Fernando Gouveia

Para vencer o esquerdismo, a direita brasileira precisa ocupar espaços e organizar-se

“Se a direita quer mesmo combater o esquerdismo a contento, é preciso que ocupe muito mais. E também é fundamental que saiba organizar-se. Porque foi – e é – o expediente adotado pela esquerda.”

Foto: USP - Wikipedia

Mais do que nunca, ao menos nos últimos quarenta anos, os movimentos anti-esquerda ganham força no país. Houve quem chamasse de “onda conservadora”, mas a verdade é que o povo sempre foi – e continua sendo – conservador. As opiniões sobre aborto, pena de morte, liberação de drogas, entre outros temas, continuam as mesmas.

O que mudou foi justamente a ocupação de espaços. Colunas em jornais, eventos em universidades, websites, redes sociais e assim por diante.

Mas ainda é pouco e, se a direita quer mesmo combater o esquerdismo a contento, é preciso que ocupe muito mais. E também é fundamental que saiba organizar-se. Porque foi – e é – o expediente adotado pela esquerda.

A seguir, alguns exemplos:

Política Tradicional

Por mais que grupos de interesse tenham certa influência, e independentemente da força das manifestações de rua, a verdade é uma só: a caneta está com os mandatários. O poder de mudar as coisas, e estabelecer ou encerrar políticas públicas, é de quem foi eleito.

Desse modo, é fundamental e óbvio que a direita ocupe esse espaço, priorizando candidatos que assumam compromissos ou por meio da candidatura de quem já atua fora da política. Muitos torcem o nariz para isso, mas é a forma mais efetiva, e objetiva, de começar qualquer mudança.

Política Acadêmica

Aparentemente, a tal “onda” direitista é mais forte entre os jovens, de modo que já existem diversos grupos e chapas nas mais diversas universidades. E é importante que isso continue, todas elas sejam divulgadas e estimuladas, bem como seja também encorajada a participação dos demais alunos.

Universidades

Para além dos DCEs e Centros Acadêmicos, há a própria academia em si. Não faz sentido que a esquerda seja hegemônica no corpo docente de diversos cursos, principalmente os de humanas. Enquanto não houver um número grande de direitistas em cadeiras como Sociologia e Filosofia, a tal “escola sem partido” continuará sendo apenas utopia.

Muitos que já tem uma carreira podem fazer esses cursos de forma paralela, ou partir direto ao Mestrado, e assim poder dar aulas.

ONGs, Institutos etc.

A esquerda domina quase que por completo esse campo. Muito difícil uma ONG, seja do que for, não ser declaradamente esquerdista e em defesa de pautas da agenda canhota. Seus diretores são sempre consultados como “especialistas” nos temas e os “estudos”, repletos de viés, são vendidos como documentos fiáveis.

Fórum disso, centro daquilo, instituto daquilo outro e assim por diante. A direita precisa criar também suas ONGs, seus Institutos, juntar os que estudam determinado tema para elaborar documentos, enfim, tudo que a esquerda já faz.

Fundos de Financiamento

Há diversos fundos privados que investem pesado em ONGs e iniciativas esquerdistas. Um caminho é xingar, outro é elaborar projetos para disputar com o esquerdismo essas fontes de financiamento. Provavelmente, nem todos serão atendidos, mas é certo que alguns acabarão tendo êxito e isso já é o bastante.

Fora o sabor especial de desfalcar o adversário num território que sempre foi apenas dele.

Sindicatos e Entidades de Classe

Nada mais esquerdista, não é mesmo? Exatamente por isso, é necessário saber ocupar esses espaços. Claro que em alguns casos a coisa é pesada, com grupos violentos arraigados no poder e pouco afáveis a qualquer ideia de alternância de poder. Porém, nos casos em que não haja periclitação da vida e risco à integridade física, é também importante

Imprensa

Mais um caso em que é preferível ocupar, em vez de apenas reclamar. As redes sociais tem sido ótimas para corrigir informações equivocadas e apontar distorções narrativas, mas ficar só nisso é enxugar gelo. Sim, a grande imprensa tradicional está dando vez a outros meios, mas é um processo ainda lento.

Além de prestigiar colunistas anti-esquerda, é preciso que se faça algo como o citado nas universidades: fomentar movimentos e forças de direita também nas faculdades de jornalismo.

Boicotes

A esquerda é eficiente em cobrar marcas e produtos para que atendem às suas demandas ideológicas, muitas vezes por meio de ações de boicote. A direita precisa aprender a fazer isso. Um equilíbrio de forças nesse campo é parcela essencial na luta ideológica.

Enfim…

Todas essas coisas demandam tempo, empenho, dinheiro etc. Mas são necessárias; sem organização e ocupação de espaços, não há como a direita combater o esquerdismo.

E isso tudo também é parte da democracia.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde escreve às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 16 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

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