido há dois dias, com a “comemoração” da taxa de êxito de apenas 12% no Bolsa Família. Agora, são os negros as vítimas da gambiarra estatística e eleitoral do governo.

O título é o seguinte: “125 anos de Abolição: Maioria dos negros já é de classe média”. Uma ótima notícia, não? Pois é: não. Isso porque fazer parte da “classe média”, hoje, não é vitória alguma. O governo BAIXOU o limite mínimo. Vejam aqui e aqui.

Quem ganha a partir de R$ 291 por mês, antes alguém considerado pobre, passa a ser “classe média” para o governo (e para alguns do jornal “O Globo”). A reportagem, aliás, insere um dado que na prática contraria o título, especialmente quando somado ao fato de pobres serem hoje considerados classe média. Vejam:

“Nos estratos que estão entre os 10% mais pobres dessa nova classe média, o percentual de pretos e pardos é de 62%. No outro extremo, dos 10% mais ricos, o percentual cai para 39%.” (grifos nossos)

Em suma: os 10% mais pobres da “nova classe média” são os DE FATO POBRES, com maioria negra (62%). No outro “extremo” (a classe média de fato), a presença cai para 39%. E a reportagem passou numa boa, no bom e velho “PiG” de que reclamam governistas que usam babador.

Essa tortura do governo quanto aos números e estatísticas, até que confessem algo positivo mesmo no mais negativo dos contextos, já enseja a criação de uma comissão da verdade.

10 de maio de 2013

Bolsa Família: o fiasco tratado como sucesso

bolsa familia dilma Bolsa Família: o fiasco tratado como sucesso

Assim que percebi a turminha do DCE do Tuíter™ repassando uma notícia positiva sobre o Bolsa Família, fui aos números e vi o truque. Em vez de abordar percentual de êxito, a manchete alardeada trazia um número desvinculado do total de atendidos pelo programa.

A vitória aparece de maneira gritante: “mais de 1.6 milhão de casas abriram mão do benefício”. Muito? Um milhão e meio de famílias, sem dúvida, formam um número razoável se visto de maneira absoluta. Mas seria algo a ser comemorado diante do total de atendidos? Não, nunca.

Isso porque esse montante corresponde a cerca de 12% dos beneficiários do “Bolsa Família”, uma taxa de êxito pra lá de ridícula, exígua, praticamente uma prova cabal de que o programa não teve eficácia nesses dez anos.

Troquem “Bolsa Família” por qualquer outro exemplo da vida prática, sei lá, um remédio para tratar determinada doença. Se apenas 12% dos pacientes são curados, esse remédio não funciona, e os 88% de pacientes sem cura são prova cabal da ineficácia.

E falamos aqui de DEZ ANOS de “Bolsa Família”, não de alguns meses. Já teria dado tempo – como de fato deu, para alguns – de tirar mais famílias da faixa da miséria, CASO FOSSE MESMO um programa efetivo. Mas não é. A grande maioria permanece miserável (88%!)

Podemos dizer que foram dez anos desperdiçados num programa assistencialista que praticamente não resolveu nada. Os números dizem isso, gritam isso, apontam isso de forma inescapável – por mais que se tente pegar como “exemplo de sucesso” uma taxa de acerto péssima.

Vale lembrar que o “Bolsa Família” atende casos extremos: R$ 140 de renda MENSAL por pessoa. Temos, portanto, que 88% dos beneficiários continuam ganhando MENOS do que isso mesmo após os DEZ ANOS de implantação do programa. Não se trata de sair da faixa de pobreza, mas de um fiasco quanto a tirá-los da faixa da MISÉRIA.

Mas ainda acredito na ingenuidade de parte da turma do DCE das redes sociais, pois não é uma galera conhecida pelas habilidades em ciências exatas. De todo modo, os números são esses: de cada 100 famílias atendidas nos últimos dez anos, 88 continuam miseráveis. Aceitem: deu errado. Reconheçamos: é preciso repensar esse programa.

Falta fiscalizar contrapartidas? Faltam ações de fomento às economias locais? Cabe ao governo estudar e implantar as medidas necessárias, mas obviamente a forma atual do “Bolsa Família” é um fracasso, agora registrado em números pela própria administração federal.

Usar a exceção como se fosse regra pode funcionar como propaganda partidária, mas é contraproducente quanto à melhora da situação dos miseráveis – a menos, claro, que se queira manter o quadro atual. Parece que há quem queira.

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