Implicante

Blog

5 de novembro de 2014

Depois de comprometer o STF e o TSE, governo tenta agora emplacar aliados no TCU

gleisi4

O Palácio do Planalto já está de olho na vaga do ministro do Tribunal de Contas da União José Jorge, que se aposentará no dia 18 de novembro. Como o seu substituto terá papel fundamental nos processos de investigação da Petrobras, vem sendo de total interesse do governo que o novo ministro seja um aliado.

(…) o novo ocupante da cadeira herdará a relatoria dos processos de investigação da Petrobrás, entre eles o que avalia prejuízos na compra da refinaria de Pasadena (EUA). A apuração sobre Pasadena tem potencial para causar mais danos políticos à presidente Dilma Rousseff – que presidia o Conselho de Administração da Petrobrás na época da aquisição, iniciada em 2006.

Alguns nomes cotados são o de Ideli Salvatti, atual ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, e de Gleisi Hoffmann, senadora e ex-ministra da Casa Civil que já agiu a fim de dificultar a abertura da CPI criada para investigar as irregularidades da empresa. Hoffmann, segundo depoimento de Paulo Roberto Costa, também foi beneficiada pelo esquema.

Como revelou o Estado, em depoimento ao Ministério Público Federal, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou que o esquema de corrupção na companhia repassou R$ 1 milhão para a campanha da petista ao Senado, em 2010. Ela nega participação nas irregularidades e diz que a acusação é mentirosa.

Outro nome cotado é o de Vital do Rêgo, senador do PMDB que preside as duas CPIs da Petrobras. Seja quem for o escolhido, será mais um aliado do governo a tomar decisões fundamentais nos principais tribunais do país.

Teori Zavascki, nomeado pela presidente Dilma no meio do processo do mensalão, é um deles. Relator da Operação Lava-Jato no STF, Zavascki ainda não ordenou a abertura de inquérito contra os políticos apontados por Paulo Roberto Costa.

Em quase cem depoimentos da delação premiada, Costa apontou o dedo para pelo menos 28 deputados, senadores, governadores, entre outras autoridades. (…) As declarações do ex-diretor, já confirmadas em parte pelo doleiro Alberto Youssef, devem botar contra a parede grande número de políticos e inflamar ainda mais o clima no Congresso nesta fase após a reeleição de Dilma Rousseff. Pela gravidade das acusações, o surgimento de nomes vinculados às fraudes será mais um ingrediente na crise que só cresce desde a primeira vez em que Costa foi preso, em março.

Alguns artigos recentemente publicados na grande imprensa tentam desmistificar a ideia de que o Brasil corre o risco de “venezuelizar”, ou seja, se enfrentar a mesma crise econômica e política pela qual passa a vizinha de cima no continente. De fato, a Venezuela de hoje é uma realidade ainda distante do país. Mas a de uma década atrás não parece tão distante. Comprometer a independência do poder judiciário foi o primeiro grande passo dado pelo chavismo. Atropelar os pesos e contrapesos do legislativo com uma grande sequência de plebiscitos foi outro. O controle da mídia é um ingrediente que se soma. Desde o momento em que confirmou o segundo mandato de Dilma, vem sendo exatamente essas as pautas priorizadas pelo governismo. Se de fato o brasileiro encara o “venezuelismo” como um problema, é preciso resolvê-lo agora enquanto ainda é jovem. Ou logo poderá ser tarde demais.

compartilhe
4 de novembro de 2014

Em resolução interna, o PT prega hegemonia e por 4 vezes reforça a intenção de controlar a mídia

Dilma-Rousseff3

Politicamente falando, “hegemonia” implica na dominação completa de um povo sobre outro, seja cultural ou politicamente (através da força). Em resolução interna do partido tornada pública na noite de ontem, o PT defende que a “construção” de uma no Brasil, o que contradiz todo o discurso de diálogo pregado por Dilma ao confirmar o segundo mandato.

É urgente construir hegemonia na sociedade, promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a democratização da mídia.

(grifos nossos)

A censura aos órgãos imprensa, cuidadosamente amaciada sob o termo “democratização da mídia”, não só é citada como caminho para se chegar a essa hegemonia, mas também é reforçada em outros três momentos neste mesmo documento:

Por isso, propomos: (…) 4. Relançar a campanha pela reforma política e pela mídia democrática, contribuindo para que o governo possa tomar medidas avançadas nestas áreas e para sustentar a batalha que travaremos a respeito no Congresso Nacional.

(…) b) democracia na comunicação, com uma Lei da Mídia Democrática;

(…) O PT deve buscar participar ativamente das decisões acerca das primeiras medidas do segundo mandato, em particular sugerir medidas claras no debate sobre a política econômica, sobre a reforma política e em defesa da democracia nos meios de comunicação.

(grifos nossos)

Essa intenção já havia ficado clara quando Rui Falcão, presidente partido, uma vez confirmada a reeleição de Dilma, defendeu publicamente a prioridade ao projeto do que chamam de “controle social da mídia”:

É “um bom ponto de partida” começar por ele disse o presidente do PT Rui Falcão. Controlar a mídia é um desejo antigo do PT e nesta segunda era da Dilma será implementado. O partido considera o plano tão importante que o equipara à reforma política. Encabeça a lista de prioridades.

(grifos nossos)

O assunto ganhou urgência na agenda do governo quando a Veja estampou em capa, a três dias da votação para o segundo turno, a denúncia de que os dois últimos presidentes do país estariam envolvidos nos desvios do Petrolão. Em seu penúltimo programa eleitoral, Dilma aproveitou a ocasião para fazer ameaças à publicação. O perfil oficial da presidente no Twitter repercutiu a fala:

dilma-ataca-veja

 

 

O PT nunca olhou para a liberdade de expressão com os olhos mais amistosos. Essa pauta sempre esteve pairando a agenda do partido desde antes de sua chegada ao poder. Há a nítida sensação interna de que a imprensa livre só serve a seus opositores, mesmo com tantos casos já provando que há todo um exército de assessores de imprensa petistas disfarçados de jornalistas até nas maiores redações. Priorizar o controle à informação é só mais um passo rumo à ampliação do próprio poder. Lutar contra isso é papel de qualquer opositor. E também da imprensa. Mas esta já dá mostras de cansaço.

31 de outubro de 2014

Desde 2003, o PT deixou de investir na saúde pública o equivalente a 69 “Mais Médicos”

 

dilma-e-padilha

O Conselho Federal de Medicina, com base nos recursos autorizados pelo orçamento entre 2003 e 2014, realizou um levantamento com a ONG Contas Abertas que revelou que o governo deixou de usar R$ 131 bilhões destinados à saúde pública. Isso equivale a 69 vezes o orçamento do Mais Médicos em 2014.

Pelo cálculo feito no estudo, somente no ano passado R$ 12,78 bilhões permaneceram nos cofres. Neste ano, até outubro, dos R$ 107,4 bilhões autorizados, R$ 80 bilhões haviam sido usados.

De acordo com o presidente do CFM, Carlos Vital, com esse montante, seria possível construir 320 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) de porte 1, que são destinadas a atendimentos mais simples. A não utilização do dinheiro, segundo Vital, acontece em decorrência de dois fatores.

A primeira delas seria o contingenciamento, ordem dada pelo governo para que o dinheiro, embora previsto no orçamento, não seja usado. Em seguida, viriam problemas de competência administrativa. Recursos previstos para serem usados em projetos, em parceria com Estados e municípios, que ficariam intocados por falta da apresentação de projetos adequados.

O Ministério da Saúde contestou os dados, afirmando ter cumprido o piso constitucional, mas a realidade é que nos últimos anos, apesar da crescente exigência para que se melhore a estrutura dos hospitais, o SUS desativou quase 13 mil leitos.

A psiquiatria, com 7.449 leitos a menos, foi a especialidade com maior queda. Na pediatria houve redução de 5.992; na obstetrícia, 3.431 e na cirurgia geral houve uma redução de 340 leitos. Em janeiro de 2010, o SUS tinha 361 mil leitos, em julho deste ano, caiu para 348.303.

Enquanto isso, 50% das obras do PAC 2 destinadas à saúde não saíram do papel. Da outra metade, apenas 11% foram concluídas.

Das 21.519 restantes, apenas 9.509 encontram-se em execução. Cerca de metade (12.010) das obras de Saúde inscritas no PAC 2 ainda estão “no papel”. A maior parte (10.328) encontra-se em ação preparatória. Sete estão em fase de licitação e 1.675 de contratação.

Para a construção de UBSs, havia 15.652 projetos previstos, mas somente 9% foram finalizados, enquanto apenas 14 das 503 Unidades de Pronto Atendimento ficaram prontas.

Por mais que o salário de 10 mil reais prometidos aos contratados pelo Mais Médicos soem atraentes, pouco faziam frente aos que a iniciativa privada consegue oferecer nos grandes centros aos profissionais brasileiros. A quantia não investida nestes 12 anos de PT na presidência é quase 6 vezes maior que o orçamento do programa. Isso significa que poderiam ter oferecido salários 3 vezes maiores a estes profissionais e ainda sobrar quase a mesma quantia para melhoramentos na estrutura dos centros de saúde. Fica evidente, portanto, que a contratação de médicos estrangeiros, sejam eles cubanos ou não, poderia ter sido bem menos primordial para o país.

29 de outubro de 2014

Uma vez reeleita, Dilma busca fortalecer o próprio poder

dilma5

Após 12 anos na presidência, o PT sente o desgaste que tantas denúncias e equívocos econômicos proporcionam. Mesmo garantindo mais um mandato, a votação nos candidatos por eles propostos apresenta contínua e acentuada queda desde a eleição de Lula em 2002. Ao ponto de que já se pode esperar para 2018 ainda mais dificuldades na manutenção do cargo. As alternativas são um efetivo ajuste econômico ou redução do poder de seus oposicionistas. Quanto ao primeiro, só o tempo dirá se conseguirão. Quanto ao segundo, já se pôde notar o objetivo nas primeiras falas após a votação, ao focar o discurso no uso de plebiscitos para viabilizar a mudança no financiamento das próximas campanhas e o que chamam de “regulação da mídia” – que vem sendo entendido por muitos como uma forma de censura.

Nessa segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista ao Jornal Nacional na qual falou repetidas vezes que pretende conversar com todos os segmentos discutindo os caminhos do Brasil. De certa forma, repetiu seu discurso de vitória, quando afirmou que pretende “estimular o mais rápido possível o diálogo e a parceria com todas as forças produtivas do país”. Neste discurso, conclamou a união de todos os brasileiros e brasileiras em favor do futuro do país, esquecendo-se de que foi a sua própria campanha no segundo turno que tanto alimentou a divisão que se verifica atualmente.

Ainda na entrevista ao Jornal Nacional, Dilma abordou o fim do financiamento de campanha por empresas. Ao ser questionada por Patrícia Poeta, afirmou que, com a reforma política, só seriam possíveis contribuições privadas, individuais, ficando vedado o financiamento empresarial.

A fim de promover as mudanças, a presidente defende a realização de um plebiscito, no qual os cidadãos opinam se uma lei deve ser aprovada ou não antes de ela ser levada ao Parlamento. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), no entanto, já veio a público advogar em favor de um referendo, que leva a população a ratificar ou rejeitar uma proposta já aprovada pelo Congresso ou pelo Executivo.

Para Rui Falcão, o presidente nacional do PT, uma das prioridades do novo governo de Dilma é a regulação da mídia. Ele considera essa a proposta mais importante depois da reforma política.

Espero que nosso governo, junto com o Congresso, possa avançar nessa direção, assim como a maioria dos países democráticos tem agências reguladoras, como a Inglaterra.”

Segundo o último Datafolha, o PT é dono da maior militância, com 18% dos brasileiros se dizendo petistas. O segundo lugar é o PSDB, com 7% de simpatizantes. Além desses, só o PMDB surge acima do 1%, com 3% deles. Neste formato de financiamento desejado por Dilma, beneficia-se o partido com maior militância. E o partido dela possui a maior. Viabilizar isto por intermédio de um plebiscito inutiliza a força do Congresso Nacional, além de jogar por terra todo o ideal de pesos e contrapesos calculados pela Constituição de 1988. A cereja do bolo vem na forma do eufemismo que chamam de “regulação de mídia”, oportunamente lembrada após uma capa recente de Veja citar Lula e Dilma como cientes dos desvios dentro do Petrolão.

Após a quarta derrota seguida, muitos oposicionistas se dizem exaustos e incapazes de derrubar o PT em 2018, quando, imaginam, Lula voltaria com toda a sua popularidade. Quem aparenta ter menos fé nisso é a própria presidente em exercício. Do contrário, não estaria já tão empenhada em se blindar ainda mais para o próximo pleito.

27 de outubro de 2014

Pipocam no país relatos de eleitores que não votaram pois já tinham votado por eles

dilma

Neste último domingo, quando a presidente Dilma Rousseff foi reeleita para o cargo que ocupa na disputa mais apertada da história, chamou a atenção o número de pessoas relatando que, ao chegarem às seções, descobriam que alguém já havia votado em seu lugar.

Um dos casos foi o de Claudia Souza, jornalista de São Paulo que fez um vídeo para denunciar a situação. Segundo ela, ao inserirem o número de seu título de eleitor, o sistema acusou que a votação já havia sido realizada, mas o papel de confirmação ainda estava no caderno sem sua assinatura ao lado. No vídeo, há todo o processo, desde o momento da votação até a tentativa de resolver o problema.

“Eu vou no cartório eleitoral pra resolver isso, só que já tem um candidato que foi eleito com um voto que não foi meu, assim como deve ter acontecido no Brasil, em vários lugares, erros de urna e que muitas vezes a pessoa desavisada assinou esse rebicinho aqui que tá esse protocolo que comprova que você votou. Então é isso que eu quero saber: essa eleição é válida ou não?”

O advogado Felipe Delmanto, também de São Paulo e eleitor de Aécio Neves, passou pelo mesmo problema. O comprovante havia sido destacado, mas a sua assinatura não constava no caderno. Delmanto recorreu à Polícia Militar para saber o que havia acontecido.

“Quero saber quem votou no meu lugar e para quem foi meu voto”, reclamou o advogado, que estava acompanhado da esposa, Marcela. “Nem o TRE sabe dizer o que aconteceu.”

Em Santos, ocorreu a mesma coisa com o autônomo André Luiz Cabral, que fez um boletim de ocorrência sobre o caso. Ele afirmou que, para resolver a questão, a mesária acabou registrando a sua votação com o número de outra pessoa.

“Ela tentou por meio de um novo número, que ela não quis me dizer, mas eu vi que foi o número de uma outra pessoa. Ela falou que ia dar no mesmo no final. Isso está errado. Que país é esse que você chega para votar e alguém já votou e a pessoa alguém diz que no final vai dar a mesma coisa? Eu estou indignado”, falou Cabral.

Até mesmo o ator David Brazil enfrentou o problema. Após tentar votar — sem sucesso –, ele fez uma postagem no Instagram dizendo-se chateado.

“Então é isso!!! Por ERRO DE ALGUÉM não consegui EXERCER MEU DIREITO DE CIDADÃO!!! Alguém votou no meu lugar, #xateado”.

Em São Bernardo do Campo, José Roberto dos Santos afirmou que, além de votarem em seu lugar, assinaram o livro com uma firma totalmente diferente da sua. Segundo o TRE, esse problema pode ocorrer quando há pessoas homônimas na mesma seção ou por equívoco do mesário.

Em Paulínia/SP, a vítima do suposto erro se chama Adriano Farrah Ferraz Aranha. Maria José da Silva, Isabel Cristina Conceição dos Santos, Catia Lima EIbson Freire, todos no Rio de Janeiro, passaram pelo mesmo problema.

Os erros não se restringiram somente à região sudeste. Em João Pessoa, o estudante Alberto Segundo, de 20 anos, deparou-se com a mesma situação. Para resolver a questão, Segundo foi encaminhado a um juiz do Fórum Eleitoral.

“Quando cheguei, ele já estava a par da situação e disse que infelizmente eu não poderia votar, porque alguém havia feito isso em meu nome. Depois pediu que eu voltasse na terça-feira para prestar um depoimento e abrir um processo”, relatou, acrescentando que se sentiu prejudicado por não poder exercer seu dever de cidadão.

Em Arapiraca (AL), ocorreu o caso mais grave, visto que nem mesmo o uso da biometria impediu a ocorrência do suposto erro. O candidato ao senado Elias Barros, do PTC não conseguiu exercer seu direito após descobrirem que seu voto também já havia sido registrado.

“Não consegui votar. Eu enquanto candidato e como cidadão me senti invadido. Esse com certeza é um registro incontestável de fraude. Na hora de votar descobri que votaram em meu lugar”, afirmou indignado o candidato.

Com o relato de tantos casos semelhantes, o mínimo seria esperar do TSE algum pronunciamento a respeito do problema o mais rapidamente possível. Mas, como o Tribuno Superior Eleitoral vem sendo tomado por ex-advogados das campanhas do PT, o mais sensato é cobrar dos opositores derrotados que não deixem tantas denúncias passarem em branco.

22 de outubro de 2014

Os ex-advogados do PT que arbitram dentro do TSE as eleições 2014

admar

Admar Gonzaga trabalhou na campanha de Dilma em 2010. Ele foi nomeado ministro-substituto do TSE em junho do ano passado, no auge da onda de protestos, pela própria presidente.

Gonzaga deverá atuar num nicho nevrálgico da campanha: o julgamento de pedidos de direitos de resposta para candidatos no rádio e TV. Em períodos eleitorais, o tribunal designa três juízes auxiliares para apreciar reclamações ou representações do gênero. Nesses processos, as decisões podem ser monocráticas (proferidas por um ministro apenas), sendo possível recurso ao colegiado para discussão do mérito.

ToffoliPerto dele, Dias Toffoli, o atual presidente do TSE, pode ser considerado um veterano, já que atuou oficialmente para o PT nas campanhas presidenciais de 1998, 2002 e 2006. Ambos fazem parte do time de juristas que decide quando uma peça publicitária de campanha é abusiva ou não.

Uma breve olhada nas manchetes mais recentes pode dar a entender que, no entanto, fazem um trabalho isento, como eles mesmos defendem. Contudo, uma olhada mais atenta entrega que suas decisões estranhamente coincidem com aquilo que necessita a campanha governista.

No debate que aconteceu no SBT, a presidente Dilma Rousseff, precisando elevar a rejeição de seu adversário, baixou o nível das discussões fazendo insinuações descabidas e acusando Aécio Neves de nepotismo por supostamente empregar sua irmã, Andrea Neves, no governo de Minas Gerais — algo já desmentido. Após o debate, a candidata passou mal durante uma entrevista e, de acordo com testemunhas que estavam presentes no local, foi instruída por seu marqueteiro, João Santana, a não falar mais nada. Era a ordem para surgir, a exemplo do ocorrido em 2002 com Lula, a “Dilminha Paz & Amor”. No dia seguinte, toda a campanha presidencial a colocou na posição de vítima e sua primeira fala no perfil oficial ja mudava bruscamente o tom agressivo usado até então:

O problema é que, exatamente na noite anterior, o Tribunal Superior Eleitoral deu ganho de causa a um pedido do PSDB suspendendo a propaganda de rádio da campanha da presidente. Mais do que isso, mudou as regras do jogo e abriu o precedente para, a partir dali, barrar qualquer peça que soasse um pouco mais incisiva.

A decisão atinge o caso concreto, mas abre precedente para que o TSE proíba todos os eventuais ataques que sejam feitos a candidatos no horário gratuito. “Essa decisão altera jurisprudência da Corte e caminha no bom sentido de estabelecer que, nos programas eleitorais gratuitos, as campanhas têm que ser programáticas e propositivas. Tem que se reformatar isso e acabar com essa pirotecnia”, afirmou o presidente do tribunal, José Dias Toffoli.

(grifos nossos)

Na última segunda, pesquisa do Instituto Datafolha confirmou pela primeira vez uma rejeição do candidato do PSDB maior que a da candidata Dilma – 40% contra 39% –, caracterizando o sucesso da tática petista. Seria então o momento de os tucanos finalmente saírem da defensiva e atacarem. Mas o TSE, com a mudança de postura na última quinta, garantiu que Aécio não pudesse revidar a campanha difamatória sofrida, e desde então vem sistematicamente suspendendo suas propagandas. Herman Benjamin, responsável por alguns vetos, chegou a afirmar que uma das peças era “vazia de conteúdo propositivo” e “elaborada em tom jocoso” por simplesmente defender que “Aécio é o Brasil sem medo do PT”. Até a gravação que mostrava Dilma elogiando o então governador mineiro foi barrada pelo Ministro Admar Gonzaga.

Coincidência ou não, fato é que, quando com liberdade, Dilma chegou a ter 19 de suas 22 peças veiculadas com ataques ao adversário. Desde a mudança de postura do TSE, a candidata à reeleição teve apenas 4 peças barradas. Já Aécio, no mesmo e período, recebeu 7 negativas.

18 de outubro de 2014

30 momentos em que Dilma e o PT censuraram ou dificultaram investigações e o acesso a informação

dilma_asma

Na TV, a campanha petista, apostando na fraca memória do eleitor, vem defendendo que tanto escândalo em sua gestão junto ao governo federal só tem sido possível graças à liberdade dada por eles para que se investigasse todos os casos. Mas o Implicante traz uma breve lista com 30 dos exemplos mais recentes para provar que a realidade é bem outra. Ou seja, que a fala de Dilma em seu programa eleitoral não passa, na melhor das hipóteses, de devaneios de sua equipe de marketing. Na pior das hipóteses, de falha de caráter mesmo:

  1. Quando Dilma voltou a defender a regulação da mídia, o que é uma forma mais amena de falar em censura
  2. Quando o governo censurou uma empresa de consultoria de mercado
  3. Quando o governo pediu a demissão de um analista do Satander por críticas ao governo
  4. Quando o governo censurou o IBGE por pesquisa em que mostrava crescimento no desemprego
  5. Quando o governo pressionou o SBT para que censurasse os comentários da jornalista Sheherazade
  6. Quando Tarso Genro defendeu que 80% do conteúdo de rádio e TV deveria sair do ar
  7. Quando o governo tentou impedir que a imprensa usasse o termo “Mensalão”
  8. Quando os os gastos secretos da presidência ultrapassaram 17 milhões em 2012
  9. Quando o governo desautorizou informações sobre a meta fiscal e cortes do orçamento
  10. Quando Lula vetou a prestação de contas das centrais sindicais
  11. Quando o governo manteve o sigilo dos gastos com os cartões corporativos
  12. Quando o governo tornou siigilosos os gastos com investimentos feitos em Cuba e em Angola
  13. Quando o governo tornou sigilosos os orçamentos para a Copa e Olimpíadas
  14. Quando o governo tornou sigilosos os gastos de Dilma no Exterior
  15. Quando os gastos de “Rose” foram considerados reservados
  16. Quando removeram a delegada que apurava ligação de Lula com o mensalão
  17. Quando barraram na justiça investigação sobre contratos suspeitos da Petrobras
  18. Quando computadores do planalto alteraram perfis de críticos do governo na Wikipedia
  19. Quando pagaram em dólar para silenciar chatagistas que prometiam soltar verdades sobre o governo
  20. Quando o governo retirou do ar perfil humorista que, diferentemente da Dilma Bolada, fazia uma paródia crítica ao governo
  21. Quando Dilma disse achar um absurdo o TCU paralisar obras superfaturadas
  22. Quando manobraram tentando evitar que os mensaleiros fossem para presídios federais
  23. Quando Dilma demitiu o diretor da Caixa Econômica por apoio a seus opositores
  24. Quando Lula manobrou para que Dilma não fosse reponsabilizada pelo prejuízo em Pasadena
  25. Quando o governo censurou o IPEA que traria dados negativos sobre o governo
  26. Quando a campanha de Dilma retirou do ar vídeo que mostrava carteiro entregando panfletos de Dilma
  27. Quando Lula se nega a dar depoimento sobre o Mensalão
  28. Quando Dilma defendeu que não caberia à imprensa o papel de investigador
  29. Quando o governo alterou dados do PAC para esconder atrasos
  30. Quando o governo fez da CPI da Petrobras um verdadeiro teatro
18 de outubro de 2014

PT: um partido, 100 escândalos

luladilma

O PT chegou ao poder federal em 2003. Mas só em 2011 o Implicante veio ao ar para, com o perdão do trocadilho, implicar com tudo aquilo que de reprovável fazia o partido. Dado o momento de definição político, entre as quase 3 mil manchetes já publicadas nesses pouco mais de três anos, separamos um Top 100 com aquelas que apontam exclusivamente para escândalos protagonizados pelo petismo. Para que não haja dúvidas de que, se um dia houve limites, eles já foram estraçalhados pela total falta de freios deste grupo político.

Todos os links redirecionam para páginas do próprio Implicante. Contudo, as fontes de cada notícia estão incluídas em cada postagem. Para evitar teorias conspiratórias ou desinformação, sempre priorizou-se a fonte originária do que se entende por “grande mídia”. Ou seja, são todos fatos de grande conhecimento do público mais informado no Brasil.

7 vezes em que se fez vista grossa para a corrupção nas estatais

  1. Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras fala sobre o esquema de corrupção na estatal
  2. Associação dos Profissionais dos Correios denuncia aparelhamento petista em sua página oficial
  3. TCU identifica irregularidades em contratos da Petrobras
  4. Doleiro é ligado a 17 contratos da Petrobras
  5. Ex-diretores da Petrobras dizem que a responsabilidade por Pasadena é de Dilma
  6. Assessora do filho de Dirceu é presa tentando aplicar golpe na Caixa
  7. Dirceu estaria por trás de negócios suspeitos da Petrobras
  8. PF liga Pasadena a suspeita de lavagem e vê ‘organização criminosa’ na Petrobras
  9. Lobista do PMDB denuncia esquema de propina na Petrobras

4 denúncias de uso de caixa 2

  1. Aloprados 2014: PF apreende avião com grana de campanha de Pimentel PT/MG
  2. Campanha de Dilma teria pedido dinheiro ao esquema do ‘petrolão’ em 2010
  3. Skaf e Padilha receberam doações de empresas investigadas pela Operação Lava Jato
  4. Até beneficiário do Bolsa Família é usado em aparente caixa 2 de Dilma

3 denúncias de aparelhamento da justiça

  1. O ministro do TSE que vem seguidamente votando a favor da campanha de Dilma
  2. Escritório do “novato” do STF recebeu dispensa de licitação de R$ 2 MILHÕES da União
  3. Lewandowski interferiu em processo para ajudar o PT e Dilma

5 exemplos de desmandos na saúde

  1. PF faz busca em empresas suspeitas de fraude na gestão de Padilha na Saúde
  2. Em vez de remédios, Labogen importava BEBIDAS e JOIAS
  3. Mais Médicos contrata 41 em situação não regularizada
  4. Ives Gandra diz que profissionais cubanos vivem regime de escravidão no Mais Médicos
  5. Relatos assustadores sobre o trabalho dos médicos cubanos fora de Cuba

10 denúncias de desvios de verbas

  1. PT baiano desviou milhões de programa habitacional
  2. Gerente de “pequenos serviços” da Petrobras desviou R$ 57 milhões da Petrobras
  3. Fraude no seguro-desemprego desvia recursos para servidores e políticos
  4. PF calcula que ex-diretor da Petrobras desviou R$ 300 milhões
  5. Justiça determina suspensão do reitor do IFPR, mais um petista investigado pela PF
  6. Justiça pede bloqueio de bens do ministro Pimentel
  7. Escândalo de desvios na prefeitura de São Paulo já atinge o PT
  8. Prefeitura de São Paulo não sabe para onde vai mais de metade do IPTU pago pelo contribuinte
  9. PF aponta desvio de R$ 6,6 milhões do Ministério da Educação
  10. Ministro Fernando Pimentel desviou R$ 5 milhões da prefeitura de BH, segundo Procuradoria

11 momentos que que o PT censurou e dificultou o acesso à informação

  1. Revista afirma que PT pagou em dólar para silenciar chantagistas
  2. A executiva que Lula mandou demitir e o silêncio das feministas governistas
  3. Foi hacker? Computadores do Planalto são usados para alterar páginas da Wikipédia
  4. Petrobras barra na Justiça investigação de contratos suspeitos
  5. Brasil segue despencando em ranking de liberdade de imprensa
  6. Removida delegada que apura ligação de Lula com o Mensalão
  7. Os BILHÕES que o PT investe em Cuba e só serão conhecidos em 2027
  8. A estranha escala de Dilma em Portugal
  9. Governo esconde gastos com viagens de Dilma
  10. Gastos de Rose são classificados como ‘reservados’
  11. Governo impõe sigilo sobre gastos de Dilma no exterior

3 exemplos de improbidade administrativa

  1. Licitação milionária do DNIT é contestada por empresas
  2. Governador do RS é condenado em ação de improbidade
  3. Futuro ministro da Saúde é investigado por improbidade

6 vezes em que a corrupção generalizada se fez presente

  1. Contadora de Alberto Yousseff denuncia envolvimento do PT em fraude
  2. Doleiro é acusado de lavar R$ 1,16 milhão do mensalão
  3. Dirceu abriu filial de consultoria em paraíso fiscal
  4. Denúncia de propina derruba dois assessores de Mantega na Fazenda
  5. Ministros demitidos por corrupção estão de volta
  6. Meire Poza diz ter repassado dinheiro para pagar multa do mensalão

3 momentos em que se investiu em ditaduras ou grupos radicais

  1. BNDES vai liberar US$ 150 milhões para modernização de aeroportos em Cuba
  2. BNDES patrocina evento do MST com R$ 350 mil
  3. Em Cuba, Dilma inaugura porto construído com dinheiro brasileiro e ainda promete mais R$ 700 milhões

8 vezes que se fez parceria com criminosos

  1. Candidato do PT é suspeito de lavar dinheiro para o PCC
  2. Porto cubano inaugurado por Dilma vem sendo usado para contrabandear armas para a Coreia do Norte
  3. Empresa investigada pela polícia doou R$ 4,5 milhões ao PT
  4. Mesmo presos, mensaleiros receberão quase R$ 7 milhões em salários
  5. Empresas suspeitas de fraude financiaram petistas no AC
  6. Empresa acusada de fraude já apareceu no escândalo do lixo do Palocci em Ribeirão Preto (SP)
  7. Gaievski defende-se da acusação de estupro: menores seriam maduras
  8. Genoino: réu no mensalão e assessor especial do Ministério da Defesa

6 momentos que fraudaram ou prejudicaram programas sociais

  1. MP diz que gestão Haddad beneficia MTST e recomenda bloqueio do Minha Casa, Minha Vida
  2. Prédios do Minha Casa Minha Vida no RJ terão que ser demolidos
  3. Beneficiários do Bolsa Família doaram dinheiro na última campanha em Goiânia
  4. Ligação com o PT garante privilégios no Minha Casa Minha Vida
  5. PF poupou Caixa ao investigar boatos sobre Bolsa Família
  6. Ex-servidores do Ministério das Cidades fraudaram o Minha Casa Minha Vida

5 exemplos de nepotismo

  1. Mulher de coordenador de campanha de Dilma recebeu R$ 6 milhões do governo
  2. Polícia Federal investigou filho de Lula por enriquecimento ilícito
  3. Padilha assina convênio com ONG fundada pelo pai
  4. TCU vê indícios de nepotismo na Petrobras
  5. Dinastia Lula da Silva se recusa a devolver passaportes irregulares

7 vezes em que o superfaturamento foi manchete

  1. Por determinação da Justiça, Petrobras terá que entregar todos os contratos de Abreu e Lima
  2. Empresas sob suspeita faturaram R$ 31 bilhões com a Petrobras na era PT
  3. Custo das obras dos estádios da Copa salta 263% em seis anos
  4. Prefeitura gasta R$ 6 mi com tênis escolar de má qualidade superfaturado
  5. Petrobras fechou contrato superfaturado de US$ 825 milhões com a Odebrecht
  6. PF liga ministro a empresa sob suspeita
  7. TCU confirma superfaturamento na Telebrás

13 vezes em que o partido fez uso da máquina pública em benefício próprio

  1. Prefeitura petista seria a fonte de ofensas e ataques a Aécio Neves
  2. PT e PR pagaram advogados de mensaleiros com dinheiro público
  3. Ministra Ideli é investigada por usar helicóptero do Samu
  4. Dilma torra R$ 22 mil por dia em suíte da Tiffany em Nova York
  5. Governo petista usa verba pública para saber se jornal privado é imparcial
  6. Ministro levou a família a Cuba no Carnaval em jato da FAB
  7. Uso de jato da FAB por autoridades cresce 39% no governo Dilma
  8. Escalas de Dilma no exterior custaram R$ 433 mil aos cofres públicos
  9. Lula levou diretor da Odebrecht em viagem oficial à África
  10. Em Roma, Dilma se hospeda em hotel cuja diária custa até 7,5 salários mínimos
  11. BB, Caixa e outros órgãos públicos gastam R$ 9 mi em ingressos da Copa para VIPs
  12. Familiares de presos ‘comuns’ reclamam de privilégios para visita a mensaleiros na Papuda
  13. Empreiteiras pagaram quase metade das viagens de Lula ao exterior

7 momentos em que o PT perseguiu seus críticos e opositores

  1. Campanha contra Aécio tem origem em computador da Eletrobras
  2. Internet do Planalto foi usada para editar perfis de jornalistas na Wikipédia
  3. Ex-analista confirma: Abin espionou imprensa durante o governo Lula
  4. Militante se diz vítima de censura, mas acaba revelando verba de ‘fakes’ do PT
  5. PT é suspeito de contratar telemarketing para ligar de madrugada em nome de candidato adversário
  6. Documento da Abin desmente ministro e comprova que Governo espionou sindicalistas
  7. Engenheiro que violou sigilo do caseiro vira secretário de Haddad
16 de outubro de 2014

Dilma deve pelo menos 5 cargos públicos de seu currículo a pressões políticas do ex-marido

dilmacoracao

Dilma Rousseff foi casada com Carlos Franklin Paixão de Araújo de 1969 a 2000. Durante este período, o ex-marido da atual presidente do Brasil chegou a ser um dos políticos mais votados pelo PDT gaúcho, partido o qual participaram ambos da fundação. Graças à influência e ao status do deputado, Dilma conseguiu ser nomeada para ao menos 5 cargos públicos:

  • Secretária municipal de Fazenda, em Porto Alegre (1985 a 1988)
  • Diretora-geral da Câmara de Vereadores da capital gaúcha (1989)
  • Presidente da Fundação de Economia e Estatística, do Rio Grande do Sul (1991 a 1993)
  • Secretária estadual de Minas e Energia, no Rio Grande do Sul, no governo Alceu Collares (1993 e 1994)
  • Secretária estadual de Minas e Energia, no Rio Grande do Sul, no governo Olívio Dutra (1999 a 2002)
nepotismo1

clique para ampliar

Detalhes desses movimentos de bastidores podem ser conhecidos no livro “O Lado B dos Candidatos“, dos jornalistas Chico de Góis e Simone Iglesias, lançado neste ano. No capítulo “Matriz ou Filial”, por exemplo, é mostrado como a escolha para a Secretaria Municipal da Fazenda de Porto Alegre foi definida numa reunião com o ex-marido da atual presidente do Brasil:

Os eleitores esperavam do trabalhista Alceu Collares grandes medidas. Nos dias que antecederam a posse, o prefeito eleito e Araújo passaram um fim de semana em um hotel no interior do Estado montando o secretariado. No mapa inicial, Dilma seria secretária de Indústria e Comércio, mas acabou assumindo a Secretaria da Fazenda. Viveu, em dois anos e nove meses no cargo um inferno político e administrativo.

(grifos nossos)

Ainda no mesmo capítulo, é relatada a entrada de Dilma na Secretaria Estadual de Minas e Energias no governo do mesmo Collares como sendo fruto de forte pressão do então marido, o deputado estadual e líder do governo na assembleia, Carlos Araújo:

Num determinado ponto, Collares se acalmou e propôs um armistício. Percebendo que o problema era Araújo, o governador usou Dilma para tentar conter a fúria do amigo. Sugeriu que ela fosse nomeada para a Secretaria de Minas e Energia, já que quem estava no cargo, Airton Dipp, acabara de se eleger prefeito de Passo Fundo e o partido precisava de alguém para substituí-lo.

“Dilma virou secretária numa guerra campal. De forma natural, não seria indicada, porque já tinha brigado com Neuza na prefeitura, e Neuza só consentiu porque se sentiu ameaçada“, relata Mattos.

(grifos nossos)

nepotismo2

clique para ampliar

Algumas situações chegariam a ser cômicas se não fossem lamentáveis, como quando Dilma, também sob pressão de Araújo, ocupou o cargo de Diretora-Geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Foram poucos meses na função pois findou demitida pelo presidente da casa, Valdir Fraga, por constantemente chegar atrasada. “Eu a exonerei porque houve um problema com o relógio de ponto”, disse o vereador.

Perguntou ao operário por que ele não estava trabalhando. “Não tem prego”, respondeu. O presidente da Câmara procurou a direção geral da Câmara, mas ninguém havia chegado ao escritório. Às 9h30, o operário continuava sem trabalhar porque a cúpula não começara a trabalhar e assim não havia como comprar pregos para que a obra seguisse. A partir daquele dia, Fraga pegou o livro de ponto e o levou para sua sala para saber a hora que os funcionários da direção geral estavam chegando. Após esse ato, Dilma saiu em férias e depois se afastou do cargo de diretora-geral da Câmara.

(grifos nossos)

No debate desta terça-feira na rede Bandeirantes pelo segundo turno da disputa para a presidência do Brasil, Dilma colocou em pauta o assunto nepotismo e desafiou que buscassem no governo federal algum parente dela. Propôs o desafio apostando no desconhecimento público de sua própria biografia. A grande diferença, no entanto, não está no fato de ela contratar parentes, mas de ter sido ela mesma por quase duas décadas o parente contratado. Ou ainda pior: o parente imposto.

13 de outubro de 2014

Graças à campanha, Dilma só esteve no Planalto 5 vezes nos últimos 2 meses

dilmapreocupada

Uma das preocupações mais evidentes de quem se coloca contrário às reeleições é a impossibilidade um gestor estar em dois lugares ao mesmo tempo. A presidente Dilma Rousseff, no entanto, vem sem qualquer pudor relegando a segunda importância a sua condição de presidente. Nos meses de agosto e setembro, priorizando sua condição de candidata, ela esteve no Palácio do Planalto apenas cinco vezes — sendo a última delas em 19 de setembro.

A presidente tem recebido ministros e aliados no Palácio da Alvorada, a residência oficial. Em determinados encontros, assuntos de governo até são discutidos, mas em geral eles ocorrem para tratar da campanha eleitoral.

A falta de comando pode estar deixando o país cada vez mais sem rumo. Enquanto Dilma se ocupa com a campanha, a inflação continua em ascensão. Com o acumulado de setembro, o índice atingiu 6,75% nos últimos 12 meses, ficando 0,25% acima do teto estabelecido pelo governo.

Foi a maior inflação em 12 meses registrada desde outubro de 2011 (6,97%). De janeiro a setembro, a inflação oficial é de 4,61%, também acima do verificado nos nove primeiros meses do ano passado, quando o IPCA aumentou 3,79%.

Esse conflito de interesses traz à tona a discussão sobre o fim da reeleição, que é defendido por Aécio Neves, candidato do PSDB. Marina Silva, terceira colocada no primeiro turno das eleições, também faz coro pelo mandato único.

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, reafirmou na tarde desta terça-feira que é contra a reeleição. Marina Silva, do PSB, derrotada no primeiro turno da eleição, também defende a medida e fez dela uma dascondições para apoiar o tucano contra a petista Dilma Rousseff. “Essa proposta do fim da reeleição já está nas nossas diretrizes. Eu defendo há muito tempo. Vejo que há convergências importantes ente as propostas de governo da Marina e as nossas”, afirmou o presidenciável.

Se a reeleição deve ou não acabar, só haverá uma melhor noção quando o assunto for colocado em pauta no legislativo brasileiro. Fato é que o modelo atual gera nítidos obstáculos ao exercício da democracia. Conta a favor do governo todo o peso de sua máquina e a disputa se mostra bastante desigual, com a presidente tendo, só de TV, quatro vezes mais tempo que seus principais adversários. É de se perguntar se, numa disputa com menos desigualdade, a candidata da situação teria conseguido ir a segundo turno. Fato é que a aprovação do seu mandato só voltou a se recuperar depois da veiculação dos seus longos programas eleitorais. Ao se confrontar isso com a inflação em curva de crescimento, conclui-se que a propaganda vem de fato distorcendo a realidade. Se a oposição não faz seu trabalho corretamente, o brasileiro corre o risco de manter no poder uma obra de ficção.

Página 9 de 76« Primeira...7891011...203040...Última »
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Enquete

Escolham os nomes dos dois mascotes olímpicos do Rio:

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Arquivos

Publicidade

Em Rede

Publicidade