Fernando Gouveia

Contrariando o esquerdismo, homicídios disparam no país, mesmo caindo pobreza e desigualdade

Os fatos costumam não dar muita bola para as crenças ideológicas.

O esquerdismo tem como característica fundamental a obediência cega a vários dogmas e, por conta disso, os fatos que contrariam suas crendices ideológicas são solenemente ignorados. Servem de exemplo os diversos regimes socialistas implantados no mundo, pois nem massacres, perseguições, fome e demais desgraças, reais e documentadas, valem para confirmar quão terrível foi (e será, a qualquer tempo) o socialismo.

Desse modo, parece talvez inócuo demonstrar com fatos e números a imbecilidade de um outro dogma. Ainda assim, sigamos.

Para os esquerdistas, a pobreza é um dos principais fatores que levariam uma pessoa a praticar crimes. Por quê? Porque a explicação precisa fazer sentido no universo ideológico, que inclui luta de classes, oposição a ações policiais mais firmes e assim por diante. Claro, estupidez sem tamanho e já refutável por fato simples: se nem 0,01% dos pobres cometem crimes, a pobreza não é fator determinante. Ademais, mas não menos importante, esse tipo de pensamento é ofensivo às pessoas honestas e trabalhadoras em situação de pobreza.

Ok, tudo muito óbvio. Mas que tal demolir a tese usando dados do próprio governo, quase todos coletados quando a esquerda estava no poder? Vamos lá.

Nos últimos dez anos, a extrema pobreza caiu drasticamente. Segundo números do Ipea, divulgados em dezembro de 2015, a redução em uma década foi de 63%. Desse modo, seguindo a regra do esquerdismo, os homicídios também caíram, não é mesmo? Ok, talvez não tenham caído tanto, mas deram uma quedinha, certo? Claro que não, e todos sabemos disso.

Os assassinatos só fizeram aumentar. Os dados nacionais mais confiáveis começam em 2012. Vejam o gráfico abaixo, com números oficiais (sim, provavelmente muitos casos não foram relatados a contento):

Os dados de 2012 a 2015 podem ser consultadas aqui; os de 2016 constam do seguinte documento, divulgado nesta reportagem do jornal O Globo. Sempre importante destacar que tal índice é apenas o de homicídios, o que exclui outras ocorrências denominadas “mortes violentas intencionais”, como latrocínio (roubo seguido de morte).

Resumo: à medida que a miséria diminuiu exponencialmente, o número de assassinatos disparou absurdamente. A tese esquerdista, que já não fazia o menor sentido, agora é mais do que comprovadamente uma imbecilidade.

Opa. Eu acho que ouvi alguém falar que é preciso ver os índices de desigualdade, pois isso explicaria. Ouvi sim. Então aí vai: também a desigualdade caiu muito. Confiram a linha temporal do Coeficiente de Gini, que mede justamente a desigualdade:

Despencou. E, de novo, são dados (veja aqui) divulgados pelo governo quando Dilma Rousseff ainda era Presidente.

Portanto, novo resumo: no Brasil, a extrema pobreza quase desapareceu, a desigualdade despencou e ainda assim o o número de homicídios disparou. Essas estatísticas enaltecedoras costumam ter “exageros”, mas DE FATO houve diminuição em ambas (ainda que provavelmente menor), enquanto os assassinatos subiram muito.

E mesmo diante disso tudo, dá para casar R$ 20,00 no chão que a esquerda arrumará uma saída retórica, alguma nova “narrativa”, para dar um jeito de manter a tese. Porque não se trata de postulado com base em fatos ou evidências, mas sim um dogma. E os devotos de seitas fanáticas não costumam deixar que detalhes como a realidade e os fatos atrapalhem suas crendices.

No mais, enquanto a segurança pública do país estiver submetida a esoterismos ideológicos e pajelanças engajadas, o número de homicídios continuará aumentando. Para buscar saídas, é sempre recomendável a seguinte regra: fazer tudo que a esquerda condena (esse método raramente falha, aliás).

Assim, as medidas iniciais seriam construir mais presídios, mexer nas leis penais que permitem esticar processos eternamente, aumentar as penas, investir nas polícias (salários, armas, munições, veículos, treinamento), rediscutir o Estatuto do Desarmamento, estabelecer a sério o debate da redução da maioridade penal etc.

Seria um bom começo.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde escreve às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

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