Implicante

Blog

26 de novembro de 2014

Como o PT e seus aliados meteram a mão até nos fundos de pensão dos funcionários públicos

dilma lula 2

As investigações da Operação Lava Jato trouxeram à tona mais uma consequência do aparelhamento político de estatais. Dessa vez, o esquema envolve os fundos de pensão de funcionários e servidores públicos, que administram mais de R$ 450 bilhões e foram apelidados de “Clube do Amém”.

As denúncias apontam o direcionamento de investimentos dessas entidades fechadas de previdência complementar para negócios suspeitos, em que geralmente dividem com outras fundações do setor público prejuízos milionários.

O esquema segue o padrão dos demais escândalos do governo. Partidos políticos, como o PT e o PR, aparelham os fundos de pensão com dirigentes por eles indicados. Uma vez ocupadas as cadeiras, passam a, diretamente de Brasília, ordenar onde devem aplicar as verbas. Porque acatavam sem questionamentos as ordens recebidas dos padrinhos políticos, os gestores foram apelidados de “Clube do Amém”. Contudo, se o fundo sofre os recorrentes prejuízos que enfrentam nos últimos anos, alguém na outra ponta do investimento finda ganhando.

A quebra do BVA é um dos exemplos mais recorrentes nas denúncias de participantes dos fundos de pensão sobre o direcionamento de investimentos da entidade por personagens como Traboulsi e Youssef por meio de conexões políticas. Cerca de 70 fundos de pensão investiram R$ 2,7 bilhões no BVA e perderam pelo menos R$ 500 milhões com a derrocada do banco, cujo crescimento exponencial em pouco tempo estava justamente na capacidade de atrair investimentos das entidades de previdência do setor público.

(grifos nossos)

Já foram encontrados indícios da participação de Alberto Youssef no esquema, e um de seus auxiliares, o advogado Carlos Alberto Costa, afirmou que João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, tratou pessoalmente desses negócios em 2005 e 2006.

Carlos Alberto Costa menciona, ainda, um suposto pagamento de propina a dirigentes da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. A PF também encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Youssef atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, este último dos funcionários dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações.

A fim de aumentar a fiscalização sobre o patrimônio bilionário dos fundos de pensão, funcionários das estatais formaram chapas para ocupar cadeiras nos conselhos deliberativos dessas entidades. No início do ano, Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica Federal já elegeram conselheiros para esse fim.

Agora, esses conselheiros pretendem criar um fórum de participantes de vários fundos de pensão para trocar informações e experiências sobre como aumentar a fiscalização interna das fundações e promover mudanças nos estatutos para reduzir a influência das patrocinadoras, e, portanto, do governo. As primeiras reuniões deverão acontecer em janeiro de 2015.

Enquanto isso, a oposição trabalha para aprofundar as investigações a respeito do “Clube do Amém” na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O senador Aloysio Nunes (PSDB) apresentou requerimento para que a presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão, Cláudia Ricaldoni, e Carlos de Paul, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), esclareçam problemas na gestão do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios.

– A agenda da comissão está carregada, mas vamos ter que apressar a aprovação desse requerimento e agendar a audiência pública para este ano ainda. Essas novas denúncias mostram que não há limites para o PT. Não se trata mais de fatos isolados, mas de um modus operandi de um partido que resolveu fundar seu poder na corrupção como estratégia de ocupação – disse Aloysio Nunes.

Se um dia houve limites para a corrupção, a administração petista provou que podia facilmente estraçalhá-los. Nem mesmo para com a aposentadoria de funcionários públicos há o respeito necessário. Por se apresentar este como um partido da classe trabalhadora, só amarga ainda mais o gosto já péssimo desta notícia. A oposição não pode deixar isso passar em branco.

compartilhe
26 de novembro de 2014

Por que escondem os nomes dos políticos investigados pelos desvios na Petrobras?

S?RGIO FERNANDO MORO

É o que tenta descobrir o STF na pessoa do ministro Teori Zavascki. Ele atende a pedido do advogado de Gerson Almada, vice-presidente da Engevix. Segundo palavras do próprio Sergio Moro, em depoimentos já conhecidos pela imprensa, é solicitado um respeito ao foro privilegiado de parte dos envolvidos, pedindo para que, em vez do próprio nome, usem alcunha de “agentes públicos”. A teoria da defesa é que o juiz que acompanha a Operação Lava Jato busca manter sob seus cuidados o comando da Operação:

Para o advogado, que defende Gerson Almada, vice-presidente da Engevix, a PF sabia desde setembro do ano passado que deputados mantinham relações com o doleiro Alberto Youssef, mas o juiz só reconheceu o fato após a operação ter sido deflagrada, em 17 de março deste ano.

Segundo Simantob, a omissão sobre a presença de políticos visa impedir que o caso seja remetido ao Supremo. Deputados federais só podem ser investigados pelo STF porque gozam de foro privilegiado.

(grifos nossos)

Estando certo o advogado, abre-se todo um leque de novas dúvidas. Por que Sérgio Moro quer manter para si o comando da operação? Apenas vaidade? Para evitar que políticos da base governista sejam julgados por nomes que eles próprios indicaram ao Supremo? Para evitar que o foro privilegiado proteja os nomes já conhecidos caso a investigação caia em outras mãos? Fato é que a Polícia Federal vem de uma sequência de investigações descuidadas que, no caso mais grave, transformou o investigador, Protógenes Queiroz, em investigado. Todo cuidado é bem-vindo pelo bem do processo.

Mas, aos poucos, os demais executivos presos na sétima fase da operação Lava Jato começam a colaborar com as investigações da Polícia Federal. Os diretores da Mendes Júnior e da Galvão Engenharia, Sérgio Mendes e Erton Medeiros, respectivamente, já confessaram que pagaram propina ao doleiro Alberto Youssef e a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.

Mendes prestou depoimento na sede da PF em Curitiba durante três horas. Segundo seu advogado, Marcelo Leonardo, que acompanhou a oitiva, Mendes disse que foi ameaçado por Youssef e Costa: se não pagasse propina, não conseguiria fechar novos contratos com a Petrobras e não receberia o pagamento dos contratos que já estavam em vigor — na época, a construtora Mendes Júnior havia sido contratada para fazer a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. O pagamento foi dividido em quatro parcelas de R$ 2 milhões.

Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Leite, que nada revelou sobre os contratos com a estatal em seu primeiro depoimento, já afirmou que seu cliente também está disposto a cooperar em uma próxima conversa.

“Vamos colaborar. Vamos tomar conhecimento de todos os fatos e aí podemos colaborar com um depoimento mais específico na sequência”, disse o advogado. “Ele poderá admitir [atos ilícitos] se forem verdade e colocar a mão à palmatória”, afirmou Mariz.

Enquanto isso, a justiça segue bloqueando os bens dos investigados. Em algumas contas, nenhum valor foi encontrado, mas o Banco Central ainda conseguiu reter R$ 47,8 milhões de 19 suspeitos. Nas contas de Gerson de Mello Almada, da Engevix, havia R$ 22,6 milhões, o que representa quase a metade de todo o valor bloqueado. A outra fatia estava dividida entre os demais.

O empreiteiro Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia, mantinha R$ 10,2 milhões em depósitos. Nas contas do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o BC bloqueou R$ 3,2 milhões. Na conta de sua empresa, a D3TM Consultoria, o valor de R$ 140 mil.

A fim de evitar esse tipo de problema para seus clientes, os advogados das 5 maiores empreiteiras do país tentaram, sem sucesso, fazer um acordo com o Ministério Público antes que as prisões fossem efetuadas.

Na quinta-feira que antecedeu a etapa Juízo Final da investigação, advogados da Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e de duas outras construtoras de grande porte compareceram juntos ao prédio da força-tarefa em Curitiba. Os defensores insistiram na proposta de estabelecer um acordo conjunto. A resposta dos procuradores foi negativa.”Todos se reuniram conosco ao mesmo tempo. Expuseram suas propostas. Nós as ouvimos. E dissemos obrigado, mas não”, disse um dos investigadores.

Estamos diante do maior caso de corrupção da história de um país já rico de exemplos no tema. Natural que suspeitas surjam de todos os lados. Mas, se não houve escrúpulos para desviar valores na ordem dos bilhões das contas da Petrobras, não há por que acreditar que haveria para encarar com a seriedade devida toda a investigação. O próprio Paulo Roberto Costa foi preso após flagrado tentando se livrar de provas. A presidente da Petrobras já se viu sob a suspeita de se proteger de investigação comandada pelo TCU acerca da compra de Pasadena. O mesmo TCU que o governo vem tentando aparelhar. Cautela para se investigar corretamente é sim necessária. Mas tão necessária é a agilidade para fechar o cerco a qualquer investida menos interessada em justiça da parte dos principais suspeitos.

25 de novembro de 2014

Nunca se roubou tanto

petrobras-paulo-roberto-costa

Autor convidado:
Luciano Galvão Novaes

Um texto de Ricardo Semler, publicado no jornal Folha de S. Paulo no último dia 21.11, causou verdadeiro frisson entre petistas e simpatizantes do partido. Pudera. No texto, o empresário diz que é tucano, que nunca se roubou tão pouco no Brasil (como agora) e que a elite escandalizada com os desvios da Petrobras é hipócrita.

A afirmação, na boca de um petista, teria importância nenhuma. Dito por um tucano, entretanto, passou a ter ares de revelação sagrada.

Desde a eleição de lula, sempre que alguém do partido era acusado de qualquer crime, a resposta imediata era negar, como sempre fazem todos os criminosos. Exposta a evidência do crime, entretanto, com a exceção do Mensalão (que descaradamente continua a ser negado pelo partido), o “argumento” passava a ser de que outros já tinham praticado o ilícito.

O recurso nunca foi levado a sério (imaginem um advogado, durante a defesa de seu cliente, acusado de homicídio, afirmar aos membros do júri que Caim havia matado seu próprio irmão). Na defesa petista, entretanto, sempre foi amplamente utilizado, dada a sua característica curinga: esgotadas as possibilidades de defesa do “malfeito”, seu defensor apelava para o histórico da prática em outros governos, sobretudo o de FHC, eterno ídolo petista.

Assim, o argumento, mesmo vindo de um tucano, continua ridículo. De fato, o que se pretende exatamente com ele? Em nome de práticas do passado, o crime atual deve ser ignorado? Se não, o argumento é hipócrita; se sim, o argumento é canalha.

Passadas hipocrisias e canalhices, restam “os dados”.

Segundo o texto, “A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas”. O autor não informa a origem de suas informações. Segundo informações do site Congresso em Foco, entretanto, em 2006, a corrupção consumia R$ 9,68 bilhões, ou 0,5% do PIB brasileiro.

Em 2010 a FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, divulgou um estudo feito pelo seu Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) que informava, a partir de dados de 2008, que o custo médio anual da corrupção no Brasil representava de 1,38% a 2,3% do PIB, algo em torno de R$ R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões.

Os dados da Transparency International (organização mundial que mede a percepção da corrupção nos países) são ainda mais claros ao mostrar a piora do Brasil no quesito.

O gráfico 1, abaixo (produzido a partir de informações que podem ser confirmadas no site da organização – transparency.org), ilustra a evolução do país entre os anos de 1995 e 2011.

Metodo1

Como se vê, há nítida melhora de 1995 até 2003/2004 e sensível piora de 2004 a 2006, quando o escândalo do Mensalão foi habilmente conduzido pelo governo (tanto que lula foi reeleito), fato que pode explicar a melhora pontual da percepção da corrupção no país naquele ano.

A partir de 2006, entretanto, há nova piora do índice.

Em 2012 houve mudança no método de pontuação do ranking, mas não da piora da percepção da corrupção no país: o gráfico 2 mostra que o Brasil continuou em queda. Naquele ano ocupávamos o 69º lugar no ranking da corrupção e no ano seguinte, 2013, caímos para o 72º (o primeiro lugar do ranking é ocupado pela Dinamarca nos dois anos, país considerado, portanto, o menos corrupto do mundo).

Metodo2

O ranking de 2014 ainda não saiu, mas os valores desviados da Petrobras não parecem mostrar melhoria no quesito.

Infelizmente, caro Ricardo, a verdade é que nunca se roubou tanto.

24 de novembro de 2014

Nova Enquete: Os mascotes do Rio 2016

mascotes_2016

 Foram anunciados neste domingo (23) os mascotes dos Jogos olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Os nomes deles serão escolhidos por votação no site do evento, mas como não gostamos de nenhuma das três opções (Oba e Eba, Tiba Tuque e Esquindim e Vinicius e Tom), resolvemos apresentar algumas alternativas de nomes para a dupla.

Escolham os nomes dos dois mascotes olímpicos do Rio:

Ver Resultados

Loading ... Loading …

21 de novembro de 2014

Semler diz que hoje roubam menos na Petrobras, mas seu atual sócio presidiu a empresa de 1999 a 2001. Ué…

ricardosemler

O artigo de Ricardo Semler na Folha de São Paulo (que surpresa…) foi celebrado por petistas internéticos (aqueles mesmos que, até agora, estavam num silêncio ensurdecedor enquanto jorram denúncias contra a Petrobras). A resposta genérica do “sempre teve mutreta” é um recurso comum de quem é pego com a boca na botija, de modo que não surpreenda a repercussão – entre militantes – do texto de Semler. Nesse pormenor, de fato, não falou nada muito errado.

Mas sigamos.

O problema é dizer que as prisões decorrem do fato de Dilma ser presidente, atribuindo a ela o avanço nas coisas. Não é verdade, pois a Polícia Federal atua de maneira AUTÔNOMA, independentemente de quem está no poder. E essa tese se afunda ainda mais quando consideramos as delações premiadas (a depender de quem estava no esquema, portanto, nada seria descoberto).

Também escapa da lógica e do mundo real a ideia – defendida no texto sem muito fundamento (até porque não existiriam) – de que hoje se rouba MENOS. O título “nunca se roubou tão pouco” é de certa forma acintoso. Como assim “pouco”? Há POUCO para roubo? E há ainda “tão pouco”? Por favor, né? Mas, não, não foi pouco. Nem menos do que antes. Fizemos no Implicante uma linha do tempo narrando o Petrolão e a operação Lava Jato. Vejam aqui.

No fim das contas, o raciocínio do “sempre teve disso” (agora promovido a “hoje é bem menos”) serve para relativizar o escândalo sem precedentes (e, sim, é sem precedentes), fazer de conta que a culpa é do sistema, de algo maior (se todos são culpados, então ninguém é culpado). Resta avisar aos que agora estão promovendo delações premiadas e devolvendo centenas de milhões de reais desviados.

Mas há algo ainda mais curioso aí nesse artigo.

Virando novamente a própria mesa
O que de fato assusta no texto de Ricardo Semler é a acusação indireta (ou não tão indireta assim) que faz ao próprio sócio, Philippe Reichstul – confiram aqui, no site da Semco Partners, sua presença no quadro societário (informam que está desde 2006).

Ocorre que Philippe Reichstul foi nada menos que PRESIDENTE DA PETROBRAS (de 1999/2001). Sim, sério. Vejam aqui.

Vale ressaltar um trecho do artigo de Ricardo Semler:

“Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito. Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.” (grifos nossos)

Se agora – segundo o articulista – rouba-se MENOS, como era na época em que seu sócio na Semco Partners, Philippe Reischstul, foi presidente da empresa (notem que ele acusa a CÚPULA)? Como foram aqueles dois anos? Pois é… Considerando ainda a ideia defendida pelo texto (agora roubariam menos), o que afinal de contas levou Semler a associar-se a um ex-presidente da Petrobras justamente na época em que, segundo ele próprio, as coisas não eram tão “boas” quanto agora?

São perguntas que podem parecer irônicas, mas na verdade são muito sérias. E devem ser feitas pela CPI. Nada mais justo, honesto e correto que chamar o próprio Semler, que diz saber desses casos. Além dele, claro, seu sócio que presidiu a empresa por dois anos, naquele período que (novamente, segundo o articulista) as coisas eram piores.

Cabe à oposição o DEVER de convocar Ricardo Semler e seu sócio. Não é admissível passar panos quentes sobre essas declarações. São verdadeiras? Não são? Pois DEVEM ser investigadas, pois são acima de tudo muito graves. E se a oposição NÃO convocá-los nem citar os fatos narrados no artigo, acaba caindo naquele comportamento da base governista que tanto condenamos.

Alguém discorda?

20 de novembro de 2014

Quer entender o Petrolão e a operação Lava Jato? Nós explicamos

dilma-lula-petrobras

O Brasil passa atualmente por aquele que se anuncia como o maior escândalo de corrupção já conhecido em sua manchada história política. Batizado pela Polícia Federal de “operação Lava Jato”, vem sendo chamado pela imprensa de Petrolão, ou um novo Mensalão. Por se tratar de uma peça complexa envolvendo muitos nomes e siglas conhecidos de alguns (e desconhecidos de outros), o Implicante achou por bem enumerar de forma didática os principais pontos deste acontecimento que, ao que tudo indica, está apenas começando a mostrar o lado mais obscuro da base governista. Para isso, foi implementada num endereço de fácil memorização uma linha do tempo com links para notícias, capas de revistas, vídeos e áudios, além de fotos dos nomes citados. Guarde o endereço pois, sempre que uma nova manchete relevante surgir, o conteúdo será atualizado. Passe este link para os amigos e conhecidos que se mostrarem confusos diante de tanta informação. E permaneçamos atentos.

Visite e compartilhe: http://implicante.org/petrolao

13 de novembro de 2014

Petrolão: surge uma relação com o Mensalão e nome de Lula pode voltar a ser citado

dilma lula

O doleiro Alberto Youssef, investigado pela operação Lava Jato, confirmou, em depoimento à Justiça Federal, o elo entre o mensalão do PT e o esquema de corrupção da Petrobras. Ele afirmou que possuía uma conta conjunta com o ex-deputado José Janene (PP-PR) e que repassava valores a agentes públicos e políticos com a ajuda de outro doleiro, Carlos Habib Chater. O dinheiro tinha origem no comissionamento de empreiteiras, decorrente de propinas.

“Tudo o que o seo Janene precisava de recursos ele pedia a mim e eu disponibilizava”, contou Youssef. “Às vezes essa conta ficava negativa, às vezes ficava positiva. Na verdade nessa conta também ia recurso para outras pessoas, não que eu administrasse os recursos dessas outras pessoas, mas eu via esse caixa como caixa do partido, o Partido Progressista.”

No Mensalão, escândalo de 2005 que envolveu diversos integrantes do governo do então presidente Lula, membros do PT compravam votos de parlamentares do Congresso Nacional – por cerca de R$ 30 mil mensais — para que eles votassem de acordo com suas orientações. José Dirceu, então ministro da Casa Civil, foi apontado como chefe do esquema, enquanto Delúbio Soares era responsável por efetuar os pagamentos. Janene, falecido em 2010, liderava o PP na Câmara dos Deputados e foi apontado como destinatário de ao menos R$ 4,1 milhões do esquema operado pelo publicitário Marcos Valério.

A operação Lava Jato, por sua vez, foi deflagrada no dia 17 de março de 2014 e, segundo estimativas, movimentou aproximadamente R$ 10 bilhões com um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os suspeitos trabalhavam com pessoas físicas e jurídicas e praticavam, entre os crimes, estão corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal e desvios de recursos públicos. Os dois principais suspeitos, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, fizeram acordo para delação premiada e já acusaram diversos governadores, senadores e deputados de receberem propina vinda dos desvios.

Nesse terça-feira, o ministro Augusto Nardes, presidente do Tribunal de Contas da União, disse que alertara o governo dos desvios na Petrobras. Também segundo ele, as apurações de irregularidades na Petrobras são “o maior escândalo da história do TCU”. O tribunal quer ouvir a estatal e seus gestores sobre irregularidades na obra do COMPERJ. Eles querem explicações para contratos na ordem de US$ 7,6 bilhõese sem licitação firmados na gestão de Paulo Roberto Costa.

A expectativa agora é de que uma nova linha de investigação da apuração volte a citar o nome do ex-presidente Lula. Nela, através de uma sequência de emails, seriam reforçadas as suspeitas de que a Muranno Brasil, agência de propaganda e marketing, recebera do esquema R$ 1,7 milhão.

Confirmando-se as suspeitas, ficará a certeza não só da repetição do erro dos “aloprados” de 2005, mas da total falta de receio de que a justiça os leve, a exemplo dos mensaleiros, à cadeia. E uma questão ainda pouco tocada pode ser elucidada completando o lead. As investigações já apontam o quando, o onde, o quê, o quem e o como. Falta esclarecer o porquê. A se repetir o Mensalão, restará claro que toda a governabilidade celebrada pelos petistas tinha um preço caro. E quem pagava era o contribuinte brasileiro.

11 de novembro de 2014

Desmoronam as mentiras contadas por Dilma na campanha

dilmapreocupada

Durante a campanha que resultou em sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff publicou um tweet no qual afirmava que os dados sobre o desmatamento indicavam uma queda.

Menos de um mês após o fim da disputa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujas análises estavam prontas desde 14 de outubro (quase uma semana antes da fala da presidente), divulgou os números aos quais Dilma se referiu, mas eles, na verdade, apontam um aumento no desmatamento que chega a 208% em agosto em relação ao mesmo mês de 2013.

Em agosto, foram desmatados 890,2 km², um salto de 208% sobre os 288,6 km² do mesmo mês de 2013. Em setembro foram 736 km², 66% mais que no ano passado.

Assim, nesse que é o primeiro bimestre do “ano fiscal” do desmatamento amazônico, a taxa de aumento combinada foi de 122% –tradicionalmente, os dados de desmatamento são medidos de agosto a julho.

Essa é só uma das inverdades que Dilma contou durante a campanha. Em pouco tempo, várias outras já caíram por terra. Os combustíveis, cujo preço ainda não havia sido alterado a fim de segurar a inflação, já foram reajustados. No entanto, para que o IPCA não estoure o teto da meta, o aumento é internamente chamado de “simbólico”, já que ainda não é suficiente para recompor o caixa da Petrobras.

O aumento vinha sendo defendido por especialistas do setor havia vários meses e chegou a ser tema de campanha – até recentemente, a Petrobras vendia no mercado interno combustível por preço menor que o pago pelo produto importado.

A alta, no entanto, não deve ser suficiente para a Petrobras recuperar o prejuízo dos últimos anos com a defasagem dos preços – estimado em R$ 60 bilhões, segundo a corretora Gradual.

Durante a campanha, Dilma também tentou assustar os eleitores afirmando que as medidas do PSDB em relação aos bancos públicos afetariam programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Após a reeleição, no entanto, uma das primeiras providências do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi anunciar cortes de subsídios a bancos públicos — o BNDES está entre eles — a fim de promover uma redução das despesas.

Falando a jornalistas depois de fazer uma apresentação em evento em São Paulo, Mantega citou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social como um exemplo de onde poderia ocorrer essa redução. O BNDES tem uma série de programas de financiamento com juros abaixo da taxa básica Selic, incluindo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e recebido injeções de recursos do Tesouro Nacional.

Outras medidas impopulares também já estão sendo estudadas, como o “corte seletivo” de luz, o popular “apagão”. O Operador Nacional do Sistema (ONS) já alertou que, a fim de conseguir atender à população durante os meses de janeiro e fevereiro, quando o consumo de energia aumenta, talvez seja necessário cortá-la durante a madrugada, o que atingiria alguns centros urbanos do Sudeste, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

A medida pode ser necessária se as chuvas não forem suficientes para elevar os reservatórios ao nível de 30% em janeiro. Atualmente eles estão em 18,27%. No ano passado, neste período, estavam com 41,62% da capacidade.

Enquanto isso, os juros já sofreram aumento. Embora Dilma tenha acusado o PSDB de “plantar a inflação para colher juros” a fim de amedrontar a população, o Banco Central elevou a sua taxa básica apenas três dias após a reeleição da presidente — de 11% para 11,25%.

Nas palavras do BC, expressas no comunicado que se seguiu à decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) considerou “oportuno” ajustar as condições monetárias para garantir, a um custo menor, um cenário mais “benigno” para a inflação em 2015 e 2016.

No entanto, em vez de se esforçar para reverter os péssimos números que seu governo acumula, a gestão Dilma promete tornar cada vez mais obscura a divulgação destes resultados. O Ibama prometeu, por exemplo, diminuir a divulgação dos dados sobre o desmatamento. Antes, o Planalto já tinha desautorizado informações sobre meta fiscal e cortes no orçamento, vetado prestação de contas das centrais sindicais, mantido em sigilo gastos com cartões corporativos e tornado sigilosos gastos de Dilma no exterior. A prática padrão é a de varrer a sujeira para baixo do tapete, onde poucos conseguem notá-la. Menos de um mês após a reeleição, a preocupação maior parece já ser a autopreservação para a eleição seguinte.

7 de novembro de 2014

Estudo que o governo escondeu durante a campanha mostra crescimento da miséria no governo Dilma

dilma_asma

De acordo com um estudo recentemente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de miseráveis no Brasil cresceu de 10,08 milhões em 2012 para 10,45 milhões em 2013, o que representa um aumento de 3,7%.

O cálculo leva em conta o número de indivíduos extremamente pobres com base nas necessidades calóricas – aquelas com renda insuficiente para consumir uma cesta de alimentos com o mínimo de calorias para suprir uma pessoa de forma adequada, com base em recomendações da FAO e da OMS. A conta estima diferentes valores para 24 regiões do país.

Esse mesmo estudo foi alvo de polêmica em outubro, uma vez que o Instituto teria segurado a divulgação desses dados para que ele não impactasse a corrida eleitoral, o que causou até mesmo problemas internos.

Internamente, o diretor de Estudos e Políticas Sociais, Herton Ellery Araújo, já colocou o cargo à disposição. E disse que deixará a diretoria caso o Ipea mantenha sua posição de divulgar os microdados da Pnad só depois da eleição.

O desconforto do diretor Herton Ellery já foi externado pessoalmente ao presidente do Ipea, Sergei Suarez Dillon Soares, e até mesmo ao ministro Marcelo Nery, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência. Ele tem dito para amigos que está muito incomodado com esta situação e, de forma reservada, argumentou que haverá uso político do caso se os dados não forem divulgados imediatamente.

Em junho, dados do Ipea sobre a pobreza já haviam desmentido informações passadas pela presidente Dilma Rousseff em um pronunciamento de rádio e TV sobre a Copa do Mundo, quando ela afirmou que, em uma década, 36 milhões de brasileiros saíram da miséria.

Estudo publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, vinculado ao Palácio do Planalto) aponta que, de 2002 a 2012, o número de miseráveis (ou extremamente pobres) caiu de 14,9 milhões para 6,5 milhões.

Trata-se, portanto, de uma queda de 8,4 milhões no número de pessoas que vivem na miséria ao longo dos primeiros dez anos da administração petista, abaixo da cifra mencionada por Dilma.

Já em abril, um erro na divulgação de dados da pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres” causou repercussão. Segundo o estudo, 65% dos brasileiros concordaram com a seguinte frase: “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. O número real, no entanto, era 26%.

O IPEA, a exemplo do IBGE, vem se tornando peça chave na manutenção do PT no poder, já que grande parte do discurso que deu ao partido o quarto mandato consecutivo baseava-se em números que, quando não eram maquiados, seguiam em sigilo para conhecimento apenas no momento mais oportuno. Grande parte das mentiras proferidas por Dilma em sua campanha não se manteve em pé por nem mesmo duas semanas. Os próximos anos já seriam difíceis independente de quem vencesse o segundo turno. A falta de credibilidade que o Partido dos Trabalhadores impôs a si mesmo só deixará tudo ainda mais tortuoso.

5 de novembro de 2014

Depois de comprometer o STF e o TSE, governo tenta agora emplacar aliados no TCU

gleisi4

O Palácio do Planalto já está de olho na vaga do ministro do Tribunal de Contas da União José Jorge, que se aposentará no dia 18 de novembro. Como o seu substituto terá papel fundamental nos processos de investigação da Petrobras, vem sendo de total interesse do governo que o novo ministro seja um aliado.

(…) o novo ocupante da cadeira herdará a relatoria dos processos de investigação da Petrobrás, entre eles o que avalia prejuízos na compra da refinaria de Pasadena (EUA). A apuração sobre Pasadena tem potencial para causar mais danos políticos à presidente Dilma Rousseff – que presidia o Conselho de Administração da Petrobrás na época da aquisição, iniciada em 2006.

Alguns nomes cotados são o de Ideli Salvatti, atual ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, e de Gleisi Hoffmann, senadora e ex-ministra da Casa Civil que já agiu a fim de dificultar a abertura da CPI criada para investigar as irregularidades da empresa. Hoffmann, segundo depoimento de Paulo Roberto Costa, também foi beneficiada pelo esquema.

Como revelou o Estado, em depoimento ao Ministério Público Federal, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou que o esquema de corrupção na companhia repassou R$ 1 milhão para a campanha da petista ao Senado, em 2010. Ela nega participação nas irregularidades e diz que a acusação é mentirosa.

Outro nome cotado é o de Vital do Rêgo, senador do PMDB que preside as duas CPIs da Petrobras. Seja quem for o escolhido, será mais um aliado do governo a tomar decisões fundamentais nos principais tribunais do país.

Teori Zavascki, nomeado pela presidente Dilma no meio do processo do mensalão, é um deles. Relator da Operação Lava-Jato no STF, Zavascki ainda não ordenou a abertura de inquérito contra os políticos apontados por Paulo Roberto Costa.

Em quase cem depoimentos da delação premiada, Costa apontou o dedo para pelo menos 28 deputados, senadores, governadores, entre outras autoridades. (…) As declarações do ex-diretor, já confirmadas em parte pelo doleiro Alberto Youssef, devem botar contra a parede grande número de políticos e inflamar ainda mais o clima no Congresso nesta fase após a reeleição de Dilma Rousseff. Pela gravidade das acusações, o surgimento de nomes vinculados às fraudes será mais um ingrediente na crise que só cresce desde a primeira vez em que Costa foi preso, em março.

Alguns artigos recentemente publicados na grande imprensa tentam desmistificar a ideia de que o Brasil corre o risco de “venezuelizar”, ou seja, se enfrentar a mesma crise econômica e política pela qual passa a vizinha de cima no continente. De fato, a Venezuela de hoje é uma realidade ainda distante do país. Mas a de uma década atrás não parece tão distante. Comprometer a independência do poder judiciário foi o primeiro grande passo dado pelo chavismo. Atropelar os pesos e contrapesos do legislativo com uma grande sequência de plebiscitos foi outro. O controle da mídia é um ingrediente que se soma. Desde o momento em que confirmou o segundo mandato de Dilma, vem sendo exatamente essas as pautas priorizadas pelo governismo. Se de fato o brasileiro encara o “venezuelismo” como um problema, é preciso resolvê-lo agora enquanto ainda é jovem. Ou logo poderá ser tarde demais.

Página 9 de 77« Primeira...7891011...203040...Última »
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Enquete

Escolham os nomes dos dois mascotes olímpicos do Rio:

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Arquivos

Publicidade

Em Rede

Publicidade