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19 de dezembro de 2013

Que tal tirarmos um pouco de sarro do Sakamoto?

sakamoto capa Que tal tirarmos um pouco de sarro do Sakamoto?

Muitas pessoas perguntam como conseguimos achar tanta coisa a ser comentada na internet. É simples: temos um algoritmo que caça textos por aí segundo palavras-chave (feminismo, fascismo, privataria, homofobia etc). Conforme o número de palavras encontrado, ele nos classifica o que deve ser comentado.

Às vezes ficamos sem inspiração e apenas rodamos o algoritmo conforme a classificação do que está sendo comentado na internet. É fácil encontrar a meia dúzia de palavras que está no texto de todos os “progressistas”, o novo nome da esquerda anti-capitalista de sempre.

Mas tem vezes em que a coisa enguiça. Parece estar todo mundo na mesma pontuação. Todos os sites progressistas falando da mesma coisa, na mesma hora, com as mesmas palavras (nisso atingiram perfeitamente a igualdade).

Aí não tem jeito: para saber quem tem prioridade e deve ser mais comentado, precisamos correr logo para Leonardo Sakamoto.

Em seu blog no UOL, o jornalista reclamou dos “preconceitos” de quem zoou Romário por este sair com uma “mulher trans”.

“Mulher trans”, “liberal-fascista”, “homem urso”, “meio grávida”, “católico ateu”. É com esse tipo de conceito que funciona a mente progressista. Não se trata de falácias, ou seja, falhas na construção de um silogismo: trata-se de erros até nos conceitos que buscam refletir a realidade. Assim, mesmo um esquerdista mestre da lógica, com pós-doc em Filosofia, notável analista de narrativas (a Escola de Frankfurt foi feita assim), não deixa de ser um completo divorciado da realidade mais factual.

man woman 229x300 Que tal tirarmos um pouco de sarro do Sakamoto?A crítica de Sakamoto é que “O que define uma mulher não é o que ela tem ou teve entre as pernas”. Ou seja, uma mulher pode ser… um homem. Talvez um alemão possa ser um tailandês. Ou uma foca talvez possa ser um ornitorrinco. Como já diz a sabedoria popular, na falta de um original, qualquer objeto em sua mão pode se transformar em um martelo. E se tudo o que você tem à mão é um martelo, trate o mundo como um grande prego.

Diz o nosso japa preferido que “Você se sentiu sexualmente atraído por uma mulher. Dai descobre que ela tem ou teve o mesmo órgão sexual que você”. Para Sakamoto, tudo o que define uma mulher é o quanto alguém “se sente e se expressa” mulher. Se eu, homem, “me sentir” mulher e dar uns malho no Sakamoto, ele continuará sendo hétero (?!), porque teve uma relação homem-mulher. No entanto, para tal, preciso “me expressar” como mulher. Todavia, as formas de como uma mulher “se expressa como mulher” (batom, saia, salto alto, bolsa, dirigir mal, acreditar em horóscopo, ter a “capacidade” de ser estuprada vaginalmente, pintar as unhas) são apenas performances socialmente construídas (?!?!), e não algo intrínseco ao sexo, que é diferente do gênero, porque os transexuais redefiniram essa distinção básica (?!?!?!?!). Entendeu? Nem eu. Mas tá lá no Sakamoto e nas baboseiras que a Judith Butler escreve. Ops, desculpe. @ Judith Butler. Não podemos fazer distinção de gênero na gramática.

A esquerda tem duas preocupações com esse tipo de “analítica”. Tudo surgiu com Michel Foucault e sua crítica à “sociedade disciplinar” (antes dele, o feminismo estava mais preocupado com salários iguais para mulheres em fábricas nos tempos de guerra, depois estas causas urgentes de agora se tornaram a preocupação principal de seres semoventes).

Trata-se antes de tudo de subverter não valorestradições, como costumam reafirmar certos conservadores, mas sobretudo de estraçalhar padrões de medida. Ou seja, medidas fixas, pelas quais possamos medir outras coisas. Por exemplo, alguém no Brasil é a favor de corrupção e de ditadura? Creio que ninguém diga isso tão claramente. Mas chamando a primeira de “caixa 2″ e a segunda só de “regime comunista”, quantos não passam a imediatamente, nunca antes na história desse país, a dizer que corrupto que compra voto para instaurar uma ditadura é herói nacional?

Sakamoto, nessa atividade, comete uma análise brilhante, mas com conceitos, como visto, divorciados da realidade:

Se aceitar bovinamente viver com medo de seus desejos conseguirá, aí sim, ser um belo de um frouxo. Um covarde que não tem vontade ou opinião própria, mas depende da manada para lhe dizer o que pensar, como se vestir, o que comer e com quem se deitar.

Cara, tenho dó de você. Porque, ao temer ser rotulado, compartimenta a vida em caixinhas que, simplesmente, não existem. E interdita a si mesmo em uma sabotagem maluca.

“Ah, mas isso é pecado!” Olha, se existir uma entidade suprema, acredite, ela não vai se importar com quem você transa ou quem você beija. Caso contrário, não seria uma entidade suprema, mas algum religioso-fundamentalista-inspirador-de-ódio.

É despiciendo ver como tais ataques à religião são manobra totalitária. Mas não deixa de ser engraçado ver Sakamoto criticando quem “não tem opinião própria”, quem “depende da manada para pensar”, quem “teme ser rotulado”, quem “compartimenta a vida em caixinhas”, compartimentando todas essas pessoas na caixinha com rótulo “religioso-fundamentalista-inspirador-de-ódio” (é com você que ele tá falando, cara).

Diagnóstico perfeito, justamente para explicar quem depende da opinião da manada com sua modinha progressista politicamente correta para pensar, quem teme ser rotulado de coxinha, conservador, reaça e direitista e quem divide a vida entre as caixinhas dos “bacanas” e dos “religiosos-fundamentalistas-inspiradores-de-ódio”.

laerte Que tal tirarmos um pouco de sarro do Sakamoto?A segunda preocupação é justamente essa animalização da linguagem. Ao invés do contato direto com a realidade (menino tem pênis, menina tem vagina), temos apenas o contato intermediado pela ideologia propagada por eles, em que eles são nossos únicos defensores – e para nos proteger, precisam de poder. Poder para impedir que outros tenham preconceitos e acreditem em coisas ultrapassadas, como homem e mulher. Como cromossomo X e Y. Como família, papai e mamãe. O totalitarismo de 1984, Admirável Mundo Novo, Revolução dos Bichos, A Revolta de Atlas e derivados começa exatamente assim: tudo, no fim, se torna apenas a máquina estatal e seu mundo perfeito e aplainado.

Com essa animalização, todo discurso apenas age como cachorros, cheirando as partes íntimas de seu interlocutor para saber se fazem parte da matilha amiga ou rival. Caso recaia no segundo caso, basta chamar de conservador, reaça, coxinha etc.

É aí que entra o nosso algoritmo. E é aí que análise de Sakamoto é perfeita em sua lógica, mas inverte completamente a realidade – afinal, ele mesmo pratica o que critica.

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18 de dezembro de 2013

Dilma reduz verba de pesquisas para bancar o Ciência sem Fronteiras

Dilma Rousseff imprensa brasilia 20121227 04 size 598 Dilma reduz verba de pesquisas para bancar o Ciência sem Fronteiras

Criado em julho de 2011, o Ciência sem Fronteiras, programa do governo que contempla estudantes com bolsas de estudo no exterior, tem como objetivo, segundo o site oficial do projeto, “promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional“. Ainda de acordo com a página, prevê-se a utilização de 101 mil bolsas em quatro anos.

A que custo, no entanto, o país vai enviar tantos estudantes para o exterior? Segundo artigo do Estadão, Dilma destinou ao programa quase R$ 1 bilhão na Lei Orçamentária de 2014. Mas o grande problema é de onde vai sair esse dinheiro: das verbas para o fomento da ciência e da tecnologia, o que levou a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia de Ciências a protestarem, afirmando que o corte prejudicará pesquisas em andamento.

Os recursos para financiar cursos e estágios de universitários brasileiros no exterior sairão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que é a principal fonte de financiamento das agências públicas de fomento à pesquisa. Os programas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que é a maior agência de fomento do País, dependem diretamente do FNDCT. Essa será a primeira vez que os recursos do fundo – vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – serão utilizados para financiar o Ciência sem Fronteiras – um programa gerenciado pelo CNPq, em parceria com a Capes, mas basicamente dirigido pelo Ministério da Educação (MEC).

(grifos nossos)

A presidente da SBPC, Helena Bonciani Nader, afirmou que “o impacto na pesquisa será trágico“, enquanto o matemático Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências, atestou que, se o Ciência sem Fronteiras não compensar, o impacto na área científica será grande. Ainda segundo a matéria, o órgão mais atingido pelo corte das verbas do FNDCT vai ser o CNPq.

Entre as unidades e programas por ele financiados que sofrerão cortes profundos, em suas linhas de pesquisa, estão os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, o Programa de Capacitação de Recursos Humanos para o Desenvolvimento Tecnológico e o Edital Universal, que financia cerca de 3,5 mil projetos de pesquisa por ano. Serão afetados, ainda, programas financiados pelo CNPq em parceria com agências de fomento dos Estados.

As entidades científicas reclamam ainda que o programa foi criado às pressas, sem planejamento e rigor técnico e com um único beneficiário (do ponto de vista institucional): o MEC. Vale lembrar também que há pouco tempo o Ciência sem Fronteiras foi alvo de outra polêmica; dessa vez com relação à exclusão de todos os cursos de Humanas (incluídos em indústria criativa) das áreas contempladas pelo projeto. Segundo matéria d’O Globo, pesquisadores consultados disseram que houve “‘falta de compreensão’ do papel das ciências humanas no desenvolvimento do país“.

Para o presidente da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), Gustavo Lins Ribeiro, que também é professor titular do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), as ciências humanas, sociais e as artes são tão importantes para o desenvolvimento do país quanto as áreas tecnológicas e biomédicas. Na sua opinião, é preciso compreender a inovação como um fenômeno que não está restrito aos laboratórios.

A Capes tentou justificar a exclusão afirmando que houve apenas a “especificação de quais áreas eram pertencentes à indústria criativa“, mas o que fica claro é que, num governo tão pautado por seu marketeiro, a preocupação parece estar mais com o resultado eleitoral do programa do que com os ganhos para a educação do brasileiro.

18 de dezembro de 2013

A PL 122 e a KGB da “democracia socialista”

pl122 A PL 122 e a KGB da democracia socialista

 ”Quando ficar ofendido dá poder às pessoas, elas ficam ofendidas mais facilmente.”
- John Stossel

A esquerda chama quem ela não gosta de “coxinha” (algo parecido com “almofadinha”). Policiais são “porcos”. Não gostar do PT ou de Lula te torna “golpista”. Ter uma opinião diferente da concentração de poder estatal total do socialismo bolivariano é motivo suficiente para tachar alguém de “reacionário” ou “reaça” (que, após ler The Superstition of School, de G. K. Chesterton, ou O Credo do Reacionário, de Erik von Kuehnelt-Leddihn, só pode ser tomado como elogio). Claro, dependendo da faixa salarial da sua família, Marilena Chaui pode simplesmente dizer que odeia você (ela ganha muito mais).

Mas se você não gostar de um esquerdista, ele quer te mandar para a cadeia. É assim desde o Gulag. É a força estatal penal usada para “corrigir” você e seus preconceitos que te fazem ser um mal para a sociedade. A sociedade, aquela que sempre é quem tem a culpa.

Como a esquerda, após a experiência do totalitarismo socialista, já não detêm mais o controle total do aparato estatal (a não ser em casos emblemáticos como Cuba, Líbia, Laos, Coréia do Norte, o Iraque de Saddam etc), não pode mais criar uma polícia política e nem prender por pensamentos anti-revolucionários quem lhe der na telha. Nasce, assim, o progressismo, o novo nome do comunismo.

Ao invés de proteger “os proletários” assim, todos de uma vez (mesmo porque quase ninguém mais é “proletário”), defende-se grupos específicos de vítimas, que passam a ser defendidos escolhidos a dedo pelo poder estatal. Se na Venezuela o alvo são “sabotadores” e quem ofenda a imagem de Hugo Chávez, no Brasil são escolhidos grupos pelo tripé gênero-raça-sexualidade, conforme foi comum à esquerda americana, embebida das teses de Michel Foucault sobre a “sociedade disciplinar”.

Assim, não se defende mais o direito à vida, à liberdade de opinião e de expressão, à liberdade de culto. Defende-se, muito ao contrário, uma hipersensibilização apenas de grupos específicos.

machismo 300x225 A PL 122 e a KGB da democracia socialistaNão se trata de defender o direito à vida, à propriedade e a viver livre de agressões, coações e ameaças – direitos estendidos a todos os seres humanos. Trata-se de uma hipersensibilização completa. Olhar de uma forma que a pessoa não goste já te encaixa em alguma forma de “agressão”. Fazer piadinha, não dar o mesmo nível de preferência (por exemplo, achar que um homem costuma dirigir melhor do que uma mulher), não “aceitar” em sua própria privacidade, ou mesmo elogiar de uma maneira que seja considerada desagradável – tudo isso deve ser criminalizado. Enquanto assaltos, assassinatos, latrocínios e mesmo estupro seguido de morte por desmembramento a facadas são relativizados.

Se você gosta de proteger a vida, a propriedade, a liberdade e a não-agressão violenta e dolorosa, você é um “coxinha” e pode ser xingado à vontade. Difícil mesmo, para a esquerda, é chamar um homossexual de “bicha” ou dizer que uma mulher é peituda. Aí tem de criminalizar muito mais do que tirar a vida de alguém. Afinal, esses coxinhas lá sabem como é ser xingado o tempo todo?

Todavia, estes grupos específicos que a esquerda quer proteger (mulheres, negros/índios e gays, enquanto a onda muçulmana não vira moda no Brasil) tampouco são munidos do direito de se defender. Nada de armas, nada de liberdade e preservação irrestrita da vida e da propriedade de cada um. Todos são tutelados em seus direitos específicos apenas, é claro, pelo Estado.

Foi com este espírito que criaram a PL 122, o projeto de lei de 2006 que pretende criminalizar a “homofobia” no país. O projeto foi apresentado pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP) e sofreu inúmeras modificações nos 7 anos em que ficou indo de um lado para o outro da Câmara. O projeto que ainda pretende reformar o Código Penal via lei ordinária acatou pedido do senador Pedro Taques (PDT-MT) que exclui as referências a “gênero”, “identidade de gênero”, “identidade sexual” ou “orientação sexual”. Definições que só conseguem ser compreendidas mergulhando fundo nas mentes esquerdistas mais cavernosas de todas, de Valerie Solanas e Judith Butler a Laerte e Eli Vieira.

Apesar de parecer algo inócuo e que só diz respeito a gays, o projeto envolve a vida de todos. Não se trata apenas de criar uma lei que criminalize que um padre ou pastor evangélico, citando a Bíblia, diga que homossexualismo é pecado – ao mesmo tempo em que outra parte do Código Penal afirme que há direito à crença e também o crime de ultraje a culto, criando, assim, duas leis contraditórias que não vejam um “certo” e um “errado” numa disputa.

Sempre que um religioso e um gay estiverem em litígio – sem lei clara para definir o comportamento correto, resta apenas ao juiz aplicar penas e sanções tiradas de sua própria caçuleta para prejudicar alguém, optando-se sempre pela injustiça.

marcha das vadias jmj 300x169 A PL 122 e a KGB da democracia socialistaNessa situação, a própria lei, o próprio direito natural, a liberdade de expressão é comida aos poucos. Um católico não pode mais ser plenamente católico, um evangélico idem. Curiosamente, é o tipo de projeto lei que nunca se foca na religião islâmica, que mal existe no país – mas, tomado quase ipsis litteris de outros países que convivem com muçulmanos, tampouco em sua origem tentam entrar em conflito com muçulmanos, sempre protegidos pelo “multiculturalismo”. Seu alvo são unicamente os cristãos.

Assim, começa-se pelas beiradas: primeiro, leis que “criam direitos” para gays, cotas para negros, direitos exclusivos das mulheres. Parece uma boa intenção. Mas não é assim que se protegem gays, negros e mulheres.

Ora, religiosos podem simplesmente achar que o homossexualismo é pecado. Homossexuais que nem sequer são religiosos não têm por que se ofender. Algumas religiões também acham que é pecaminoso comer carne de porco, comer carne vermelha, usar poliéster, fazer cruzamento de raças de animais, (Levíticos 19:19), não semear a terra mais do que sete anos (Levíticos 25:04), morrer sem ter visitado Meca etc.

Isto se dá porque religiões não são apenas constructos metafísicos, mas formas de organizar a sociedade – os judeus, única sociedade pastoral a ter sobrevivido, mesmo entre os três mais sanguinários impérios da Antigüidade, viam com preocupação o consumo de carne de porco, já que porcos não transpiram e, para manter a temperatura, precisam de lama. Uma sociedade nômade, mesmo adorando bacon, deveria evitar tal carne para não dividir a tribo “pastando” com porcos. Era perigoso parar para porcos se refrescarem, enquanto o restante da tribo ia para mais longe. Os judeus de hoje sabem que só estão vivos porque seus ancestrais não comeram porco, e seguem o ditame, mesmo não precisando mais.

Da mesma forma, sociedades nômades em busca de uma terra para habitarem são muito mais preocupadas com a fidelidade e a reprodução do que uma sociedade não só “liberal” como até incentivadora do homossexualismo como Atenas, assentada e urbana.

moises deuteronomio 224x300 A PL 122 e a KGB da democracia socialistaÉ assim que deve-se interpretar textos religiosos e mitológicos (a Ilíada e a Odisséia também acham “barbarismo” beber vinho sem misturar com água – mas é porque o vinho da Grécia antiga era horrível, e hoje nosso vinho é ótimo; ofendeu? quem é o bárbaro agora?). Se você quer ser gay e não é religioso, qual o problema de alguém crer que tal comportamento, anátema para uma sociedade de pastoreio, é pecado? Somos todos pecadores para outras religiões. E a religião atacada, sempre o cristianismo, tampouco nega que qualquer ser humano é um pecador. Nos belos dizeres de Kuehnelt-Leddihn, “há todos os tipos de coroas, a mais nobre delas, composta por espinhos”.

Se queremos garantir a liberdade às pessoas, não é apenas a liberdade de serem iguais a nós. É o velho conflito entre liberdade e igualdade. Do contrário, caímos na esparrela dos defensores da “igualdade”, que nunca se lembram de explicar se querem que todas as pessoas sejam iguais a quem.

Mesmo um fanático religioso pode ser chato, mas não é obrigação legal ser legal e agradável. Criemos um ambiente em que o fanatismo religioso não prolifere por haver opções melhores de conduta. Não se faz isso com leis.

De acordo com Marilena Chaui, “democracia é criar direitos”. Direitos, como explicou o filósofo Olavo de Carvalho, são sempre uma obrigação: obrigar alguém a algo ou proibir alguém de algo. Para isso, precisam de uma força maior e um poderio grandioso.

“Criar direitos”, como se direitos fossem coisas a ser inventadas, e não apenas se reconhece o direito natural de cada um, é uma concepção de democracia clássica – ou seja, negativa, prejudicial, corrosiva. Oposta à politéia de Platão (o governo para muitos, dentro de padrões de conduta aceitáveis, sem agressões e prezando a boa convivência), o demokratos é apenas o grito da maioria. “Direitos” roubados em número, à força, da maioria. Se 51% de uma cidade escolhe esfolar vivo os outros 49%, estamos diante de um “direito democrático” em sentido clássico (que perdurou do séc. V a. C. até o séc. XVIII). Não parece ser isso que queremos.

Ao se “criar direitos” assim, separamos grupos que ontem conviviam pacificamente. Afinal, ninguém defendia que homens pudessem agredir mulheres, ou que heterossexuais tivessem o direito de agredir homossexuais. Mesmo assim (e mesmo com o homossexualismo sendo cada vez mais aceito), do começo de 2000 até 2013, pessoas que pensavam o mesmo que pensavam em 2000 agora se dizem “feministas”, ou ativistas do movimento LGBT ou LGBTTTs. Andamos “perdendo pessoas para o feminismo” da mesma forma que perdíamos para drogas pesadas dos anos 90 para trás.

Isso tudo porque essa mentalidade da esquerda impregna, por ser uma hegemonia, e não uma mera opinião. Essa hegemonia invariavelmente nos leva ao totalitarismo, e não a um autoritarismo. É o que pregava Gramsci, autor lido e defendido pelo militante LGBTTT, o deputado e ex-BBB Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Jean Wyllys acha que terem recusado a PL 122 foi uma “crônica de uma morte anunciada”, porque o Senado cedeu “à chantagem dos fundamentalistas”. Na verdade, Jean Wyllys, que, socialista como Marilena Chaui, tem motivos para odiar a classe média, divide as pessoas em apenas dois grupos: quem quer proibir religiosos de abrir a boca e “fundamentalistas”.

Para Jean Wyllys, dizer que um gay é um pecador deve ser criminalizado. Também é proibido fazer piada com o gay, um pai declarar que prefere que o filho seja hétero, chamar o gay de bicha, viado, boiola, baitola, bofe – aquelas palavras que os próprios gays usam entre si o tempo todo dando risada.

Contudo, quem discorda dele é coxinha, reacionário, conservador, fundamentalista, “não-preparado” para um “debate amplo”, um “debate sério”, chantagista, promotor do discurso do ódio, do preconceito, e até opositor do reconhecimento da “cidadania” para a população LGBT (sic), como se as leis existentes não garantissem direitos para os gays de não serem agredidos, difamados, mortos etc.

Nenhuma dessas palavras, claro, passou pela cabeça de Jean Wyllys e seu movimento pela hipersensibilização como uma ofensa a alguém – algo que deva ser criminalizado. Ele também é o deputado que chama seus desafetos de “deputado e pastor evangélico”, mas parece pouco confortável em que nos refiramos a ele apenas como “deputado e ex-BBB”. O esquerdista por definição é o cara que odeia a Globo e adora Jean Wyllys.

menace herd A PL 122 e a KGB da democracia socialistaClaro, ficaremos reféns de leis contraditórias decididas pelo que der na caixola de um juiz. Cada vez mais – primeiro com os gays, depois, como no ObamaCare, exigindo que todos financiem programas pró-aborto, depois ainda proibindo o Natal (que agora deve ser chamado apenas de Happy Holidays) e as árvores enfeitadas e assim prosseguirá. O roteiro já foi feito em outros países e está seguindo até a mesma ordem aqui.

Isto é criar direitos específicos apenas para grupos escolhidos pela hipersensibilização. É usar o aparato estatal para perseguir e obrigar apenas quem Jean Wyllys acha fundamentalista. Apenas quem o gramscista Jean Wyllys acha “conservador” demais para viver na futura sociedade perfeita que ele planeja. Apenas quem Jean Wyllys dá o direito (que precisa ser “dado”, como se fosse um presente) de não gostar, ou de preferir outro.

É impedir a KGB, a Stasi, a Securitate, a Tcheka, a Milítsia, a GPU e demais polícias políticas 2.0 do gramscismo de nos “reformarem” e impedir projetos como a PL 122 de “criar direitos” ou o caminho para sermos “corrigidos” por estes engenheiros sociais será o mesmo: o Gulag, e as mortes aos milhões. Ou você acredita que algum dia simplesmente disseram: “Vamos matar todos os judeus!” e foram aplaudidos, ou passaram uns bons anos os chamando de fundamentalistas, coxinhas, preconceituosos, sabotadores e demais apelidos antes?

18 de dezembro de 2013

Petrobras perde 54% de seu caixa em um ano; Eletrobras, graças a Dilma, segue no sufoco

dilma anuncia na tv desoneracao de produtos da cesta basica345x230 1582aicitonp17l6gq8scv1d147hp7j1i9jp201 Petrobras perde 54% de seu caixa em um ano; Eletrobras, graças a Dilma, segue no sufoco

Em sua coluna para o Monitor Digital, Sergio Barreto Motta minimizou a previsão feita pela consultora americana Macroaxis, que dizia ter a Petrobras 32% de chances de ir à falência. Reduziu o número a uma expressão: “irrelevante”. Mas não disfarçou qualquer preocupação com os rumos da estatal, uma vez que estaria ela com o caixa abaixo da metade do que fechou o ano de 2012. A perda chega a 54%, ou 14 bilhões de dólares:

Mas, por mais contraditório que possa ser, as estatais estão sofrendo na era Dilma. Deixando-se de lado a irrelevante previsão da consultora americana Macroaxis, de que a Petrobras tem 32% de chances de ir à falência, os números da estatal número 1 do país são preocupantes. Informa-se que a Petrobras tem em caixa apenas US$ 12 bilhões, contra US$ 26 bilhões no fim de 2012. 

(grifos nossos)

E as expectativas para 2014 não são boas. A depender do humor do dólar, a Petrobras pode precisar de 40 bilhões de dólares para sair do sufoco:

Para 2014, prevê o Credit Suisse que a estatal terá de tomar US$ 25 bilhões no mercado – e, como os bancos sabem dessa carência, os juros sobem. Se o dólar subir a R$ 2,70, as necessidades chegarão a US$ 40 bilhões. A estatal está vendendo ativos no exterior e, no Brasil, negocia participação de investidores estrangeiros em refinarias – um dos interessados é a mexicana Pemex. O endividamento da Petrobras, em apenas um trimestre, subiu de R$ 196 bilhões para R$ 236 bilhões.

(grifos nossos)

A outra gigante energética também é fruto da preocupação do colunista. A dívida da Eletrobras é menor, mas já atinge os 60 bilhões de reais e se aproxima do bilhão só em 2013:

Também sofre a Eletrobras. Sabe-se que a dívida bruta da gigante da energia já chega a R$ 60 bilhões e, em apenas dez meses deste ano, o prejuízo é de R$ 800 milhões. Anuncia-se que a federalização da CEA, do Amapá, e da CERR, de Roraima, iriam adicionar R$ 2 bilhões à dívida da Eletrobras. Nos bastidores, não se cogita de solução definitiva para as agruras da estatal de energia, mas apenas um paliativo: crédito de R$ 2,6 bilhões da Caixa. Um remendo, sem resolver os problemas estruturais que trouxeram tantas agruras à holding de energia.

(grifos nossos)

A culpada – Sérgio Motta não se poda em afirmar – seria a abrupta reformulação do setor elétrico proporcionada por Dilma. Mas isso ela não deve levar ao ar em cadeia nacional de rádio e televisão como fez ano passado ao anunciar a redução nas tarifas.

15 de dezembro de 2013

Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria quase 4 vezes maior que a oficial

size 590 ex presidente lula 448x338 Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria quase 4 vezes maior que a oficial

A maior promessa da campanha do primeiro mandato de Lula era a criação de 4 milhões de empregos, nada mais coerente com um partido que diz ser dos trabalhadores. O assunto parece tão consolidado que nunca mais entrou em pauta na grande mídia. O próprio ex-presidente, de tempos em tempos, usa o case para contar vantagem do trabalho feito por seu governo. Na abertura do quinto Congresso do PT na última quinta-feira, em Brasília, cantou para a claque:

“Qual o defeito da nossa economia? Qual o defeito de um governo que já gerou 4,2 milhões de empregos? Só nesse ano, que o PIB (Produto Interno Bruto) não está tão grande, já gerou mais de 1,4 milhões de empregos.”

É de fato de se espantar que o pior PIB do G-20, se europeu fosse, apresentaria a terceira melhor taxa de desemprego (5,5%), perdendo apenas para Suíça e Áustria. Teria mesmo o Brasil descoberto a solução mágica para o problema ou estaria o governo apenas e mais uma vez manipulando números para enganar seus eleitores?

A resposta pode estar no que o IBGE considerava População em Idade Ativa (PIA) até 2002, e o que passou a considerar desde então. Antigamente, qualquer brasileiro acima dos 15 anos que trabalhasse menos de 15 horas por semana era considerado desempregado. Mas a nova metodologia inclui apenas brasileiros acima de 18 anos. E basta trabalhar uma única hora por semana para não mais ser incluído na massa desempregada da nação.

No ano passado, o Instituto Ludwig von Mises Brasil revisou os dados do próprio IBGE e chegou a um número mais lógico: a taxa de desemprego no Brasil estaria em 20,8%, ou quase 4 vezes acima da vitória cantada pelo PT.

O trabalho de Leandro Roque para o instituto começa duvidando da diferença de quase 100% entre os números divulgados pelo IBGE e pelo DIEESE. E detalha toda a metodologia do primeiro, provando que favorece e muito o governo. Tudo porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é extremamente camarada ao evitar ao máximo dizer que alguém não tem emprego no país. Segundo suas planilhas, não são considerados desempregados no Brasil:

  • Trabalhadores não remunerados
    Qualquer malabarista de sinal ou vendedor de doces na rua pode se enquadrar neste grupo.
  • Desalentados
    Pessoas que num período de seis meses desistam de buscar emprego, seja qual for o motivo: está recebendo seguro desemprego, recebe bolsa-família, etc.
  • Biscateiros
    Pessoas que façam pequenos trabalhos esporádicos, mesmo que sua renda ao final do mês fique distante do salário-mínimo

Leandro Roque traz alguns exemplos para esclarecer o absurdo desta lógica:

“Em termos práticos, na atual metodologia, se um gerente de banco é demitido e passa a fazer malabarismo no semáforo, a taxa de desemprego não se altera.  Se um desempregado lava o carro do vizinho em troca de um favor, a taxa de desemprego cai.”

E aproveitou para explicar o trabalho de revisão que fez nos dados fornecidos pelo próprio IBGE:

“Coletei os seguintes dados:

  1. Pessoas desocupadas;
  2. Trabalhadores não remunerados;
  3. Pessoas com rendimento/hora menor que o salário mínimo/hora
    (aquele sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo);
  4. Pessoas marginalmente ligadas à PEA
    (pessoas que não estavam trabalhando na semana da pesquisa mas que trabalharam em algum momento dos 358 dias anteriores à pesquisa e que estavam dispostas a trabalhar); e
  5. Pessoas desalentadas.

De canja para o governo, deixei de fora as pessoas subocupadas, pois uma pessoa que trabalha regularmente um determinado número de horas por semana não está tecnicamente desempregada.

Somei estes cinco itens e dividi pela soma entre população economicamente ativa, pessoas marginalmente ligadas à PEA e pessoas desalentadas. (Estas duas últimas também entram no denominador porque não são consideradas economicamente ativas pelo IBGE, o que é um despropósito.)

O resultado gerou o gráfico abaixo:

taxa 600x300 Lula celebra empregos gerados pelo PT, mas taxa de desemprego seria quase 4 vezes maior que a oficial

Pela revisão do Instituto Mises, o desemprego no Brasil se aproximou de 35% no verão de 2006, pouco antes de o brasileiro reeleger Lula, que já naquela época contava vitória de empregos gerados. Como é de se esperar, cai bastante à medida em que as festas de fim de ano se aproximam e encontrou seu menor valor no Natal de 2011. Mas mesmo os 20,8% daquele outubro de 2012 mostravam uma discrepância muito grande com o discurso oficial que fechou o ano celebrando o baixíssimo (e pouco crível) desemprego de 5,5%.

Verdade seja dita, a nova metodologia entrou em vigor ainda nos últimos meses do governo FHC (mais precisamente, em março de 2002). Contudo, já são 11 anos de PT no poder sem que o cálculo seja questionado por seu comando. Provavelmente porque se beneficia dele.

11 de dezembro de 2013

A decadência do etanol no Brasil

Graca Foster Dilma Rousseff 525x338 A decadência do etanol no Brasil

O ex-presidente Lula, utilizando seu forte poder de retórica e persuasão, sempre gostou de vender os planos de seu governo acompanhados das mais elogiosas hipérboles. Foi o que ocorreu quando lançou o projeto do etanol como fonte de energia renovável, que prometia ser a melhor alternativa para fugir das altas dos preços dos barris de petróleo ao longo de seu governo. Durante o lançamento de um carro, em 2007, afirmou até que “haverá um momento em que o mundo irá se curvar aos combustíveis renováveis e o Brasil vai poder vender mais”. A realidade, no entanto, como mostra o El País, é que o Brasil nunca conseguiu deslanchar sua produção de combustível à base de cana-de-açúcar.

Uma forte quebra da safra em 2011 levou os preços do álcool combustível às alturas e hoje nem mesmo o consumidor brasileiro, que foi incentivado nos últimos anos a abastecer com o produto em consequência da popularização dos veículos bicombustíveis, ou flex, quer saber do etanol.

(grifos nossos)

Paralelamente ao lançamento do álcool brasileiro, os Estados Unidos lançaram seu próprio biocombustível: um etanol extraído do milho. A meta de crescimento de sua produção foi estabelecida por lei em 2005; assim, embora a cana-de-açúcar tenha um rendimento muito maior, a produção americana no ano passado já era mais que o dobro da brasileira: 50 bilhões de litros contra 23,6 bilhões.

O que aconteceu foi a falta de visão estratégica do governo, que não percebeu que os Estados Unidos, quando adotam uma lei, cumprem. A nossa produção estagnou enquanto a deles disparou”, afirmou Daniele Siqueira, analista de mercado da Agência Rural.

(grifos nossos)

Na tentativa de alavancar o consumo de álcool, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), lançou a campanha “Etanol, o combustível completão”, mas a política da presidente Dilma não empolga os empresários do setor.

Para Gláucio de Oliveira, sócio-diretor da ADN Corretora, especializada em álcool, no entanto, a política do Governo para o setor é equivocada. “Quem é que vai querer investir com o teto de preços que o Governo impõe aos combustíveis? Do modo como é hoje, a remuneração ao setor é sufocada”, diz ele.

A crítica também é feita por Maurílio Biagi Filho, presidente do Grupo Maubisa, do ramo do agronegócio. “Esse último reajuste de gasolina que a Petrobras autorizou sepultou o setor sucroenergético, além de ter impactado muito negativamente nas ações da própria estatal”, afirmou ele, cujo pai, Maurílio Biagi, foi um dos empresários, junto com Orlando Ometto, da Cosan, entre outros, que convenceu o ex-presidente Ernesto Geisel, da junta militar, a adotar o Programa Nacional do Álcool (Pró-alcool) em 1975.

(grifos nossos)

A reportagem do El País afirma também que a descoberta do pré-sal é uma das razões para a decadência do etanol brasileiro, uma vez que o interesse dos investidores se voltou totalmente para as reservas de petróleo e levou o governo a virar as costas para a sua antiga menina dos olhos, provocando o congelamento da área sucroalcooleira.

Entre os anos de 2007 a 2010, 76 usinas de cana-de-açúcar foram construídas no Brasil. Mas, de 2011 a 2012, 27 unidades produtoras fecharam as portas ou entraram em recuperação judicial. E até o final do ano-safra 2013/14, terminologia adotada na agricultura que representa o ciclo dos cultivos, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa os usineiros, prevê que mais 12 usinas encerrem suas atividades ou peçam na Justiça alívio para quitar suas dívidas.

(grifos nossos)

Para completar, segundo a revista alemã Der Spiegel, o governo leiloou um “tesouro por uma pechincha” ao licitar o campo de Libra, do pré-sal. Enquanto isso, a Petrobrás se deteriora a olhos vistos, como afirma o edital do Estadão de 29 de novembro de 2013:

A margem operacional da empresa – resultante da comparação do resultado operacional (excluídos o resultado financeiro e o pagamento do Imposto de Renda) com a receita líquida -, que era de 29,6% no início de 2006, baixou para 10,63% no início deste ano, como mostram alguns estudos. O retorno sobre o capital investido – que indica a relação entre o resultado operacional e o valor do capital investido na empresa – caiu de 29,2% no início de 2006 para 4,8% no primeiro trimestre deste ano. Apesar da capitalização, a dívida líquida triplicou entre 2008 e 2012.

(grifos nossos)

A imprensa brasileira já há um tempo se preocupa com a gigante do petróleo que anda em apuros graças à contaminação política de sua administração. No entanto, foi preciso um jornal espanhol chamar a atenção para o fato de que a Petrobrás é apenas parte de um projeto energético que vem se deteriorando já há um tempo.

10 de dezembro de 2013

Surgem provas de que Tuma Jr. escoltou Lula quando da prisão do petista

Uma matéria bombástica foi publicada na versão impressa da Veja no último fim de semana. Centrada no lançamento futuro do livro Assassinato de Reputações do ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr, trazia a denúncia de que o PT vem se valendo da máquina pública para atacar adversários políticos. De quebra, traz uma importante fala de Gilberto Carvalho. Nela, segundo “Tuminha”, teria o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência lhe confessado que, juntamente com Celso Daniel, desviava recursos públicos e os entregava para José Dirceu abastecer o caixa do partido. O tal livro também provaria, ou tentará provar, que este mesmo Dirceu possuía uma conta nas Ilhas Cayman para lavar o dinheiro do Mensalão.

Talvez a denúncia menos relevante seja a de que Lula teria sido informante do Dops nos anos 70. Até porque foi apresentada de forma elogiosa ao ex-presidente, destacando que sua boa relação com os ditadores o permitiu militar de forma mais segura, evitando excessos e caminhando politicamente como de fato caminhou. Tuminha disse inclusive ter escoltado o petista quando de sua prisão em 1980. Mas a devoção ao ex-torneiro mecânico é tanta que parece ter sido esta a informação que mais incomodou os governistas, fazendo o Brasil 247, talvez o site mais pró-governo em atividade, denunciar que o filho de Romeu Tuma teria menos de 17 anos quando do encarceramento.

A denúncia governista não se sustentou 24 horas e, para tanto, foi preciso apenas uma apuração um pouco mais profunda que uma visita ao verbete da Wikipedia que confundia a data de nascimento de Tuma Jr. com a de seu pai, Romeu Tuma. Quem trouxe os dados corretos foi Reinaldo Azevedo:

  1. Tuma Junior não nasceu no dia 4 de outubro de 1963, como informa a Wikipedia, mas no dia 13 de agosto de 1960. Assim, em 1980, quando Lula foi preso, ele tinha 20 anos. Quem nasceu em 4 de outubro foi seu pai, Romeu Tuma;
  2. Assim, em 1980, quando Lula foi preso, Tuma Junior tinha 20 anos e estava na Polícia havia dois. Ele prestou o concurso para investigador IP1/78 (o “78” é o ano);
  3. Acalmem-se os mais ansiosos: quando o livro chegar às mãos dos leitores, há lá uma foto de Tuma Junior escoltando Lula no Dops.
  4. Tuma Junior se aposentou na Polícia neste ano, com 35 anos de serviço: 2013 – 35 = 1978.

Chega a ser irônico o fato de Tuma Jr assinar um livro acusando o governo de destruir reputações dos que ousam criticá-lo e a primeira iniciativa da mídia chapa-branca ser justamente a tentativa de desqualificar o autor do trabalho. Augusto Nunes se adiantou e publicou em sua coluna a foto que prova ser verdade a escolta:

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Tuma Júnior, no canto superior direito da foto, na porta do Dops, escoltando o casal Lula da Silva, a pedido de Romeu Tuma, em maio de 1980.

Que Tuma Jr seja uma figura polêmica, poucos discordam. Mas Reinaldo Azevedo fez questão de enumerar 5 fatos que vão de encontro à campanha de desqualificação do polemista e que vêm sendo ignorados pela imprensa:

FATO UM – A Comissão de Ética Pública da Presidência da República concluiu que nada havia contra ele;

FATO DOIS – A sindicância feita pelo Ministério da Justiça concluiu que nada havia contra ele;

FATO TRÊS – Inquéritos da PF — houve mais de um pelo mesmo fato — foram arquivados sem resultar em indiciamento. E olhem que ele já era um maldito;

FATO QUATRO – O Ministério Público nunca ofereceu denúncia sobre nada;

FATO CINCO – Uma acusação de improbidade administrativa por conta de uma apreensão de dólares no aeroporto de Cumbica foi arquivada pelo Ministério Público por falta de evidência de que se tivesse cometido algum crime.

As denúncias trazidas pelo ex-secretário nacional de Justiça são graves e qualquer pessoa de bom senso espera que sejam, no mínimo, investigadas. Tuma Jr. diz possui provas e as publicará em seu livro a ser lançado em breve. Tentar desqualificá-las antes mesmo de ter acesso a elas é no mínimo uma atitude questionável das publicações governistas.

10 de dezembro de 2013

Haddad, para quem esperava algo, um primeiro ano decepcionante

maluf haddad Haddad, para quem esperava algo, um primeiro ano decepcionante

Quando a popularidade de Fernando Haddad caiu para 18% de aprovação em pesquisa do Datafolha de 27 e 28 de junho, o próprio PT fazia pouco caso dos números dizendo serem eles parte de uma insatisfação geral do brasileiro para com o Brasil, ou simplesmente um reflexo natural dos protestos do inverno passado. O raciocínio de fato se aplicou a alguns de seus nomes, como o de Dilma Rousseff, que andou se recuperando nos meses seguintes. Cinco meses se passaram mas, no entanto, o prefeito de São Paulo permanece no mesmo patamar, com rejeição só comparável ao primeiro ano das recentes administrações Pitta e Kassab.

De fato, 2013 não foi um bom ano para o petista. Logo de cara, com pouco mais de três meses no cargo, enfrentou protestos de grupos organizados que pediam mais moradias populares. Haddad prometeu ajuda, mas não cumpriu: centros de atendimento a moradores de rua foram abandonados sob os cuidados do PT. E a situação dificilmente melhorará uma vez que o ex-ministro da educação reduziu em 15% a verba para áreas sociais mesmo com um recorde de aporte na casa dos 6 bilhões vindo do governo federal.

Mas essa esteve longe de ser a única promessa ignorada. Durante a campanha, o marketing do PT insistiu numa melhor distribuição dos investimentos na cidade. Entretanto, concentrou as principais atrações da Virada Paulista no centro da cidade, ignorando ajustes já feitos em gestões anteriores. O resultado: o evento teve arrastões, brigas, assaltos e até mortes. O repasse de verba às subprefeituras, que poderia também ser usado para essa prometida descentralização dos gastos públicos, teve um aumento de apenas 2,5%, bem abaixo da inflação do último ano.

Contudo, nenhuma quebra de acordo foi tão escandalosa quanto a do Arco do Futuro: principal promessa de campanha, mostrou-se perfeitamente viável na cabeça dos publicitários que a inseriram em suas inserções de TV e simplesmente inviável quando finalmente se fez um orçamento dela.

No entanto, o grande tropeço de Haddad se deu na condução do aumento das passagens de ônibus. Não dá para negar que protagonizou algum esforço para manter a correção abaixo da inflação. Mas, em vez de aproveitar as férias escolares para validar o reajuste evitando assim protestos do movimento estudantil, atendeu a pedido de Dilma Rousseff em mais um esforço de Guido Mantega para mascarar números inflacionários e jogou para maio a nova tarifa. O resultado foram os protestos de junho e o aumento recorde de IPTU para arcar com os tais 20 centavos. IPTU este que teve a aprovação marcada por manobras sujas da parte da base governista impedindo que o debate passasse por uma audiência pública.

Numa tentativa de recuperar a imagem abalada, o prefeito iniciou uma caça às bruxas inédita desde que o PT deixou de ser pedra e passou a ser vidraça: Haddad tentou de todas as formas possíveis vender a ideia de que seria a cabeça por trás da investigação que derrubaria uma quadrilha que desviava ISS da prefeitura. O tiro no pé, no entanto, foi tão certeiro que o principal punido até o momento foi o seu “homem forte”, o secretário de governo Antonio Donato.

Mesmo quando fez aquilo que parece ser mais necessário, Haddad mereceu críticas. É fato que suas intervenções no trânsito aumentaram em vários quilômetros os corredores de ônibus. Mas, se estas mudanças não foram bem aceitas pelos motoristas que aproveitaram as reduções de IPI do governo Lula e Dilma para adquirir os seus veículos, os pedestres reclamaram das mudanças de itinerário de várias linhas, principalmente na Zona Leste. É evidente que há um grave problema de diálogo da administração para com seu eleitorado. Todavia, é preciso antes corrigir os problemas internos de comunicação e assim evitar que novos abrigos sejam instalados em ruas que não estão servidas com transporte público.

9 de dezembro de 2013

DCEzão 2013 – A maior premiação da internet brasileira

 DCEzão 2013   A maior premiação da internet brasileira

O Implicante, em parceria com o portal Reaçonaria, orgulhosamente apresenta:

Uma pequena seleção individual de textos marcantes de 2011 evoluiu no ano seguinte para um prêmio, com uma seleção mais elaborada e ajuda de outros juízes, levando o nome do grande patrono dos textos ruins daquele ano: “Prêmio Sakamoto“.

Neste ano a coisa cresceu demais. Após pedirmos aos leitores da Reaçonaria indicações, vimos que não seria possível enclausurar tanta genialidade produzida em um só prêmio com poucos concorrentes. Foi necessário então criar várias categorias para que, sabendo ser impossível reconhecer a todos os merecedores, ao menos tentar lembrar o maior número deles e os mais representativos de todo esse grande Diretório Central dos Estudantes que são o Brasil e sua mentalidade política.

Para quem não está familiarizado, o que há abaixo é uma lista de “Melhores piores” tweets, posts ou artigos de gente famosa, esforçada ou desconhecida, sempre com aquele viés bem socialista bronzeado brasileiro. São 10 (sim, 10!) categorias para você fazer valer seu direito de opinar – que só existe porque gente que pensa como eles não consegue pôr em práticas aquilo que pensa e sonha.

Cada categoria é apresentada com links para os indicados, seguidos de “print screens” em alguns casos (para evitar a perda da informação com um delete acidental dos autores) e então a apresentação da enquete para votação. Divirtam-se, votem e aguardem a apresentação dos vencedores, que faremos em um Hangout festivo.

Votem com consciência.

7 de dezembro de 2013

O que sobrou do discurso de posse de Lula de 2003

Em primeiro de janeiro, o PT completará 11 anos na presidência da república. Período este que se iniciou com o discurso de posse de Lula em 2003. Esse pronunciamento presidencial costuma ter gorda importância por se tratar do primeiro momento que o político eleito pode,  já sem as limitações impostas por seus marketeiros de campanha, dizer o que de fato pretende fazer no cargo.

Na época, as palavras do ex-torneiro mecânimo não empolgaram muito. No geral, apesar de belas, eram vagas, um tanto confusas e quase nada objetivas. Lembravam mais um texto motivacional do que um plano de metas. E, mesmo do pouco que se conseguiu espremer daqueles 45 minutos de fala, há bastante coisa que, o tempo mostrou, findou esquecida pelo partido.

“Mudança”; esta é a palavra chave, esta foi a grande mensagem da sociedade brasileira nas eleições de outubro.

A primeira palavra já gera um engasgo. O PMDB segue sendo governo. Collor, Sarney, Renan Calheiros e Michel Temmer seguem aliados do governo. No início, é verdade, até tentou-se uma nova forma de se conseguir apoio político. Mas logo ela ganhou o nome de Mensalão e, oito anos depois, estão presos os mentores intelectuais e executores do plano. E assim o PT voltou a agir como mandava a cartilha por eles criticada, vindo recentemente, para citar apenas um exemplo, a negociar com Maluf tempo de TV para Haddad.

A esperança finalmente venceu o medo e a sociedade brasileira decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos.

Mas foi justamente explorando o medo irracional de privatizações da parte da população que o marketing do partido, em 2006, garantiu o segundo mandato de Lula. Assim como o medo do fim das políticas sociais do governo em 2010 garantiu a continuidade com Dilma Rousseff.

O apelo ao medo não passa de uma falácia. Mas não houve qualquer pudor em recorrer a ela quando soava conveniente.

Enquanto houver um irmão brasileiro ou uma irmã brasileira passando fome, teremos motivo de sobra para nos cobrirmos de vergonha. Por isso, defini entre as prioridade de meu Governo um programa de segurança alimentar que leva o nome de “Fome Zero”. Como disse em meu primeiro pronunciamento após a eleição, se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida.

O Fome Zero nunca vingou. Porque sempre se pensou no fim, mas quase nunca no meio. Era basicamente uma campanha de doações ao governo num país que já banca os cofres públicos com uma carga tributária que se aproxima dos 40%. A intenção encontrou algum alívio com o Bolsa Família, uma atualização de políticas sociais da gestão anterior. Mas a fome vem acabando mesmo é com a manipulação dos índices que a nomeiam.

Para isso, será também imprescindível fazer uma reforma agrária pacífica, organizada e planejada. Vamos garantir acesso à terra para quem quer trabalhar, não apenas por uma questão de justiça social, mas para que os campos do Brasil produzam mais e tragam mais alimentos para a mesa de todos nós, tragam trigo, tragam soja, tragam farinha, tragam frutos, tragam o nosso feijão com arroz. 

No entanto, um imagem fala mais que todo este parágrafo.

FHC Reforma Agraria O que sobrou do discurso de posse de Lula de 2003

Por tudo isso, acredito no pacto social. Com esse mesmo espírito constituí o meu Ministério com alguns dos melhores líderes de cada segmento econômico e social brasileiro. Trabalharemos em equipe, sem personalismo, pelo bem do Brasil e vamos adotar um novo estilo de Governo com absoluta transparência e permanente estímulo à participação popular.

Com o fracasso do modelo do Mensalão para se conseguir apoio, o PT entrou na era da criação de cargos para compra de aliados. Assim, o número de ministérios cresceu de 21 para 39. Apenas 9 deles não estão sob o comando de membros do PT ou de partidos da base governista. Alguns destes aliados, como é o caso de Garibaldi Alves Filho, assumiram o cargo reconhecendo não entender nada do assunto da pasta.

O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu Governo.

Na verdade, o objetivo central passou a ser o que eles chamam de “governabilidade”, ou basicamente o oposto do que foi proposto.

É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública.

Foi o único partido a ir às ruas gritar contra a prisão dos mensaleiros.

Não permitiremos que a corrupção, a sonegação e o desperdício continuem privando a população de recursos que são seus e que tanto poderiam ajudar na sua dura luta pela sobrevivência.

Além do PAC (que não anda), obras e mais obras superfaturadas para garantir a Copa do Mundo figuram como apenas um de muitos exemplos que desmentem Lula.

Ser honesto é mais do que apenas não roubar e não deixar roubar.

Foram quase 10 ministros derrubados no governo Dilma por conta de denúncias. Chegou-se a cair um ministro a cada 51 dias.

É também aplicar com eficiência e transparência, sem desperdícios, os recursos públicos focados em resultados sociais concretos. Estou convencido de que temos, dessa forma, uma chance única de superar os principais entraves ao desenvolvimento sustentado do País.

Transparência no governo é um item cada vez mais raro.

E acreditem, acreditem mesmo, não pretendo desperdiçar essa oportunidade conquistada com a luta de muitos milhões e milhões de brasileiros e brasileiras.

A história foi bem diferente.

Sob a minha liderança o Poder Executivo manterá uma relação construtiva e fraterna com os outros Poderes da República, respeitando exemplarmente a sua independência e o exercício de suas altas funções constitucionais.

Nos dois primeiros anos de mandato, Lula assinava uma média de 5,3 medidas provisórias por mês, atropelando, assim, o trabalho dos parlamentares. Dilma assinou um pouco menos, é verdade. Mas ainda acima do que foi feito por FHC.

A grande prioridade da política externa durante o meu Governo será a construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera e unida, com base em ideais democráticos e de justiça social. Para isso é essencial uma ação decidida de revitalização do MERCOSUL, enfraquecido pelas crises de cada um de seus membros e por visões muitas vezes estreitas e egoístas do significado da integração.

Hoje, o Mercosul está tomado por políticas bolivarianas cada vez menos democráticas.

Crimes hediondos, massacres e linchamentos crisparam o País e fizeram do cotidiano, sobretudo nas grandes cidades, uma experiência próxima da guerra de todos contra todos. Por isso, inicio este mandato com a firme decisão de colocar o Governo Federal em parceria com os Estados a serviço de uma política de segurança pública muito mais vigorosa e eficiente. Uma política que, combinada com ações de saúde, educação, entre outras, seja capaz de prevenir a violência, reprimir a criminalidade e restabelecer a segurança dos cidadãos e cidadãs.

Já ficou provado que essa política não surte resultados contra a violência. E o país segue batendo recordes de assassinatos.

E, para isso, basta acreditar em nós mesmos, em nossa força, em nossa capacidade de criar e em nossa disposição para fazer. Estamos começando hoje um novo capítulo na História do Brasil, não como nação submissa, abrindo mão de sua soberania, não como nação injusta, assistindo passivamente ao sofrimento dos mais pobres, mas como nação altiva, nobre, afirmando-se corajosamente no mundo como nação de todos, sem distinção de classe, etnia, sexo e crença.

A promessa era de não haver distinção, mas as políticas de defesa de minorias seguem se chocando com esses ideais.

Agradeço a Deus por chegar até aonde cheguei. Sou agora o servidor público número um do meu País. Peço a Deus sabedoria para governar, discernimento para julgar, serenidade para administrar, coragem para decidir e um coração do tamanho do Brasil para me sentir unido a cada cidadão e cidadã deste País no dia a dia dos próximos quatro anos.

Os principais críticos do PT dizem que aos poucos o partido mostra a sua verdadeira face, uma face mais autoritária, pouco republicana ou democrática. Concordando ou não com eles, é fato que o PT eleito em 2002 há tempos se desfigurou e não mais reflete os desejos de quem o colocou no poder. O desafio da oposição é justamente provar a este eleitor que ele foi enganado e que ajustes precisam ser feitos. O que não quer dizer que seja fácil: ninguém reconhece um equívoco desses com um sorriso no rosto.

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