Fernando Gouveia

10 conselhos infalíveis para a esquerda emplacar de vez com o povão

“Basta seguir à risca tudo isso e não há como dar errado”

Atenção: este é um artigo satírico. O aviso pode soar meio óbvio e faz a coisa perder um pouco da graça, mas é infelizmente necessário nos dias de hoje.

Como sabemos, o esquerdismo tem encontrado algumas dificuldades para atingir o povão, restringindo-se a faculdades de humanas e outros grupos pra lá de minoritários.

Enfim, é hora de acabar com isso. Chegou o momento de difundir a esquerda para o povo de verdade, fazendo com que deixe de ser coisa de menino de classe média que faz cara feia em jantar de família. Aí vão, portanto, dez conselhos:

1 – SEJA MAIS

Sabemos que Lula e Dilma se elegeram escondendo o esquerdismo, fazendo campanha com padres, pastores, não citando aborto nem falando nada de drogas ou criminalidade. Mas fizeram isso por HUMILDADE. Sabiam que, se enaltecessem o esquerdismo, ganhariam de lavada, então preferiram esconder. Porém, agora, a recomendação é que isso seja evidenciado em todas as demais campanhas. Sucesso garantido!

2 – POBREZA E CRIMINALIDADE

Os 99,999999999% de pobres honestos e trabalhadores sempre ficam muito felizes quando alguém diz que a criminalidade é resultado da pobreza. Eles amam ouvir isso! Então, não perca uma chance de passar essa ideia quase central da esquerda. Não se acanhe.

3 – CRIMES E PUNIÇÕES

Outra coisa que o povão ama é bandido NÃO ser punido. O povo mais humilde e trabalhador acredita piamente que, em vez de cadeia, a saída é dar aos bandidos oficinas de artesanato em garrafa pet. Mostre a eles, portanto, que é justamente isso o pregado pelo canhotismo.

4 – ABORTO

Este tema é quase unânime: ao falar que é pró-aborto, um político já ganha a simpatia do povão e em muitos casos leva logo no primeiro turno. É importante bater nessa tecla (também central) de seu ideário. Isso fará com que muitos resolvam aderir à esquerda.

5 – RELIGIÃO

É notório que o povo odeia religião e, por conseguinte, adora quem desce a lenha nos religiosos, especialmente cristãos (exatamente como faz o esquerdismo). Um dos segredos de fazer sucesso com as pessoas mais simples é descer a lenha em católicos e evangélicos.

6 – DROGAS

Desnecessário dizer, já que é fato sabido por todos, mas não custa reiterar: sempre ganha pontos com o povo aquele que defende a legalização das drogas. Aproveite essa tendência inequívoca.

7 – MANIFESTAÇÕES EM DIA ÚTIL

Os que mais aplaudem manifestações realizadas em dias de semana, pode ver, são justamente os trabalhadores pobres. E o aplauso é ainda mais entusiasmado quando os manifestantes bloqueiam sua volta para casa. Não parem com isso, portanto!

8 – QUEBRADEIRA

Além do bloqueio de vias em dia útil, a quebradeira generalizada também é vista com bons olhos pelos mais humildes. É incrível como todos chegam a ficar emocionados a cada vez que um menino de faculdade arrebenta vidraça, detona telefone público ou apronta algo do tipo.

9 – ENCHA O SACO DE TODOS (E OFENDA)

Pode parecer que não, mas na verdade todo mundo adora alguém enchendo o saco. É assim que se consegue aliados, bem sabemos. Alguém disse algo a contrariar determinada tese esquerdista? Nada de bater papo de forma amigável: o segredo para conquistar o interlocutor é xingá-lo, tirar sarro ou chamá-lo de burro. Desse modo, não perca uma oportunidade de ser bem chatão nem de atacar quem discorda de você.

10 – FECHE-SE NA BOLHA

Soa contraintuitivo, né? Bobagem. A bolha ideológica, que vem dando certo já tem uns dez anos, é garantia de sucesso infinito. Cada vez mais fechados, os esquerdistas acabam atraindo a curiosidade dos outros 98,72% da população. E isso tende a dar mais certo ainda quando aplicado o conselho de número 9.

Enfim, basta seguir à risca tudo isso e não há como dar errado.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

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