Implicante

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3 de dezembro de 2014

O “Engavetador-geral da República” de Dilma

luladilma

Um dos principais argumento usados por Dilma durante a campanha dizia respeito ao poder de investigação que ela supostamente daria às instituições nacionais. Por várias vezes, ironizou o governo que a antecedeu acusando-o não de ter um procurador, mas um “Engavetador-geral da República”. Pois é justamente o Procurador-geral da República que vem sendo acusado de manter contato direto com os investigados pelos desvios do Petrolão para encontrar uma saída pouco danosa ao governo:

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) acusou neste sábado (29) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de tentar blindar o governo. Motivo: uma nota da revista “Veja” desta semana que afirma que Janot vem se reunindo com representantes de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato.

Segundo a nota, Janot articula para que os executivos admitam a formação de cartel para atuar na Petrobras argumentando que se trata de um crime econômico, mais defensável. Janot, segundo a revista, teria falado em riscos à “governabilidade” e prometido que as firmas não seriam declaradas inidôneas.

(grifos nossos)

A estratégia é fazer com que as empresas assumam a culpa, livrando o Planalto e a Petrobrás de qualquer responsabilidade, e evitando, assim, um processo de impeachment de Dilma.

“Isso é um escândalo. O senhor Rodrigo Janot não pode virar o pizzaiolo-geral da República”, disse. “As empresas assumem a culpa, livram os políticos, porque não haveria mais a propina; a Petrobras vira vítima e a presidente Dilma, uma justiceira.

(grifos nossos)

Mais engavetamento

Ontem, em mais uma tentativa de Dilma para evitar que o Petrolão a atinja diretamente, o plenário do Senado aprovou a indicação de Vital do Rêgo para o TCU. Rêgo é o mesmo presidente da CPI que fez interrogatórios com perguntas previamente elaboradas com os investigados:

Com vinte minutos de duração, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido. (…) E o que está sendo tramado é, simplesmente, uma fraude caracterizada pela ousadia de obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas. Barrocas revela no vídeo que até um “gabarito” foi distribuído para impedir que houvesse contradições nos depoimentos.

(grifos nossos)

Em 2012, Vital foi presidente da CPI do Cachoeira, que investigou um suposto esquema montado pelo empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de crimes como exploração de jogo de azar, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e contrabando. A Comissão acabou sem o indiciamento de qualquer pessoa.

Forte aliado da presidente Dilma, a indicação de Vital do Rêgo é benéfica para o governo porque, em caso de aprovação, ele será responsável pela relatoria dos processos de investigação da estatal, inclusive os da compra da refinaria de Pasadena (EUA).

1 de dezembro de 2014

Implicante comentará ao vivo tentativa do governo de aprovar o estouro nos gastos públicos

dilma9

Nesta terça-feira, 2 dezembro, às 18 horas, o Congresso terá uma sessão conjunta para votar o PLN 36/2014. Para quem não está familiarizado com a sigla, diz respeito ao projeto de lei que, na prática, inutiliza a Lei de Responsabilidade Fiscal, liberando o governo da obrigação de cumprir as metas de superávit primário preestabelecidas. Em outras palavras, a sua aprovação representará um retrocesso de pelo menos 14 anos na democracia brasileira, tempo em que a LRF está em vigor.

Para completar, o governo ainda está condicionando liberação de 3 bilhões de reais em emendas parlamentares ao sucesso desta votação. Ou seja, na prática e descaradamente, o governo está comprando os parlamentares para que votem segundo os deploráveis interesses petistas.

Por intermédio dos Grupos Abertos do Viber, a equipe do Implicante, além de alguns convidados, irá comentar em tempo real a votação. Para acompanhar, basta ter o aplicativo Viber instalado em seu celular e seguir as instruções do link abaixo:
http://chats.viber.com/implicante

É importante que seja feito por celular pois a versão para desktop do aplicativo só deve passar a contar com este recurso em 2015.

 

28 de novembro de 2014

Novo ministro de Dilma abre os trabalhos elogiando o governo FHC

joaquim levy

Os intelectuais petistas reclamaram bastante, fizeram manifestos e lançaram petição pública. O motivo: depois de eleita, Dilma estaria colocando em prática o programa de governo proposto pelo seu principal adversário, Aécio Neves. Sentindo-se traídos pelo discurso da presidente reeleita, encabeçam as assinaturas o economista Luiz Gonzaga Belluzzo; o lider do MST, João Pedro Stédile; e o teólogo Leonardo Boff.

Os rumores de indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para o Ministério sinalizam uma regressão da agenda vitoriosa nas urnas. Ambos são conhecidos pela solução conservadora e excludente do problema fiscal e pela defesa sistemática dos latifundiários contra o meio ambiente e os direitos de trabalhadores e comunidades indígenas.

A moral dos intelectuais deve estar baixa, pois Dilma confirmou na tarde de ontem os nomes já vazados na imprensa, com Joaquim Levy na Fazenda e Nelson Barbosa no Planejamento.

Levy e Barbosa, contudo, não assumirão os cargos imediatamente: a dupla ficará instalada em uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos metros da presidente, numa espécie de “equipe transição” com o ministro demissionário da Fazenda, Guido Mantega.

O novo ministro da Fazenda e homem mais importante do governo já veio a público na mesma tarde fazer o que todo gestor sério deve fazer: acalmar o mercado com a devida classe que o cargo exige. No entanto, não se furtou a soltar uma gentileza que, para os críticos oposicionistas, findou soando uma peça de humor involuntário:

Vir a suceder o mais longevo ministro da Fazenda no período democrático, mais do que a honra, é um privilégio.

(grifos nossos)

Completamente desacreditado e cumprindo o talvez maior aviso prévio da história recente do país, Guido Mantega está longe de ser um servidor público que honre a cadeira que ocupou. Cumprimentos feitos, Levy segue dizendo sim a tudo que Dilma disse não durante a campanha. E, já quebrando o padrão de seu antecessor, evita fazer promessas que não conseguirá cumprir.

Em 2015, a melhora de superávit primário alcançável não deve nos permitir chegar ao valor acima, e — portanto — deve-se trabalhar com a meta de superávit para o Setor Público não Financeiro Consolidado de 1,2% do PIB, na forma apurada pelas estatísticas do Banco Central.

(grifos nossos)

A preocupação com a credibilidade perdida é uma constante em suas palavras. E a grande surpresa foi o reconhecimento de que as conquistas sociais tão celebradas pelo PT começaram há duas décadas, com o nascimento do Plano Real lançado por FHC ainda no governo Itamar:

Alcançar essas metas é fundamental para o aumento da confiança na economia brasileira e criará a base para a retomada do crescimento econômico e a consolidação dos avanços sociais, econômicos e institucionais realizados nos últimos 20 anos.

(grifos nossos)

Para desespero do governismo socialista ainda em voga no país, o novo ministro da Fazenda também faz questão de reconhecer a importância do papel da iniciativa privada na fuga da sinuca de bico a qual o PT largou o Brasil. Sem citar a palavra mágica que irrita qualquer petista mais clichê, defende o que Aécio vivia a pronunciar silabicamente nos debates da campanha: me-ri-to-cra-cia. Quanto ao desenvolvimento sustentável defendido por Marina e Eduardo Jorge, o termo chega a ser usado explicitamente.

O Ministério da Fazenda também trabalhará incessantemente para o setor privado poder ampliar a oferta de bens e produtos no Brasil, com políticas que ajudem a aumentar a nossa produtividade, base do crescimento da renda do trabalho. A concorrência, o empreendedorismo e a inovação também são indispensáveis para o crescimento sustentável, e o Ministério da Fazenda estará trabalhando com todo o governo para reduzir eventuais barreiras a esses três motores do desenvolvimento.

(grifos nossos)

Ainda na editoria de desespero para o discurso esquerdista bitolado, há um claro aceno ao que as linhas auxiliares petistas chamavam de “capital financeiro”. Ou o reconhecimento de que o bom trato à economia de mais interesse à classe A é sim importante para o desenvolvimento de todo o Brasil.

Nesse trabalho de ampliar e canalizar a poupança doméstica e externa, inclusive para a infraestrutura, o mercado de capitais terá um papel cada vez mais importante, complementando a ação do sistema bancário na alocação eficiente de recursos, de acordo com sua própria avaliação dos riscos e retorno de cada oportunidade de investimento, permitindo novas maneiras do país e das famílias construírem e se prepararem para um futuro melhor.

(grifos nossos)

Há de se questionar o trecho em que se busca reafirmar um compromisso com a transparência no trato da coisa pública. Não que transparência seja ruim (muito pelo contrário). Mas não é possível reafirmar algo que na prática não existia. Que dessa vez o discurso vá além das palavras gritadas ao vento.

O Ministério da Fazenda reafirma o seu compromisso com a transparência de suas ações, manifesta no fortalecimento da comunicação de seus objetivos e prioridades, e na divulgação de dados tempestivos, abrangentes e detalhados, especialmente das contas fiscais, que possam ser avaliados por toda a sociedade, incluindo os agentes econômicos.

(grifos nossos)

O acerto de Dilma ao convocar Joaquim Levy soa como aplausos a tudo o que pregava seus reais opositores durante a campanha. Mais ainda, como vaias a todas as mentiras defendidas pela própria propaganda petista nos 3 meses em que batalharam os 54 milhões de votos que receberam. A militância mais antiquada ainda se indigna com o que chamam de “neoliberalismo”, mas, até o momento, não conseguiram acumular nem sequer 5 mil assinaturas para a petição amplamente divulgada na internet estes dias. Como diria outra famosa celebridade simpática ao número 13, eles vão ter que engolir.

28 de novembro de 2014

Governo tenta emplacar aliado de Dilma para encabeçar investigações sobre a Petrobras

Senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) alerta para crescimento da violência na Paraíba. "Para terem ideia, foram dez assaltos a bancos com uso de bombas neste mês de janeiro"

O senador Vital do Rêgo, do PMDB da Paraíba, foi indicado por Eunício Oliveira, líder do partido no Senado, para ocupar a vaga do ministro José Jorge no Tribunal de Contas da União (TCU) após a sua aposentadoria.

Na justificativa que apresentou para a indicação, Eunício Oliveira disse que Vital possui “reputação ilibada”, da mesma forma que exerceu “todos os cargos que lhe foram atribuídos”. “Entendemos que os senhores senadores integrantes desta comissão (CAE) dispõem de suficientes elementos para deliberar sobre a presente indicação”, afirmou Eunício.

Vital é forte aliado da presidente Dilma, e sua indicação é benéfica para o governo porque, em caso de aprovação, ele será responsável pela relatoria dos processos de investigação da estatal, inclusive os da compra da refinaria de Pasadena (EUA).

A apuração sobre Pasadena tem potencial para causar mais danos políticos à presidente Dilma Rousseff – que presidia o Conselho de Administração da Petrobras na época da aquisição, iniciada em 2006.

Atualmente, o senador preside a CPI e a CPMI da Petrobras. A primeira levantou polêmicas em agosto, quando surgiu um vídeo mostrando que as perguntas que seriam feitas aos investigados em seus depoimentos foram reveladas a eles.

Com vinte minutos de duração, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido. (…) E o que está sendo tramado é, simplesmente, uma fraude caracterizada pela ousadia de obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas. Barrocas revela no vídeo que até um “gabarito” foi distribuído para impedir que houvesse contradições nos depoimentos.

Em 2012, Vital foi presidente da CPI do Cachoeira, que investigou um suposto esquema montado pelo empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de crimes como exploração de jogo de azar, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e contrabando. A Comissão acabou sem o indiciamento de qualquer pessoa.

26 de novembro de 2014

Teve seca o ano todo, mas mesmo assim Haddad não fez as obras necessárias e São Paulo ALAGOU

crédito: R7 e TV Record

crédito: R7 e TV Record

Segundo certa militância, é CULPA DO GOVERNADOR quando não chove. Bobagem, claro, papinho para tentar ganhar eleição (o que deu errado de forma estupenda, diga-se). Mas tentaram, alguns até hoje insistem nisso de forma meio agressiva.

Eis que agora ocorre uma trágica ironia: mesmo diante da MAIOR SECA DOS ÚLTIMOS SÉCULOS, a prefeitura de São Paulo (leia-se: Haddad) não fez as obras necessárias e a cidade ALAGOU em diversos pontos. Confiram aqui reportagem do R7 e… bom, VEJAM A FOTO QUE ILUSTRA O POST.

E agora? Se para essa turma um gestor é culpado porque não chove, o que dirão do prefeito Fernando Haddad que não fez o suficiente para que a cidade não alagasse mesmo tendo a “oportunidade climática” para isso (com a falta de chuva, não há desculpas para que não tivessem limpado bueiros, construído piscinões etc.). Pois foi o que aconteceu: por falta de planejamento e ação, ocorrem alagamentos logo após uma seca de meses e meses.

Gerir um município é coisa série e exige muito mais do que pintar faixas de vermelho ou pichar túneis para fazer moralzinha com a rapaziada militante. A cidade de São Paulo agora paga bem caro por ter acreditado no papo do “novo”, no “arco do futuro” e outras tantas marmeladas que não se provaram verídicas. São Paulo precisa de um prefeito de verdade.

Em tempo: a turma da bike tava de boa com esse alagamento?

26 de novembro de 2014

Como o PT e seus aliados meteram a mão até nos fundos de pensão dos funcionários públicos

dilma lula 2

As investigações da Operação Lava Jato trouxeram à tona mais uma consequência do aparelhamento político de estatais. Dessa vez, o esquema envolve os fundos de pensão de funcionários e servidores públicos, que administram mais de R$ 450 bilhões e foram apelidados de “Clube do Amém”.

As denúncias apontam o direcionamento de investimentos dessas entidades fechadas de previdência complementar para negócios suspeitos, em que geralmente dividem com outras fundações do setor público prejuízos milionários.

O esquema segue o padrão dos demais escândalos do governo. Partidos políticos, como o PT e o PR, aparelham os fundos de pensão com dirigentes por eles indicados. Uma vez ocupadas as cadeiras, passam a, diretamente de Brasília, ordenar onde devem aplicar as verbas. Porque acatavam sem questionamentos as ordens recebidas dos padrinhos políticos, os gestores foram apelidados de “Clube do Amém”. Contudo, se o fundo sofre os recorrentes prejuízos que enfrentam nos últimos anos, alguém na outra ponta do investimento finda ganhando.

A quebra do BVA é um dos exemplos mais recorrentes nas denúncias de participantes dos fundos de pensão sobre o direcionamento de investimentos da entidade por personagens como Traboulsi e Youssef por meio de conexões políticas. Cerca de 70 fundos de pensão investiram R$ 2,7 bilhões no BVA e perderam pelo menos R$ 500 milhões com a derrocada do banco, cujo crescimento exponencial em pouco tempo estava justamente na capacidade de atrair investimentos das entidades de previdência do setor público.

(grifos nossos)

Já foram encontrados indícios da participação de Alberto Youssef no esquema, e um de seus auxiliares, o advogado Carlos Alberto Costa, afirmou que João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, tratou pessoalmente desses negócios em 2005 e 2006.

Carlos Alberto Costa menciona, ainda, um suposto pagamento de propina a dirigentes da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. A PF também encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Youssef atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, este último dos funcionários dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações.

A fim de aumentar a fiscalização sobre o patrimônio bilionário dos fundos de pensão, funcionários das estatais formaram chapas para ocupar cadeiras nos conselhos deliberativos dessas entidades. No início do ano, Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica Federal já elegeram conselheiros para esse fim.

Agora, esses conselheiros pretendem criar um fórum de participantes de vários fundos de pensão para trocar informações e experiências sobre como aumentar a fiscalização interna das fundações e promover mudanças nos estatutos para reduzir a influência das patrocinadoras, e, portanto, do governo. As primeiras reuniões deverão acontecer em janeiro de 2015.

Enquanto isso, a oposição trabalha para aprofundar as investigações a respeito do “Clube do Amém” na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O senador Aloysio Nunes (PSDB) apresentou requerimento para que a presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão, Cláudia Ricaldoni, e Carlos de Paul, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), esclareçam problemas na gestão do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios.

– A agenda da comissão está carregada, mas vamos ter que apressar a aprovação desse requerimento e agendar a audiência pública para este ano ainda. Essas novas denúncias mostram que não há limites para o PT. Não se trata mais de fatos isolados, mas de um modus operandi de um partido que resolveu fundar seu poder na corrupção como estratégia de ocupação – disse Aloysio Nunes.

Se um dia houve limites para a corrupção, a administração petista provou que podia facilmente estraçalhá-los. Nem mesmo para com a aposentadoria de funcionários públicos há o respeito necessário. Por se apresentar este como um partido da classe trabalhadora, só amarga ainda mais o gosto já péssimo desta notícia. A oposição não pode deixar isso passar em branco.

26 de novembro de 2014

Por que escondem os nomes dos políticos investigados pelos desvios na Petrobras?

S?RGIO FERNANDO MORO

É o que tenta descobrir o STF na pessoa do ministro Teori Zavascki. Ele atende a pedido do advogado de Gerson Almada, vice-presidente da Engevix. Segundo palavras do próprio Sergio Moro, em depoimentos já conhecidos pela imprensa, é solicitado um respeito ao foro privilegiado de parte dos envolvidos, pedindo para que, em vez do próprio nome, usem alcunha de “agentes públicos”. A teoria da defesa é que o juiz que acompanha a Operação Lava Jato busca manter sob seus cuidados o comando da Operação:

Para o advogado, que defende Gerson Almada, vice-presidente da Engevix, a PF sabia desde setembro do ano passado que deputados mantinham relações com o doleiro Alberto Youssef, mas o juiz só reconheceu o fato após a operação ter sido deflagrada, em 17 de março deste ano.

Segundo Simantob, a omissão sobre a presença de políticos visa impedir que o caso seja remetido ao Supremo. Deputados federais só podem ser investigados pelo STF porque gozam de foro privilegiado.

(grifos nossos)

Estando certo o advogado, abre-se todo um leque de novas dúvidas. Por que Sérgio Moro quer manter para si o comando da operação? Apenas vaidade? Para evitar que políticos da base governista sejam julgados por nomes que eles próprios indicaram ao Supremo? Para evitar que o foro privilegiado proteja os nomes já conhecidos caso a investigação caia em outras mãos? Fato é que a Polícia Federal vem de uma sequência de investigações descuidadas que, no caso mais grave, transformou o investigador, Protógenes Queiroz, em investigado. Todo cuidado é bem-vindo pelo bem do processo.

Mas, aos poucos, os demais executivos presos na sétima fase da operação Lava Jato começam a colaborar com as investigações da Polícia Federal. Os diretores da Mendes Júnior e da Galvão Engenharia, Sérgio Mendes e Erton Medeiros, respectivamente, já confessaram que pagaram propina ao doleiro Alberto Youssef e a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

Mendes prestou depoimento na sede da PF em Curitiba durante três horas. Segundo seu advogado, Marcelo Leonardo, que acompanhou a oitiva, Mendes disse que foi ameaçado por Youssef e Costa: se não pagasse propina, não conseguiria fechar novos contratos com a Petrobras e não receberia o pagamento dos contratos que já estavam em vigor — na época, a construtora Mendes Júnior havia sido contratada para fazer a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. O pagamento foi dividido em quatro parcelas de R$ 2 milhões.

Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Leite, que nada revelou sobre os contratos com a estatal em seu primeiro depoimento, já afirmou que seu cliente também está disposto a cooperar em uma próxima conversa.

“Vamos colaborar. Vamos tomar conhecimento de todos os fatos e aí podemos colaborar com um depoimento mais específico na sequência”, disse o advogado. “Ele poderá admitir [atos ilícitos] se forem verdade e colocar a mão à palmatória”, afirmou Mariz.

Enquanto isso, a justiça segue bloqueando os bens dos investigados. Em algumas contas, nenhum valor foi encontrado, mas o Banco Central ainda conseguiu reter R$ 47,8 milhões de 19 suspeitos. Nas contas de Gerson de Mello Almada, da Engevix, havia R$ 22,6 milhões, o que representa quase a metade de todo o valor bloqueado. A outra fatia estava dividida entre os demais.

O empreiteiro Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia, mantinha R$ 10,2 milhões em depósitos. Nas contas do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o BC bloqueou R$ 3,2 milhões. Na conta de sua empresa, a D3TM Consultoria, o valor de R$ 140 mil.

A fim de evitar esse tipo de problema para seus clientes, os advogados das 5 maiores empreiteiras do país tentaram, sem sucesso, fazer um acordo com o Ministério Público antes que as prisões fossem efetuadas.

Na quinta-feira que antecedeu a etapa Juízo Final da investigação, advogados da Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e de duas outras construtoras de grande porte compareceram juntos ao prédio da força-tarefa em Curitiba. Os defensores insistiram na proposta de estabelecer um acordo conjunto. A resposta dos procuradores foi negativa.”Todos se reuniram conosco ao mesmo tempo. Expuseram suas propostas. Nós as ouvimos. E dissemos obrigado, mas não”, disse um dos investigadores.

Estamos diante do maior caso de corrupção da história de um país já rico de exemplos no tema. Natural que suspeitas surjam de todos os lados. Mas, se não houve escrúpulos para desviar valores na ordem dos bilhões das contas da Petrobras, não há por que acreditar que haveria para encarar com a seriedade devida toda a investigação. O próprio Paulo Roberto Costa foi preso após flagrado tentando se livrar de provas. A presidente da Petrobras já se viu sob a suspeita de se proteger de investigação comandada pelo TCU acerca da compra de Pasadena. O mesmo TCU que o governo vem tentando aparelhar. Cautela para se investigar corretamente é sim necessária. Mas tão necessária é a agilidade para fechar o cerco a qualquer investida menos interessada em justiça da parte dos principais suspeitos.

25 de novembro de 2014

Nunca se roubou tanto

petrobras-paulo-roberto-costa

Autor convidado:
Luciano Galvão Novaes

Um texto de Ricardo Semler, publicado no jornal Folha de S. Paulo no último dia 21.11, causou verdadeiro frisson entre petistas e simpatizantes do partido. Pudera. No texto, o empresário diz que é tucano, que nunca se roubou tão pouco no Brasil (como agora) e que a elite escandalizada com os desvios da Petrobras é hipócrita.

A afirmação, na boca de um petista, teria importância nenhuma. Dito por um tucano, entretanto, passou a ter ares de revelação sagrada.

Desde a eleição de lula, sempre que alguém do partido era acusado de qualquer crime, a resposta imediata era negar, como sempre fazem todos os criminosos. Exposta a evidência do crime, entretanto, com a exceção do Mensalão (que descaradamente continua a ser negado pelo partido), o “argumento” passava a ser de que outros já tinham praticado o ilícito.

O recurso nunca foi levado a sério (imaginem um advogado, durante a defesa de seu cliente, acusado de homicídio, afirmar aos membros do júri que Caim havia matado seu próprio irmão). Na defesa petista, entretanto, sempre foi amplamente utilizado, dada a sua característica curinga: esgotadas as possibilidades de defesa do “malfeito”, seu defensor apelava para o histórico da prática em outros governos, sobretudo o de FHC, eterno ídolo petista.

Assim, o argumento, mesmo vindo de um tucano, continua ridículo. De fato, o que se pretende exatamente com ele? Em nome de práticas do passado, o crime atual deve ser ignorado? Se não, o argumento é hipócrita; se sim, o argumento é canalha.

Passadas hipocrisias e canalhices, restam “os dados”.

Segundo o texto, “A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas”. O autor não informa a origem de suas informações. Segundo informações do site Congresso em Foco, entretanto, em 2006, a corrupção consumia R$ 9,68 bilhões, ou 0,5% do PIB brasileiro.

Em 2010 a FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, divulgou um estudo feito pelo seu Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) que informava, a partir de dados de 2008, que o custo médio anual da corrupção no Brasil representava de 1,38% a 2,3% do PIB, algo em torno de R$ R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões.

Os dados da Transparency International (organização mundial que mede a percepção da corrupção nos países) são ainda mais claros ao mostrar a piora do Brasil no quesito.

O gráfico 1, abaixo (produzido a partir de informações que podem ser confirmadas no site da organização – transparency.org), ilustra a evolução do país entre os anos de 1995 e 2011.

Metodo1

Como se vê, há nítida melhora de 1995 até 2003/2004 e sensível piora de 2004 a 2006, quando o escândalo do Mensalão foi habilmente conduzido pelo governo (tanto que lula foi reeleito), fato que pode explicar a melhora pontual da percepção da corrupção no país naquele ano.

A partir de 2006, entretanto, há nova piora do índice.

Em 2012 houve mudança no método de pontuação do ranking, mas não da piora da percepção da corrupção no país: o gráfico 2 mostra que o Brasil continuou em queda. Naquele ano ocupávamos o 69º lugar no ranking da corrupção e no ano seguinte, 2013, caímos para o 72º (o primeiro lugar do ranking é ocupado pela Dinamarca nos dois anos, país considerado, portanto, o menos corrupto do mundo).

Metodo2

O ranking de 2014 ainda não saiu, mas os valores desviados da Petrobras não parecem mostrar melhoria no quesito.

Infelizmente, caro Ricardo, a verdade é que nunca se roubou tanto.

24 de novembro de 2014

Nova Enquete: Os mascotes do Rio 2016

mascotes_2016

 Foram anunciados neste domingo (23) os mascotes dos Jogos olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Os nomes deles serão escolhidos por votação no site do evento, mas como não gostamos de nenhuma das três opções (Oba e Eba, Tiba Tuque e Esquindim e Vinicius e Tom), resolvemos apresentar algumas alternativas de nomes para a dupla.

Escolham os nomes dos dois mascotes olímpicos do Rio:

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21 de novembro de 2014

Semler diz que hoje roubam menos na Petrobras, mas seu atual sócio presidiu a empresa de 1999 a 2001. Ué…

ricardosemler

O artigo de Ricardo Semler na Folha de São Paulo (que surpresa…) foi celebrado por petistas internéticos (aqueles mesmos que, até agora, estavam num silêncio ensurdecedor enquanto jorram denúncias contra a Petrobras). A resposta genérica do “sempre teve mutreta” é um recurso comum de quem é pego com a boca na botija, de modo que não surpreenda a repercussão – entre militantes – do texto de Semler. Nesse pormenor, de fato, não falou nada muito errado.

Mas sigamos.

O problema é dizer que as prisões decorrem do fato de Dilma ser presidente, atribuindo a ela o avanço nas coisas. Não é verdade, pois a Polícia Federal atua de maneira AUTÔNOMA, independentemente de quem está no poder. E essa tese se afunda ainda mais quando consideramos as delações premiadas (a depender de quem estava no esquema, portanto, nada seria descoberto).

Também escapa da lógica e do mundo real a ideia – defendida no texto sem muito fundamento (até porque não existiriam) – de que hoje se rouba MENOS. O título “nunca se roubou tão pouco” é de certa forma acintoso. Como assim “pouco”? Há POUCO para roubo? E há ainda “tão pouco”? Por favor, né? Mas, não, não foi pouco. Nem menos do que antes. Fizemos no Implicante uma linha do tempo narrando o Petrolão e a operação Lava Jato. Vejam aqui.

No fim das contas, o raciocínio do “sempre teve disso” (agora promovido a “hoje é bem menos”) serve para relativizar o escândalo sem precedentes (e, sim, é sem precedentes), fazer de conta que a culpa é do sistema, de algo maior (se todos são culpados, então ninguém é culpado). Resta avisar aos que agora estão promovendo delações premiadas e devolvendo centenas de milhões de reais desviados.

Mas há algo ainda mais curioso aí nesse artigo.

Virando novamente a própria mesa
O que de fato assusta no texto de Ricardo Semler é a acusação indireta (ou não tão indireta assim) que faz ao próprio sócio, Philippe Reichstul – confiram aqui, no site da Semco Partners, sua presença no quadro societário (informam que está desde 2006).

Ocorre que Philippe Reichstul foi nada menos que PRESIDENTE DA PETROBRAS (de 1999/2001). Sim, sério. Vejam aqui.

Vale ressaltar um trecho do artigo de Ricardo Semler:

“Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito. Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.” (grifos nossos)

Se agora – segundo o articulista – rouba-se MENOS, como era na época em que seu sócio na Semco Partners, Philippe Reischstul, foi presidente da empresa (notem que ele acusa a CÚPULA)? Como foram aqueles dois anos? Pois é… Considerando ainda a ideia defendida pelo texto (agora roubariam menos), o que afinal de contas levou Semler a associar-se a um ex-presidente da Petrobras justamente na época em que, segundo ele próprio, as coisas não eram tão “boas” quanto agora?

São perguntas que podem parecer irônicas, mas na verdade são muito sérias. E devem ser feitas pela CPI. Nada mais justo, honesto e correto que chamar o próprio Semler, que diz saber desses casos. Além dele, claro, seu sócio que presidiu a empresa por dois anos, naquele período que (novamente, segundo o articulista) as coisas eram piores.

Cabe à oposição o DEVER de convocar Ricardo Semler e seu sócio. Não é admissível passar panos quentes sobre essas declarações. São verdadeiras? Não são? Pois DEVEM ser investigadas, pois são acima de tudo muito graves. E se a oposição NÃO convocá-los nem citar os fatos narrados no artigo, acaba caindo naquele comportamento da base governista que tanto condenamos.

Alguém discorda?

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