Várias pessoas, vira e mexe, me fazem essa pergunta: “Dilma Rousseff é lésbica?”. Se Datafolha fosse, diria que Dilma Rousseff é a personagem sobre a qual meus amigos mais tem curiosidade de saber a orientação sexual, tipo 24% a mais do que a de algum ator de novela ou estrela de Hollywood.
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Um passeio simples por qualquer perfil petista na web garante algumas máximas acerca do tema do texto: os tucanos fazem campanhas sujas. É o que eles dizem e, de tanto dizer, quase fazem parecer que alguém ali realmente acredita nisso. Mas é pouco provável, porque é uma daquelas mentiras toscas, que valem para imputar ao adversário aquilo que o próprio “indignado” pratica.
Vejamos um retrospecto simples.
Em 2002, na campanha para a Presidência da República, o PT usou esquema ilegal de pagamentos. Duda Mendonça depôs em CPI entregando esse ouro e, agora, para negar o Mensalão, todo o partido se vê na circunstância absurda de “reconhecer” ao menos esse tipo de prática (o que parece inócuo, pois Ministros do STF não se convenceram quanto a APENAS um delito). Isso é campanha suja.
Na reeleição de Lula, houve o episódio dos Aloprados: apareceu uma montanha de dinheiro, cuja origem ATÉ HOJE NÃO FOI DECLARADA, para comprar um dossiê fajuto. Estavam envolvidos, como no caso de 2002, pessoas ligadas aos principais candidatos petistas. Isso é campanha suja.
Marta Suplicy, em 2008, começou o segundo turno questionando seu adversário, Kassab. Queria saber se ele
era “casado” e se tinha “filhos”, em alusão íntima cínica e agressiva. Isso é campanha suja.
Em 2010, o bunker de pré-campanha de Dilma Rousseff contratou duas pessoas hoje complicadas com a justiça: Amaury Ribeiro, indiciado em 4 crimes, entre os quais a invasão do sigilo fiscal de familiares de adversários da então candidata do PT e também Dadá, hoje indicado como PAGADOR do esquema de Cachoeira. Isso é campanha suja.
Agora, em 2012, a equipe de Haddad publica um vídeo associando um adversário a Adolf Hitler. Disseram que o responsável foi “afastado” e o candidato disse que não sabia de nada – ainda que não soubesse, continua ele próprio responsável pelo que seu SITE OFICIAL publica e divulga. Isso é campanha suja.
Essa lista BEM sintética reúne fatos concretos facilmente pesquisáveis. O PT é especialista em campanhas sujas, tem uma verdadeira ficha corrida nesse sentido e, claro, também devemos incluir aqueles blogs de ex-jornalistas pagos com dinheiro público (uma consulta aos textos e comentários mostra o nível de insulto, ofensa, xingamento e que tais).
Esses são os fatos. As matracas – pagas ou não, e com ou sem a língua presa – insistirão na ladainha de que os outros fazem “campanha suja”. É mentira. O PT faz campanha suja. E não há como essa gente negar tudo isso, de modo que é mais prático acusar o adversário daquilo que eles próprios fazem. Simples e nojento assim.
De acordo com a publicação britânica, o panorama das teles no Brasil não é dos mais auspiciosos. Abaixo
transcrevemos (em tradução livre) os trechos principais da matéria:
A suspensão das vendas [de novas linhas telefônicas] pode ter sido um aviso para medidas mais duras. Dilma Rousseff costuma adotar mecanismos de intimidação contra empresas privadas que considera “preguiçosas”: no início deste ano, a presidente atacou bancos cujas taxas de juros considerava elevadas. Os próximos alvos poderão ser as teles.
(…)
O governo está ansioso para evitar transtornos durante a Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Em Londres, a demanda por banda é sete vezes superior à exigida nos jogos de Pequim, realizado em 2008. (…) Em 2014, certamente essa demanda aumentará. O Brasil já concluiu o leilão das redes 4G nas cidades-sede da Copa do Mundo, com a condição de que tudo esteja pronto um ano antes do início das partidas. Os vencedores foram, na sua maioria, empresas que sequer supriram a demanda por 3G e serviços de voz.
(…)
Em 2001, após a seca que esvaziou reservatórios, o Brasil corria o risco de cortes no fornecimento de energia. Eles só foram evitados com a adoção de medidas de redução do consumo. O cerco às teles tem características semelhantes às do “apagão“: baixo investimento, negligência frente à crescente demanda, e um quadro legal e regulatório pobres. Como Dilma Rousseff deve se lembrar, o apagão provocou uma retração na economia brasileira, ajudando o seu partido chegar ao poder, dois anos depois.
Leia a íntegra da matéria aqui (em inglês).
O jornalista Augusto Nunes resgatou, em sua coluna diária no portal de Veja, trechos de uma entrevista concedida pelo atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo à publicação. Ao ser questionado sobre a existência do mensalão, Cardozo foi categórico:
“Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou esses atos e aprender com os erros.”
Notem que o ministro fez questão de sublinhar que o pagamento foi feito a políticos da base, e não somente a partidos, como sustenta a defesa dos acusados.
Cardozo – que é do PT e conhece o partido como poucos – nunca negou o conteúdo da entrevista.
A íntegra da matéria está na edição de número 2048 de Veja, e foi publicada em fevereiro de 2008. Para ter acesso à publicação, consulte o acervo digital da revista.
Botox da presidente ganha “nota 10″ em reportagem da revista americana. Em comparação com outros líderes mundiais, o Brasil apresenta os melhores resultados na modalidade “cirurgia plástica presidencial”. Confiram o relato do Estadão:
A presidente Dilma Rousseff foi citada em uma reportagem da revista norte-americana Vanity Fair que menciona líderes e chefes de Estado em todo o mundo que já fizeram cirurgia plástica.
A lista foi feita com o auxílio do cirurgião-plástico David Hidalgo, que apontou quais procedimentos teriam sido realizados por sete líderes.
Segundo a publicação, Dilma fez lifting facial, aplicou botox, além de ter adotado um corte de cabelo mais moderno e feito um extenso tratamento dentário. A revista também aponta a estilista Carolina Herrera como inspiração para a presidente brasileira.
A revista também citou na reportagem o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, o ex-ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un.
De acordo a publicação, os procedimentos deixaram Dilma com uma aparência mais serena. O cirurgião que participou da reportagem também afirmou que, ao contrário dos outros líderes listados, as modificações fizeram muito bem à presidente.
Vocês podem ler o texto sobre Dilma (em inglês) diretamente no site da Vanity Fair.
Com a proximidade do julgamento do maior escândalo político da história brasileira, o Implicante relembra detalhes da trama que começou a ser revelada depois que a revista Veja publicou imagens de um funcionário dos Correios recebendo propina em nome do PTB. Com as denúncias, e percebendo que não receberia apoio da base que integrava, o presidente do partido, Roberto Jefferson, partiu para o ataque, e começou a contar detalhes sobre um suposto esquema de compra de votos, o “mensalão”.
No documentário de 6 minutos, além de relembrarmos episódios que já se tornaram clássicos na crônica política brasileira, apresentamos detalhes importantes que ficaram esquecidos, como a coincidência entre datas de saques nas contas do publicitário Marcos Valério e a mudança partidária de vários dos parlamentares envolvidos.

A ex-ministra ex-petista Marina Silva causou rebuliços ao participar da abertura das Olimpíadas de Londres (ou para os “Jogos Olímpicos”, como diz o jornalismo maior de idade). A surpresa geral da nação foi ainda maior visto que, desta feita, todos estão sabendo do que acontece nas Olimpíadas pela outra.
Além de segurar a bandeira olímpica, Marina Silva foi homenageada ao lado de sumidades como o ex-boxeador Muhamad Ali e a liberiana Leymah Gbawee (não se preocupe por não conhecer: a vencedora do Nobel da Paz em 2011 também não é conhecida por nenhum grande humanista destas bandas), mesmo sendo chamada apenas por “a brasileira Marina Silva” na narração da Record.
A homenagem, feita também a outras sete personalidades, foi guardada a sete chaves pelos organizadores. Mesmo a presidente Dilma Rousseff (talvez a principal responsável por Marina abandonar o barco petista) não ficou sabendo. A própria Marina Silva só foi avisada com quatro dias de antecedência.
Usualmente são atletas que carregam a bandeira do Comitê Olímpico. Mas não foram os heróicos atletas brasileiros que tiveram um faniquito invejoso da ex-ministra. Foi o ministro dos Esportes (seja lá o que for isso) Aldo Rebelo. O comunista ironizou a participação de Marina Silva esta manhã, como informa Fabio Campana.
Segundo Aldo, não é o governo quem escolhe a pessoa que vai levar a bandeira olímpica e sim a Casa Real. “Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?”, ironizou. “A Marina Silva sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”, justificou.
É mesmo preciso ser do velho partidão para acreditar tão fortemente em uma “aristocracia” européia, mormente uma composta pelo Comitê Olímpico Internacional (que inclui não só monarquias européias mas, ora, até mesmo democracias não-européias).
É claro que o COI iria preferir chamar uma personalidade internacional (um nome conhecido da ONU) como Marina Silva e não um “ministro do Esporte” como Aldo, mais conhecido pelo projeto de lei que dispõe sobre a obrigatoriedade de adição de farinha de mandioca, de raspas de mandioca ou de fácula de mandioca à farinha de trigo (contra o imperialismo do pão francês!), pelo projeto de lei que proibiria em 90 dias o uso de palavras ou expressões estrangeiras, obrigando-as a serem substituídas por equivalentes da língua portuguesa (en passant, devemos lembrar que a palavra “comuna”, que dá origem ao nome de seu partido, não possui equivalente semântico em língua portuguesa, por não designarem a mesma coisa, mas está lá, como raiz do adjetivo de seu próprio partido), ou ainda por tentar tungar em R$32.200,00 o escritor Millôr Fernandes, que, ao comentar esta última contribuição aldorebelista à república, afirmou que Aldo proferira muita “idioletice” (idioleto é a variação lingüística em nível individual, ou seja, o que qualquer pessoa imprime personalisticamente à língua), e Aldo aquilatou que sua honra fora atingida neste montante de dezenas de milhares de coroas por isso.
Por óbvio que não foi apenas o nosso Aldo que reagiu como um agente da KGB descobrindo que o filho gosta de Coca-Cola. Informa a Exame:
O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que a primeira reação foi de surpresa. Para ele, o COI deveria ter feito um melhor trabalho de comunicação com o governo brasileiro. “É óbvio que seria mais adequado por parte do COI e da organização do evento que houvesse um diálogo de forma mais concreta com o governo brasileiro para a escolha das pessoas”, disse, sem deixar de reconhecer a importância do trabalho ambiental de Marina.
Para outro membro da delegação, que pediu para não ser identificado, o que o COI fez foi o equivalente a convidar um membro da oposição britânica para um evento no Brasil que tenha o governo de Londres como convidado especial. (…)
Ontem, Dilma foi mostrada pelas câmeras oficiais por menos de cinco segundos, enquanto a entrada de Marina foi amplamente comentada, como representante da luta ambiental no mundo. O ministro do Turismo, Gastão Vieira, só ficou sabendo da presença de Marina já no Estádio Olímpico. “Foi surpresa”, disse o ministro da Ciência, Marco Antonio Raupp.
Ou seja, o governo brasileiro é que deve dizer quem pode e quem não pode. Ou, mais exatamente, o partido que cuida atualmente do governo brasileiro. Uma vez Partidão, sempre Partidão.
Como se Aldo não já tivesse proferido sentença infeliz o suficiente, Dilma também aproveitou para dizer que “Nós vamos fazer muito melhor, vamos levar uma escola de samba e abafar”.
Mas por que Marina Silva deveria ser atacada por supostas “boas relações com a aristocracia européia”? É mais bonito ser mal-criado e comer com os cotovelos em cima da mesa? É mais interessante manter uma política de nojinho e ataques gratuitos – quod erat demonstrandum?
Ademais, as companhias de Aldo, quando expostas a público, revelam justamente a principal razão oculta (ou Hintergedanken, pra sacanear) de sua inveja. Aldo Rebelo anda bem acompanhado da bancada ruralista mais caricata no Congresso – justamente pelo vezo de acreditar em uma “industrialização” coletivista nos moldes da política stalinista da kholkhoz (dá pra traduzir isso?), que se diferencia do coronelismo brega dos rincões rurais do Brasil pela quantidade de mortos de fome (o modelo comunista ganha com algumass centenas de milhões de cadáveres de vantagem, antes do coronelismo chegar ao primeiro milhão). Marina Silva é homenageada pelo Comitê Olímpico Internacional justamente por sua luta pela preservação da floresta amazônica (por métodos discutíveis que o sejam) e pela luta contra os pistoleiros assassinos que ganharam fama internacional após o assassinato de Chico Mendes.
Será que Aldo Rebelo acha mais elegante manter boas relações com este tipo de aristocracia?
Já falamos dele, mas vale relembrar: Dadá colabocou com Protógenes Queiroz, atuou no tal “bunker” da pré-campanha petista por intermédio de Amaury (sim, ele). Seu nome ressurgiu de forma desabonadora quando estourou o escândalo do Cachoeira. Agora, a coisa piora: foi apontado por dois policiais que atuaram na Operação Monte Carlo de ser o PAGADOR de um “mensalão” a policiais goianos. Leiam um trecho de reportagem desta quarta (25) do Valor Econômico, voltamos em seguida:
A Justiça Federal em Goiânia dará continuidade esta manhã aos depoimentos do processo penal da operação Monte Carlo, em que Carlinhos Cachoeira e outros sete réus são acusados de formação de quadrilha armada, corrupção, peculato e violação de sigilo funcional. O depoimento de Cachoeira e dos outros acusados estava previsto para hoje, mas poderá ser adiado, já que oito testemunhas ainda devem ser ouvidas antes.
Cachoeira e os outros réus estavam presentes ontem no primeiro dia de audiência. Mais magro e abatido, Cachoeira e os demais se sentaram na primeira fila do auditório da Justiça Federal. A previsão inicial era de que ontem fossem ouvidas 14 pessoas indicadas pela acusação e pela defesa, mas só houve tempo para duas testemunhas: os policiais federais Fábio Alvarez e Luiz Carlos Pimentel, que atuaram na Monte Carlo.
Em depoimentos que duraram mais de três horas cada um, eles relataram detalhes encontrados nas investigações, como o pagamento de uma espécie de “mensalão” pelo grupo de Cachoeira a policiais para que colaborassem com o esquema de três formas: passando informações sigilosas sobre operações para fechar casas de jogos, fechando pontos de jogos não autorizados ou garantindo a segurança das casas de integrantes do grupo.
“Havia um pagamento mensal a diversos policiais civis e militares, e quem efetuava geralmente era o Dadá [o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, um dos réus no processo]“, disse Fábio Alvarez. Outros pagamentos, disse, foram buscados no escritório de Lenine Araújo de Souza, acusado de ser o contador de Cachoeira, e na casa de Regina Sônia de Melo, ex-servidora da prefeitura de Luziânia (GO).
O policial enumerou episódios em que buscas foram frustradas por causa do vazamento de informações. Relatou uma ocasião em que o agente da PF Wilton Tapajós Macedo, assassinado na semana passada com dois tiros na cabeça em um cemitério em Brasília, foi abordado por policiais militares enquanto cumpria diligências da Monte Carlo. Segundo Alvarez, o agente acompanhava um encontro de supostos integrantes do grupo de Cachoeira, na casa de Regina, quando foi abordado por militares. “Ele teve que usar coberturas para garantir sua integridade e continuar o trabalho”, disse Alvarez, que teria vivido situação semelhante em sua atuação no caso.
Em seguida o policial Luiz Carlos Pimentel, que atuou na operação como chefe substituto de inteligência, detalhou esquemas de contabilidade do grupo. De acordo com ele, a PF encontrou uma planilha na qual o pagamento de propina era identificado como “assistência social”. Os beneficiários eram identificados por siglas em uma coluna específica. (…) (grifos nossos)
Em texto recente, explicamos de forma didática as ligações Amaury-Dadá-Protógenes. Segundo o próprio Amaury, Dadá teria prestado serviços no bunker da pré-campanha presidencial petista. Segundo policiais federais, em depoimento colhido de forma oficial, Dadá era o “pagador” do esquema Cachoeira. Sim, o mesmo Dadá que mantinha encontros com Protógenes, hoje deputado – e também atuou na famosa operação Satyagraha.
Seu nome também surgiu num caso de, por assim dizer, “varredura”, agora a mando do governador petista do DF, Agnelo Queiroz.
Dadá trablhava para o PT? Trabalhava para Cachoeira? Para ambos? Somam-se os relatos e as respostas são todas positivas, inclusive com base em DEPOIMENTOS OFICIAIS. E nenhuma das partes até agora negou coisa alguma. Enquanto isso, a imprensa parece não notar esse fato. Taí, fica a dica da pauta. Comecem perguntando o que exatamente fazia Dadá no bunker eleitoral petista, no governo do DF e, claro, também para Cachoeira. Seguramente, há uma boa história aí.
Após a revista Veja ter revelado que o carequinha Marcos Valério estaria ameaçando o ex-presidente e o PT, o portal Terra localizou o operador do Mensalão na rua e conseguiu fazer uma pergunta a ele. Confiram um trecho da reportagem do portal:
(…) Respondendo a uma única pergunta, ele negou que irá delatar alguém a poucos dias de o caso ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. “Eu sou igual ao Delúbio, nunca endureci o dedo para ninguém e não vai ser agora, às vésperas do julgamento”, garantiu Valério, “independente do resultado”.
Enquanto seguia para um restaurante, o empresário, que não dá entrevistas à imprensa desde 2005, também se mostrou indignado com uma reportagem da revista Veja que denuncia que ele estaria ameaçando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a história não passa de uma “ficção científica”. “Eu não tenho nenhum confidente em Brasília, principalmente lá, onde não vou há anos. (…) Eu nunca fiz ameaça a ninguém”, disse.
A publicação afirma em sua edição desta semana que Valério ameaçou revelar ao Ministério Público detalhes de conversas suas com o então presidente Lula. Segundo a matéria, Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula, admitiu ter participado de reuniões com o empresário, mas diz que isso nada tem a ver com ameaças ou chantagens. Ainda de acordo com a revista, seria a segunda vez que ele ameaça o PT.
Julgamento mais aguardado desde o impeachment do presidente Collor, o caso do mensalão chega à Suprema Corte no dia 2. Ao lado de outros 37 réus, Valério será julgado pelos crimes de corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas. No documento enviado ao STF, a defesa do empresário pede sua absolvição alegando que não há prova que confirme a utilização de recursos públicos no suposto esquema.
(…)
(grifos nossos)
De acordo com reportagem publicada na revista Veja desta semana, o empresário Marcos Valério estaria ameaçando revelar ao Ministério Público detalhes de conversas suas com o então presidente Lula. Os encontros teriam ocorrido antes das primeiras denúncias de corrupção. Abaixo destacamos um trecho da reportagem de Rodrigo Rangel:
Em maio, quando os ministros do STF já debatiam a data de início do julgamento (do mensalão), petistas influentes foram mobilizados para conter a ofensiva de Marcos Valério. De Belo Horizonte, onde mora, o operador do mensalão fez chegar à cúpula do PT a ameaça: depois de refletir muito, teria finalmente decidido procurar o Ministério Público para revelar alguns segredos – o principal deles, supostos detalhes de suas conversas com Lula em Brasília. O ex-presidente sempre negou a existência de qualquer vínculo entre o operador do mensalão antes, durante e depois do escândalo. Para mostrar que não estava blefando, como já fizera em outras ocasiões, o empresário disse que enviaria às autoridades um vídeo com um depoimento bombástico, gravado por ele em três cópias e escondido em lugares seguros. Seria parte do acordo de delação premiada com os procuradores. Seu arsenal também incluiria mensagens e documentos que provariam suas acusações.
Os petistas destacados para descobrir se as ameaças de Valério não seriam apenas blefe são, de acordo com a reportagem, Paulo Okamotto, atual diretor-presidente do Instituto Lula, e Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do PT e amigo pessoal de Lula. A reportagem de Veja entrou em contato com os dois, mas somente Okamotto aceitou falar:
Paulo Okamotto admitiu ter participado de reuniões com Marcos Valério, mas disse que isso nada tem a ver com ameaças ou chantagens: “Ele queria me encontrar porque às vezes queria saber como está a política, preocupado com essas coisas”. O mensaleiro escolheu como consultor o melhor amigo do ex-presidente que chantageia há sete anos.
É isso que vocês leram, Okamotto afirmou que se deslocou até Belo Horizonte para sanar curiosidades do mineiro sobre “como está a política”. Parece que o presidente do Instituto Lula está com bastante tempo livre em sua agenda.
A íntegra da reportagem está na edição impressa de Veja.