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Simplesmente não há estudo sério corroborando a tese das “fake news” explorada pela imprensa

O jornalismo vem se baseando em estudo feito por um site de entretenimento

No último domingo, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria gigantesca corroborando a tese de que as mudanças políticas observadas em 2016 nasceram de notícias falsas – as “fake news” – publicadas nas redes. Mas de onde tiraram essa ideia?

O texto apresenta vários estudos. O solicitado pelo próprio jornal à Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, simplesmente renega o fenômeno. Confiram o que a própria Folha publicou:

“O Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP (Universidade de São Paulo), mediu o engajamento de notícias no Facebook durante três momentos de 2016: a aprovação do impeachment de Dilma no Senado, a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a provação em primeiro turno da PEC 241, que fixou um teto para o crescimento dos gastos públicos federais. Os sites de notícias falsas são minoritários no ranking das com maior engajamento.”

Foi citada também uma pesquisa do Birô Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos. Mas eles também rejeitaram a ideia.

“Nos EUA, estudos recentes relativizam a influência das “fake news” na eleição de Trump. Um deles, do centro de pesquisa NBER (Birô Nacional de Pesquisa Econômica), concluiu que as mídias sociais tiveram papel “importante, mas não determinante”. Foram apontadas como fonte de informação mais importante por somente 14% dos americanos (contra 57% da TV, por exemplo).”

E no que a Folha baseou as longuíssimas quatro páginas publicadas no fim de semana? Em dois estudos, ambos do Buzzfeed (aquele site de entretenimento que recentemente abriu uma editoria política) que se debruçou sobre um total de 60 notícias. Para efeito de comparação, isso não dá um dia de atualização em sites como o Antagonista. É praticamente nada:

Segundo um estudo do site BuzzFeed, as 20 notícias falsas sobre a eleição americana com maior engajamento no Facebook nos três meses que antecederam a votação geraram mais engajamentos (8,7 milhões) que as 20 notícias reais com mais reações publicadas por grandes veículos (7,3 milhões).

O BuzzFeed brasileiro chegou a resultado semelhante em relação a notícias sobre a Lava Jato publicadas em 2016: as dez falsas com mais engajamento no Facebook (3,9 milhões) superaram as dez verdadeiras (2,7 milhões)”

Em quem confiar? No Buzzfeed? Ou na USP e no Birô Nacional de Pesquisa Econômica (que renegam a ideia)?

O Implicante confia na lógica.

Fonte: Folha de S.Paulo

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