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17 de setembro de 2014

Seguranças oficiais de Dilma agridem jornalistas em debate

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A agressão ocorreu minutos antes de começar o debate entre presidenciáveis organizado por emissoras católicas. Segue trecho da reportagem do Estadão:

“…a repórter Marina Dias, do jornal Folha de S.Paulo, sofreu ferimentos no braço no esquerdo, que ficou sangrando. Após o incidente, todos os jornalistas foram retirados, até mesmo os que possuíam credencial para o local. Para os jornalistas assistirem ao debate foi disponibilizada uma sala com TV. Segundo José Guedes Filho, chefe da segurança da Basílica de Aparecida, os agressores foram os seguranças da Presidência. A assessoria da campanha da presidente Dilma Rousseff, por sua vez, informou que a segurança presidencial seguiu orientações da organização do debate de impedir a entrada de jornalistas. A assessoria não informou o nome do segurança que teria agredido a repórter.” (grifos nossos)

Sabe aquele pessoal que reclama de “truculência policial” em casos de determinação de força coercitiva e joga culpa em governador quando o uso dessa força é determinação do judiciário? Pois é, essa galera tá quietinha agora. Nem um “a” sobre a agressão.

Também não esperem qualquer indignação de feministas governistas. Afinal, primeiro o partido, depois a integridade física da jornalista.

Ah, sim, não vale dizer que foi um fato tão isolado assim. Vejam aqui outro caso do mesmo gênero.

15 de setembro de 2014

De Requião para Joaquim Barbosa: “juiz ou capitão do mato?”

Até as 16:30 de hoje, o tuíte ainda estava no ar. Confiram aqui (imagem abaixo):

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“Capitão do Mato” é o nome dado aos negros que serviam aos senhores das fazendas na tarefa de capturar negros fugitivos, entre outras tarefas. Era visto, por tanto, como um inimigo dos escravos (apesar de ser também negro). E foi o termo usado para ofender Joaquim Barbosa. Sim, foi exatamente essa  comparação, algo ridículo em essência, mas ainda mais bizarro quando se considera que os condenados eram BRANCOS E MUITO RICOS.

Para se ter uma ideia de como estava o clima naquela época, vejam aqui e aqui alguns outros exemplos. Os aliados do governo federal e militantes dos partidos governistas não se contiveram e partiram para o ataque. Não foi diferente com Requião, senador pelo PMDB, partido que tem ninguém menos que o VICE na chapa da Dilma.

Enfim, como já dissemos algumas vezes, votar no PMDB é o mesmo que votar no PT. A mesma chapa, os mesmos aliados, a mesma turma. Onde se lê Requião – ou Skaf – pode ser lido DILMA. São a mesma aliança nacional.

Portanto, eleitor, na hora de votar de forma inocentemente honesta, supondo que alguns políticos possam estar ao seu lado, não se esqueça de olhar com atenção quem de fato está ao lado deles. E quem eles têm como inimigo.

14 de setembro de 2014

Dilma defende cotas, mas reconhece: não há um único negro no seu primeiro escalão

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Mesmo em se tratando de Dilma, campeã de momentos lamentáveis, certamente o vídeo a seguir bate alguns recordes. Em primeiro lugar, ao desnudar a falácia de Dilma – e do PT – quanto à defesa de cotas e demais políticas inclusivas, já que, no governo, NÃO HÁ UM ÚNICO NEGRO NO PRIMEIRO ESCALÃO.

Agora, a caminho de um segundo turno provavelmente contra uma mulher negra, Dilma tenta novamente tirar a pauta da cartola e… Bom, comete isso:

Como não há negros no primeiro escalão, Dilma então se sai com uma variante governamental do “nada contra, tenho até amigos que são”. A frase é eterna: “TENHO MUITOS NEGROS NO SEGUNDO ESCALÃO”.

Quanto ao mais, vale recordar o que alguns militantes fizeram com Joaquim Barbosa quando o negro ministro do STF OUSOU condenar líderes do PT. Vejam aqui.

12 de setembro de 2014

Desvios do “Petrolão” seriam equivalentes a 33 “mensalões”

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O Petrolão, escândalo da Petrobras cujos envolvidos foram recentemente delatados por Paulo Roberto Costa, pode ter custado aos cofres públicos o equivalente a 33 mensalões. Segundo levantamento realizado pelo Valor, a área de Abastecimento da empresa investiu R$ 112,39 bilhões entre maio de 2004 e abril de 2012. Desse montante, 3% teriam sido desviados.

Uma fatia de 3% referente à suposta comissão cobrada sobre esse valor chega, portanto, à cifra de R$ 3,37 bilhões. Segundo declaração de Costa à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF), esse seria o percentual da propina paga a políticos por empreiteiras e empresas sobre os valores dos contratos firmados com a Petrobras.

Na delação do ex-diretor de Abastecimento da estatal, aparecem vários nomes de peso, como Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Renan Calheiros (PMDB-AL), presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, além de Edison Lobão (PMDB-MA), ministro de Minas e Energia, Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR), Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Roseana Sarney (PMDB-MA) e o ex-candidato Eduardo Campos (PSB), substituído por Marina Silva na corrida presidencial.

Sobre o PT, ele afirmou que o operador encarregado de fazer a ponte com o esquema era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, cujo nome já havia aparecido nas investigações como personagem de negócios suspeitos do doleiro Alberto Youssef.

Alberto Youssef, que tem muitas conexões no meio político, é investigado na operação Lava Jato, que desbaratou um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, de acordo com a Polícia Federal, movimentou cerca de R$ 10 bilhões. Paulo Roberto Costa também é investigado na operação sob a acusação de receber propina do esquema à época que era diretor da Petrobras.

Reportagem veiculada no programa Fantástico, em 13 de abril, mostrou o conteúdo de uma das planilhas da Costa Global apreendidas pela PF. Os documentos mostram que o ex-diretor mantinha um controle detalhado de todas operações que ele intermediava entre a Petrobras, empreiteiras e fornecedores. Numa das planilhas obtidas pelo Fantástico, aparece ao lado do nome das empresas a porcentagem que o ex-diretor da Petrobras receberia caso conseguisse contratos para elas. Em muitos casos, a comissão é de 50%.

Ao saber da delação premiada de Costa, a presidente Dilma tentou fazer pouco do que ele teria a dizer, afirmando que a estatal “é muito maior que qualquer agente dela” e “está acima” de falhas de conduta de seus funcionários.

“Não se pode confundir as pessoas com as instituições. A Petrobrás é muito maior que qualquer agente dela, seja diretor ou não, que cometa equívocos, crimes – ou, se for julgado, que se mostre que foi condenado. Isso não significa uma condenação da empresa”, disse Dilma.

Após a revelação dos nomes, Dilma disse ainda que a divulgação dos depoimentos é apenas “especulação”, já que o processo está criptografado dentro de um cofre, de onde só sairá para ir ao Supremo.

“Eu gostarei de saber direitinho quais são as informações prestadas nessas condições e te asseguro que tomarei as providências cabíveis. Não com base em especulação. Eu quero as informações. Acho que elas são essenciais e são devidas ao governo, porque, caso contrário, a gente não pode tomar medidas efetivas”, disse Dilma.

Quando a capa da Veja veio a público há uma semana, muito se especulou que este seria “apenas” mais um escândalo daqueles soltos milimetricamente em período eleitoral para direcionar os votos aos não atingidos. Mas o desenrolar da operação entrega que ela segue sua busca por justiça independentemente do que pretende vender o horário eleitoral.  A própria iniciativa de criptografar os depoimentos buscando minimizar os vazamentos prova que não há intenção de se fazer uso político do caso da parte dos investigadores. O que, claro, não impede que alguns envolvidos comentem do pouco que sabem com os mais próximos e isso de alguma forma chegue à imprensa. Fato é que já são 42 horas de depoimentos da parte do “delator”. Para tudo isso ser mentira, seria preciso uma imaginação fora do comum agindo na cabeça de Paulo Roberto Costa.

10 de setembro de 2014

Após denúncias de corrupção na Petrobras, Aécio ataca, Dilma se defende e Marina se diz vítima

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Após o acidente que matou Eduardo Campos e o lançamento da candidatura de Marina Silva em seu lugar, o cenário das eleições foi completamente alterado, o que levou todos a reverem seus direcionamentos. Agora, com a delação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, as campanhas foram novamente obrigadas a reavaliar suas estratégias, já que nomes do PT e o do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos estão entre os denunciados.

A presidente Dilma Rousseff orientou neste domingo, 7, sua equipe a blindar o governo e sua campanha das denúncias de Costa. A ordem no Palácio do Planalto é sugerir “desespero” e interesses ocultos por trás das acusações, sem entrar no mérito de cada uma delas.

A campanha da presidente mudou até mesmo seu comando, que agora é coordenado pelo ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário).

A entrada de Rossetto dilui o poder de [Rui] Falcão, que integra o campo majoritário do PT, do qual faz parte também o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, também envolvido por Paulo Roberto Costa no suposto esquema de recebimento de propina da Petrobras. A entrada de Rossetto, além de mudar o comando político e estratégico da campanha, tenta demarcar melhor a distância de Dilma em relação a Vaccari.

Enquanto isso, Aécio Neves, candidato do PSDB, buscou não aliviar. Afirmando que a “Petrobras se transformou numa organização criminosa“, classificou o caso como vergonhoso e defendeu uma investigação aprofundada das denúncias a fim de punir os responsáveis.

“Não podemos agora tapar o sol com a peneira.” Conforme o candidato do PSDB a presidente, “o Brasil acordou perplexo hoje com a gravidade das denúncias em relação à Petrobras”. “Na verdade, estamos frente ao mensalão 2. Dinheiro público sendo utilizado para sustentar um projeto de poder”, afirmou.

Para tentar se desvincular das denúncias, Marina Silva colocou-se em posição de vítima, e, a exemplo de Dilma, adotou um discurso acusatório, afirmando que sofre uma campanha de calúnia e difamação por parte de PT e PSDB, que tentam desconstruir a sua imagem.

“Eu encontrei no interior da Bahia, no Rio Grande do Sul, no Acre e em qualquer lugar desse país: PT e o PSDB juntos, numa campanha desleal, que afronta a inteligência da sociedade brasileira, fazendo todo o tipo de difamação, de calúnia, de desconstrução do nosso projeto político e até mesmo da minha pessoa”, criticou Marina, durante coletiva na sede de seu comitê de campanha, em São Paulo.

Mas o próprio conselheiro de Marina Silva, Eduardo Giannetti da Fonseca, já afirmou que, em caso de eleição, ela procurará pessoas do PT e do PSDB para formar sua equipe de governo e garantir apoio a seus projetos no Congresso.

Para Giannetti, até os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso poderiam colaborar. “Se [José] Sarney, Renan [Calheiros] e [Fernando] Collor [de Mello] vão para a oposição, com que se governa e com quem se negocia? É com Lula e FHC.”

Queiram os brasileiros ou não, como bem vem definindo Josias de Souza em suas colunas, as eleições findam se resumindo em “gincanas publicitárias”. Independente do que é melhor para o futuro do país, pesará bastante na decisão de outubro uma estratégia bem acertada. Foi um bom trabalho do marketing do PT que conseguiu reeleger Lula mesmo após o estouro do Mensalão em 2006. Trabalho ainda mais certeiro garantiu o primeiro mandato de Dilma. É na competência de João Santana que o PT ainda mantém as esperanças de virar o jogo contra Marina. É nos erros do PT que Aécio Neves ainda tenta garantir sua presença no segundo turno.

Fato é que, nesses dois meses de campanha, como era de se esperar, as mudanças na corrida pela sucessão presidencial fora mais intensas do que tudo que aconteceu nos últimos 4 anos, mesmo com os protestos de junho de 2013. E este último mês, a exemplo de campanhas anteriores, tem tudo para apresentar oscilações ainda mais notáveis. Segue o jogo.

9 de setembro de 2014

Professora aposentada é sócia de projeto bilionário do filho de Skaf

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Deu no Diário do Grande ABC, trechos a seguir:

“Professora é sócia de filho de Paulo Skaf – Professora aposentada da rede pública integra grupo seleto de projeto bilionário encabeçado por André Skaf, filho do candidato ao governo do Estado pelo PMDB, Paulo Skaf. Coordenadora de creche particular em Santos, a educadora Danira Pereira é sócia da SD Consultoria e Projetos, empresa que participa de conjunto de companhias que ganhou concessão do empreendimento, sob responsabilidade da Harpia Logística. Com previsão de investimento de R$ 1 bilhão em dez anos, a proposta engloba a construção do aeroporto de Parelheiros, na Zona Sul da Capital. A equipe do Diário esteve sexta-feira na sede da SD, no bairro Gonzaga, em Santos, local onde reside Danira e seu marido, Silvio Pereira, dono igualitário na companhia, que tem capital de giro no valor de R$ 6.000 (R$ 3.000 de cada). A SD injetou R$ 134 mil na Skaf Infra Participações (confira arte ao lado), de André, incluindo representatividade no negócio, denominado de Aeródromo Privado Rodoanel (…) Se por um lado há casal simples, o projeto de André Skaf tramita em conjunto com Fernando Botelho, herdeiro da Camargo Corrêa, uma das maiores empreiteiras do País e grande doadora de campanhas eleitorais. Postulante a cargo de chefe do Palácio dos Bandeirantes, Paulo Skaf defendeu no dia 12 a proposta do filho e implantação do terceiro aeroporto na Capital. Na ocasião, o peemedebista afirmou que a região precisa de investimento para gerar emprego e renda. O aeroporto ocuparia área de 4 milhões de metros quadrados ao lado da Represa do Guarapiranga. O local tende a receber serviços de táxi aéreo e helicópteros particulares. A pista teria 1.830 metros, 230 a mais que a do Campo de Marte, na Zona Norte, também destinado à aviação privada. A projeção é ter fluxo de ao menos 1.000 pessoas por dia. Aposentado, Silvio Pereira é engenheiro civil e ex-funcionário da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), entidade presidida por Skaf por dez anos. Segundo ele, seus sócios “já investiram bastante” no empreendimento e a SD entrará com “capital intelectual”. “Quanto vale a ideia de fazer negócio deste tamanho e ter noção de aeroporto? Esse ‘recurso’ é fruto de anos de experiência e estudo. No grupo é necessário pessoas especializadas.” André Skaf não foi localizado para comentar o assunto (…)  Proposta foi aprovada em tempo recorde em Brasília – O projeto do aeroporto em Parelheiros teve aval recorde na Sac (Secretaria de Aviação Civil), órgão ligado ao governo federal. A liberação final da proposta se deu em agosto de 2013, depois de apenas cinco meses do protocolo em Brasília, firmado pela empresa Harpia Logística, que lidera o grupo no empreendimento aeroviário. A Pasta é chefiada pelo ex-deputado Wellington Moreira Franco, inserido dentro na cota do PMDB, partido de Paulo Skaf, pai de um dos maiores interessados no negócio. Moreira Franco assumiu o cargo comissionado no dia 20 de março do ano passado. Um dia após a posse do peemedebista na secretaria, a Harpia Logística entrou com o pedido de solicitação para erguer o aeroporto. À época, a empresa tinha somente sete meses de fundação – iniciou suas atividades no dia 13 de agosto de 2012. A outorga, portanto, foi cedida à companhia, na oportunidade com um ano de abertura das portas, mesmo sem haver histórico de atuação no setor. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) concedeu à empresa licença de uso do espaço aéreo. O aeroporto, por sua vez, continua vetado pela prefeitura de São Paulo, sob a alegação de estar localizado em área de preservação ambiental. “Não conseguimos mexer em nada”, atestou Silvio Pereira, sócio no projeto. “Ideia é fazer parque ao lado do aeródromo, como compensação. Terá zero de impacto”, concluiu. A Justiça de São Paulo negou o pedido da Harpia para obter a certificação de uso e ocupação do solo. Sem a licença, recusada pelo Paço paulistano, a empresa não pode começar o projeto.” (grifos nossos)

Que coisa, hein?

Ainda sobre Skaf, sugerimos a leitura disso e disso.

8 de setembro de 2014

Alberto Youssef, o doleiro por trás das denúncias contra Lula, Campos, Marina e tantos outros

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Desde a morte de Eduardo Campos (PSB), cuja candidatura à presidência foi substituída pela de Marina Silva, tenta-se descobrir quem é o proprietário do avião Cessna que caiu em Santos. Suspeita-se que ele teria sido adquirido com recursos de caixa dois, e, durante a investigação, descobriu-se que uma empresa que transferiu dinheiro para a compra do jato também fez negócios com uma consultoria de fachada que seria controlada pelo doleiro Alberto Youssef.

Na operação para a compra do jato, a Câmara & Vasconcelos consta como tendo feito um pagamento de R$ 159,9 mil à AF Andrade para a aquisição do avião Cessna.

A empresa também aparece em documentos da Operação Lava Jato, aos quais a Folha  teve acesso, na relação de fornecedores que receberam dinheiro da MO Consultoria. O depósito foi feito em 2010 no valor de R$ 100 mil.

Alberto Youssef é, segundo ele mesmo, doleiro dos doleiros (“98% da minha clientela eram doleiros”). Fez fortuna investindo na atividade e envolvendo-se com políticos corruptos. De tempos em tempos, surge um escândalo envolvendo seu nome. Um dos maiores foi o do Banestado (Banco do Estado do Paraná), esquema pelo qual eram enviadas remessas ilegais de divisas para o exterior por meio do sistema financeiro público brasileiro – segundo o Ministério Público Federal, foram movimentados US$ 28 bilhões.

O Banestado foi a catapulta para Youssef se firmar como o maior doleiro do país. Ele saiu praticamente quebrado e se recuperou rapidamente. Hoje, todos os doleiros giram ao redor dele — afirma o então promotor Luiz Fernando Delazari, um dos primeiros a denunciá-lo, 10 anos atrás.

O doleiro é acusado de cometer o crime de evasão de divisas 3.649 vezes, e, segundo a Polícia Federal, seu dinheiro financia desde o tráfico internacional de drogas até o contrabando de diamantes de uma reserva indígena em Mato Grosso. Mas são as suas ramificações na política que preocupam os poderosos. Em 2004, fez uma delação premiada a fim de sair da prisão e prometeu abandonar a atividade.

Entregou os maiores doleiros do país e duas instituições que viriam a se tornar famosas no mensalão do PT: o Banco Rural e a corretora Bônus Banval. Um dos contatos de Youssef no Rural, segundo ele, era José Roberto Salgado, que se tornaria vice-presidente e seria condenado a oito anos de prisão no mensalão.

Em 2014, no entanto, durante uma investigação envolvendo outro doleiro de Brasília, Youssef foi descoberto de volta à antiga “profissão”, com um patrimônio ainda maior e uma nova rede de contatos que contava com nomes de políticos do PT, PP e PMDB.

Foram esses contatos políticos que levaram Youssef a tentar parcerias com o Ministério da Saúde, usando um laboratório quebrado, o Labogen, e até a tentar comprar um fornecedor da Petrobras, a EcoGlobal, logo depois de a estatal ter fechado um contrato de R$ 444 milhões com essa empresa do Rio.

E o trio PT, PMDB e PP, somado ao nome de Eduardo Campos (PSB) protagonizou no último fim de semana denúncias de pagamento de propinas a parlamentares e governadores, tudo com o conhecimento do então presidente Lula. A lista saiu de depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, em investigação sobre desvios de verbas na Petrobras. Alberto Youssef mais uma vez seria o responsável pela distribuição do dinheiro do esquema que teria envolvido mais de 60 nomes graúdos ligados à base governista, inclusive os presidente da câmara, senado e república.

Há mais mistérios entre Brasília e a verdade do que julga a vã filosofia dos eleitores. Mas, aos poucos, todos apontam na mesma direção. Dificilmente o brasileiro verá de volta todo o montante desviado de doze anos de PT no poder. Mas se faz preciso que culpados surjam dessas investigações e suas penas ajudem a evitar equívocos futuros. A própria delação premiada negociada com Paulo Roberto Costa só foi possível quando o investigado se tocou que se tornava um novo Marcos Valério, o acusado do Mensalão que acumulou em si a maior parte da culpa, livrando os demais de penas mais severas. E houve quem reclamasse do peso da mão de Joaquim Barbosa.

5 de setembro de 2014

Lideranças LGBT reclamam falta de iniciativas efetivas no governo Dilma

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No dia 1º de setembro, após o debate presidencial realizado no SBT, Dilma Rousseff se pronunciou a favor da criminalização da homofobia no Brasil, afirmando que é “contra qualquer forma de violência contra pessoas” e que isso é “uma ofensa ao Brasil”. No entanto, setores do movimento de defesa dos direitos dos homossexuais observaram que a presidente nunca tomou nenhuma atitude relevante a respeito do tema durante os quatro anos em que esteve no poder.

“Não dá para negar que o governo desenvolveu algumas ações. Mas também não dá para negar que poderia ter feito muito mais. As nossas duas principais reivindicações, a criminalização da homofobia e o casamento civil igualitário ficaram de fora das ações do governo”, observa o presidente da ABGLT, Carlos Magno. “Para mim foram duas derrotas para o movimento.”

A declaração da presidente parece, na verdade, querer pegar carona na polêmica mudança de postura da candidata Marina Silva, que, menos de 24 horas depois de lançar um programa de governo no qual defendia, entre outras coisas, o casamento civil igualitário, recuou e resolveu fazer alterações no capítulo que abordava o assunto, irritando os ativistas LGBT.

Na nova versão sobre o ponto LGBT, o programa não defende mudanças legais e traz apenas uma linha, defendendo apenas a garantia “de direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo” — que já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, o novo texto não faz menção à aprovação da PLC 122/06, que criminaliza a homofobia. O texto divulgado na sexta-feira defendia articulação no Legislativo da votação do PLC 122/06, que torna crime a discriminação baseada em orientação sexual e na identidade de gênero, equiparando-o aos crimes de discriminação em razão de cor, etnia, nacionalidade e religião.

Nos últimos anos, o único dos três principais candidatos à presidência a se pronunciar de forma clara a respeito do tema foi Aécio Neves, candidato do PSDB. Em entrevista à revista Época no ano passado, declarou que o casamento gay “já é uma realidade. Não me oponho em nada“. Agora, já em campanha, voltou a afirmar sua posição.

O senador mineiro disse ser favorável à criminalização de atos de discriminação contra homossexuais. “A meu ver, a homofobia deve sim ser tratada como crime”, afirmou. (…) Também defendeu a união civil entre pessoas do mesmo sexo. “A união entre pessoas do mesmo sexo já tem uma definição do Supremo Tribunal Federal, não há que se fazer qualquer questionamento em relação a isso.”

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O programa de Marina Silva vem levantando polêmicas não só a respeito das recentes mudanças. Segundo revelou Aécio Neves, trechos inteiros do Plano Nacional de Direitos Humanos lançado e publicado por Fernando Henrique Cardoso em maio de 2002 foram plagiados.

A reportagem comparou os trechos do plano de governo de Marina apresentados como cópia pelo candidato tucano com o decreto de FHC de 2002. Os quatro parágrafos são idênticos – três são reproduções integrais e, em um, há a troca de dois termos.

Mas “plano de governo” costuma ter, na prática, importância menor do que o eleitor gostaria. Não se tratam de documentos legais, portanto, não é raro ser ignorado pelo vencedor ao assumir o cargo. No caso mais recente e gritante, menos de um anos após tomar posse, a administração de Fernando Haddad voltou atrás no sua principal promessa de campanha. E seu efeito pode ser justamente o oposto do esperado. A exemplo de todo imbróglio gerado recentemente com Marina Silva, foi uma proposta do programa de Russomanno que o fez perder votos na reta final e, de líder nas pesquisas, nem conseguir ir a segundo turno.

Contudo, são peças de campanha que ajudam a esclarecer ao eleitor quem são as opções que se colocam à sua frente. No momento em que o dito no palanque não bate com o que se defende por toda a carreira, paradoxalmente esclarece ao eleitor que se tratam de pessoas confusas, que denotam pouca confiança. Já houve quem se queimasse politicamente por recorrer a voto religioso sem qualquer relação com qualquer tipo de fé. Por mais que a malandragem marketeira creia ser possível vender quantos gatos por lebre quiser, o leitor, no momento em que percebe o golpe, migra sem dor na consciência para o outro lado. Todo cuidado é pouco na reta final. E o caminho mais seguro para todos os envolvidos costuma ser o da autenticidade.

3 de setembro de 2014

Delação premiada: ex-diretor da Petrobras abre mão de recursos contra sua prisão

Texto do blog de Fausto Macedo:

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O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, abriu mão de todos os pedidos de habeas corpus e recursos que havia apresentado contra o decreto de sua prisão. A desistência de Costa faz parte do acordo de delação premiada que ele fechou com a Procuradoria da República e a Justiça Federal.
Alvo da Operação Lava Jato – investigação sobre super esquema de lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões -, Costa está preso na Polícia Federal em Curitiba, por ordem do juiz federal Sérgio Fernando Moro.
Réu em duas ações criminais por lavagem de dinheiro de corrupção na Petrobrás e por destruição e ocultação de provas, Paulo Roberto Costa é investigado em outros procedimentos.
Estima-se que sua pena, se condenado, poderá ultrapassar a que foi aplicada ao operador do Mensalão do PT, Marcos Valério, que pegou 40 anos e 4 meses de prisão.
Contra a ordem de prisão decretada pelo juiz Moro, os antigos defensores de Costa ingressaram com sucessivos pedidos de habeas corpus. O argumento central é que a Justiça Federal no Paraná não seria a competente para cuidar do caso porque as empresas do doleiro Alberto Youssef, apontado pela Polícia Federal como parceiro de Costa, ficam sediadas em São Paulo. Os primeiros advogados do ex-diretor da Petrobrás chegaram a apresentar reclamação ao Superior Tribunal de Justiça.
Em agosto, Costa contratou a advogada Beatriz Catta Preta, criminalista que ostenta em seu currículo atuação em causas de grande repercussão sobre crimes financeiros. Catta Preta já atuou, com êxito, em outros processos que abrigaram delação premiada de acusados. Foi assim com o investidor Lúcio Funaro, nos autos do processo do Mensalão do PT.
Para demonstrar que está mesmo disposto a colaborar com a Justiça, Paulo Roberto Costa, orientado pela advogada, abriu mão de todos os habeas corpus e recursos que havia interposto contra sua prisão. Procurada, a advogada Beatriz Catta Preta não se manifestou sobre a nova estratégia.
31 de agosto de 2014

Nos últimos quatro anos, SUS desativa nada menos que 13 mil leitos

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Pesquisa recente encomendada pelo Conselho Federal de Medicina mostra que 87% dos usuários do Sistema Único de Saúde mostraram-se insatisfeitos com o serviço recebido do governo. Entre os vários motivos da insatisfação, pode-se apontar levantamento feito pelo mesmo conselho, baseado em dados do Ministério da Saúde, no qual descobre-se que o SUS desativou quase 13 mil leitos entre 2010 e 2014.

A psiquiatria, com 7.449 leitos a menos, foi a especialidade com maior queda. Na pediatria houve redução de 5.992; na obstetrícia, 3.431 e na cirurgia geral houve uma redução de 340 leitos. Em janeiro de 2010, o SUS tinha 361 mil leitos, em julho deste ano, caiu para 348.303.

O Ministério da Saúde justificou a drástica redução de leitos psiquiátricos afirmando que a nova política não prioriza a hospitalização de pacientes com problemas do tipo, mas a psiquiatra Fátima Vasconcelos considera a decisão equivocada.

Fátima diz que há ilhas de excelência em psiquiatria em hospitais universitários, mas a realidade do serviço público mostra que existe uma grande dificuldade de conseguir uma consulta. “Não existe esse ambulatório tão bem ajeitado que evite internações. É um viés ideológico. Achar que não existe doença psiquiátrica é uma insanidade”, disse Fátima.

Alguns estados, como Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Distrito Federal e Amapá, apresentaram aumento no número de leitos, mas as regiões Sudeste e Nordeste registraram grandes perdas.

No estado do Rio de Janeiro, 4.621 leitos foram desativados desde 2010. No Nordeste, a maior queda foi no Maranhão (-1.181). Entre as capitais, o Rio de Janeiro foi a que mais perdeu leitos na rede pública (-1.113), seguido por Fortaleza (-467) e Curitiba (-325).

Enquanto isso, em vez de tomar providência, a administração petista segue lançando projetos que não tem competência para finalizar. Até março deste ano, quase 50% das obras do PAC 2 direcionadas à melhoria da saúde não haviam saído do papel.

De acordo com levantamento inédito divulgado pelo Conselho Federal de Medicina, das 24.006 obras “tocadas” pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Nacional de Saúde por meio da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apenas 11% foram concluídas, o que equivale a 2.547 obras. (…) Das 21.519 restantes, apenas 9.509 encontram-se em execução. Cerca de metade (12.010) das obras de Saúde inscritas no PAC 2 ainda estão “no papel”. A maior parte (10.328) encontra-se em ação preparatória. Sete estão em fase de licitação e 1.675 de contratação.

Doze anos depois, o governo petista, em discursos de campanha, sempre que confrontado com o tema, faz vista grossa e minimiza a sua culpa, dividindo a responsabilidade com estados e municípios. De resto, aproveita a deixa para defender o polêmico Mais Médicos, por mais que o programa, mesmo que nada de polêmico trouxesse, busque resolver apenas um dos problemas enfrentados pela saúde no Brasil: o da falta de médicos longe dos grandes centros. Fato é que, três mandatos depois, a saúde pública caminhou muito timidamente sob os cuidados do PT. Pior ainda, chegou a regredir, como nesse sumiço de leitos. Não à toa, o principal ministro da saúde no período vem obtendo um resultado pífio nas pesquisas que apontam a intenção de voto para o governo do estado de São Paulo, cargo o qual almeja.

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