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Pesquisas de intenção e as intenções das pesquisas

As prévias partidárias sequer elencaram os seus candidatos e os pesquiseiros já começam a fazer as primeiras sondagens. Pra quê? Só há uma possibilidade. No parágrafo seguinte explicamos qual é.

No início deste mês o Datafolha saiu às ruas para fazer a primeira pesquisa pública de intenção de votos para a prefeitura de São Paulo. O problema é que, nem o eleitorado, e nem o instituto sabem exatamente qual panorama analisar. O resultado? Números que não devem ser considerados mas que ilustram pra que serve boa parte das pesquisas eleitorais: criar manchetes e influenciar as escolhas do eleitor.

Para Datafolha, Marta é prefeita de São Paulo desde 2009

Num cenário pouquíssimo provável, o instituto de pesquisa reuniu candidatos que já manifestaram a sua intenção de NÃO CONCORRER à prefeitura. Mesmo assim, o Datafolha fez questão de selecioná-los, sabe-se lá por quê. Por exemplo, entre os nomes do PSDB, os candidatos são José Serra e Aloysio Nunes Ferreira. Os dois já manifestaram publicamente a sua NÃO INTENÇÃO de disputar a prefeitura de São Paulo. A enquete prossegue testando mais dois cenários para os tucanos:  um com José Anibal, secretário estadual de Energia, e outro com o deputado estadual Bruno Covas. Bruno manifestou seu interesse em concorrer à prefeitura, Anibal, talvez. Andrea Matarazzo que disputará as prévias pelo PSDB não foi sequer mencionado.

Do lado petista o cenário é mais verossímil o que não torna o resultado menos inócuo. Marta, que já foi rifada por Lula, aparece com números que variam entre 29% e 31%. O preferido do ex-presidente, Fernando Haddad, aparece com 2%.

Constam ainda nos 8(!) cenários pesquisados pelo Datafolha os candidatos Celso Russomano do PP (13% a 20%), Netinho de Paula pelo PCdoB (8% a 15%) e Soninha Francine do PPS (6% a 11%), além de Paulinho da Força (PDT), Gabriel Chalita (PMDB), Luiz Flávio D´Urso (PTB) e Eduardo Jorge (PV).

Em nenhum dos cenários o instituto testou o nome de Guilherme Afif Domingos, provável candidato pelo recém criado PSD do Prefeito Gilberto Kassab. Ao invés disso, o Datafolha preferiu questionar se o eleitor votaria num candidato apoiado por Lula. É aquela típica questão que ajuda a consolidar o mito do “operário” e serve pra baratinar parte dos tucanos. Questões como essa transformaram Lula no ser inimputável que é hoje. O resultado é conhecido: por medo, poucos tucanos apontam as “controvérsias”, digamos assim, do ex-presidente e ele vai mantendo sua popularidade.

Como dissemos anteriormente, pesquisas como essa só servem para criar manchetes. Tivesse outra utilidade, Lula teria considerado a hipótese de apoiar a candidatura de Marta Suplicy ao invés de apoiar o controverso Haddad que ainda não saiu dos 2%. Não dá pra negar que o déspota sabe como ninguém o que fazer com pesquisas do gênero. O mesmo não ocorre com boa parte das oposições que se reúnem até pra discutir como devem reagir a cada escândalo de corrupção no governo Federal. Isso quando, em eventos públicos, não se contentam com simples saudações protocolares e rasgam elogios aos líderes do PT. Querem que o eleitorado pense diferente, como? Impossível.

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