Implicante

Blog

3 de agosto de 2015

URGENTE: José Dirceu é preso em Brasília

dirceu_lula_dilma

Parece que a casa caiu pro Dirça, segue trecho de reportagem da Monica Bergamo e Gabriel Mascarenhas, na Folha de São Paulo:

“O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é um dos alvos da nova fase da Operação Lava Jato, que acontece na manhã desta segunda-feira (3) em Brasília e nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo advogado do ex-ministro, Roberto Podval. Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de José Dirceu e sócio dele na JD Consultoria também foi preso. Segundo a PF, os presos serão trazidos para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde permanecerão à disposição da 13ª Vara da Justiça Federal.”

Falta o Brahma.

2 de agosto de 2015

Nesta terça, às 21:30 e ao vivo, Hangout Implicante com Flavio Morgenstern

hangouts_flavio

A partir desta terça-feira, sempre às dez da noite e ao vivo, haverá um HANGOUT IMPLICANTE. Inscreva-se agora mesmo em nosso canal, para assim receber as notificações de quando estivermos ao vivo.

Na estreia, entrevistaremos Flavio Morgenstern, que por anos colaborou conosco e é autor de um dos sucessos do ano nas livrarias: “Por Trás da Máscara”, livro que trata das manifestações de junho de 2013, analisando causas, repercussões e afins.

A equipe fixa do HANGOUT IMPLICANTE é formada por Fernando Gouveia (@gravz), Marlos Apyus (@apyus) e André Câmara (@andremca).

Não percam!

1 de agosto de 2015

Campanha de Dilma pagou R$ 6 milhões a gráfica que não tem funcionários e o dono é um motorista

enrolando

A coisa é complicada. Confiram trecho de reportagem da Folha, por Andréia Sadi, Ranier Bragon e Gustavo Uribe, voltamos em seguida:

“A campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição pagou R$ 6,15 milhões a uma gráfica que não tem nenhum funcionário registrado e cujos documentos apontam como presidente o motorista Vivaldo Dias da Silva, que em 2013 recebia R$ 1.490. A Rede Seg Gráfica e Editora, de São Paulo, aparece como a oitava fornecedora que mais recebeu dinheiro da campanha presidencial petista no ano passado, de acordo com os registros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).”

Não basta a Operação Lava Jato, investigando integrantes dos governos de Dilma Rousseff e Lula, além do TCU, julgando as pedaladas fiscais (que ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal). Agora, também a Justiça Eleitoral encontra indícios nada louváveis.

O cerco se fecha em todas as frentes.

1 de agosto de 2015

Dilma diz que Lava Jato ajudou a derrubar o PIB. É mole?

Foto: Marco Ravagli / Barcroft Media

Foto: Marco Ravagli / Barcroft Media

Seria inacreditável alguém dizer isso, mas como se trata de Dilma Rousseff, tudo é possível. Quanto ao mais, segue trecho de reportagem de Simone Iglesias e Luiza Damé, no jornal O Globo, voltamos em seguida:

“Durante reunião com 12 ministros e o vice-presidente Michel Temer, na tarde desta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff responsabilizou a Operação Lava-Jato por parte da queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Ao discorrer sobre as dificuldades econômicas que o país enfrenta, a presidente citou a operação da Polícia Federal, dizendo que esta provocou uma queda de um ponto percentual no PIB. O comentário, segundo dois ministros que estavam na reunião, ocorreu logo após uma longa explanação de Nelson Barbosa (Planejamento) sobre o cenário econômico e as perspectivas “sombrias” se as medidas do pacote de ajuste fiscal não forem aprovadas pelo Congresso. — Para vocês terem uma ideia, a Lava-Jato provocou uma queda de um ponto percentual no PIB brasileiro — afirmou Dilma.”

Ou seja: seria melhor que não apurassem os crimes? Pior ainda: a corrupção é tanta que seu combate chega a interferir dessa forma no PIB?

31 de julho de 2015

Descaso e vergonha: imprensa mundial alerta para as águas contaminadas do Rio de Janeiro nas Olimpíadas

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A denúncia é da Associated Press (AP) e circula o mundo, chocando a todos (talvez menos a nós, brasileiros, que sabemos desse descalabro). A seguir, a síntese do portal G1:

“Os atletas que vão competir nos Jogos Olímpicos de 2016 terão que nadar e velejar em águas tão contaminadas por fezes humanas que se arriscarão a contrair alguma doença e não poder concluir as provas, de acordo com uma investigação da Associated Press. Uma análise da qualidade da água encomendada pela AP encontrou níveis perigosamente altos de vírus e bactérias de esgoto humano em locais de competições olímpicas e paralímpicas. Esses resultados alarmaram especialistas internacionais e preocuparam os competidores que treinam no Rio, alguns dos quais já apresentaram febres, vômitos e diarreia.”

E, se alguém ainda duvida, aí vai uma pequena lista de veículos denunciando a podridão das águas do Rio de Janeiro, que será um risco à saúde dos atletas das Olimpíadas de 2016:

http://abcnews.go.com/Sports/wireStory/ap-investigation-dirty-rio-water-threat-2016-olympics-32772751

http://cnsnews.com/news/article/ap-investigation-dirty-rio-water-threat-2016-olympics

https://www.yahoo.com/health/olympic-teams-to-swim-boat-in-dangerously-125430705947.html

http://mashable.com/2015/07/30/rio-olympic-waters-sewage/

http://www.huffingtonpost.com/entry/report-olympians-at-2016-games-will-be-swimming-and-boating-in-contaminated-waters_55b9a9b5e4b095423d0ddee6

Vergonhoso e sobretudo alarmante que agora resolvam fazer algo só porque pode “pegar mal”, não por preocupação com o povo que convive com essa água contaminada e as doenças graves por elas provocadas.

30 de julho de 2015

Rombo nas contas da Prefeitura de SP: Haddad também é péssimo nisso

Dilma Rousseff - Fernando Haddad

A seguir, trecho de reportagem de André Monteiro e Artur Rodrigues, na Folha:

“As contas da Prefeitura de São Paulo em 2014 fecharam no vermelho pelo segundo ano consecutivo, triplicando o deficit orçamentário da gestão Fernando Haddad (PT). Auditoria feita pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) ressaltou que a diferença entre tudo o que entrou e tudo o que foi gasto ficou negativa em R$ 1,8 bilhão.”

Pois é: gastou mais do que arrecadou. E fez o quê? Nada. O melhor, fez sim: pintou algumas faixas de vermelho.

E há quem não entenda os motivos pelos quais ele será ejetado da Prefeitura no ano que vem. No mais, fica o alerta a TODAS AS DEMAIS CIDADES sobre o que de fato é uma gestão municipal petista. Dica: não é muito diferente da gestão federal petista.

30 de julho de 2015

Implicante Explica 05: O que de fato acontecerá com a redução da maioridade penal?

IMPLICANTE EXPLICA 005

Infelizmente, o debate sobre a redução da maioridade penal é cercado de mentiras (seja por má-fé ou falta de informação). Desmentimos algumas delas no programa desta semana, mas alertamos para um outro fato que – esse sim – não é lorota. Vejam!

Fontes:

ECA
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l8069.htm

Código Penal
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm

Código de Trânsito Brasileiro
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503.htm

Artigo jurídico
http://reaconaria.org/colunas/penso-estranho/contra-a-reducao-da-maioridade-intelectual/

30 de julho de 2015

É o maior acordo comercial dos últimos 18 anos. Adivinha que país ficou fora?

dilma--

Já noticiamos aqui essa verdadeira desgraça, mas reportagem de Michelle Barros, no Jornal da Globo, traz informações ainda mais graves e sérias. Trecho a seguir:

“O Brasil ficou de fora do mais importante acordo comercial multilateral dos últimos 18 anos, que reduz tarifas para uma longa lista de componentes de informática. Anunciado pela Organização Mundial do Comércio depois de entendimento entre Estados Unidos e China, o acordo sobre tecnologia de informação abrange volume ainda maior do que o comércio do setor automotivo. O acordo saiu depois de quase 20 anos de negociação na OMC. No total, 201 produtos e componentes eletrônicos, como GPS e tela sensível ao toque, vão ficar livres de tarifas de importação. Dos 161 países que fazem parte da OMC, 54 assinaram o acordo. Isso quer dizer que só estes países aceitaram importar produtos estrangeiros sem cobrar tarifa. Nas lojas deles, produtos nacionais e importados vão competir de igual para igual. O outro grupo de países vai continuar taxando os produtos importados. O Brasil está nessa.”

Lembre-se disso na hora de comprar um eletrônico no país, constatando que o preço é absurdamente alto. E agradeça à competência de Dilma Rousseff por mais isso.

29 de julho de 2015

Acredite se quiser: Gleisi Hoffmann “prova” que não há crise citando o Beto Carrero World

Gleisi Hoffmann - Dilma Rousseff

É surpreendentemente surreal o texto da ex-ministra Gleisi Hoffman (PT/PR), que chefiou a Casa-Civil de Dilma Rousseff até seu afastamento após citação nas delações premiadas. Comentamos a seguir alguns trechos:

“Desconheço completamente que estejamos com uma crise de emprego na área de engenharia e arquitetura. Aliás, nem de perto temos ou teremos o nível de desemprego da Espanha, que atingiu 20% (entre os jovens, quase 40%). Temos setores com maior desemprego, mas temos rede de proteção social, continuamos com salário mínimo, com poder de compra e programas de governo que auxiliam a economia. “É, mas a Espanha tem infraestrutura, o Brasil não tem e não conseguirá ter, porque não tem dinheiro para investimento”, insistiu ele. Apesar de ser servidor público, trabalhar com orçamento, apresenta grande desinformação. Temos atualmente cinco mil quilômetros de estradas sendo duplicadas, resultado das concessões feitas em 2013; quarenta terminais portuários sendo construídos, com investimentos que ultrapassam R$ 11 bilhões! Seis aeroportos concedidos com obras sendo realizadas. Aliás, nossos aeroportos continuam cheios!”

Além do velho e surrado truque de criar um interlocutor imaginário, o que até poderia ser admitido para fins retórico-explicativos, a ex-ministra diz que não temos crise de emprego num setor (justamente o que lida com construções e imóveis). E usa aquela conversa (já explicamos aqui) da taxa de desemprego contraposta à taxa de pessoas desempregadas (que, no Brasil, ultrapassa os 40%).

“É o “apesar da crise” que usam para dizer que a produção e a exportação de frango batem recordes; que a agricultura está com boa produtividade, o preço da saca de soja está bom e continuamos vendendo bem; que há demanda por carne suína brasileira e abrimos novos mercados para a carne bovina; que continuamos com crédito barato para financiar a safra 2015/2016, seja para a agricultura familiar ou empresarial. Que registramos crescimento na abertura de empresas no país; que a produção audiovisual para cinema ou TV do país teve enorme crescimento nos últimos quatro anos. Que os brasileiros continuam viajando. Que nunca vendemos tantos telefones celulares como agora.”

É mole? Não há crise! Estamos em uma situação ótima!

“Termino com a frase de uma tia, pessoa simples e trabalhadora, que foi ao Parque de Diversão Beto Carrero nesta semana: “Como está cheio isso! Filas que não acabam mais. Onde está a crise que tanto falam…?””

Essa é a cereja do bolo. Como assim estamos em crise? Onde está a crise de que tanto falam? Minha tia foi pro Beto Carrero World e lá estava cheio!

Parece piada. E talvez seja.

28 de julho de 2015

Como o impeachment de Collor pode inspirar o de Dilma

Contexto

Naquele 15 de março de 1990, Fernando Collor de Mello se tornou o primeiro presidente brasileiro eleito por voto direto em quase três décadas. Mesmo assim, o termo “impeachment” não findou numa palavra temida pela imprensa. Além de discussões sobre o impedimento de um ou outro político menos relevante, discutia-se bastante a possibilidade de queda de Erundina, prefeita de São Paulo, e Brizola, governador do Rio de Janeiro – eleito um ano depois.

Vasculhando o acervo da Folha de São Paulo, descobre-se que a possibilidade de interrupção do mandato de Collor surge primeiro com uma primeira derrota no STF já em junho de 1990. Após o esmagador 9×0, o ministro Celso de Mello, relator do caso, alerta que a “reedição de medidas rejeitadas” deveria ser entendida como crime de responsabilidade, o que poderia justificar uma abertura de processo.

Mas é só – ou “já”, uma vez que havia se passado apenas 18 meses de governo Collor –  em setembro de 1991 que o assunto ganha força. Exatos dez anos antes da queda do World Trade Center, Jânio de Freitas comenta em coluna que a ideia já seria “audível” em Brasília. E é num debate na Folha de São Paulo que Aloizio Mercadante deixa a entender que o “o impeachment de Collor” estava na mira do PT.

De 29 de setembro de 1991 a 29 de setembro de 1992

Um ano antes de Collor ser derrotado na câmara dos deputados, Mercadante ouve de FHC que a ideia de derrubar o presidente soaria um golpe nas instituições democráticas. Mas o então presidente comete um erro que sairia caro. E, dois dias depois, responde à provocação enraizando o assunto na pauta. Com o debate em curso, a Folha voltaria a citar o termo “impeachment” 32 vezes naquele outubro.

Começa ali um período de 366 dias em que Collor, que tão alto apostara e se dera bem na campanha, passa a colecionar derrotas consecutivas. Em 31 de julho de 1992, afirma que só sai do Planalto morto. Em 14 de agosto, pede para que os brasileiros vistam verde e amarelo apoiando-o. No dia seguinte, os cariocas vão às ruas de preto. No dia 19, o presidente oferece um bilhão de dólares aos congressistas de forma a aliviarem a investigação já em curso. Três dias depois, decide ir à TV pedir para não ser deixado só. Numa última cartada, apela ao STF, mas em 24 de setembro descobre que os votos que decidirão seu destino serão abertos e transmitidos pela TV.

As semelhanças com 2015

Revirar o baú da Folha naquele período é estranhar já ter lido algo parecido no noticiário recente. Além da acusação de “golpe”, surge também, como alternativa ao impeachment – ou ainda como saída mais saudável – a volta do parlamentarismo. A fala de Aloysio Nunes em 4 de outubro de 1991 em muito lembra a sua recente postura sobre o impedimento de Dilma Rousseff. E uma pesquisa aponta Lula, a exemplo de Aécio (candidato derrotado no segundo turno na eleição anterior), à frente na corrida presidencial àquela altura do campeonato. Até a aversão aos militares é lembrada em algumas manchetes. Mas a primeira voz jurídica a favor do processo não é Ives Gandra, e, sim, Celso Bandeira de Mello.

E as diferenças

Contudo, chama muito mais atenção as diferenças do que ocorreu no período. A começar pela postura da própria Folha de São Paulo. Se hoje é tão cautelosa ao encarar a pauta, já dedicava um editorial ao tema em 08 de outubro de 1991. O mesmo serve para outras entidades e intelectuais que hoje fecham a cara para este debate.

A OAB o discute no mesmo outubro de 1991. A CUT se organiza em novembro, o mesmo mês em que Lula, principal nome da oposição, deixa bem claro o posicionamento a favor. A CNBB exige punição aos culpados, enquanto a classe artística, inspirada na postura de Jô Soares, convoca os próprios protestos em agosto de 1992.

Nomes que hoje compõem a tropa ministerial de Dilma logo cedo se posicionaram. O atual ministro da educação, por exemplo, deixou bem claro sua intenção ainda em outubro de 1991. Em junho de 1992, a maioria dos parlamentares parece estar em cima do muro. Mas a Folha dá como possível a vitória no final de agosto.

Políticos se convenciam aos poucos

Logo cedo, no PMDB, Requião e Quércia ecoam a postura do PT. O jogo até começa a mudar após a capa da Veja com Pedro Collor. Mas os principais líderes só começam a descer do muro depois que Renan Calheiros se volta contra o conterrâneo na CPI.  Um mês depois, a oposição já estaria projetando o que seria um governo Itamar. Brizola, temeroso de um impeachment no Rio, só cede à ideia em 21 de agosto, depois de Sarney e antes de FHC. A gota d’água é o abandono do PFL, até então um ferrenho defensor do mandato em curso.

Mas e o povo?

Já se discutia o impeachment de Collor há quase 10 meses quando a oposição se tocou que não tinha o devido apoio popular. Em 26 de maio de 1992, apenas 43% dos brasileiros defendem o impedimento do presidente. Em julho, 53% dos eleitores se dizem a favor, assim como 62% dos parlamentares. Só em 06 de agosto, PMDB, PSDB e PT decidem convocar protestos e trabalhar uma maior adesão nas ruas.

A tática surte efeito. Ao final do mês, 70% dos cidadãos concordam com a queda do Presidente. Quando ela de fato vem, oito em cada 10 brasileiros a aprovam.

E os protestos?

Ao contrário do que se acredita, não foi o povo quem exigiu atitudes de seus representantes. Foram as entidades políticas que buscaram referendar junto à opinião pública a vontade interna de mudar o comando do país. Tanto que os primeiros protestos ocorrem tarde e sem qualquer encanto. Já era julho de 1992 quando 400 pessoas tomam a iniciativa de ir às ruas reclamar as denúncias de Pedro Collor e Renan Calheiros. Na primeira semana de agosto, o PT se esforça, mas só consegue reunir 10 mil militantes nas quatro principais capitais do país.

A coisa começa a mudar quando Collor, em 14 de agosto, convoca o exército verde e amarelo. No dia 15, já são 10 mil marchando de preto no Rio de Janeiro. Em 16 de agosto, por volta de 50 mil se mobilizam em alguns grandes centros.

A grande data, no entanto, ao contrário do que hoje se noticia, é 25 de agosto de 1992. É quando meio milhão de brasileiros protesta em 31 cidades pela queda do presidente da república. Depois deste dia, Collor perde quase todo o apoio que ainda restava.

Queda de Collor vira questão de tempo

Após um hiato entre janeiro e abril de 1992, o assunto impeachment voltou com tudo no que Pedro Collor surge na capa da Veja. Dois meses depois, parlamentares diziam ter as provas necessárias para incriminar o presidente. O povo só entra na equação em agosto, referendando todos os esforços da CPI em curso.

Com 930 dias de mandato, o primeiro presidente eleito com voto direto em 29 anos sofre, na câmara dos deputados, uma derrota incontestável. Eram esperados 396 votos, mas o placar fecha em 441 a 33 para a felicidade de meio milhão de brasileiros que foram às ruas acompanhar a votação. No dia seguinte, a bolsa de valores reage positivamente. O vice presidente assume interinamente até dezembro daquele mesmo ano, quando Collor renuncia e o senado cassa-lhe o mandato e os direitos políticos por 8 anos.

Inspiração

No restante daquele mandato, o Brasil retomaria o crescimento, recriaria os empregos perdidos, renegociaria a dívida externa e dominaria a até então incontrolável hiperinflação. Mas tudo isso só foi possível porque a nação como um todo tomou uma decisão de coragem, que era a de tirar do comando um corrupto que apenas servia para desencorajar qualquer aproximação de pessoas bem intencionadas.

No 30 de setembro de 1992, a Folha de São Paulo não teve medo de chamar aquela de “vitória da democracia”. No que estava corretíssima. Falta hoje em dia, no entanto, a mesma coragem que sobrou décadas atrás não só à imprensa, mas a toda a massa formadora de opinião. Isso precisa ser mudado. E o próximo 16 de agosto pode ser crucial, a exemplo do ocorrido há 23 anos.

1992-09-30 - Vitória da democracia

 

 

* * *

Marlos Ápyus escreve no Implicante às terças. Siga-o no Twitter.
Texto originalmente publicado no Ápyus.Com

Página 9 de 95« Primeira...7891011...203040...Última »
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Enquete

Escolha o nome do boneco inflável da manisfestação de 16/08:

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Arquivos

Publicidade

Em Rede

Publicidade