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Protestos e manifestações de rua: o oportunismo do DCE da Internet™

Avisos: o texto foi escrito antes da baixa das tarifas, razão pela qual faço observação no fim. E, pra turma que comenta dizendo “não sou assim”, fica já REGISTRADO que (obviamente) HÁ EXCEÇÕES – generalizei porque não dá para escrever “salvo exceções” a cada frase. Obrigado pela atenção :)

Os invejosos dirão que é montagem

Os invejosos dirão que é montagem

A seguir, um histórico dos fatos para aqueles que alegam “oportunismo” desta ou daquela turma. Quem será que foi mesmo oportunista? Taí.

Eles estavam contra no começo, inclusive apoiando a ação “enérgica” da polícia. Desqualificaram os manifestantes, fizeram todo tipo de associação dos revoltados ao que seria “elite” ou golpismo. Como atacavam o aumento das passagens de ônibus de São Paulo, que é responsabilidade do petista Haddad, não havia adesões por parte dos webgovernistas.

Mas eis que, na quinta-feira passada, dia 13, manifestantes sofreram agressões graves da PM, incluídos aí jornalistas. Pronto: adesão imediata do DCE da Internet, criaram abaixo-assinado pedindo impeachment do governador, tentaram bombar hashtags, criaram tumblr, aquilo de sempre.

E então a história dá nova reviravolta: as manifestações se mostram inegavelmente nacionais e, para desespero dos que não defendem cidadãos e sim o partido, a polícia militar do DF (de governador petista) desceu o sarrafo em quem protestava. Silêncio no DCE, o silêncio de sempre. Eles parecem não gostar tanto assim das pessoas, a ponto de colocá-las à frente do partido.

Já no domingo, ficou mais claro que o país todo está no mesmo protesto e que o preço das passagens é mero detalhe. Pura gota d’água, estopim para uma revolta coletiva, generalizada. Trata-se de um pedido por mudanças no Brasil inteiro.

Assim, o “ânimo” dos que fingiam fazer parte da coisa na sexta-feira começou a sumir de vez já no grande dia dos protestos (ontem). Alguns (juro!) disseram que era preciso falar apenas da tarifa, outros reclamaram que a coisa ficou “reaça” (afinal, só mesmo um reaça para reclamar do governo, não é mesmo?, já que esses lindos progressistas são os rebeldes que o apoiam há dez anos). Desculpas não faltaram para que mudassem de idéia, num recuo também oportunista.

DEPOIS de ver que o jogo era outro e que a molecada que protesta não estava nem está interessada no joguinho governo x oposição, tanto menos para defender O GOVERNO, a galera engajadinha de tuíter começou a bater cabeça. E isso só aumentou.

As manifestações de ontem comprovaram: é algo nacional e muito maior do que se imaginava e, claro, há um sentimento generalizado de mudança na política do país. Foi o bastante para que batesse o desespero na tigrada, e mais ainda pelo fato de que justamente em SP não houve incidentes maiores – mesmo com uma minoria tentando invadir o Palácio dos Bandeirantes, ao contrário do havido em MG e no Rio.

Ontem, terça-feira, a grande maioria do DCE da internê já tinha desistido. Alegaram que a coisa “perdeu o rumo” e “foi apropriada”.

O auge foi o prefeito Fernando Haddad fugir de helicóptero quando as pessoas começavam a chegar ao prédio da Prefeitura. E saiu correndo (voando?) para uma reunião com Lula, Dilma e o marqueteiro do partido. Prioridades…

(Aliás, como as feministas do PT vêem essa coisa da Dilma a toda hora procurar o Lula? Não é péssimo para a causa da luta pela igualdade de gêneros? Pergunto a elas porque parecem mais engajadas, os militantes em geral acham tranquilo haver um presidente emérito dando as ordens. Mas divago.)

Então, é isso. Quando surgir esse papo de “apropriação do ato” ou “sequestro do discurso”, basta lembrar a ordem dos acontecimentos. Fica claro quem TENTOU apropriar-se, falhando de forma miserável. A síntese desse comportamento é Haddad fugindo de helicóptero enquanto o povo chegava à Prefeitura.

Vale ressaltar que é deplorável a minoria que tenta a todo custo sabotar os protestos por meio de atos destrutivos e totalmente sem noção – invadir palácio de governo, atear fogo em bandeiras hasteadas etc. Isso não é o movimento, é a minoria. Cabe à grande maioria o combate a essa meia dúzia – e muitos já o fazem, registre-se.

Portanto, parabéns à molecada que não se deixou levar pelos mesmos de sempre, de DCE da Internet aos empresários do “amor em São Paulo” – e em todos os Estados, como a tentativa de “liderança”, no DF, por parte do camarada que organizava almoço de apoio aos mensaleiros condenados.

Continuem assim, a luta é de vocês.

ps – Anunciada a redução dos vinte centavos. Parte da militância internética chilicou para que a demanda fosse apenas essa. E agora? Aparentemente, o pessoal do “são sim só vinte centavos pfvr” ficará de boa. Mas nem todos concordam com isso.

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